Sustentabilidade: Estudo mostra retorno do investimento nas unidades de conservação

Estudo da Fundação Grupo Boticário feito em parques estaduais e um municipal, em parceria com o Governo do Estado e Prefeitura de Curitiba, mostra que as Unidades de Conservação garantem benefícios econômicos e sociais para a população



Estudo da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza feito em quatro Parques Estaduais e um municipal, em parceria com o Governo do Estado e Prefeitura de Curitiba mostra que além de conservar o meio ambiente, promover o contato direto com a natureza e o aprendizado sobre a biodiversidade, as Unidades de Conservação também proporcionam aos municípios paranaenses e à população do entorno qualidade de vida e retorno econômico.

Para a promoção do estudo, foi desenvolvida uma metodologia capaz de quantificar benefícios sociais e econômicos trazidos pelas Unidades de Conservação. A técnica pode ser aplicada em qualquer outra Unidade de Conservação do país.

Os parques valorados no estado foram o: 

Parque Estadual das Lauráceas, entre Tunas do Paraná e Adrianópolis; 
Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa; 
Parque Estadual Pico do Marumbi, em Morretes, Piraquara e Quatro Barras; Parque Estadual do Cerrado, em Jaguariaíva; 
e Parque Natural Municipal Barigui, em Curitiba.

“Essas Unidades foram escolhidas justamente por serem diferentes entre si, o que possibilitou à equipe envolvida no estudo comprovar a aplicabilidade do roteiro metodológico”, disse Marion Letícia Bartolamei Silva, coordenadora de Áreas Protegidas da Fundação Grupo Boticário. Segundo ela, a conclusão é que todos os parques, independente de suas características, têm benefícios relevantes e geram retorno econômico à sociedade.

Com a participação do economista Carlos Young, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, foram considerados dez fatores que evidenciam os benefícios econômicos e sociais à população. 

“Fez parte desse levantamento fatores como a estimativa de impacto econômico gerado em função das atividades recreativas ligadas à visitação; e o quanto a proteção da vegetação nativa evita a erosão do solo, minimizando custos para a remoção de sedimentos em corpos hídrico”.

Além de uso público e erosão de solo evitada, ou outros benefícios valorados são o abastecimento de água, repartição de receitas tributárias (ICMS Ecológico), impacto das contratações e aquisições locais, educação ambiental, pesquisa científica, Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), sequestro de carbono por restauração da vegetação e pecuária evitada.

O estudo mostrou que o Parque Estadual das Lauráceas tem um retorno sobre investimento de R$ 75 para cada real investido; Vila Velha, R$ 7,7; Marumbi, R$ 7,10; Cerrado, R$ 2,06 e o Barigui, R$ 12,50.

Ao todo, o retorno desses benefícios valorados soma mais de R$ 80 milhões à sociedade, sendo R$ 18,7 milhões do Parque Estadual das Lauráceas, R$ 13 milhões de Vila Velha, R$ 4,4 milhões do Pico do Marumbi, R$ 679 mil do Cerrado e R$ 43 milhões do Barigui.

Para o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, Guilherme Vasconcellos, o estudo prova a importância ambiental, social, e agora econômica, das Unidades de Conservação. 

“Ele se mostrou importante, principalmente para a gente dar mais valor a essas unidades de conservação, que fora a beleza cênica e toda a questão de conservação da biodiversidade mostra que elas funcionam também como uma mola propulsora para o desenvolvimento regional dos municípios entorno. Também veio nos dizer o valor econômico do serviço prestado nesses locais fora toda a questão da biodiversidade”, disse.

PARQUES ESTADUAIS

Parque Estadual das Lauráceas - Criado em 1979, não é aberto à visitação. Localizado nos municípios de Adrianópolis, Tunas do Paraná e Bocaiúva do Sul. 

Seu principal objetivo é conservar a biodiversidade e ser um ambiente de pesquisas e educação ambiental. Por sediar o parque, o município de Adrianópolis recebe um repasse de R$ 3 milhões ao ano de ICMS Ecológico, o que representa cerca de 18% do Valor Agregado de Serviços, e quase 3,5% do PIB municipal.

Parque Estadual de Vila Velha - Foi criado em 1953 para preservar as formações de arenito e os campos nativos do Paraná. Tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual, tem mais de três mil hectares e diversas atrações, entre elas os arenitos, furnas e a Lagoa Dourada. Tem como gestor o Instituto Ambiental do Paraná.

Parque Estadual do Cerrado - Localizado no município de Jaguariaíva, é uma das poucas reservas de cerrado existentes no Estado. 

Ao todo, o Paraná possui menos de 1% de seu território com remanescentes desse ecossistema, caracterizado por uma vegetação rasteira e de arbustos retorcidos. Além da vegetação de cerrado, o parque tem atrativos como o cânion do Rio Jaguariaíva e a cachoeira do Ribeirão São Antônio, formações naturais em rochas areníticas.

Parque Estadual Pico do Marumbi - É a maior unidade de conservação do Estado aberta ao público, com uma área que abrange os municípios de Morretes, Quatro Barras e Piraquara. Pela proteção à Floresta Atlântica, a unidade foi considerada patrimônio da humanidade e reserva da biosfera pela Unesco.

Composto por 8 cumes, o pico, inclui o Monte Olimpo, com 1.539 metros. 

É um dos pontos preferidos dos turistas para a prática do montanhismo. 

O conjunto se destaca pela altura, trilhas íngremes e conta com opções de escaladas em todas as modalidades e graus de dificuldades.

Saiba mais sobre o trabalho do Governo do Estado em:


Tenha um inverno confortável sem desperdiçar energia elétrica

Quando a temperatura cai, é importante ter cautela para não aumentar demais os gastos de energia; confira as dicas para economizar.




