Bioeletricidade é a nova série especial do TV BrasilAgro


O TV BrasilAgro apresentará a partir do próximo mês de abril uma série especial de programas com foco na bioeletricidade. 

As dificuldades para a inserção de fato e de direito da cogeração de energia elétrica a partir do bagaço de cana e, mais recentemente, da palha, os gargalos e os desafios do setor, serão amplamente discutidos e questionados pelas maiores autoridades energéticas do país.

A série vai mostrar como transformar o potencial de nossos canaviais, que equivalem a uma Itaipu ou duas Belo Monte’s, para ajudar a diminuir os riscos iminentes de apagões de energia. 

A visão de quem comanda a política energética do País e as principais reivindicações dos produtores, receberão atenção especial na pauta dos programas especiais do TV BrasilAgro.

A tecnologia desenvolvida pela nossa indústria de base, os problemas que envolvem a conexão às redes de distribuição, a realização de leilões por fontes e regionais também receberão abordagem técnica e política para que se busque a viabilização desta energia limpa e renovável.

As usinas que investiram em eficiência e que estão obtendo bons resultados, a utilização da palha como fonte de matéria prima, a produção de energia elétrica durante o ano todo, as empresas que comercializam esta energia no mercado livre e as janelas de oportunidades para a exportação de usinas e tecnologia ganharão relevância na pauta dos programas, segundo afirma o jornalista Ronaldo Knack, apresentador do TV BrasilAgro.

As empresas que atuam no setor de bioeletricidade podem se tornar parceiras desta série especial apresentando sugestões na pauta dos programas e também anunciando seus produtos e serviços.

Trata-se de uma vitrine e excelente oportunidade para associar marcas a um setor que precisa de maior visibilidade para sensibilizar o governo federal a implementar políticas públicas com o objetivo de viabilizá-lo.

SERVIÇO:
Série Especial de Bioeletricidade do TV BrasilAgro
Data Veiculação: Início final de abril/2013 e término em maio/2013
Data Fechamento Publicitário: 19 de Abril de 2013
Produção e Comercialização: BrasilAgro
Contato: info@brasilagro.com.br e fone (16) 3235 5083, Ribeirão Preto – SP

Após Expo 2020, estrutura deve se transformar em equipamento público

Evento na terça (05/03) formalizou candidatura da capital à exposição mundial.

Projeto prevê escolas e postos de saúde no local da exposição.

Projeto exibe vista aérea do centro de exposições que deverá ser  construído em Pirituba (Foto: Divulgação/Prefeitura de SP)Projeto exibe vista aérea do centro de exposições que deverá ser construído em Pirituba (Foto: Divulgação/Prefeitura de SP)


A cidade de São Paulo apresentou nesta terça-feira (5) o projeto para sediar a exposição universal de 2020, conhecida Expo 2020. 

Depois do evento, o centro de exposições vai continuar funcionando. Os pavilhões vão ser transformados em escolas, postos de saúde, teatros. Os alojamentos, em habitações. As informações são do Jornal Nacional.

O evento que São Paulo quer sediar nasceu há mais de um século e meio e reúne países do mundo todo a cada cinco anos. Algumas edições marcaram a história da humanidade.

A primeira exposição universal foi em 1851, em Londres, no Palácio de Cristal, construído para a ocasião. A Torre Eiffel foi projetada para a edição de 1889.
Durante os anos, em diversos países, a exposição apresentou ao mundo novidades como a iluminação pública, o telefone e o elevador. 

Os eventos sempre atraíram milhões de visitantes. Em Xangai, na China, em 2010, foram 70 milhões. E significam melhorias urbanas nas cidades-sede.

O projeto de São Paulo prevê investimentos das três esferas de governo para receber a exposição de 2020, que vai durar seis meses.

“A Expo Universal é o maior evento, a maior feira, e a mais importante do mundo. Então, ele tem uma equivalência com a Copa do Mundo, com as Olímpiadas. Seria um coroamento desse processo em que o Brasil se projetou internacionalmente sediando grandes eventos”, disse o prefeito Fernando Haddad.

O sucesso da candidatura de São Paulo passará por Pirituba, área na qual a Prefeitura quer criar um parque e construir o maior centro de exposições da América Latina. Será uma estrutura que deverá revitalizar toda essa região da cidade. A ideia é que a exposição secular ajude a criar um novo polo de desenvolvimento na cidade.

