SUSTENTA 2012


Sustentabilidade e juros em queda devem puxar negócios da Vayon Insurance

A adesão do mercado segurador a práticas sustentáveis e a queda dos juros devem garantir negócios adicionais para os prestadores de serviços da área de tecnologia de informação, já que atendem aos requisitos de enfatizar cuidados ambientais, sociais e de governança, em linha, portanto, com o desenvolvimento sustentável, e de reduzir custos, algo estratégico em período de queda do ganho financeiro

A afirmação é do diretor de operações da Vayon, Wladimir Chinchio.


Vemos cada vez mais o índice combinado das companhias seguradoras superando a casa dos 100%. Isso demonstra a necessidade de se melhorar a eficiência operacional, principalmente nas despesas administrativas que envolvam as estruturas de sistemas de informação. 

Eficiência operacional, aumento de escala e redução de custos, todas premissas do mercado segurador, estão consideradas em nossas soluções e inovações", afirma ele, acrescentando que os produtos também estão em linha com as práticas de sustentabilidade.

Na semana passada, durante a realização do seminário anual da International Insurance Society (IIS), ocorreu o lançamento mundial dos Princípios de Sustentabilidade de Seguros (PSI, na sigla em inglês), da ONU. 

Um grupo de seguradoras de diversos países, incluindo quarto grupos nacionais e a CNseg - 33 ao todo-, fez sua adesão aos PSI, prometendo adotar práticas que enfatizem parâmetros ambientais, sociais e de governança. 

A perspectiva é de que outras seguradoras brasileiras façam a subscrição ao PSI nos próximos meses. Enquanto isso, no plano econômico, a fraqueza do PIB brasileiro deve garantir a continuidade da política de redução da Selic, fazendo baixar o ganho das aplicações financeiras das seguradoras e exigir revisão na política de negócios, como redução das despesas administrativas.

Nesse sentido, Wladimir Chinchio destaca justamente o lançamento, em janeiro, de um produto inédito da Vayon. Trata-se da Vayon Insurance Cloud (on.iCloud). Com a on.iCloud, seguradoras e corretoras passam a dispor de uma plataforma de software especializada no processamento (distribuição, cobrança, comissão, sinistro e atendimento ao cliente) de seguros massificados e microsseguros. 

"A on.iCloud é uma solução em “nuvem” que abarca software, hardware, armazenagem, poder de processamento e administração, isto é, a companhia seguradora não necessita instalar, manter ou contratar nenhum software ou hardware adicional", destaca ele

Segundo ele, entre outras inovações em relação à plataforma, há a convergência de canais de distribuição: ou seja, um produto configurado no on.iBusiness já está pronto para ser comercializado pelos canais tradicionais (call center, comércio varejista e utilities), e por novos meios de distribuição (celular/SMS, Point of sale (PoS), redes sociais e internet).

Seu Time to market é reduzido: o on.iBusiness é altamente padronizado e reúne componentes de negócio de fácil utilização. Segundo ele, seu funcionamento é como uma linha de montagem de automóvel, no qual as operações são montadas a partir de peças pré-construídas. 

Estas características, explica, possibilitam a redução substancial no tempo de criação de novos produtos, instrumentação do canal de distribuição e a integração dos serviços dos parceiros da companhia (assistências e prestadores). Enfim, a adoção do on.iCloud proporciona significativa redução de custos as companhias, pois entrega uma solução completa, sem custo de implantação e sem custo fixo. A companhia só paga pelos seguros que vender, afirma ele.[3]

Outro mérito: a on.iCloud é uma plataforma de software e serviço projetada para ser sustentável e eficiente energeticamente. Isso porque a on.iCloud implementa dois aspectos fundamentais de sustentabilidade. 

O primeiro é o “seguro sem papel”, isto é, os principais processos da companhia (distribuição, cobrança, comissão e sinistro) são totalmente automatizados e integrados gerando zero de resíduo e CO2; o segundo é o conceito de “dynamic process”, isto é, os recursos de hardware aumentam ou diminuem conforme as necessidades de processamento da companhia, por exemplo, no final do mês quando ocorre o fechamento de vendas os recursos de hardware aumentam para atender à demanda e, na sequência, diminuem para atender ao dia a dia, conclui Wladimir Chinchio.

O modelo da Rio+20 não basta para discutir sustentabilidade

Por: Thalita Pires, Rede Brasil Atual



Uma reunião de chefes de Estado organizada pela ONU não trará grandes avanços na questão urbana

O resultado final da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, pode ser avaliado de diferentes maneiras em diferentes áreas. No que tange à questão urbana, está claro que a conferência foi um grande fracasso. 

Apesar de o documento final do encontro dedicar alguns parágrafos ao tema Cidades Sustentáveis e Assentamentos Humanos, não há grande avanço em termos práticos. 

Vou discorrer sobre alguns motivos para esse fracasso, que se confundem com os problemas gerais da Rio +20, sem a pretensão de esgotar o tema.


Em primeiro lugar, falta ao mundo uma compreensão maior da importância das cidades no bem-estar geral da humanidade. 

Os atuais líderes políticos se formaram em um tempo em que a maior parte da população vivia no campo, assim como a pobreza estava concentrada por lá. 

As cidades eram sinônimo de melhores oportunidades e, se uma pessoa era pobre na cidade, o entendimento geral era de que ela certamente teria acesso mais fácil aos serviços públicos básicos e a oportunidades de trabalho.

Acontece que esse mundo mudou. Já faz 5 anos que o mundo tem mais pessoas morando em cidades do que nas áreas rurais, um fenômeno que está longe de se esgotar. 

Além disso, a pobreza urbana está se acentuando. A onde neoliberal dos anos 80 e 90 diminuiu serviços públicos e arrasou economias, deixando muitas pessoas sem emprego. As condições de vida nas cidades deixaram de ser necessariamente melhores que as do campo. 

