Governos de países em desenvolvimento terão recursos para desenvolver economia verde

por Carolina Gonçalves, da Agência Brasil



Brasília – Nos próximos dois anos, os governos de sete países em desenvolvimento vão receber orientações e recursos para desenvolver estratégias de economia verde em seus territórios. 

A parceria firmada por quatro agências das Nações Unidas em Nairobi, no Quênia, foi anunciada durante a sessão universal do Conselho Administrativo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) que está ocorrendo no Continente Africano desde o último dia 18. 

Pela primeira vez, as quatro principais agências internacionais das Nações Unidas ligadas ao meio ambiente, ao trabalho, ao desenvolvimento industrial e à pesquisa vão trabalhar juntas para garantir a implementação de políticas sustentáveis como as de tecnologias limpas e de erradicação da pobreza. Os países ainda não foram selecionados, mas a expectativa é que sejam definidos nos próximos meses e sirvam como projeto experimental.

A partir dessa experiência, os representantes do Pnuma, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e do Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (Unitar) vão ampliar o apoio para mais 23 países. A implementação das estratégias deve ocorrer até 2020 nas 30 economias.

A proposta é que a Parceria para Ação pela Economia Verde (Page, na sigla em inglês) estimule os investimentos em ativos econômicos verdes, incluindo tecnologias limpas, o uso eficiente de recursos, a conservação de ecossistemas, a formação de mão de obra qualificada para empregos verdes e a boa governança nesses territórios. A expectativa é que com a medida sejam criados novos empregos e áreas de atuação dentro de uma nova configuração de desenvolvimento.

Pelos dados apresentados pela OIT, metade da força de trabalho global – cerca de 1,5 bilhão de pessoas – pode ser favorecida em uma transição para a economia verde. Países como Barbados, o México, Nepal e a África do Sul foram citados pelos representantes da organização por terem estruturado iniciativas verdes em seus territórios. 

Os governos da Alemanha, do Quênia e da Coreia do Sul conseguiram, segundo a OIT, fazer “mudanças radicais” em suas políticas energéticas, favorecendo fontes renováveis.

Os representantes da Unido destacaram ainda, durante a reunião, que o desenvolvimento de indústrias limpas e o apoio para que esses negócios se tornem mais eficientes é um dos focos da medida conjunta.

A proposta está entre os pontos acordados no documento final da Rio+20 – O Futuro Que Queremos. Assinado por líderes de mais de 190 países em junho do ano passado, no Rio de Janeiro, o texto destaca a economia verde como um dos motores do desenvolvimento sustentável, da erradicação da pobreza e uma responsabilidade da comunidade internacional.

* Edição: Graça Adjuto.

** Publicado originalmente no site Agência Brasil.(Agência Brasil)

Andrade Gutierrez busca Leed nos quatro estádios que atua para Copa de 2014


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Projeto original do Estádio Nacional de Brasília. Arena terá energia solar
Imagem: Divulgação


Ao construir um terço dos estádios brasileiros que vão sediar a Copa do Mundo da Fifa 2014, a construtora mineira Andrade Gutierrez também almeja, em meio ao trabalho nesses quatro empreendimentos, conquistar a certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), selo sustentável de maior reconhecimento internacional e o mais utilizado em todo o mundo.

A construtora atua na construção da Arena da Amazônia e do Estádio Nacional de Brasília, e nas reformas do estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre, e do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Energia solar fotovoltaica 

O projeto do Estádio Nacional de Brasília tem como destaque o aproveitamento de luz solar para a geração de energia, que supre as necessidades e vai gerar excedente, tornando a arena um dos primeiros estádios solares do mundo.


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Construtora cogita conquistar o Leed Platinum na obra da arena de Brasília
Foto: Divulgação


Além da eficiência energética, a obra atende a uma série de requisitos de uso racional da água, materiais e recursos, qualidade ambiental interna, espaço sustentável, inovações e tecnologias que podem render o inédito selo internacional Leed Platinum, o nível mais alto do sistema de certificação.