São Paulo concorre com outras quatro cidades: Ayutthaya, na Tailândia; Dubai, nos Emirados Árabes; Ecaterimburgo, na Rússia; e Izmir, na Turquia. A vencedora será escolhida em Paris, no mês de novembro.

Afago
No evento, Haddad afagou o Gilberto Kassab (PSD) dizendo que o mérito pela candidatura da cidade para a Expo 2020 é do ex-prefeito. A declaração foi feita após uma sequência de críticas do petista à gestão anterior. Haddad, que havia adotado postura conciliadora nas primeiras semanas de governo, passou a culpar o agora líder do PSD por problemas em semáforos, corte de mato em praças e atraso em construção de escolas, entre outros. Por meio de sua assessoria, Kassab reagiu às críticas negando ter deixado problemas desconhecidos para a gestão petista.

No evento desta terça, ao lado de Guilherme Afif Domingos, que integra o partido de Kassab, o atual prefeito fez elogios ao antecessor e negou ter sido motivado pelo medo de perder o apoio do PSD na Câmara.

"Eu acho importante a ousadia de São Paulo em apresentar sua candidatura. E essa ousadia se deve ao ex-prefeito Gilberto Kassab. Ele fez muito bem em apresentar a candidatura de São Paulo", disse o petista. "Nossa tarefa agora é dar continuidade a ela", completou.

Etapas
Antes mesmo de o prefeito ter feito o elogio, a assessoria da gestão de Kassab já havia informado que a candidatura ao evento tinha sido lançada oficialmente no ano passado. Uma das etapas prévias, segundo a assessoria de Kassab, incluiu a visita de ambos a Paris para defender a candidatura.

Questionado depois do evento se os elogios, ocorrido dias após criticar o ex-prefeito, se deviam ao temor em perder o apoio do partido de Kassab, o PSD, na Câmara Municipal, Haddad respondeu que sempre apoiou a candidatura de São Paulo.

"Eu sempre falei que Pirituba tinha um projeto para apostar importante. Sempre fui coerente com essa visão. Inclusive, após a eleição, fui a Paris [com Kassab, para apresentar o projeto da Expo 2020]", disse.

Além de Kassab, o atual prefeito de São Paulo elogiou a presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o prefeito carioca, Eduardo Paes, pelo apoio dado à capital paulista para receber o evento.

Expo 2020
Durante a apresentação, Haddad afirmou que São Paulo é a cidade mais bem preparada para receber a Expo 2020. Ele ressaltou a economia da capital, seu dinamismo e o potencial crescente para os negócios.

Na segunda (4), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB,) e o prefeito da capital, Fernando Haddad (PT), definiram parceria para garantir que a cidade vença em Paris a disputa para receber a exposição em Pirituba.

“O governo do estado dará todo apoio para que a apresentação no mês de junho, em Paris, seja a melhor apresentação possível. São seis meses, praticamente, meio ano de expo mundial. O que será de grande relevância também para São Paulo e para o Brasil”, afirmou o governador após o encontro.

“São Paulo entra na disputa com seu gigantismo e sua diversidade cultural”, disse a vice-prefeita, Nádia Campeão, ao Bom Dia São Paulo.

O papel da liderança feminina na sustentabilidade dos negócios

“Vivemos em um momento em que a valorização da economia sustentável não é mais um diferencial, mas uma realidade para a sobrevivência”



Comentário Akatu: As mulheres hoje são maioria em diversos países. No Brasil, são 52% da população. Qualquer projeto de desenvolvimento de um país deve necessariamente valorizar ações desse grupo. 

A Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade é uma dessas ações. O Akatu acompanha de perto a atuação da Rede que recentemente elegeu, como vice-presidente do seu Conselho Estratégico, Celina Carpi – ex presidente e atual membro do Conselho Deliberativo do Akatu. 

Este artigo elucida os objetivos da Rede e suas principais ações de educação e comunicação que incentivam a transformação dos padrões de consumo e produção rumo à um futuro mais sustentável. Confira!

Nas últimas décadas, o tema sustentabilidade vem sendo discutido amplamente, sob os mais diversos ângulos e pontos de vista. A questão tem se consolidado e adquirido cada vez mais importância e espaço no ambiente de negócios. O empreendedorismo verde tem passado a fazer parte das agendas de trabalho, especialmente das executivas. 

