Grupo Boticário - Gestão de sustentabilidade na cadeia de valor














Grupo Boticário revela que sua estratégia de sustentabilidade é desenvolvida para contribuir com o crescimento e a perenidade dos negócios


Para que suas decisões e iniciativas considerem as questões ambientais e sociais juntamente com as metas de crescimento e rentabilidade do negócio, o Grupo Boticário procura entender a sustentabilidade de forma integrada aos processos internos e à cadeia de valor – a partir dela, aliás, a companhia diz que é possível entender sua relação com todos os atores sociais (como chama seus públicos).

A expertise na área de sustentabilidade faz do Grupo Boticário um dos patrocinadores da Estação de Conhecimento Sustentabilidade em Foco, que ocorreu na Mostra de Conteúdos e Soluções da HSM ExpoManagement 2012.

Há cerca de dois anos, o Boticário mapeou mais de 14 áreas da organização para identificar diferentes graus de relevância e impacto para o negócio. 

Na ocasião, os stakeholders eleitos como prioritários em sustentabilidade foram colaboradores, fornecedores, franqueados e consultoras O Boticário, clientes/consumidores e acionistas. Em 2011, com o lançamento da unidade de negócio Eudora, foram planejadas ações específicas para os stakeholders "comunidade" e "representantes Eudora". 

Para 2013, serão estruturadas as ações para franqueados da nova unidade de negócio “quem disse, berenice?”.

Segundo Malu Nunes, gerente de sustentabilidade do Grupo Boticário, esses stakeholders são envolvidos em diferentes níveis de profundidade nas ações de engajamento – desde iniciativas de comunicação passando por ações de capacitação para o desenvolvimento em sustentabilidade, até parcerias para iniciativas e soluções com ganhos ambientais e sociais. 

Dessa forma, procura-se uma evolução consistente da cadeia de valor, contribuindo para a consolidação do tema no Grupo e em suas unidades de negócio. 

Nesta matéria, a executiva apresenta algumas ações para engajamento em sustentabilidade realizadas junto aos públicos priorizados.

Fornecedores

Para uma organização que expandiu significativamente a operação nos últimos três anos – conta Malu – desenvolver ações junto à cadeia de suprimentos das unidades de negócio é um desafio motivador e que reflete no crescimento e na gestão de toda essa cadeia. 

“Algumas ferramentas de gestão contribuem para a consistência desse movimento, como o Processo de Avaliação de Desempenho de Fornecedores e o Processo de Avaliação de Desempenho de Fornecedores de Serviços.”

A gerente de sustentabilidade revela que os anos de 2011 e 2012 trouxeram grandes novidades na gestão de sustentabilidade para fornecedores do Grupo, que evoluiu para uma atuação de desenvolvimento e metas compartilhadas junto à cadeia de suprimentos. 

Segundo ela, foram reestruturados os critérios de sustentabilidade para seleção e avaliação de fornecedores, que ampliaram a responsabilidade pelo produto, relações humanas e ações de ecoeficiência. 

O Grupo lançou, por exemplo, um novo questionário de autoavaliação que integra sustentabilidade e critérios de suprimentos na avaliação dos fornecedores. Em 2011, ele foi preenchido por 95% dos fornecedores estratégicos, os quais que atingiram uma pontuação média geral em sustentabilidade de 81,9%. 

Os maiores pontuadores são premiados no Encontro Anual de Fornecedores, onde a companhia compartilha tendências de mercado, avaliações de cenários, metas de crescimento da organização e desafios para atuação conjunta na conquista desses resultados. 

Entre outras ações, Malu destaca também o guia Gestão de Sustentabilidade Fornecedores 2011, com diretrizes práticas para a gestão da sustentabilidade nos negócios dos parceiros, e a circulação de informativos eletrônicos chamados e-News para Fornecedores, que contemplaram assuntos corporativos e orientações relevantes para esse público, entre eles a sustentabilidade.

