Como vender a sustentabilidade?

Ainda vamos ter muito o que aprender sobre sustentabilidade, mas o primeiro passo já foi dado: a conscientização. Todos conscientizados, todos muito preocupados, mas e ai? 
Por Renersson Ricardo Agostini
 
 


Como conseguir "vender" a idéia da sustentabilidade?

Ainda não há muitas empresas destinadas a prestar consultorias no ramo, quando se procura por sustentabilidade o que mais se encontra são engenharias ambientais habilitadas e preparadas para estudos de viabilidade, onde a sustentabilidade faz parte da avaliação.

Visto o estado da arte, qual seria o cenário ideal?

O cenário ideal seriam empresas dispostas a abraçar a idéia da sustentabilidade, acreditando que isso lhe traria bons frutos a curto, médio e longo prazo e, muitos artigos, livros, discussões e consultorias dispostas a auxiliar essas empresas a chegarem ao seu nível ideal de sustentabilidade.
Algumas vezes a oferta vem antes da procura, em outras é necessário haver a procura para se criar a oferta, nesse caso nenhum dos dois lados ainda tomou frente.
Acredito que o principal culpado nisso tudo, são os fervorosos pelo tema ainda não arregaçarem as mangas para "vender" o tema às empresas e outros órgãos. Comprovando por "A mais B" que a evolução sustentável é o único caminho a ser seguido, o único caminho que nos deixa confortáveis quando pensamos no amanhã.
Algumas dicas para que se inicie o processo de "vender" a sustentabilidade:

- Economizar papel reduz os custos;

- Incentivar o plantio de árvores ativa a integração na empresa;

- Fornecedores ecologicamente corretos, normalmente também são corretos com o restante do processo;

- Embalagem ecologicamente correta tem um designe superior às demais, favorece o destaque da sua marca;

- Reciclagem lhe garante faturamento de algo que antes não existia;

- Evitar o desperdício deve garantir redução das despesas e custos;

- A sustentabilidade garante/garantira selos obrigatórios para venda em alguns países;

- O fato de garantir o equilíbrio do meio ambiente também garante que a empresa terá possíveis clientes ao longo dos anos, caso contrário, se o mundo acabar em terremotos e maremotos de nada adiantou o planejamento de 20 anos.

Devemos nos acostumar com a idéia da sustentabilidade assim como nos acostumamos com o capacete. No começo, antes de ser obrigatório, apenas os mais sensatos o usavam. Hoje, por imposição da lei, é totalmente inconcebível ver algum motociclista pilotar por aí sem o equipamento.

É melhor antecipar, ficar um passo a frente e garantir sua integração com o meio ambiente. A sustentabilidade veio para ficar, a idéia ainda não é totalmente assimilada por todos, de qualquer forma, é hora de potencializar seu negócio sustentável.
 

Indústrias integrantes da rede de sustentabilidade reúnem-se em Joinville

As 10 indústrias catarinenses que participam da Rede de Eficiência Energética e Recursos (REEF, na sigla em alemão) reuniram-se novamente ontem, segunda-feira, dia 4, na Embraco, em Joinville. 
 
 
O evento contará com a presença de profissionais da Universidade de Stuttgart, da empresa alemã Arqum e do Senai-SC, que firmaram parceria para a realização conjunta de consultoria ambiental.
No evento, os representantes das empresas trocarão experiências sobre o andamento dos projetos e assistirão palestras sobre o programa de eficiência energética do Senai Nacional, sobre eficiência energética para iluminação industrial (pela Osram do Brasil) e na geração e uso de ar comprimido (pela Kaeser Compressores).
Esta é a segunda de oito etapas do projeto, que teve início em fevereiro. As reuniões periódicas são seguidas de consultorias em todas as empresas participantes, onde são realizados diagnósticos e fornecidas orientações para a execução das atividades. As consultorias, com duração prevista de dois anos, identificarão oportunidades de refinar o uso dos recursos naturais e energia, com repercussão na redução de efluentes, resíduos sólidos e eficiência energética.
O primeiro encontro, realizado em Blumenau, em fevereiro, abordou as tecnologias inovadoras para otimizar o tratamento de água residual. A parceria entre o Senai e a universidade alemã foi fechada depois de dois anos de trabalhos em conjunto, chamados de ações de curta duração. Os trabalhos permitiram o conhecimento da forma de atuação e a identificação de potenciais clientes.
Gerenciados pela Arqum, os projetos serão financiados pelo banco DEG, ligado ao governo alemão e que apoia projetos de ciência e tecnologia. A parceria conta também com a participação da LVI (câmara de meio ambiente, ligada ao Ministério da Economia de Baden Württemberg).
A parceria com a Universidade de Stuttgart também facilitará a transformação do núcleo ambiental do Senai em Blumenau em Centro de Referência Ambiental. O núcleo oferece serviços laboratoriais e de consultoria. O Senai de Santa Catarina também mantém parcerias com instituições alemãs nas áreas de logística, e está negociando outros projetos nas áreas metalmecânica, educação a distância, entre outros.
Líder mundial no mercado de compressores para refrigeração, a Embraco é uma das empresas que integram a rede e sediará o segundo encontro. A empresa tem metas anuais de redução do consumo de água e energia em seu processo produtivo como parte de sua estratégia de sustentabilidade. As iniciativas contemplam várias ações, entre elas o reuso de água que alcança o percentual de 55% na matriz e de aproximadamente 35% na fundição.
"É muito importante ter parceiros com vasta experiência debruçados em nossos processos, ajudando a descobrir alternativas para alcançar maior eficiência energética nos diversos processos", afirma o gestor de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Embraco Brasil, André Alves. O executivo destaca, ainda, que a parceria Senai-Stuttgart vai contribuir para a empresa avançar nas práticas de gestão de resíduos. 