O fator em comum que une estas lideranças é o interesse em promover uma forte agenda de desenvolvimento que leve em consideração a mulher e a sustentabilidade, garantir que esse tema seja recorrente nas discussões entre os líderes empresariais visando o desenvolvimento de uma economia nacional competitiva, inovadora, inclusiva e sustentada.

Recentemente, o Conselho Estratégico da Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade, criado em 2012 pelo Ministério do Meio Ambiente, deu posse a suas primeiras 13 integrantes. Um dos objetivos desse grupo é estimular ações de sustentabilidade entre as mulheres que atuam na liderança de instituições, organizações e empresas públicas e privadas. 

Uma das metas estipuladas, ambiciosa, é a de que até 2020 cerca de um milhão de executivas tenham participado de um curso de capacitação em sustentabilidade. A principal missão do colegiado, na condição de instância superior da iniciativa, é identificar, propor e aprovar um modelo de governança definitivo para a Rede.

O grupo participou da iniciativa “Mulheres Rumo à Rio+20: a Sustentabilidade no Feminino”, que deu origem à Plataforma 20. 

Considerada uma contribuição da sociedade brasileira para a Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a proposta contou com a colaboração de 200 mulheres e apontou diretrizes para o empreendedorismo verde, negócios sustentáveis e para a comunicação do consumo consciente.

Entre os compromissos firmados pelo grupo de trabalho estão: a adoção de mentoring e capacitação como forma de educação para a sustentabilidade e liderança; e a elaboração de um perfil de líder em sustentabilidade que seja inspirador para as carreiras profissionais. 

Foi definida também a promoção da valorização desses assuntos por meio de iniciativas como a realização de uma campanha do Governo Federal que aborde a sustentabilidade como tema que implica a geração de uma nova cultura, ou seja, a transformação de valores e modos de comportamento.

A iniciativa surgiu depois que foi constatada a existência de lacunas na formação de lideranças e verificou-se a necessidade de pensar ações ou programas que causem impacto pela relevância e cobertura de suas ações para fazer a diferença na sociedade. 

Assim, o assunto empreendedorismo verde e os negócios sustentáveis é dirigido ao público de mulheres de todas as classes e tem como pretensão incentivar e potencializar oportunidades de negócios que atuem na dimensão da sustentabilidade em suas várias vertentes.

Uma segunda ação aborda o tema padrões de consumo e produção, e é voltada para o público de mulheres da classe “C”. O objetivo é apresentar um programa de comunicação que possa promover uma mudança nos padrões de consumo e produção atuais, ao influenciar e orientar as escolhas de pessoas físicas e jurídicas para um consumo sustentável.

Sabidamente vivemos em um momento em que a valorização da economia sustentável não é mais um diferencial, mas, sim, uma realidade para a sobrevivência e a própria sustentabilidade das organizações. 

Certamente, as lideranças femininas têm muito a contribuir com a consolidação dessa realidade, especialmente em um País como o Brasil, que tem muitos exemplos a oferecer, mas também ainda precisa construir muito para que as relações entre a sociedade e a natureza garantam perenidade e equilíbrio ao nosso mundo.

* Iêda Novais é diretora da KPMG no Brasil e membro do Conselho Estratégico da Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade

Alemanha anuncia a construção de 13 parques eólicos offshore



O Ministério Federal de Transportes, Construção e Desenvolvimento Urbano da Alemanha (BMVBS) anunciou, na última semana, o “Plano de Comércio Federal de Energia Costeira”. 

O projeto contempla a construção de 13 parques eólicos no Mar do Norte, que vão contribuir com a meta do país de gerar 25GW em energia renovável até 2030. 

As informações são das representações diplomáticas alemãs no Brasil.

A Lei de Energia Renovável (EEG) prevê que as eólicas passem a ser responsáveis por 30% da energia gerada na Alemanha até 2020. 

Nos últimos anos, o país vem levantando a bandeira das fontes renováveis, incluindo a solar, como um instrumento para a redução da emissão de CO2 no planeta, não só investindo por lá, bem como incentivando investimentos em outros países.

No Brasil, o banco de desenvolvimento alemão KFW Bankengruppe, instituição de fomento governamental, pretende expandir a atuação em projetos de energia renovável, especialmente no setor de solar. 