Franqueados O Boticário

A unidade de negócio O Boticário desenvolve, desde 2005, a gestão da sustentabilidade para a rede de franquias. 

O programa oferece aos franqueados os Cadernos de Sustentabilidade. Lançados em 2011, os materiais reúnem diversas orientações para aplicar, de forma prática, a sustentabilidade no dia a dia das lojas e na gestão do negócio. 

São enfocados os temas de sustentabilidade priorizados para o franqueado, complementando as instruções do Manual de Operações, que direciona as atividades do setor de franchising. 

Malu destaca que um grande diferencial nesse processo é a integração das questões referentes à sustentabilidade no Instrumento de Análise de Franquias (IAF). 

Aplicada anualmente, essa ferramenta tem com o objetivo analisar a gestão dos grupos de franquias, identificar pontos de melhoria e acompanhar a evolução do negócio. 

“Os grupos com melhores resultados formam um ranking, que dá origem às melhores práticas de gestão, disseminadas para a rede”, explica, apontando que os destaques no IAF são reconhecidos na Convenção Anual de Franqueados, onde o tema sustentabilidade tem uma premiação exclusiva.

A Convenção Anual de Franqueados reúne todos os operadores homologados da rede, com o objetivo de apresentar novas estratégias do negócio, realizar treinamentos/workshops, apresentar resultados, lançar produtos, apresentar novos ciclos, incluindo a campanha do Natal, e promover a integração e a confraternização da rede. 

Clientes/consumidores

Outro ator importante no modelo de negócio sustentável do Boticário é o consumidor. Um exemplo de ação é a ampliação da oferta de produtos com opção de refil em diferentes linhas e do Programa Reciclagem de Embalagens na rede de franquias O Boticário, pelo qual os consumidores têm à disposição, nas lojas, um coletor para devolução das embalagens vazias, auxiliando na redução dos impactos ambientais no ciclo de vida do produto.

A empresa considera seu Centro de Relacionamento com o Cliente (CRC) um canal de grande valia que possibilita medir o grau de satisfação do consumidor com a empresa, fornecendo dados para indicadores como Net Promoter Score (NPS), Índice de Esforço do Consumidor, Índice de Satisfação do Consumidor e Índice de Anti-attrition.

Especificamente, visando ampliar os canais de comunicação sobre sustentabilidade com esse público, em 2012 a companhia distribuiu folders com informações práticas sobre o tema e como aplicá-lo de forma simples no dia a dia, nos diversos pontos de vendas das franquias O Boticário e por meio da venda direta da unidade de negócio Eudora.

Comunidade

A estratégia de sustentabilidade do Grupo Boticário junto à comunidade tem como foco a formação profissional para o desenvolvimento local, a partir do incentivo à geração de emprego e renda. 

Na planta de São José dos Pinhais (PR), por exemplo, uma parceria com o SENAI possibilitou a realização do curso Operador de Processo de Fabricação, oferecido gratuitamente para a comunidade, com a formação de duas turmas nos meses de novembro e dezembro de 2011. 

 “Alinhado à necessidade de capacitação da região para o trabalho em indústrias, esse formato beneficia tanto a comunidade como o negócio do Grupo Boticário, ao contemplar conteúdos vinculados às principais demandas e competências exigidas pelo setor industrial”, comenta Malu.

Na área de Recrutamento e Seleção, a relação com a comunidade se dá pela oferta de oportunidades por meio da Agência do Trabalhador (site nacional de empregos) e da Guarda-Mirim local. 

Em 2011, 44% das contratações realizadas pela organização atenderam demandas das áreas administrativa e operacional, sendo 425 vagas preenchidas em São José dos Pinhais e 34 em Registro (SP). 

Resíduos hospitalares


ALBERGUES BRASILEIROS RECEBEM CARTILHA SOBRE SUSTENTABILIDADE


Serão distribuídas cerca de oito mil cartilhas do Passaporte Verde em todos os albergues do País

A partir deste mês, os mais de 90 albergues espalhados pelo país receberão exemplares do Passaporte Verde, uma cartilha que traz dicas de viagens e estimula a reflexão sobre a sustentabilidade. 

