IAC gera conhecimento sobre sustentabilidade hídrica

Resultados e informações são apresentados pela primeira vez na Agrishow 2012.


Abrir uma torneira é ato tão corriqueiro que poucos pensam como aquela água, que vem de rios e lagos doces muitas vezes a quilômetros de distância, chega limpa e em abundância até as casas dos brasileiros. 

Ainda que o tema sustentabilidade seja pauta constante na mídia, pouco se fala sobre o conceito voltado para a preservação de mananciais, nascentes e aquíferos.

O Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, é uma das poucas instituições de pesquisa que desenvolve projetos na área. Em 2012, o público da Agrishow poderá conhecer parte desses estudos e conversar diretamente com a técnica de apoio à pesquisa científica do IAC, Ana Carolina Martins Fantin. 


No Brasil, o setor agrícola é o grande campeão no consumo de água através da irrigação. Esse fato ocorre porque muitos Estados ainda não têm mecanismos de controle do uso dos recursos hídricos. 

Além disso, não existe uma cultura forte de preservação. “O Brasil é considerado um País privilegiado em recursos hídricos, porém, ainda não detém sustentabilidade hídrica”, afirma Fantin, técnica do IAC.

Fantin explica que o Brasil tem muita água se comparado a outros países, mas todo esse potencial está mal distribuído entre as diferentes localidades. Regiões de alta densidade populacional, índice elevado de produção agrícola e pátio industrial desenvolvido não podem contar apenas com o potencial natural da rede hidrológica. 

“A tendência hoje é o aumento da demanda por água, tanto nas cidades como nas células rurais. A produção da própria água é fundamental para garantir o bem estar e a estabilidade social e econômica”, informa.

Produzir água, à primeira vista, parece impossível, mas a técnica do IAC explica que existem inúmeras medidas relativamente simples capazes de aumentar a permeabilidade do solo, o que implica maior infiltração de água. Esse processo aumenta o potencial de abastecimento das nascentes, que é o início de todo o complexo hidrológico. 

“Essa manipulação não é, necessariamente, o reflorestamento. Práticas agrícolas adequadas, que atendam as especificidades de cada propriedade, podem aumentar muito a permeabilidade do solo”, esclarece.

Segundo Fantin, o processo de degradação já instaurado nos ecossistemas hoje é de difícil neutralização e as medidas corretivas demoram muitos anos para surtirem efeitos. A principal medida a ser tomada é cessar imediatamente o despejo de qualquer carga poluente. 

“Não só resíduos industriais, mas também orgânicos, como os esgotos domésticos”, completa. [www.iac.sp.gov.br ].

Estratégias de Sustentabilidade Hídrica - Existem duas estratégias de sustentabilidade hídrica que podem ser utilizadas: o gerenciamento restritivo e o gerenciamento de provisão. No Brasil, somente o primeiro é utilizado. Como o próprio nome já diz, o gerenciamento restritivo evoca o racionamento da água a partir da economia do consumo. 

“Essa estratégia, apesar de válida e racional, embute cerceamento e policiamento. Podem gerar incômodo e desconforto”, diz o pesquisador do IAC, Rinaldo de Oliveira Calheiros.

Ele explica que esse modelo de sustentabilidade, mais convencional, se baseia no princípio dos 5 Rs: 

Reduzir, Reciclar, Reutilizar, Repensar e Recusar. 

Os projetos do IAC, no entanto, pensam o conceito de sustentabilidade hídrica a partir do gerenciamento de provisão, em que se preconiza o aumento da produção de água no âmbito e para o município. “Essa forma de gerenciamento visa disponibilizar mais água ao usuário e revitalizar ecossistemas aquíferos”, esclarece Calheiros.

O gerenciamento de provisão é importante uma vez que hoje, a rede hídrica preconiza a captação de água de mananciais cuja origem quase sempre é fora dos municípios que abastece. Segundo o pesquisador, isso acarreta problemas como a priorização do abastecimento público, deixando indústria e lavoura para o segundo plano.

O IAC elabora projetos adequados às características específicas dos locais que buscam alcançar a sustentabilidade hídrica. São trabalhos desenvolvidos pensando na recarga das águas subterrâneas, na otimização dos processos de reuso, nos acordos de créditos de água e nos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

A técnica de apoio à pesquisa científica do IAC estará no estande da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Os interessados poderão visitar o estande da Secretaria de Agricultura de São Paulo para se informar sobre as estratégias e medidas para atingir a sustentabilidade hídrica e se tornar produtores de água. 

Além disso, a publicação Nascentes: Produção, Captação e Cuidados com a Água para Consumo Doméstico, de autoria de Rinaldo de Oliveira Calheiros, Ana Carolina Martins Fantin, Ana Carolina Aguire e Luciana Gomides, poderá ser adquirida por preço promocional: R$30,00.

BIOEN busca sinergia em estudos sobre sustentabilidade

Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – O Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) realizou, na segunda-feira (23/4), o Workshop de Pesquisa BIOEN – Divisão de Impactos e Sustentabilidade. 


Workshop realizado pelo Programa 
FAPESP de Pesquisa em Bioenergia 
reuniu cientistas envolvidos com 
estudos sobre impactos socioeconômicos 
e ambientais da produção de bioenergia

O evento reuniu cientistas envolvidos com diversos dos projetos de pesquisa financiados pela FAPESP com foco nos desdobramentos socioeconômicos e ambientais da produção de bioenergia.

