Os dados do Amazonas em relação ao desmatamento podem ser considerados como o ‘cartão postal negativo’. Só em agosto do ano de 2015 e julho de 2016, a atividade irregular aumentou 54%
Maurício Voivodic é presidente da ONG ambiental WWF (Foto: Winnetou Almeida)
Amanda GuimarãesManaus Uma Zona Franca pautada por questões da sustentabilidade atrairia olhares de investidores estrangeiros para Manaus, conforme o diretor-executivo da ONG ambiental WWF-Brasil, Maurício Voivodic. Isso alavancaria de vez a economia do Polo Industrial que só em dois anos, entre 2015 e 2017, demitiu 24 mil pessoas. As empresas atuavam com 107,9 mil trabalhadores em maio de 2015 e no mês deste ano com 84 mil.
Segundo Maurício, os dados do Amazonas em relação ao desmatamento podem ser considerados como o ‘cartão postal negativo’. Só em agosto do ano de 2015 e julho de 2016, a atividade irregular aumentou 54%. O Estado teve 1.099 quilômetros quadrados desmatados contra 712 de agosto de 2014 a julho de 2015.
“Uma Zona Franca verde seria um cartão de visita internacional para os investimentos. Uma indústria pautada por isso ou uma empresa do futuro, que segue a economia verde, pode se interessar pelo Amazonas. Acredito que saída dos investidores da Zona Franca se deu pela imagem que o Amazonas e o Brasil têm de não se preocupar com a sua floresta. Não podemos estar ligados a imagem de degradação e desmatamento”, disse Maurício.
O Sul do Amazonas foi a região que teve maior área desmatada, sendo os municípios de Lábrea, Boca do Acre, Apuí e Manicoré os campeões em destruir a floresta. “Realmente o desmatamento, não só no Amazonas, mas na Amazônia inteira cresceu muito no ano passado. Já vem crescendo desde 2014 e 2015. Isso aconteceu em áreas protegidas. O principal fator para tudo isso é a crise econômica. O orçamento do Ministério do Meio Ambiente foi afetado, além da economia dos estados integrantes da Amazônia. Isso acaba restringindo as atividades de fiscalização e controle”, comentou o representante da WWF.
Maurício continua defendendo que o Brasil precisa parar de destruir os ecossistemas. Ele acredita que um país pode crescer sem desmatar florestas. “O crescimento do Estado do Amazonas e da Amazônia vai acontecer quando o Brasil se livrar da fama de país que desmata a sua floresta e acaba com os seus ecossistemas. Na medida em que o Brasil conseguir controlar as atividades de poluição. Será um país do futuro. Conseguirá outros investimentos”, defendeu mais uma vez.
Para acabar com os altos índices de desmatamento, Maurício afirma que as unidades de conversação ambiental precisam ser fortalecidas. “Vamos conseguir diminuir a taxa de desmatamento quando as unidades de conservação forem fortalecidas. Elas estão fragilizadas, com baixo orçamento e com gestões não desejadas. Controlar as atividades ilegais, como exploração de madeira e cria de pecuária dentro dessas áreas também são pontos que podem ser praticados. Por fim, precisamos estimular uma forma que as pessoas entendam que vale mais a pena manter a floresta em pé”, disse Voivodic.
Retrocessos
O representante da WWF também ressalta que o Brasil avançou durante 15 anos nas agendas ambientais, mas tudo foi deixado para trás nos últimos dois anos. Segundo ele, o Governo Federal se esqueceu das ‘propostas ambiciosas’ que promoviam melhorias em questões socioambientais.
“O país até avançou e apresentou metas de redução para combater as mudanças climáticas, mas tudo foi deixado para trás. Todo compromisso foi esquecido pelo Governo. O congresso tem um movimento muito articulado pelos deputados aliados de questões rurais para flexibilizar o assunto das reservas. Eles pretendem reduzir as áreas de proteção ambiental”, comunicou.
Uma das propostas citadas por Maurício são as medidas provisórias MP756/16 e MP 758/16, vetadas pelo presidente Michel Temer. A primeira alterava os limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no Pará, desmembrando parte de sua área para a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) do Jamaxim. Já a segunda modificaria os limites do Parque Nacional do Parque Nacional do Jamanxim e criaria a Área de Proteção Ambiental Rio Branco para dar passagem à Estrada de Ferro.