A ação é uma parceria do Ministério do Turismo com a Federação Brasileira de Albergues da Juventude (FBAJ). Ao todo serão distribuídos oito mil exemplares.

A ideia é aproveitar o período de alta temporada, no qual a ocupação dos albergues chega a 80%, para promover a educação ambiental. 

“Aproveitamos a viagem dos alberguistas para conscientizá-los das questões ambientais, que vão desde o respeito ao patrimônio à economia de energia e água”, afirmou a presidente da FBAJ, Maria José Giaretta.

Lançada em junho, durante a Rio + 20, a cartilha faz parte da campanha coordenada pelo Ministério do Turismo e o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). 

O Passaporte Verde busca estimular a reflexão sobre a sustentabilidade, mostrando que atitudes simples, como o consumo responsável e o uso racional dos recursos naturais, favorecem a proteção dos destinos turísticos.

Fonte: Ministério do Turismo e Portal Brasil

Mergulhos para limpar o Tietê


José Leonídio Santos trabalha há 20 anos na limpeza de dois rios que estão entre os mais poluídos do mundo

Os rios Tietê e Pinheiros, que atravessam São Paulo, metrópole de 20 milhões de habitantes, fluem sem maiores problemas em algumas partes. Mas, em certos trechos, eles praticamente escorrem. 

Suas águas podem ser descritas talvez, como “cinzentas”, e o aroma, reminiscente de ovos podres, pode causar náusea nos transeuntes.