Um exemplo é o recente empréstimo de 10 milhões de euros, concedido à Cemig, dentro do projeto "Copa Solar 2014", para instalação de painéis fotovoltaicos na cobertura do Estádio do Mineirão.

Fonte: Jornal da Energia

Hamburg Süd e Aliança Navegação e Logística publicam Relatório de Responsabilidade

No início de fevereiro, o Grupo Hamburg Süd publicou o seu primeiro Relatório de Responsabilidade. Denominado “Fazemos disso o nosso negócio”, o material documenta não só aspectos ambientais, mas também a responsabilidade social nas atividades das empresas. 


Ao mesmo tempo, apresenta de forma detalhada as medidas reais em que estão inseridas a Hamburg Süd e a Aliança em termos de responsabilidade. 

“Levamos em conta a proteção dos recursos naturais em cada decisão empresarial e organizacional que fazemos”, explica Dr. Ottmar Gast, presidente do Conselho Executivo da Hamburg Süd. “Assim, o nosso sistema de controle ambiental, iniciado em 2010, tem como objetivo a contínua redução do impacto ambiental, tanto no mar como em terra”, diz. 

O elemento central do sistema de controle ambiental é um balanço “input-output” para o qual vários departamentos na sede da empresa e 80 escritórios locais da Hamburg Süd espalhados ao redor do mundo fornecem dados ambientais. 

“Isso permite ver exatamente o que entra na companhia em termos de energia e matéria-prima, e que posteriormente sai na forma de emissões e água residuais. Porque responsabilidade de verdade requer transparência”, ressalta Gast. 

Dentro do contexto das medidas de proteção ambiental, o Grupo Hamburg Süd fixou metas reais e interligadas. Assim, até 2020, a empresa pretende reduzir as emissões de CO2 dos navios porta-contêineres próprios e afretados por unidade de capacidade de transporte (TEUkm) em 26% em comparação com os níveis de 2009. 

Uma das metas é a de aumentar o uso de bambu nos pisos dos contêineres para transporte de carga seca em 80% até 2015. Em paralelo – também em 2015 – o consumo de energia dos atuais contêineres refrigerados deve ser reduzido em 15% e dos novos modelos em não menos de 20% com base em 2010. 

Além disso, em cooperação com o Germanischer Lloyd, o grupo lançou com sucesso, em 2011, o projeto GL Emission Manager, e a partir de 2013, gradualmente adotará nos navios próprios e afretados o correspondente software. 

O Emission Manager permite, pela primeira vez, a coleta de todos os dados relacionados com o meio ambiente em uma ferramenta - e, portanto, a avaliação do desempenho ambiental de um único navio ou da frota em uma confiável base de dados, detalhadamente. 

No Relatório de Responsabilidade, a Hamburg Süd também apresenta avanços fundamentais nas áreas de tecnologia e operação dos navios. Isso inclui, por exemplo, os seis navios da classe “Cap San”, que permitem significativa economia de combustível graças a um melhor desenho do casco. 

Os navios, que têm capacidade para 9.600 TEUs, são os maiores do grupo até o momento, e devem ser entregues entre maio de 2013 e janeiro de 2014. 

Além disso, pela primeira vez na indústria, a Hamburg Süd está usando o Becker Twisted Fin® em seus navios de contêineres desde o começo do ano. O estabilizador é uma construção de aço que se localiza em frente da hélice nos navios da classe “Santa”, que em parte anula o efeito negativo da turbulência da hélice, produzindo uma economia de energia de até 4%. 

Além da proteção ambiental, as questões de compromisso social e na sociedade são pilares importantes do Relatório de Responsabilidade. A empresa documenta essa responsabilidade através de um amplo portfólio de opções de treinamento e formação adaptado às diferentes necessidades em terra e no mar. 

Ao mesmo tempo, o relatório aponta os diversos benefícios que a Hamburg Süd oferece para o melhor equilíbrio entre trabalho e vida. Assim, o grupo tem feito uma importante contribuição tanto para o bem-estar dos colaboradores como para a competitividade em longo prazo da companhia. 

Com 70 páginas, o Relatório de Responsabilidade é um material de referência, abrangente, que contém informações precisas, com ilustrações e infográficos, disponível em alemão e inglês. 

