O que é (e o que não é) sustentabilidade

Oded Grajew*

Embora em voga, o conceito de sustentabilidade ainda é pouco compreendido tanto por quem fala sobre ele quanto por quem o ouve.


Nos últimos anos, intensificou-se a discussão a respeito do aquecimento global e do esgotamento dos recursos naturais. São preocupações legítimas e inquestionáveis, mas que geraram distorção no significado de sustentabilidade, restringindo-o às questões ambientais.

Não é só isso. A sustentabilidade está diretamente associada aos processos que podem se manter e melhorar ao longo do tempo. 

A insustentabilidade comanda processos que se esgotam. E isso depende não apenas das questões ambientais. São igualmente fundamentais os aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais.

A sustentabilidade e a insustentabilidade se tornam claras quando traduzidas em situações práticas.

Esgotar recursos naturais não é sustentável. Reciclar e evitar desperdícios é sustentável.

Corrupção é insustentável. Ética é sustentável. Violência é insustentável. Paz é sustentável.

Desigualdade é insustentável. Justiça social é sustentável. Baixos indicadores educacionais são insustentáveis. Educação de qualidade para todos é sustentável.

Ditadura e autoritarismo são insustentáveis. Democracia é sustentável. Trabalho escravo e desemprego são insustentáveis. Trabalho decente para toos é sustentável.

Poluição é insustentável. Ar e águas limpos são sustentáveis. Encher as cidades de carros é insustentável. Transporte coletivo e de bicicletas é sustentável.

Solidariedade é sustentável. Individualismo é insustentável.

Cidade comandada pela especulação imobiliária é insustentável. Cidade planejada para que cada habitante tenha moradia digna, trabalho, serviços e equipamentos públicos por perto é sustentável.

Sociedade que maltrata crianças, idosos e deficientes não é sustentável. Sociedade que cuida de todos é sustentável.

Dados científicos mostram que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável e ameaça a sobrevivência inclusive da espécie humana.

Provas não faltam. Destruímos quase a metade das grandes florestas do planeta, que são os pulmões do mundo. Liberamos imensa quantidade de dióxido de carbono e outros gases causadores de efeito estufa, num ciclo de aquecimento global e instabilidades climáticas.

Temos solapado a fertilidade do solo e sua capacidade de sustentar a vida: 65% da terra cultivada foram perdidos e 15% estão em processo de desertificação.

Cerca de 50 mil espécies de plantas e animais desaparecem todos os anos e, em sua maior parte, em decorrência de atividades humanas.

Produzimos uma sociedade planetária escandalosa e crescentemente desigual: 1.195 bilionários valem, juntos, US$ 4,4 trilhões –ou seja, quase o dobro da renda anual dos 50% mais pobres. 

O 1% de mais ricos da humanidade recebe o mesmo que os 57% mais pobres.

Os gastos militares anuais passam de US$ 1,5 trilhão, o equivalente a 66% da renda anual dos 50% mais pobres.

Esse cenário pouco animador mostra a necessidade de um modelo de desenvolvimento sustentável. Cabe a nós torná-lo possível.

* Oded Grajew, 68, empresário, é coordenador da secretaria executiva da Rede Nossa São Paulo e presidente emérito do Instituto Ethos. É idealizador do Fórum Social Mundial.
(Folha de S. Paulo)

CRIAÇÃO DE VALOR COMPARTILHADO | OS CONVERSANTES – CONVERSAS SIGNIFICATIVAS POR UM COMPORTAMENTO SUSTENTÁVEL

Por Anelise Stahl


[Criação de valor Compartilhado] 

Essa é a tese dos dois professores da Harvard University, Michael E. Porter e Mark R. Kramer. O assunto esteve na capa da revista Harvard Business Review e ocupa 17 páginas que mostram claramente todo o universo dessa nova proposta. 

O objetivo é identificar e ampliar o elo entre o progresso social e o econômico, uma vez que, segundo os autores, “a competitividade de uma empresa e a saúde das comunidades ao seu redor estão intimamente interligadas”.


Neste contexto, a necessidade da CONSTRUÇÃO DE VALOR COMPARTILHADO, nos transporta à mudança de comportamento, onde experimentaremos o início da transformação.

Propiciar o diálogo colaborativo entre os stakeholders, utilizando a inteligência coletiva em ambientes propícios, tende a gerar consciência para um novo comportamento, onde o indivíduo se vê como pessoa, fazendo parte deste valor que está sendo criado compartilhadamente.

