Escócia anuncia construção da maior usina das marés do mundo


O governo escocês aprovou, na quinta-feira (23/05), a construção da maior usina de energia a partir das ondas no mundo. O projeto faz parte do esforço do país em reduzir a dependência de combustíveis fósseis, partindo para fontes mais limpas.



De acordo com a empresa responsável pelo projeto, Aquamarine Power, a proposta é construir uma estrutura capaz de gerar 40 megawatts de energia renovável. O montante seria suficiente para abastecer 30 mil residências.

Para que seja possível aproveitar a energia das ondas, a companhia pretende instalar de 40 a 50 dispositivos conhecidos como “Oyster” na costa de Lag ne Greine. 

A tecnologia permanece flutuante, ao mesmo tempo em que está conectada a sensores instalados em profundidade que vai de dez a quinze metros. 

A estrutura deve ser instalada a, aproximadamente, meio quilômetro da costa.

No último ano as autoridades escocesas já haviam aprovado a construção de uma usina hidrelétrica e o intuito é manter as duas centrais conectadas. 

No entanto, para que a proposta se concretize ainda é necessário melhorar a infraestrutura das redes de transmissão, que deve acontecer somente em 2017.

A usina hidrelétrica já entrou em fase de construção e a expectativa é de que ela comece a operar ainda neste ano, sendo capaz de gerar 500kw de energia limpa. 

Quando estiver totalmente concluída, a estrutura deverá produzir 7,5 MW, eletricidade suficiente para abastecer dez mil casas.

* Com informações do Planning Source, Fish Update e Energy Live News.

(CicloVivo)

Mídias sustentáveis: que negócio é esse?

EcoD
Um anúncio para plantar, regar e ver crescer. É assim um banner de musgo usado como suporte para publicidade. O trabalho recebe o nome de mídia sustentável é vem sendo usado pela Zebu Mídias como alternativa para a propaganda. 
A empresa também usa tintas orgânicas, bambu reciclado, stencil-limpo e papelão. A agência é um exemplo de como causar impacto no público-alvo sem agredir o meio ambiente.
Para anunciar o Festival Brasileiro de Publicidade em 2011, em parceria com a Associação Brasileira de Propaganda (ABP), limpou-se a calçada em frente ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, usando o stencil-limpo – uma opção de mídia que consiste em informar através da limpeza.
Utilizam-se superfícies sujas para criar desenhos, logos, frases e símbolos através de processos com água ou à seco. Esta é uma alternativa convencional na Europa que a Zebu importou para completar seu quadro de impressões ecológicas. A Agência britânica Curb é um exemplo que o EcoD mostrou em 2009.
A ideia de usar elementos naturais na publicidade já vem sendo desenvolvida na Europa.
Com o Brownie do Luiz, as embalagens e expositores dos brownies usam tinta feita de cacau e os skates da El Phante são impressos com as tintas orgânicas. É assim com os souvenirs produzidos para o cliente Terravixta, e tem sido essas ideias que fortalecem a parceria com a Matéria Brasil.
Como tudo começou
Amon Costa Pinto, Pedro Ivo Costa e Felipe Salvador (que posteriormente saiu, para a entrada de Rafael d’Ávila) eram colegas na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO). Todos estudantes de Design e com uma ideia em comum: sustentabilidade. “Observando nas praias do Rio o quanto se jogava fora de panfletos de papel, fizemos um trabalho com a ideia de usar o coco para um anúncio”, lembra Amon Costa Cerqueira Pinto, hoje diretor da Zebu Mídias.
Segundo a Ambiente Brasil, cerca de 39% do lixo brasileiro é composto de papel e papelão, principais suportes de publicidade. Somente a cidade de São Paulo produz 12 toneladas de lixo, por dia.
A mensagem na casca do coco é queimada com chapa quente, sem uso de tintas.
“Percebemos que poderíamos utilizar o coco como plataforma de comunicação com o intuito de reduzir os resíduos poluentes gerados por publicidade em locais de praia. O coco torna-se uma alternativa eficaz de divulgação sem impactos extras ao meio-ambiente, tendo em vista que eles já seriam consumidos pelos banhistas. 
Queimando a mensagem, poderíamos imprimir nele uma marca de roupa por exemplo”, lembra Amon. A ideia vem sendo amadurecida em parceria com o Instituto E , que tem como objetivo criar estratégias para tornar o Brasil um país com desenvolvimento sustentável .
De um trabalho de faculdade, em 2010, foi formalizada a microempresa. Amon conta que o faturamento tem sido de R$ 5 mil, por mês, mas em 2013 a meta é chegar aos R$ 70 mil. O próximo passo: “Este ano queremos construir o laboratório de tintas da Zebu, que permitirá uma inserção mais agressiva no mercado. Atualmente só as utilizamos em nossos projetos”, almeja Amon.
Uma das dificuldades encontradas pelos jovens da Zebu é apresentar seus produtos ao mercado, principalmente àqueles que não estão alinhados com os princípios do desenvolvimento sustentável. “É muito difícil provar para um empresário acostumado com outdoors, com panfletos, banners, acreditar que o musgo, por exemplo, vai dar certo, mas a gente acredita no que faz”, pontua o jovem empreendedor.
(EcoD)