O inverno começa no dia 21 de junho no hemisfério Sul e, nas regiões em que a temperatura fica mais baixa, aumenta o consumo de energia elétrica para uso de equipamentos como aquecedores de ambiente, secadores de cabelo e chuveiros elétricos.

Quando cresce demais a demanda e as usinas hidrelétricas não dão conta de gerar energia suficiente, é preciso ativar as usinas termoelétricas, que consomem carvão, o que polui e emite gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. 

Além do impacto ambiental negativo, a ativação das termelétricas representa contas de luz mais salgadas, com a chamada “bandeira vermelha tarifária”.

Para evitar esses impactos negativos, o Instituto Akatu preparou algumas dicas para que a população evite o desperdício de energia elétrica no seu cotidiano, sem perder o seu conforto. 

Há dicas específicas para quando faz frio e também dicas que servem para o ano todo, pois é importante que os hábitos de consumo conscientes sejam adotados de maneira permanente.

Economizar energia representa uma boa economia financeira: uma família que consegue economizar R$15 por mês na sua conta de luz, ao investir esse mesmo valor em uma caderneta de poupança com rendimento anual de 6%, economizará mais de R$ 55 mil em 50 anos! Por exemplo, ao reduzir o banho de chuveiro elétrico de cada pessoa da casa em 3 minutos e deixar a televisão ligada duas horas a menos por dia, já é possível reduzir esses R$ 15 mensais na conta.

Veja mais dicas para ajudar a economizar de energia, a seguir:

– No inverno, há menos horas de luz solar. Por isso, é preciso ter cuidado para não desperdiçar energia com a iluminação. Substitua as lâmpadas incandescentes e fluorescentes por lâmpadas de LED. 

Você sabia que uma LED dura em média 16 anos, 5 vezes mais que uma lâmpada fluorescente compacta? Isso significa que, em um período de 16 anos, será necessário trocar as lâmpadas de LED apenas 1 vez contra 5 trocas das lâmpadas fluorescentes. 

A lâmpada LED é mais cara, no entanto, colocando na “ponta do lápis” o investimento inicial (preço da lâmpada) versus as economias decorrentes dessa escolha (conta de luz mais barata), veremos que ainda assim compensa usar lâmpadas de LED.

– Ao sair de um ambiente, não se esqueça de apagar a luz. 

É importante ressaltar que esta prática vai além da economia de energia, pois também aumenta a vida útil das lâmpadas.

– O chuveiro elétrico costuma ser o maior consumidor de energia de uma casa. Por isso, apesar da tentação, evite banhos longos. 

Uma pequena mudança de comportamento faz a diferença: se cada um dos brasileiros diminuísse em apenas 1 minuto o seu tempo diário de banho no chuveiro elétrico, a energia economizada em um ano equivaleria a mais de 10 dias de operação da usina de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do Brasil, em sua geração máxima.

– Não deixe a TV ligada à toa. Se todos os brasileiros desligarem uma TV 1 hora por semana, a eletricidade economizada em 1 mês seria suficiente para abastecer o consumo de energia mensal das cidades de Votuporanga e Registro (SP), com seus quase 148 mil habitantes.

– Desligue o computador quando ele não estiver em uso. Muita gente tem o hábito de deixar o computador de casa ou da empresa ligado ininterruptamente, às vezes fazendo downloads, ou, simplesmente, por comodidade. 

A recomendação é desligar o computador sempre que for ficar mais de 2 horas sem utilização. O monitor deve ser desligado a partir de 15 minutos sem utilizar.

– Evite abrir a porta da geladeira à toa, pois o ar quente entra e o motor do equipamento é obrigado a gastar mais energia para resfriá-la novamente. 

Na hora de colocar ou retirar os alimentos, faça tudo de uma só vez – com esse cuidado. E não guarde alimentos e recipientes quentes na geladeira, pois isso aumenta o consumo de energia.

– Verifique se a borracha da porta da geladeira está em boas condições, pois ela isola o interior do refrigerador e evita maior consumo de eletricidade.

– Acumule o máximo de peças possível para usar a máquina de lavar. Isso ajuda a economizar energia e água.

– Se possível, pendure em cabides as camisetas, camisas e blusas para que elas sequem e desamassem naturalmente. Dependendo do tipo de tecido, a peça pode até dispensar o ferro de passar e ir direto ao guarda-roupa.

– Para passar roupas, junte também o máximo de peças para passar de uma só vez. 

Antes de ligar o ferro, separe as roupas por tipo de tecido – alguns exigem temperatura mais alta, outros exigem temperatura mais baixa. Comece com as roupas que exigem temperatura mais baixa, depois aumente a temperatura e passe as roupas de algodão.

– Ao comprar um eletrodoméstico, procure o selo Procel ou etiqueta do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que indicam os mais econômicos.

Zona Franca 'sustentável' atrairia olhares de investidores para Manaus, diz WWF Brasil

Os dados do Amazonas em relação ao desmatamento podem ser considerados como o ‘cartão postal negativo’. Só em agosto do ano de 2015 e julho de 2016, a atividade irregular aumentou 54%



Show mauricio

Maurício Voivodic é presidente da ONG ambiental WWF 
(Foto: Winnetou Almeida)





Amanda GuimarãesManaus
Uma Zona Franca pautada por questões da sustentabilidade atrairia olhares de investidores estrangeiros para Manaus, conforme o diretor-executivo da ONG ambiental WWF-Brasil, Maurício Voivodic. 
Isso alavancaria de vez a economia do Polo Industrial que só em dois anos, entre 2015 e 2017, demitiu 24 mil pessoas. As empresas atuavam com 107,9 mil trabalhadores em maio de 2015 e no mês deste ano com 84 mil.