Assim a busca por engajamento de stakeholders ganha força e forma nas plataformas que começam a surgir.

Na Casamundobrazil , seguimos o propósito da transformação das práticas em novos comportamentos, onde acreditamos no comportamento sustentável, sendo o indivíduo parte de toda a organização viva na qual está inserida em um sentido de interdependência; sendo assim, sentimos a necessidade de vivermos experiências internas de construção de valor em nossa rede, para então ajudarmos as empresas e comunidades na busca por essa nova forma de experimentar suas vivências .

A construção da Plataforma Conversas Significativas por Comportamento Sustentável, metodologia que está sendo desenvolvida por nosso grupo está ganhando um nome …

Somos os conversANTES …

E onde estivemos, já deixamos sementes de mudança e transformação.

Seguimos “plantando”…

Segue texto escrito por: Michael E. Porter Mark R. Kramer

["O sistema capitalista está sitiado. Nos últimos anos, a atividade empresarial foi cada vez mais vista como uma das principais causas de problemas sociais, ambientais e econômicos. 

É generalizada a percepção de que a empresa prospera à custa da comunidade que a cerca.

Para piorar, quanto mais adotou a responsabilidade empresarial, mais a empresa foi sendo responsabilizada pelos problemas da sociedade. Em certos países, a legitimidade da atividade empresarial caiu a níveis inéditos na história recente. 

Essa queda na confiança leva lideranças políticas a instituir normas que minam a competitividade e inibem o crescimento econômico. O meio empresarial entrou num círculo vicioso.

O propósito da empresa deve ser redefinido como o da geração de valor compartilhado, não só o do lucro por si só. Isso alimentará a próxima onda de inovação e crescimento da produtividade na economia global. Também irá redefinir o capitalismo e sua relação com a sociedade. E aprender a gerar valor compartilhado talvez seja a melhor oportunidade a nosso dispor para legitimar de novo a atividade empresarial."

Raízes do valor compartilhado
Num nível muito básico, a competitividade de uma empresa e a saúde das comunidades a seu redor estão intimamente interligadas. Uma empresa precisa de uma comunidade vicejante não só para gerar demanda para seus produtos, mas também para suprir ativos públicos essenciais e um ambiente favorável. 

Uma comunidade precisa de empresas prósperas para criar empregos e oportunidades de geração de riqueza para seus cidadãos. Essa interdependência significa que políticas públicas que solapem a produtividade e a competitividade de empresas são autodestrutivas, sobretudo numa economia globalizada, na qual instalações e empregos podem facilmente rumar para outro lugar. 

ONGs e governos nem sempre entenderam essa ligação.

Na velha e estreita visão do capitalismo, a empresa contribui para a sociedade ao dar lucro, o que sustenta emprego, salários, consumo, investimentos e impostos. Tocar a empresa como sempre seria um benefício social suficiente. A empresa é, em grande medida, um ente autossuficiente, e questões sociais ou comunitárias estão fora de sua alçada (essa é a tese convincentemente defendida por Milton Friedman em sua crítica à noção da responsabilidade social empresarial).

Essa perspectiva permeou o pensamento administrativo nas duas últimas décadas. A empresa se concentrou em incitar o consumidor a comprar mais e mais de seus produtos. 

Diante da crescente concorrência e da pressão de acionistas por resultados de curto prazo, gestores recorreram a ondas de reestruturação, corte de pessoal e transferência para regiões de menor custo, alavancando paralelamente o balanço para devolver capital aos investidores. 

O resultado em geral foi comoditização, disputa em preços, pouca inovação de verdade, crescimento orgânico lento e nenhuma vantagem competitiva clara.

Nesse tipo de competição, as comunidades nas quais a empresa opera sentem que pouco ganham, ainda que os lucros subam. 

O que sentem, isso sim, é que o lucro se dá a sua custa, impressão que se tornou ainda mais forte na atual recuperação econômica em certos países, na qual lucros crescentes pouco fizeram para compensar o elevado desemprego, a crise em negócios locais e severas pressões sobre os serviços da comunidade.

Nem sempre foi assim. No passado, as melhores empresas assumiam uma ampla gama de papéis para atender às necessidades de trabalhadores, comunidades e operações de apoio. 

À medida que outras instituições sociais entraram em cena, contudo, esses papéis foram abandonados ou delegados. O horizonte de tempo cada vez menor do investidor começou a estreitar o raciocínio sobre investimentos pertinentes. 

