Começa disputa por software 'ambiental !

Sistemas: Companhias como SAP, IBM, Oracle e CA criam ferramentas para controlar emissão de carbono

Joaquim Dias Garcia, diretor de tecnologia do Pão de Açúcar: "Sistema capaz de medir a emissão de carbono de forma automatizada é uma grande ideia"
A sabedoria popular diz que a necessidade é a mãe da invenção. No setor de tecnologia da informação, o ditado já se provou verdadeiro mais de uma vez. Na década de 80, quando ficou claro que o consumidor queria levar suas músicas para qualquer lugar, surgiram os primeiros tocadores portáteis, precursores de sucessos atuais como o iPod. Dentro das empresas, as planilhas em papel foram substituídas gradualmente por versões eletrônicas e, posteriormente, por complexos sistemas de gestão.
Agora, com a preocupação crescente em torno da preservação ambiental, os fornecedores de software farejaram mais uma oportunidade de mercado na necessidade das empresas de economizar energia e adotar processos mais limpos. Grandes companhias de tecnologia como SAP, CA, Amadeus, Oracle, SAS e IBM são algumas das empresas que estão se dedicando ao desenvolvimento de sistemas que permitem medir de forma automatizada a emissão de carbono proveniente das atividades de seus clientes.
Trata-se de um novo e amplo mercado. Analistas estimam que as oportunidades em sistemas para a área de sustentabilidade podem movimentar € 7 bilhões nos próximos cinco anos.
Os primeiros programas se voltaram para atividades básicas, como medir o impacto ambiental de uma usina siderúrgica. Mais recentemente, porém, as companhias de software tem apresentado programas que chegam a medir a emissão de carbono representada pela viagem de um funcionário ao exterior.
"Ter um sistema que faça a medição [da emissão de carbono] de forma automatizada é uma grande ideia", diz Joaquim Dias Garcia, diretor de tecnologia do grupo Pão de Açúcar. A empresa já mede suas emissões de carbono há algum tempo, mas o processo é feito com o auxílio de planilhas e bancos de dados, não de sistemas específicos para essa função.
Envolvido em um grande processo de instalação de novos sistemas de gestão da companhia, Garcia afirma que pretende avaliar a adoção de ferramentas de controle de emissão de carbono . "Vai depender do tamanho do projeto", diz o executivo.
Medir e reportar as emissões de carbono ainda não é uma obrigação na maioria dos países. Muitas empresas que procuram esse tipo de sistema estão, na verdade, buscando ganhos que podem incluir desde a redução de custos até a construção de uma imagem positiva entre os consumidores. Ao mesmo tempo, como a tendência é de que nos próximos anos sejam criadas leis especificas, há empresas que veem o investimento atual como uma preparação antecipada para o cenário futuro.
Segundo a consultoria inglesa AMR Research, pelo menos 152 companhias de todo o mundo desenvolvem aplicações que medem emissões de carbono. O principal desafio é fazer com que a adoção desses sistemas seja feita de forma simples. A aposta é no modelo de software como serviço (SaaS), em que as informações são acessadas pela internet e não a partir do computador do usuário ou da empresa.
É o caso do ecoSoftware, da CA. O sistema lançado no ano passado já está sendo usado pela rede varejista Tesco, da Inglaterra, e usa parâmetros de medição definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). O programa pode ser usado para fazer medições em diferentes áreas das empresas e permite alguma personalização. "No modelo de SaaS, o fornecedor ganha com a escala de uso. Se precisar fazer muitas adaptações, a margem acaba ficando reduzida", diz Rosano Moraes, vice-presidente de gerenciamento de infraestrutura para América Latina da CA. De acordo com o executivo, o lançamento do produto no Brasil está programado para este ano.
A SAP também aposta no conceito de software como serviço com seu "Carbon Impact". O sistema foi desenvolvido depois da aquisição da Clear Standards, no ano passado. Segundo João Almeida, gerente de sistemas de sustentabilidade da empresa, sua aplicação está mais voltada a atividades como viagens de funcionários e consumo de energia dentro dos escritórios. A companhia também tem software para a área industrial. O Carbon Impact está em fase de adaptação ao mercado brasileiro e também tem previsão de lançamento para este ano.
Já a Amadeus, que tem sistemas para as áreas de viagens e turismo, promete para o meio do ano sua calculadora de emissão de carbono. A princípio, o software será lançado só como um complemento do sistema de gestão de viagens e-Travel Management e estará disponível para as empresas que usam esse produto. Segundo Gustavo Murad, diretor de negócios da Amadeus, outras versões serão lançadas nos 12 meses seguintes.
O software é a nova fronteira verde da tecnologia da informação, mas os fabricantes de equipamentos já vem fechando negócios sob esse apelo há pelo menos três anos. Sob o argumento de que seus produtos consomem menos energia ou são produzidos com material que não agride o ambiente, como o chumbo, essas empresas têm vendido novas gerações de servidores e computadores, entre outros equipamentos.

Um comentário:

Raphael disse...

Parabéns pela matéria. Senti falta de mais informações da IBM. Veja no link: www.ibm.com/software/br/solutions/green