OMT divulga ranking de receita no turismo; Brasil é 39º


Nova York, nos Estados Unidos, que lideram o ranking entre os destinos que mais receberam ingressos no ano passado
Nova York, nos Estados Unidos, que lideram o ranking entre os destinos que mais receberam ingressos no ano passado
O turismo internacional registrou crescimento de 4% no total de ingressos no ano passado, segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), que divulgou  ontem o resultado. 

Com o aumento, o resultado é de US$ 1,07 trilhão, segundo o Barômetro da OMT. O montante representa novo recorde em relação ao montante de 2011, de US$ 1,04 trilhão. 

Os Estados Unidos lideram o ranking entre os destinos que mais receberam esses ingressos, com US$ 128 bilhões, representado crescimento de 10% sobre o valor de 2011.

O Brasil subiu uma posição no ranking, ocupando agora a 39ª colocação, ao registrar US$ 6,6 bilhões em receitas de turismo internacional no ano passado, segundo a OMT. 

O valor é apenas 1,4% superior ao registrado no ano anterior. 

Entre os dez primeiros colocados no ranking, houve mudanças pequenas, com Macau (China) e Alemanha trocando de posição entre si – Macau agora em sexto lugar e a Alemanha, em sétimo, ao contrário do resultados de 2011, mesmo caso de Hong Kong e Austrália. 

No último ranking, a Austrália era a nona colocada e Hong Kong, a décima, posições invertidas neste ano. 

A lista dos destinos que mais receberam ingressos do turismo internacional tem a Espanha na segunda colocação, com US$ 55,9 bilhões, e a França na terceira, com US$ 53,7 bilhões. 

O destaque fica por conta de Hong Kong, nono colocado, com aumento de 14,1% na receita, chegando a US$31,7 bilhões. 

Na América Latina, o único país mais bem classificado que o Brasil é o México, na 24ª colocação, com US$ 12,7 bilhões em ingressos no ano passado. 


O Brasil ocupa a 12ª colocação no ranking, liderado pela China.





