Ar-condicionado natural

Por Mônica Pileggi

Agência FAPESP – Morar em um país como o Brasil, onde cada região possui um clima diferente, pode ser bom para uns e ruim para outros. Um estudo realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) sobre chaminés solares , no entanto, pode ajudar a refrescar quem vive em áreas mais quentes.

A chaminé solar desenvolvida pelo professor Maurício Roriz e seus orientandos Fernando Sá Cavalcante e Letícia de Oliveira Neves, do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da UFSCar, adota o mesmo princípio de um aquecedor solar de água e pode ser instalada para estimular a ventilação natural em residências ou escritórios. 
 
Uso de chaminé solar para estimular a ventilação 
em ambientes pode reduzir a conta de luz, 
proporcionar conforto térmico e contribuir para a
preservação do meio ambiente, indica pesquisa 
feita na UFSCar (divulgação)


“A chaminé funciona como um coletor solar: os raios solares atravessam um vidro e aquecem uma placa metálica preta, situada abaixo dele. Aquecida, a placa emite calor, mas em frequência diferente da que vem do sol e para a qual o vidro é opaco. Assim, o calor entra, mas não consegue sair”, disse Roriz à Agência FAPESP.

Nos coletores solares convencionais a água se aquece ao circular em tubos que passam sob a placa quente. “Na chaminé solar, em vez de água passa o ar”, disse.

Esse ar-condicionado natural se baseia no chamado “efeito chaminé”: no interior da estrutura, o ar aquecido se torna mais leve e tende a subir, aspirando o ar dos ambientes e substituindo-o pelo ar exterior, mais puro e geralmente mais confortável, particularmente nos climas típicos do Brasil.

“Trata-se, portanto, de um processo de ventilação provocado por diferenças de temperatura e de pressão, sendo muito eficiente para promover o conforto térmico nas horas quentes, mesmo em áreas urbanas densamente ocupadas, onde os obstáculos impedem o aproveitamento da ação direta do vento”, comentou Roriz.

Arquitetura bioclimática

Por uma conjugação de diversos fatores, as cidades se tornam cada vez menos confortáveis, provocando as chamadas ilhas urbanas de calor. “Além dos obstáculos à ventilação natural, as áreas com pavimentação impermeável crescem, invadindo os espaços onde havia parques, bosques e jardins, cuja vegetação contribuiria significativamente para amenizar o clima”, disse o pesquisador.

De modo geral, os edifícios também não são projetados e construídos de modo a favorecer os processos naturais de promoção do conforto térmico. O uso indiscriminado do vidro, sem o devido sombreamento, transforma a edificação em verdadeiro coletor solar.

“Tentando se proteger, o usuário fecha cortinas, interrompendo a ventilação natural e escurecendo o ambiente. Então, acende lâmpadas, que também geram calor, assim como os outros equipamentos elétricos que usamos em nossos escritórios e residências. Desse círculo vicioso resultam desconforto e desperdício de energia”, disse Roriz.

Segundo ele, existem diversas técnicas e estratégias, denominadas bioclimáticas, que poderiam contribuir para elevar a qualidade dos edifícios, mas que ainda são pouco conhecidas e aplicadas no Brasil. Essas técnicas têm como objetivo contribuir com a preservação do meio ambiente e a eficiência energética do ambiente construído, obtidas por meio do uso racional dos recursos naturais, além de proporcionar o conforto térmico aos ocupantes das edificações.

A chaminé solar é uma das técnicas da arquitetura bioclimática, assim como as coberturas "verdes" (uso de vegetação sobre as coberturas das edificações), a refrigeração evaporativa (sistema natural de resfriamento baseado na evaporação da água) e a inércia térmica do solo e dos sistemas construtivos (que guarda o calor nas horas quentes para combater o frio das madrugadas, ou vice-versa).

De acordo com Roriz, é possível construir edifícios confortáveis sem condicionador de ar, aproveitando a ventilação natural. “Os condicionadores convencionais de ar ressecam o ambiente e prejudicam o sistema respiratório humano, além de impactarem negativamente o meio ambiente. A chaminé solar proporciona ventilação, sem consumir eletricidade e sem agredir a natureza”, afirmou. Como um dos resultados da pesquisa, o professor desenvolveu um software, chamado Chaminé, que calcula a ventilação provocada por diferentes situações de uma chaminé solar, contém dados climáticos de mais de 300 cidades de todo o país e pode ser baixado gratuitamente no endereço www.roriz.eng.br/download_6.html
 

ISO 26000 - Responsabilidade Social


ARTIGO: A “Onda Verde” renova o universo empresarial no Brasil

Nos últimos anos, as discussões em torno do aquecimento global elevaram o tema da sustentabilidade entre as prioridades máximas de empresas em todo o mundo, desde pequenas companhias até gigantes multinacionais. 
 
 
A preocupação ambiental ajudou a despertar o interesse por métodos de construção e manutenção de imóveis adequados às novas necessidades de conservação do planeta, em harmonia com os padrões ecologicamente corretos.

Na esteira dessa nova mentalidade, surgiram os chamados green buildings, ou “prédios verdes”, uma nova geração de edificações marcadas por modelos alternativos de funcionamento, como geração própria de energia e aproveitamento da água da chuva, entre outros.

O universo corporativo vive uma fase histórica única em que aderir ao “movimento verde” traz grandes benefícios (diretos e indiretos), não somente para as empresas, mas também para a sociedade como um todo. Devido à constante evolução das tecnologias, o ambiente empresarial é atualmente capaz de funcionar com maior eficiência e menor burocracia com mínimos recursos físicos.

Estudos indicam que o impacto ambiental de um edifício pode ser espantoso. Nos EUA, os prédios comerciais consomem 65% da energia elétrica distribuída no país e o principal “vilão” é o ar-condicionado, responsável por mais da metade do consumo de toda a energia. No Brasil, esse índice é de cerca de 50%.

Na onda dos prédios verdes, o uso dos escritórios terceirizados é outra opção ecologicamente correta que se torna cada vez mais atraente. Conhecidos como escritórios inteligentes, representam mais um importante passo na transformação do mundo dos negócios, com impacto vantajoso crescente – ambiental, social e econômico.

Há 15 anos no Brasil, a Your Office é pioneira no setor de escritórios inteligentes. Também conhecidos como escritórios virtuais, os estabelecimentos oferecidos pela empresa são salas mobiliadas e amplamente equipadas, com total infra-estrutura de serviços, como telefonia, internet banda larga, secretariado, recepção, copa e cozinha, segurança, etc. As salas podem ser alugadas, sem burocracia, por qualquer período de tempo, por empresas de variados portes e áreas de atuação.

As grandes vantagens da terceirização do espaço corporativo são imediatamente identificáveis: diminuição de custos fixos, além de maior organização racional do tempo e gerenciamento de funcionários. O principal benefício mensurável é, sem dúvida, a expansão dos balanços financeiros.

Prova de que a terceirização não para de conquistar espaço, o grupo Your Office registra índices de crescimento da ordem de 20% ao ano no País. As vantagens da terceirização, no entanto, expandiram-se também graças à recente preocupação em torno da sustentabilidade.