Água da chuva

Para as obras do palco da final da Copa do Mundo, o Maracanã, foi montada uma equipe Leed com profissionais especializados e responsáveis por diferentes aspectos, como controle de erosão, reaproveitamento dos recursos e reciclagem dos materiais, minimizando o impacto ambiental.



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Nova cobertura do Maracanã, palco da final da Copa, permitirá a captação da água da chuva para reúso
Imagem: Divulgação



A nova cobertura permitirá a captação da água da chuva para reúso e reduzirá a exposição excessiva dos espectadores ao sol e à chuva. Todo o material resultante da demolição das arquibancadas e rampas de acesso do estádio foi triturado e transformado em matéria-prima para utilização em reaterros e concreto magro.

Redução de água

Com a reforma, o estádio do Beira-Rio, na capital gaúcha, vai ganhar um teto que absorve menos calor, é autolimpante e retira os resíduos utilizando o mínimo de água possível.



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Gigante da Beira-Rio, em Porto Alegre, contará com lâmpadas LED nas luminárias
Imagem: Divulgação



O recurso natural também terá seu consumo reduzido nos sanitários masculinos. Está previsto um maior aproveitamento da energia, por meio da implantação de lâmpadas de LED nas luminárias.

Ventilação e iluminação naturais

Desde a etapa da demolição do antigo estádio Vivaldo Lima (Vivaldão), a obra da Arena da Amazônia adota uma série de medidas sustentáveis. Assentos, gramado, e inclusive a cobertura metálica foram reutilizados em unidades esportivas de 20 municípios do estado do Amazonas.

Na etapa da construção propriamente dita, é privilegiada a compra de materiais ecologicamente corretos e o controle rigoroso de resíduos. Como Manaus é uma cidade muito quente, a ventilação e a iluminação naturais serão favorecidas pelo design da estrutura metálica da cobertura, que cria uma área de isolamento térmico.



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Arena da Amazônia quer o Leed, mas já conquistou outras certificações ligadas à sustentabilidade
Imagem: Divulgação

A Arena da Amazônia foi o primeiro estádio das doze cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 a obter as certificações nas normas ISO 9001 (Qualidade), ISO 14001 (Meio Ambiente) e OHSAS 18001. O ‘veredito’ foi concedido pelo Bureau Veritas Quality Internacional – BVQI (órgão internacional líder mundial em certificações credenciado pelo Inmetro), após auditoria no canteiro de obras, em agosto de 2010.


Entenda a certificação Leed no nosso EcoD Básico. 

Alguns locais com certificação Leed no mundo:

• O pavilhão do hospital Albert Einstein, inaugurado em 2010, em São Paulo, possui o Leed categoria Gold;
• O 901 New York Avenue Office Building, localizado em Washington D.C, possui o Leed categoria Gold;
• O escritório do Google, em Israel, possui a certificação Leed categoria Platinum.


Assista ao vídeo da construtora sobre o Leed:




Fonte: www.ecodesenvolvimento.org

Gestão Ambiental/UFGD apresenta projetos para cidades sustentáveis


Na manhã de quarta-feira, dia 20 de fevereiro, docentes e estudantes do curso de Gestão Ambiental realizaram um seminário apresentando oito projetos que estão sendo desenvolvidos na disciplina de Projetos Integrados.