Segundo Maurício, os dados do Amazonas em relação ao desmatamento podem ser considerados como o ‘cartão postal negativo’. Só em agosto do ano de 2015 e julho de 2016, a atividade irregular aumentou 54%. O Estado teve 1.099 quilômetros quadrados desmatados contra 712 de agosto de 2014 a julho de 2015.


“Uma Zona Franca verde seria um cartão de visita internacional para os investimentos. Uma indústria pautada por isso ou uma empresa do futuro, que segue a economia verde, pode se interessar pelo Amazonas. Acredito que saída dos investidores da Zona Franca se deu pela imagem que o Amazonas e o Brasil têm de não se preocupar com a sua floresta. Não podemos estar ligados a imagem de degradação e desmatamento”, disse Maurício.


O Sul do Amazonas foi a região que teve maior área desmatada, sendo os municípios de Lábrea, Boca do Acre, Apuí e Manicoré os campeões em destruir a floresta. “Realmente o desmatamento, não só no Amazonas, mas na Amazônia inteira cresceu muito no ano passado. Já vem crescendo desde 2014 e 2015. Isso aconteceu em áreas protegidas. O principal fator para tudo isso é a crise econômica. O orçamento do Ministério do Meio Ambiente foi afetado, além da economia dos estados integrantes da Amazônia. Isso acaba restringindo as atividades de fiscalização e controle”, comentou o representante da WWF.


Maurício continua defendendo que o Brasil precisa parar de destruir os ecossistemas. Ele acredita que um país pode crescer sem desmatar florestas. “O crescimento do Estado do Amazonas e da Amazônia vai acontecer quando o Brasil se livrar da fama de país que desmata a sua floresta e acaba com os seus ecossistemas. Na medida em que o Brasil conseguir controlar as atividades de poluição. Será um país do futuro. Conseguirá outros investimentos”, defendeu mais uma vez.


Para acabar com os altos índices de desmatamento, Maurício afirma que as unidades de conversação ambiental precisam ser fortalecidas. “Vamos conseguir diminuir a taxa de desmatamento quando as unidades de conservação forem fortalecidas. Elas estão fragilizadas, com baixo orçamento e com gestões não desejadas. Controlar as atividades ilegais, como exploração de madeira e cria de pecuária dentro dessas áreas também são pontos que podem ser praticados. Por fim, precisamos estimular uma forma que as pessoas entendam que vale mais a pena manter a floresta em pé”, disse Voivodic.


Retrocessos


O representante da WWF também ressalta que o Brasil avançou durante 15 anos nas agendas ambientais, mas tudo foi deixado para trás nos últimos dois anos. Segundo ele, o Governo Federal se esqueceu das ‘propostas ambiciosas’ que promoviam melhorias em questões socioambientais.


“O país até avançou e apresentou metas de redução para combater as mudanças climáticas, mas tudo foi deixado para trás. Todo compromisso foi esquecido pelo Governo. O congresso tem um movimento muito articulado pelos deputados aliados de questões rurais para flexibilizar o assunto das reservas. Eles pretendem reduzir as áreas de proteção ambiental”, comunicou.


Uma das propostas citadas por Maurício são as medidas provisórias MP756/16 e MP 758/16, vetadas pelo presidente Michel Temer. A primeira alterava os limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no Pará, desmembrando parte de sua área para a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) do Jamaxim. Já a segunda modificaria os limites do Parque Nacional do Parque Nacional do Jamanxim e criaria a Área de Proteção Ambiental Rio Branco para dar passagem à Estrada de Ferro.


“Eram duas medidas provisórias, que foram originalmente apresentadas pelo Ministério do Meio Ambiente. Quando isso entrou no congresso, os deputados foram mudando o teor da proposta e aumentando o estrago. Ou seja, reduzindo a proteção dessas áreas em quase 600 mil hectares de floresta. A sociedade fez a pressão e as propostas foram vetadas pelo presidente. Mas pode voltar, porque ainda querem transformar as medidas em projetos de lei”, explicou.


Segundo a WWF, a ameaça paira sobre cerca de 10% do território das unidades de conservação federais, numa estimativa conservadora. Ofensiva contra as áreas protegidas vai de Norte a Sul do país e envolve uma área de cerca de 80 mil quilômetros quadrados, quase o tamanho do território de Portugual.


Demarcação de terras


Conforme Maurício, as terras indígenas é uma das formas mais eficientes para combater o desmatamento na Amazônia e no mundo. “Tradicionalmente, os povos indígenas vivem dos produtos que a própria floresta impõe. Então, eles não precisam desmatar para conseguirem sobreviver, porque vivem em uma interação com a floresta. O desmatamento impacta na vida deles, porque dependem de cipó, sementes, coleta de frutos, raízes e caça”, explicou.


A WWF acredita que se os processos de demarcação de terras continuassem mais áreas seriam preservadas “A demarcação é um processo muito importante no reconhecimento dessas áreas. É algo que precisa ser feito com diálogo. Defendemos que esse processo continue, mas que tudo seja feito como transparência”, comentou Voivodic.


Atuação no AM


A WWF é uma ONG brasileira, participante de uma rede internacional e comprometida com a consevação da natureza dentro do contexto social e econômico brasileiro. No Amazonas, segundo Maurício, a instituição atua em parceria com outros órgãos, como o Instituo Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas);


“Acreditamos que por meio das parcerias conseguimos avançar. No Amazonas, trabalhos com base nisso. Nosso foco principal é o Sul do Estado, já que é a região mais ameaçada do ponto de vista do desmatamento. Trabalhamos no apoio da realização de atividades sustentáveis, além de trabalhar no fortalecimento das áreas de preservação”, concluiu Maurício
.