“Eram duas medidas provisórias, que foram originalmente apresentadas pelo Ministério do Meio Ambiente. Quando isso entrou no congresso, os deputados foram mudando o teor da proposta e aumentando o estrago. Ou seja, reduzindo a proteção dessas áreas em quase 600 mil hectares de floresta. A sociedade fez a pressão e as propostas foram vetadas pelo presidente. Mas pode voltar, porque ainda querem transformar as medidas em projetos de lei”, explicou.
Segundo a WWF, a ameaça paira sobre cerca de 10% do território das unidades de conservação federais, numa estimativa conservadora. Ofensiva contra as áreas protegidas vai de Norte a Sul do país e envolve uma área de cerca de 80 mil quilômetros quadrados, quase o tamanho do território de Portugual.
Demarcação de terras
Conforme Maurício, as terras indígenas é uma das formas mais eficientes para combater o desmatamento na Amazônia e no mundo. “Tradicionalmente, os povos indígenas vivem dos produtos que a própria floresta impõe. Então, eles não precisam desmatar para conseguirem sobreviver, porque vivem em uma interação com a floresta. O desmatamento impacta na vida deles, porque dependem de cipó, sementes, coleta de frutos, raízes e caça”, explicou.
A WWF acredita que se os processos de demarcação de terras continuassem mais áreas seriam preservadas “A demarcação é um processo muito importante no reconhecimento dessas áreas. É algo que precisa ser feito com diálogo. Defendemos que esse processo continue, mas que tudo seja feito como transparência”, comentou Voivodic.
Atuação no AM
A WWF é uma ONG brasileira, participante de uma rede internacional e comprometida com a consevação da natureza dentro do contexto social e econômico brasileiro. No Amazonas, segundo Maurício, a instituição atua em parceria com outros órgãos, como o Instituo Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas);
“Acreditamos que por meio das parcerias conseguimos avançar. No Amazonas, trabalhos com base nisso. Nosso foco principal é o Sul do Estado, já que é a região mais ameaçada do ponto de vista do desmatamento. Trabalhamos no apoio da realização de atividades sustentáveis, além de trabalhar no fortalecimento das áreas de preservação”, concluiu Maurício .
Luís Carlos Silva de Moraes: sociedade deve discutir o que fazer com os recursos naturais
Sustentabilidade custa e a conta será faturada para toda a sociedade.
A frase, polêmica, é do procurador-seccional da Fazenda Nacional em Rio Preto, Luís Carlos Silva de Moraes, que participou a elaboração do Código Florestal como assessor aos relatores na Câmara de Deputados e no Senado, e esteve no Seminário:
"Agronegócio, Sustentabilidade e Meio Ambiente".
Ele sustenta a posição que de que toda proposta que se refere à ocupação de áreas no País, principalmente nas regiões mais economicamente desenvolvidas, implica necessariamente em custos e se reflete na capacidade de aumentar ou reduzir a produção agropecuária.
Por isso, ele defende a necessidade de que a sociedade discuta abertamente o que deseja fazer com seus recursos e necessidades e defina, com moderação, as diretrizes para exploração do solo.
“Todo mundo fala em sustentabilidade, mas ninguém chegou para a população e disse que é ela que vai pagar a conta”, afirmou.
“É preciso avançar nessas questões, porém aos poucos, para que o possível não se torne impossível.
Combatem agronegócio não é porque ele polui, é porque ele consegue anular a sua poluição e ainda fazer para os outros.
Não tem almoço grátis. Vamos ter de fazer algumas escolhas.”
Para o procurador-seccional, agronegócio, sustentabilidade e meio ambiente devem ser tratados com a mesma importância.
Ele afirmou que agropecuária vem fazendo sua parte.
A quantidade de áreas utilizadas pela agropecuária no País aumentou 17%, enquanto a produção subiu 37%, ou seja, produziu-se mais em menos espaço, no comparativo de 2014 com 2015.
“De 1965 até hoje reduzimos em 65% o preço dos alimentos comparado ao preço da cesta básica, isso com tecnologia.