Foi dada a largada


POR THAÍS HERRERO
Municípios brasileiros começam a planejar e adotar medidas de adaptação. Mas, na maior parte dos casos, as ações visam resolver problemas imediatos, mais do que repara-los para uma mudança climática profunda no futuro próximo e distante
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Foto: Amanda Abad
No município de Pintadas, no sertão baiano, a maior parte da população (cerca de 10 mil habitantes no Censo de 2010) vive da criação de animais e da agricultura de subsistência. As condições climáticas, porém, não estão favoráveis.
Nos últimos 50 anos, o milho e o feijão enfrentam dificuldades para crescer e a produção de leite caiu 8% – enquanto no resto da Bahia cresceu 42%. A quantidade de chuvas anuais diminuiu 30% e a temperatura subiu 1,75 grau, mais que o dobro do acréscimo médio global. Lá, as mudanças no clima já são uma realidade e afetam as atividades econômicas, como mostra estudo do projeto Adapta Sertão [1].
[1] Desenvolvido pela Rede Desenvolvimento Humano (Redeh) em parceria com a cooperativa Ser do Sertão, o Centro Clima da Coppe/ UFRJ e a Universidade da Califórnia.
Os pesquisadores descobriram que vacas alimentadas com uma ração mais nutritiva produzem de 15% a 80% mais leite. Segundo o coordenador do projeto, o italiano Daniele Cesano, a iniciativa promove o que se conhece entre os cientistas como “desligamento do fator climático”. “É quando condições externas deixam de impactar a produção”, explica.
Presente em 14 municípios da Bacia do Jacuípe, Semiárido baiano, o Adapta Sertão estuda sistemas produtivos e desenvolve tecnologias para tornar os produtores mais resilientes. (ver glossário) É uma medida fundamental em uma região que, segundo previsões dos climatologistas, deverá ser palco de secas mais constantes e intensas.
Cesano queixa-se da falta de apoio de algumas prefeituras, como a de Pintadas, devido a burocracias e interesses políticos. Para as pesquisas e atividades, foi preciso costurar parcerias com cooperativas independentes e captou-se financiamento do Fundo Clima, do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Já a prefeitura de Pintadas, por meio de sua assessoria de comunicação, afirma que vê o Adapta Sertão de forma parceira e o apoiou desde sua fase-piloto, em 2006, participando do debate para a implementação e oferecendo logística para técnicos do projeto.
Tanto em Pintadas quanto em todas as cidades brasileiras, governantes devem ter clara a importância do preparo para as condições adversas que a mudança climática ocasiona – até mesmo para que esses locais não testemunhem diásporas de seus moradores rumo a municípios mais bem preparados, como os grandes centros urbanos. Isso intensificaria os problemas desses lugares já populosos.
Climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo alerta que não há adaptação local. “Não se pode tomar medidas em uma certa cidade e deixar que as vizinhas sejam afetadas”, ensina o pesquisador, que defende a necessidade de uma política nacional para integrar diversas ações de municípios e estados.
Marengo e todos os outros entrevistados ao longo desta reportagem avaliam que as cidades brasileiras não estão bem preparadas para as mudanças no clima. “Temos mais conhecimento sobre áreas de risco, mas estamos longe de transformar isso em políticas públicas”, diz Wagner Costa Ribeiro, professor titular do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. 
Ainda assim, apontam bons exemplos que colocam algumas cidades em vantagem sobre as outras diante dos cenários de aumento de desastres.
Previsões indicam que o principal problema nas metrópoles serão chuvas mais intensas, enchentes e deslizamentos em áreas de encostas. 
Já as cidades litorâneas devem se preparar para um possível aumento no nível do mar. Algumas cidades, como Recife e Rio de Janeiro, enfrentarão ambos os riscos.
Quando esses problemas se tornam reais, é sobre o poder municipal que recaem as cobranças por solução, como aponta Marcelo Gramani, geólogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). 
“O acidente acontece na cidade, não em Brasília. Então, tudo tem de começar ali. A prefeitura precisa estar bem capacitada e ter estrutura”, diz. Entretanto, como mostra o caso de Pintadas, nem sempre é fácil “começar ali”.
Foto: Amanda Abad
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DA SOMBRINHA AO GUARDA-CHUVA

Pernambuco é um dos estados de maior vulnerabilidade ao aquecimento global no País. E sua capital, uma das cidades que mais sofrerão com a elevação do nível do mar, devido à baixa altitude costeira (entre 2 metros e 4 metros acima do nível do mar) e à alta densidade populacional no litoral.