Através desta disciplina, os estudantes identificam, analisam e propõem soluções para problemas ambientais em municípios do Sul de Mato Grosso do Sul. Alguns desses projetos podem ser aplicados no município de Dourados, como por exemplo, as pesquisas sobre os corredores de biodiversidade.
Nas cidades e áreas utilizadas para exploração agropecuária há áreas que, por lei, devem ser destinadas à preservação ambiental. Porém, muitas vezes, essas áreas são insuficientes para algumas espécies animais. 
O risco que se corre é que, no trânsito entre uma área de preservação e outra, os animais sejam mortos por acidente ou por caçadores.
Uma solução apontada pelos estudantes e professores do curso de Gestão Ambiental são os corredores de biodiversidades, que são faixas de vegetação ligando essas áreas de mata preservada. 
Nessas faixas, os animais têm livre trânsito e isso é muito importante para que esses animais se reproduzam e mantenham uma troca genética. Os corredores são uma estratégia para conservar a biodiversidade mesmo em áreas já ocupadas pela população.
Durante o seminário foi apresentada uma proposta inicial de criação de corredores na área urbana de Dourados. De acordo com o levantamento apresentado, a administração pública poderia propor corredores de biodiversidade com a desocupação de pouquíssimas áreas, mas com um impacto ambiental muito grande.
Outros projetos
Ainda no tema das cidades sustentáveis, o seminário apresentou a urgência de se pensar em um crescimento capilarizado nas cidades, privilegiando a criação dos aparelhos públicos, o comércio e a criação de empregos nos bairros. Dessa forma, o centro da cidade têm menor fluxo de automóveis e pessoas, o que possibilita melhor tráfego e ainda a execução de projetos de maior arborização nessa área.
Outro projeto desenvolvido através da disciplina de Projetos Integrados é sobre a gestão de recursos hídricos na região Sul de MS, o que levou os alunos a uma participação efetiva em projetos e ações de preservação de fontes e rios das bacias de Ivinhema (na região de Dourados) e na bacia do Apa (na região de fronteira próximo a Ponta Porã). 
Os estudantes envolvidos nesses projetos também participam de atividades de sensibilização e informação para comunidades ribeirinhas, assim como de atividades de caráter político e que tenham  impacto na gestão dos rios da região. 
Na disciplina de Projetos Integrados também estão sendo desenvolvidas pesquisas sobre agroecologia, unidades de conservação, expansão da cultura da cana-de-açúcar, relações inter-fronteiriças e Questões Urbanas. 
Todos os projetos envolvem a área de Educação Ambiental, que é mais uma área de atuação para os profissionais de Gestão Ambiental.

Países em desenvolvimento terão recursos para economia verde

A parceria foi firmada por quatro agências da ONU; os países beneficiados ainda não foram definidos
Carolina Gonçalves, da
Prédios e casas verdes
Prédios e casas verdes: pelos dados apresentados pela OIT, metade da força de trabalho global pode ser favorecida em uma transição para a economia verde
Brasília - Nos próximos dois anos, os governos de sete países em desenvolvimento vão receber orientações e recursos para desenvolver estratégias de economia verde em seus territórios.
A parceria firmada por quatro agências das Nações Unidas em Nairobi, no Quênia, foi anunciada durante a sessão universal do Conselho Administrativo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) que está ocorrendo no Continente Africano desde o último dia 18.
Pela primeira vez, as quatro principais agências internacionais das Nações Unidas ligadas ao meio ambiente, ao trabalho, ao desenvolvimento industrial e à pesquisa vão trabalhar juntas para garantir a implementação de políticas sustentáveis como as de tecnologias limpas e de erradicação da pobreza.
Os países ainda não foram selecionados, mas a expectativa é que sejam definidos nos próximos meses e sirvam como projeto experimental.
A partir dessa experiência, os representantes do Pnuma, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e do Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (Unitar) vão ampliar o apoio para mais 23 países. A implementação das estratégias deve ocorrer até 2020 nas 30 economias.
A proposta é que a Parceria para Ação pela Economia Verde (Page, na sigla em inglês) estimule os investimentos em ativos econômicos verdes, incluindo tecnologias limpas, o uso eficiente de recursos, a conservação de ecossistemas, a formação de mão de obra qualificada para empregos verdes e a boa governança nesses territórios.
A expectativa é que com a medida sejam criados novos empregos e áreas de atuação dentro de uma nova configuração de desenvolvimento.
Pelos dados apresentados pela OIT, metade da força de trabalho global – cerca de 1,5 bilhão de pessoas – pode ser favorecida em uma transição para a economia verde. Países como Barbados, o México, Nepal e a África do Sul foram citados pelos representantes da organização por terem estruturado iniciativas verdes em seus territórios.
Os governos da Alemanha, do Quênia e da Coreia do Sul conseguiram, segundo a OIT, fazer "mudanças radicais" em suas políticas energéticas, favorecendo fontes renováveis.
Os representantes da Unido destacaram ainda, durante a reunião, que o desenvolvimento de indústrias limpas e o apoio para que esses negócios se tornem mais eficientes é um dos focos da medida conjunta.
A proposta está entre os pontos acordados no documento final da Rio+20 - O Futuro Que Queremos. Assinado por líderes de mais de 190 países em junho do ano passado, no Rio de Janeiro, o texto destaca a economia verde como um dos motores do desenvolvimento sustentável, da erradicação da pobreza e uma responsabilidade da comunidade internacional.