Hoje, quem vive em cidades tem mais chances do que no passado de desenvolver doenças respiratórias (por conta da poluição e do ambiente interno das casas dos mais pobres, com pouca ventilação) e do aparelho circulatório (por conta do aumento do consumo de alimentos industrializados e diminuição da atividade física), além de problemas clássicos relacionados à falta de saneamento básico. 

Tudo isso aponta para a necessidade urgente de deixar de pensar em pobreza como algo separado do território. Existem diferentes fardos na pobreza rural e na do campo, e eles devem ser considerados separadamente, sob pena de nenhum deles ser aliviado.

Outro ponto que merece crítica é a superficialidade dos termos usados no documento final da Rio +20 para falar das cidades. O texto cita a necessidade de criar cidades mais sustentáveis, mas sequer aceita do desafio de definir o que é sustentável. 

Além disso, o documento não tem força de lei, ou seja, mesmo assinando a resolução, nenhum país é obrigado a de fato aplicar as decisões. 

Aqui começa outra reflexão. Acredito que a Rio +20 se tornou uma decepção porque muitos esperavam dela mais do que seria possível. Claro, em muitos assuntos os países poderiam ter sido mais audaciosos nas suas propostas, mas alguém esperava que todos os chefes de estado presentes no Rio concordassem com medidas realmente importantes para o meio ambiente? 

É muito mais fácil que pequenos grupos de países, reunidos em torno de diferentes afinidades, consigam chegar a consensos. Da maneira como a Conferência acontece, ela estava fadada ao fracasso antes que o primeiro chefe de estado pousasse no país.

Seria interessante que o mundo se propusesse a achar uma maneira mais efetiva de discutir o desenvolvimento sustentável. Cada realidade traz desafios diferentes. Sustentabilidade nos países nórdicos tem um significado muito diferente daquele nos países do Sudeste Asiático ou da África Subsaariana, por exemplo. 

É impossível achar um consenso mundial, então que os governos comecem a procurar definições locais.

Central x local

Há ainda outro motivo pelo qual uma reunião de governos nacionais não poderiam avançar significativamente na questão urbana ou em quaisquer outras. 

A maior parte das medidas que devem ser tomadas para melhorar o meio ambiente não é decidida nas esferas de poder central, mas sim local. São as prefeituras e estados (e seus similares pelo mundo) que controlam grande parte das emissões de poluentes – circulação de carros e instalação de indústrias –, manejo do lixo, construção civil e muitos outros campos. 

Por melhores que sejam as intenções de presidentes, primeiros-ministros e similares, são os governadores e prefeitos que de fato aplicam grande parte das políticas que afetam a vida das pessoas.

Prova disso é que a reunião do C40, entidade que reúne as maiores metrópoles do mundo, apresentou resultados mais concretos que a Rio +20. As 59 integrantes do grupo, entre elas São Paulo e Rio de Janeiro, se comprometeram a cortar a emissão de 1,3 bilhão de gases do efeito estufa até 2030. 

É preciso lembrar que esse compromisso tampouco é oficial; se não for atingido, não haverá qualquer sanção. Mas é muito mais do que foi alcançado no conferência da ONU. Além disso, sempre é mais fácil cobrar um governo quando ele assumiu um compromisso público, ainda que não seja uma meta obrigatória. 

Além de apontar um caminho para futuras negociações, a reunião de prefeitos mostra a importância de cobrar nossos administradores municipais para avançar na questão da sustentabilidade. 

Localmente, é mais fácil detectar prioridades e tomar iniciativas que de fato façam a diferença. Fica também o alerta para levarmos a sério as eleições municipais que se aproximam. Seu resultado atinge o dia a dia de todos nós.

Rumo à sustentabilidade

Vagner Aquino

Nas últimas semanas não se falava em outra coisa se não na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas que tem como objetivo as questões do meio ambiente. 

Pegando carona nesta ideia, embarcamos rumo à Cidade Maravilhosa para conferir, na prática, os passos da Renault em direção à sustentabilidade: os modelos totalmente elétricos Fluence Z.E. (Zero Emition) e Twizy.


Vamos começar falando do sedã médio, que é vendido na Europa - versão elétrica - desde outubro ao preço de 20,9 mil euros (cerca de R$ 55 mil). Mas vale lembrar que o modelo não tem previsão de chegar ao Brasil, pois, além de o País seguir a cartilha do uso de etanol, não há incentivo fiscal.

Logo de cara notam-se as diferenças em relação ao modelo convencional. A começar pelo tamanho. São 13 centímetros a mais, o que resulta em 4,75 metros de comprimento, tudo para permitir a instalação das baterias atrás do banco traseiro. De acordo com a marca de origem francesa, o componente garante até 160 quilômetros de autonomia.

Há outras diferenças, como as lanternas (maiores e levemente acinzentadas), as rodas - redesenhadas para reduzir turbulências aerodinâmicas -, as duas portinholas de recarga localizadas nos para-lamas dianteiros, e até mesmo as cores da carroceria. A unidade avaliada trazia o tom azul energia, justamente para remeter à ideia de veículo ecologicamente correto.

SOB O CAPÔ

Ao invés do motor 2.0 Hi-Flex de até 143 cv da variante vendida aqui no Brasil, o Fluence Z.E. (primeiro modelo 100% elétrico do segmento de sedãs) leva sob o capô um propulsor elétrico de 70 kW - o que equivale a 95 cv.

Se nos detalhes o modelo chama a atenção, na prática a surpresa é ainda maior. Tudo começa no momento da ignição - estranhamente, ao contrário da versão original, o modelo elétrico não liga por meio de botão no console, é necessário virar a chave, como na maioria dos veículos.

O silêncio, continua. Mesmo com o motor ligado, não há aquele barulhão. Para saber que o carro está ligado é necessário ficar atento à inscrição ‘GO' que aparece no quadro de instrumentos, próximo ao computador de bordo - com informações sobre consumo, autonomia e bateria.