De acordo com o organizador do evento, Heitor Cantarella, professor do Instituto Agronômico de Campinas e membro da coordenação do BIOEN, o objetivo central do workshop foi o de estimular a interação entre os diversos projetos.

“Vários dos projetos da divisão de Impactos e Sustentabilidade do BIOEN têm resultados de interesse mútuo e uma das prioridades do programa é estimular a sinergia entre eles. Participaram do workshop também pesquisadores que coordenam projetos financiados da FAPESP em áreas próximas, mas que provavelmente serão em breve integrados ao BIOEN”, disse Cantarella àAgência FAPESP.

O BIOEN, que teve início em 2008, tem cinco divisões: "Biomassa para Bioenergia" (com foco em cana-de-açúcar), "Processo de Fabricação de Biocombustíveis", "Biorrefinarias e Alcoolquímica", "Aplicações do Etanol para Motores Automotivos: motores de combustão interna e células a combustível" e "Pesquisa sobre sustentabilidade e impactos socioeconômicos, ambientais e de uso da terra".

“A divisão de impactos e sustentabilidade do BIOEN é uma das vertentes mais importantes do programa, porque a produção de bioenergia, por sua demanda mundial, acaba se tornando uma vitrine internacional. As exigências em termos de sustentabilidade acabam sendo muito maiores que as do próprio setor de produção de alimentos. É preciso que estejamos preparados para responder a essas exigências, com embasamento científico, porque sabemos que todos os atores do processo produtivo vão cobrar sustentabilidade na produção de biocombustíveis”, disse Cantarella.

Segundo Cantarella, as discussões realizadas no workshop foram organizadas em três sessões temáticas: “ambiente e biologia”, “ambiente e meio físico” e “impactos econômicos e sociais”. “Foi um debate extremamente interessante, que deixou transparecer a excelência da pesquisa produzida por esses grupos. Mostramos que o Programa BIOEN está cobrindo todas as áreas importantes relacionadas à sustentabilidade da produção de biocombustíveis”, disse Cantarella.

De acordo com Canterella, a discussão evidenciou a existência de uma ampla interface entre os diferentes projetos e de um interesse mútuo, entre os pesquisadores, pelo que os demais grupos estão fazendo.

“Prevemos que teremos colaborações bastante ricas daqui para frente. Além disso, acho que estamos fazendo um trabalho bom de conseguir trazer novos pesquisadores para o programa, para abordar as áreas nas quais ainda temos lacunas importantes, ou onde os projetos ainda não são tão abrangentes”, afirmou. 

Ambiente e impactos socioeconômicos

Na sessão “Ambiente e biologia”, Eduardo Alves de Almeida, do Departamento de Química e Ciências Ambientais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), apresentou um estudo comparativo entre os efeitos tóxicos do petrodiesel e do biodiesel sobre efeitos tóxicos à tilápia do Nilo e ao cascudo marrom.

Luis Cesar Schiesari, da Escola de Artes Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP), na mesma sessão, falou sobre os impactos da expansão da agroindústria da cana-de-açúcar sobre comunidades aquáticas. Marat Rafikov, da Universidade Federal do ABC (UFABC) apresentou seus estudos sobre modelagem matemática de estratégias para o controle biológico de pragas para a produção eficiente e sustentável de cana-de-açúcar.

Na sessão “Ambiente e meio físico”, Cantarella descreveu um projeto sobre a nutrição nitrogenada de cana-de-açúcar com fertilizantes ou bactérias diazotróficas. Raffaella Rossetto, da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (APTA), descreveu um estudo sobre o monitoramento dos atributos químicos e a eficiência agronômica da vinhaça concentrada aplicada em soqueiras de cana-de-açúcar.

Newton La Scala Júnior, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal, da Unesp, falou a respeito de estudos sobre os impactos das práticas de gestão sobre a emissão de CO2 do solo em áreas de produção de cana. Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da USP, descreveu dois projetos ligados às emissões de N2O e aos a estoques de carbono do solo na mudança do uso da terra para cultivo da cana-de-açúcar.

Na sessão “Impactos econômicos e sociais”, Bernardo Theodor Rudorff, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), descreveu estudos sobre impactos ambientais e socioeconômicos associados à produção e consumo de etanol de cana-de-açúcar. Bruno Perosa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou estudos sobre o a avaliação de estruturas institucionais do mercado internacional de bioenergia.

Leila Harfuch, do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), descreveu os trabalhos da instituição sobre a simulação de uso da terra e expansão agrícola no Brasil e seus impactos em alimentos, energia, agroindústria e ambiente.

Tadeu Fabrício Malheiros, da Escola de Engenharia de São Carlos (USP) apresentou a palestra “O lado doce e amargo da cana-de-açúcar: avaliação integrada da sustentabilidade no contexto do etanol brasileiro”. 

José Maria Ferreira Jardim da Silveira, do Instituto de Economia da Unicamp, falou sobre o desenho organizacional do programa BIOEN: propriedade intelectual, mecanismos de incentivo e avaliação e impactos.