Antes dos 13, empreendedores já lucram com sustentabilidade

Conheça a história de dois jovens que fundaram as suas empresas e já doam parte de seu faturamento a instituições de caridade
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Papel com várias idéias rascunhadas

São Paulo – Empreendedorismo e filantropia são assuntos que podem ser introduzidos desde cedo na rotina de uma criança. Há várias histórias de crianças que são empreendedoras, mas o que desperta a atenção são jovens que lucram e doam parte do faturamento para fazer caridade.
Maya Shea Peen, de apenas 12 anos, é fundadora e CEO da Maya’s Ideas. Fundada em 2008 nos Estados Unidos, a pequena empresa comercializa acessórios de moda e roupas eco-friendly. Algodão orgânico e materiais vintage recicláveis são as matérias-primas que ela utiliza para produzir chapéus, roupas e joias para vender.
Além de empreender, Maya se autodenomina uma filantropa, designer, artista, animadora e ilustradora e escritora. De acordo com a página oficial de sua loja, de 10% a 20% de seu lucro é destinado para instituições de caridades como o Atlanta Community Food Bank. Segundo a revista Entrepreneur, é estimado que a startup de Maya fature 55 mil dólares este ano.
A empreendedora mirim tem uma organização sem fins lucrativos chamada Maya’s ideas 4 the Planet que tem como objetivo ajudar a comunidade, difundir a conscientização ambiental e incentivar meninas a seguirem seus sonhos em áreas não tradicionais. Os pais são a razão para que ela se interessasse por causas ambientais e ajudar o próximo.
Assim como Maya, Vanis Buckholz teve apoio dos pais quando decidiu empreender. Aos 10 anos, ele é CEO da My ReCycler, uma empresa que recicla materiais como garrafas de vidro, latas, plásticos, entre outros, sediada na cidade Corona del Mar, na Califórnia, Estados Unidos. Tudo começou quando, aos 7 anos, o menino aprendeu sobre reciclagem na escola durante a comemoração do Dia da Terra.
Há três anos, ele começou a coletar produtos recicláveis de vizinhos e amigos, mas ficou surpreso com o volume de materiais que são jogados fora inadequadamente. De acordo com a rede de televisão e rádio canadense CBC, 25% do lucro da empresa é doado para o Project Hope Alliance, uma ONG que ajuda crianças de rua e suas famílias em Orange County, na Califórnia.
Abaixo, veja a palestra de Maya no TEDx Youth:
Fonte: Exame.Abril

Obras de arquiteto francês ajudam a recontar história de São Paulo


Por Frances Jones
Agência FAPESP – Um diploma de arquiteto da renomada École des Beaux-Arts, de Paris, algum “pecúlio” e uma agenda repleta de contatos da nata da elite paulistana da época. 

Com esses atributos, o arquiteto francês Jacques Pilon (1905-1962) aportou com a família no Brasil em 1932. Um ano depois, estava com escritório aberto em São Paulo, onde por quase três décadas iria atuar no mercado imobiliário – como arquiteto, construtor e investidor –, participando ativamente da construção da metrópole.