Como já é de se esperar, não há trocas de marcha. Apenas uma espécie de joystick para permitir ao modelo ir para a frente, para trás ou manter-se parado (modo estacionamento ou neutro).

Quando o pé encosta no pedal do acelerador, o único barulho que se ouve é o atrito dos pneus com o solo e o vento batendo na carroceria. Cabe aqui uma comparação com o primo Nissan Leaf, cujo design já foi projetado para driblar o vento, jogando-o para fora da carroceria.

Na hora de frear, não espere aspereza ou peso. Mesmo com sistema de regeneração da força de frenagem, o pedal é completamente macio, diferentemente de modelos híbridos, por exemplo, bastante pesados e, em alguns casos, imprecisos.

Com o torque de 23 mkgf disponível a todo tempo, o modelo não hesita em avançar prontamente quando solicitado. E, óbvio, nada de expelir gases pelo escapamento, que aliás, não existe em modelos totalmente elétricos.

Divertido e ambientalmente correto

Na mesma tarde em que dirigimos o Fluence (leia acima), a Renault nos permitiu dar umas voltinhas a bordo do Twizy - que também traz motorização 100% elétrica. Vale lembrar que o modelo (que transporta até duas pessoas) não é homologado no Brasil, nem como automóvel nem como quadriciclo, por isso, foi necessário andar em circuito fechado./CS

O Twizy foi lançado em abril na Europa e, de acordo com a própria Renault, já soma mais de 4.000 unidades comercializadas. Lá, custa 6.990 euros - cerca de R$ 17.890, sem contar os (altos) impostos brasileiros. Previsão de vir para cá? Nenhuma!

AO VOLANTE

Diversão é a palavra de ordem quando se dirige o Twizy. Visto de fora, ele é pequeno e, diga-se de passagem, tão esquisito quanto o nome.

Hora de entrar e ajeitar o cinto de segurança. Aliás, os cintos! Pois além do convencional - de três pontos - há um lateral para evitar que o condutor seja arremessado para fora. Vira-se a chave na ignição. 

Do lado esquerdo do volante há uma espécie de botão. Este é o câmbio. Basta pressionar o dedo no ‘D' (de Drive) e puxar o freio de estacionamento (embaixo do volante), que o veículo está apto a se movimentar. O silêncio é total e o comportamento semelhante ao de qualquer carro automático convencional, mas nem passamos dos 30 km/h. 

A maior dificuldade é lembrar dos (grandes) para-lamas, que não perdoam qualquer descuido. E o detalhe mais curioso é poder sair por qualquer dos dois lados quando o veículo é desligado.

Com 200 quilômetros de autonomia e grande facilidade de estacionamento, o Twizy tem como principais tecnologias o reaproveitamento da energia da frenagem e o sistema de pré-aquecimento (ou pré-refrigeração) do habitáculo.

Apesar de pequenino, o carrinho tem lá seus mimos, como computador de bordo com indicação de autonomia, consumo (médio e instantâneo) e energia restante, além de indicador/medidor do nível de carga da bateria, econômetro e sistema de navegação inteligente para encontrar os pontos de recarga mais próximos.

Congresso da ABAG debate a liderança mundial do Brasil nas áreas de alimentos e de geração de bioenergia

11º Congresso Brasileiro do Agronegócio - Brasil - Alimentos e Energias Seguranças Globais acontece dia 6 de agosto, no Sheraton São Paulo WTC Hotel, em São Paulo 
MECÂNICA DE COMUNICAÇÃO


Até 2020, a oferta de alimentos no mundo terá de crescer 20% para dar conta do aumento da demanda. O Brasil deverá responder por 40% desse incremento. 

Na mesma linha de raciocínio, um cenário de demanda de energia indica a necessidade, segundo estudos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de se descobrir mais quatro Arábias Sauditas em petróleo nos próximos 20 anos. 

Estes dois temas, suas dificuldades, desafios e oportunidades, ocuparão lugar central nas discussões do 11º Congresso Brasileiro do Agronegócio, que a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) promove no dia 6 de agosto, em São Paulo.

Com o tema principal “Brasil Alimentos e Energias Seguranças Globais”, o evento será realizado no Sheraton São Paulo WTC Hotel, em São Paulo, e reunirá as principais lideranças brasileiras do agronegócio. 

“O cenário global de instabilidade na oferta permite amplas oportunidades para o Brasil aproveitar e se projetar como grande fornecedor de alimentos e de energia renovável. 

Resta verificar a convicção existente no governo e na sociedade brasileira para seguir nessa direção”, observa Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da ABAG.

A entidade decidiu assumir a responsabilidade de promover o debate dos dois temas pelo fato de o Brasil, por sua forte vocação em ambos os campos, ter assumido uma fundamental liderança mundial na oferta de alimentos e também de energia renovável e sustentável. 

“Junto com o governo, as lideranças do setor precisam sensibilizar a sociedade nacional e internacional de que o Brasil vem trabalhando para produzir alimentos e energias sustentáveis de maneira a atender a crescente demanda global”, acrescenta Carvalho.

A responsabilidade do Brasil no que diz respeito à produção de alimentos e de bioenergia ganha cada vez mais importância, quando se recorda que o produtor brasileiro tem conseguido ganhos expressivos de produtividade, sem ampliar a área plantada, o que consolida sua condição de país de agricultura sustentável. 

E o Brasil tem sido capaz de atender, principalmente, a crescente demanda por alimentos gerada pela exuberante evolução dos chamados países emergentes. Tal evolução é registrada tanto no crescimento populacional, como também no aumento da renda per capita desses países. 

Todas essas questões, assim como suas derivações econômicas, sociais e políticas estarão contempladas no temário do Congresso da ABAG. 

Será promovida ainda uma série de palestras e painéis tratando de temas como “Tendências Globais para Alimentos e Energias: o Papel do Brasil e Políticas Públicas Fundamentais”. 

Além dos debates, o Congresso também será a oportunidade para homenagens. Serão entregues os prêmios “Ney Bittencourt de Araújo – Personalidade do Agronegócio” e “Norman Borlaug”, reverenciando grandes personalidades do setor e suas contribuições ao agronegócio brasileiro.

Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) lança Visão Brasil 2050

MARIANA BRENNER
Documento, que é uma nova agenda de negócios para o Brasil, foi elaborado em conjunto pelas 74 maiores empresas do país



O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) lançou na sexta-feira, 22 de junho, o documento Visão Brasil 2050, uma nova agenda de negócios para o País, que foi elaborado em discussões realizadas com 74 das maiores empresas brasileiras, associadas à entidade. 

O estudo é a versão tropicalizada do Vision 2050, do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), lançado em 2010. 

As duas agendas têm em comum o propósito de apresentar a visão de um futuro sustentável e de como é possível alcançá-lo a partir de nove temas básicos, identificando tarefas que precisam ser implementadas.

O documento mundial passou por uma nacionalização que buscou apontar os principais desafios do Brasil em cada um dos temas de referência identificados como relevantes para a realidade do País. 

A partir do cenário atual procurou-se definir como seria o cenário desejado em 2050 e qual o caminho para se chegar até lá. 

Ao todo foram realizados 11 workshops com cerca de 500 pessoas de mais de 70 empresas e dezenas de instituições acadêmicas, ONGs e representantes dos governos. Um Conselho Consultivo com nove especialistas também foi criado para agregar novas perspectivas e identificar as lacunas do documento.

"O setor empresarial nacional deu um grande salto com a elaboração do documento Visão Brasil 2050. Queremos chegar daqui a 40 anos sendo o Brasil uma potência verde. 

O documento internacional que nos inspirou virou referência para planejamento de governos e empresas, queremos que isso aconteça com o estudo brasileiro. Hoje sabemos que o desenvolvimento sustentável é o único caminho, não há alternativa. 

No Visão Brasil 2050 foram definidas as tarefas, os responsáveis por elas e o tempo em que essas atribuições devem ocorrer. A partir daí é possível definir metas. Definitivamente é um documento de vanguarda", destaca a presidente executiva do CEBDS, Marina Grossi.

De acordo com o embaixador Carlos Márcio Cozendey, assessor internacional do Ministério da Fazenda, o documento está alinhado com o objetivo do país de engajar a sociedade, compreendida dentro dela o setor empresarial. 

"O Ministério da Fazenda está imbuído em pensar instrumentos econômicos que levem ao desenvolvimento sustentável. Creio que Visão Brasil 2050 sirva para demonstrar a maturidade que as questões ambientais ganharam de 20 anos para cá".

Os pilares do Visão Brasil 2050 são: 

Valores e Comportamento; 
Desenvolvimento Humano; 
Economia; 
Biodiversidade e Florestas; 
Agricultura e Pecuária; 
Energia e Eletricidade; 
Edificações e Ambiente Construído; 
Mobilidade, e Materiais e Resíduos. 

Cada um dos temas está dividido em quatro partes: cenário atual, visão 2050, ações até 2020 e ações de 2020 até 2050.

Segundo o CEO da Alcoa, Franklin Feder, a iniciativa privada teve atuação de protagonista na Rio+20. "A partir do lançamento do Visão Brasil 2050 nenhuma empresa pode alegar que não há um direcionamento. Com o documento já temos um norte, uma referência para alcançarmos o desenvolvimento sustentável". 

Para o presidente da Câmara Temática de Clima do CEBDS, Davi Canassa, "a partir de agora, as companhias podem se planejar melhor e adotar medidas, elencadas no documento, para a transição para a economia verde. 

Os nove temas tratados são aderentes e farão parte das discussões de longo prazo das empresas. O estudo irá nos ajudar a traçar rumos", disse o diretor corporativo de Planejamento e Gestão do Grupo Votorantim.

Também participaram do evento de lançamento do Visão Brasil 2050, Malu Pinto, diretora executiva de Desenvolvimento Sustentável do Santander; Glauce Ferman, diretora de Relações Governamentais e Institucionais da Michelin; Jorge Soto, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem; e Philippe Joubert, assessor do presidente do WBCSD (World Business Council for Sustainable Development).

Algumas propostas de Ações até 2020 se destacam. 

No tema Economia, para chegar ao desejado, o texto propõe ações de curto prazo, como incentivos por meio de renúncia fiscal, por exemplo, as isenções de impostos sobre produtos industrializados (IPI) com tecnologias mais eficientes, orientadas para o baixo carbono, ou que promovam a proteção ambiental.

Em Energia e Eletricidade, o estabelecimento de subsídios e incentivos fiscais para a construção de parques eólicos, produção de biomassa, pequenas centrais hidroelétricas e outras fontes renováveis de geração de eletricidade, complementando a atual matriz hídrica é uma das propostas de curto prazo, além do incentivo a comercialização de veículos híbridos, por meio de redução de tarifas como IPVA, IPI e outros impostos.

Em Florestas e Biodiversidade, o texto apresenta como caminho para a Visão 2050 a inserção de critérios que assegurem a proteção da biodiversidade nos processos de compras públicas. 

E, em Edificações e Ambiente Construído, a garantia da comprovação da origem legal de matéria-prima, a implementação da medição individualizada de água em edificações novas e na reforma das existentes, e a garantia de incentivos e subsídios fiscais para o investimento em eficiência energética nas edificações são algumas das ações que levarão ao desperdício zero na construção civil.

Para elaboração do texto, ao longo de 2011, o CEBDS contou com a parceria e consultoria da PwC Brasil.

Sobre o CEBDS:

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma associação civil, sem fins lucrativos, que reúne os mais expressivos e maiores grupos empresariais brasileiros, com o fim de promover o desenvolvimento sustentável no país. 

Fundada em 1997, a organização tem 74 empresas associadas. Além disso, é a representante no Brasil do World Business Council for Sustainable Development (WSBCD), organização global que que conta com uma rede de mais de 60 conselhos nacionais e regionais em 36 países.