Para lidar com o maior problema local – os deslizamentos de morros e enchentes causados pelas chuvas –, a prefeitura implantou em 2001 o Programa Guarda-Chuva. 
Por meio dele, oferece avaliações e monitoramento em áreas de risco, pequenas obras (como drenagens) e ações educativas em escolas. As comunidades são diretamente envolvidas nas decisões para redução dos perigos. Ou seja, em vez de apenas intervir, o poder público criou laços com as comunidades e delas obteve confiança.
Esse programa, no entanto, não é oficialmente considerado uma ação de adaptação, apenas de prevenção de riscos, ainda que os assuntos estejam ligados e mesmo que se trate de um problema que deve agravar-se.
Já o estado de Pernambuco está trabalhando com o tema diretamente. Em 2011, o governo pernambucano lançou uma Política Estadual de Mudanças Climáticas, que prevê metas de mitigação e adaptação. Entre elas está a revisão da política de ocupação do solo para tratar das habitações em áreas de risco.
Unindo o trabalho nos dois níveis de administração – estadual e municipal –, o plano prevê que caberá aos prefeitos colocar as metas em prática. Foi com esse impulso que a prefeitura do Recife lançará até o fim do ano sua Política de Sustentabilidade e Enfrentamento das Mudanças Climáticas, com diretrizes de como implementar as metas do estado.
Maurício Guerra, secretário-executivo da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, admite que as ações em andamento e as previstas na política climática estadual priorizam a mitigação como forma de lidar com as questões do dia a dia. 
Ele considera que o aumento do nível do mar – segundo estudos um problema já previsto para acontecer no Recife – ainda não é um fato concretizado, por isso não merece atenção. 
“Quando o avanço do mar for bem estudado e houver indicações mais sólidas sobre seu potencial destruidor, aí, sim, faremos uma releitura e uma nova engenharia de toda a cidade do Recife, de sua ocupação e drenagem. Por ora, isso não é a nossa realidade”, atenua.
DO CÉU PARA A CISTERNA
Já no Nordeste, a realidade é a seca. Governo atrás de governo lança programas para amenizá-la, como o 1 Milhão de Cisternas [2], que instala grandes caixas nos quintais das casas para guardar a água que cai na temporada das chuvas. Até fevereiro, haviam sido entregues cerca de 419 mil cisternas.
[2] O programa foi criado pela Articulação do Semiárido (ASA) e incorporado pelo governo federal. A meta era entregar 1 milhão de cisternas até 2008, mas, segundo a ASA, não foi atingida devido à inconstância de repasses públicos
Sem que tenha sido concebido com esse objetivo, o programa pode ser enquadrado como medida adaptativa. Segundo Saulo Rodrigues Filho, coordenador da sub-rede Desenvolvimento Regional da Rede Clima, isso acontece com algumas ações do poder público. 
“Políticas de desenvolvimento e inclusão social têm efeito positivo também na adaptação, porque melhoram a condição de vida da população”, diz.
O programa das cisternas não é a solução para a seca, mas é parte da solução, porque atualmente já não existe uma perspectiva de combate à estiagem. É a mesma lógica da adaptação, aponta Marengo. “Não vamos combater o clima ou a seca.
Nunca vamos ganhar da natureza”, observa. O maior problema desse programa, aponta, é a dependência de uma estação chuvosa. Em um futuro de extremos climáticos, as estiagens podem se prolongar e as reservas obtidas com a chuva não darão conta. 
Desde 2011, a pior estiagem dos últimos 50 anos atinge o sertão do Nordeste, demonstrando que essas previsões estão mais próximas do que se imagina.
Foto: Amanda Abad
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REDESENHO URBANO

No artigo “Impactos das mudanças climáticas em cidades no Brasil”, o professor Ribeiro afirma que combater a exclusão socioambiental é a primeira medida para poupar vidas humanas vulneráveis à intensificação de eventos extremos, visto que boa parte da população de baixa renda vive em áreas de elevado risco.