"Sustentabilidade é agredir o ambiente de forma mais lenta"

Para arquiteto especialista em biomimética — criação de tecnologias limpas que imitam a natureza — humanidade ficou preguiçosa na "era dos combustíveis fósseis"
por Túlio Caricatti
Editora Globo
A construção de estruturas 100% ecológicas será possível?
É comum encontrar quem se vanglorie de criar uma garrafa plástica de refrigerante que utiliza 30% de material renovável a partir de cana-de-açúcar. Difícil é encontrar alguém que critique esse modelo tido como sustentável. O arquiteto inglês Michael Pawlyn é um deles. Na contramão de empresas e associações que acreditam que reduzir os danos seja a política ideal de desenvolvimento, ele defende uma postura mais radical: a construção de estruturas e materiais 100% ecológicos.
Misturando biologia e arquitetura desde 1997, Pawlyn é um dos expoentes do biomimetismo (bio = vida; mimetismo = imitação, adaptação) pelo mundo. Essa prática prevê que o homem imitará a natureza para encontrar soluções que vão não só resolver os problemas do mundo, mas também recuperar os ecossistemas do planeta. Nesse grupo de invenções biomiméticas estão, por exemplo, uma folha artificial que imita a fotossíntese para gerar eletricidade e telas que copiam a luz refletida nas escamas das borboletas para produzir imagens sem gastar energia. Além delas, muitas outras tecnologias estão em desenvolvimento por empresas e universidades do mundo (a edição impressa da Galileu, de maio, traz 9 grandes exemplos).
O especialista é autor do livro Biommimicry in Architeture ("Biomimética na Arquitetura", ainda sem edição brasileira) e em 2011 deu uma palestra sobre o assunto no TED, uma das mais importantes conferências sobre tecnologia entretenimento e design do mundo. Pawlyn conversou com Galileu para explicar como a será o principal instrumento de inovação para recuperar o planeta dos danos causados pela "era dos combustíveis fósseis". 


Por que a biomimética demorou tanto a acontecer?

Pawlyn: A demora tem a ver com o nosso entendimento da natureza. Não sabíamos como essas adaptações incríveis funcionariam. Ela também está relacionada com a era dos combustíveis fósseis. Esse período nos deixou preguiçosos. Tem sido tão fácil queimar combustível para atender nossas demandas que deixamos a engenhosidade de lado.
A era dos combustíveis fósseis está acabando?
Pawlyn: Sim, com certeza. Estamos entrando em uma era muito empolgante: a era ecológica. Teremos o ressurgimento da engenhosidade. Nossas soluções serão mais inventivas. Precisamos encontrar formas mais eficientes de resolver nossos problemas porque os recursos naturais do planeta estão acabando. Por isso a biomimética é tão importante. Ela será uma das ferramentas mais importantes para facilitar a transição da era industrial para a era ecológica.
Quais são as características mais importantes dessa nova era?
Pawlyn: Teremos um aumento radical na eficiência dos recursos que utilizamos para produzir nossos materiais e produtos. Essa é a área em que a biomimética terá um papel fundamental. Além disso, vamos explorar cada vez mais modelos de laço fechado. Isso significa, por exemplo, que o lixo produzido por um prédio pode servir de matéria prima para uma usina que gera energia para o próprio prédio que produziu o lixo. A era ecológica também será marcada pela transição dos combustíveis fósseis para uma economia solar.
A energia solar ainda não se inseriu de maneira definitiva no mundo. Por que estamos demorando tanto a fazer a transição?
Pawlyn: A energia que recebemos do Sol é sete mil vezes maior do que precisamos para abastecer a humanidade. Isso quer dizer que nossos problemas de energia não são insuperáveis, trata-se de um desafio para a engenhosidade. O progresso tem sido lento, sobretudo por causa da inércia e do poder sobrepujante da indústria de combustíveis fósseis. Os subsídios para eles são maiores do que para os combustíveis renováveis. Contudo, estamos chegando lá. As células fotovoltaicas ficam 20% mais baratas cada vez que a indústria dobra de tamanho. Outras células custam um quinto do que custavam há 20 anos. É uma questão de tempo.
Mas o tempo está acabando...
Pawlyn: É também uma questão de vontade. Não é uma tarefa difícil, quer ver? Produzimos 75 milhões de carros por ano e temos três bilhões de celulares do mundo. Ou seja, há um esforço manufatureiro em outros campos. Na Segunda Guerra Mundial fábricas foram transformadas da noite para o dia para a produção de material bélico. Os obstáculos que temos são basicamente políticos.
O mercado e as universidades estão preparados para receber e formar profissionais da biomimética?
Pawlyn: A biomimética é um nicho pequeno ainda. A maior parte das pessoas se identifica quando a conhece, mas não se trata de algo amplamente debatido. A sustentabilidade está mais estabelecida. Contudo, não estamos mais satisfeitos com o termo sustentabilidade. Temos que ir além, para chegar em soluções de arquitetura, design e engenharia que sejam capazes de restaurar o planeta. A biomimética é a melhor forma de inovação para fazer essa mudança.
Qual a diferença entre o design sustentável e o de restauração?
Pawlyn: Sustentável implica em algo que poderá continuar indefinidamente. Porém, em muitos momentos, isso tem a ver com mitigação, em fazer com que algo fique um pouco menos pior. Continuamos com o modelo velho, mas o tornamos menos agressivo ao ambiente. Por outro lado, o design de restauração procura soluções que recuperam os ecossistemas.
Poderia dar um exemplo de design sustentável e outro que seja de restauração?
Pawlyn: Digamos que um prédio de escritórios usa 30% menos energia elétrica, tem 20% menos concreto e janelas que conseguem filtrar a luz solar. Essas janelas, por exemplo, misturam diferentes materiais e todo o vidro que vai parar no ambiente não é reciclável. O concreto, mesmo em menor quantidade, continua sendo concreto, que é um material cuja produção emite muito gás carbônico. A conclusão é que apesar de ser menos agressivo, o prédio não contribui para a recuperação do ambiente. Ele apenas torna a agressão mais lenta.
Como seria esse prédio se ele tivesse sido concebido a partir de conceitos de restauração?
Pawlyn: Um prédio assim tem o objetivo de aumentar a produtividade das pessoas, criando níveis de luz ambiente e melhorando a qualidade interna do ar, por exemplo. O ar que sai do prédio precisa ser tão limpo quanto o que entra. Isso pode ser feito usando plantas. É preciso também usar materiais que reduzem os níveis de poeira. A luz solar não aproveitada para iluminação é transformada em eletricidade para o prédio. A conclusão é que devemos ir além do conceito comum de sustentabilidade e recuperar o sistema agredido. Temos que sair de um nível estático, em que consumimos os recursos naturais de forma inconsequente, e sermos produtores dinâmicos de recursos.