E quem paga a sustentabilidade?

Elton Rodrigues
Johnny Torres
Luís Carlos Silva de Moraes - 27062017
Luís Carlos Silva de Moraes: sociedade deve discutir o que fazer com os recursos naturais












Sustentabilidade custa e a conta será faturada para toda a sociedade. 

A frase, polêmica, é do procurador-seccional da Fazenda Nacional em Rio Preto, Luís Carlos Silva de Moraes, que participou a elaboração do Código Florestal como assessor aos relatores na Câmara de Deputados e no Senado, e esteve no Seminário: 

"Agronegócio, Sustentabilidade e Meio Ambiente". 

Ele sustenta a posição que de que toda proposta que se refere à ocupação de áreas no País, principalmente nas regiões mais economicamente desenvolvidas, implica necessariamente em custos e se reflete na capacidade de aumentar ou reduzir a produção agropecuária.
Por isso, ele defende a necessidade de que a sociedade discuta abertamente o que deseja fazer com seus recursos e necessidades e defina, com moderação, as diretrizes para exploração do solo. 

“Todo mundo fala em sustentabilidade, mas ninguém chegou para a população e disse que é ela que vai pagar a conta”, afirmou. 

“É preciso avançar nessas questões, porém aos poucos, para que o possível não se torne impossível. 

Combatem agronegócio não é porque ele polui, é porque ele consegue anular a sua poluição e ainda fazer para os outros. 

Não tem almoço grátis. Vamos ter de fazer algumas escolhas.”
Para o procurador-seccional, agronegócio, sustentabilidade e meio ambiente devem ser tratados com a mesma importância. 

Ele afirmou que agropecuária vem fazendo sua parte. 

A quantidade de áreas utilizadas pela agropecuária no País aumentou 17%, enquanto a produção subiu 37%, ou seja, produziu-se mais em menos espaço, no comparativo de 2014 com 2015. 

“De 1965 até hoje reduzimos em 65% o preço dos alimentos comparado ao preço da cesta básica, isso com tecnologia. 

O agronegócio utiliza tecnologia com arranjo social e acaba vitimizado porque precisam das terras para resolver o problema do petróleo.”
Na opinião dele, é preciso fazer escolhas entre reflorestar e colaborar para acabar com a fome no mundo. “Querem usar mais terra de floresta. 

Vamos fazer isso e ajudar a acabar com a fome ou vamos pensar em sustentabilidade e ignorar o problema? 

Preciso aumentar a produção (de alimentos) em 40% para 2030 e em 70% em 2050, senão a fome no mundo não acaba. 

E aí? Se eu mantiver muito mais terra com vegetação nativa, eu terei fome no mundo.”

Pressão nos preços
Outra questão apontada pelo procurador-seccional da Fazenda Nacional em Rio Preto é que, com a população crescendo e com menos plantações, aumenta a dificuldade de manter os preços baixos dos alimentos. 

Ele alerta para o fato de que a substituição de áreas produtivas de alimentos próximas aos grandes centros por matas nativas obriga estas cidades a se abastecerem em propriedades rurais cada vez mais distantes, o que encarece o custo de transporte e provoca o aumento do preço final dos produtos, o que é prejudicial para a população, principalmente para as pessoas com baixa renda.
“O Brasil é pequenininho. Metade do país (55,22% do território) é áreas de conservação, terras indígenas e áreas florestais públicas que não podem ser compradas. 

Só teria disponibilidade de terra na região Norte, mas lá não é possível. 

O restante, para expandir, só com tecnologia.” 

Moraes contou que um estudo da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), aponta que é preciso colocar vegetação no Brasil justamente onde o País está mais povoado. “E se eu jogar esse povo para o outro lado, a floresta Amazônica vai ficar em pé? 

Vamos fazer o reflorestamento e vai ficar tudo igual – considerando trabalho, emprego, comida?”
Ele afirmou que áreas com grande quantidade de vegetação não refletem alto índice de desenvolvimento humano (IDH) para a população residente. “Basta você olhar no mapa. São exceções os municípios que ficam próximos de grandes florestas que possuem alto IDH.” 

Ele chegou a provocar a plateia, perguntando quem gostaria de trocar Rio Preto por uma cidade em locais isolados, onde há abundância de matas nativas, mas a qualidade de vida é baixa porque a economia nestas áreas é pobre.
De acordo com Moraes, o Código Florestal irá afetar principalmente as cidades pequenas. 

“Vai aumentar muito a vegetação nativa, mas todos os municípios abaixo de 10 mil habitantes, que correspondem a 90% do País e que vivem do Fundo de Participação dos Municípios e Fundo de Participação dos Estados, não vão ter mais dinheiro para continuar oferecendo serviços a população.” 

O resultado é que será necessário compensar estas perdas com IPTU ou outra fonte de recursos financiada pelos moradores.

Greenk Tech Show reúne tecnologia, sustentabilidade e futebol

Arena para games receberá campeonatos durante o Greenk 
Tech Show - Divulgação

SÍLVIA HAIDAR
DE SÃO PAULO

Desta sexta (23) até domingo (25), o parque Ibirapuera recebe a primeira edição do Greenk Tech Show, evento voltado para fãs de tecnologia. 

O tema é o descarte correto de lixo eletrônico –quem levar objetos como celular e bateria velhos paga meia-entrada.

Uma arena receberá campeonatos de games, em que a partida principal será um jogo da Fifa 2017 disputado entre um time de ex-jogadores de futebol, como Vampeta, Denílson e Viola, e um de YouTubers, como Gordox e Wendell Lira.