José Leonídio Rosendo dos Santos mergulha em ambos os rios há mais de 20 anos. Contratado principalmente para desentupir as grades de escoamento, ele varre as profundezas turvas do Tietê e do Pinheiros, há décadas símbolos da degradação ambiental da capital paulista, para trazer à superfície uma lista de itens que é sinistra e bizarra.
Lalo de Almeida/NYT
Lalo de Almeida/NYT / José dos Santos chama a atenção dos motoristas pela coragem em mergulhar no rio poluído e pelo traje de plástico grosso, feito para ser imune à sujeira...Ampliar imagem
José dos Santos chama a atenção dos motoristas pela coragem em mergulhar no rio poluído e pelo traje de plástico grosso, feito para ser imune à sujeira...
Proteção
Para afastar a sensação de sujeira, José se vale de uma dose de rum
José dos Santos é dono de um capacete de mergulho Kirby Morgan, que veste com orgulho, e nunca toca a água sem seu equipamento de proteção, feito de plástico e mais espesso que uma roupa de mergulho comum. Há o medo de encontrar alguma carcaça ou de rasgar a roupa de mergulho com algum pedaço de metal, o que poderia levar a infecções. “Após cada mergulho, eu tomo uma dose de rum Montilla Carta Ouro”, ele diz. “Me ajuda a me sentir limpo”.
Mas José diz que os rios da cidade estão um pouco mais limpos do que já foram. Ele vem encontrando menos cadáveres nos últimos anos. Seus mergulhos também lhe deram uma perspectiva rara sobre essa cidade intimidadora. “Quando mergulho lá embaixo, tudo fica absolutamente quieto. É como estar no espaço, ponderando sobre uma civilização que chegou à beira da destruição.”
Ao longo dos anos, as coisas que ele retirou dos rios – as quais ele é obrigado a entregar às autoridades – incluem uma bolsa com R$ 2 mil dentro, armas de fogo, facas, fogões e geladeiras, incontáveis pneus de automóveis, e, dentro de uma outra bolsa, os restos em decomposição de uma mulher que havia sido esquartejada. “Eu parei de olhar as bolsas depois disso”, diz José, de 48 anos.
Ele admite prontamente que esse não é um trabalho para qualquer um. Mas, para José, um surfista que entrou no ramo do mergulho para bancar o seu hobbie, o trabalho lhe rendeu um grau incomum de notoriedade e admiração dos paulistanos.
No meio dos engarrafamentos nas marginais, alguns motoristas param o carro e tiram fotos com smartphones ao verem José se preparando para mergulhar. Apresentadores de televisão ficam admirados com sua coragem. Um jornal paulistano, ao descrevê-lo em sua roupa de mergulho, o comparou a um “super-herói japonês”.
Segundo reconta o historiador Janes Jorge em seu livro Tietê: o rio que a cidade perdeu, este era adorado pelos residentes de São Paulo do meio do século passado, quando eles pescavam, nadavam e faziam corridas de barco em suas águas. E então São Paulo floresceu como uma das maiores cidades do mundo, e os dejetos de todas as pessoas e fábricas que se desenvolveram por toda a área metropolitana foram sendo despejados diretamente no Tietê e no Pinheiros.
Os rios agora persistem na cultura popular do Brasil como alvos de diversas sátiras. Bandas como Skank já compuseram canções sobre o sonho aparentemente impossível de despoluir o Tietê. 
O cartunista Laerte Coutinho criou toda uma tirinha chamada “Piratas do Tietê”, em que os protagonistas navegam pelo rio malcheiroso em expedições de pilhagem pela São Paulo contemporânea.
José insiste que jamais viu piratas navegando pelo Tietê ou seus afluentes, mas disse já ter visto outros seres vivos por lá. 
Garças passeiam, na ponta dos pés, em algumas margens. Capivaras, os maiores roedores do mundo, rolam na lama em alguns trechos do Tietê e Pinheiros. 
E sabe-se que jacarés já foram vistos emergindo dos rios, cansados, porém ainda resistentes.
Tradução: Adriano Scandolara.
Despoluição é feita há 20 anos de forma lenta
Desde 1992, as autoridades vêm avançando com um projeto lento e detalhado para despoluir o Tietê e o Pinheiros. Os líderes políticos brasileiros dizem que os esforços para a purificação dos rios, financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, estão indo bem. 
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que, por volta de 2015, barcos poderiam ser usados para levar turistas para conhecer as maravilhas de São Paulo através do Tietê.
Cientistas brasileiros apontam para precedentes de processos de despoluição de rios cruciais, como Paris fez com o Sena, ou Londres com o Tâmisa, permitindo que salmões se criassem lá, décadas após eles terem desaparecido.
Limpar o Tietê e seus afluentes, no entanto, oferece complicações próprias, e uma das mais importantes delas é o acesso ao tratamento de esgoto. 
Essa deficiência ameaça a única cidade verda­­deiramente global do país, on­de fundos de cobertura habitam enormes arranha-céus pós-modernos, consumidores abastados desfrutam de shoppings de luxo, e onde é tão provável que imigrantes falem castelhano quanto quéchua.
Ao mesmo tempo, 4 milhões de pessoas – cerca de 20% da população metropolitana de São Paulo – ainda não têm saneamento básico, de acordo com Mônica Porto, especialista em recursos hídricos da Universidade de São Paulo. Até 2011, Guarulhos, cuja população é de 1,3 milhões e que abriga o aeroporto internacional da cidade, não tratava quase nada do seu esgoto.
O progresso no processo de conectar mais domicílios ao sistema de esgoto vem sido feito lentamente. Mas a geografia acidentada de São Paulo e sua rede confusa de favelas, que persistem em áreas próximas aos rios, fazem com que essa tarefa seja difícil. 
Assim, os dejetos de milhões de habitantes, juntamente com dejetos industriais de origem duvidosa, ainda fluem para essas águas que já foram muito estimadas pelos paulistanos.
“Precisamos ajustar nossas expectativas”, afirma Porto, que deu um aviso contra as projeções de que os rios poderiam logo recuperar seus ecossistemas. “
Por volta de 2030 poderíamos ter rios dos quais não teremos vergonha.”

