Para brasileiros, sustentabilidade é questão de sobrevivência

A força representada pelas mudanças climáticas e pela gestão dos recursos naturais se mostrou mais importante para os executivos brasileiros consultados pela Omni Marketing, em setembro, do que para os do mercado global ouvidos pela McKinsey em março. 
 
 
 
Para a sócia-proprietária da Omni, Regina Pacheco, os empresários brasileiros não associam a questão a ações voltadas diretamente para o lucro, mas a uma questão de sobrevivência no futuro. "Os brasileiros estão preocupados com a perenidade das empresas."

Essa preocupação está de fato no topo da agenda de um número crescente de executivos. É o caso de Marcelo Cardoso, vice-presidente de desenvolvimento organizacional e sustentabilidade da Natura. "Um modelo aberto de demanda e oferta infinitas não funciona mais", diz. "A Natura gostaria de propor um novo modelo de capitalismo." Seria, segundo ele, um modelo mais consciente, baseado numa economia de baixo carbono.

O vice-presidente executivo de organização e recursos humanos da Embraer, Hermann Ponte e Silva, não tem dúvidas de que o meio ambiente entrou definitivamente para a agenda estratégica das empresas. Ele acha que os índices de sustentabilidade das principais bolsas de valores mundiais e as pressões dos fundos de investimentos mudarão as ações das grandes empresas.

Também para André Gerdau Johannpeter, presidente da gigante do aço Gerdau, o tema mudanças climáticas está fortemente ligado à dimensão social da sustentabilidade, uma vez que as economias em desenvolvimento necessitam de energia e mobilidade para garantir patamares de Índice de Desenvolvimento Humano aceitáveis. Ele lembra que o Protocolo de Kyoto separa claramente os países desenvolvidos dos que necessitam crescer e define responsabilidades comuns, porém diferenciadas. "A produção de aço é crucial para o desenvolvimento e a qualidade de vida, pois o aço é material básico na geração de energia, transporte, infraestrutura, além de ser infinitamente reciclável." Para o presidente da Gerdau, os governos não devem estabelecer metas de redução determinadas por outras nações, mas primar pela manutenção da competitividade global. "O Estado deve ser indutor da sustentabilidade, ampliando estímulos, fiscais e de crédito que permitam atingir um desempenho ajustado às necessidades de cada nação."

Para Wilson Ferreira Jr., presidente da CPFL, uma gestão que não considere os imperativos de sustentabilidade nunca será eficiente. Ele lembra que o tema da qualidade surgiu como bandeira nos anos 90 e hoje se incorporou ao modelo de gestão das organizações, e ninguém mais questiona sua necessidade. "Constato o mesmo em relação à sustentabilidade." Segundo ele, a CPFL tem participado do movimento pela sustentabilidade ao assumir compromissos voluntários (como levantamento e declaração de emissões de carbono) ou ao adotar mecanismos de gestão e prestação de contas.
A CPFL tem trabalhado com o governo em temas como a regulamentação da Política Nacional de Mudanças Climáticas e acompanhado os posicionamentos na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima. Ferreira Jr. diz estar convencido de que regulamentações das emissões de gases de efeito estufa são cruciais para manter o diferencial dos produtos brasileiros frente aos fabricados nos EUA, na Europa ou na China. "Um bom marco regulatório pode estimular a inovação e aumentar a eficiência", diz. 

Fonte: Valor Econômico
Autor: Juan Garrido

Portal da biodiversidade dá acesso livre a pesquisas e documentos

O conhecimento produzido no Brasil sobre a sua biodiversidade ganhará mais visibilidade.