“Temos uma dívida social antiga. É o momento de aproveitar a oportunidade para não repetir as atrocidades do passado recente. Temos de pensar novos modelos de moradia que protejam as pessoas de catástrofes climáticas”, disse Ribeiro em entrevista a Página22. 
Como “atrocidades”, cita a intensa urbanização nos últimos 50 anos que gerou extrema valorização imobiliária nos centros e empurrou a população pobre para a periferia e locais de risco, como fundos de vale, encostas íngremes e imóveis sem manutenção.
Marcelo Gramani, do IPT, concorda que é hora de mudar a forma de construir moradias. “Vamos continuar construindo cidades que não se adaptam ao meio físico ou vamos trabalhar com as novas tecnologias e materiais para intervir o mínimo possível em uma área de encosta? É uma decisão que a sociedade tem de tomar. 
A moradia tem de se adaptar ao terreno, não o terreno à moradia”, recomenda.
Segundo dados do IPT, de 2009 a 2011, só na capital paulista foram identificadas 407 áreas de risco em encostas e margens de córregos sujeitos a escorregamentos e com processos de erosão. Desde abril, o IPT mapeia outras áreas de risco em 31 cidades do estado de São Paulo.
Trabalhos de identificação como este são parte da etapa inicial do processo de adaptação, juntamente com a previsão dos cenários climáticos. Com essas informações, é possível analisar riscos e propor ações, como a elaboração de planos diretores municipais ou estaduais. 
Para José Marengo, o Brasil ainda está nas fases iniciais. Os estudos de risco e previsões ainda são novos e estão começando a avançar. “Por isso, somos reativos aos desastres”, afirma.
Só que a natureza não espera que nos preparemos. Foi só depois das chuvas extremas de 2009 [3] que o governo federal anunciou a criação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) [4]. 
As operações só começaram, no ritmo de 24 horas por dia, em dezembro de 2011. Não deu tempo de prever uma das maiores catástrofes climáticas do País, em janeiro daquele ano. Enxurradas atingiram a Região Serrana do Rio de Janeiro e deixaram mais de 900 pessoas mortas e 35 mil desabrigadas.
[3] Chuvas provocaram destruição no Norte e no Nordeste, além de 29 mortes. Maranhão e Piauí foram os mais afetados, com centenas de milhares de desabrigados por causa das enchentes. Na virada do ano de 2009 para 2010, deslizamentos deixaram 53 mortos em ilhas de Angra dos Reis (RJ)
[4] O Centro monitora 310 municípios por meio de pluviômetros, imagens de satélites, radares meteorológicos e análise de solo para gerar informação sobre áreas de risco de enchentes ou deslizamentos
 TERRA DA (MUITA) GAROA
Já na maior cidade do País, estudos mostram que o clima já mudou e, desde 1930, as chuvas extremas têm intensidade de precipitação de três a quatro vezes maior. Os alagamentos hoje custam R$ 750 milhões anuais a São Paulo.

Ampliar, então, a capacidade de absorção de água é uma das ações de adaptação necessárias na cidade. Para Wagner Costa Ribeiro, da USP, os parques lineares [5] cumprem papel crucial ao melhorar a permeabilidade do solo, minimizar enchentes e proteger cursos d’água.

[5] Projeto previsto no Plano Diretor de São Paulo, visa recuperar áreas de vegetação que ocorrem nas margens de rios e mananciais. Um deles, por exemplo, está na Represa do Guarapiranga
“Além disso, caracterizam-se pela reintrodução de espécies que lá viviam e recebem equipamentos que os tornam aprazíveis centros de lazer para a população do entorno”, diz. O único desafio que o programa deve resolver é quanto às desapropriações. Em seu artigo, escreveu: 
“A nova localização das habitações deve propiciar aos moradores manter os vínculos com a área anterior, já que é nela que eles encontram trabalho e possuem vínculos culturais e afetivos.
PÉ NO PRESENTE
Como provam as cidades brasileiras, há algumas ações que contemplam a necessidade de adaptação no futuro, mas a maioria ainda tem os pés fincados no presente, e para a resolução das deficiências emergenciais. 
Ao avaliar o preparo das cidades brasileiras para adaptação, Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), membro do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), sublinha que um tema crucial é a adaptação ao clima atual. 
“O passivo em políticas de adaptação à mudança climática não começa com as políticas para o futuro, mas sim como um passivo de adaptação ao clima de hoje”, conclui.
 (Colaborou Lydia Minhoto)

Governo lança estudo inédito sobre recursos hídricos fronteiriços


Vladimir Platonow, da Agência Brasil
















Dono de 12% de toda água doce do planeta, o Brasil faz fronteira com dez países com os quais divide 83 rios, em oito bacias hidrográficas comuns. 

Para estudar melhor este patrimônio natural, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República lançou a primeira publicação da Série Estudos Estratégicos, intitulada Água e Desenvolvimento Sustentável – Recursos Hídricos Fronteiriços e Transfronteiriços do Brasil.