Com a empresa verticalmente integrada dando lugar a uma maior dependência de fornecedores externos, a terceirização e o offshoring enfraqueceram o elo entre a empresa e a comunidade. Ao distribuir toda sorte de atividade por mais e mais localidades, a empresa não raro perdeu o vínculo com um determinado lugar. 

Aliás, muitas empresas já não consideram ter uma “casa” — se julgam, antes, “globais”.

Essas transformações levaram a grandes avanços em matéria de eficiência econômica. No entanto, algo profundamente importante se perdeu no processo, à medida que oportunidades mais fundamentais de geração de valor foram ignoradas. O escopo do raciocínio estratégico se contraiu.]

Escrito por: Michael E. Porter Mark R. Kramer| Harvard Business Review Brasil

Das 50 maiores obras no mundo, 14 estão no Brasil


Juntas, elas movimentam alguns milhões de m³ de concreto, mas avançam lentamente por causa de entraves burocráticos
Por: Altair Santos
Entre projetos já em andamento e ainda não iniciados, o Brasil detém 14 das 50 maiores obras de infraestrutura do mundo. Elas ocupam posição de destaque no ranking, seja por qual ângulo que se queira analisar. 
Sob o ponto de vista de recursos, equivalem a R$ 250 bilhões. Olhando-se pelo volume de concreto, são empreendimentos que precisarão, no mínimo, de 26,3 milhões de m³ para serem concluídos.
Cinturão das Águas no Ceará: obra leva irrigação para produção de frutas no nordeste brasileiro.
A previsão era que todas as construções – boa parte delas vinculadas ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) – fossem concluídas até 2015. Mas hoje estima-se que muitas podem se estender até 2020. Um exemplo clássico é a usina de Belo Monte, no rio Xingu, dentro do território do estado do Pará. Iniciada em 2011, a obra já sofreu 11 interrupções, seja por liminares que paralisam seu andamento, seja por manifestações de movimentos sociais, indígenas e moradores locais ou por invasões dos canteiros de obras.
Belo Monte é também o maior empreendimento em construção no Brasil. Orçada em R$ 26 bilhões, a hidrelétrica envolve 22 mil operários e irá consumir 3,7 milhões de m³ de concreto até ser concluída. A usina, e outras obras, fazem da região norte do país a que mais concentra megaconstruções. Os estados de Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia englobam os seguintes projetos, além de Belo Monte: hidrelétricas Teles Pires (na divisa entre Pará e Mato Grosso), Santo Antônio (Rondônia), Jirau (Rondônia), São Luiz de Tapajós (Pará), Linhão Manaus-Tucuruí-Amapá (entre Amazonas e Amapá), Gasoduto Urucu-Coari-Manaus (Amazonas) e Arena Amazônia (Amazonas).

Rodoanel, em São Paulo: confiabilidade de que esteja 100% concluído até 2016 é alta.
Do complexo de obras que faz o Brasil aparecer com destaque na construção civil internacional, o único que deve ser concluído até 2014 é o que envolve os projetos da Copa do Mundo. Doze estádios e obras de mobilidade espalhados pelas subsedes irão consumir 8,6 milhões de m³ de concreto (5,1 milhões de m³ só nos estádios). Também se mostram confiáveis de serem concluídas até 2016 os seguintes empreendimentos: Rodoanel de São Paulo (trechos leste e norte), usina nuclear Angra 3 e Arco rodoviário do Rio de Janeiro. Tratam-se de construções que, além de recursos federais, contam com investimentos estrangeiros e estaduais e, por isso, estão mais rigorosas com o prazo de entrega.
O contraponto dessas obras com previsão para acabar é o que envolve a transposição do rio São Francisco. Iniciada em 2005, passados quase oito anos, a megaobra não tem cronograma de entrega definido. Só seu custo avança. Saiu de R$ 4,7 bilhões para R$ 8,2 bilhões, e somente 43% está concluído. 
O problema é que são trechos que não se interligam e que, portanto, ainda não têm condições de conduzir a água para o sertão nordestino – historicamente afetado pelas secas. Pela quantidade de problemas, é provável que a transposição do São Francisco seja concluída depois de uma obra similar que avança no Ceará: o Cinturão das Águas. Ele parte do sul do estado e envolve todo o território cearense. A 1ª etapa já foi entregue e vem beneficiando diretamente a produção de frutas no nordeste brasileiro.
Usina de Santo Antônio: uma das megaobras em andamento na região norte do país.
Confira as 14 megaobras do Brasil, em volume de concreto:
Obras da Copa – 5,1 milhões m3 (estádios) 3,5 milhões m3 obras de mobilidade
Hidrelétrica Belo Monte – 3,7 milhões m3
Hidrelétrica Santo Antônio – 3,2 milhões m3
Hidrelétrica Jirau – 2,8 milhões m3
Programas de saneamento – 2 milhões m3
Hidrelétrica São Luiz de Tapajós – 1,5 milhão m3
Transposição do São Francisco – 1,3 milhão m3
Rodoanel de São Paulo – 800 mil m3
Gasoduto Urucu-Coari-Manaus – 800 mil m3
Cinturão das Águas do Ceará – 600 mil m3
Hidrelétrica Teles Pires – 480 mil m3
Linhão Manaus-Tucuruí-Amapá – 240 mil m3
Usina nuclear Angra 3 – 200 mil m3
Arco rodoviário do Rio de Janeiro – 92 mil m3