Empresas Associadas ao CEBDS:

Abralatas, AES Brasil, Alcoa Alumínio S.A, Allianz Seguros, Amanco do Brasil S.A., AmBev – Companhia Brasileira de Bebidas, Amil Gerações, Anglo American, Arcelor Mittal Brasil, Bahia Mineração, Brasil Foods, Banco do Brasil S.A, BASF S.A, Bayer S.A., BNDES, BP Brasil Ltda., Bradesco S.A, Braskem, Caixa Econômica Federal, Capemisa, CCR, Chemtech, CHESF – Companhia Hidro Elétrica de São Francisco, Coca-Cola Indústrias Ltda., companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG, Companhia Paranaense de Energia – COPEL, CPFL, DNV – Det Norske Veritas, Dow Brasil, EBX, Ecofrotas, edp – Energias do Brasil, Ecopart Assessoria, Eletrobras, Eletrobras Termonuclear S.A. – Eletronuclear, Furnas Centrais Elétricas S.A., GE, Gerdau Açominas S.A., Goodyear, Grupo Abril, Grupo Pão de Açúcar, Grupo Santander Brasil, Holcim (Brasil) S.A., HSBC Bank Brasil S.A., Petróleo Ipiranga, Instituto Solví, Itaú, Lorentzen Empreendimentos S.A., Michelin – Sociedade Michelin de Participações, Indústria e Comércio Ltda., Monsanto, Natura Cosméticos S.A., Nestlé Brasil Ltda., Pepsico, Organizações Globo, Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRAS, Pirelli Pneus, Philips, Raízen Energia S.A., Schneider Eletric, Sebrae MG, Shell Brasil S.A, SHV Gas Brasil, Siemens, Solvay do Brasil Ltda., Souza Cruz S.A., Suzano Papel e Celulose, Syngenta Seeds Ltda., Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico, TIM, Unimed, USIMINAS – Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A., Vale, S.A. Indústrias Votorantim – (Grupo Votorantim), WAL – MART BRASIL.

Excelente campanha para doação de órgãos: Ticket de Espera

E você? Vai ajudar a diminuir esta fila?

Eike Batista (Grupo EBX) e Murilo Ferreira (Vale) encerram seminário no Humanidade 2012


Empresários apresentam ações sustentáveis das companhias e pedem mais conscientização popular                                                              Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp






No encerramento do seminário “Lideranças Empresariais”, no penúltimo dia de agenda do Humanidade 2012, Eike Batista e Murilo Ferreira, presidentes do Grupo EBX e da mineradora Vale, respectivamente, falaram de iniciativas das companhias na área de desenvolvimento sustentável. 






Participaram do evento o vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, e o presidente do Sistema Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira.
Ometto ressaltou que o evento realizado no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, mostrou que a indústria brasileira está atenta à sustentabilidade. “Estamos fazendo muito para as futuras gerações, e os encontros com os cidadãos nestas duas semanas do evento mostraram a valia da cidadania.”
Já o presidente do Sistema Firjan ressaltou a união das indústrias. “[Ela] Multiplica seu poder de atuação e transformação, ultrapassando os muros das próprias indústrias e chegando até a sociedade.”
Veja o resumo do painel:
Eike Batista (EBX) – O presidente do Grupo EBX mostrou as ações de sua companhia, entre elas o programa “Gestão Integrada de Território”, que tem o compromisso de colaborar com o entorno de suas unidades em operação. Detalhou ainda os resultados da adoção da Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro pelo Grupo EBX, onde o nível de coliformes fecais de suas águas apresentou queda de 90%.
Apesar do resultado positivo, Eike lamentou os 500 quilos de lixo retirados por dia na lagoa, metade orgânico, metade descartado pela comunidade. “As pessoas têm que entender que a Lagoa Rodrigo de Freitas não é minha, é de todos. 
É preciso uma contrapartida, uma conscientização das pessoas do entorno e de localidades mais distantes”, advertiu. “A Rede Globo”, prosseguiu Eike, “poderia realizar uma novela com um personagem ‘sujismundo’ da vida para fazer com que todos os brasileiros entendam que tudo aquilo é nosso.”
O empresário ressaltou que até 2014 mais de 250 mil brasileiros serão capacitados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e outras escolas técnicas. 
“O Brasil está se instrumentalizando para fazer isso tudo acontecer. E continuem cobrando de mim, pois meu sonho é ver um Brasil mais verde e um mundo mais azul”, arrematou.
Murilo Ferreira (Vale) – O presidente da Vale retomou um tema que, para ele, já deveria estar superado: a pobreza mundial. 
“É uma violação dos direitos humanos o fato de 1,3 bilhões de pessoas viverem com US$ 1,25 por dia, que as coloca abaixo da linha da pobreza, é inaceitável”, disparou. 
“Nosso desafio”, disse Ferreira, “é oferecer tratamento digno a essas pessoas; o meio ambiente é tema das discussões, mas não dá para resolver um problema se a pobreza não for resolvida.”
Murilo Ferreira afirmou que é necessário trabalhar de forma mais consistente a cultura dos cidadãos, além de reforçar o papel da responsabilidade social nos locais onde a Vale opera. 
“Não podemos ignorar isso. Tem que haver uma alternativa para as pessoas desenvolverem seus próprios negócios, com economia verde e direito ao rendimento mínimo para viver decentemente”, concluiu.
Humanidade 2012
O Humanidade 2012 é uma realização da Fiesp, do Sistema Firjan, da Fundação Roberto Marinho, do Sesi-SP, Senai-SP, Sesi Rio e Senai Rio, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal, concebida para realçar o importante papel que o Brasil exerce hoje como um dos líderes globais no debate sobre o desenvolvimento sustentável. 
O evento acontece no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, entre os dias 11 e 22 de junho. 
O espaço de exposições é aberto ao público e a agenda completa de eventos pode ser consultada no site  www.humanidade2012.net

Indústria olha a sustentabilidade como um bônus para o setor, diz diretor da Fiesp

São Paulo – A sustentabilidade deixou de ser um ônus para a indústria brasileira. Apesar de o custo ainda ser um desafio, a sustentabilidade passou a ser encarada como um bônus e um modelo de negócio e oportunidade para os industriais brasileiros. 



