Brasil ganha centro de pesquisas de mais de R$ 1 bilhão focado em inovação

A inovação gera riquezas, trabalho e transforma cidades. É o que afirma Jeff Immelt, CEO global da GE, empresa que acaba de investir mais de R$ 1 bilhão em um centro de pesquisas que trabalha a ciência e a tecnologia a fim de oferecer soluções inteligentes e criativas para problemas locais e que possam ser adaptadas em escala global. Nesta quinta-feira (13), o Hypeness esteve presente no evento de inauguração do Centro de Pesquisas Global da GE, naIlha do Bom Jesus, Rio de Janeiro (RJ), e viu de perto o que esta ousada iniciativa tem a oferecer para transformar a ciência e a tecnologia no Brasil.

O espaço de 24 mil metros quadrados do Centro conta com sofisticados laboratórios para testes e desenvolvimentos de produtos que envolvem alguns dos principais setores da indústria brasileira, como o petróleo e o gás, as energias renováveis e os transportes aéreo e ferroviário. 

Um exemplo do que já está sendo feito é o projeto Céus Verdes do Brasil, que nasceu de uma pesquisa em âmbito nacional, com a participação do DECEA, Secretaria da Aviação Civil, GOL, AZUL, ANAC, Infraero, ABEAR, e Petrobras CENPES, entre outras.

Nele, os parceiros e pesquisadores desenvolveram uma plataforma tecnológica para tornar mais eficiente o controle do tráfego aéreo brasileiro. 

O resultado dos testes realizados não deixa dúvidas sobre sua importância: em cada aeronave foi constatada uma economia média de 113,5 litros de combustível, 35 segundos a menos no tempo da rota e 272 kg de gás carbônicoque deixaram de poluir o meio ambiente.

A GE trabalha junto à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 2011, ano em que a empresa se instalou na cidade com o objetivo de se dedicar à inovação. Se antes os pesquisadores brasileiros precisavam recorrer a outros países para colocar em prática suas ideias, agora isso pode ser feito no centro de inovações da GE, que já conta com mais de140 engenheiros – cerca de 96% deles brasileiros. 

A ponte entre universidade e empresa privada, algo que até pouco tempo não acontecia no Brasil, estimula alunos e docentes a transformarem ideias em realidade, dando a eles e ao mundo uma oportunidade real de mudança.

SONY DSC

Este é o quinto Centro de Pesquisas Global que a GE inaugura fora dos Estados Unidos e o 9º no mundo. 

A iniciativa por espalhar seus hubs de inovação nas mais diversas partes do planeta está relacionada ao conceito de inovação local adotado pela empresa. “A abertura de um novo Centro de Pesquisas no Brasil permite a GE inovar localmente para clientes na América Latina e, então, expor essas inovações para o mundo inteiro”, explica Immelt. 

A ideia é que soluções para problemas específicos locais são criadas com o conhecimento também local e esses produtos podem, então, ser adaptados para situações globais.

A GE acredita na tecnologia como potencial agente transformador de realidades. Mas para que haja inovação, a aquisição de conhecimento deve ser constante. No terceiro andar do prédio recém-inaugurado está a Crotonville, a sexta filial da 1ª universidade corporativa do mundo, criada pela GE em 1956, em Nova York (EUA). 

Em um espaço criativo e desafiador, funcionários da empresa têm acesso a cursos sobre liderança e inovação. 

“O momento que o mercado brasileiro está vivendo é importante para a GE. Por isso, surgiu a necessidade de abrir um Centro de Pesquisas da GE no Brasil e de localizar as necessidades dos nossos clientes. 

E não tem como fazer isso sem desenvolver nossos funcionários que atuam por aqui”, explica Pablo Vera, líder de Treinamentos da GE na América Latina.

SONY DSC
“GE Crotonville: Construindo um mundo melhor. Um líder de cada vez.”

A GE investe de 5% a 6% de sua receita industrial em inovação e pesquisa. Só em 2013, osCentros de Pesquisas Global da empresa foram responsáveis por 2.839 patentes. São quase 3 mil novas ideias que, seguindo o ímpeto inovador de Thomas Edison, fundador da empresa, tiveram a chance de serem testadas e transformadas em soluções que tornam o mundo mais produtivo e sustentável. Vendo tudo isso de perto, não restam dúvidas de que #dáparainovar!

SONY DSC
O Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil ocupa uma área de 24 mil metros quadrados na Ilha do Bom Jesus, no Rio de Janeiro (RJ).

