Eficiência energética entra na agenda dos executivos


POR JOÃO RICARDO GONÇALVES

No Brasil, 89% dos entrevistados consideram importante gerenciar o custo de energia nas edificações.

O debate e ações voltados à eficiência energética começam a ganhar peso entre os executivos mundiais, revela a pesquisa Energy Efficiency Indicator (EEI) do Institute for Building Efficiency, da Johnson Controls, líder global no fornecimento de soluções de eficiência energética e sustentabilidade para edifícios e instalações ao redor do mundo.


De acordo com os resultados apurados entre 3.500 proprietários e operadores de edifícios e instalações, incluindo 230 entrevistados do Brasil, 85% afirmaram depender do gerenciamento de energia para atingir a eficiência operacional. 

Segundo o vice-presidente da companhia, Marcelo Therezo, essa necessidade percebida faz com que as ações tomadas levem à redução de gastos com energia, além de incentivos financeiros. 

"Por conta disso, a quantidade de executivos interessados por essa frente aumentou 34% nos últimos dois anos", conta, destacando que 40% da energia produzida no mundo é consumida por edifícios, segundo o World Resources Institute.

Contudo, Therezo aponta ainda que o interesse dos executivos visam também a busca da melhoria da imagem pública, além da agregação de valor para seus edifícios e instalações.

Já o presidente da divisão de Building Efficiency da Johnson Controls, Dave Myers, observa que o mantra dos proprietários de edifícios comerciais está sendo alterado. 

"Antes a preocupação era uma só: localização, localização, localização, entretanto agora está se tornando localização, eficiência, localização". 

De acordo com a pesquisa, aproximadamente um terço dos participantes no mundo todo indicaram que as taxas de crédito, incentivos e descontos oferecidos nesse sentido têm um grande impacto no aumento de investimento em eficiência energética. 

"Isso significa que está sendo reforçado o papel da política do governo nas decisões tomadas pelos proprietários e operadores de edifícios e instalações", aponta Myers, lembrando que, nos Estados Unidos, este fator foi apontado por 42% dos entrevistados.

"Por lá há uma luta dos proprietários contra o envelhecimento e a ineficiência dos edifícios", acrescenta. Aproximadamente 75% dos edifícios comerciais nos Estados Unidos têm mais de 20 anos e estão prontos para passar por processos de otimização em relação ao consumo de energia.

Myers revela ainda que os proprietários e operadores estão procurando legisladores para diminuírem os custos de projetos de retrofits focados em energia por meio de iniciativas e incentivos.

"Na Ásia, por exemplo, as normas vigentes para construção e equipamentos também estão ajudando a garantir que os novos edifícios sejam construídos para atingir altos níveis de eficiência energética", conta Myers.

Globalmente, segundo a pesquisa EEI, 96% dos entrevistados implementaram pelo menos uma ação de melhoria com foco em eficiência energética em seus edifícios e instalações. 

As ações de melhoria apontadas foram destinadas para o sistema de iluminação, equipamentos de aquecimento e ar condicionado e eficiência no uso de água.

Metade dos entrevistados do setor privado usaram as economias provenientes dos upgrades em eficiência energética para reduzir o orçamento da empresa, enquanto 40% reinvestiram o capital economizado em medidas futuras para eficiência. 

Brasil 
Quando o foco é apenas o executivo nacional, o resultado também é animador. De acordo com a pesquisa, 89% dos entrevistados consideram extremamente importante gerenciar seu custo de energia. Em 2011, essa percentagem era menor, 73%. 

"Temos notado uma consciência mais crítica dos executivos, permitindo a esse avanço", diz Marcelo Therezo. 

Apesar do tom de otimismo, os executivos apontam ainda barreiras que acabam travando os investimentos no Brasil, como a falta de liderança, gerência responsável na organização, e atenção dedicada à gestão da eficiência energética.

Quanto as certificações para green building, ou sistemas voluntários de certificação para edifícios, globalmente foram os tópicos mais citados na pesquisa: 44% dos entrevistados estão planejando submeter edifícios e instalações existentes para certificação. 

No Brasil, essa taxa foi de 43%. Outro dado de destaque foi que 43% dos entrevistados planejam, ainda, submeter novos edifícios e instalações para certificação. No cenário brasileiro, esse dado sobe para 49%.

"Os inquilinos de edifícios comerciais estão dispostos a pagar mais para terem seus escritórios em locais com maior apelo sustentável e que funcionem de forma eficiente em relação ao uso da energia", afirma Dave Myers.

BOA IMAGEM

Interesse em eficiência energética entre os executivos no Brasil

89% afirmaram que a gestão de energia era muito ou extremamente importante para sua organizações (em comparação com 73% em 2011).

79% disseram que estavam dando mais atenção à energia em 2012 do que em 2011.

47% dos entrevistados têm investido em eficiência energética desde o ano passado.

57% dos executivos de empresas planejam aumentar os gastos nos próximos 12 meses.

49% dos entrevistados planejam bucar a certificação verde em edifícios novos e 43% em prédios existentes.

73% afirmaram ter notado melhorias na iluminação.

54% afirmaram ter notado melhorias de eficiência hídrica.

Fonte: Institute for Building Efficiency da Johnson Controls

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