Alex Sander Alcântara - Agência Fapesp 

O motivo é o Portal BHL ScieLO, de acesso livre, que vai disponibilizar milhares de obras, artigos, mapas e documentos históricos sobre a biodiversidade brasileira.
Lançado oficialmente na quarta-feira, o serviço é parte do projeto "Digitalização e publicação on-line de uma coleção de obras essenciais em biodiversidade das bibliotecas brasileiras", conduzido pelo programa SciELO, biblioteca eletrônica virtual de revistas científicas mantida pela FAPESP em convênio com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).
Rede da biodiversidade
De acordo com Abel Packer, coordenador operacional do programa SciELO, a BHL SciELO possibilitará o fortalecimento da pesquisa científica em biodiversidade.
"O Brasil tem uma produção científica de destaque nessa área, mas que hoje assume também uma dimensão política e econômica internacional com todas as discussões sobre mudança climática e preservação de espécies", disse.
Segundo Packer, o novo portal já reúne volume suficiente de arquivos para atender às demandas de pesquisadores e demais interessados. "Contamos até o momento com cerca de 110 mil registros digitalizados: artigos, mapas e obras de referências históricas da biodiversidade brasileira", explicou.
O portal integrará a rede global The Biodiversity Heritage Library (BHL), consórcio que reúne os maiores museus de história natural e bibliotecas de botânica no mundo, como a Academy of Natural Sciences e o American Museum of Natural History, nos Estados Unidos, e o Natural History Museum, na Inglaterra.
"A Austrália acabou de entrar e, agora, tanto a BHL Brasil como a BHL China farão parte dessa rede mundial que já conta com cerca de 130 mil obras e mais 32 milhões de páginas digitalizadas", dise Packer.
No Brasil, a rede será composta por instituições como Biblioteca Nacional, Museu Nacional, Jardim Botânico do Rio Janeiro, Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Butantan, Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria), Bireme, Fundação Zoobotânica, Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, Museu Paraense Emílio Goeldi e a USP.
"O objetivo é seguir o mesmo modelo da SciELO com a modalidade de acesso aberto com múltiplos sistemas de busca e indicadores bibliométricos, que tem propiciado maior visibilidade à produção científica dos países em desenvolvimento, principalmente os localizados na América Latina e Caribe. A ideia da BHL SciELO é que se estenda também para a América Latina", contou Packer. O portal também traz notícias da Agência FAPESP e da revista Pesquisa FAPESP.
Produção brasileira
Ao levantar dados sobre a produção científica brasileira na área de zoologia, Rogério Meneghini, coordenador científico do Programa SciELO, disse ter ficado surpreso com a posição do Brasil na produção de artigos na área.
Com base no cruzamento de informações da Web of Science, base de dados da empresa Thomson Reuters, foram produzidos no mundo, entre 2007 e 2008, 23.903 artigos em zoologia. "O que mais chama a atenção é que o Brasil fica na quarta posição com 1.762 artigos, perdendo apenas para os Estados Unidos (7.649), Japão (2.233) e Inglaterra (1.762)", disse.
Outro destaque do estudo é que, entre as instituições globais de pesquisa na área de zoologia, a USP é a primeira da lista, seguida das academias de ciência da Rússia e da China e da Universidade de Kyoto, no Japão. "Existem áreas em que a produção brasileira está competindo em pé de igualdade. Um exemplo é a zoologia", disse, destacando a Revista Brasileira de Zoologia.
Tiago Duque Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP na Universidade Estadual de Campinas, falou da experiência do Programa e novos desafios na nova fase do programa. Segundo ele, uma das frentes é disponibilizar dados sobre as pesquisas.
"A linha de base do Biota foi a publicação de sete volumes temáticos e da revista Biota Neotropica, do Atlas e também do Sistema de Informação Ambiental (SinBiota), que tiveram a função de mapear e divulgar o que já está disponível para a sociedade, governos e demais pesquisadores", disse.
Em pouco mais de dez anos, o Biota contabilizou cerca de 113 mil registros, sendo 12 mil de espécies. "Um dos desafios agora é entender como a biodiversidade produz elementos e componentes químicos que podem ser patenteados e associados à cadeia produtiva existente na sociedade, mas ainda precisamos reunir mais dados", disse ao falar do Biota Prospecta.
Participaram também do lançamento do portal Sueli Mara Ferreira, diretora do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP, que falou dos desafios do acesso aberto na universidade, Dora Ann Lange Canhos, do Cria, que contou sobre a experiência da Lista de Espécies da Flora do Brasil, e Tiago Duque Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP na Universidade Estadual de Campinas, que falou das publicações do programa, da revista Biota Neotropica e do Sistema de Informação Ambiental (SinBiota).

O BHL ScieLO pode ser acessado no endereço: 
http://biodiversidade.scielo.br

Projeto para Nova Luz é inspirado em pontos turísticos de cidades estrangeiras

Prefeitura de São Paulo apresenta primeira fase do projeto de revitalização da região central do município

Mauricio Lima

A prefeitura de São Paulo apresentou, no dia (17/11), a primeira fase de abertura de consulta pública do projeto preliminar de reurbanização da área formada pelas avenidas Ipiranga, São João, Duque de Caxias, rua Mauá e avenida Cásper Libero, no centro da cidade, denominada Nova Luz. A área, também conhecida como Cracolândia, tem 500 mil m².