SONY DSCSONY DSC
Produtos da divisão Measurement & Control. Essas tecnologias fazem medição e controle, a partir de cenários reais, nos mais variados segmentos da indústria. Dessa forma, equipamentos e estruturas funcionam de forma mais produtiva, diminuindo a chance de apresentarem falhas.

SONY DSC
SONY DSC
SONY DSC
SONY DSC
Esta gaiola é utilizada para verificar vazamentos em tubulações submarinas. Utilizando uma série de microfones especiais, ela consegue identificar válvulas abertas ou falhas ao longo dos tubos por meio de detecção acústica.

SONY DSC
SONY DSC
O terceiro andar do Centro de Pesquisas Global é inteiramente dedicado à Crotonville, a conhecida universidade corporativa da GE. Com investimento de US$ 50 milhões, é aí que funcionários da GE de toda a América Latina receberão treinamentos focados em inovação e criatividade.

SONY DSC
Em Crotonville, 85 opções de cursos, que têm duração de 1 dia a 2 anos, buscam formar líderes que fomentem o uso da tecnologia e da ciência como soluções inteligentes.
SONY DSC
Crotonville foi criada em 1956, em Nova York, sendo a primeira universidade corporativa da história. Em homenagem ao seu ano de fundação, todas as seis unidades da Crotonville pelo mundo (Nova York – EUA, Rio de Janeiro – Brasil, Xangai – China, Bangalore – Índia, Abu Dhabi – Emirados Árabes e Munique – Alemanha) contam com o Café 56, um espaço aconchegante que, além de estimular a criatividade, permite a troca de experiências e de conhecimento.
SONY DSC
A vista do terraço do Centro de Pesquisas Global no Rio de Janeiro é pra lá de inspiradora!

SONY DSC
Durante o evento de inauguração do Centro de Pesquisas Global da GE, keynotes e paineis tiveram a inovação como tema principal.
SONY DSC
O evento contou com a presença de Jeff Immelt, presidente e CEO global da GE, Reinaldo Garcia, presidente e CEO das operações na América Latina, John Rice, vice-presidente global da empresa e autoridades públicas como o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes.
SONY DSC

Para saber mais, acesse aqui.
Todas as fotos © Bruna Rasmussen/Hypeness

PNUD e MMA lançam edital para selecionar 20 edifícios públicos para participar de ações de eficiência energética

O projeto irá também desenvolver ferramenta para indicar a situação energética de prédios públicos do Brasil, mostrando o consumo de cada um em relação à média nacional.




PRÉDIOS PÚBLICOS DE TODO O PAÍS E DE TODAS AS ESFERAS DO PODER PODEM PARTICIPAR DO PROJETO DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA. FOTO: MOISES.ON/FLICKR CC


Confira o edital sobre os critérios de participação no benchmarking e para a seleção dos 20 edifícios públicos que receberão um diagnóstico energético e medidores de consumo.

Clique aqui para acessar o formulário de inscrição.


07 Novembro 2014

do PNUD


Estão abertas, até dia 31/12, as inscrições para que agentes do setor público candidatem os seus edifícios para fazer parte de um estudo de benchmarking de eficiência energética em edificações públicas do Brasil. 

No país, a administração pública direta e indireta conta com mais de 22.000 edificações próprias e 1.400 imóveis alugados. 

Essas edificações juntamente com prédios comerciais e de serviços são responsáveis por quase 20% de todo o consumo energia elétrica do Brasil. 

O projeto pretende receber inscrições  de ao menos 300 edifícios para a realização de um benchmarkingde consumo de energia elétrica em prédios públicos de escritórios acima de 500m2, que  será feito por meio de um processo de avaliação de dados que visa acessar o cenário do consumo energético de edifícios públicos e comparar seus desempenhos.  

Para participar, os agentes do setor público devem preencher um formulário e fornecer – em caráter estritamente confidencial – 
dados simples de consumo energético de seus edifícios, que consistem em: 

contas de energia dos últimos 12 meses; 
área do edifício (com comprovação pelo IPTU ou outra fonte); 
e contatos de email e telefone do interlocutor responsável. 

O formulário deve ser preenchido e enviado pelo correio de acordo com as orientações do edital.

Todos os participantes que fornecerem os dados para o desenvolvimento do benchmarking, terão informações sobre o atual status de seus edifícios em relação à linha de base de consumo de energia em nível nacional.

Além disso, 20 edifícios com baixo desempenho em eficiência energética serão selecionados segundo critérios técnicos para participarem da fase de projetos demonstrativos. 