O download pode ser feito no link

http://www.hamburgsud.com/group/media/sharedmedia/dokumente/brochures/Responsibility_report~1.pdf



Seca, fome, fé e resistência


Liliana Peixinho, especial para o Mercado Ético
Rosa Maria consegue até R$ 10 por dia com a venda de umbus / Fotos: Liliana Peixinho

Produtos como umbu, mel, castanha, manga, jaca, aipim, mamão, pinha e coco ajudam famílias a enfrentarem o desafio da falta de renda fixa. As lavouras de feijão, mandioca e milho, agricultura básica dos sertanejos, viraram palhas há tempos. 

As cabras disputam restos de pasto e um ou outro arbusto de jitirana, planta típica e resistente do sertão. Sem emprego e sem comida, alguns se sustentam na política de benefícios do governo, formando um ciclo perverso de conformidade. E quem não tem acesso a eles, vai para as estradas driblar os carros para abordar motoristas, na tentativa de conseguir algum dinheiro.

No caminho para Cansanção, vejo uma menina na beira da estrada, do outro lado da pista. Fiz a manobra em uma faixa estreita do asfalto, parei o carro e fui conversar com ela. Rosa Maria, 14 anos, fica na pista o dia inteiro com um balde de umbu. A garota vende o litro da fruta por R$ 0,60. 

No final do dia, com muita sorte, Rosa diz que pode fazer entre R$ 7 e R$ 10. O dinheiro vai para os pais comprarem comida para seus seis irmãos pequenos.

Via crucis em busca de água

Anísio em busca de água para seu gado

Encontrei seu Anísio Ferreira Costa, 58, na beira da estrada, perto do Povoado de Coité, distrito de Tucano, tocando o gado debaixo de um sol de rachar. Parei o carro no acostamento e dei boa tarde. 

Ele respondeu de pronto: “Boa”. Perguntei se o gado já tinha bebido água. “Estou voltando agora de um pocinho que descobri lá na frente”, explicou. 

Aquele senhor havia saído bem cedo, com o sol nascendo, de um lugar chamado Cajueiro, perto de Coité, tendo andado uma légua (seis quilômetros) procurando por água, assim como faz todos os dias.

Desde o início de 2012, a roça de seu Anísio não tem água. As poucas chuvas que caíram, segundo ele, não foram suficientes para encher os tanques cavados no próprio solo. 

Mesmo assim, homem guerreiro que é, demonstra que não lhe falta coragem. Crê na labuta como forma de enfrentamento aos desafios da seca. Ele aprendeu com a vida que não tem porque desistir. 

E assim, não existe cansaço que o impeça de andar tanto quanto seja necessário para procurar água para as poucas cabeças de gado que restaram de sua pequena criação.

Seu Arnou e a grande família

Seu Arnou é desses velhos bonitos, homem forte, coração gigante, mente criativa e alma nobre. Seus olhos azuis, bem abertos, e pele queimada de sol, demonstram o quanto está ligado na vida e seus desafios. 

Trabalhou sempre na roça e, quando teve a chance, deixou de cuidar das terras dos outros e comprou um pedaço de chão para recomeçar tudo.


Arnou mostra o estrago que a seca fez em suas terras

Ali, plantou feijão, milho e mandioca. Quase tudo ia para o sustento da família. O que sobrava, sua mulher, dona Lídia, vendia na feira de Senhor de Bonfim. O dinheirinho conquistado servia para comprar o que não há na roça: açúcar, arroz, café, margarina, pão. 

Fez uma casinha com fogão a lenha, um galinheiro e um cercado para umas poucas cabeças de cabras e bodes. Quem sabe cuidar e tem família unida e corajosa para trabalhar, observa logo os resultados. E foi cuidando de filhote em filhote, de pé em pé de milho, que um dia ele viu uma dúzia de cabeças de caprinos chegar a quase 100 e uns pezinhos de milho virarem um milharal.

Seu Arnou espera e respeita o tempo em seus ciclos de vida. Nunca comprou uma galinha de granja. De vez em quando mata um franguinho ou um bode para alimentar a família. Tudo na quantidade certa, sem exageros ou desperdícios nos pratos.

Mas nessa seca, ele teve que vender todas as suas cabras e bodes. Não aguentava mais ver os bichos morrerem de sede e fome, sem água e sem comida. Foi uma tristeza ouvir seu relato, mas sem se queixar, acredita que em breve vai recomeçar uma vez mais, como sempre foi sua vida.