Pesquisa mostra avanço na consciência ambiental do brasileiro



Há 20 anos, um grupo de pesquisadores liderados pela pesquisadora Samyra Crespo foi a campo pela primeira vez para traçar o percepção dos brasileiros sobre o meio ambiente. Semana passada, a 5ª edição da pesquisa foi divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). 

A comparação dos resultados ao longo do tempo mostra que a preocupação ambiental está crescendo. Sim, o brasileiro se preocupa com o meio ambiente.

Na primeira edição da pesquisa, em 1992, o tema meio ambiente não figurava entre os 10 principais problemas do país. Esse ano entrou, pela primeira vez, na lista dos 10 maiores problemas na opinião dos brasileiros. 

Está em sexto lugar, atrás de, nesta ordem, saúde, violência, desemprego, educação e qualidade dos políticos. O número de pessoas que apontaram que o meio ambiente é o principal problema do Brasil dobrou de 6% (em 2006) para 13%.

Samyra Crespo apresenta resultados de pesquisa durante 
coletiva de imprensa.  (Foto: Martim Garcia/MMA)

Descentralização

Entre 1992 e 2012, aumentou o número dos que acham que a responsabilidade pelo meio ambiente é de governos municipais. Aqueles que acreditavam que este era um problema Ao longo dos últimos 20 anos, aumentou a parcela de quem considera o meio ambiente um problema regional ou local. 

O percentual de daqueles que colocam a maior responsabilidade sobre os governos estaduais (em vez do governo federal) quase dobrou, subindo de 33% para 61%. Aqueles que concentram a responsabilidade nas prefeituras subiram de 30% para 54%.

Desenvolvimento: não a qualquer custo

Foi sistemático o crescimento dos que se opõem ao progresso econômico à custa da exploração insustentável dos recursos naturais. Nessa pesquisa, ele chegou a impressionantes 82% da população. Nas edições anteriores este quesito mantém os mesmos percentuais impressionantes: 67% em 1997, 72% em 2001 e 75% em 2006.

Perguntados sobre a melhor razão para sentir orgulho de ser brasileiro, 28% apontaram a natureza como causa desse sentimento.

O desmatamento continua a ser a maior preocupação. Em 92, na primeira pesquisa, 47% o consideravam o pior problema. Nos números divulgados ontem, o percentual subiu para 67%. Em seguida, veio a poluição de rios e lagos e outras fontes de água, com 38,5%.

Sacolinhas e lixo

Dos pesquisados, 85% estão dispostos a aderir à campanha de redução do uso de sacolas plásticas. Onde há campanha, 76% aderiram.

A preocupação com o lixo galgou posições no ranking dos desafios ambientais. Coleta, seleção e destino preocupavam 4% das pessoas entrevistadas em 1992. Hoje, o número saltou para 28%.

Nas regiões Sul e Sudeste, 48% afirmaram que fazem a separação dos resíduos nas residências. “Muitas vezes a disposição da população não encontra acolhimento de politicas públicas. 

Muitas vezes o cidadão separa em casa e a coleta do lixo vai e mistura os resíduos”, afirmou Samyra Crespo, durante a coletiva de imprensa desta quinta-feira. Ela é secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA e coordenadora do estudo desde a sua primeira edição.

O levantamento foi feito pelo CP2 pesquisas entre os dias 15 e 30 de abril. Foram entrevistadas 2.201 pessoas com idades a partir de 16 anos, residentes em áreas urbanas e rurais em todas as regiões do país.

O relatório da pesquisa, com 74 páginas, pode ser lido na íntegra aqui.

Grupo Accor anuncia programa de sustentabilidade



Accor's new sustainable development program, PLANET 21


Fortalecer a imagem e valorizar a marca. Estes são alguns dos objetivos do Planet 21, lançado nesta terça-feira no Rio de Janeiro pelo Grupo Accor. 


Essa iniciativa, que se baseia em sete pilares (saúde, natureza, carbono, inovação, local, emprego e diálogo) e 21 compromissos, estará sendo implementado em todos os hotéis da rede no Brasil até 2016, alcançando cerca de 40% dos hotéis da rede no país, conforme o presidente do Grupo Accor, Denis Hennequin, para quem 33 hotéis da todas as marcas da rede (quatro Ibis, 18 Novotel, quatro Sofitel, quatro Mercure e três Pullman) já implantaram o novo programa de sustentabilidade. 