Esses edifícios receberão: um diagnóstico de seu consumo situação energética; a instalação de sistema de medição com gerenciamento local; e capacitação para a utilização dos medidores.

Desses 20 edifícios, os que apresentarem melhor potencial de economia e comprometimento de gestores receberão também assessoria técnica para a realização de projetos de eficiência energética e suporte para fomentar boas práticas e disseminá-las para outros prédios do setor público. 

A ação faz parte do projeto Transformação do Mercado de Eficiência Energética no Brasil, que tem o objetivo de contribuir com a economia de até 4 milhões de MWh de eletricidade nos próximos 20 anos e de reduzir emissões de gases de efeito estufa em até 2 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2). 

O projeto é executado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com o PNUD e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).


Para acordar!

por KARINA NINNI

Catástrofes colocam a questão climática na pauta da mídia tradicional, mas mudanças de hábitos são incentivadas especialmente pelas interações nos meios digitais

REP CONSCIENTIZAÇÃO
A conscientização [1]sobre mudanças climáticas e suas consequências tem sido um desafio para diversas instituições, como a academia, o Terceiro Setor, o Estado e, claro, a imprensa. Que o tema tem estado na mídia muito mais do que há dez anos, não há dúvida. Em 2009, por exemplo, o Brasil foi o país que mandou o maior número de jornalistas para Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática (COP-15), em Copenhague. Mas isso não quer dizer, necessariamente, que o público esteja mais bem informado com relação às causas da mudança climática. Na verdade, parece não haver relação direta entre a quantidade de reportagens ou de espaço na mídia e o despertar de um posicionamento mais consciente por parte do público acerca do assunto.
[1] O artigo 6º da Convenção do Clima, documento redigido na Eco-92, no Rio de Janeiro, em reconhecimento ao apelo da comunidade científica para a mudança do clima, trata da conscientização pública.
Conexões básicas, por exemplo, de causa e efeito, fundamentais para a compreensão de um tema tão complexo, são deixadas de lado. Essas relações tendem a aparecer mais em momentos de crise, como a da água, vivida agora em São Paulo. Situações extremas parecem ser as mais propícias para a comunicação de temas da agenda climática. O espaço que ganham na mídia eventos como deslizamentos de encostas, enchentes e secas são “ganchos” para trazer o assunto à tona.
“Depois da crise da água, o discurso da gestão e da conservação fica mais importante. Vai faltar energia também. Não tem como ignorar”, resume a advogada Nicole Oliveira, líder da equipe na América Latina da 350.org (entidade que organizou, em setembro, a Marcha Popular pelo Clima, em Nova York – a maior já realizada no planeta).
“Os temas aparecem, mas não são aprofundados. Não se fala da influência da Amazônia no regime das chuvas no Sudeste, por exemplo”, afirma o veterano jornalista Washington Novaes, pioneiro na abordagem de temas ambientais no Brasil (mais sobre o assunto em entrevista com Tasso Azevedo).
A questão é que o problema climático é tão grande que muita gente prefere nem pensar nele, pois sua solução parece fora de alcance. É o que diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, em entrevista recente à jornalista Eliane Brum, publicada no jornal El País [2]. Viveiros recorre ao pensador alemão Günther Anders e sua noção de fenômenos supraliminares. A ideia é que, da mesma forma que existem os fenômenos pequeninos, coisas que o cidadão vê mas não enxerga (fenômenos subliminares, abaixo da linha da percepção), também existem aqueles que são grandes demais. São tão grandes que não conseguimos nem ver, nem imaginar. Castro situa a mudança climática nessa categoria. Segundo ele, as pessoas ficam paralisadas.
[2] Acesse a entrevista de Viveiros de Castro
“Ficamos com o papel de cavaleiros do apocalipse. Quando começamos a falar muito das consequências da mudança climática, as pessoas se sentem impotentes, se deprimem”, explica Nicole, da 350.org.
Para o professor do curso de pós-graduação em Redes Digitais, Terceiro Setor e Sustentabilidade da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), Massimo di Felice, o assunto é difícil, mas a boa notícia é que ele está nas redes digitais. “Hoje, parte da população sabe que é necessário interromper esse desenvolvimento suicida, que já mostra efeitos na vida cotidiana. Há 15 ou 20 anos, esse conhecimento era restrito aos cientistas e a uma elite de militantes ecológicos.”