Pesquisadora elege a trajetória de Jacques Pilon como fio condutor para estudar a construção da cidade. Na foto, o centro de São Paulo nos anos 1950 (acervo Benedito Lima de Toledo)
Responsável por centenas de projetos – com destaque para os edifícios verticais na região central –, Pilon não foi muito prestigiado pela historiografia da arquitetura. Mas a pesquisadora Joana Mello de Carvalho e Silva, professora de História da Arquitetura na Escola da Cidade, descobriu que a trajetória dele seria perfeita para estudar o processo de metropolização de São Paulo no século passado, a formação do campo arquitetônico brasileiro – que só começa a se constituir de fato a partir dos anos 1940 – e a contribuição dos arquitetos estrangeiros nesses dois processos.
Em uma época em que a metrópole buscava se firmar como o principal polo industrial, terciário e financeiro do país, o centro – zona privilegiada dos negócios, da riqueza e do poder – era pensado como o núcleo de representação do progresso técnico e da modernidade metropolitana. E a imagem do arranha-céu sintetizava esse processo, explica a pesquisadora.
“Os edifícios verticais idealizados por Pilon e tantos outros arquitetos vão construir a noção do que é a cidade moderna, nesses anos 30 até os anos 60. Por isso, a ideia [da pesquisa] foi vincular urbanização, arquitetura, os tipos de edifícios construídos e como eles vão dando e criando imagens para essa cidade”, afirmou Mello, que agora lança com o apoio da FAPESP o livro O arquiteto e a produção da cidade: Jacques Pilon 1930-1960, pela editora Annablume, em um desdobramento de sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).
O doutorado, por sua vez, integrou um Projeto Temático ("São Paulo, os estrangeiros e a construção da cidade"), encerrado em dezembro de 2011, coordenado pela professora Ana Lúcia Duarte Lanna. O temático agregou ainda outras unidades da USP, como o Departamento de Arquitetura da Escola de Engenharia de São Carlos (que hoje é o Instituto de Arquitetura e Urbanismo), o Museu Paulista e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e parte de seus resultados foi publicado no site homônimo. Tanto o doutorado como o Temático contaram com apoio da FAPESP.
Panorama sobre os estrangeiros
Um dos eixos que estruturam o livro é justamente a pesquisa sobre o papel dos arquitetos estrangeiros na construção da cidade. “A trajetória do Pilon me possibilitou estudar outros estrangeiros, porque, entre outras coisas, em seu escritório ele abrigou vários deles”, afirmou a pesquisadora.
Entre os profissionais que foram chefes do escritório do francês em São Paulo estão o alemão Adolf Franz Heep (1902-1978) e o italiano Gian Carlo Gasperini (1926). “Ao estudar esses arquitetos que trabalharam com Pilon, além de outros que atuaram contemporaneamente a ele, consegui montar um panorama. Observei quais foram as suas estratégias para se inserir profissionalmente e socialmente em São Paulo, quais dificuldades enfrentaram, o que construíram, o que trouxeram de novo para a arquitetura da cidade e em que medida alguns dos conhecimentos que eles tinham eram compartilhados pelos arquitetos nacionais.”
De acordo com a professora, no caso do próprio Pilon, o conhecimento que ele tinha de arquitetura era de certa forma o que já se encontrava em São Paulo. “Ele não traz propriamente nenhuma novidade”, disse Mello à Agência FAPESP. “Ele se insere em um mercado imobiliário que de certa forma já estava estruturado e sua linguagem era conhecida e ia ao encontro das expectativas e desejos da clientela.”