O escritório inteligente ou virtual traz vários ganhos em relação a outros modelos de negócios. Nele, ganha o empresário, ganha o cliente, ganha o funcionário, mas ganha também a sociedade quando o planeta é poupado. Um exemplo prático: a economia de gastos fixos de uma sala comercial com serviços públicos – como taxas pelo fornecimento de água e energia elétrica – também sinaliza que tais recursos, divididos entre os vários usuários de um escritório terceirizado, estão sendo mais bem utilizados.

O uso conjunto da infra-estrutura é outro forte argumento a favor da terceirização em relação ao modelo corporativo tradicional. Ao compartilhar o escritório físico, as empresas se desfazem não só de parte de seus encargos financeiros como também de eventuais malefícios ambientais.

A economia do empreendedor tende a ser maior em vários aspectos, a começar pela redução do aluguel do espaço devido ao rateio do seu valor integral. De ponto de vista sustentável, os escritórios virtuais podem diminuir o ritmo de construção de novos imóveis comerciais, ociosos na maior parte do tempo, e que apenas aumentam o número de edifícios nas grandes cidades - cada vez mais sacrificadas pela falta de planejamento urbano.

A desorganização das cidades leva, por sua vez, ao aumento gradual das temperaturas, das distâncias a serem percorridas pelos trabalhadores, do uso dos meios de transporte (com a expansão dos congestionamentos, gastos de combustível e derivados do petróleo, poluição, desgaste do asfalto de ruas e avenidas, etc.). Isso sem somarmos os efeitos nocivos para a saúde dos cidadãos, que têm de conviver com acidentes, ar poluído, demora no tempo de locomoção, elevação dos níveis de estresse e perda de tempo contínua.

As facilidades oferecidas pela terceirização ajudam o pequeno empresário a diminuir os custos operacionais, contribuem para que ele possa dedicar-se exclusivamente aos clientes, e ainda promove o bem-estar social e a conservação do meio ambiente.

Por Otávio Ventura, diretor-presidente da Your Office
Fonte: Germinare
 

ISO 26000 nasce para ser a norma das normas

Lançada no final de 2010, ela engloba conceitos e tem como meta principal ser um guia orientador sobre responsabilidade social nas empresas
Por: Altair Santos

Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2010, 91 dos 105 países-membros da ISO (Organização Internacional para Normalização) atuaram na elaboração daquela que já é considerada a norma das normas: a ISO 26000.

 
Jorge Emanuel Cajazeira presidiu o 
maior Comitê da ISO em todos os 
tempos,que resultou na norma 26000.

Nascida para ser um guia orientador sobre responsabilidade social, ele envolveu cerca de 500 pessoas e contou também com a participação de integrantes da ONU (Organização das Nações Unidas), da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e de um grande número de Organizações Não-Governamentais, como a WWF (World Wildlife Fund). “Foi o maior Comitê da ISO em todos os tempos. Indiscutivelmente, foi a norma mais debatida mundialmente”, afirma o brasileiro Jorge Emanuel Cajazeira, que presidiu o Comitê mundial da ISO 26000.

Diferentemente da maioria das normas, a ISO 26000 foi concebida para ser uma diretriz normativa não-certificável, ou seja, ela não é uma norma de certificação. “Ela é uma norma guia, uma norma de conduta. O objetivo foi fazer dela uma norma guarda-chuva. Ela praticamente englobou conceitos de outras normas, que evoluíram para uma ISO de responsabilidade social. Então, a adesão das empresas a ela é espontânea”, explica Jorge Emanuel Cajazeira.

Logo, uma empresa que pretenda seguir a ISO 26000 terá que buscar a construção de responsabilidade social a partir de uma mobilização interna, seguindo os seguintes princípios: accountability (prestação de contas à sociedade), transparência, comportamento ético, respeito e consideração aos interesses dos stakeholders (funcionários, gestores, fornecedores, clientes, Estado e entidades de classe), cumprimento das leis e normas internacionais e universalidade dos direitos humanos.

A ISO 26000 estabelece que responsabilidade social é:
“Responsabilidade de uma organização sobre os impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, através de comportamento transparente e ético que:
- contribua para o desenvolvimento sustentável, incluindo saúde e o bem estar da sociedade;
- leve em conta a expectativa das partes interessadas;
- esteja de acordo com as leis aplicáveis e consistente com as normas internacionais de comportamento
- esteja integrada através da organização e praticada nos relacionamentos desta.”

Segundo Jorge Emanuel Cajazeira, a principal dificuldade que as empresas devem encontrar ao implantar a ISO 26000 será evitar confundir responsabilidade social com a prática da filantropia. “Diversas instituições se dizem socialmente responsáveis porque fazem doações, ajudam creches, enfim, têm uma ação filantrópica. Este conceito não é o que a ISO entende que seja definitivo para o tema responsabilidade social. Responsabilidade social para a ISO é uma relação ética perante a sociedade, que inclui respeito aos direitos humanos, respeito aos direitos das minorias, combate à discriminação, combate à corrupção e governança. São temas muito mais abrangentes do que a mera filantropia, que é uma da parte de ação social”, diz.

Definir esse novo conceito de responsabilidade social é que foi a grande dificuldade do Comitê que elaborou a ISO 26000. Por isso, ela demorou cinco anos para ser criada, quando, em média, uma norma demora no máximo três anos para ser construída. “Os debates foram calorosos, por que envolveram temas que não são muito fáceis de chegar a um consenso. Um exemplo foi o que envolveu a discriminação contra homossexuais. Isso para os países árabes é tido como ofensivo, pois eles não consideram o homossexualismo como uma coisa que faz parte da cultura deles. Então, foi preciso criar uma atmosfera de uniformidade de conceitos e quebrar resistências históricas”, revelou Cajazeira.

O que prega a ISO 26000

Governança organizacional
Trata dos processos e estruturas de tomada de decisão, delegação de poder e controle. O objetivo é fazer com que a organização incorpore em seu cotidiano os princípios de responsabilidade social.

Direitos Humanos

Inclui resolução de conflitos, direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, além de direitos fundamentais do trabalho e combate à discriminação a grupos vulneráveis.

Práticas trabalhistas
Refere-se tanto ao emprego direto quanto ao terceirizado e ao trabalho autônomo. Inclui emprego e relações de trabalho; condições de trabalho e proteção social; diálogo social, saúde e segurança ocupacional; desenvolvimento humano dos trabalhadores.

Meio ambiente
Inclui prevenção da poluição; uso sustentável de recursos; adaptação às mudanças climáticas; proteção e restauração do ambiente natural; respeito ao ciclo de vida e responsabilidade ambiental.

Práticas operacionais justas
Compreende combate à corrupção; envolvimento político responsável; concorrência e negociação justas; promoção da responsabilidade social na esfera de influência da organização e respeito aos direitos de propriedade.

Questões dos consumidores

Inclui práticas justas de negócios; marketing e comunicação; proteção à saúde e segurança do consumidor; consumo sustentável; serviço e suporte pós-venda; privacidade e proteção de dados; acesso a serviços essenciais; educação e conscientização.