O trabalho foi apresentado pelo assessor de Desenvolvimento Sustentável da SAE, Bruno de Carvalho, durante o Seminário Green Rio, voltado para a produção orgânica, que começou ontem (8) e terminou hoje (9), no Jardim Botânico do Rio.

“O estudo trata do arcabouço legal e de tratados ratificados pelo Brasil em suas áreas de fronteira. Nós compartilhamos recursos hídricos com dez países. 

O objetivo é subsidiar o trabalho da Câmara Técnica de Gestão de Recursos Transfronteiriços, que vem se dedicando ao desenvolvimento de uma proposta de estratégia regional, para que se possa fazer o planejamento, gerenciamento e monitoramento dos recursos hídricos da fronteira”, disse.

Segundo Carvalho, o Brasil busca a formulação de uma estratégia regional para melhor utilização dos recursos hídricos. 

“É um estudo pioneiro, porque agrupa todas as informações históricas e legais em um documento apropriado. Esta informação estava todo pulverizada e a SAE decidiu unir os dados e subsidiar o setor.”

Carvalho disse que a intenção é fazer a tradução da publicação para o espanhol, para possa ser disseminada entre os demais países da região. “No Norte do Brasil estamos à jusante, ou seja, recebemos a água dos países vizinhos. 

E no Sul do país, estamos à montante, os países vizinhos é que recebem as nossas águas. Se não houver um esforço comum para se trabalhar esta questão, haverá um preço por isso.”

A publicação teve colaboração do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com apoio da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da Agência Nacional de Águas (ANA). 

Ela pode ser lida ou baixada gratuitamente no endereço da SAE na internet:www.sae.gov.br.

(Agência Brasil)

O consumo que nos faz feliz: uma reflexão sobre Ética e complexidade

Segundo recente pesquisa divulgada pelo AKATU 2012 a maioria dos entrevistados afirma que a felicidade estaria atrelada à saúde e à boa alimentação. Mas, parece que algumas marcas ainda não perceberam isso, pois vemos que, para eles, a felicidade não tem nada a ver com a saúde e nem com a boa alimentação.

A Kibon, por exemplo, por meio do Facebook, apresenta a sua “Receita para felicidade” ou pede para os internautas compartilhar a Felicidade, acredita os consumidores mais felizes são queles que compartilham mais porque consomem mais de seus produtos. 

Ao seu lado, numa releitura do valor calórico dos refrigerantes, a felicidade da Coca Cola está embutida numa lata ou garrafa, como mostra a campanha “Abra a Felicidade”, que traz a promessa do consumo da felicidade por meio do consumo do refrigerante.

Nestes dois casos – poderiam ser outras marcas e outros produtos quaisquer, mas escolhi estas por estarem no auge das visibilidade de suas campanhas publicitárias – não estamos falando exatamente de alimentos ligados à saúde e à boa alimentação, como indicaram os consumidores brasileiros na pesquisa Akatu, que trariam felicidade

Pelo contrário, a leitura das campanhas publicitárias nos mostra que o que interessa é consumir tais produtos para sermos felizes. E aqui é que está o grande paradoxo da sociedade contemporânea que deseja a saúde o bem estar, mas que é incentivada a comprar produtos que não são benéficos a saúde e qualidade de vida, principalmente na atual epidemia de obesidade pela qual o mundo passa.


AS ORIGENS DO CONSUMISMO

Foi a partir da década de 90 que o consumismo passou a ser o alvo dos documentos elaborados pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das raízes da crise ambiental em que vivemos.

Zigumum Bauman define o “consumismo” como um tipo de arranjo social resultante da reciclagem de vontades, desejos e anseios humanos rotineiros, que impulsiona e coordena a estratificação social, definindo grupos e políticas de vida individuais, e assim, o consumismo é a principal força propulsora e operativa da sociedade, um atributo. 

Dessa maneira, o autor já apontava a sociedade consumidora como a aquela que desvaloriza a durabilidade, igualando “velho” a “defasado”, impróprio para continuar sendo utilizado e destinado à lata de lixo.