Segungo Di Felice, é evidente que a discussão mais aprofundada sobre a questão não estará nos meios de comunicação tradicionais. De acordo com ele, existem hoje duas culturas comunicativas opostas. Uma secular, representada pelos meios de massa tradicionais. E outra, digital, que ele chama de arquitetura da interação. O grande problema, diz, são os meios tradicionais, que ocupam seus espaços editoriais com financiamento político, ligado a lobbies que financiam partidos, e com financiamento de publicidade também. “Obviamente, nesses veículos, a questão ambiental não vai figurar de maneira aprofundada. Vai entrar de forma pontual, e dividindo espaço com as fofocas, com as efemérides”, analisa.
Na visão de Deborah Danowski, filósofa, professora da PUC-RJ e estudiosa das questões ambientais, há um problema de formação dos profissionais da imprensa, mas não só isso. “Notícias sobre eventos climáticos são tradicionalmente veiculadas por meteorologistas, que não vão muito além da escala local e descritiva. E não há, por parte das empresas que os empregam, nenhum interesse em incentivá-los a oferecer uma visão mais crítica sobre o que está se passando. Porque isso significaria atribuir responsabilidades”, resume.
Di Felice observa ainda que, enquanto a forma tradicional de comunicar produz consenso (ou seja: fala para um cidadão-eleitor, aquele que elege um candidato), as mídias digitais “realizam cidadania”. Entretanto, o que qualquer um pode confirmar ao abrir sua linha do tempo nas redes digitais da vida é, muitas vezes, um comportamento quase infantil: postam-se muitas fotos, xinga-se muito. Mas faltam análises que sigam além da reclamação e do senso comum.
“Em parte esse approach continua sendo superficial, mas em parte não”, pondera Di Felice. “Percebemos, por exemplo, como é eficaz na questão das mudanças de hábitos. O discurso do uso da bicicleta se disseminou e ganhou apoio em pouquíssimo tempo. Foi uma transformação que se espalhou rapidamente, na contramão do olhar do poder e dos meios de comunicação de massa.”
Deborah Danowski diz que as mídias digitais (que ela chama de alternativas) estão tendo um papel importantíssimo. “Na TV aberta só se fala no tema, em geral, depois das onze da noite, em pequenos blocos intercalados por anúncios de carros 4 X 4 superpoluentes. A impressão que dá é de que as expressões ‘mudanças climáticas, aquecimento global, crise ecológica’ e outras são proibidas em horário nobre”, sugere.
O QUE QUEREMOS?
Se as mídias digitais são por excelência o espaço de comunicação e fomento de transformações, o mesmo não se pode dizer do ambiente político – ao menos no Brasil. Causou apreensão o fato de que os debates e os programas eleitorais gratuitos durante o primeiro turno das eleições de 2014 praticamente não tenham abordado a questão das emissões de gases de efeito estufa e suas consequências para clima – o que se repetiu e se acentuou no segundo turno, em que não havia candidatos exatamente identificados com as “bandeiras” ambientais.
O combate à mudança climática pouco figura também entre as preocupações dos jovens brasileiros, conforme o levantamento Juventude Levada em Conta, feito pela Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD), ligada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). O quesito aparece em último lugar entre as 16 prioridades de jovens entre 15 e 29 anos, cerca de 26% da população brasileira. A pesquisa de campo, feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em maio de 2013, ouviu mais de 10 mil pessoas. Cada entrevistado escolheu, entre 16 temas, quais seriam suas seis maiores prioridades.
Para Di Felice, essa realidade vai mudar rapidamente. “Todo conhecimento daqui para a frente está ligado à extinção da espécie humana na Terra. Então, não é uma questão apenas de ganhar as pessoas para a causa. É entender que não há mais causa.”
A julgar pela magnitude da Marcha pelo Clima realizada em Nova York, parece que o mundo começou a entender que, de fato, esta é a única causa. Foi a maior passeata pelo clima da História e reuniu 400 mil pessoas nas ruas da cidade. A expectativa de adesão era de 100 mil a 150 mil pessoas. A passeata ocorreu dias antes da Assembleia Geral da ONU, também em Nova York, e concomitantemente em várias cidades, como Rio de Janeiro, Paris, Sydney, Madri, Bogotá e Buenos Aires.
“No Rio caiu um vendaval, e isso atrapalhou a marcha. Tínhamos uma previsão de 2 mil pessoas, mas apareceram 400”, afirma Nicole Oliveira, da 350.org, ressaltando que, pelas condições impostas pelo mau tempo, até que foi um bom número.