Também haverá competição de drones, corrida de cosplays e palestras. 

Confira a programação completa em greenk.com.br.

Pavilhão da Bienal - Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, parque Ibirapuera, região sul, tel. 3285-5410. Sex.(23) a dom. (25): 10h às 20h. Livre. Ingresso: R$ 65.

As cidades mais inteligentes do Brasil em 11 critérios

Ranking da Urban Systems aponta as cidades que se destacam em Urbanismo, Sustentabilidade, Segurança e outros tópicos.



Santos (SP): leis modernas de utilização do espaço 
garantiram liderança em ranking de urbanismo 
(Turismo Santos/Divulgação)

São Paulo – O que é necessário para integrar o seleto grupo das cidades mais inteligentes de um país? Segundo a consultoria Urban Systems, a resposta é única: uma cidade só é inteligente e conectada quando consegue pensar o planejamento urbano e o desenvolvimento econômico de uma maneira integrada.

No Brasil, segundo ranking da Urban Systems, São Paulo (SP), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES) são as melhores do país nesse sentido. (Leia: As 100 cidades mais inteligentes (e conectadas) do Brasil)

No entanto, quando se olha para cada um dos 11 critérios avaliados pelo estudo, outras cidades também são destaque. Veja as campeãs:

Mobilidade – São Paulo (SP)

São Paulo (SP) é a campeã em mobilidade urbana, apesar das mudanças no modelo das ciclovias e ciclofaixas. A cidade tem a maior integração do país entre diferentes tipos de transportes, com ampla rede de metrô e trens em relação ao restante do país, mais de 400km de ciclovias e corredores exclusivos para ônibus.

Posição no ranking geral: 1º

Urbanismo – Santos (SP)

Santos (SP), no litoral paulista, saiu na frente por ter modernizado as leis de ocupação do espaço urbano, ao contrário de outras cidades do mesmo porte que têm legislação antiga. Segundo a Urban Systems, Santos se encaminha para se tornar um modelo de cidade inteligente com a construção de um centro operacional que integra trânsito, serviços públicos e segurança. Inteligência cidadã: 


Posição no ranking geral: 12º

Meio Ambiente – Belo Horizonte (MG)

A capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, tem altos índices de saneamento e de coleta de lixo, o que ajudou a garantir o topo do ranking de Meio Ambiente. 

O uso de energia solar no Mineirão também contou pontos a favor de BH, que já é conhecida como a capital solar do país.

Posição no ranking geral: 4º


Tecnologia e Inovação – Rio de Janeiro (RJ)

O Rio de Janeiro (RJ), apesar de enfrentar problemas econômicos e políticos, desbancou São Paulo e voltou a encabeçar o ranking de Tecnologia da Urban Systems, porque os investimentos na área continuam em expansão. 

O destaque fica por conta do ambiente inovador, presença de instituições de apoio, e a infraestrutura dos centros de ensino superior, como na UERJ, UFRJ, PUC e FGV.

Posição no ranking geral: 3º


Saúde – Vitória (ES)

Vitória, capital do Espírito Santo, tem o maior índice de médicos em atividade por habitante no país (9,02 médicos para cada mil moradores), garantindo o primeiro lugar no ranking de Saúde. 

A Rede Bem Estar, sistema de software municipal, integra unidades de saúde, pronto-atendimentos, farmácias, laboratórios, consultórios odontológicos e centros de referência e de especialidades.

Posição no ranking geral: 5º


Educação – Curitiba (PR)

Curitiba (PR) ganhou destaque em Educação graças à formação dos professores (97,6% dos docentes de ensino médio têm formação universitária), e à existência do projeto Cereja (Centro Regional de Educação de Jovens e Adultos). 
O projeto foi premiado com a Medalha Paulo Freire do Ministério da Educação, que reconhece iniciativas bem sucedidas na redução do analfabetismo.

Posição no ranking geral: 2º


Empreendedorismo – São Paulo (SP)

Mais um critério em que São Paulo (SP) sai na frente. O grande mérito foi o anúncio do Programa Empreenda Fácil, da gestão Doria, que vai reduzir o prazo de abertura de empresas dos atuais quase 100 dias para 7 dias. 

A cidade também apresenta potência econômica, condições de mercado, acesso a capital e conectividade.

Posição no ranking geral: 1º


Governança – Barueri (SP)

A cidade de Barueri (SP) apresenta indicadores acima da média no quesito governança, como a nota 0,8795 no Índice Firjan de Desenvolvimento; nota 8,89 na escala Brasil Transparente; existência de conselhos municipais em 5 áreas; maior despesa com Saúde entre as cidades analisadas ( 2.147,80 reais por habitante); e segunda maior despesa com Educação (2,484,10 reais por habitante).

Posição no ranking geral: 13º


Economia – Barueri (SP)

Segundo pódio para Barueri (SP): a cidade também tem o maior PIB per capita de todas as analisadas, de 177,8 mil reais por habitante. 

Barueri é pólo de empregos nos setores de serviços, negócios, logística e indústria. A cidade também apresenta níveis baixíssimos de dependência do setor público: 95% dos empregos estão associados à iniciativa privada.

Posição no ranking geral: 13º


Segurança – Vinhedo (SP)

A cidade de Vinhedo (SP) tem um baixo índice de violência, com uma taxa média de homicídios por arma de fogo de 0,5 por 10 mil habitantes. 

Os gastos com segurança são de 220 reais por habitante. Além disso, há 1,94 policiais, guardas civis e agentes de trânsito para cada mil habitantes.