O agronegócio utiliza tecnologia com arranjo social e acaba vitimizado porque precisam das terras para resolver o problema do petróleo.”
Na opinião dele, é preciso fazer escolhas entre reflorestar e colaborar para acabar com a fome no mundo. “Querem usar mais terra de floresta.
Vamos fazer isso e ajudar a acabar com a fome ou vamos pensar em sustentabilidade e ignorar o problema?
Preciso aumentar a produção (de alimentos) em 40% para 2030 e em 70% em 2050, senão a fome no mundo não acaba.
E aí? Se eu mantiver muito mais terra com vegetação nativa, eu terei fome no mundo.”
Pressão nos preços
Outra questão apontada pelo procurador-seccional da Fazenda Nacional em Rio Preto é que, com a população crescendo e com menos plantações, aumenta a dificuldade de manter os preços baixos dos alimentos.
Ele alerta para o fato de que a substituição de áreas produtivas de alimentos próximas aos grandes centros por matas nativas obriga estas cidades a se abastecerem em propriedades rurais cada vez mais distantes, o que encarece o custo de transporte e provoca o aumento do preço final dos produtos, o que é prejudicial para a população, principalmente para as pessoas com baixa renda.
“O Brasil é pequenininho. Metade do país (55,22% do território) é áreas de conservação, terras indígenas e áreas florestais públicas que não podem ser compradas.
Só teria disponibilidade de terra na região Norte, mas lá não é possível.
O restante, para expandir, só com tecnologia.”
Moraes contou que um estudo da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), aponta que é preciso colocar vegetação no Brasil justamente onde o País está mais povoado. “E se eu jogar esse povo para o outro lado, a floresta Amazônica vai ficar em pé?
Vamos fazer o reflorestamento e vai ficar tudo igual – considerando trabalho, emprego, comida?”
Ele afirmou que áreas com grande quantidade de vegetação não refletem alto índice de desenvolvimento humano (IDH) para a população residente. “Basta você olhar no mapa. São exceções os municípios que ficam próximos de grandes florestas que possuem alto IDH.”
Ele chegou a provocar a plateia, perguntando quem gostaria de trocar Rio Preto por uma cidade em locais isolados, onde há abundância de matas nativas, mas a qualidade de vida é baixa porque a economia nestas áreas é pobre.
De acordo com Moraes, o Código Florestal irá afetar principalmente as cidades pequenas.
“Vai aumentar muito a vegetação nativa, mas todos os municípios abaixo de 10 mil habitantes, que correspondem a 90% do País e que vivem do Fundo de Participação dos Municípios e Fundo de Participação dos Estados, não vão ter mais dinheiro para continuar oferecendo serviços a população.”
O resultado é que será necessário compensar estas perdas com IPTU ou outra fonte de recursos financiada pelos moradores.
Arena para games receberá campeonatos durante o Greenk
Tech Show - Divulgação
SÍLVIA HAIDAR DE SÃO PAULO
Desta sexta (23) até domingo (25), o parque Ibirapuera recebe a primeira edição do Greenk Tech Show, evento voltado para fãs de tecnologia.
O tema é o descarte correto de lixo eletrônico –quem levar objetos como celular e bateria velhos paga meia-entrada.
Uma arena receberá campeonatos de games, em que a partida principal será um jogo da Fifa 2017 disputado entre um time de ex-jogadores de futebol, como Vampeta, Denílson e Viola, e um de YouTubers, como Gordox e Wendell Lira.
Também haverá competição de drones, corrida de cosplays e palestras.
Pavilhão da Bienal - Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, parque Ibirapuera, região sul, tel. 3285-5410. Sex.(23) a dom. (25): 10h às 20h. Livre. Ingresso: R$ 65.
Santos (SP): leis modernas de utilização do espaço garantiram liderança em ranking de urbanismo (Turismo Santos/Divulgação)
São Paulo – O que é necessário para integrar o seleto grupo das cidades mais inteligentes de um país? Segundo a consultoria Urban Systems, a resposta é única: uma cidade só é inteligente e conectada quando consegue pensar o planejamento urbano e o desenvolvimento econômico de uma maneira integrada.