Envolvimento com a comunidade e seu desenvolvimento
Refere-se a investimento social; desenvolvimento tecnológico; criação de empregos; geração de riqueza e renda; promoção e apoio à saúde, educação e cultura.

ISO 26000 começa a se propagar no Brasil

O brasileiro Jorge Emanuel Cajazeira, que presidiu o Comitê que criou a norma de Responsabilidade Social, afirma que agora trabalha para expandir rapidamente os conceitos da nova ISO pelo país. Confira a entrevista:

As empresas brasileiras já estão se adequando à norma ou ela ainda vai levar um tempo para se propagar pelas corporações do país?
Uma boa parte delas já está parcialmente aderente à norma e o processo deve se expandir rapidamente. A norma foi lançada agora e estamos divulgando via federações de indústrias. Então, em breve, teremos um bom número de adesões à norma.

Hoje, quais as empresas brasileiras que estão trabalhando para se adequar à ISO 26000?
A Petrobras já tem trabalhos neste aspecto, assim como a Natura. Tenho informações de que a Braskem, que é ligada à Odebrecht, iniciou o processo, além da Suzano Papel e Celulose, da CPFL Energia e o Banco Santander.

O Brasil presidiu o Comitê Mundial da ISO de Responsabilidade Social, com o senhor à frente dos trabalhos. Como foi conduzir a elaboração da norma?
Não foi um trabalho fácil. Tomou um grande tempo de viagens, sobretudo para negociar com chineses e indianos, que se opunham à norma. Foi a primeira vez que um brasileiro presidiu um Comitê deste porte, do qual faziam parte quinhentas pessoas, e até pegar familiaridade com os termos e a ritualística demorou um pouco. Mas obtive muito apoio inquestionável da ABNT e da própria ISO, que não poupou recursos para que a norma saísse.

Além do senhor, quem mais do Brasil se envolveu no trabalho para a criação da norma ISO 26000?
Além de mim, o vice-secretário geral Eduardo Santiago, da ABNT, e mais seis especialistas participaram da redação da norma: o Aron Belinky, ligado ao Instituto Akatu; o José Salvador, da Fundação Vanzolini; o Rodolfo Guttilla, da Natura; a Ana Paula Grether, da Petrobras; o Reinaldo Ferraz, do Ministério de Ciência e Tecnologia, e o professor José Carlos Guarnieri, da FGV.

Especificamente sobre o setor da construção civil brasileira, ele está preparado para requerer a ISO 26000?
O setor da construção civil precisa, sobretudo, ter relações trabalhistas mais duradouras. Em determinados momentos ele emprega muito e em outros desemprega. Essas relações precisam ser mais perenes. Tem também a questão da legalidade, da saúde e da segurança. O lado positivo, é que o setor avançou muito na questão ética. Na parte de concorrência pública me parece que houve uma evolução grande e hoje ela é conduzida com mais transparência.



Lançamento da ISO 26000, no Brasil, em dezembro de 2010: país foi protagonista na elaboração da norma.

Responsabilidade socioambiental da Cia. de Cimento Itambé
A Cia. de Cimento Itambé conta atualmente com as certificações ISO 9001:2008 (Qualidade), 14001:2004 (Meio Ambiente) e a OHSAS 18001:2007 (Saúde e Segurança), concedidas pela SGS ICS Certificadora Ltda. Essas certificações estão consolidadas em um único sistema – Sistema Integrado de Gestão (SIG).

Para o gerente de qualidade da Itambé, Rogério Lunardon, as normas permitem que a empresa tenha um compromisso com a qualidade, que vai desde a prospecção do calcário até a entrega do produto ao consumidor. “Há uma interação, afinal não faria sentido ter qualidade sem respeito ao meio ambiente e sem padrões de trabalho seguro”, afirma.

A Itambé desenvolve também uma política de responsabilidade social, que se sustenta em três pilares básicos: a valorização do potencial humano, o desenvolvimento das comunidades onde está presente e o respeito ao meio ambiente. A empresa faz isso por meio do PIPA (Programa Itambé de Participação Social), com ênfase em obras de infraestrutura nos municípios de Balsa Nova e Campo Largo, onde estão localizadas sua fábrica e mina, respectivamente.

Segundo Cecília Chiesse Hara, coordenadora de comunicação corporativa da empresa, o PIPA, que foi criado em 2001, já recebeu da Itambé o repasse de mais de R$ 2 milhões. “Só em 2010, foram R$ 300 mil”, diz. Voltado para a educação e saúde, o programa proporciona melhor qualidade de vida aos moradores dos municípios em que a companhia atua, prioritariamente, das localidades do Jardim Serrinha, em Balsa Nova, e do Itambezinho, em Campo Largo.

Nessas comunidades, o PIPA já viabilizou as reformas das escolas e postos de saúde que atendem à comunidade local. Além disso, abre a biblioteca da Itambé para alunos das redes de ensino de Balsa Nova e Campo Largo que tem acesso a todo o acervo literário da empresa. O espaço dispõe de dois mil títulos e conta ainda com um auditório de 105 lugares, onde é realizado o projeto Sessão Cinema, e que em 2010 atendeu três mil estudantes.

Entrevistados
Jorge Emanuel Reis Cajazeira, Presidente do comitê mundial da ISO 26000
Currículo
- Doutorando e mestre pela FGV-EAESP
- Presidente mundial da ISO Responsabilidade Social
- Membro do conselho da Aberje
- Gerente Corporativo de Competitividade da Suzano Papel e Celulose
- Eleito entre o 4 executivos mais inovadores em 2005 pela Revista Exame
- Coordenador Grupo Tarefa de Responsabilidade Social Corporativa – ABNT
Contatos: jbarretto@suzano.com.br/ joiceb.je@suzano.com.br (assessoria de imprensa)

Cecília Chiesse Hara, coordenadora de comunicação corporativa da Itambé
Rogério Lunardon, gerente de qualidade da Itambé
Crédito Fotos: Divulgação/Petrobras/Suzano
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
 

Sustentabilidade está em foco e jovens ainda buscam vagas em empresas verdes

Pesquisas apontam que empresas que têm valores sustentáveis ainda estão na mira dos jovens profissionais
 
 
Recém-formado em Jornalismo, Rafael Onori, 26, enxergou no Greenpeace a possibilidade de aliar sua área profissional com os valores de sustentabilidade e responsabilidade social que ele aprendeu com a família desde cedo. Há quatro meses trabalhando em uma das maiores ONGs de preservação do meio ambiente do mundo, o jovem profissional só viu ganhos em sua escolha. “A ONG está dentro do que ela se propõe e dentro do que eu acredito. Não conseguiria trabalhar com algo do qual eu não acredito”, afirma.

Ele e tantos outros jovens fazem suas escolhas profissionais tendo a sustentabilidade como um dos principais fatores. Tema já bastante apurado pelos meios de comunicação, a sustentabilidade ganhou notoriedade nos anos 2000, principalmente por conta dos questionamentos acerca das consequências do aquecimento global para o mundo. A partir daí, grandes empresas lançaram novas políticas ligadas à preservação do meio ambiente. E com elas ampliaram sua participação no mercado.