A avaliação é de Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e diretor titular do Departamento de Meio Ambiente da entidade.

“[A sustentabilidade] é um bônus para a indústria. Durante muito tempo, ela foi vista como custo para muitas empresas. Hoje, não. 

Hoje, a empresa enxerga na sustentabilidade um caminho para melhoria da eficiência energética, para conservação da água e para um design mais sustentável do produto. 

Isso é uma oportunidade de negócio”, disse o diretor da Fiesp em entrevista no dia 20 de junho (quarta-feira), à Agência Brasil.

Segundo Reis, a importância da sustentabilidade para a indústria reside em três grandes aspectos: ambiental, social e econômico. 

“Na vertente ambiental, temos que tratar os recursos naturais com inteligência e sabedoria para transformá-los em produtos que atendam as possibilidades e contribuam para a qualidade de vida das pessoas. Temos que olhar [também] a vertente social, pois estamos falando de pessoas. Queremos tudo isso para o bem-estar das pessoas. 

E também tem o ponto de vista econômico, porque toda atividade tem que agregar valores que possibilitem que se continue a investir, pesquisar e melhorar a eficiência no uso de recursos naturais e aumentando a remuneração dos colaboradores”, declarou.

Segundo ele, entre as ações que estão sendo desenvolvidas pela indústria e que envolvem a sustentabilidade está, por exemplo, o reúso da água. 

“Mais de 90% das indústrias fazem uso de alguma tecnologia para reúso da água. Além da conservação, no sentido de usar apenas a água necessária, elas [indústrias] também partem para reutilizar a água que entra no seu processo industrial”.

Reis também citou outras ações sustentáveis que estão sendo adotadas pelo setor, tais como o uso de motores mais eficientes para diminuir as perdas energéticas, a transformação de resíduos em energia elétrica e o gerenciamento de resíduos sólidos. 

“O resíduo final, o que sobra, passa então a ser tratado de maneira sustentável: ou ele é reprocessado ou é enviado para reciclagem, transformando-se em novos produtos”.

Mas ainda há desafios a ser vencidos. De acordo com o diretor da Fiesp, as eles passam, principalmente, pela questão tecnológica e pelo custo. “Muitas vezes é necessário trocar equipamentos e modificar processos que têm custos iniciais. 

E, às vezes, as empresas têm dificuldade de arcar com esses custos. Então, sempre são bem-vindos os financiamentos de bancos e de órgãos de fomento do governo para incentivar a indústria a fazer essas modificações”, disse.

Para Reis, falta investimento do governo para impulsionar as empresas a serem mais sustentáveis. 

“Falta ainda acertar alguns marcos regulatórios. Por exemplo, na questão da reciclagem temos a questão tributária que precisa ser resolvida. 

Hoje, a questão tributária não favorece a reciclagem”, ressaltou.

O que ocorre, segundo o diretor da Fiesp, é que não há dedução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no caso de produtos feitos por meio da reciclagem. 

“Quando se compra uma matéria-prima virgem, há um imposto embutido, tal como o ICMS. Quando se processa essa matéria-prima e vende [o produto] há o crédito desse ICMS, ou seja, pode-se deduzi-lo do produto final. 

Mas quando se trabalha com a reciclagem, a matéria-prima geralmente não tem valor. No entanto, o processo de reciclagem tem um custo alto, muitas vezes mais alto do que quando se processa a matéria-prima original. 

Quando se tem o produto [reciclado] pronto, vende-se pelo mesmo preço do produto que teve o processamento com a matéria-prima virgem. Mas nesse caso, você não tem o crédito de ICMS embutido”, explicou.

Segundo Reis, a Fiesp tem conversado com os governos estaduais para tentar resolver esse entrave tributário.| Elaine e Ptricia Cruz/ABr

Sustentabilidade: Combate à pobreza, saneamento, melhoria da qualidade de vida e

Se sustentabilidade é a palavra do momento, que une todas as tribos, a interpretação do seu significado coloca em pólos opostos ambientalistas que defendem melhor qualidade de vida a ONGs que defendem a manutenção do status quo, congelando o desenvolvimento sem permitir o acesso de bilhões de pessoas aos ganhos do progresso; 


De empresas que vêem no apelo verde mais uma ferramenta de marketing a setores financeiros que querem transformar a Economia Verde no mais novo ambiente do cassino global, substituindo as bolhas das empresas pontocom e do subprime.

Para o Brasil, e boa parte dos países em desenvolvimento, é fundamental enfatizar como alternativa mundial a melhoria da qualidade de vida das populações, erradicando a pobreza. 

Esta visão dominou o documento da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) que será levado á aprovação dos chefes de Estado e de Governo, para desagrado de muitas organizações não governamentais (ONGs).

Em um evento sobre sustentabilidade com empresários, no Rio de Janeiro, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o grande desafio é político. 

"Estamos saindo do idealismo para o pragmatismo", frisou. Segundo ela, o importante é o foco em ações concretas que coloquem o ser humano no centro de tudo.

O saneamento, acesso a saúde e educação de qualidade são ferramentas nesse processo, como mostram os entrevistados neste caderno especial, que integra as comemorações de 100 anos do MONITOR MERCANTIL.

Outro conceito de muitas interpretações, a Economia Verde também fica apenas na citação geral do documento da Rio+20. 

Segundo negociadores, o temor era que a Economia Verde levasse à imposição de barreiras tarifárias que possam impedir a comercialização de produtos essenciais na balança comercial brasileira. No passado, a venda de atum brasileiro foi prejudicada devido às barreiras alfandegárias.

Também falta consenso em relação às propostas relativas à transferência de tecnologias limpas, capacitação de profissionais para a execução de programas relacionados ao desenvolvimento sustentável.