No entanto, quando se olha para cada um dos 11 critérios avaliados pelo estudo, outras cidades também são destaque. Veja as campeãs:
Mobilidade – São Paulo (SP)
São Paulo (SP) é a campeã em mobilidade urbana, apesar das mudanças no modelo das ciclovias e ciclofaixas. A cidade tem a maior integração do país entre diferentes tipos de transportes, com ampla rede de metrô e trens em relação ao restante do país, mais de 400km de ciclovias e corredores exclusivos para ônibus.
Posição no ranking geral: 1º
Urbanismo – Santos (SP)
Santos (SP), no litoral paulista, saiu na frente por ter modernizado as leis de ocupação do espaço urbano, ao contrário de outras cidades do mesmo porte que têm legislação antiga. Segundo a Urban Systems, Santos se encaminha para se tornar um modelo de cidade inteligente com a construção de um centro operacional que integra trânsito, serviços públicos e segurança. Inteligência cidadã:
A capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, tem altos índices de saneamento e de coleta de lixo, o que ajudou a garantir o topo do ranking de Meio Ambiente.
O uso de energia solar no Mineirão também contou pontos a favor de BH, que já é conhecida como a capital solar do país.
Posição no ranking geral: 4º
Tecnologia e Inovação – Rio de Janeiro (RJ)
O Rio de Janeiro (RJ), apesar de enfrentar problemas econômicos e políticos, desbancou São Paulo e voltou a encabeçar o ranking de Tecnologia da Urban Systems, porque os investimentos na área continuam em expansão.
O destaque fica por conta do ambiente inovador, presença de instituições de apoio, e a infraestrutura dos centros de ensino superior, como na UERJ, UFRJ, PUC e FGV.
Posição no ranking geral: 3º
Saúde – Vitória (ES)
Vitória, capital do Espírito Santo, tem o maior índice de médicos em atividade por habitante no país (9,02 médicos para cada mil moradores), garantindo o primeiro lugar no ranking de Saúde.
A Rede Bem Estar, sistema de software municipal, integra unidades de saúde, pronto-atendimentos, farmácias, laboratórios, consultórios odontológicos e centros de referência e de especialidades.
Posição no ranking geral: 5º
Educação – Curitiba (PR)
Curitiba (PR) ganhou destaque em Educação graças à formação dos professores (97,6% dos docentes de ensino médio têm formação universitária), e à existência do projeto Cereja (Centro Regional de Educação de Jovens e Adultos).
O projeto foi premiado com a Medalha Paulo Freire do Ministério da Educação, que reconhece iniciativas bem sucedidas na redução do analfabetismo.
Posição no ranking geral: 2º
Empreendedorismo – São Paulo (SP)
Mais um critério em que São Paulo (SP) sai na frente. O grande mérito foi o anúncio do Programa Empreenda Fácil, da gestão Doria, que vai reduzir o prazo de abertura de empresas dos atuais quase 100 dias para 7 dias.
A cidade também apresenta potência econômica, condições de mercado, acesso a capital e conectividade.
Posição no ranking geral: 1º
Governança – Barueri (SP)
A cidade de Barueri (SP) apresenta indicadores acima da média no quesito governança, como a nota 0,8795 no Índice Firjan de Desenvolvimento; nota 8,89 na escala Brasil Transparente; existência de conselhos municipais em 5 áreas; maior despesa com Saúde entre as cidades analisadas ( 2.147,80 reais por habitante); e segunda maior despesa com Educação (2,484,10 reais por habitante).
Posição no ranking geral: 13º
Economia – Barueri (SP)
Segundo pódio para Barueri (SP): a cidade também tem o maior PIB per capita de todas as analisadas, de 177,8 mil reais por habitante.
Barueri é pólo de empregos nos setores de serviços, negócios, logística e indústria. A cidade também apresenta níveis baixíssimos de dependência do setor público: 95% dos empregos estão associados à iniciativa privada.
Posição no ranking geral: 13º
Segurança – Vinhedo (SP)
A cidade de Vinhedo (SP) tem um baixo índice de violência, com uma taxa média de homicídios por arma de fogo de 0,5 por 10 mil habitantes.