Ao discutir o bem estar, a pesquisa do AKATU, aponta uma questão em jogo na sociedade de consumidores seria: como desacoplar a relação de consumo a felicidade uma vez que a felicidade vem sendo trazida como tema do discurso publicitário?

É este o discurso que vem sendo alvo dos documentos da ONU sob o chapéu “Rumo a Sociedade de Bem Estar”. A aposta estaria sendo colocada na sustentabilidade como promessa da melhoria da qualidade de vida das pessoas no planeta.

Mas quando se introduz a sustentabilidade, surge uma contradição entre o que é necessário e o que se coloca em prática, tanto do ponto de vista das empresas como do ponto de vista do consumo.

No fundo sabemos que tais produtos, como o refrigerante ou sorvete, além de não resolverem a questão da felicidade, são altamente processados e, no geral, não são considerados benéficos à saúde. 

A própria natureza dos produtos já estaria em completo descompasso com a proposta de felicidade se os consumíssemos na frequência e velocidade que necessitaríamos para mantermo-nos felizes.

CLASSE C

Para complicar ainda mais o debate, um outro ponto relevante a ser colocado em discussão a partir da pesquisa do AKATU seria a preferência da Classe C ao optar pelo caminho do consumo – de todos os tipos de produtos e serviços – em detrimento ao caminho sustentável, pois há uma crescente massificação do consumo no Brasil.

Isso traz consequências imediatas ao comprometimento das melhorias das condições de vida das pessoas nas cidades uma vez que o resultado direto do consumo é o aumento na produção de resíduos; na intensidade do consumo energético e, consequentemente, uma significativa majoração nas emissões dos gases causadores do efeito estufa. 

Isso tudo, sem contar nos impactos diretos à saúde das pessoas ao consumirem mais alimentos processados como, no caso, sorvetes ou refrigerantes, em excesso.

O filósofo francês Serge Latouche, aponta que será preciso combater o “desenvolvimento sustentável”, ele acredita no “futuro sustentável da vida” e para isso será necessário reavaliar, reconceituar, reestruturar, realocar, redistribuir, reduzir, reutilizar e reciclar.

Para ele, a via mestra para tal feito seria a felicidade e consequentemente o decrescimento, porque, se somos felizes, seremos menos suscetíveis à propaganda e à compulsividade do desejo. 

Essas opções implicam uma mudança de atitudes com relação à natureza, buscando a condição necessária para evitar um destino de obsolescência programada da humanidade.

Portanto, devemos nos perguntar: Se estamos condicionados em uma sociedade de consumo, como reinventar processos, inovar arriscando os métodos tradicionais de produção, para nos aventurarmos em novos métodos que sugerem produções mais limpas?

É aí que surge a inovação: será que para ser feliz precisamos cultuar a cultura do “ter”, justamente a cultura que nos coloca no centro de tudo?

No fundo, estas indagações trazem reflexões sobre os valores, a ética, a responsabilidade social, ambiental e comportamental. É um resgate da moral. Entretanto, será necessário se permitir sair da fôrma, para inovar e criar novos mecanismos de sobrevivência, sem necessariamente precisar do “ter” para ser feliz.

E, ao falar em Ética, exige-se uma reflexão, ou religação, como diz Edgar Morin, entre o indivíduo, a espécie e a sociedade. E, para que essa religação ocorra, é necessário o autoconhecimento.

A dominação dos objetos materiais, o controle das energias e a manipulação dos seres vivos foram importantes para o avanço da humanidade, mas se tornou míope para captar as realidades humanas, convertendo-se numa ameaça para o futuro humano. 

Por isso, se faz necessário “Hominescer”, como aponta Michel Serres, que aposta na inventividade do homem para poder construir uma nova humanidade capaz de religar cultura, ciência e filosofia.

Na perspectiva da complexidade apontada por Serres e Morin, podemos considerar a dificuldade de encontrar mecanismos capazes de unir o que está separado, separar o que está junto, uma vez que esse processo também vem ocorrendo nas escaladas de produção e consumo, que são tratados de maneira separadas, e, para religá-las, será necessário reconectar o individuo, a espécie e a sociedade, não separando a ciência da técnica, e nem a natureza da cultura. Será necessário, sobretudo reestabelecer a Ética. 