Capitalismo é a negação da sustentabilidade

Para o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, capitalismo e sustentabilidade são, a princípio, expressões antagônicas. "A mídia cada vez mais se ocupa da idéia de desenvolvimento sustentável. 

Mas a combinação do sustentável com desenvolvimento é obscura se reconhecermos que todo desenvolvimento é a ampliação de forças produtivas, culturais e sociais, ou seja, transformações que caminham para a civilização", define.

Já a sustentabilidade, para Lessa, é algo capaz de se manter sem perder capacidade de reprodução. 

"Sustentabilidade aponta para uma estabilidade profunda. É uma idéia fraca diante de um sistema que funciona com premissas de mercado, segundo as quais a importância e durabilidade das coisas não são levadas em conta", diz o economista 

"No século XVIII, até as roupas faziam parte dos inventários das pessoas. Hoje, o vestuário é descartável e se faz esforço para mudar periodicamente até o revestimento dos banheiros das casas. 

Então, cabe perguntar (sobre sustentabilidade): manter e sustentar os padrões de quem? De alguns ou de todos?", indaga o economista.

Lessa não vê a redução da desigualdade nas definições de sustentabilidade e desconfia que os que estão no topo da pirâmide social não estão dispostos renunciar a certos confortos para melhorar as condições de vida das camadas menos favorecidas.

Sistema se apropria até da negação

Para o economista, na Rio+20 não se diz claramente que "menos consumo de energia só com menos apetite das empresas". Segundo ele, existe na Alemanha, por exemplo, uma lâmpada que pode durar 60 anos, mas não interessaria ao mercado produzi-la.

"O mundo todo depende de energia. A maior de todas é a solar que, na fotossíntese, dá origem a todas as cadeias alimentares. E a energia dos homens é o que impulsiona o desenvolvimento. Também não pode ser esgotável essa energia", frisou, lembrando que o sistema se move escolhendo tecnologias que gastam energia. 

"Sustentável é a negação do consumismo, mas o sistema se apropria até dessa negação. Um bom exemplo foram os hyppies, que adotaram as calças jeans surradas como negação ao consumismo. 

No entanto, a indústria procurou produzir calça jeans desbotada e até rasgada, ou seja, o mercado se apropriou do anticonsumismo", resume, perguntando novamente: 

"Sustentar quem? O planeta? Se for isso, podemos chegar ao genocídio."

Rio+20: Ban Ki-moon admite que esperava documento mais ambicioso

CIRILO JUNIORDireto do Rio de Janeiro
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, admitiu nesta quarta-feira que esperava um documento final mais ambicioso para a Rio+20. 
Ele, no entanto, ressaltou que a conferência não é o fim, e sim, o início do que pode ser um novo caminho em busca de um mundo menos pobre, mais igualitário e sustentável nos próximos anos.


"Também esperava um documento final mais ambicioso. As negociações, no entanto, foram muito difíceis e lentas, por muitas ideias conflitantes. Mas as propostas foram muito corajosas", afirmou, em entrevista coletiva, após a abertura dos debates entre líderes de governo da Rio+20.

Ki-moon disse esperar que os líderes tenham sensibilidade sobre as questões que serão discutidas na conferência, e que possam direcionar as ações que serão implementadas após a Rio+20.

"Os chefes de Estado têm a vontade política. Temos muitos recursos limitados no planeta. Dependendo da vontade política, as consequências a respeito desses recursos podem ser enormes. Por isso, contamos com os líderes. Que desempenhem suas ações como líderes globais. Eles representam países, mas isso faz parte do passado. Hoje, o mundo é todo interconectado".

Sobre a Rio+20 
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. 

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 de junho na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Depois do período em que representantes de mais de 100 países discutiram detalhes do documento final da Conferência, o evento se prepara para ingressar na etapa definitiva. De quarta até sexta, ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Rio+20 com a presença de diversos chefes de Estado e de governo de países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não estarão presentes, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Além disso, houve impasse em relação ao texto do documento definitivo. 

Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.

Rio + 20 - Instalação de garrafas pet


Instalação com garrafas PET chama a atenção para que as pessoas “reciclem suas atitudes”, em meio às discussões que levaram ao documento final da Rio+20. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que esperava um resultado mais ambicioso. 

Saiba mais: http://bit.ly/MFkPtW 

(Foto: AFP)


Obra de shopping usa tapume verde





O Pátio Batel, shopping em construção em Curitiba, deve abir as portas em setembro de 2012, mas já chama a atenção pelo tapume verde. Com 130 metros de extensão e composto por 2,6 mil mudas, é um dos poucos jardins verticais do Brasil.



Segundo a assessoria do shopping, na parte estrutural do jardim estão módulos resistentes de plástico encaixáveis com um sistema próprio de fertilização e irrigação. O que nos lembrou da casa comestível da Holanda, vocês lembram?

Além de ficar bonita, a cortina verde protege o ambiente do calor e do barulho. O Japão está usando cortinas verdes neste verão para reduzir o uso de ar condicionado.


De acordo com notícia da Gazeta do Povo, jornal do Paraná, o projeto do shopping incluiu a preservação de um bosque de 8 mil metros quadrados. 

O Pátio Batel terá nove andares, incluindo cinco subterrâneos para as 2.300 vagas de estacionamento.

Prédio novo do ‘New York Times’ reduziu consumo de energia em 70%


Foto: Jleon / wikimedia
Com 52 andares e 32 elevadores, o novo prédio do ‘New York Times’, inagurado em 2007, é promovido como edifício verde. Mais de 95% do aço em sua estrutura é reciclado, e a redução no gasto de energia elétrica foi de 72%. 
Esta informação é da assessoria da 2ª Greenbuilding Brasil – Conferência Internacional & Expo, que será realizada em São Paulo nos dias 29 a 31 de agosto.
O arquiteto responsável pela reforma, Glenn Hughes, será um dos palestrantes. As inscrições estão abertas, e, entre o dia 24 de julho e até a data do evento, custam R$ 1.280 para o público em geral.