Hotel em Sergipe aposta na sustentabilidade para atrair turistas


Local usa energia solar e pretende aproveitar a água da chuva.
Empresário investiu R$ 500 mil para montar pousada.
Fonte: Do PEGN TV









Aracaju tem 35 km de orla marítima. Não é à toa que mais de 300 mil turistas visitaram Sergipe nos quatro primeiros meses do ano, de acordo com a Secretaria de Turismo do estado. A estimativa é que chegue a quase um milhão até este final de ano.

Empresas da rede hoteleira apostam num diferencial para manter e conservar este cenário, e atrair ainda mais clientes: a sustentabilidade.

O hotel do empresário Álvaro Rollemberg foi aberto em 1986. Com investimento inicial de R$ 500 mil, ele construiu sete chalés com capacidade para alojar 30 pessoas. Hoje, o alvo principal é investir em práticas ecológicas.

“Serviço de qualidade é um ponto crucial pra nós, mas a gente tem que aliar também a uma política sustentável”, diz o empresário.

Para melhorar o serviço, Rollemberg buscou qualificação. Ele participou do programa selo de qualidade, mantido pelo Sebrae e por outras instituições do setor turístico de Sergipe.

“Selo de qualidade do Sebrae é uma ferramenta que a gente utiliza para analisar os pontos fortes e os pontos fracos das empresas na área de qualidade em serviços”, diz Bianca de Farias, do Sebrae de Aracaju.

As empresas que participam do programa têm três compromissos: melhorar a qualificação dos funcionários; manter instalações e equipamentos limpos e perfeitos; e adotar normas de higiene e segurança alimentar. O prazo para atender às exigências é de 30 dias.

“O Sebrae sempre está trabalhando com a parte de ações específicas sobre a parte de sustentabilidade. Energias renováveis, a parte de aquecimento solar para poder preservar a natureza”, diz Bianca.

Hoje o hotel tem 64 apartamentos, onde se hospedam quase 20 mil pessoas por ano.

O sol na praia do Atalaia, tão festejado pelos hóspedes, também gera economia ao hotel. 

“Você reduz custo e muitos clientes sentem-se satisfeitos, [ao ver] você aplicando uma política dessas na empresa”, diz Rollemberg.

O uso de energia alternativa foi uma das ações adotadas por Álvaro Rollemberg. A água que é usada na maioria dos chuveiros e na cozinha é aquecida com 24 placas como aquelas. A economia de energia com a ação foi de 20%. 

O empresário tem outro projeto para reduzir em 120 mil litros por mês o uso da água que vem da rede pública, construindo um reservatório para aproveitar a água da chuva.

Algumas atitudes simples também reduzem o impacto ambiental do empreendimento. 

As descargas têm a opção de 3 e 6 litros, e os hóspedes são aconselhados a não trocar as toalhas sem necessidade, o que diminui o gasto de água na lavanderia.