Posição no ranking geral: 39º


Energia – Tubarão (SC)

A cidade de Tubarão (SC) foi destaque no ranking da Urban Systems em geração de energia renovável. Tubarão tem a maior usina solar e a maior potência outorgada para geração fotovoltaica (solar) do Brasil, de 3.068 kilowatts. 

Também tem 2.100 kW em potência de usinas eólicas. Em 2017, a região tomou uma iniciativa de integração: a Unisul começou a ofertar um curso de pós-graduação em energias renováveis e sustentabilidade.

Posição no ranking geral: não ficou entre as 100

US$ 7 trilhões para salvar o planeta

Está sobrando dinheiro para projetos verdes e sustentáveis. O Brasil tem um potencial imenso para atrair parte dessa fortuna. Empresas brasileiras como Suzano, BRF, Fibria e CPFL, já se movimentam para ganhar a confiança dos investidores



Rodrigo Caetano


Quem acompanha a evolução do conceito de sustentabilidade nas empresas sabe que o dinheiro, inicialmente visto como um obstáculo, sempre exerceu um papel central no desenvolvimento de uma economia mais limpa e humana. 

Racionalmente, não há argumento possível contra a ideia de melhorar o mundo. 

A não ser quando se trata de reduzir o crescimento econômico, seja das empresas, seja dos países. 

Nesse ponto específico, sustentabilidade e dinheiro, a todo o momento, são colocados como conceitos antagônicos, ligados umbilicalmente, mas caminhando em direções opostas, um impossibilitando o avanço do outro.

Agora, quem observa os avanços sociais, ecológicos e econômicos dos últimos anos, sabe, também, que essa conjuntura mudou. 

O dinheiro, hoje, está para a sustentabilidade assim como a cerveja está para o personagem de desenho animado Homer Simpson: é a causa, e a solução, de todos os problemas. 

A grana e, especificamente, o lucro, deixaram de representar barreiras intransponíveis para o desenvolvimento sustentável, ainda que, contraditoriamente, sejam responsáveis por muitas das mazelas globais.

O capitalismo desenfreado e predatório segue como o grande responsável pelo desmatamento, pela emissão de gases do efeito estufa, pela desigualdade social etc. 

Ao mesmo tempo, é o mercado financeiro que dá um impulso fundamental para o avanço da economia de baixo carbono e socialmente responsável. 

E faz isso na forma de uma montanha de dinheiro. 

Mais especificamente, de US$ 7 trilhões. Este é o montante que, segundo cálculos de ONGs e entidades que monitoram o mercado financeiro, será deslocado da chamada economia “suja” e colocado na economia “limpa nos próximos cinco anos.




Pioneirismo verde: Walter Schalka (à frente e à dir.), Marcelo 
Bacci (à frente e à èsq.) e a equipe da Suzano responsável pela
 emissão dos Green Bonds. Os recursos serão utilizados em 
projetos de energia renovável e gestão florestal, entre outros
(Crédito:Divulgação)


Segundo Jorge Pinheiro Machado, diretor na América Latina do Regions of Climate Action (R20), coalizão de governos municipais e estaduais, empresas e entidades do terceiro setor, fundada pelo ator e ex-governador da Califórnia (EUA) Arnold Schwarzenegger, a conta leva em consideração os grandes fundos de investimentos globais, como os soberanos e os de previdência, além de seguradoras, gestores de recursos e outros agentes do mercado financeiro que estão oficialmente comprometidos a descarbonizar parte de seus portfólios. 

Em média, calcula-se que 5% dos ativos desses gestores passarão por esse processo.

São atores financeiros que fazem parte de uma série de movimentos voltados para uma atuação mais responsável dos investidores, caso do Principles for Responsible Investment (PRI), iniciativa da ONU que promove a inclusão de critérios sociais e ambientais na lógica dos investimentos. Seus mais de 1,7 mil signatários concentram nada menos do que US$ 62 trilhões em ativos. 

Caso também do Carbon Disclosure Program (CDP), ONG que visa incentivar as empresas a mapearem e divulgarem informações sobre gestão de mudanças climáticas.

Financiado pelo governo britânico e pela Rockefeller Foundation, o CDP é, hoje, o maior banco de dados sobre os impactos climáticos das empresas no mundo. Seus mais de 800 signatários são responsáveis por gerir cerca de US$ 100 trilhões em ativos. 

“Nós sabemos que há um forte movimento para a descarbonização dos investimentos”, afirma Juliana Lopes, diretora do CDP na América Latina. 

“Mas, apesar dos valores envolvidos estarem na casa dos US$ 7 trilhões, há uma dificuldade em fazer essa pauta avançar.”

Entre os fundos comprometidos com o movimento estão, por exemplo, o Fundo Soberano da Noruega, um dos maiores do mundo, com cerca de US$ 1 trilhão em ativos, que recentemente retirou do seu portfólio empresas que exploram a cadeia do carvão. 

Nos Estados Unidos, o Fundo de Pensão de Nova York, terceiro maior do tipo no país, também está descarbonizando seus ativos, que somam US$ 185 bilhões. 

O fato é que o mundo parece ter chegado a um ponto de inflexão, no qual a velha dicotomia entre sustentabilidade e desenvolvimento resiste apenas como pensamento ideológico, de ambos os lados.


.
Impacto social: para Jim Vella, presidente do Ford Fund, não há como dissociar a empresa do impacto social que ela gera. A montadora fez uma parceria com a ONG brasileira Artemisia, focada no desenvolvimento de negócios sociais, para incentivar a criação de novos modelos de negócios (Crédito:Jemal Countess/Getty Images for AWRT/AFP)

“Sempre tivemos, de um lado, os ativistas, e de outro os desenvolvimentistas. Ambos estão errados”, afirma Pinheiro Machado, do R20. 