Programa Green Goal no 9º TurHotel




Weber Coutinho, gerente de Planejamento
e Monitoramento Ambiental da Secretaria
Municipal de Meio Ambiente
(foto: Fernando Freitas)

Pouco antes do início do segundo dia do 9º TurHotel - Salão de Turismo e Hotelaria, realizado no ExpoMinas, em Belo Horizonte (MG), aconteceu a palestra Programa Green Goal - Copa do Mundo Fifa Brasil 2014, proferida por Weber Coutinho, gerente de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte. A apresentação 2º Seminário de Gestão Hoteleira - Desafios e Oportunidades.


Com o objetivo de buscar a sustentabilidade ambiental dos hotéis existentes e em licenciamento na região de Belo Horizonte, a apresentação abordou métodos como a redução de consumo de água e energia elétrica, utilização de água de chuva e reciclagem, entre outros.


"Ainda estamos atrasados em termos de captação de energia solar, mas já vemos vários edifícios com placas fotovoltaicas [capazes de transformar a energia luminosa, proveniente do Sol ou de outra fonte de luz, em energia elétrica], para aproveitar a luz do sol", diz Coutinho.


A implementação do programa ocorrerá de 2011 a 2014 com a adesão de parceiros, definição de metas, implantação de sistemas propostos, auditorias, certificação e monitoramento.
(Fernando Freitas)


Serviço
www.turhotel.tur.br

TI Verde preocupa 500% a mais em 2 anos

Iniciativas de TI Verde, como redução do impacto ambiental e correto descarte de lixo tecnológico, estão entre as prioridades dos gestores de TI de empresas brasileiras para este ano.


É o que indica um estudo do Instituto Sem Fronteiras, realizado junto a 1.140 empresas, entre outubro de 2010 e fevereiro de 2011.
A pesquisa, voltada a identificar a tendência dos investimentos em informática em 2011, indica que 44% dos entrevistados afirmaram que já possuem uma política formal de TI verde e 15% disseram que começarão a adotar este ano.
“Comparando estes números em relação há dois anos, quando fizemos esta mesma pesquisa, houve um crescimento de 500% na adoção”, explica Angel Miríade, coordenadora do estudo.
O levantamento mostra, ainda, que 61% dos responsáveis pela área de TI já estão adotando uma política de descarte do lixo tecnológico.
Eles estão levando em consideração, na aquisição de novos produtos, que os fabricantes participem deste projeto e apresentem alternativas.
Os fornecedores também tem sido cobrados para apresentar cada vez mais produtos que consumam menos energia.
“A impressão consciente já é adotada por 71% das empresas e mais 16% começarão a adotar este ano”, destaca Angel. “A preocupação não está mais apenas na economia do custo da impressão: verificamos que a adoção de ferramentas de gestão e digitalização de documentos não para de crescer”, complementa.
Já Ivair Rodrigues, Diretor de Pesquisas do ISF, destaca que “a fase de simples redução de custos terminará logo”.
Para ele, a prática da virtualização já alcançou 80% dos servidores dos entrevistados.
“Em seguida será a vez dos PCs, storage e aplicações. Mas o próximo passo é a fase da obtenção do ISO 14.000, que está cada vez mais sendo cobrado das empresas que exportam”, destaca Rodrigues.