Diante dessas possibilidades, aliadas às fortes convicções da Geração Y – nascida entre as décadas de 80 e 90 – as empresas com ações voltadas para o bem do planeta começaram a ser almejadas por jovens profissionais que enxergam nessas políticas não apenas ações de marketing, mas ações efetivas de mudança. E eles querem fazer parte disso. Tanto que as empresas que têm a sustentabilidade como um valor saem na frente na preferência dos estudantes.

Enquete realizada pelo CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) com mais de 20 mil estudantes mostra que na hora de buscar uma oportunidade de trabalho, 77% deles dão preferência a empresas que dão importância à sustentabilidade. O resultado, na avaliação da assistente de Desenvolvimento Estudantil e Profissional do CIEE, Danielle Bueno, não surpreende. No entanto, ela enfatiza que esse fator não é determinante na busca por vagas. “Para eles, na verdade, a sustentabilidade é um critério a mais”, afirma.

Do total de estudantes que participaram da enquete, 5% afirmaram que não levam esse fator em consideração na hora de buscar uma oportunidade no mercado e outros 17% se disseram indiferentes ao tema. Para Danielle, essa indiferença está ligada à falta de informação sobre o tema. “Não houve uma abordagem desse assunto muito assídua no último ano. Na verdade, houve um esquecimento. Por isso, esse percentual tão alto de indiferentes”, explica a especialista. “Contudo, essa situação está mudando e a preocupação com o tema está crescendo gradualmente”, considera.

Escolhas e informação


Onori trabalha como intermediador entre o Greenpeace e as pessoas, passando informações para quem está interessado e buscando adesões para uma maior captação de recursos para a ONG. E a falta de informação foi um dos pontos que mais assustou o jovem profissional. “Uma vez, fomos fazer um evento em um shopping da periferia de São Paulo e ao explicar as ações para preservação dos oceanos, uma mulher nos questionou porque ela devia se preocupar com o mar se ela vivia na terra”, conta.

Atuar em uma empresa que alia sua área de formação com os valores que Onori aprendeu com os pais, contudo, faz ele superar os sustos que têm com tamanha falta de educação ambiental das pessoas. “Aprendi em casa coisas simples como plantar árvores, não demorar muito tempo no chuveiro, a utilizar menos plástico e reciclar lixo. E trabalhar com isso é recompensador”, afirma.

Para Onori, na hora de escolher a empresa onde iria trabalhar, os valores de sustentabilidade superaram a remuneração e os benefícios. Enquete realizada pelo Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios) mostra que ele não é o único. Perguntados qual tipo de empresa escolheriam para estagiar, 40% dos quase 6 mil estudantes disseram que optariam por aquelas preocupadas com a preservação do meio ambiente, 24% escolheriam aquelas que apoiam ações em defesa da criança e 18% disseram que eles optariam por empresas que apoiam projetos sociais a grupos em situação de risco. A opção “sem essas políticas, mas onde o funcionário é bem remunerado” recebeu 18,8% das respostas.

Apesar de importante, o requisito, na avaliação da gerente de Treinamento do núcleo, Carmen Alonso, mais uma vez não é prioritário. “É um conjunto de fatores que leva ele [estudante] a fazer essa escolha. Ele vai buscar o diferencial. Não é a sustentabilidade que vai fazer ele optar por uma ou outra empresa. Não é o único fator”, afirma. Diferentemente do que ocorreu com Onori, Carmen não acredita que a remuneração fique em segundo plano entre os estudantes. “O que leva eles a escolherem uma empresa e não outra é sim a perspectiva de crescimento, a facilidade de acesso e o valor da bolsa-auxílio”, explica.

Experiências


E por que a sustentabilidade é importante para os jovens profissionais? “Eles querem fazer algo maior e admiram empresas que transformam seus funcionários em agentes multiplicadores de práticas sustentáveis”, explica a diretora da Cia de Talentos, Carla Esteves. Ela concorda que os valores sustentáveis de uma empresa não são determinantes para a escolha dos estudantes. “Dentro de um conjunto de fatores, eles priorizarão o ambiente agradável, a qualidade de vida, o crescimento profissional e a boa imagem dessa empresa no mercado”, afirma.

Contudo, Carla explica que a questão ambiental é a que está mais ligada a uma boa imagem da empresa. E ela ainda ressalta que se pudessem escolher, os jovens profissionais colocam sim o critério sustentabilidade como determinante. “A Geração Y, principalmente, está preocupada com o amanhã e quer trabalhar com empresas que tenham os mesmos valores que ela tem”, ressalta Carla.

“Os jovens estão cada vez mais atentos a isso, e não apenas a questões diretamente ligadas ao meio ambiente, mais ao que eles podem tirar dessas questões”, ressalta Carmen, do Nube. Fazer a diferença e contribuir para um planeta melhor foram os motivos que levaram Onori ao trabalho que faz hoje. Mas o jovem profissional está tirando da experiência que tem lições que ultrapassam as práticas ambientalmente corretas. “Das lições que eu tiro do meu trabalho, acho que a principal é aprender que não se deve mesmo subestimar as pessoas”, afirma.
 

Projeto itinerante da SOS Mata Atlântica visita 35 cidades

Nesta edição, o projeto completou o objetivo de levar educação ambiental a todos os Estados que fazem parte do Bioma Mata Atlântica

Da Redação
A Mata Atlântica é aqui” - exposição itinerante do cidadão atuante”, promovida pela Fundação Mata Atlântica, já percorreu 35 cidades neste ano. No mês de março, o caminhão finalizou seu segundo ciclo anual nestas localidades. O itinerário considerou as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Foram quase 11 mil quilômetros percorridos pelos Estados de Goiás, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, além do Distrito Federal, que não está nos limites do Bioma, mas define as leis que o afetam.

O projeto foi lançado em maio de 2009. Trata-se de caminhão totalmente adaptado pela ONG que tem por objetivo levar informações sobre a Mata Atlântica a todas as regiões onde ela ocorre. Desde então, o caminhão, com
 uma equipe de biólogos e educadores ambientais, visitou diversas cidades para apresentar, através de atividades gratuitas, como e por que a população deve conservar o Bioma. A iniciativa conta com o patrocínio da Bradesco Cartões, Natura e Volkswagen Caminhões & Ônibus.
 Neste ano, com permanência de uma a duas semanas em cada cidade, a equipe promoveu diversas atividades socioambientais como palestras, oficinas e jogos educativos. Além disto, realizou 41 análises de coletas de água de rios locais, que indicaram a necessidade de ações da população em prol dos recursos hídricos.

Para a coordenadora do projeto, Camila Plaça, esta etapa foi fundamental para o futuro da Mata Atlântica no País. “Pudemos divulgar a importância do Bioma para mais de 120 mil pessoas que vivem não só nas grandes
 capitais, mas também em cidades menores. Mostramos também como o cidadão pode contribuir com a Mata Atlântica e quais são nossos deveres para manter o planeta saudável para as próximas gerações”.
Somando os dois ciclos, 80 cidades, do Rio Grande do Sul ao Ceará, já receberam o projeto, com um público aproximado de 290 mil pessoas.
 