- O Planet 21 é o resultado de um trabalho de campo. Estabelece um novo curso para o Grupo, dando à Accor a missão de reinventar seus hotéis sustentavelmente. Ao mesmo tempo, o Planet 21 coloca o desenvolvimento sustentável no centro da inovação e da concepção do hotel do amanhã - disse, acrescentando que a Accor pretende combinar o desenvolvimento com crescimento que respeita o meio ambiente e as comunidades locais, através da participação de todos seus hotéis e hóspedes em um novo programa de desenvolvimento sustentável.

Hennequin explicou que o Planet 21 foi originário da Agenda 21, programa de objetivos assinado no Rio em 1992, remete aos desafios urgentes que devem ser abordados durante este século, ou seja, a necessidade de mudar métodos de produção e consumo para preservar a humanidade e o ecossistema. 


- O programa é composto de 21 compromissos, integrado a sete pilares, cada um com três objetivos quantificáveis adotados pela Accor para 2015, como, por exemplo, treinamento de funcionários sobre prevenção de doenças em 95% dos hotéis da rede, promoção de pratos equilibrados em 80% dos estabelecimentos, uso de produtos com rótulo ecológico em 85% dos hotéis e redução do uso da água e energia em hotéis próprios e alugados de 15% e 10%, respectivamente. Atualmente, a rede possui 152 hotéis no país.

No Rio tem nove unidades e mais sete em construção. 

No país, 185 novas unidades estão sendo construídas. 

Para a Sophie Flak, vice-presidente de Desenvolvimento Sustentável do Grupo Accor, frisou que, no momento em que o grupo passa por uma forte expansão, como forma de se tornar referência no setor de hotelaria, a escolha por um crescimento responsável é capaz de agregar valor a marca. E para garantir a credibilidade do programa, só os hotéis da rede que estão em conformidade com determinado nível de desempenho em termos de desenvolvimento sustentável poderão usar as mensagens do Planet 21. Esses hotéis, diz, serão avaliados através de uma lista de 65 pontos de controle ou de reconhecidas certificações externas. 

- Atualmente, 70% das nossas principais contas corporativas incluem o desenvolvimento sustentável em sua política de escolha de fornecedores e um em cada dois clientes diz levar em consideração o dito critério na hora de escolher um hotel. Usamos esses resultados para a implementação do Planet 21, programa social e ambiental com metas específicas que une os nossos funcionários e oferece aos nossos clientes a oportunidade de participação.


Earth 2030: Portuguese version



Created by XPLANE for BASF to address the importance of energy efficiency and climate protection

Luxo e Sustentabilidade: O gigante Hotel Gloria agora é “Gloria Palace Hotel”

Luxuoso, glamoroso, inovador, sofisticado, requintado, clássico com um toque de modernidade, confortável, atraente e muito, mas muuuito caro!!! Essas são as futuras características do Gloria Palace Hotel.



As obras de modernização do Hotel Gloria, do empresário Eike Batista e que foi rebatizado de Gloria Palace Hotel, seguem a todo o vapor. O estabelecimento deve entrar em operação no primeiro semestre de 2014.




A clássica fachada de 1922, ano de abertura do hotel, sofreu alterações em reformas promovidas nas décadas de 1960 e 1970, está sendo revitalizada e preservada, de acordo com as orientações da Subsecretaria Municipal de Patrimônio do Rio de Janeiro, e devidamente licenciada pela Secretaria de Urbanismo da capital fluminense. A perspectiva artística acima mostra como ficará o prédio.



Oitenta anos depois, a história de um dos ícones da hotelaria carioca ganha novo capítulo, sob administração do empresário Eike Batista, o sétimo homem mais rico do mundo, que o arrematou por estimados R$ 80 milhões em 2008.



Desde então, o local fechou suas portas, o projeto inicial mudou, o cronograma atrasou, o BNDES liberou R$ 146,5 milhões e o curso da reforma virou um mistério.


“A revitalização do Gloria Palace Hotel reafirma o compromisso do Grupo EBX em investir em iniciativas que valorizem o potencial econômico e turístico do Rio, trazendo um conceito inovador de hotel de luxo, com todos os serviços acessíveis não só aos hóspedes, mas também ao público mais exigente da sociedade carioca”, explica o diretor da REX, Marco Adnet, empresa do Grupo EBX responsável pelo projeto de revitalização do Gloria Palace Hotel.


O projeto acabou marcado também por uma ausência, o Teatro Glória, eliminado da estrutura ao longo da concepção do remodelado prédio.




O Glória serviu de residência para deputados, senadores e ministros, um fluxo de hóspedes ilustres só reduzido após a transferência da capital para Brasília, em 1960. 

Entretanto, ainda passaram por lá os presidentes José Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.




O plano é desbancar o Copacabana Palace, o Fasano (em Ipanema ou nos Jardins), o paulistano Emiliano e outras centenas de hotéis cinco estrelas espalhados pelo planeta. 

”Nosso empenho é para que o Rio tenha um dos dez melhores hotéis do mundo”, informa Eike Batista, segundo o site d24am.com.






Um símbolo do novo empreendimento promete ser a piscina, com fundo transparente, instalada na cobertura sobre o vão retangular existente entre os blocos de apartamentos.