Publicidade se alia à disponibilidade














A propaganda brasileira deu um importante passo para promover a produção de publicidade responsável e o consumo sustentável. 
Foi anunciado nesta quinta-feira (31) durante reunião da executiva nacional da Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade) o lançamento dos “Indicadores de Sustentabilidade da Propaganda Brasileira”. O encontro está sendo realizado em Imbassai, na Bahia, e abriu o evento “Nordeste. A bola da vez”, que vai reunir até domingo empresários de comunicação de todo o país.

Quando estiverem concluídos, os indicadores de sustentabilidade serão um conjunto de parâmetros e diretrizes para que as agências de publicidade possam adotar práticas sustentáveis em suas atividades e mensurar seu grau de envolvimento nessas ações. Permitirão, na prática, que as agências façam uma auto-avaliação sobre suas práticas internas e junto a seus clientes, parceiros e fornecedores. E vão estimular as agências a colocar os impactos socioambientais em pauta na hora de criar um anúncio, de discutir um planejamento, de definir um mapa de mídia e até no momento de contratar um fornecedor. A Abap pretende com essa iniciativa criar um ranking nacional de sustentabilidade entre as agências, incentivando a adoção dessas práticas positivas.

“Vai ser um debate público e democrático”, afirma Luiz Lara, presidente da Abap, ao citar todo o processo de aprovação desses indicadores. No início de abril será lançado um hotsite com o resultado do trabalho inicial entre a Abap e a ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), em que foram listados 22 indicadores de sustentabilidade. Pelas quatro semanas seguintes serão recebidas sugestões e críticas da sociedade. Após essa fase serão realizadas rodadas técnicas presenciais com representantes de agências e de veículos. Após todos esses fóruns de discussão haverá a redação final dos índices.

“Essa é mais uma iniciativa da Abap que mostra como a indústria da propaganda funciona como uma alavanca de desenvolvimento responsável do país. A publicidade incentiva o consumo, constrói e posiciona marcas, faz a roda da economia girar. Tudo isso de forma responsável”, diz Luiz Lara. “Vivemos na era da comunicação e do conhecimento. E uma das missões da propaganda moderna é traduzir numa linguagem simples esse conceito de sustentabilidade, mostrar que ele está por trás dos hábitos diários das pessoas.”

Os indicadores iniciais, que receberão sugestões e críticas nas próximas semanas, levantam questões como: monitoramento do gasto de energia das agências, incorporação de princípios éticos, se há campanhas voluntárias para comunidades do entorno das agências, entre outras. Segundo Marcelo Diniz, um dos responsáveis pela criação desses índices, a iniciativa ajudará a mostrar o valor social da propaganda.
Em paralelo aos indicadores, será lançado o “Prêmio Abap de Sustentabilidade”, com o objetivo de estimular as agências a participarem desses processos com investimentos de responsabilidade social junto à comunidade. Haverá duas categorias: uma só para as agências de publicidade e uma para a agência em conjunto com o cliente. “Vamos premiar pela qualidade das iniciativas”, afirma Diniz.

Fonte: AdNews - via Ciclo Vivo

Pequenas ações, grandes mudanças.

Um projeto de sustentabilidade que não tenha um programa cultural promove o nada”, diz Ricardo Trento. À frente de diversos projetos de responsabilidade social, o líder da Trupe da Saúde ensina: não existem projetos ruins – existem idéias mal formatadas.
 

Uma década atrás, o ator e produtor cultural Ricardo Trento foi acompanhar o pai em um checkup de rotina num hospital em Curitiba. Ele se espantou com o clima de tristeza que viu entre os pacientes pelos corredores e quartos. “Quanta gente poderia ter acesso à arte aqui dentro”, foi a primeira coisa que pensou. Dez anos depois, a Trupe da Saúde é uma das mais bem sucedidas experiências que se conhece no Brasil de projetos que levam cultura de maneira transversal – quer dizer, fugindo da verticalidade dos projetos convencionais e levando em conta que a cultura é o único segmento que permeia todas as outras atividades humanas.
Criador e criatura: Ricardo Trento e a sua Trupe da Saúde, projeto carro-chefe da UniCultura 



