Brasil tem autoridade para mostrar ao mundo a criação das APPS mundiais nas margens do rios, diz presidente da CNA

Mostrar ao mundo a importância das matas ciliares para garantir a qualidade da água. Esse é o objetivo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende, em parceria com a Embrapa e da Agência Nacional de Águas (ANA), a proposta de criação da Área de Preservação Permanente (APPs) mundial nas margens dos rios
 
ASSESSORIA DE IMPRENSA CN



“Não queremos ditar regras a outros países, mas temos autoridade para mostrar ao mundo a importância das matas ciliares e propor um debate conceitual”, afirmou a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu.

“Se esse conceito existe no Brasil, e nós acreditamos nele, tem que ser bom para todos os rios do mundo”, afirmou. A senadora participou, nesta terça-feira (19), no Espaço AgroBrasil, liderado pela CNA, na Rio+20, do lançamento da proposta de criação da APP mundial. 

Ao falar da iniciativa, apresentada pela primeira vez em março deste ano durante o Fórum Mundial da Água, na França, lembrou que essa é a contribuição que o Brasil, que possui 12% da água doce do mundo e preserva 61% de seus biomas, tem a oferecer nesse debate. “O mundo inteiro precisa saber que a preservação é importante”, afirmou.

De acordo com a presidente da CNA, as margens de muitos rios que cortam o País estão conservadas na forma de APPs. “Mas muitos rios estão poluídos nas cidades”, afirmou. 

A senadora Kátia Abreu lembrou que a maioria dos produtores rurais sabe da importância da preservação de suas propriedades, conscientização que será ampliada com o Projeto Biomas, desenvolvido pela CNA em parceria com a Embrapa. O objetivo desse projeto é desenvolver pesquisas e tecnologias para garantir a proteção e o uso sustentável de cada um dos biomas brasileiros, a partir do uso de espécies de árvores nativas ou exóticas nas propriedades rurais. 

“O produtor vai compreender que preservar e adotar boas práticas ambientais valoriza o patrimônio dele e gera mais renda, porque uma fazenda sustentável é fundamental para sobrevivência econômica e financeira”, acrescentou.

A senadora Kátia Abreu lembrou, ainda, que o País transformou cobertura vegetal nativa em “alimentos, comida e ativos econômicos e sociais da maior importância para o Brasil” e que as atividades agropecuárias ocupam 27,7% do território nacional, enquanto 61% estão preservados na forma de florestas nativas. 

Citou a taxa de desmatamento que caiu de 27 mil quilômetros quadrados para 6.200 quilômetros quadrados. “Nós vamos chegar muito antes da meta de 5.800 quilômetros quadrados, estabelecida para 2020, assumida em Copenhague, na Dinamarca”, afirmou. 

Apesar desses dados, lembrou que “erros foram cometidos, mas que todos estão dispostos a corrigir esses erros. O que nós queremos, de verdade, é um ambientalismo por ciência e não por paixão, por ativismo”, afirmou.

Na cerimônia de lançamento da proposta, o presidente da ANA, Vicente Andreu, afirmou que um dos principais problemas no País é a falta de saneamento básico, situação que compromete a qualidade da água. “Muitas vezes as pessoas cobram melhorias na qualidade da água e não sabem que isso deve ser cobrado junto aos seus prefeitos e governadores”, afirmou. 

Outra falha apontada por Andreu foi a falta de um plano de gestão de recursos hídricos em alguns Estados. Nesse contexto, defendeu o fortalecimento do modelo de gestão.

“Há uma carência por parte dos Estados de um sistema de gestão efetiva. Por isso, precisamos trabalhar no sentido de fortalecer a gestão regional para que os Estados estejam à altura de seus desafios”, enfatizou. 

Destacou, ainda, que a proposta de criação de um conceito universal deve considerar, além da segurança hídrica, a segurança alimentar e ambiental, e que estes pontos sejam levados em conta nos debates da Rio+20 e em outros fóruns internacionais de discussão sobre o uso da água.

Para o presidente da Embrapa, Pedro Arraes, a agricultura hoje pode ser parte da solução para o caminho da sustentabilidade. Ele também avaliou que os outros países podem seguir o modelo brasileiro de gestão e proteção das APPs, desde que cada um faça suas adaptações. 

“Existem várias formas de implantação de técnicas e políticas voltadas para a proteção ambiental e dos recursos hídricos e cada um deve achar o modelo mais adequado”, frisou. 

Já o vice-presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, defendeu a criação de um fórum internacional para discutir a criação da APP global. “Podemos avançar muito nessa questão, optando pelas melhores tecnologias”, avaliou.

Depois dos pronunciamentos, a proposta foi debatida com cientistas estrangeiros. Um dos participantes, o professor Mark Mulligan, da King’s College London, em Londres (Inglaterra), destacou a viabilidade de estender a proposta brasileira para outros países, para proteger e assegurar a qualidade da água utilizada para a atividade rural. 

“As APPs podem contribuir neste processo, além de outras paisagens importantes na questão ambiental, que podemos utilizar nas propriedades rurais”, salientou o pesquisador.

A pesquisadora Jéssica Casaza, do escritório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para América Latina e Caribe, falou sobre o avanço das discussões sobre a proteção da vegetação próxima aos cursos d’água no âmbito da FAO. 

“Demos passos importantes e podemos trabalhar em parceria para colaborarmos ainda mais com a proteção dos recursos hídricos e a produção sustentável”, comentou.

Para o pesquisador Donald Sawyer, do Centro de Estudo Latino Americano da Universidade de Harvard, a proposta brasileira pode ser adaptada para outros países, desde que “sejam feitos ajustes”. 

Ele ressaltou, ainda, que a qualidade da água dependerá do nível de proteção dos biomas brasileiros para assegurar o uso da água para consumo humano, a agricultura e geração de energia elétrica.