A “Copa Verde” de 2014

25 de agosto de 2011 
 

A Copa de 2014 ou “Copa Verde”, como sugeriu o ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva num discurso na Copa do Mundo na África do Sul em julho de 2010, vai trazer muitas mudanças positivas para o Brasil. 
A começar pelas reformas em estádios e aeroportos, modernizando ainda mais o país. Porém, a intenção de fazer uma “Copa Verde”, segundo Lula, é que a sustentabilidade seja a marca do Brasil.

Esse discurso fez com que inúmeros projetos fossem criados e apresentados para que, além dos turistas, os moradores das próprias cidades também possam começar a sentir a preocupação socioambiental.



O problema é que a maioria das pessoas já ouviu falar do assunto, mas não sabem o que é e nem como podem ajudar. “Pelas palestras, encontros, conversas e pesquisas que tenho realizado em várias cidades no Brasil, somente pela educação em todos os seus níveis (técnico, fundamental, médio e superior) é que conseguiremos conscientizar a população sobre o que exatamente vem a ser “Sustentabilidade” e qual a sua importância tanto para nosso dia a dia como para o nosso futuro”, conta Gilbert Simionato, diretor da Empresa Verde Consultoria em Sustentabilidade.

Um dos objetivos principais, segundo o diretor, é mobilizar a sociedade como um todo e garantir um legado verde para o país. Articular a sustentabilidade como política de inclusão social, porque é impossível pensar em sustentabilidade sem levar em conta a responsabilidade social. 
“Os estádios que receberão jogadores e turistas devem obrigatoriamente seguir uma linha de redução de impacto ambiental tais como captação da água da chuva e uso de placas solares. 
Os estádios, que já estão com obras em andamento devem buscar as certificações ambientais como o LEED – Green Building Council; o Programa BNDES ProCopa Arenas para financiamento das obras; o BNDES ProCopa Turismo com o objetivo de estimular a construção de hotéis com características verdes; eficiência energética; o inventário de carbono do jogos para calcular os gases do efeito estufa emitidos pelas atividades do evento; entre outros”, explica Gilbert.



Essa preocupação ambiental não é recente e algumas cidades já apresentaram projetos sustentáveis a fim de melhorar a qualidade de vida da população. “Curitiba, não fugindo de sua característica – mundialmente reconhecida – de cidade inovadora, foi uma das primeiras a apresentar projetos sustentáveis para o Mundial de 2014”, comenta o diretor.

O mundo atualmente tem um estilo de vida totalmente urbano e, por isso, pode-se pensar que concretizar projetos visando a sustentabilidade do país seja inviável, principalmente porque, de acordo com Gilbert, estima-se que, em 2025, 70% da população mundial será urbana. Porém, apesar de parecer uma contradição, ele afirma que será possível implantar projetos sustentáveis e cita Curitiba como exemplo disso: 
“Na cidade de Curitiba já foram realizados projetos na área de transporte e mobilidade (modelo copiado por diversos países). É considerada a capital com melhor qualidade de vida do país, Curitiba já foi recomendada pela Unesco como cidade modelo. 
De acordo com algumas estimativas, a capital possui 51,5 m² de área verde por habitante, quase o triplo da área mínima recomendada pela ONU e um dos índices mais altos do país. A grande maioria de sua população já possui uma cultura e consciência para a prática de tais atividades”.



O que se espera é que esse “novo” estilo de vida não seja respeitado apenas no período dos jogos, mas que a população se conscientize de verdade. “É plenamente possível a adoção de uma visão mais sensível pós-copa, desde que as políticas estabelecidas sejam mantidas, incentivadas e fiscalizadas tanto pelo governo como pela sociedade”, afirma Gilbert.

Em Curitiba, por exemplo, no dia 5 de junho de 1991, que é o dia Nacional do Meio Ambiente, foi fundada a UNILIVRE, Universidade Livre do Meio Ambiente, uma organização não-governamental destinada a disseminar práticas, conhecimentos e experiências relacionadas às questões ambientais. Essa ONG foi pioneira neste assunto, até porque há 20 anos a preocupação com o meio ambiente era pouco falada e se limitava a ser ensinada nos meios acadêmicos.



“É claro que os problemas ainda existem e são originários do próprio crescimento da população, formando-se favelas, aumentando a poluição dos rios, criações de aterros municipais, entre outros. Essas dificuldades são iminentes em todas as capitais brasileiras, porém as ações criadas para melhorar a qualidade de vida só têm aumentado. Nota-se pelas próprias ações adotadas para o advento da Copa de 2014”, finaliza Gilbert.

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