Para ela, as mídias sociais tiveram um papel importante para o sucesso da marcha nova-iorquina, mas a união de forças do setor ambientalista é que foi decisiva, mostrando uma boa capacidade de articulação das organizações da sociedade civil.
CONSUMO E LUCRO
Bandeira que une gregos e troianos na luta pela redução de emissões, a mudança nos padrões de consumo acaba aparecendo, mas sempre de maneira tangencial, nas discussões sobre “o que cada um pode fazer para melhorar o planeta”. E isso tanto nas redes sociais da internet como nos meios de comunicação de massa.
No estudo Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira [3], a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) destacava que a perspectiva ambiental era a principal forma de reportar a questão das mudanças climáticas, seguida da perspectiva econômica. Mas que, apesar de representarem quase 20% das matérias do universo pesquisado, entre os textos com viés econômico apenas 6% faziam, por exemplo, referência a padrões de consumo das sociedades contemporâneas.
[3]Publicado em 2008 em parceria com a Embaixada Britânica, com base na cobertura de temas ambientais por 50 jornais diários brasileiros
Em 2010, a mestranda do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), Lilian de Oliveira Bueno, confirmou essa tendência em seu trabalho Mudanças Climáticas no Contexto das Ciências e da Divulgação Científica. De acordo com a pesquisa, o tema raramente aparece relacionado a padrões de consumo. “Frequentemente [as mudanças] são relacionadas às emissões, crescimento populacional, desmatamento, degradação ambiental e poluição, mas é praticamente irrisório o número de citações aos padrões de consumo”, atesta o estudo .
Para o professor Massimo di Felice, atacar meramente o consumo é uma estratégia equivocada. “O movimento ambientalista ataca o consumo. Mas ele é nosso aliado. Tudo que é vivo consome. Consumo significa também acesso a livros, a tecnologia, a cultura, fundamentais para nossa condição de humanos”, defende.
A abordagem mais adequada seria combater o que Di Felice chama de “consumo estéril”, que se reduz a uma troca entre pessoas e objetos. Já aquele consumo chamado de “fértil”, conecta o consumidor com as porções de recursos que ele está consumindo. “É o consumo de todo um processo, uma relação em que não consumo apenas o celular, mas sei que tudo o que está lá dentro – o silício, o cobre – me conecta à Gaia.”
Coautor do livro Guerrilla Marketing Goes Green: Winning Strategies to Improve Your Profits and Your Planet [4], Shel Horowitz diz que é preciso pensar os recursos e as situações de forma diferente, endereçando os problemas de maneira prática e… lucrando com isso. Ele cita o desperdício e a má gestão de recursos naturais como áreas em que se pode atuar para melhorar o planeta, e lucrar.
[4] O marketing de guerrilha fica verde: estratégias vencedoras para melhorar seus lucros e seu planeta, 2010, ainda sem tradução no Brasil
“Acho que temos de motivar as pessoas não só pelo interesse planetário, mas em interesse próprio. Venho me dedicando a discutir como negócios podem prosperar justamente pela resolução de nossos grandes problemas: fome, pobreza, guerra e as questões climáticas”, explica Horowitz.
ENGAJAMENTO
Naturalmente, operar mudanças nas formas de consumo e de lucro é uma atribuição que caberá, cada vez mais, aos jovens – que terão de se ajeitar aos limites, já bastante saturados da Terra. Raquel Rosenberg, de 24 anos, está atenta ao desafio. Fundadora de um grupo chamado Engajamundo, ela se autointitula empreendedora social, e incrementou sua rede de engajamento durante a Rio+20.
“Víamos jovens da Europa, dos Estados Unidos, do Canadá, da Nova Zelândia e da Austrália participando do processo e achamos que tínhamos de ocupar um lugar.” Raquel queria o Brasil na Youngo , um movimento juvenil internacional sobre mudança climática, reconhecido em 2009 no âmbito da Convenção do Clima, que reúne movimentos e ONGs de jovens de todo o mundo.
“Prioritário pra gente é capacitar e engajar os jovens. Começamos o programa no ano passado, com o esforço dos voluntários, e já capacitamos umas 120 pessoas”, explica Raquel. Esse ano, a Engajamundo fechou uma parceria com o WWF e a empreitada se estenderá por nove capitais brasileiras. “Vamos nos multiplicar”, diz Raquel, consciente da importância de seu trabalho. Seguramente, muitas decisões de mitigação e de adaptação aguardam esses jovens no futuro.
- See more at: http://www.pagina22.com.br/?p=33247#sthash.Z3Mg9M0O.dpuf