IHG lança 2ª versão de ferramenta de sustentabilidade



Clique na imagem e acesse o Relatório de
Responsabilidade Corporativa do IHG
O InterContinental Hotels Group lançou a versão 2.0 do Green Engage, sua ferramenta online que ajuda hotéis a monitorar, reduzir e controlar o consumo de energia, diminuindo gastos e a liberação de carbono.

Com mais de 4,4 mil hotéis distribuídos por 100 países, a rede vê a sustentabilidade com grande importância para fazer negócios. O Relatório de Responsabilidade Corporativa 2010 do IHG já está disponível (acesse no link abaixo) e explica como a sustentabilidade foi colocada em prática no ano passado e quais as prioridades para 2011.  
(Redação) 

Fonte: Hôtelier News

Serviço
www.ihg.com/cr
www.twitter.com/ihgplc www.youtube.com/ihgplc

Prazo estendido para inscrições no Prêmio Procel Cidade Eficiente



O prazo para inscrições na oitava edição do Prêmio Procel Cidade Eficiente em Energia Elétrica foi prorrogado até o próximo dia 13 de maio. 
 
O objetivo da premiação, concedida pela Eletrobras, através do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) e pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), é reconhecer as melhores experiências em eficiência energética nas categorias Educação, Gestão Energética Municipal, Prédios Públicos Municipais, Iluminação Pública e Sistemas de Saneamento. 
 
Para acessar o regulamento completo do Prêmio, acesse www.rce.org.br/premio.html.
 

EDP divulga EDP 2020 – Prêmio de Inovação e Empreendedorismo em São Paulo



A EDP no Brasil, empresa do Grupo EDP Energias de Portugal, esteve na segunda-feira, 25, na Faculdade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, para divulgar entre os estudantes a 2ª edição do EDP 2020 – Prêmio de Inovação e Empreendedorismo, que está com inscrições abertas até 15 de maio. As ideias inovadoras no campo da tecnologia limpa concorrem a uma premiação de R$ 100 mil que serão investidos no projeto vencedor. A palestra integra a programação criada para divulgação do prêmio nas principais faculdades do País, a fim de estimular os universitários a inscreverem seus projetos.

Na Faculdade, os estudantes terão a oportunidade de acompanhar as palestras, marcadas para 12h30 e 17h30, que trará detalhes da premiação e a importância do tema proposto para os próximos anos.

Lançado em 2010, o EDP 2020 – Prêmio de Inovação e Empreendedorismo foi idealizado com o propósito de estimular o desenvolvimento de projetos inovadores no setor energético brasileiro. A intenção do Grupo EDP é ampliar as tecnologias e soluções no campo das energias renováveis, das redes inteligentes, da mobilidade elétrica, da eficiência energética, da micro-geração, das cidades sustentáveis, e de outras áreas que marcam os novos paradigmas do setor energético.

Informações detalhadas sobre a inscrição, os critérios de avaliação, as etapas de seleção e a premiação podem ser obtidas no regulamento na página do prêmio EDP 2020 –     www.edpbr.com.br/premio
no Facebook – www.facebook.com/edp2020
ou por meio do e-mail premioedp2020@edpbr.com.br

Rio 2016 - Parque Olímpico terá concurso internacional





RIO - A área de 1,2 milhão de metros quadrados no entorno do Autódromo de Jacarepaguá ganhará um Plano Diretor. Ele detalhará como será a ocupação da região antes e após as Olimpíadas de 2016, inclusive com imóveis residenciais e comerciais. O prefeito Eduardo Paes lança hoje, em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), um concurso internacional de projetos urbanísticos para o chamado Master Plan do Parque Olímpico.

A região abrigará uma das principais instalações esportivas dos Jogos. Ao todo, 15 modalidades serão disputadas no local. Parte das instalações será definitiva e abrigará o centro de treinamento, administrado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que formará atletas de ponta. As demais instalações, como o futuro parque aquático, poderão ser desativadas ou convertidas em salas comerciais, no caso do centro de mídia. Equipamentos do Pan terão utilização obrigatória

Uma das regras do edital prevê a utilização obrigatória do Parque Aquático Maria Lenk e da arena multiuso, construídos para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Outro fator a ser levado em conta nas propostas é o uso de materiais de maior durabilidade, além do menor gasto possível de energia e água. Marcos paisagísticos da área precisarão ser observados, como a Pedra da Baleia e a Lagoa de Jacarepaguá, que não poderão ser obstruídas por novas construções.

- Será escolhido o projeto que tiver preocupação ambiental e que evite gastos públicos desnecessários, além de qualidade urbanística. Por isso a exigência de que os equipamentos $sejam aproveitados - disse o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Felipe Goes.

Os arquitetos também irão sugerir a localização das 2 mil vagas de estacionamentos destinadas a veículos das comitivas oficiais, prestadores de serviços e patrocinadores. No caso do paisagismo, ele terá que ser feito de forma que, quando a água da chuva escorrer para a Lagoa de Marapendi, não leve detritos.

Para o presidente do IAB, Sérgio Magalhães, a seleção do projeto por concurso é uma garantia de que a proposta escolhida terá qualidade:

- O Rio tem que ser uma ci$de vanguarda. Os projetos olímpicos não podem cair na mediocridade geral. Devem ser ousados - disse Sérgio.

As propostas também indicarão a localização de prédios destinados às competições esportivas, bem como os espaços reservados para praças, ruas e jardins. A possibilidade do investimento ser feito numa Parceria Público Privada (PPP) deve estar contemplada.

No dossiê de candidatura, a previsão era que o investimento nos equipamentos ficasse com a União. O Ministério do Esporte, porém, analisa proposta da prefeitura para a entrada de capital privado, a fim de cortar gastos tanto durante as obras quanto $a manutenção.

- Os equipamentos esportivos ocuparão apenas 40% da área total. O restante do terreno está bastante valorizado. Nossa sugestão é que parte da arrecadação com a exploração das áreas privadas seja usada na manutenção das ruas, jardins e iluminação pública do Parque Olímpico - afirma Goes.

Os custos para urbanizar o Parque Olímpico são estimados em R$ 590 milhões. Mas o orçamento definitivo depende da conclusão de sondagens feitas por uma empresa contratada pela prefeitura. Esta conta não inclui a construção de um novo autódromo em Deodoro, ainda em fase de detalhamento $projetos pelo Ministério do Esporte. O custo final das instalações esportivas também não está fechado porque os projetos arquitetônicos ainda serão escolhidos por um concurso de projetos. A previsão é que elas comecem a ser construídas em 2013 e fiquem prontas em cerca de dois anos.

O concurso irá premiar os três primeiros colocados com R$ 100 mil, R$ 50 mil e R$ 25 mil, respectivamente. Apenas o projeto vencedor será implementado. O resultado deve ser divulgado até agosto. Estrangeiros só poderão participar se tiverem representação no Brasil ou se estiverem associados a um escritório nacional.