Divulgação: Projeto Nova Luz
Rua Vitória virará "boulevard" inspirada em La Rambla, em Barcelona
O projeto, desenvolvido pela prefeitura em parceria com o consórcio formado pelas empresas Concremat Engenharia, Cia City, Aecom e Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi apresentado pelo prefeito da cidade, Gilberto Kassab, e pelo secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem. O consórcio receberá R$ 12,5 milhões pela elaboração do projeto.
Os três principais pontos do programa são: aproveitamento da vitalidade do comércio e das atividades culturais existentes para atrair novos moradores, trabalhadores, estudantes e visitantes; potencialização do investimento público realizado em infraestrutura de transporte e cultura; e indução ao desenvolvimento e investimentos na área por meio de concessão urbanística.
A visão do projeto é de que a região da Nova Luz seja "um bairro sustentável, dinâmico e diversificado, para morar, trabalhar e se divertir. Um local onde as pessoas estarão cercadas por elementos históricos e culturais, entretenimento, espaços abertos convidativos, passeios e parques. Um bairro que oferece oportunidades de estudo e trabalho, é facilmente acessível de toda a cidade e tem mobilidade privilegiada para o pedestre e o ciclista."
A rua Vitória, tem projeto inspirado na Rambla, a principal rua turística de Barcelona, e deve se tornar uma "boulevard" de 13 m de largura, sendo permitido somente o trânsito de pedestres e bicicletas. Na rua dos Gusmões, o projeto é um parque similar ao Bryant Park, em Nova Iorque. E haverá um centro de entretenimento, com cinemas, cafés e lojas, como o Campo Santa Margherita, de Veneza. Haverá também uma revitalização na área entre a avenida Duque de Caxias e a rua Mauá para a criação de um passeio cultural. Ainda, o corredor Rio Branco deverá ter as calçadas aumentadas e receber ciclovias. Outras praças e "boulevards" estão previstas no projeto.
A prefeitura não apresentou os custos do projeto, o número de imóveis que deverão ser desapropriados, projetos de inclusão para as classes mais baixas e para os moradores de rua da região e quando as mudanças deverão ser iniciadas.
O projeto ainda passará por discussões setoriais, com agentes públicos, comerciantes, moradores e demais interessados e audiências públicas para sua finalização. "Os novos equipamentos e os arranjos da área proposta precisam ser discutidos. Na medida em que a evolução do projeto mostrar o que se pretende também para o interior das quadras, nós teremos a segunda fase de divulgação. Esse é um processo contínuo de participação das pessoas. Queremos que a cidade se debruce sobre o que está sendo proposto, para que todos possam contribuir", disse Bucalem.
Clique aqui para visualizar o projeto

Divulgação: Projeto Nova Luz
Setor cultural e de entretenimento

Divulgação: Projeto Nova Luz
Passeio cultural na Rua Mauá

Divulgação: Projeto Nova Luz
Corredor da Avenida Rio Branco

Divulgação: Projeto Nova Luz
Parque Nébias, inspirado no Bryant Park, em Nova Iorque

Divulgação: Projeto Nova Luz
 Separação por setores da Nova Luz após a reformulação                        







Reutilização de materiais na construção

Oportunidades de reuso e reciclagem de materiais da construção podem se mostrar como soluções sustentáveis 
Por: Michel Mello


A reutilização de materiais na construção civil trata de transformar os resíduos das obras, normalmente encarados como entulhos e caliça, em produtos comerciais que possam ser novamente utilizados. Com isso, criar oportunidades de reuso e reciclagem que se traduzam em sustentabilidade social e ambiental.
 