Angra 3: após 23 anos parada, obra no Rio de Janeiro foi retomada em 2010 e avança rapidamente.
Entrevistados
Ministério do Planejamento, SUDAM (Superintendência do desenvolvimento da Amazônia) e governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará (via assessoria de imprensa)
                   www.rj.gov.br / www.sp.gov.br

Créditos fotos: Divulgação




Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


Mulheres fazem a diferença nas ações de sustentabilidade, afirma Izabella Teixeira

Portal Planalto

O primeiro Encontro da Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade de 2013, realizado no dia 29 de abril, em Brasília, foi marcado pelo desejo de atentar à sociedade a importância da mulher no processo de desenvolvimento sustentável. 

“As mulheres estão engajadas com o futuro do desenvolvimento do país e fazem a diferença nas ações de sustentabilidade. Por isso, é preciso mobilizá-las ainda mais”, destacou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.




“Nosso objetivo é mobilizar as mulheres e a sociedade para a implantação de ações que assegurem um desenvolvimento sustentável”, acrescentou. 

O encontro de mulheres líderes nas áreas privada e pública teve como tema “Sustentar ideais – os desafios da ação e da comunicação em rede”. 

As discussões se concentraram no impacto e importância da comunicação em rede para um desenvolvimento sustentável.

A secretaria de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, que lembrou que a violência contra a mulher é incompatível com a democracia e a igualdade, acredita que as mulheres estão “nessa parceria pelo desenvolvimento sustentável também porque ascenderam profissionalmente aos cargos de direção nos órgãos públicos e na iniciativa privada”.

Consumo consciente

Durante a reunião foi lançada uma campanha sobre o consumo consciente que defende a adoção de práticas saudáveis, voltadas para assegurar a melhor qualidade do meio ambiente. 

Izabella afirmou que as ações de sustentabilidade deste ano incluem também as práticas esportivas, de lazer e de cultura, com ênfase no consumo consciente.

“A relação meio ambiente e consumo está no centro das discussões, abordando as formas para melhorar a qualidade e abrangência da comunicação em rede”, afirmou.

Além da campanha, os participantes do encontro também discutiram os temas: 

Felicidade e sustentabilidade num mundo de crescentes incertezas e velocidade; 

Existe um jeito de ser feliz diferente para homens e mulheres?; 

Existe uma economia da felicidade no cotidiano? e, 

Necessariamente a mulher é incluída na comunicação pela sustentabilidade?.

A rede

A Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, criada em 2011, para mobilizar mulheres em cargo de liderança e executivas de instituições públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos, na promoção de ações de sustentabilidade.

A ministra do Meio Ambiente lembrou que a rede, ao ser criada, contou o apoio de 30 mulheres brasileiras – e hoje conta com 468 mulheres e seis homens, porque as ações ultrapassam os limites do debate feminista. 

A rede não tem fins lucrativos.

(Portal Planalto)

Desafios da segurança alimentar no Brasil

Cida de Oliveira e Sarah Fernandes, da Rede Brasil Atual

Um novo modelo de produção de alimentos, baseado na agroecologia, sem o uso de sementes transgênicas, agrotóxicos e fertilizantes químicos, em pequenas propriedades familiares, e a regulação do abastecimento e distribuição são os maiores desafios para a segurança alimentar no Brasil.