Mergulhos para limpar o Tietê


José Leonídio Santos trabalha há 20 anos na limpeza de dois rios que estão entre os mais poluídos do mundo
THE NEW YORK TIMES
Os rios Tietê e Pinheiros, que atravessam São Paulo, metrópole de 20 milhões de habitantes, fluem sem maiores problemas em algumas partes. Mas, em certos trechos, eles praticamente escorrem. Suas águas podem ser descritas talvez, como “cinzentas”, e o aroma, reminiscente de ovos podres, pode causar náusea nos transeuntes.
José Leonídio Rosendo dos Santos mergulha em ambos os rios há mais de 20 anos. Contratado principalmente para desentupir as grades de escoamento, ele varre as profundezas turvas do Tietê e do Pinheiros, há décadas símbolos da degradação ambiental da capital paulista, para trazer à superfície uma lista de itens que é sinistra e bizarra.
Lalo de Almeida/NYT
Lalo de Almeida/NYT / José dos Santos chama a atenção dos motoristas pela coragem em mergulhar no rio poluído e pelo traje de plástico grosso, feito para ser imune à sujeira...Ampliar imagem
José dos Santos chama a atenção dos motoristas pela coragem em mergulhar no rio poluído e pelo traje de plástico grosso, feito para ser imune à sujeira...
Proteção
Para afastar a sensação de sujeira, José se vale de uma dose de rum
José dos Santos é dono de um capacete de mergulho Kirby Morgan, que veste com orgulho, e nunca toca a água sem seu equipamento de proteção, feito de plástico e mais espesso que uma roupa de mergulho comum. Há o medo de encontrar alguma carcaça ou de rasgar a roupa de mergulho com algum pedaço de metal, o que poderia levar a infecções. “Após cada mergulho, eu tomo uma dose de rum Montilla Carta Ouro”, ele diz. “Me ajuda a me sentir limpo”.
Mas José diz que os rios da cidade estão um pouco mais limpos do que já foram. Ele vem encontrando menos cadáveres nos últimos anos. Seus mergulhos também lhe deram uma perspectiva rara sobre essa cidade intimidadora. “Quando mergulho lá embaixo, tudo fica absolutamente quieto. É como estar no espaço, ponderando sobre uma civilização que chegou à beira da destruição.”
Ao longo dos anos, as coisas que ele retirou dos rios – as quais ele é obrigado a entregar às autoridades – incluem uma bolsa com R$ 2 mil dentro, armas de fogo, facas, fogões e geladeiras, incontáveis pneus de automóveis, e, dentro de uma outra bolsa, os restos em decomposição de uma mulher que havia sido esquartejada. “Eu parei de olhar as bolsas depois disso”, diz José, de 48 anos.
Ele admite prontamente que esse não é um trabalho para qualquer um. Mas, para José, um surfista que entrou no ramo do mergulho para bancar o seu hobbie, o trabalho lhe rendeu um grau incomum de notoriedade e admiração dos paulistanos.
No meio dos engarrafamentos nas marginais, alguns motoristas param o carro e tiram fotos com smartphones ao verem José se preparando para mergulhar. Apresentadores de televisão ficam admirados com sua coragem. Um jornal paulistano, ao descrevê-lo em sua roupa de mergulho, o comparou a um “super-herói japonês”.
Segundo reconta o historiador Janes Jorge em seu livro Tietê: o rio que a cidade perdeu, este era adorado pelos residentes de São Paulo do meio do século passado, quando eles pescavam, nadavam e faziam corridas de barco em suas águas. E então São Paulo floresceu como uma das maiores cidades do mundo, e os dejetos de todas as pessoas e fábricas que se desenvolveram por toda a área metropolitana foram sendo despejados diretamente no Tietê e no Pinheiros.
Os rios agora persistem na cultura popular do Brasil como alvos de diversas sátiras. Bandas como Skank já compuseram canções sobre o sonho aparentemente impossível de despoluir o Tietê. O cartunista Laerte Coutinho criou toda uma tirinha chamada “Piratas do Tietê”, em que os protagonistas navegam pelo rio malcheiroso em expedições de pilhagem pela São Paulo contemporânea.
José insiste que jamais viu piratas navegando pelo Tietê ou seus afluentes, mas disse já ter visto outros seres vivos por lá. Garças passeiam, na ponta dos pés, em algumas margens. Capivaras, os maiores roedores do mundo, rolam na lama em alguns trechos do Tietê e Pinheiros. E sabe-se que jacarés já foram vistos emergindo dos rios, cansados, porém ainda resistentes.
Tradução: Adriano Scandolara.
Despoluição é feita há 20 anos de forma lenta

Desde 1992, as autoridades vêm avançando com um projeto lento e detalhado para despoluir o Tietê e o Pinheiros. Os líderes políticos brasileiros dizem que os esforços para a purificação dos rios, financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, estão indo bem. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que, por volta de 2015, barcos poderiam ser usados para levar turistas para conhecer as maravilhas de São Paulo através do Tietê.