Conheça a Ecohouse - espaço ecológigo para eventos

Ao observar a movimentação de tantas crianças durante uma festa, o chef Eric Thomas teve uma ideia brilhante: transformar toda aquela agitação em energia. Depois de pesquisar projetos sustentáveis em países da Europa, Eric decidiu criar a EcoHouse, primeiro espaço para eventos ecologicamente correto da América Latina. Inaugurado em 2010, o empreendimento tem como uma das principais inovações justamente o sistema de geração de energia. Uma placa instalada no chão transforma as pegadas das pessoas em energia e luz da cozinha, restaurante, bar e pista de dança.

A casa também possui sistema que capta e armazena a água da chuva, utilizada para limpeza e manutenção do jardim. Plantas dispostas nas paredes da casa, além de decorar o ambiente, garantem uma boa acústica e o controle da umidade. Segundo Eric, o custo da obra custou cerca de 20% mais caro do que o de uma obra convencional. “Minha intenção com a EcoHouse é mostrar que é possível construir e administrar com práticas sustentáveis. Após cada evento, enviamos um relatório ao cliente para mostrar o quanto ele deixou de consumir de energia. E as pessoas sempre têm uma reação positiva, pois ficam contentes ao saber que, de certa forma, ajudaram a preservar o meio ambiente”, conta Eric.

Artesanato com casca de ovos gera renda



Técnicas artesanais são importantes para geração de renda, além de funcionarem como arte-terapia. 

Retrofit muda edifícios, estádios e cidades

Intervenções arquitetônicas ajudam a adequar edificações antigas ao conceito de prédio verde e recuperam áreas degradadas dos grandes centros urbanos
Por: Altair Santos

O Brasil vive uma onda de retrofit. Prédios públicos, edifícios localizados nos centros das grandes cidades e até estádios têm sido alvo de intervenções arquitetônicas, que ampliam a vida útil e modernizam seus projetos. A certificação de prédio verde estimula essas revitalizações, como explica o professor Orlando Pinto Ribeiro, da Universidade Positivo, em Curitiba, e vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-PR). “O retrofit ameniza o impacto das edificações antigas no meio ambiente, seja do ponto de vista de utilização energética, de calor ou de aproveitamento de águas pluviais”, diz, lembrando que essa é uma tendência mundial e não apenas exclusividade do urbanismo brasileiro.

 
Orlando Pinto Ribeiro: elementos pré-moldados têm 
sido usados em intervenções de retrofit.

Os arquitetos especialistas em retrofit têm uma predileção pelos edifícios erguidos em concreto armado. Segundo eles, são construções preparadas para receber intervenções mais pesadas em suas instalações, e até equipamentos de grande porte que possam vir a ser necessários para que os prédios melhorem seus desempenhos. Orlando Pinto Ribeiro destaca também que atualmente os elementos em pré-moldado têm ganhado cada vez mais espaço nas obras de retrofit. “É uma tendência natural se trabalhar com esses materiais, uma vez que o retrofit não é uma reconstrução, mas sim uma intervenção em cima de edificação pré-existente. Então, todo o processo industrializado é muito bem vindo no trabalho”, revela.

Atualmente, a legislação brasileira incentiva o retrofit. Não apenas nas edificações como nos espaços urbanos. Neste caso, áreas que ficaram degradadas nas cidades, seja pela especulação imobiliária, seja por mau uso, são submetidas a processos de revitalização. É o chamado retrofit urbano, que em Curitiba tem no bairro Rebouças o exemplo melhor acabado. “Era uma área totalmente industrializada que está mudando o perfil, por meio de parceria pública e privada”, afirma o arquiteto Orlando Pinto Ribeiro. Em São Paulo, a região da Avenida Paulista talvez seja hoje a área urbana que mais tem sido objeto do retrofit. O alvo, no caso, são os antigos prédios residenciais, que têm sido transformados em espaços comerciais.

Copa 2014
A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 levou o retrofit para dentro dos estádios. Segundo o arquiteto e professor da Universidade Positivo, a readequação de Maracanã, Beira-Rio, Mineirão, Castelão e Arena da Baixada, para cumprir o caderno de encargos da Fifa, é um exemplo claro de que o retrofit cabe em qualquer obra. “Essas intervenções podem sim ser consideradas como retrofit, que consiste em revitalizar estes edifícios dando a eles oportunidades de funcionar com um desempenho superior ao que eles têm hoje”, avalia Orlando Pinto Ribeiro.

Com um espectro amplo, o retrofit é também comum em edifícios de valor histórico. Só que, neste caso, a ação exige uma mistura de reforma com restauro. Muitas vezes é mantida a casca do edifício, que é o perímetro daquilo que a cidade está acostumada a ver na paisagem urbana, e a intervenção maior se dá no interior do edifício. “Em patrimônios históricos, as soluções pré-fabricadas são de grande valia para este tipo de recuperação”, diz Orlando Pinto Ribeiro. O Palácio Iguaçu, em Curitiba, é um exemplo. “Ali foram feitas readaptações dos espaços internos e mudanças na fachada original, que era de vidro transparente e foi substituída por uma de vidros verdes”, completa o arquiteto, que hoje atua no retrofit do edifício Nerina Caillet, na rua Marechal Deodoro, no eixo financeiro de Curitiba. 
 

 
Estádio Maracanã: retrofit para adequar o patrimônio histórico 
às exigências da Fifa para a Copa 2014.

 
Entrevistado
Arquiteto Orlando Pinto Ribeiro, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo
Currículo
- Graduação em Arquitetura e Urbanismo (UFPR – 1993)
- Mestrado em Arquitetura e Urbanismo (PROPAR / UFRGS – 2003)
- Coordenador (desde 2006) e professor (desde 2000) do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo
- Vice-Presidente (Relações Institucionais) da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-PR)
- Sócio proprietário e coordenador geral da empresa Contexto Arquitetura S/S LTDA.
- Diretor Geral do Seminário Internacional de Curitiba – Ateliês de Projeto Urbano (Si CWB)
- Revisor dos verbetes de Arquitetura e Urbanismo do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.
Contato: oribeiro@up.com.br ou orlando@contexto.arq.br


Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Prêmio Dow-USP de sustentabilidade recebe inscrições

Estão abertas até dia 10 de junho as inscrições para o Prêmio Dow-USP de Inovação em Sustentabilidade 2011, para trabalhos de pesquisa de pós-graduação na área. 
A realização é da Fundação Dow, das Pró-Reitorias de Pesquisa e Pós-Graduação, e da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. 
O responsável é o professor Vahan Agopyan, Pró-Reitor de Pós-Graduação da USP.

Mais informações: www.usp.br/prpg

Agência USP

Sustentabilidade nas Empresas

Guia de Sustentabilidade














A BM&FBOVESPA mantém o “Em Boa Companhia – Programa de Sustentabilidade com Empresas”, que promove iniciativas variadas, que incluem: o compartilhamento de informações por meio de newsletters e publicações, encontros presenciais trimestrais na Bolsa com especialistas em sustentabilidade e um encontro anual aberto por ocasião do anúncio da nova carteira do ISE, em novembro. Além disso, o site Em Boa Companhia, criado em 2007 para publicação dos projetos socioambientais das companhias abertas, será reformulado, a fim de dar ainda mais visibilidade às boas iniciativas praticadas pelas empresas listadas. Atualmente, 44 empresas participam da iniciativa com 58 projetos ambientais e 242 projetos sociais.