Quase todas as atividades desenvolvidas pelo setor da construção civil geram resíduos como caliça e entulhos. Isto se deve aos altos índices de perdas durante o processo construtivo e à falta de uma cultura de reutilização e reciclagem no país.
No Brasil, em média 50% de todo o material desperdiçado, o que representa por volta de 850 mil toneladas de entulho por mês, é depositado sem critério em lixões ou aterros sanitários. O Reino Unido produz cerca de 53 mil toneladas/ano e o Japão pode ser considerado uma referência em reaproveitamento, com apenas 6 mil toneladas/ano.
A prática de reuso e reciclagem pode ser encarada do ponto de vista da viabilidade econômica para revenda desses materiais. Outra destinação é servir de sub-base para pavimentos de vias de menor tráfego e em aterros sanitários para a conservação das estradas. Já existem iniciativas de usinas de reciclagem desses materiais nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Resultados do reaproveitamento
As vantagens ambientais do reaproveitamento estão em reduzir as matérias-primas bases dos materiais de construção, abater a quantidade de lixo em aterros sanitários e diminuir o volume de detritos e resíduos da construção. Estas ações, com certeza, diminuirão a poluição das cidades.
Conceitos
• Reuso – significa reprocessar e reinstalar materiais sem remanufatura;
• Reciclagem – é a completa remanufaturação onde se produz outro elemento construtivo a partir de uma peça já existente; e
• Downcycling – é o reprocessamento completo de outro produto diferente da origem e que possui menor qualidade.
Problemas
Um dos problemas enfrentados quando se fala em reuso de materiais de construção reside no fato de que esses produtos não foram concebidos para serem desmontados. Considerando que desconstruir leva de duas a dez vezes mais tempo que demolir, isso reflete a falta de técnicas para essa prática no país. 
A demolição seletiva ainda não é praticada comercialmente no Brasil, isso significa que temos que incentivar a reciclagem de forma sustentável a partir de uma nova cultura de sustentabilidade, de mão de obra especializada e da armazenagem correta dos materiais.
Para o professor, Wilson Jesus da Cunha Silveira, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutor em engenharia de materiais, “a reutilização de materiais é, na verdade, aproveitar materiais de demolição em edificações novas. Isso pode dar um bom aspecto à construção”.  Confira a seguir entrevista completa com o especialista.
>> A resolução 307 do CONAMA vem de fato sendo cumprida?
Wilson Jesus da Cunha Silveira: As normas técnicas e resoluções de órgãos ambientais sempre sofrem certa resistência na sua aplicação por parte dos usuários bem como toda inovação. Normalmente, somente indústrias exportadoras as respeitam devido às exigências dos importadores, de acordo com as Normas ISO 9000 e ISO 14000. Empresas que não respeitam os códigos e normas não conseguem exportar.
>> Como transformar resíduos das obras em produtos comerciais?
Wilson: Essa produção pode ser feita com pequenas máquinas, principalmente as trituradoras que transformam o resíduo em pó. Depois é só misturar com um pouco de aglomerante, que transforma o material resultante em uma argamassa utilizada para diversos usos.
>> A que se deve os altos índices de perdas de materiais nas obras?
Wilson: Principalmente aos projetos, que não são concebidos de forma racionalizada, ou seja, para aproveitamento otimizado dos materiais. Essa utilização se faz nos projetos executivos, específicos para a obra, feitos depois da aprovação do desenho nos órgãos públicos. Os desenhos executivos sobrepõem os projetos de instalações, planos estruturais e plantas da edificação, com as vedações que podem ser alvenarias, painéis ou chapas. O que tem resolvido bastante a redução de desperdício em obras é a industrialização, que retira os serviços do canteiro, transferindo-os às indústrias e agregando qualidade pelo uso de mão de obra especializada.
>> É possível reutilizar materiais nos canteiros de obras e evitar a produção de caliça e entulhos?
Wilson:
O canteiro de obras reproduz os planejamentos de obra feitos nos projetos executivos. Hoje se pode empreitar esses serviços com material e mão de obra mais baratos que executados no canteiro.
>> Por que a técnica da desconstrução ainda não é utilizada no país?
Wilson: Desconstrução é um conceito de projeto e é usado por muitos profissionais. Somente agora os construtores, engenheiros e arquitetos estão se conscientizando da necessidade de uma formação complementada com mestrados e doutorados para aprofundar conhecimentos. Parece-me que o termo desconstrução está sendo usado de maneira equivocada. Reaproveitar é esquecer os conceitos antigos de simetria, proporção e elaborar um projeto sem preocupações de alinhamento, esquadro e prumo.
Entrevistado
Wilson Jesus da Cunha Silveira
>> Currículo
- Arquiteto Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
- Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
- Doutorado em Engenharia de Produção pela UFSC.
>> Contato:
wilson@arq.ufsc.br
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content

Um conceito em construção

Ela invadiu noticiários, virou assunto na escola, está presente em conversas de executivos e deu origem ao conceito de green building. Agora, chegou a vez de a sustentabilidade bater à porta dos escritórios corporativos