Atores com especialização em clown e técnicas de improviso, preservando as características do palhaço, percorrem hospitais de Curitiba de leito a leito, de departamento a departamento, levando a fantasia uma arma infalível: o humor. “O riso humaniza o ambiente” – aprendeu Ricardo. O projeto conta com uma equipe de 22 pessoas (12 atores e uma equipe de produção) e se sustenta na Lei Rouanet, a Lei da Cultura que permite o incentivo das empresas através do Imposto de Renda até o limite de 4% do IR devido e para pessoa física o limite é 6% do IR devido quando este faz a declaração completa. “Quando penso em sustentabilidade penso que a primeira ação é cultura.
Um projeto de sustentabilidade que não tenha um programa cultural promove o nada. Não há transformação social,  científica, tecnológica, aumento do IDH sem proposta de acesso e formação cultural. Tudo passa pela arte” – ensina Ricardo. Com a Trupe da Saúde nascia também Trento Comunicação, que começou em 2000 como uma agência de  comunicação através da arte, utilizando as leis de incentivo, e UniCultura, uma ONG que fomenta e atrai investimentos financeiros e contribui com empresas em projetos de desenvolvimento social desportivos, de inclusão social, de  formação e capacitação, de geração de emprego e renda e de comunicação colaborativa.
“Deixamos de ser uma empresa com finalidade em si para ser um instrumento de desenvolvimento social” diz Trento. “Não há projetos ruins, há idéias mal formatadas” – é a máxima de Ricardo. Nesta entrevista ele fala de seu trabalho e do alcance da cultura como ferramenta de desenvolvimento sustentável.
SB – Qual o alcance dos projetos culturais na vida das empresas?
Ricardo Trento – Nosso olhar e percepção são treinados para ver um mundo administrado pelos números, e isto é um grande engano. Se é pelo desenvolvimento econômico que se chega ao desenvolvimento social então é verdade que a empresa deixa de ser uma finalidade em si para ser este instrumento que também é responsável pela qualidade de vida do povo. Todo o projeto que é gestado na Trento usa o conceito da transversalidade, que trata a cultura em seus mais diversos conteúdos e manifestações: educação, saúde, esporte, inclusão social, atuação com criança e adolescente,  turismo, etc.
SB – Como os projetos se viabilizam?
Ricardo Trento – Como a empresa ainda tem seu foco de investimento de comunicação na grande mídia, utilizamos as leis de incentivos para poder viabilizar as ações culturais e sociais que costumam estar longe da visão estratégica das empresas tradicionais, cujos gestores e operacionais corporativos entram no mercado de trabalho sem formação  cultural, humana e pouco estimulado a desenvolver-se. Essa má formação é responsável pelo fracasso e estagnação de muitas empresas. É aí que entramos, ajudando a desenvolver e formatar as idéias.

SB – O que os projetos representam para empresas que buscam sustentabilidade?
Ricardo Trento – Representam muito. A finalidade sempre é o resultado que se colhe com cada projeto. Quando a  empresa investe em projetos sociais só para melhorar sua imagem, sem um conceito de mudança, os resultados são  ruins, a empresa perde credibilidade. Quando o projeto social é uma mentira, ao final se constata que todos perderam tempo e dinheiro desperdiçados. Quando penso em sustentabilidade penso que a primeira ação é uma ação cultural, pois a cultura promove a transformação. Tudo passa pela arte.
SB – A Trento Comunicação e a UniCultura trabalham em conjunto. Qual o foco destas duas instituições?
Ricardo Trento – Para 2011 o foco das duas instituições começa se redefinir. UniCultura como formação,  desenvolvimento de projetos e atração de recursos para pólo de investimentos sociais. E a Trento como executora,  criação de estratégias de comunicação colaborativa, de conteúdos de mídia livre e de novos modelos de comunicação com o público.
SB – Como você presta seus serviços, como é que orienta e como encaminha as idéias de clientes, parceiros, etc?
Ricardo Trento – Nada disso é possível sem uma boa equipe de trabalho. O cliente que nos procura encaminha seus projetos para avaliação da nossa equipe técnica. Não há projetos ruins, há idéias mal formatadas. Há também aquelas que já fazem parte de pensamentos vencidos, ultrapassados. A sociedade anda a passos largos, e o conhecimento aliado a arte promove a evolução do conceito. Então orientamos como serviços de consultorias. E atendemos o cliente/parceiro desde a formatação do projeto, escolha de projetos para patrocínios, toda a cadeia produtiva e econômica desde contratação e indicação de profissionais para os projetos até a prestação de contas.S
SB – Quais projetos fazem um mundo melhor?
Ricardo Trento - O mundo melhor se faz com pequenas ações e locais. Agir onde se está. Isso faz um mundo melhor. Projetos que mostram a boniteza da vida. Você não imagina a satisfação que dá perceber o olhar intrigado de uma  criança quando o Dr. Palhaço entra no quarto. Ou ver uma criança de 7 anos subir num palco: tão pequenina seus pés ainda não alcançam o pedal do piano, mas logo ela será uma jovem concertista. Estas pequenas coisas mudam o  mundo.
Trupe em Visita

Fonte: Revista Sustenta Brasil

Cidades serão 'campos de batalha' em luta contra aquecimento, diz ONU

Emissões de carros em Pequim, na China (Getty Images)
Emissões em grandes cidades são apontadas 
como parte do problema

As áreas urbanas deverão se transformar em campos de batalha dos esforços para combater a mudança climática, segundo uma avaliação da ONU.