SunEdison fornecerá para projetos solares da Renova

Empresa será responsável por implantar 100MW fotovoltaicos na Bahia
Por Wagner Freire

Crédito: GettyImages
A SunEdison será responsável por fornecer os módulos, as estruturas e os inversores para quatro parques fotovoltaicos da Renova, vencedores do leilão de energia de reserva (LER2014), revelou o presidente da geradora Mathias Becker. 
O executivo conversou com jornalistas nesta segunda-feira (3/11) após apresentação dos resultados financeiros do terceiro trimestre.

A Renova comercializou 21,8MW médios, que correspondem a 100MW de capacidade injetada, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). 

Os projetos serão implantados na região Sudoeste do estado da Bahia, no município de Caetité. A companhia havia cadastrado 200MW em projetos solares. Segundo Becker, a contratação está em linha com o planejamento estratégico da companhia.

Sobre a escolha do fornecedor, o executivo explicou que a parceria com a SunEdison foi o que possibilitou a companhia ser tão competitiva no leilão. A energia foi comercializa da R$220,30 por MWh. 

"O retorno está em linha com a taxa dos projetos eólicos", garantiu.

A previsão é que sejam investidos R$440 milhões na construção dos empreendimentos fotovoltaicos. A meta é conseguir o financiamento de 65% desse valor junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Nacional (BNDES). 

"Nossa estratégia de financiamento foi montada com base na nacionalização dos equipamentos, diferentemente de alguns dos nossos concorrentes que trabalharam com equipamentos importados", afirmou Becker.

O nível de alavancagem do BNDES é determinado pelos componentes do parque solar. Quando maior o conteúdo nacional, maior será o apoio do banco, limitado ao teto de 65%. 

Segundo Pedro Pileggi, diretor Financeiro e de Relações com Investidores, o acordo com a SunEdison se concretizou graças ao comprometimento da empresa em fazer os investimentos necessários para cumprir as regras do BNDES.

"Será uma vantagem competitiva não só para a Renova, mas como para a SunEdison”, disse Pileggi. 

“Aquele competidor que se estabelecer, criar uma capacidade produtiva e já for cumprindo com as regras do BNDES - deverá estar mais bem posicionado para aproveitar as oportunidades futuras no Brasil", completou.

A SunEdison terá total liberdade para definir a tecnologia que será utilizada nos projetos da Renova. 

"O que nós temos negociado é um determinado custo por geração de energia, de modo que a SunEdison tem flexibilidade para a escolha do modelo do módulo solar que será instalado", explicou Pileggi.

A princípio, a tecnologia que será utilizada é a "tracker" (seguidores), em que o painel fotovoltaico se movimenta para buscar a melhor radiação solar, aumentando o fator de capacidade dos projetos, hoje estimados em 27% líquidos. 

As fazendas solares vão operar de forma independente aos parques eólicos da Renova. A geradora explicou ainda que o contrato com a SunEdison se limita ao LER2014, mas que se a parceria for bem sucedida pode ser entendida para novos certames.

A SunEdison fornece equipamentos e serviços para tecnologia solar ao redor do mundo. A empresa atua na América Latina desde 2010, com escritórios no Chile, Brasil e México.

Eólica
Além das usinas solares, a Renova comercializou energia de três novos projetos eólicos, que somam 43,5MW de capacidade instada. 

A previsão é que R$180 milhões sejam investidos. As turbinas serão fornecidas pela Alstom. A empresa cadastrou 775MW de projetos para o LER.

Para o presidente da Renova, governo ainda precisa contratar energia este ano, o que abre espaço para mais uma bem sucedida participação da fonte eólica no próximo leilão A-5, marcado para 28 de novembro.

10 carros "verdes" que serão destaque no São do Automóvel de São Paulo


peugeot-urb-ecod.jpg
Peugeot levará o 208 Urb ao Salão de São Paulo
Foto: Divulgação/Peugeot

O Salão Internacional do Automóvel de São Paulo abrirá suas portas na quinta-feira, 30 de outubro, no Anhembi, e é claro que os modelos sustentáveis, com apelo ambiental, terão presença garantida na 28ª edição do evento.

Um exemplo é o híbrido A3 e-tron, da Audi, que poderá ser testado por visitantes do evento.