Guia de sustentabilidade

A publicação “Novo Valor: Sustentabilidade nas Empresas. Como Começar, Quem Envolver e o Que Priorizar” é uma espécie de guia de sustentabilidade sob o ponto de vista do mercado de capitais, com prefácio de James Gifford, diretor executivo do PRI (Princípios para o Investimento Responsável, na sigla em inglês). O conteúdo técnico foi elaborado com o apoio da FBDS, a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

O livro apresenta uma linha do tempo da evolução do conceito de desenvolvimento da sustentabilidade no meio empresarial, a partir de 1950, e sugere “13 passos rumos à sustentabilidade”. “O objetivo não é estabelecer regras ou fórmulas prontas, mas servir como um ponto de partida para que cada empresa encontre suas próprias soluções, levando em conta as características que a fazem única”, explica Sonia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&FBOVESPA.

Conheça o Guia de Sustentabilidade para Empresas e transforme o seu negócio

Prédios mais eficientes

Por Joana Gontijo - Lugar Certo
Medidas de racionalização do consumo de energia elétrica nas edificações contribuem para diminuir impactos ambientais 
 
Creato Consultoria e Projetos/Divulgação
Perspectiva de projeto de revitalização de prédio em São Paulo feito por equipe mineira que participa de concurso de eficiência energética

Diante do crescimento da demanda atual por fontes energéticas dentro de padrões cada vez mais profundos de desenvolvimento, torna-se consenso a necessidade de mudar radicalmente a forma como se consome e produz energia. A utilização dos selos, certificações e programas que regulam e sugerem parâmetros e metas para este uso nas edificações, tornando-as eficientes, tem apresentado resultados expressivos no Brasil e no mundo. A construção civil consome aproximadamente 75% dos recursos naturais disponíveis no planeta e é responsável por grande parte dos resíduos, gasto de energia e emissões atmosféricas de gases poluentes. Em funcionamento, as edificações respondem por 42% da energia elétrica e 20% da água utilizada pela sociedade como um todo. "O setor necessita adotar práticas sustentáveis e mudar os modelos de planejamento e desenvolvimento das construções, pois a redução do desperdício de energia nos edifícios pode dar uma grande contribuição para a diminuição das emissões do principal gás responsável pelo efeito estufa. A opção de racionalizar, reduzir e conservar energia elétrica é uma estratégia eficiente e inteligente tanto para proprietários quanto usuários", pontua a engenheira Patrícia faria Vasconcellos, sócia da Creato Consultoria e Projetos.

Como explica, a eficiência energética é o uso racional da energia elétrica para o consumo de uma edificação. Pode-se dizer que um edifício é mais eficiente energeticamente que outro quando ele proporciona as mesmas condições de uso e conforto com menor consumo de energia. "Para isso é necessário planejar e antecipar questões essenciais capazes de proporcionar conforto térmico aos usuários e ao mesmo tempo trabalhar com foco na redução e racionalização do consumo de energia, evitando a necessidade da utilização desmedida e ineficiente de sistemas de condicionamento, climatização, iluminação e ventilação, com responsabilidade no uso dos recursos naturais disponíveis, evitando o constante desperdício de energia", continua Patrícia.

De acordo com a engenheira, a principal característica que influi na eficiência energética de um edifício é a relação do ambiente interno com o externo. Edificações eficientes em energia foram planejadas e propositalmente estudadas para alcançarem o seu melhor desempenho, de acordo com as necessidades operacionais de cada ambiente. Para alcançar esta realidade é preciso começar o projeto de forma correta, fazendo estudos climáticos do local onde a edificação será construída e que embasarão o início do projeto, acrescenta. "Por exemplo, a avaliação da quantidade e localização dos raios solares recebidos por cada fachada define o tamanho e a localização das janelas na edificação e, se necessário, deve-se protegê-las dessa carga solar em função da economia nos sistemas de iluminação e condicionamento de ar".

Considera-se o clima local também para a escolha dos materiais mais indicados para a vedação e o revestimento das fachadas, o que é chamado de arquitetura bioclimática, explica Patrícia. Atua-se em questões de isolamento, conforto térmico, iluminação, ventilação natural e na presença de vegetação que cause sombra ou forme barreira para ventos. Utiliza-se metas e ferramentas de análise e simulação computacional termo-energética de forma a orientar as decisões de compra, às soluções de projeto e as escolhas dos sistemas mais eficientes. "Após as primeiras análises são realizados outros estudos que visam determinar quais as tecnologias existentes no mercado se adequam àquela edificação. Hoje há diversos equipamentos e materiais eficientes em conservação de energia: ar condicionado que utiliza gás natural ou coletores solares ao invés de energia elétrica, elevadores inteligentes, iluminação com lâmpadas e luminárias de alto desempenho, vidros de proteção solar. Enfim, uma gama de tecnologia para todos os bolsos".

Estudos e avaliações voltadas para a eficiência energética nas edificações podem ser tratados em todas as fases de um empreendimento, do planejamento à construção, também como em edificações existentes. "O ideal é que o projeto seja concebido para ser eficiente em energia. Dessa forma o custo de implantação é menor e a eficiência do sistema é melhor. No caso de edificações antigas, que estão fazendo retrofits, ou seja, se modernizando, é feito uma análise do consumo de energia atual para depois ser apresentada uma proposta de intervenção visando à redução do consumo de energia. Nem sempre se pode alterar tudo que seria necessário em uma edificação antiga, pois o custo pode ficar alto. Algumas atualizações e mudanças podem ser feitas e são eficazes. É possível alterar os equipamentos de ar condicionado, melhorar o sistema de iluminação e atuar em questões de isolamento térmico, usando vidros que barram a entrada dos raios solares, mas todas estas intervenções demandam estudos e projetos especializados", explica Patrícia.

Para o engenheiro diretor da Green Gold Engenharia e Projetos, Júlio César Fonseca, a eficiência energética é algo muito importante nos dias atuais. Primeiro porque passa pela questão ambiental do ponto de vista da matriz energética do país. Na Europa, por exemplo, a geração de energia foi baseada em usinas nucleares e por usinas termelétricas à base da queima de carvão. São fontes não-renováveis e com risco de acidente ambientais, como o ocorrido no Japão, lembra Júlio César. "Já no Brasil, nossa matriz energética é a hidrelétrica, que possui um alto impacto ambiental para sua implantação devido à necessidade de alagamento para criação da represa. Temos como exemplo atual a usina de Belo Monte. O pensamento é que se tivermos edificações eficientes do ponto de vista energético, teremos uma demanda menor de energia e como conseqüência um menor impacto na questão ambiental para o suprimento de energia. Ganha o consumidor final que pagará uma conta de energia mais barata, ganham as concessionárias que, com a mesma planta energética, conseguirão atender a um número maior de consumidores, ganha a sociedade como um todo devido à redução do impacto ambiental no nosso planeta".