O hóspede que transitar pela grande área de circulação do segundo andar, ao olhar para cima, poderá conferir a movimentação dentro do “aquário humano”. 

O hotel vai manter os dez pavimentos, seguindo o padrão do edifício de 1922, que sofreu alterações ao longo dos anos, inclusive na fachada.




Tarifas ainda não entraram na pauta, mas elas devem concorrer com as cobradas pelo Copa (de R$ 1.140 a R$ 5.600) e pelo Fasano (de R$ 1.330 a R$ 6.640). 

O hotel terá 346 apartamentos e ampla área de Eventos, entre outras facilidades.




Pela variedade de serviços, o empreendimento do Glória pretende atender a um grupo diversificado, de celebridades internacionais a turistas em busca de lazer em praias cariocas, passando também pelos executivos que vêm ao Rio a trabalho. É esperar para ver!





Postado por Gérard Depardieu

Vídeo com as melhores fotos do Hubble comemora os 22 anos do telescópio



A nebulosa de Órion, pelas lentes do Hubble

O telescópio Hubble foi lançado ao espaço no dia 24 de abril de 1990, há 22 anos. 

Para comemorar o aniversário do aparelho, a Agência Espacial Americana (NASA) e a Agência Espacial Europeia (ESA), que encabeçaram o projeto, produziram um vídeo relacionando as fotos mais icônicas feitas pelo telescópio.



O vídeo mostra as fotos preferidas dos cientistas, uma para cada ano de atividade. Entre as imagens, estão fotos  de Saturno, feitas em 1990, pouco depois do lançamento. A imagem aparece um pouco fora de foco, por causa de um problema com um dos espelhos das lentes (problema que obrigou a Nasa a organizar uma missão de reparo às pressas, para trocar a peça defeituosa) .

Ao longo mais de duas décadas, o Hubble ajudou os cientistas a realizar importantes descobertas, como a existência da matéria escura (responsável por acelerar a velocidade de expansão do Universo) e a análise da atmosfera de alguns planetas distantes do Sistema Solar. Mas ele já tem data para se aposentar – espera-se que, até 2014, o aparelho seja desativado.

Os cientistas aproveitaram para explicar que muitas das imagens do Hubble só são divulgadas para o público cerca de um ano depois de feitas. Isso dá tempo à equipe para analisar o material e processar as fotos. Assim, resta a curiosidade – qual será a melhor foto tirada pelo Hubble em 2012?

(Rafael Ciscati)

Confira a lista das 50 maiores empresas de mídia do mundo


FOTO: Reprodução













Saiu a lista das 50 maiores empresas de mídia do mundo. Em terceiro lugar aparece, mesmo não produzindo, o Google, com um faturamento de US$ 37.9 bilhões no ano passado.  
 
A lista foi divulgada pelo Instituto de Mídia e Comunicação Política da Alemanha e reúne nomes como Comcast, Disney, News Corp e Viacom, Sony e Vivendi. Mais da metade do faturamento total provém das dez maiores empresas, responsáveis por 54% do total (US$ 303 bilhões).
 
Veja lista completa das empresas e de seus respectivos faturamentos em bilhões de dólares:
 