A Kia mostra o elétrico Soul EV e o híbrido Optima. Outros híbridos (que se movem com eletricidade e combustível comum) são o BMW i8, o Toyota Prius e o Porsche Panamera.

No time dos elétricos estão ainda Fiat 500e, BMW i3 e os Renault Zoe e Twizy. A Peugeot promete um "Conceito Natural" e o 208 Urb, uma solução entre carro e bicicleta.

O Salão de São Paulo, maior feira automobilística da América Latina, termina no dia 9 de novembro.

Confira na galeria abaixo dez das atrações "verdes" do Salão de São Paulo:

GALERIA DE FOTOS (clique na imagem para ampliar)

























Fonte: www.econdesenvolvimento.org

População de Curitiba pode trocar lixo reciclável por alimentos



cambio-verde-ecod.jpg



Aqui no EcoD já mostramos alguns exemplos de projetos que possibilitam a troca de materiais recicláveis por alimentos. 

Caxias do Sul é uma das cidades que incentivam iniciativas desse tipo. 

Outro bom modelo é o de Curitiba, onde o Programa Câmbio Verde faz muito sucesso.

Ao mesmo tempo que ajuda a reduzir a quantidade de resíduos na cidade, a ação complementa a alimentação das famílias, por meio da troca de lixo reciclável por alimentos. 

A Prefeitura já possuía um projeto que trocava lixo orgânico por vale-transporte desde o fim dos anos 1980. Alguns anos depois, uma supersafra de repolho estimulou a ideia de que o vale-transporte poderia ser substituído por alimentos e assim surgiu o Programa Câmbio Verde.

A cada quatro quilos de lixo, cada pessoa ganha um quilo de frutas e verduras - as trocas são realizadas quinzenalmente em postos de atendimento.


 curitiba-interna-ecod.jpg


O programa promove o escoamento da safra de produtos hortigranjeiros dos pequenos produtores de Curitiba e da Região Metropolitana, cria na população o hábito de separar o lixo orgânico do inorgânico, sensibiliza a comunidade para a correta destinação final dos resíduos e reforça a alimentação para pessoas que possuem pouca renda financeira.

Há ainda o Câmbio Verde Especial, que é realizado nas escolas públicas municipais com o objetivo de consolidar nas crianças o espírito de separar o lixo e conscientizá-las da importância da reciclagem para o bem estar social de todos. 

Nas escolas, o lixo é trocado por cadernos, brinquedos, chocolates e ingressos para shows.

Bem que iniciativas assim poderiam ser replicadas em outras cidades brasileiras, não é mesmo?



PRÉDIOS COMERCIAIS IMPULSIONAM CONSTRUÇÕES VERDES

Edifícios chancelados por selos de sustentabilidade crescem 2.500% nos últimos cinco anos. Entenda o que há por trás disso 

Priscillía Arroyo



O aumento de profissionais com experiência em projetar e construir edifícios sustentáveis e o avanço da produção nacional de materiais para viabilizar as obras diminuiu o custo adiciona] e alavancou este segmento da construção civil no Brasil. 

Hoje, a maioria dos projetos de edifícios corporativos em São Paulo e no Rio de Janeiro são elaborados sobre preceitos sustentáveis, uma vez que os prédios chancelados por selos específicos de sustentabilidade oferecem maior retorno financeiro aos investidores e aos operadores.

O número de edifícios certificados no Brasil deu um salto de 20 para 497 nos últimos cinco anos, como reflexo de uma demanda crescente do mercado. 

"O movimento de crescimento é irreversível, até porque a demanda das grandes empresas avança e isso é o que vai conA taxa de ocupação de prédios comerciais sustentáveis pode ser até 23% maior, e o valor da locação é, em média, 8% mais alto, segundo o Secovi-SP

tinuar puxando o segmento", destacou o diretor de Sustentabilidade do sindicato do mercado imobiliário, Secovi- SP, Hamilton Leite.

Duas certificações contemplam os quase 500 prédios do mercado brasileiro: a americana Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) e a francesa, batizada em português de Alta Qualidade Ambiental (Aqua-HQE).

De acordo com o consultor de sustentabilidade Luiz Henrique Ferreira, o selo Leed, que atesta a redução do consumo de energia e água em cerca de 30%, se tornou padrão entre as construções corporativas por assegurar maior retorno financeiro aos investidores. 

"Este certificado, por ser conhecido em todo o mundo, traz segurança para o investidor, pois chancela a concepção de edifícios que oferecem menores custos de operação e maiores taxas de ocupação. 