- É inadmissível continuarmos líderes no ranking do consumo de agrotóxicos, financiando esse setor com a isenção de impostos e ainda termos de ouvir declarações como as da senadora Kátia Abreu, da bancada ruralista, de que o pobre precisa comer, sim, comida com agrotóxico porque é mais barato – disse Vanessa Schottz, técnica da ONG Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) e secretária executiva do Fórum de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), completando, em seguida: – 

Em vez disso, precisamos democratizar o acesso à terra, regionalizar a distribuição de alimentos saudáveis e apoiar feiras livres, que permitem que alimentos mais frescos e baratos cheguem à mesa da população.

Para discutir esses e outros temas relacionados aos impactos e desafios do atual sistema, integrantes do FBSSAN de todo o país, redes, movimentos sociais e outras instâncias estratégicas vão se reunir em seu sétimo encontro nacional, de 4 a 6 de junho, em Porto Alegre. 

A programação inclui painéis para discutir a crise alimentar, a dimensão pública do abastecimento, oficinas temáticas sobre agricultura urbana, normas sanitárias para a produção familiar e artesanal, agrotóxicos e transgênicos, além de rodas de conversa para o debate público sobre as dimensões estratégicas de luta pela comida.

- Discutir os alimentos que estamos comendo ou não é estratégico. Da mesma maneira que avançamos na construção do marco legal do Direito Humano à Alimentação e no fortalecimento e institucionalização de políticas públicas estratégicas, ainda persistem ameaças a esse direito – disse Vanessa.

Em fevereiro de 2010, o alimento foi incluído no rol dos direitos constitucionais pela emenda constitucional 64, fruto de um abaixo-assinado liderado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), com mais de 50 mil assinaturas. Com a aprovação da proposta, a soberania alimentar e nutricional passou a ser um dever do Estado, e não mais política de governo.

Outra conquista é a Lei 11.947, de 2009, conhecida como lei da alimentação escolar, que determina a utilização de, no mínimo, 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para alimentação escolar, na compra de produtos da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações. 

Têm prioridade os assentamentos de reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas. A compra dos alimentos deve ser feita, sempre que possível, no mesmo município das escolas.

Segundo o Fórum, o modelo de abastecimento e distribuição de alimentos, cada vez mais controlado pelo agronegócio, pela indústria e cadeia de supermercados, acelera o processo de ‘commoditização’ e artificialização dos alimentos, de empobrecimento da base alimentar e no aumento do preço dos alimentos.

Vanessa lembra um estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) segundo o qual, apesar de toda a diversidade vegetal brasileira, a base da alimentação está em três alimentos: trigo, soja e milho.

- Todos são produzidos de maneira mecanizada, em grandes extensões de terra, no sistema de monocultura, com uso de agrotóxicos, e entram na industrialização da maioria dos alimentos consumidos.

Outras grandes questões, segundo ela, é se há uma crise alimentar ou é o próprio sistema alimentar que está em crise; quais são as causas principais, de que maneira essa crise se expressa no Brasil, se as políticas públicas respondem ou não aos desafios impostos por esse sistema.

- É muito importante que a sociedade civil entenda, debata e critique os impactos do atual sistema alimentar sobre a soberania e segurança alimentar da população brasileira – disse.

Neste mês, estão sendo realizadas as etapas estaduais, como a de Goiás, que ocorreu no último final de semana. Na avaliação da professora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Goiás e presidenta do Conselho de Segurança Alimentar daquele estado, Dulce Cunha, o Brasil avançou muito no combate à fome. Mas ressalvou:

- Ainda existem bolsões de pobreza onde há pessoas sem acesso à qualidade diária mínima de nutrientes. E também não avançamos no sentido de garantir a alimentação como um direito humano. Basta ver que o Brasil é o que mais consome agrotóxicos ao mesmo tempo em que a obesidade infantil vem aumentando muito – disse.

Segundo ela, é necessário uma leitura crítica do sistema de produção e abastecimento, bem como pensar estratégias para assegurar a soberania alimentar nacional do Brasil.

- A ideia é ir além da garantia de acesso de todos ao alimento. A alimentação tem de ser entendida como um direito humano, assegurando que as pessoas tenham alimentos de qualidade produzidos sem venenos e que respeitem os hábitos alimentares regionais e a idade dos indivíduos.

O Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN) foi criado em 1998. Reúne organizações, redes, movimentos sociais, instituições de pesquisa, profissionais da saúde, nutrição, direitos humanos, agroecologia, agricultura familiar, economia solidária e de educação popular na luta pelo Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e pela soberania alimentar.

(Canal Ibase)

Links recomendados - Empregos Verdes



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Foto: reprodução

Você já ouviu falar em "empregos verdes" ou "green jobs"? O termo, que promete ser a solução para muitos dos problemas que o mundo enfrenta atualmente, estimula a criação de novos postos de trabalho e carreiras profissionais voltadas à sustentabilidade, em áreas como agricultura, engenharia, indústria e serviços.

Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), o Brasil já tem 3 milhões de empregos verdes, o correspondente a 6,6% do total de postos de trabalho formais. 

Apesar de ser um cenário novo no País, os empregos verdes já crescem mais rápido que os demais e os interessados podem encontrá-los em plataformas on-lines. 

O EcoD trouxe dois destaques de sites nacionais que facilitam o trâmite de quem procura ou anuncia uma vaga "verde".

Green Jobs Brasil
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O greenjobs Brasil é o primeiro portal de empregos verdes do País. Criado pela Rudra Tecnologias Sustentáveis, empresa catarinense, ele possui um visual inspirado na rede social Twitter. Empresas e profissionais podem usar o portal sem nenhum tipo de cadastro ou cobrança.

As ofertas de emprego estão subdivididas pelas áreas Técnicos, Educadores, Gestores e Comercial, e podem ser procuradas por um fácil sistema de busca.



Made in Forest

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A Made in Forest, considerada a primeira rede ambiental global com foco no meio ambiente e sustentabilidade, também disponibiliza vagas de "empregos verdes", já que a plataforma trabalha com "economia verde". 

Além disso, o site identifica, organiza e divulga um banco de dados de Ong’s Ambientais, empresas de ecoprodutos, serviços, turismo, educação ambiental e pontos de reciclagem de cerca de 40 tipos diferentes de materiais recicláveis. Na plataforma você pode divulgar e contratar serviços.


Empregos Verdes


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Os profissionais do futuro deverão trabalhar para o desenvolvimento 
social, econômico e ambiental/Foto: greatgreencareers


O mundo encontra-se em processo de mudança e todas as relações, tais quais conhecemos hoje, devem adaptar-se a uma nova realidade nos próximos anos. 

E o trio de fatores que aparentou ser um indício de uma catástrofe de ordem mundial (o aquecimento global, a crise econômica e a falta de emprego) pode ser o que a humanidade precisava para criar um novo movimento em prol do desenvolvimento sustentável.

Uma das soluções para reverter o atual quadro é o investimento em “empregos verdes”. 

Esse conceito, difundido em todo o planeta como “Green Jobs”, estimula a criação de novos postos de trabalho e carreiras profissionais voltadas à sustentabilidade, em áreas como agricultura, engenharia, indústria e serviços.

A preocupação climática e ambiental, a escassez de recursos energéticos e o surgimento de um mercado consumidor mais atento incitam valores de responsabilidade, transparência, produtividade, criatividade e inovação por parte das empresas, sendo este o momento de uma guinada e reformulação dos atuais modelos de negócios.


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Profissionais trabalham em um Telhado Verde
novos mercados  estão surgindo/Foto:Green for all


Segundo a pesquisa “Carreiras do Futuro”, realizada pelo Programa de Estudos do Futuro (Profuturo) da Fundação Instituto de Administração (FIA), entre as seis carreiras mais promissoras até 2020, gerente de ecorelações é a que possui maior tendência de crescimento e oportunidade de negócio. 

Este profissional irá se comunicar e trabalhar com consumidores, grupos ambientais e agências governamentais para desenvolver e maximizar programas ecológicos.

A pesquisa revelou que os aspectos mais importantes dos empregos verdes estão relacionados à inovação, busca por qualidade de vida e preocupação com a relação desenvolvimento econômico e meio ambiente. 

Daqui pra frente haverá pressão pela busca de alternativas de baixo impacto ambiental, seja na fase de desenvolvimento, produção/processo ou mesmo na fase de descarte e, no limite, na redução da poluição resultante.

Essas tendências não atuarão de forma isolada e sim interdependente, o que propicia a ação de uma sobre a as outras. 

Com isso, será possível ver, por exemplo, a busca de qualidade de vida e preocupação com o meio ambiente pressionando por inovações em diversas áreas.