1. Comcast/NBCUniversal, LLC (Philadelphia / USA): $55,841 bilhões.
 
2. The Walt Disney Company (Burbank / USA): $40,893
 
3. Google Inc. (Mountain View/ USA): $37,906
 
4. News Corp. Ltd. (New York/ USA): $33,405
 
5. Viacom Inc./CBS Corp. (New York / USA): $29,160
 
6. Time Warner Inc. (New York / USA): $28,974
 
7. Sony Entertainment (Tokyo / JP ): $22,987
 
8. Bertelsmann AG (Gütersloh/GER): $21,232
 
9. Vivendi S.A. (Paris/ Frankreich): $17,381
 
10. Cox Enterprises Inc. (Atlanta / USA): $15,330
 
11. Dish Network Corporation (Englewood, CO / USA): $14,048
 
12. Thomson Reuters Corporation (New York/ USA): $13,807
 
13. Liberty Media Corp./Liberty Interactive (Englewood, CO / USA): $12,639
 
14. Rogers Comm. (Toronto / CA): $12,571
 
15. Lagardère Media (Paris/ Frankreich): $10,659
 
16. Reed Elsevier PLC (London/ GB): $9,608
 
17. Pearson plc (London / UK): $9,402
 
18. ARD (Berlin, München/GER): $8,660
 
19. Nippon Hoso Kyokai (Tokyo / Japan): $8,346
 
20. BBC (London / UK): $7,773
 
21. Bloomberg L.P. (New York / USA): $7,600
 
22. Fuji Media Holdings, Inc. (Tokyo / JP): $7,252
 
23. Charter Comm. Inc. (St. Louis/ USA): $7,204
 
24. Cablevision Systems Corp. (Bethpage, NY/ USA): $6,701
 
25. Globo Communicação e Participações S.A. (Rio de Janeiro/ BRA): $6,581
 
26. Advance Publications (Staten Island, New York / USA): $6,549
 
27. The McGraw-Hill Comp. Inc. (New York/USA): $6,246
 
28. Clear Channel Comm. (San Antonio / USA): $6,161
 
29. Mediaset SpA (Mailand / IT): $5,916
 
30. The Nielsen Company (Haarlem/ NL): $5,532
 
31. Gannett Co. Inc. (McLean, Virginia / USA): $5,239
 
32. Grupo Televisa (Álvaro Obregón / MX): $5,039
 
33. Yahoo! Inc. (Sunnyvale/ USA): $4,983
 
34. The Naspers Group (Kapstadt / ZA): $4,797
 
35. Shaw Communications (Calgary /CA): $4,795
 
36. Wolters Kluwer nv (Amsterdam / NL): $4,669
 
37. Bonnier AB (Stockholm / SWE): $4,596
 
38. Axel Springer AG (Berlin /GER): $4,434
 
39. France Télévisions S.A. (Paris/ FRA): $4,371
 
40. Discovery Communications (Silver Spring/ USA): $4,234
 
41. Tokyo Broadcasting System Holdings, Inc. (Tokyo / Japan): $4,215
 
42. The Washington Post Company (Washington D.C. / USA): $4,215
 
43. RAI Radiotelevisione Italiana Holding S.p.A. (Rom / IT): $4,193
 
44. Quebecor Inc. (Montreal/ CA): $4,079
 
45. ITV plc (London / GB): $3,900
 
46. ProSiebenSat.1 (Unterföhring/ GER): $3,836
 
47. Sanoma Group (Helsinki / FI): $3,822
 
48. The Hearst Corporation (New York/ USA): $3,800
 
49. Grupo PRISA (Madrid / ES): $3,778
 
50. TF1 S.A. (Boulogne, Cedex / FRA): $3,647
 
As informações são do Caio Túlio Costa.

Fonte: Redação Adnews

Evento em São Paulo une marcas brasileiras de moda sustentável


Mostra Nacional do Coletivo Brasil acontece entre os dias 04 de maio e 03 de junho
Por Gisele Eberspacher
Entre os dias 04 de maio e 03 de junho, o Espaço Moda Futuro, em São Paulo, apresentará ao público a I Mostra Nacional do Coletivo Brasil, em que serão expostos e comercializados roupas e acessórios desenvolvidos de maneira sustentável. A curadoria do evento é da jornalista Danielle Ferraz e terá uma decoração sustentável assinada por Letícia Alencar.
Modelo usa peças das marcas que estarão presentes no evento (foto: Marcia Gamma/ divulgação).
O Coletivo Brasil foi idealizado pela designer de biojóias alagoana Patrícia Moura e tem como objetivo agregar e promover designers e estilistas do paós que têm na base do seu trabalho a sustentabilidade. Hoje, 22 marcas integram o movimento.
As marcas participantes são:
Patrícia Moura Biojóias, de acessórios naturais desenvolvidos com compromisso socioambiental;
Prazeres Accioly, que trabalha materiais naturais em tear manual;
Será o Benedito, marca de moda que se utiliza de materiais alternativos como lona usada de caminhão, papel de vedação para construção civil e couro vegetal, entre outros;
Maria Ribeiro, que desenvolve acessórios a partir de arame, latão e fios;
Tiê Moda Ecológica, que fabrica e comercializa roupas e acessórios de materiais sustentáveis e reciclados;
2Primas, marca que desenvolve uma moda contemporânea através dentro de processos sustentáveis;
Tiana Santos, que faz acessórios a partir da reutilização de PET;
Brilac, de bolsas e acessórios feitos com lacres de alumínio;
Heliconia, especializada em sapatos feitos com resíduos de couro de peixes como a tilápia;
Mãos da Terra, de acessórios artesanais obtidos de sementes, palha misturados a modernidade do metal;
Coisas de Maria, de bijuterias que misturam resíduos, como retalho de algodão a matérias primas rústicas e sofisticadas;
Jóias do Pantanal, de biojóias, que trabalha sobretudo com a reutilização dos resíduos dos chifres bovinos;
JS Design Sustentável, que utiliza técnica de reutilização de papel no desenvolvimento de acessórios modernos e arrojados.
Instituto Ecotece, ONG que promove o vestir consciente e as comunidades “apadrinhadas” pelo Coletivo Brasil, o grupo pernambucano Bio Artes e Mulheres de Fibra, de Trindade.

Veja mais informações sobre o evento aqui.

Tecnologia naval auxilia estudos sobre comportamento de animais marinhos

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Uma tecnologia utilizada na indústria naval –para exploração de petróleo em águas profundas, entre outras aplicações –irá auxiliar pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus experimental de São Vicente, a conhecer melhor o comportamento de raias marinhas e de água doce.

                                                                   


Pesquisadores da Unesp utilizam veículos 
subaquáticos operados por controle remoto
para estudar movimentação e distribuição 
espacial de raias em água doce e salgada








Os cientistas estão testando em cativeiro e em breve começarão a utilizar Veículos Subaquáticos Operados por Controle Remoto (ROVs, na sigla em inglês), combinados com equipamentos de radiotelemetria e telemetria acústica, para estudar padrões de movimentação e distribuição de raias em rios do oeste paulista e no litoral norte do estado.


Resultado de um projeto apoiado pela FAPESP, o estudo utilizando ROVs e radiotelemetria especificamente para essa finalidade era inédito no Brasil.

“As tecnologias se complementam e possibilitarão trazer à tona informações sobre a ecologia espacial de algumas espécies de raias que ainda são desconhecidas, já que estudos dessa natureza ainda não foram realizados no estado de São Paulo, especialmente em função do custo elevado e da necessidade de formação específica”, disse Domingos Garrone Neto, pesquisador da Unesp, àAgência FAPESP.