Os gastos com segurança são de 220 reais por habitante. Além disso, há 1,94 policiais, guardas civis e agentes de trânsito para cada mil habitantes.
Posição no ranking geral: 39º
Energia – Tubarão (SC)
A cidade de Tubarão (SC) foi destaque no ranking da Urban Systems em geração de energia renovável. Tubarão tem a maior usina solar e a maior potência outorgada para geração fotovoltaica (solar) do Brasil, de 3.068 kilowatts.
Também tem 2.100 kW em potência de usinas eólicas. Em 2017, a região tomou uma iniciativa de integração: a Unisul começou a ofertar um curso de pós-graduação em energias renováveis e sustentabilidade.
Está sobrando dinheiro para projetos verdes e sustentáveis. O Brasil tem um potencial imenso para atrair parte dessa fortuna. Empresas brasileiras como Suzano, BRF, Fibria e CPFL, já se movimentam para ganhar a confiança dos investidores
Rodrigo Caetano
Quem acompanha a evolução do conceito de sustentabilidade nas empresas sabe que o dinheiro, inicialmente visto como um obstáculo, sempre exerceu um papel central no desenvolvimento de uma economia mais limpa e humana.
Racionalmente, não há argumento possível contra a ideia de melhorar o mundo.
A não ser quando se trata de reduzir o crescimento econômico, seja das empresas, seja dos países.
Nesse ponto específico, sustentabilidade e dinheiro, a todo o momento, são colocados como conceitos antagônicos, ligados umbilicalmente, mas caminhando em direções opostas, um impossibilitando o avanço do outro.
Agora, quem observa os avanços sociais, ecológicos e econômicos dos últimos anos, sabe, também, que essa conjuntura mudou.
O dinheiro, hoje, está para a sustentabilidade assim como a cerveja está para o personagem de desenho animado Homer Simpson: é a causa, e a solução, de todos os problemas.
A grana e, especificamente, o lucro, deixaram de representar barreiras intransponíveis para o desenvolvimento sustentável, ainda que, contraditoriamente, sejam responsáveis por muitas das mazelas globais.
O capitalismo desenfreado e predatório segue como o grande responsável pelo desmatamento, pela emissão de gases do efeito estufa, pela desigualdade social etc.
Ao mesmo tempo, é o mercado financeiro que dá um impulso fundamental para o avanço da economia de baixo carbono e socialmente responsável.
E faz isso na forma de uma montanha de dinheiro.
Mais especificamente, de US$ 7 trilhões. Este é o montante que, segundo cálculos de ONGs e entidades que monitoram o mercado financeiro, será deslocado da chamada economia “suja” e colocado na economia “limpa nos próximos cinco anos.
Pioneirismo verde: Walter Schalka (à frente e à dir.), Marcelo
Bacci (à frente e à èsq.) e a equipe da Suzano responsável pela
emissão dos Green Bonds. Os recursos serão utilizados em
projetos de energia renovável e gestão florestal, entre outros
(Crédito:Divulgação)
Segundo Jorge Pinheiro Machado, diretor na América Latina do Regions of Climate Action (R20), coalizão de governos municipais e estaduais, empresas e entidades do terceiro setor, fundada pelo ator e ex-governador da Califórnia (EUA) Arnold Schwarzenegger, a conta leva em consideração os grandes fundos de investimentos globais, como os soberanos e os de previdência, além de seguradoras, gestores de recursos e outros agentes do mercado financeiro que estão oficialmente comprometidos a descarbonizar parte de seus portfólios.
Em média, calcula-se que 5% dos ativos desses gestores passarão por esse processo.
São atores financeiros que fazem parte de uma série de movimentos voltados para uma atuação mais responsável dos investidores, caso do Principles for Responsible Investment (PRI), iniciativa da ONU que promove a inclusão de critérios sociais e ambientais na lógica dos investimentos. Seus mais de 1,7 mil signatários concentram nada menos do que US$ 62 trilhões em ativos.
Caso também do Carbon Disclosure Program (CDP), ONG que visa incentivar as empresas a mapearem e divulgarem informações sobre gestão de mudanças climáticas.