Cientistas brasileiros apontam para precedentes de processos de despoluição de rios cruciais, como Paris fez com o Sena, ou Londres com o Tâmisa, permitindo que salmões se criassem lá, décadas após eles terem desaparecido.

Limpar o Tietê e seus afluentes, no entanto, oferece complicações próprias, e uma das mais importantes delas é o acesso ao tratamento de esgoto. Essa deficiência ameaça a única cidade verda­­deiramente global do país, on­de fundos de cobertura habitam enormes arranha-céus pós-modernos, consumidores abastados desfrutam de shoppings de luxo, e onde é tão provável que imigrantes falem castelhano quanto quéchua.

Ao mesmo tempo, 4 milhões de pessoas – cerca de 20% da população metropolitana de São Paulo – ainda não têm saneamento básico, de acordo com Mônica Porto, especialista em recursos hídricos da Universidade de São Paulo. Até 2011, Guarulhos, cuja população é de 1,3 milhões e que abriga o aeroporto internacional da cidade, não tratava quase nada do seu esgoto.

O progresso no processo de conectar mais domicílios ao sistema de esgoto vem sido feito lentamente. Mas a geografia acidentada de São Paulo e sua rede confusa de favelas, que persistem em áreas próximas aos rios, fazem com que essa tarefa seja difícil. Assim, os dejetos de milhões de habitantes, juntamente com dejetos industriais de origem duvidosa, ainda fluem para essas águas que já foram muito estimadas pelos paulistanos.

“Precisamos ajustar nossas expectativas”, afirma Porto, que deu um aviso contra as projeções de que os rios poderiam logo recuperar seus ecossistemas. “Por volta de 2030 poderíamos ter rios dos quais não teremos vergonha.”

Sustentabilidade: O que esperar para 2013



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2013 nasce sob a esperança de que os encaminhamentos feitos em 2012 venham a se tornar resultados concretos

O ano de 2012 pode até não ter realizado, em sua plenitude, todos os acordos e políticas relacionadas ao desenvolvimento sustentável mundial. Contudo, também é verdade que encaminhou e desenvolveu um pouco mais cada uma dessas demandas - ou ao menos a maioria delas.

O início de 2013 pode marcar o começo de um novo ciclo. O que podemos esperar? O EcoD listou algumas das principais projeções na tentativa de antever o que está por vir.


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Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma: entidade fortalecida


Fortalecimento do Pnuma
Considerado o maior evento da história sobre sustentabilidade, a Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro, conseguiu avanços importantes, a exemplo do engajamento da sociedade civil organizada com a causa e outros acordos. Um deles foi o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que terá seu papel reforçado e ampliado.

A intenção é que a instituição consiga mais verba do organismo internacional, além de solicitar outros doadores para contribuições voluntárias.

A decisão também permite, a partir de 2013, a participação de todos os 193 países membros da ONU no Conselho do Pnuma, que atualmente é representado por 58 nações.

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Desenvolvimento das energias renováveis deverá ser definido como uma das metas do desenvolvimento sustentável


Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
As metas a serem perseguidas pelos países para avançar nas áreas ambiental, política e social eram uma das grandes cartadas para a Rio+20. Os objetivos não foram definidos, mas ao menos o processo de elaboração foi anunciado. As metas deverão estar prontas até 2013, no intuito de entrarem em vigor em 2015, quando termina o prazo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Dessa forma, os governos teriam até 2018 para cumprirem os ODS.

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Autoridades comemoram desfecho da Rio+20. Hora de cobrar resultados é agora


Cumprimento dos acordos da Rio+20
Durante a Rio+20, em junho, empresas, instituições financeiras, universidades e governos locais firmaram 692 acordos, que deverão mobilizar, segundo a ONU, US$ 513 bilhões de dólares para as causas do desenvolvimento sustentável. Portanto, nada mais natural que esses compromissos comecem a ser honrados a partir de 2013.