Salas com tecnologias que controlam o nível de CO² do ambiente. Portas desenvolvidas com a resina do bagaço da cana-de-açúcar ou da casca do coco. Persianas que sobem e descem automaticamente, obedecendo ao tom da luz natural. Divisórias de fórmica que incentivam a criatividade e a comunicação de funcionários, servindo também de lousa. Definitivamente, a sustentabilidade – e seu famoso tripé ambiental, social e econômico –, que já havia invadido diversos segmentos empresariais, entrou também no dia-a-dia dos escritórios corporativos.
O conceito da sustentabilidade, tão propagado em diversos setores da economia, ainda está dando os seus primeiros passos na construção e, principalmente, na arquitetura corporativa. Mas é um caminho irreversível. Se quisermos perpetuar não só o planeta, mas também os nossos negócios, precisaremos avançar”, resume Pedro Simch, considerado uma referência em arquitetura corporativa, sócio de um dos mais tradicionais escritórios de Porto Alegre (RS) e responsável por assinar obras do Grupo Gerdau, do Centro de Convenções da Fiergs, além das novas sedes do Grupo Vonpar e CIEE-RS.

CONSTRUÇÃO VERDE
De fato, como veremos nas próximas páginas, trata-se mesmo de um conceito irreversível. E que já vem provocando uma mudança, muitas vezes silenciosa, na forma que escritórios de arquitetura, construtoras e fornecedores vêm trabalhando. É o caso da fabricante de móveis Novara, localizada em Caxias do Sul, na Serra gaúcha. Preocupada com o futuro do planeta, a empresa faz parte da cadeia de custódia, sistema no qual todas as empresas participantes utilizam produtos ecologicamente corretos. “Nossa adesão à cadeia fez com que os fornecedores também se adequassem às exigências. Acabou se tornando uma lei de mercado”, destaca Rudimar Grillo, diretor da Novara.


Quem também tem esse cuidado é a Cavaletti, fábrica de cadeiras de Erechim (RS). Além de usar matérias-primas certificadas, todos os resíduos gerados na fábrica são tratados. De quebra, a empresa mantém uma área de reflorestamento com 3,5 mil árvores – e faz o reaproveitamento de 14 mil litros de água por dia. Todos os produtos da Cavaletti são ecologicamente corretos. Uma linha, porém, se destaca: trata-se da Viva Eco. Feito principalmente de plástico e aço, o produto é 98% reciclável. “O único componente que não pode ser reaproveitado é a microcamada de tinta que cobre a cadeira”, explica Francisco César Groch, diretor de Marketing da empresa. Lá, o tema da sustentabilidade é tratado de forma ampla – das grandes ações, como o tratamento dos resíduos, aos pequenos gestos, como presentear os funcionários com uma caneca de cerâmica, o que acaba desestimulando o uso de copos plásticos.


Especialista em empreendimentos corporativos, Pedro Simch garante que, apesar do interesse cada vez maior pela sustentabilidade, ainda são poucos os empresários que aceitam pagar mais pela consciência verde. “Infelizmente nem todos investem no conceito. Temos um compromisso de trabalhar para mudar esse horizonte”.
Com mais de 50 anos de atuação, Pedro Simch é o grande nome da arquitetura corporativa no Rio Grande do Sul. Responsável por obras como as do complexo da Gerdau, do Centro de Convenções da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, da nova sede da Vonpar (foto) e do CIEE-RS, Simch foi o curador do projeto O Escritório de AMANHÃ
Com mais de 50 anos de atuação, Pedro Simch é o grande nome da arquitetura corporativa no Rio Grande do Sul. Responsável por obras como as do complexo da Gerdau, do Centro de Convenções da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, da nova sede da Vonpar (foto) e do CIEE-RS, Simch foi o curador do projeto O Escritório de AMANHÃ
Apesar de grande parte das construtoras estar apta a executar esse tipo de obra, muitas ainda encontram outra barreira: a falta de informações sobre os produtos. “Boa parte dos materiais disponíveis no mercado brasileiro ainda não traz essa especificação na embalagem. Diferentemente de outros países, onde existem selos que indicam o quão sustentáveis são”, conta Pedro Silber, diretor-presidente da Tedesco, construtora responsável por erguer o SAP Labs, laboratório da companhia mundial de softwares no Parque Tecnológico da Unisinos, em São Leopoldo (RS).
Para colocar o prédio da empresa alemã de pé – um forte concorrente a ser o primeiro empreendimento do Estado com a certificação LEED (leia mais abaixo) –, a Tedesco teve de entrar em contato com os fornecedores e fabricantes para saber os dados de emissão de composto volátil ou de conteúdo reciclável dos materiais, por exemplo. Outra exigência, para a certificação, é pensar na operação do prédio. Foi acionada a Sapotec, companhia que atua no tratamento de resíduos sólidos e na remediação dos solos dos terrenos, para fazer a gestão da estação de tratamento da SAP.