A casa de Dudu, Dedé, Van, Braz e Sil


De sorriso largo, no centro da foto, a repórter Liliana peixinho se acolhe no calor da família 
de Dedé (com o menino de camiseta vermelha) e Sil (à direita da foto)


Eles moram no alto do Bebedouro, numa casa de varandas, onde o vento assovia forte e refresca o calor do sol quente do dia pra embalar os sonhos de noites em estrelas de janelas abertas. 

O terreno é fértil, a cultura é farta, a coragem e a fé são de sobra. A harmonia e o amor integram a paisagem, logo na chegada, com os latidos da cadela veludo e a abertura da porteira por uma criança encantadora, que tudo observa e pouco fala. Se na Terra tem um paraíso, esse lugar pode ser a casa dessa família linda.

Todos acordam muito cedo. Quando levantam da cama, a sintonia para o trabalho é imediata, natural e silenciosa. Dedé, o chefe da casa, vai com as cabras para dentro da mata virgem, que graças a essa família ainda se encontra preservada. Lá, entre uma caça de nambú e outra, Dedé se perde no tempo. 

Olha pro céu, vê o sol sob a cabeça e lembra que é hora do almoço. 

Como ele, todas as pessoas da casa tem o mesmo ritmo com os afazeres: a mulher, Silvia, planta, rega, colhe e cozinha; a nora, Vanilda, limpa, lava, arruma e perfuma; o filho, Braz, viaja, compra, vende, conserta e constrói; o netinho, Dudu, faz um pouco de tudo, semeando amor, união e exemplo de coragem, desenhando o futuro em pílulas diárias de ação do bem.

A casa é ampla, bem dividida, arejada e limpa, impecavelmente limpa. As panelas brilham, o banheiro é perfumado e a varanda convida para uma boa conversa. Tudo tem o tempo e sintonia certa na casa de Dudu. 

Até a cadela Veluda é tão educada que, na experiência de ver fazer a buchada de bode, fica ao lado das pessoas que estão tratando as carnes, quietinha, com a cabeça encostada na laje e o corpo espreguiçado. Ela sabe que a espera será longa para ganhar a sua parte das poucas sobras dos pratos.

Mesmo numa seca que dura mais de 14 meses na roça do alto do céu, como chamo esse paraíso, ali tem de tudo plantado. A horta recebe água duas vezes ao dia, com um regador de mão de 3 litros.

Lá em cima, essa água da chuva fica armazenada em cisternas. Eles sabem o valor desse recurso e se preparam para garantir a vida, em todos os seus ciclos. 

Por isso Sil e toda sua família pode garantir um verde quase milagroso numa paisagem árida, ao longe, com pastagens ao fundo, aqui e acolá, ameaçando uma mata rica em ouricuri, juá, arueira, baraúna, umburana, pau derato, umbuzeiro, calumbi, quebrafacão, incó, macambira, malva, capimacu, xiquexique, mandacaru e uma biodiversidade inteira, integrada a essa mata catingueira.

Sustentabilidade ambiental não acaba com empregos


Edgard Júnior, da Rádio ONU







A Organização Internacional do Trabalho, OIT, afirmou que uma economia ambientalmente sustentável não vai acabar com os empregos existentes.
Segundo o coordenador do programa de empregos verdes da organização, Peter Poschen, novas empresas e oportunidades de trabalho podem surgir com a mudança do sistema econômico atual para uma economia verde.


Brasil

O Brasil é um exemplo disso, segundo Poschen. O país já criou quase 3 milhões de vagas em setores verdes, aproximadamente 7% da força de trabalho formal.

Na União Europeia, o número de empregos criados chega a 15 milhões e nos Estados Unidos quase 3 milhões.

Impacto

Poschen afirmou que a mudança pode ser bem absorvida, principalmente pelos países em desenvolvimento, com políticas corretas e a implementação apropriada.

Para o coordenador da OIT, os benefícios serão duplos, tanto social como ambiental. A economia verde, afirmou ele, tem o potencial de criar entre 15 e 60 milhões de novos postos de trabalho extras pelos próximos 20 anos.

Pobreza

Além disso, Poschen disse que o sistema pode tirar milhões de trabalhadores da pobreza. Mas ele alerta que o processo não será tão fácil.

O coordenador declarou que alguns tipos de emprego vão desaparecer, particularmente em setores que lidam com as emissões de carbono. Eles representam, em média, 10 a 20% dos trabalhos na maioria dos países.

(Rádio ONU)