“Não se trata de evitar uma catástrofe global, nem de negar o aquecimento global. Esse movimento representa uma oportunidade de negócios.” Quem ficar de fora, irá perder dinheiro? Não necessariamente. 

Mas é inegável que o momento é de mudança para uma nova economia, pautada na sustentabilidade e financiada pelos donos das maiores fortunas do mundo. 

“O empresário que não se engajar nessa transformação deixará sua empresa atrasada”, diz Pinheiro Machado.


OPORTUNIDADES 
O fenômeno da descarbonização dos grandes fundos cria oportunidades em áreas como energias renováveis, gestão de recursos hídricos, mobilidade urbana, controle da poluição, adaptação às mudanças climáticas, entre outras. 

Qualquer empresa pode se candidatar a uma fatia do bolo, desde que tenha acesso ao mercado financeiro. 

Mas, como qualquer modalidade de investimento e crédito, é preciso dar garantias aos donos do dinheiro. 

Apesar da vontade declarada de aportar esse dinheiro, ninguém irá distribuir US$ 7 trilhões a esmo, nem financiará uma empresa apenas por ela pintar seu logotipo de verde e separar o lixo reciclável.

Parte desse movimento dos financistas sustentáveis consiste em criar e promover mecanismos financeiros que permitam ao capital encontrar oportunidades seguras e em conformidade com padrões fiduciários internacionais. 

“Esse é um desafio para as bolsas de valores do mundo inteiro”, afirma Sonia Favaretto, diretora de imprensa, sustentabilidade de comunicação da B3, a bolsa brasileira. 

“Há uma demanda crescente por investimentos ‘verdes’ e estamos buscando criar ferramentas para o investidor nesse mercado, como índices e títulos de dívida.” 

Nesse sentido, uma das opções mais populares são os chamados green bonds, ou títulos verdes.

Os green bonds são, basicamente, títulos de dívida convencionais, com algumas exigências a mais. O emissor se compromete a destinar os recursos captados em projetos verdes. 

Ele também deve adotar algum nível de transparência sobre o uso desses recursos e, o mais importante, validar o projeto por meio de uma avaliação externa. O primeiro título verde emitido foi listado pela bolsa de valores de Luxemburgo (LuxSE), em 2007. 

Desde então, somente na LuxSE, outros 114 green bonds foram emitidos, totalizando um valor de US$ 55 bilhões.

Estima-se que, até 2020, esse mercado movimente US$ 1 trilhão, globalmente. Quatro empresas brasileiras entraram nessa onda e emitiram seus green bonds: Suzano Papel e Celulose, BRF, Fibria e CPFL (veja quadro ao final da reportagem). 

“Os investidores valorizam empresas sustentáveis durante o processo de alocação de capital”, afirma Walter Schalka, presidente da Suzano. 

“E a nossa empresa depende de recursos naturais para o seu dia a dia. 

Por isso, quanto mais praticarmos ações de conservação, mais contribuiremos para a perenidade dos nossos negócios.”


Crédito responsável: o Itaú está incluindo os impactos ambientais e sociais em seus cálculos de risco, tanto para investimentos quanto para a concessão de crédito. Para Denise Hills, superintendente de sustentabilidade do banco, há uma mudança cultural sendo promovida na empresa (Crédito:Divulgação)

Entre os projetos a serem financiados pelos títulos verdes da pela Suzano, cujos valores ultrapassam a marca dos R$ 2 bilhões, estão questões puramente ambientais, como a restauração de florestas nativas, mas também iniciativas ligadas diretamente ao negócio da companhia, caso da gestão florestal e do uso da água. 

Mas o ponto principal dessa abordagem não está na busca por um crédito mais barato – os green bonds, por sinal, acabam saindo até mais caros pela necessidade de avaliação externa. 

“Estamos nos posicionando”, afirma Marcelo Bacci, diretor executivo de finanças e de relações com investidores da empresa.


Ele explica que, no futuro, esse tipo de postura será pré-requisito não só para a atração de recursos, como para a obtenção de crédito. 

Essa visão é compartilhada por Elcio Ito, diretor de finanças e relações com investidores da BRF. 

“Esse é o caminho que o mercado está tomando e, à medida que o volume de emissões cresça, seu custo se tornará mais competitivo”, afirma Ito. 

A empresa de alimentos foi a primeira a utilizar o modelo, emitindo notas no valor de € 500 mil, em 2015.

Do lado das instituições financeiras, a visão é de que, no fundo, todo esse papo de sustentabilidade se resume a uma só palavra: risco. 

“Empresas que adotam estratégias sustentáveis são mais eficientes e, portanto, oferecem menos risco para investidores e credores”, afirma Denise Hills, superintendente de sustentabilidade do Itaú. 

Maior banco privado do Brasil, o Itaú vem, há alguns anos, incorporando análises de impacto social e ambiental em seus cálculos de risco. Clientes corporativos que não se enquadram nessas políticas têm mais dificuldade em conseguir empréstimos.

Segmentos da economia com alta emissão de carbono, como o de energias sujas, também possuem classificação de risco de crédito (rating) mais baixa. Ao mesmo tempo, os executivos do Itaú estão sendo compelidos a pensar de forma sustentável no momento de criar ou vender produtos. 

O departamento comandado por Hills, por sinal, tem poder de veto sobre qualquer iniciativa comercial da empresa. 

Se ela disser não, somente a presidência do banco, hoje sob o comando de Candido Bracher, pode reverter a decisão. 

“É uma mudança cultural que estamos promovendo, com total apoio da liderança da empresa”, diz Hills.