AS CERTIFICAÇÕES SUSTENTÁVEIS
SAP Labs, no Tecnosinos, em São Leopoldo: candidato a ser o primeiro prédio com certificação LEED no Estado









Buscar uma certificação custa caro, pois materiais com essa conotação têm um custo mais elevado. Por isso, a questão ainda divide opiniões. A certificação reconhecida em todo o mundo se chama LEED (sigla em inglês para Leadership in Energy and Environmental Design), criada pelo Green Building Council, presente em mais de 20 países. No Brasil, existem apenas 15 prédios certificados com esse selo – concentrados nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná –, mas 117 estão no processo de certificação, que é longo. Outra certificação já concretizada no Brasil é a AQUA (Alta Qualidade Ambiental). Concedida pela Fundação Vanzolini, instituição privada e sem fins lucrativos, a AQUA é uma adaptação para o Brasil da Démarche HQE, certificação já consolidada na França.

Quando busca-se uma certificação, a construtora deve ter uma visão diferenciada sobre a pós-utilização do prédio. Depois de concluído, o empreendimento precisa de um rigoroso controle, que garanta que aquilo que foi projetado realmente vai funcionar”, avalia Thomas Berger, diretor-geral da Sapotec. “Quem investe em produtos e técnicas sustentáveis é recompensado não só com os benefícios ao meio ambiente, mas com a redução dos custos operacionais e com o aumento da produtividade dos colaboradores”, completa José Rocco, do escritório Arquitetônica, parceiro de Pedro Simch em diversos projetos – casos das novas sedes do Grupo Vonpar e do CIEE-RS.

A TEORIA NA PRÁTICA
Ao longo desta leitura, você vai descobrir que essa já não é a realidade – e muito menos a tendência para os próximos anos. As novas necessidades do século 21 fizeram com que essa realidade mudasse (e muito).
Parceiro de Pedro Simch, o escritório Arquitetônica tem como sócios os arquitetos José Rocco (na imagem, acompanhando as obras do novo prédio do Grupo Vonpar), Milton Cunha, Walter Schindel e Ricardo Ruschel. Com foco na área corporativa, a Arquitetônica vem tendo uma participação crescente nos setores industrial e residencial
Do equilíbrio entre a melhor relação custo e benefício ao aumento da produtividade da equipe, a preocupação com o bem-estar dos colaboradores, a criatividade do projeto, a funcionalidade dos espaços e, claro, o respeito ao meio ambiente fazem cada vez mais parte da agenda dos profissionais responsáveis por desenvolver, fornecer equipamentos e executar esses projetos corporativos. Os próximos capítulos mostrarão os produtos e as experiências que já estão em uso no mercado.


Bazar de estilistas da moda Sustentável em São Paulo – Ser Sustentável com Estilo



Acontece em São Paulo nos dias 03/12 ao 10/12/2010 a quinta edição do conhecido “Bazar Sustentável” idealizado pela consultora de moda e apresentadora de TV Chiara Gadaleta.
Além de coleções antigas de estilistas consagrados e os acervos pessoais de fashionistas,a novidade dessa quinta edição fica por conta da “Pop Up Store #SSE” um espaço apenas para estilistas e peças de moda sustentável.
São eles: Flavia Aranha, Patrícia Moura, Flor de Seda, Limonada, Plant Your Tree, Iça, Catarina Mina, Luiz Eduardo Miguel, Recyclé, Coletivo Verde, Verdinha e Básica , D’Carvalho, Fulô de Crochê , Lillot e Peixes em Peixes. Teremos também acervos de coleções Juliana Jabour e Madrih, além de araras de brechós com peças de fashionistas. Parte da renda das vendas será revertida para Ong Deixe Viver de proteção aos animais.
Para celebrar a abertura da Pop Up #SSE, na 6 feira dia 03 de dezembro, às 18h, será realizado uma mesa redonda o tema “A criatividade a favor da nova era da moda sustentável”, ministrada por Chiara Gadaleta seguida de coquetel. As vagas são limitadas, para reservar o seu lugar envie um e-mail para chiara@chiaragadaleta.com .




Bazar Ser Sustentável com Estilo
Quando: 03/12 ao 10/12/2010
Horário: 12:00 as 20:00
Endereço: Rua Camiranga, 72 , Cerqueira Cesar ( subindo a Melo Alves, é uma vila logo depois da Oscar Freire)
Cidade: São Paulo – SP
Mais informações: Ser sustentável com estilo