Existem no mercado mundial diversos selos e certificados emitidos por organizações e também por empresas de consultoria que avaliam e classificam as edificações com base em diversas metodologias. A certificação mais conhecida mundialmente é o LEED, criada em 1993 como projeto piloto para que a indústria da construção pudesse ter um sistema de que mensurasse o quanto um projeto é realmente sustentável. O Energy Star é outro programa americano específico para eficiência energética. "O Brasil lançou ano passado uma etiqueta que avalia exatamente a eficiência energética de uma edificação: a etiqueta PROCEL de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais de Serviços e Públicos e recentemente em edifícios residenciais. Esta etiqueta vem nos dizer qual o nível de eficiência energética de um edifício através de classificações da envoltória (fachadas), do sistema de iluminação e do sistema de condicionamento de ar. Uma equação pondera estes sistemas através de pesos e permite somar à pontuação final bonificações com inovações tecnológicas, uso de energias renováveis, cogeração ou racionalização no consumo de água que por ventura tiverem sido contempladas no projeto", continua a engenheira.

Em um empreendimento sustentável, o consumo de energia pode ser 30% menor que nos demais, afirma o gerente operacional do Green Building Council Brasil, Felipe Faria. De acordo com ele, até o momento, 24 empreendimentos receberam a certificação LEED no Brasil. Em 2009, o país era o 6º colocado no ranking mundial de construção sustentável. No ano passado, essa posição já subiu para 5º, atrás apenas dos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Canadá e China, pontua. "São inúmeras as ações que proporcionam melhora no desempenho energético de edificações, como lâmpadas e luminárias eficientes, elevadores inteligentes, motores de alta eficiência, valorização de iluminação e ventilação natural, sensores de presença para acionamento e desligamento automático, estudos de comissionamento, entre outros", completa Felipe.

Um reflexo dessa preocupação é o Concurso OTEC de Eficiência Energética, que na primeira edição tem como um dos três finalistas uma equipe mineira formada por engenheiros, arquitetos e administradores ligados à Creato. Juntos, eles criaram um projeto de revitalização do edifício Paulo de Tarso Montenegro, que abriga há 11 anos a sede do Ibope em São Paulo. As proposições apresentadas começam já pela entrada do prédio, que ganhará uma fachada de vidro microfurado que permite a proteção solar e a circulação do ar. Ainda na área externa, o projeto prevê a instalação de painéis fotovoltaicos para a geração de energia elétrica.

O projeto também contempla a modernização do sistema de ar condicionado, que passará a operar quase sem a utilização de energia elétrica da concessionária. A iluminação do edifício também passará a funcionar de forma mais eficiente e econômica. Outra inovação é a criação de uma área de vegetação no oitavo andar, com o objetivo de proporcionar um efeito estético e proteger contra a radiação solar. A proposta vencedora será conhecida em 14 de abril, e apontada através de um modelo de simulação computacional. A equipe que ficar em primeiro lugar receberá um prêmio no valor de R$ 50 mil, além da possibilidade de ser contratada pelo proprietário do edifício, em parceria com o IBOPE, para desenvolver o projeto executivo de revitalização da construção.

A equipe finalista ligada à Creato é composta pelos engenheiros Marco Tulio Vasconcellos, Patricia Vasconcellos, Miquéias Assunção e Luciana Maron; arquitetos Silvio Romero Motta, Adalgisa Mesquita e Mariana Messina e pela administradora Gisela Farhat.

Casca do café também é fonte de energia

Com informações do CNPq
Há mais no café do que o seu sabor, famoso mundialmente: o processamento dos grãos gera um resíduo que pode ser utilizado como fonte de energia, diminuindo custos e reduzindo a poluição ambiental.
 
 

 
Potencial energético do café

Durante o cultivo do café, aproximadamente dois milhões de toneladas de cascas de grãos são produzidas por ano no Brasil.

Esse subproduto normalmente vai para o lixo ou é usado para a forração dos terrenos dos cafezais, restituindo parte dos fertilizantes retirados pela planta.

Mas a casca do café tem um potencial energético que pode, em alguns casos, torná-la substituta da lenha, sendo uma opção mais barata e ecologicamente correta para empresas que usam a madeira na geração de energia.

Suprir as necessidades desse mercado significa cortar menos árvores e contribuir para a redução do desmatamento.

Eletricidade da biomassa

Para otimizar esse potencial, pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), liderados pelo engenheiro florestal Ailton Teixeira do Vale, fizeram um estudo para demonstrar a importância dos resíduos agroflorestais como fonte de energia, tanto para indústrias quanto em comunidades rurais.

"A casca do café, assim como outras biomassas, pode gerar eletricidade em termoelétricas, a partir da combustão em fornalhas, gerando energia na forma de calor, utilizado para a produção de vapor, que por sua vez é utilizado para a produção de energia elétrica e, em cogeração, outras energias como a mecânica", explica Vale.

Quando usada como combustível, a casca do café, assim como outros resíduos agroflorestais, tem inúmeras vantagens em relação aos combustíveis fósseis.

"Em primeiro lugar, é um combustível renovável, e os compostos liberados na sua combustão são sequestrados pelos novos plantios, fechando o ciclo do carbono, e, portanto, não contribuindo com o efeito estufa. Outra vantagem é a possibilidade de agregar valor a um resíduo que geralmente é descartado e, com isso, gerar emprego, renda e desenvolvimento social nas regiões onde a cultura do café é uma prática", explica o pesquisador.

Combustão, gaseificação e carvão

Espera-se que os dados obtidos a partir desse estudo possam ser utilizados para melhorar a gestão dos resíduos provenientes de biomassa e que isso possa abrir a possibilidade de uso na produção de energia em pequenas comunidades rurais e nas agroindústrias, a partir da combustão, da gaseificação ou da transformação em carvão vegetal, assim aumentando sua participação na Matriz Energética Brasileira.

A agregação de valor ao resíduo, gerando um novo produto, é bem-vinda ao diminuir a poluição do meio ambiente e possibilitar uma qualidade de vida melhor para as pessoas envolvidas no processo ou moradoras da região

"Além de agregar valor ao resíduo, [o uso dessa biomassa] demandará mão-de-obra, equipamentos, capitais, empresas de serviços e toda uma infraestrutura administrativa, industrial e comercial, elevando o nível econômico e beneficiando a sociedade", afirma Vale.

Substituição do petróleo por biomassa

O Brasil é referência internacional na substituição do petróleo por biomassa, embora o assunto esteja repleto de controvérsias.

O maior exemplo é o uso do etanol como combustível para veículos de passeio e de carga - que tem impactos sobre as terras agricultáveis e desbalanceamento do ciclo de nitrogênio, além de consumir água demais.

Na siderurgia, o uso de carvão vegetal na produção de ferro gusa é uma realidade há décadas - com constantes denúncias de uso de vegetação não-plantada, principalmente do cerrado.

Outra frente que tem crescido é a produção de energia elétrica em termoelétricas, principalmente nas usinas de açúcar e álcool e nas fábricas de celulose e papel, a partir de resíduos, com unidades movidas a bagaço de cana-de-açúcar, licor negro, restos de madeira, casca de arroz, biogás e carvão vegetal.