Financiado pelo governo britânico e pela Rockefeller Foundation, o CDP é, hoje, o maior banco de dados sobre os impactos climáticos das empresas no mundo. Seus mais de 800 signatários são responsáveis por gerir cerca de US$ 100 trilhões em ativos.
“Nós sabemos que há um forte movimento para a descarbonização dos investimentos”, afirma Juliana Lopes, diretora do CDP na América Latina.
“Mas, apesar dos valores envolvidos estarem na casa dos US$ 7 trilhões, há uma dificuldade em fazer essa pauta avançar.”
Entre os fundos comprometidos com o movimento estão, por exemplo, o Fundo Soberano da Noruega, um dos maiores do mundo, com cerca de US$ 1 trilhão em ativos, que recentemente retirou do seu portfólio empresas que exploram a cadeia do carvão.
Nos Estados Unidos, o Fundo de Pensão de Nova York, terceiro maior do tipo no país, também está descarbonizando seus ativos, que somam US$ 185 bilhões.
O fato é que o mundo parece ter chegado a um ponto de inflexão, no qual a velha dicotomia entre sustentabilidade e desenvolvimento resiste apenas como pensamento ideológico, de ambos os lados.
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Impacto social: para Jim Vella, presidente do Ford Fund, não há como dissociar a empresa do impacto social que ela gera. A montadora fez uma parceria com a ONG brasileira Artemisia, focada no desenvolvimento de negócios sociais, para incentivar a criação de novos modelos de negócios (Crédito:Jemal Countess/Getty Images for AWRT/AFP)
“Sempre tivemos, de um lado, os ativistas, e de outro os desenvolvimentistas. Ambos estão errados”, afirma Pinheiro Machado, do R20.
“Não se trata de evitar uma catástrofe global, nem de negar o aquecimento global. Esse movimento representa uma oportunidade de negócios.” Quem ficar de fora, irá perder dinheiro? Não necessariamente.
Mas é inegável que o momento é de mudança para uma nova economia, pautada na sustentabilidade e financiada pelos donos das maiores fortunas do mundo.
“O empresário que não se engajar nessa transformação deixará sua empresa atrasada”, diz Pinheiro Machado.
OPORTUNIDADES
O fenômeno da descarbonização dos grandes fundos cria oportunidades em áreas como energias renováveis, gestão de recursos hídricos, mobilidade urbana, controle da poluição, adaptação às mudanças climáticas, entre outras.
Qualquer empresa pode se candidatar a uma fatia do bolo, desde que tenha acesso ao mercado financeiro.
Mas, como qualquer modalidade de investimento e crédito, é preciso dar garantias aos donos do dinheiro.
Apesar da vontade declarada de aportar esse dinheiro, ninguém irá distribuir US$ 7 trilhões a esmo, nem financiará uma empresa apenas por ela pintar seu logotipo de verde e separar o lixo reciclável.
Parte desse movimento dos financistas sustentáveis consiste em criar e promover mecanismos financeiros que permitam ao capital encontrar oportunidades seguras e em conformidade com padrões fiduciários internacionais.
“Esse é um desafio para as bolsas de valores do mundo inteiro”, afirma Sonia Favaretto, diretora de imprensa, sustentabilidade de comunicação da B3, a bolsa brasileira.
“Há uma demanda crescente por investimentos ‘verdes’ e estamos buscando criar ferramentas para o investidor nesse mercado, como índices e títulos de dívida.”
Nesse sentido, uma das opções mais populares são os chamados green bonds, ou títulos verdes.
Os green bonds são, basicamente, títulos de dívida convencionais, com algumas exigências a mais. O emissor se compromete a destinar os recursos captados em projetos verdes.
Ele também deve adotar algum nível de transparência sobre o uso desses recursos e, o mais importante, validar o projeto por meio de uma avaliação externa. O primeiro título verde emitido foi listado pela bolsa de valores de Luxemburgo (LuxSE), em 2007.
Desde então, somente na LuxSE, outros 114 green bonds foram emitidos, totalizando um valor de US$ 55 bilhões.