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Os empregos verdes devem se multiplicar na cidade e 
também no campo/Foto:ecofriendlymag

Impacto nas empresas

Essa nova configuração nas relações de trabalho tem feito muitas empresas embarcarem no denominado "radical greening", ou “esverdeamento radical”. 

O movimento subiu da nona para a quarta posição no ranking dos 10 fatores mais desafiadores para as companhias, divulgado pelo “Relatório de Riscos para os Negócios 2009” da Ernst & Young.

Mas o que poderia ser um problema trata-se, na verdade, de uma oportunidade de tamanho maior ou igual, foi o que afirmou o diretor da empresa de consultoria, Joel Bastos, em entrevista à revista Ideia Socioambiental. 

“Quando um setor é afetado por um risco qualquer, se identificá-lo de maneira adequada e agir estrategicamente, poderá enxergar melhor a oportunidade relativa a esse desafio", avalia.




O Bundestag, parlamento alemão, definiu novas leis para estimular investimentos nas energias renováveis visando a redução da emissão de 250 milhões de toneladas de CO2 em 2020 e uma participação das energias renováveis na produção de 30% da eletricidade no mesmo ano. 

Com isto, a tecnologia ambiental será quadruplicada até alcançar 16% da produção industrial em 2030, levando o emprego no setor a superar o da indústria automobilística e de máquinas e ferramentas daquele país.


Investimentos na eficiência energética nos edifícios gerarão 3,5 milhões de empregos verdes na Europa e nos Estados Unidos. 

A reciclagem e a gestão de dejetos empregam cerca de 10 milhões de pessoas na China, onde o capital de risco verde duplicou até alcançar 19% do total dos investimentos realizados nos últimos anos.

O profissional do futuro

A capacidade de visão de futuro e uma formação multidisciplinar são elementos chaves para os profissionais que querem se dedicar aos empregos verdes. O desafio será sempre relacionar os interesses econômicos com a responsabilidade social e a eficiência ambiental e assim desenvolver uma estratégia sustentável da organização.

As novas áreas estão em todos os níveis, desde stakeholders, gestores e empresários com novos modelos de gestão, aos técnicos e criadores. 

E já é possível encontrar esses profissionais nos mais diversos ambientes, como:
  • Construção e reforma de edifícios, de forma a torná-los mais eficientes e sustentáveis;
  • Geração de eletricidade a partir de fontes renováveis;
  • Desenvolvimento e produção de veículos mais eficientes;
  • Desenvolvimento de biocombustíveis;
  • Avaliação e melhoria da eficiência energética em indústrias, residências e comércio;
  • Produção de bens a partir de processos e materiais sustentáveis;
  • Produção de alimentos orgânicos;
  • Reciclagem e reaproveitamento do lixo;
  • Tratamento, melhoria da eficiência e conservação da água, etc.
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"Esses esforços não serão bem sucedidos se não investirmos 
nas pessoas que farão esses trabalhos" - 
Rachel Gragg/Foto: Chronicle/Paul Chinn


“Novas tecnologias requerem novos conhecimento”, afirmou a diretora da Workforce Alliance, Rachel Gragg, ao site Career Builder. 

“Adotar práticas de energias limpas é fundamental para o bem-estar da nação, mas esses esforços não serão bem sucedidos se não investirmos nas pessoas que farão esses trabalhos. 

Nós precisamos de pessoas para instalar milhões de painéis solares, construir e fazer a manutenção de plantas energéticas alternativas, criar edifícios mais eficientes e manter e reparar os veículos híbridos”, ela completa.

E são essas oportunidades que chamam a atenção dos profissionais que estão de olho no futuro. 

Para o diretor da consultoria Ideia Sustentável, Ricardo Voltolini, as empresas precisarão cada vez mais de profissionais de diferentes formações, capazes de pensar o negócio a partir de uma estratégia de sustentabilidade. Serão economistas e planejadores preparados para reordenar novas equações de custo-preço ambientalmente honestas, contadores capazes de tangibilizar os ativos socioambientais e cientistas prontos para fazer pesquisa aplicada à inovação e ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.

"Vivemos uma situação de crise financeira na qual a moeda pesa muito. 

Mas imagino que diante dessas dificuldades, o mundo passe a atribuir menos valor ao dinheiro e mais a outros tipos de moeda como conhecimento, tecnologias e meio ambiente", ressalta José Roberto Kassai, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI).

É esperar (e se preparar) para ver.