Um dos edifícios residenciais da fase inicial de Pilon na cidade é o Santo André, na badalada esquina da Avenida Angélica com a Rua Piauí, na frente da Praça Buenos Aires, no coração de Higienópolis. Com cantos arredondados e linhas horizontais bem marcadas, o edifício foi o segundo a ser erguido no bairro, ainda nos anos 30.
Com cerca de 1 milhão de habitantes, a São Paulo daquela época passava por transformações radicais – principalmente no centro velho e no centro novo, abrangendo bairros como Higienópolis, Santa Cecília e Campos Elíseos. Tanto com investimentos privados, com a construção de prédios residenciais e comerciais, como pela abertura de novas vias e alargamento das ruas, promovidas pelo então prefeito Prestes Maia.
Havia grandes diferenças com relação ao mercado imobiliário que conhecemos hoje, uma vez que muitos dos edifícios eram construídos por investidores particulares, que tinham outras atividades econômicas. 
“Além disso, os prédios feitos naquela época também apresentavam mais qualidade, entre outros fatores porque, num momento em que as pessoas não estavam acostumadas a morar em edifícios de apartamentos – identificando-os muitas vezes com cortiços –, era preciso convencer a clientela de que morar naquela nova tipologia poderia ser bom”, disse a pesquisadora.
Fontes diversas
Sem ter como objetivo fazer uma biografia ou um estudo monográfico, a pesquisadora aproveita os dados biográficos de seu personagem para estruturar a sua tese a partir de três grandes eixos.
Além da investigação sobre como os arquitetos estrangeiros se inserem em São Paulo e sobre a relação entre a construção da cidade e a arquitetura, ela apresenta a discussão sobre a formação do campo arquitetônico no Brasil, a partir do conceito do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002).
O livro também é estruturado por esses três eixos, seguindo uma certa ordem cronológica. No primeiro bloco, que cobre o período de 1910 a 1930, a autora trata das relações familiares de Pilon, de sua formação (e dos arquitetos em geral) e dos motivos de sua vinda ao Brasil.
Nos outros dois capítulos, que cobrem as décadas de 30, 40, 50 e o começo dos anos 60, Mello investiga diversos tipos de fontes documentais para esmiuçar os negócios urbanos da época, o mercado imobiliário, os escritórios de Pilon, seus projetos e clientes.
Sensível à mudança de gosto da clientela, a produção do escritório do arquiteto passa por transformações ao longo dos anos. “A partir do momento em que o escritório cresce, ele se concentra na parte administrativa, mas não deixa de atentar para a qualidade arquitetônica de suas obras. Por isso, escolhe arquitetos muito bons para serem seus chefes de escritório”, afirma a pesquisadora.
Entre os entrevistados pela autora estão o filho de Pilon, que mora em São Paulo, Gasperini, que ainda atua na cidade, e o arquiteto brasileiro Jerônimo Bonilha Esteves (1933), o último chefe de seu escritório. 
Além das entrevistas, ela também investigou projetos de arquitetura, projetos complementares de estrutura, hidráulica e elétrica, as obras, os contratos sociais, a legislação profissional e civil da época, entre outras fontes documentais.
“Eu quis me aproximar da história das ideias, da história da cultura e de uma determinada sociologia da cultura”, afirmou Mello sobre o seu trabalho. “Tentei mesclar vários tipos de conhecimento, em um esforço de criar um diálogo com outros campos disciplinares, de maneira a tentar tirar o debate arquitetônico de um certo isolamento.”