Entre eles estão políticas que desenvolvam o empoderamento da mulher e a inclusão do tema sustentabilidade nos currículos de todas as instituições de nível superior do Brasil.

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COP-18, em Doha, definiu a prorrogação do Protocolo de Kyoto, mas um novo acordo deverá ser elaborado


Reuniões para definir novo acordo climático
Em 2020, quando o Protocolo de Kyoto perder sua validade, os países pretendem pôr em ação um novo acordo, que estabeleça metas para todas as nações. Essa será a pauta da próxima grande reunião, que será em 2015, em Paris (França).

Antes disso, reuniões preliminares serão realizadas em 2013 e 2014 - a primeira delas está marcada para abril de 2013, em Bonn (Alemanha). O maior desafio dos negociadores será incluir os dois maiores poluidores do planeta: a China e os Estados Unidos.

Lembrança importante: a 19ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-19) será realizada em Varsóvia, na Polônia, em novembro. O país-sede europeu, extremamente dependente do carvão, dificultou as negociações em Doha (COP-18) e conta com a desconfiança da comunidade internacional quanto a capacidade de liderar o evento.

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Parlamentares deverão votar os vetos presidenciais à MP do Código Florestal no primeiro semestre de 2013

Código Florestal: votação dos vetos

O Congresso aprovou a medida provisória do Código Florestal Brasileiro em setembro de 2012. Porém, a presidente Dilma Rousseff anunciou nove vetos ao texto no dia 18 de outubro. 

As alterações presidenciais resgatam o teor do governo para o texto, pois suspende trechos que beneficiavam os grandes produtores rurais e cria regras diferentes de recomposição nas margens de rios.

Segundo a lei, tais vetos deveriam ser votados pelo Congresso Nacional em um prazo de 30 dias, o que deixou de acontecer, porque a Casa tinha mais de 2.000 vetos para apreciar na fila. A celeuma, portanto, fica para 2013, ainda sem data definida.


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Nova lei estabelece o fim dos lixões até 2014, mas municípios podem ter o prazo prorrogado


Política Nacional dos Resíduos Sólidos
Sancionada em 2010 e cujas principais metas começam a valer a partir de 2014, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) registrou avanços e fracassos em 2012.

O lado ruim é que apenas 10% dos municípios brasileiros entregaram, em tempo hábil, o Plano Nacional dos Resíduos Sólidos, uma exigência do governo federal para fazer os repasses de verba. Os prefeitos em falta alegaram falta de recursos e prazo curto para acabar com os lixões e implantar a coleta seletiva.

A tendência é de que o governo federal prorrogue as ações desses planos em 2013, a fim de oferecer mais tempo para os municípios de adequarem. 

O lado positivo a se esperar, em relação a PNRS, é relacionado a logística reversa. A exemplo do que fez o setor de óleos lubrificantes em dezembro de 2012, os segmentos de embalagens (de forma geral), de lâmpadas, de medicamentos, de vidros e de resíduos eletroeletrônicos devem assinar acordo setorial com o governo federal e entidades representativas, a fim de os empresários se responsabilizem pela reciclagem.

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Maracanã, que será inaugurado em 2013, terá usina de energia solar

Copa das Confederações

Em junho de 2013 o Brasil sediará a Copa das Confederações, uma prévia da Copa do Mundo de 2014, que também será realizada aqui no país. Podemos esperar que o evento apresente uma série de iniciativas sustentáveis, como o "Passaporte Verde" para turistas que venham assistir aos jogos, desenvolvimento da mobilidade urbana nas cidades-sede, arenas que utilizarão energia solar (Mineirão, Maracanã, Mané Garrincha e Arena Pernambuco), entre outros fatores.

Mas, fica a dica: muito além de esperar é cada um de nós fazer a nossa própria parte por um mundo mais sustentável!