Para Tomás Carmona, superintendente de sustentabilidade da Sulamérica, uma das maiores seguradoras brasileiras, o mundo está caminhando para uma nova economia e, a partir do momento em que o mercado financeiro entra nessa trilha, não há como evitá-la. 

“A economia baseada no uso descontrolado dos recursos naturais já entrou no cheque especial faz muito tempo”, diz Carmona. “Há quem ainda foque apenas nos ganhos imediatos. 

Mas, no caso de uma seguradora, ou de fundos de pensão, é preciso considerar um intervalo de tempo de décadas.” 

Nesse sentido, desconsiderar o risco de uma mudança climática, ou um impacto social grave, torna-se muito arriscado.



Potencial florestal: plantação de eucaliptos da Fibria. 
O setor de celulose tem grandes chances de atrair investimentos 
verdes pela capacidade de sequestrar e armazenar carbono, 
graças às suas florestas plantadas 
(Crédito:Danilo Verpa/Folhapress)

Por esse motivo, a Sulamérica adotou critérios como o de não investir em energias sujas ou empresas de tabaco. 

Outra questão é que muitos negócios estão sendo amplamente transformados por causa da tecnologia. 

Isso faz empresas como a Ford, segunda maior montadora americana, a buscarem novas ideias, e isso envolve olhar para fora da empresa. 

“Não podemos desassociar a empresa do impacto social que ela causa”, afirmou Jim Vella, presidente do Ford Fund, braço de filantropia da companhia, que esteve no Brasil na semana passada para anunciar uma parceria coma ONG Artemisia, focada em negócios de impacto social.


Para pegar sua parte dos US$ 7 trilhões, as empresas brasileiras precisam fazer a lição de casa e desenvolver projetos que se qualifiquem às demandas dos investidores. 

Algumas já saíram na frente. Das quatro que emitiram títulos verdes, duas estão no setor de papel e celulose (Suzano e Fibria), uma no agronegócio (BRF) e outra no setor de distribuição de energia (CPFL). 

Não é apenas coincidência. Essas são áreas com grande potencial para atrair investimentos sustentáveis.

As empresas de celulose são grandes gestoras de florestas que, naturalmente, sequestram e estocam carbono, contribuindo para a redução dos gases de efeito estufa na atmosfera. 

Ou seja, se bem geridas, essas companhias facilmente se enquadram numa modelo econômico de baixo carbono, sendo elegíveis para receber uma fatia dos US$ 7 trilhões. 

O mesmo vale para o segmento de energia. Tanto que a CPFL, recentemente comprada pela chinesa State Grid, possui um braço focado nas renováveis, a CPFL Renováveis. 

O caso do agronegócio é um pouco mais complexo.

DESTINO NATURAL 
Pelas suas características, o Brasil tem um potencial gigantesco para atrair investimentos verdes. Mais de 60% do território nacional é coberto por florestas, sejam nativas ou plantadas. Há abundância de sol e vento para a geração de energia limpa, sem contar o etanol, que pode facilmente substituir a gasolina no transporte. E tem o agronegócio, que também poderia se colocar como uma força nessa nova economia. Mas, ainda que empresas como a BRF caminhem nessa direção ao adotarem ferramentas avançadas de gestão no campo, existe um setor ruralista atrasado, que baseia suas estratégias na abertura de novos pastos com a derrubada de florestas.


Eficiência verde: a BRF foi a primeira empresa brasileira a 
emitir um título verde, em 2015. Os recursos serão utilizados 
na melhoria dos processos industriais, no desenvolvimento 
de embalagens sustentáveis e na gestão dos recursos hídricos 
(Crédito:Divulgação)

“Nos últimos anos, houve um aumento no desmatamento da Amazônia, o que prejudica a credibilidade do Brasil junto aos investidores internacionais”, afirma Juliana Lopes, do CDP. 

Recentemente, o Congresso aprovou algumas Medidas Provisórias que reduzem a área de proteção ambiental no Parque do Jamanxim, no Pará. “Isso é um enorme retrocesso”, diz Lopes. 

O singular, nesse caso, é que, em tempos de crise econômica, há uma enorme oportunidade para o País, que é amplamente reconhecida pelos investidores e analistas de fora, mas ignorada, em grande medida, internamente.


O ceticismo, é verdade, não é exclusivo do Brasil. Existem ainda alguns setores que resistem às mudanças e, para isso, utilizam-se de discursos pouco embasados, como o de que o aquecimento global é uma “farsa promovida pelos chineses para prejudicar a economia ocidental”. 

Esse grupo encontra na figura de Donald Trump seu grande expoente. Agora, basta olhar para os Estados Unidos, mais especificamente para a Califórnia, para verificar como abraçar a economia de baixo carbono é uma ideia melhor do que negar a ciência. 

O estado da costa Leste é um símbolo da nova economia e, há pelo menos cinco anos, vem superando todos os outros estados em praticamente qualquer métrica econômica.

A Califórnia concentra 12% da população americana, mas foi responsável por 17% da criação de empregos no país, entre 2012 e 2016, e por um quarto do crescimento do PIB, no mesmo período. 

Isso graças a uma economia focada na tecnologia e na inovação. Recentemente, no dia em que Trump anunciou que vai retirar os EUA do Acordo de Paris, o ex-governador Schwarzenegger publicou um vídeo com um recado ao presidente. 

“Nós temos as leis ambientais mais rígidas do país e, no ano passado, geramos mais empregos do que qualquer outro Estado”, afirmou o astro de 

“O Exterminador do Futuro”. “E nenhum outro homem pode voltar no tempo. 

Só eu.” Ele sabe do que está falando.