Estima-se que, até 2020, esse mercado movimente US$ 1 trilhão, globalmente. Quatro empresas brasileiras entraram nessa onda e emitiram seus green bonds: Suzano Papel e Celulose, BRF, Fibria e CPFL (veja quadro ao final da reportagem).
“Os investidores valorizam empresas sustentáveis durante o processo de alocação de capital”, afirma Walter Schalka, presidente da Suzano.
“E a nossa empresa depende de recursos naturais para o seu dia a dia.
Por isso, quanto mais praticarmos ações de conservação, mais contribuiremos para a perenidade dos nossos negócios.”
Crédito responsável: o Itaú está incluindo os impactos ambientais e sociais em seus cálculos de risco, tanto para investimentos quanto para a concessão de crédito. Para Denise Hills, superintendente de sustentabilidade do banco, há uma mudança cultural sendo promovida na empresa (Crédito:Divulgação)
Entre os projetos a serem financiados pelos títulos verdes da pela Suzano, cujos valores ultrapassam a marca dos R$ 2 bilhões, estão questões puramente ambientais, como a restauração de florestas nativas, mas também iniciativas ligadas diretamente ao negócio da companhia, caso da gestão florestal e do uso da água.
Mas o ponto principal dessa abordagem não está na busca por um crédito mais barato – os green bonds, por sinal, acabam saindo até mais caros pela necessidade de avaliação externa.
“Estamos nos posicionando”, afirma Marcelo Bacci, diretor executivo de finanças e de relações com investidores da empresa.
Ele explica que, no futuro, esse tipo de postura será pré-requisito não só para a atração de recursos, como para a obtenção de crédito.
Essa visão é compartilhada por Elcio Ito, diretor de finanças e relações com investidores da BRF.
“Esse é o caminho que o mercado está tomando e, à medida que o volume de emissões cresça, seu custo se tornará mais competitivo”, afirma Ito.
A empresa de alimentos foi a primeira a utilizar o modelo, emitindo notas no valor de € 500 mil, em 2015.
Do lado das instituições financeiras, a visão é de que, no fundo, todo esse papo de sustentabilidade se resume a uma só palavra: risco.
“Empresas que adotam estratégias sustentáveis são mais eficientes e, portanto, oferecem menos risco para investidores e credores”, afirma Denise Hills, superintendente de sustentabilidade do Itaú.
Maior banco privado do Brasil, o Itaú vem, há alguns anos, incorporando análises de impacto social e ambiental em seus cálculos de risco. Clientes corporativos que não se enquadram nessas políticas têm mais dificuldade em conseguir empréstimos.
Segmentos da economia com alta emissão de carbono, como o de energias sujas, também possuem classificação de risco de crédito (rating) mais baixa. Ao mesmo tempo, os executivos do Itaú estão sendo compelidos a pensar de forma sustentável no momento de criar ou vender produtos.
O departamento comandado por Hills, por sinal, tem poder de veto sobre qualquer iniciativa comercial da empresa.
Se ela disser não, somente a presidência do banco, hoje sob o comando de Candido Bracher, pode reverter a decisão.
“É uma mudança cultural que estamos promovendo, com total apoio da liderança da empresa”, diz Hills.
Para Tomás Carmona, superintendente de sustentabilidade da Sulamérica, uma das maiores seguradoras brasileiras, o mundo está caminhando para uma nova economia e, a partir do momento em que o mercado financeiro entra nessa trilha, não há como evitá-la.
“A economia baseada no uso descontrolado dos recursos naturais já entrou no cheque especial faz muito tempo”, diz Carmona. “Há quem ainda foque apenas nos ganhos imediatos.
Mas, no caso de uma seguradora, ou de fundos de pensão, é preciso considerar um intervalo de tempo de décadas.”
Nesse sentido, desconsiderar o risco de uma mudança climática, ou um impacto social grave, torna-se muito arriscado.
Potencial florestal: plantação de eucaliptos da Fibria.
O setor de celulose tem grandes chances de atrair investimentos
verdes pela capacidade de sequestrar e armazenar carbono,
graças às suas florestas plantadas
(Crédito:Danilo Verpa/Folhapress)
Por esse motivo, a Sulamérica adotou critérios como o de não investir em energias sujas ou empresas de tabaco.