O pesquisador iniciou um estudo sobre o comportamento de raias utilizando radiotelemetria – em que são inseridos no animal transmissores que emitem sinais de rádio – em 2011, no rio Paraná, na divisa com Mato Grosso do Sul.

Como o peixe cartilaginoso, a exemplo dos tubarões, usa o sistema eletrossensorial para detectar suas presas, Garrone começou a questionar os possíveis efeitos dessas marcas eletrônicas no comportamento dos animais.

Para analisar os eventuais impactos dos equipamentos de radiotelemetria em raias, o pesquisador optou por continuar a pesquisa em cativeiro, em aquários montados especialmente para essa finalidade.

“Estamos terminando os experimentos e, em breve, saberemos se os radiotransmissores interferem ou não no comportamento das raias”, disse Garrone.

No litoral paulista, o pesquisador conheceu o Núcleo de Tecnologia Marinha e Ambiental (Nutecmar), que opera ROVs, e viu a possibilidade de incorporar mais essa tecnologia a sua pesquisa sobre ecologia espacial de raias.

Após realizar cursos na empresa para operar o equipamento, cujos comandos são similares aos de um helicóptero, Garrone pretende utilizá-lo em seu projeto de pós-doutorado, sob a supervisão do professor Otto Bismark Fazzano Gadig.

“Pretendemos utilizar ROVs para explorar tanto o mar como a água doce para analisar o comportamento de tubarões e raias em grandes profundidades de dia e à noite”, explicou Garrone.

Inicialmente, os pesquisadores estão utilizando um ROV cedido pela empresa parceira do projeto para realizar os estudos. Mas, no fim de abril, deverão começar a operar um equipamento próprio, importado da Rússia e adquirido com auxílio da FAPESP.

Avaliado em cerca de US$ 60 mil, o ROV que será adquirido pelos pesquisadores pode atingir até 150 metros de profundidade e é capaz de operar ininterruptamente quando plugado por um cabo de energia a uma corrente alternada, ou entre quatro a doze horas, utilizando a bateria de navios ou botes.

O equipamento, que pesa cerca de 12 quilos e tem o tamanho um pouco maior do que de um aparelho de microondas doméstico, é dotado de duas câmeras, localizadas em sua dianteira e traseira. Operadas na superfície, as câmeras captam imagens em tempo real, que são transmitidas para um monitor conectado a um HD de computador fora do ambiente aquático.

O robô também tem diodos de laser que possibilitam avaliar a escala de tamanho dos animais com os quais se defronta na água, além de braços articuláveis que permitem coletar materiais no fundo do mar.

Outros acessórios do equipamento são sonares que conseguem identificar os alvos com precisão, mesmo quando o equipamento é operado em águas turvas, além de propulsores que permitem que o mini submarino navegue até 4 nós de velocidade, e emissores de luz de LED para trabalhos noturnos ou exploração de locais com baixa ou nenhuma luminosidade, como cavidades e ambientes profundos.

Mas, segundo Garrone, uma das maiores inovações do ROV “brasileiro” será um sistema de depuração de imagens que permitirá melhorar a visibilidade de imagens capturadas em águas turvas, tornando-as extremamente limpas como as de uma piscina.

“O robô permitirá substituir nossa presença na água por tempo ilimitado, possibilitando explorar os ambientes com maior segurança e precisão, principalmente no mar, onde a profundidade e a temperatura da água costumam limitar os trabalhos por longos períodos”, destacou.

Acidentes com raias

Garrone se interessou por estudar o comportamento de raias durante a realização de seu mestrado, em que desenvolveu um estudo com pescadores na Amazônia e identificou que os acidentes com raias de água doce representavam um sério problema de saúde pública na região.

Porém, não se sabia muito bem o comportamento desses animais aquáticos na natureza e aspectos como sua alimentação, reprodução e interação com outras espécies. E a maioria das poucas pesquisas disponíveis sobre essa espécie de peixe cartilaginoso era baseada em observações indiretas do animal coletado muitas vezes por anzol, rede de arrasto e pesca de espinhel.

Por meio de observações subaquáticas, Garrone fez as primeiras observações subaquáticas sobre as práticas de caça, os rituais de corte e acasalamento e o deslocamento desses animais na natureza.

Agora, o objetivo de sua pesquisa utilizando ROVs e equipamentos de telemetria é aumentar e melhorar o entendimento sobre o comportamento de raias marinhas e de água doce e tentar responder algumas questões como se no inverno os animais que habitam a costa de Ubatuba, no litoral paulista, procuram águas mais quentes e depois retornam no verão, quando á água está mais aquecida, e se as correntes marinhas influenciam a distribuição espacial desses animais.

“Essas tecnologias vão nos dar condições de responder essas questões com muita segurança e precisão”, disse Garrone

Os pesquisadores também pretendem utilizar equipamentos de telemetria acústica, em que são utilizadas ondas de som em vez de rádio, para estudar o comportamento de raias inicialmente no mar e, futuramente, em água doce.

Os trabalhos integram uma rede de pesquisas coordenadas pelo professor Otto Bismark Fazzano Gadig sobre elasmobrânquios brasileiros, como tubarões e raias, no Laboratório de Estudo de Elasmobrânquios da Unesp de São Vicente.