A avaliação divulgada em um relatório da ONU afirma que as cidades do mundo são responsáveis por cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa, mas ocupam apenas 2% da cobertura terrestre do planeta.
Os autores do Relatório Global sobre Assentamentos Humanos 2011, Cidades e Mudança Climática: Direções Políticas, afirmam que, se nenhuma providência for tomada, pode ocorrer "uma colisão fatal entre mudança climática e urbanização".
O objetivo do relatório é melhorar o conhecimento de como as cidades contribuem para a mudança climática e sobre quais medidas de adaptação estão disponíveis. Para os autores, as cidades tem um consumo de energia intenso, mas o planejamento urbano efetivo poderá trazer grande economia.
Joan Clos, diretor-executivo da ONU-Habitat (braço das Nações Unidas para habitação), afirmou que a tendência global de urbanização é preocupante, levando-se em conta a tentativa de diminuir as emissões de gases de efeito estufa.
"Estamos observando como a urbanização está crescendo, passamos o limite de 50% (da população mundial vivendo em áreas urbanas)", disse à BBC.
"Não há sinais de que vamos diminuir este padrão de crescimento e sabemos que, com a urbanização, o consumo de energia é maior."
2030
De acordo com dados da ONU, estima-se que, em 2030, 59% da população mundial esteja vivendo em áreas urbanas.
A cada ano, o número de pessoas que vivem em cidades cresce em 67 milhões, 91% deste número está sendo adicionado a populações urbanas em países em desenvolvimento.
O relatório da ONU informa que as principais razões de as áreas urbanas apresentarem um consumo intenso de energia são o aumento no uso de transporte, aquecimento e ar condicionado em casas e escritórios além de atividades econômicas para geração de renda.
O relatório acrescentou que as áreas urbanas no mundo todo também são vulneráveis às potenciais consequências da mudança climática no planeta como, aumento na frequência de ondas de calor sobre a maioria das áreas terrestres, número maior de ocorrências de chuvas fortes, aumento do número de áreas afetadas pela seca, entre outros.
Além disso, de acordo com os autores do relatório, algumas áreas urbanas também enfrentarão dificuldades para fornecer serviços básicos.
"Estes desafios vão afetar o fornecimento de água, a infraestrutura física, transporte, (...) fornecimento de energia e produção industrial", segundo o relatório.
"Economias locais serão prejudicadas e as populações perderão seus bens e sustento."

Imagem noturna de satélite mostra luzes de grandes cidades do sul da Europa (SPL)
Relatório cita sul da Europa como área de risco

Um levantamento recente destacou várias regiões onde as áreas urbanas correm riscos devido a problemas causados pelo aquecimento global, como secas, deslizamentos de terra, enchentes e ciclones.
Entre as áreas destacadas estão a costa leste da América do Sul, dominada principalmente pelas grandes cidades brasileiras, e a costa oeste dos Estados Unidos, o sul da Europa, sul e sudeste da Ásia e a África subsaariana.
Ação
Joan Clos disse à BBC que, apesar de a mudança climática afetar o mundo todo, as cidades podem individualmente, ter um papel crucial na diminuição das emissões.
"A atmosfera é um bem comum, do qual todos nós dependemos, qualquer emissão é uma adição ao problema", disse.
"Consumo é feito em um nível individual, o consumo de energia também é uma escolha individual. Por isso é que os governos e comunidades locais podem ter um grande papel, mesmo quando seus governos nacionais não aceitam ou reconhecem os desafios."
O relatório pediu também para os responsáveis pelo planejamento urbano local desenvolverem uma visão para o desenvolvimento futuro que leve em conta o impacto das mudanças climáticas e incluir medidas como redução da demanda de energia e de emissões, além de planos de adaptação, como melhorar as defesas contra enchentes.
Mesmo destacando a importância de políticas e planejamento local, os autores do relatório também afirmam que políticas internacionais e nacionais tem importância no apoio às cidades e citam apoio financeiro, redução da burocracia e aumento no conhecimento a respeito da mudança climática e seus possíveis impactos.