Medidas pretendem elevar produtos brasileiros a padrões internacionais de sustentabilidade


Comentário Akatu: Proposta pelo setor calçadista, a certificação tem por objetivo identificar práticas mais sustentáveis dentro dos pilares ambiental, econômico, social e cultural. 

Para o Akatu iniciativas como esta devem ganhar corpo dada a tendência crescente do mercado valorizar a economia mais sustentável e dos consumidores priorizarem a contribuição socioambiental das empresas em suas escolhas de consumo. Os selos facilitam a escolha consciente pelo consumidor. 

Práticas como estas indicam ao consumidor final produtos com reflexos positivos, ou ao menos não tão negativos, nos meios social e ambiental. E, identificadas com selos, essas ações facilitam uma escolha mais consciente do consumidor no momento da compra.

O Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Escola Politécnica (Poli) da USP, em parceria com a Associação das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couros, Calçados e Artefatos (Assintecal), acaba de lançar oficialmente o Programa Origem Sustentável. 

Trata-se de uma certificação voltada para o mercado calçadista brasileiro que segue a escala Branco, Bronze, Prata, Ouro e Diamante e atestará o nível de incorporação da sustentabilidade pelas empresas brasileiras em seus processos de produção.

Este programa começou a ser desenvolvido em 2010 e contou com a participação de pesquisadores do MIT L_Lab (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) que estiveram no Brasil em janeiro de 2011 e de 2012.

O lançamento oficial do programa aconteceu no dia 15 de janeiro, na Couromoda, e, no dia 16 de janeiro, no Inspiramais, quando as primeiras empresas dos setores de calçados e de seus componentes receberam a certificação por estarem alinhadas aos quatro pilares estabelecidos: ambiental, econômico, social e cultural.

Nos dois dias de lançamento, a Abicalçados, a Assintecal e o LASSU apresentaram o projeto e as empresas que foram certificadas até o momento: as fabricantes de calçados Bibi, Piccadilly e Dian Patris; e as fabricantes de componentes: JotaClass, JR Dublagem, Killing, FCC, Prisma, Endutex, Dublauto Gaúcha, Cipatex e MK Química.

Benefícios
Com este programa, a Abicalçados e a Assintecal pretendem que fabricantes de calçados e de componentes tenham um maior engajamento em questões de sustentabilidade, o que resultará na ampliação das oportunidades no mercado de exportação para países que possuem regulamentação orientada à aquisição de produtos mais sustentáveis. 

Outro benefício do selo é a garantia de alinhamento da indústria brasileira de componentes e de calçados com iniciativas internacionais de sustentabilidade como SAC (Sustainable Apparel Coalition), Biocalce, DOW Jones Sustainability Index e ISE-Bovespa, entre outras.

Segundo a diretora do LASSU, a professora Tereza Cristina Carvalho, do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Poli, “o Programa Origem Sustentável está voltado para tornar a cadeia produtiva do setor calçadista sustentável, além de ser pioneiro em relação a iniciativas mundiais semelhantes por incorporar o pilar cultural, que visa promover a cultura brasileira associada ao nosso sapato e agregar um diferencial competitivo”.

O Programa Origem Sustentável é patrocinado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e tem como parceiros o Instituto By Brasil, USP e MIT. 

As auditorias para definir em que selo a empresa se enquadra – Prata, Ouro ou Diamante – ficarão sob a responsabilidade da SGS (System & Service Certification) e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 

Para os níveis Branco e Bronze, é necessário somente a adesão ao programa (Branco) ou preencher um questionário de autoavaliação (Bronze), servindo portanto para indicar um compromisso com a o programa e não um certo nível de desempenho em termos de indicadores de sustentabilidade.

Mercado internacional
“Estamos buscando o compromisso das empresas em gerenciar e melhorar seus resultados em um processo global. O conceito de calçado sustentável, com certeza, abrirá mais o mercado internacional e dará mais competitividade. A Europa, por exemplo, não aceita mais o ingresso de determinados produtos”, citou o presidente da Assintecal, Marcelo Nicolau.

As cerimônias de lançamento do Programa aconteceram junto ao estande da Abicalçados na Couromoda e no Espaço Origem Sustentável, patrocinado pelo Sebrae e que integra as atividades do Inspiramais – Salão de Design e Inovação de componentes, em São Paulo. 

Para reforçar o programa de sustentabilidade, durante o Inspiramais também foram realizadas palestras e apresentados quatro cases de inovação e sustentabilidade, de acordo com os critérios e indicadores do Programa Origem Sustentável.

Leia aqui a notícia original.