E isto se faz por meio de diálogo entre todos sem fazer caças as bruxas já que o processo e mudança requer a complexidade em si.

*Profa. Vivian A. Blaso S. S. Cesar* é Doutoranda e Mestre em Ciências Sociais, Especialista em Marketing e Sustentabilidade, Presidente da Organização do #Ciis2013. Ela estará no painel Comunicação, Cultura e Tecnologias que ocorrerá no segundo dia do Congresso (30/8). 

Branding além do greenwashing


Sustainable Brands Conference 2013, evento que reúne empresas, indústrias e profissionais que sabem (ou estão aprendendo) sobre a importância da sustentabilidade. / 
Foto: Eduardo Magalhães
Do greenwashing (maquiagem verde) ao engajamento da comunidade, do verde à policromia, do impulso à melhor opção a longo prazo. Vários lados do que está por trás de marcas que se dizem sustentáveis. 
Esse é o tema do Sustainable Brands Conference 2013, evento que reúne empresas, indústrias e profissionais que sabem (ou estão aprendendo) sobre a importância da sustentabilidade antes, durante e no pós consumo de um produto ou serviço. 
O congresso teve início ontem e vai até hoje, dia 9, no Hotel Windsor, em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Essa é primeira edição da conferência no Brasil, um mercado atraente para muitas marcas de olho no crescimento do público consumidores. A diretora de sustentabilidade da SC Johnson, fabricante de inseticidas, aromatizadores de ar e produtos de limpeza, revelou em uma pesquisa que 83% dos brasileiros pagariam a mais por produtos ecofriendly
Kelly Semrau disse que entre os países integrantes do BRIC, o Brasil é o que está mais a frente quando o assunto é preocupação com o meio ambiente.
Muitas empresas ainda mostram que para elas o que importa dentro desse contexto é a diminuição da pegada ambiental. No entanto, para aqueles que estão na busca de uma vivência e compreensão mais profunda sobre o tema, a questão é muito além do “esverdeamento”. 
Envolve questões éticas, morais e está intrinsicamente relacionada ao contexto que envolve um sistema complexo, formado por pessoas e demais seres vivos do planeta e, inclusive, atinge o recanto mais sensível do corpo humano, o bolso.
“A sustentabilidade é uma jornada”, um longo caminho a ser percorrido, afirma a diretora de sustentabilidade da Natura, Denise Ribeiro. Ela contou o quanto a empresa aprendeu e expandiu suas ações em direção à sustentabilidade a partir da experiência com a linha EKOS, lançada em 2000. 
Mostrou o quanto ainda pretende evoluir para fomentar ações que mantenham a floresta em pé, seja na Amazônia ou na Mata Atlântica.
A indústria aproveitou a oportunidade para apresentar seu novo produto: a linha SOU. A novidade será colocada no mercado brasileiro em junho. 
Além da mesma embalagem, tipo refil, utilizar muito menos plástico, ocupar menos espaço e permitir a extração de até a última gota do conteúdo, os produtos têm a mesma fragrância – sabonete, creme, shampoo – o mesmo formato e a mesma base de ativos vegetais. 
E o preço mais em conta que outros produtos da companhia: 6,70 reais o sabonete líquido e 10,70 o hidratante.
Muitas empresas ainda acham que para ser sustentável é preciso ter um departamento de sustentabilidade, usar papel reciclado, criar um departamento de inovação e um instituto com o nome do fundador, contou o designer Fred Gelli, da AgênciaTátil. 
Para ele é muito “chata” essa situação, um tipo de ditadura do “tribotton line”. “Torço para que o futuro não seja verde, a natureza odeia monocromia”. Ele defende o branding integral, onde a multidisciplinariedade seja vivenciada e o fio condutor entre os setores seja o propósito, o DNA da empresa, que “transcenda os departamentos”. 
Gelli argumenta que só marcas vivas farão diferença na vida das pessoas e abrirão possibilidades de novos negócios.
(Silvia Marcuzzo/ Mercado Ético)