A economia de despesas com água e luz se reflete na redução do valor do condomínio, o que se traduz em aumento do preço do aluguel e maior retorno para o investidor", explicou. 

A taxa de ocupação de empreendimentos comerciais sustentáveis pode ser até 23% maior em relação aos tradicionais, enquanto o valor da locação é, em média, 8% mais alto, de acordo com informações do Secovi-SP.

Redução no custo de construção

Um dos principais fatores que desencadearam essa evolução foi a redução continua do custo extra dos projetos sustentáveis. Em 2007, quando uma agência do Banco Real, em São Paulo, recebeu pela primeira vez um selo de sustentabilidade no Brasil, o acréscimo no orçamento da obra foi de 30%. 

Esse percentual foi caindo até chegar à média atual de 10,5% para incorporadoras que não têm larga experiência com este tipo de construção. Já para as incorporadoras experientes, o custo extra soma 5,1%, de acordo com dados publicados no livro "Tornando Nosso Ambiente Construído Mais Sustentável", de autoria do consultor norte-americano Gregory Kats, traduzido para o português pelo Secovi-SP.

A disseminação de informação sobre a prática foi um dos principais elementos que possibilitaram a redução do custo. 

Outro fator foi a maior capacitação dos profissionais. 

"O aumento da oferta de mão de obra especializada reduziu o custo das contratações e, por consequência, os desembolsos extras dos projetos", pontuou Felipe Faria, diretor da Green Building Council (GBC) Brasil, entidade que regula a distribuição do Leed no Brasil - selo presente em 192 edifícios, a maior parte corporativo.

Outro fator foi o aumento da produção nacional de materiais com tecnologias sustentáveis. "Até 2007 tínhamos que importar quase todas as peças e materiais para as obras", destacou o diretor da consultoria Sustentech Desenvolvimento Sustentável, Marcos Casado.

Edifícios residenciais verdes começam a despontar

Um dos desafios do mercado para a manutenção do crescimento é incentivar a demanda dos selos também no segmento doméstico, de acordo com Leite, do Secovi. "Até o primeiro trimestre do ano passado, não existia nenhum edifício residencial pronto certificado no país. 

Essa disparidade entre corporativo e residencial é um dos desafios a serem vencidos. Os consumidores também devem replicar o comportamento das empresas, principalmente os da geração Y, que têm uma carga grande de informação sobre o tema e vão começar a comprar imóveis nos próximos anos", prevê Leite.

Enquanto o Leed ganha espaço entre os empreendimentos corporativos, o selo batizado de Alta Qualidade Ambiental (Aqua-HQE), versão adaptada da certificação francesa Démeche HQE, é utilizado largamente em projetos residenciais. 

Dos 305 edifícios certificados pela Fundação Vanzolini, que administra o selo no país, 150 são residenciais. Entretanto, a maioria dos projetos ainda está em fase de execução e apenas cinco prédios já estão em operação.

"O Aqua é adaptado para o mercado brasileiro e leva em consideração as características culturais e climáticas do país. 

Isso explica a utilização em prédios residenciais e também em imóveis comerciais de varejistas, como a Leroy Merlin", afirmou o coordenador executivo da certificação Aqua, Manuel Carlos Reis Martins, que destaca o crescente interesse das construtoras em certificar empreendimentos residenciais.

"A Even adotou, em 2012, o convênio de empreendedor Aqua, no qual todos os edifícios habitacionais em São Paulo e no Rio serão certificados. 

A Odebrecht também usa a certificação nos segmentos residencial e não residencial. Cyrela e Gafisa, em ritmo mais reduzido, também já trabalham com empreendimentos chancelados", pontuou Martins.

Para o consultor Ferreira, o desafio é mostrar para o consumidor final as vantagens de um imóvel sustentável. A opinião é compartilhada por Casado, da Sustentech. "Embora o segmento de construção sustentável cresça em uma taxa média anual de 30% no Brasil, ele não representa 4% da construção civil do pais. Ainda há muito espaço para evoluir", disse.

----

A taxa de ocupação de empreendimentos comerciais sustentáveis pode ser até 23% maior em relação aos tradicionais, enquanto o valor da locação é, em média, 8% mais alto, de acordo com informações do Secovi-SP.

Embora o segmento de construção sustentável cresça em uma taxa média anual de 30 % no Brasil, ele não representa 4% da construção civil do país. 

Ainda há muito espaço para evoluir" Marcos Casado Diretor da Sustentech Desenvolvimento Sustentável