Outra questão é que muitos negócios estão sendo amplamente transformados por causa da tecnologia.
Isso faz empresas como a Ford, segunda maior montadora americana, a buscarem novas ideias, e isso envolve olhar para fora da empresa.
“Não podemos desassociar a empresa do impacto social que ela causa”, afirmou Jim Vella, presidente do Ford Fund, braço de filantropia da companhia, que esteve no Brasil na semana passada para anunciar uma parceria coma ONG Artemisia, focada em negócios de impacto social.
Para pegar sua parte dos US$ 7 trilhões, as empresas brasileiras precisam fazer a lição de casa e desenvolver projetos que se qualifiquem às demandas dos investidores.
Algumas já saíram na frente. Das quatro que emitiram títulos verdes, duas estão no setor de papel e celulose (Suzano e Fibria), uma no agronegócio (BRF) e outra no setor de distribuição de energia (CPFL).
Não é apenas coincidência. Essas são áreas com grande potencial para atrair investimentos sustentáveis.
As empresas de celulose são grandes gestoras de florestas que, naturalmente, sequestram e estocam carbono, contribuindo para a redução dos gases de efeito estufa na atmosfera.
Ou seja, se bem geridas, essas companhias facilmente se enquadram numa modelo econômico de baixo carbono, sendo elegíveis para receber uma fatia dos US$ 7 trilhões.
O mesmo vale para o segmento de energia. Tanto que a CPFL, recentemente comprada pela chinesa State Grid, possui um braço focado nas renováveis, a CPFL Renováveis.
O caso do agronegócio é um pouco mais complexo.
DESTINO NATURAL
Pelas suas características, o Brasil tem um potencial gigantesco para atrair investimentos verdes. Mais de 60% do território nacional é coberto por florestas, sejam nativas ou plantadas. Há abundância de sol e vento para a geração de energia limpa, sem contar o etanol, que pode facilmente substituir a gasolina no transporte. E tem o agronegócio, que também poderia se colocar como uma força nessa nova economia. Mas, ainda que empresas como a BRF caminhem nessa direção ao adotarem ferramentas avançadas de gestão no campo, existe um setor ruralista atrasado, que baseia suas estratégias na abertura de novos pastos com a derrubada de florestas.
Eficiência verde: a BRF foi a primeira empresa brasileira a
emitir um título verde, em 2015. Os recursos serão utilizados
na melhoria dos processos industriais, no desenvolvimento
de embalagens sustentáveis e na gestão dos recursos hídricos
(Crédito:Divulgação)
“Nos últimos anos, houve um aumento no desmatamento da Amazônia, o que prejudica a credibilidade do Brasil junto aos investidores internacionais”, afirma Juliana Lopes, do CDP.
Recentemente, o Congresso aprovou algumas Medidas Provisórias que reduzem a área de proteção ambiental no Parque do Jamanxim, no Pará. “Isso é um enorme retrocesso”, diz Lopes.
O singular, nesse caso, é que, em tempos de crise econômica, há uma enorme oportunidade para o País, que é amplamente reconhecida pelos investidores e analistas de fora, mas ignorada, em grande medida, internamente.
O ceticismo, é verdade, não é exclusivo do Brasil. Existem ainda alguns setores que resistem às mudanças e, para isso, utilizam-se de discursos pouco embasados, como o de que o aquecimento global é uma “farsa promovida pelos chineses para prejudicar a economia ocidental”.
Esse grupo encontra na figura de Donald Trump seu grande expoente. Agora, basta olhar para os Estados Unidos, mais especificamente para a Califórnia, para verificar como abraçar a economia de baixo carbono é uma ideia melhor do que negar a ciência.
O estado da costa Leste é um símbolo da nova economia e, há pelo menos cinco anos, vem superando todos os outros estados em praticamente qualquer métrica econômica.
A Califórnia concentra 12% da população americana, mas foi responsável por 17% da criação de empregos no país, entre 2012 e 2016, e por um quarto do crescimento do PIB, no mesmo período.
Isso graças a uma economia focada na tecnologia e na inovação. Recentemente, no dia em que Trump anunciou que vai retirar os EUA do Acordo de Paris, o ex-governador Schwarzenegger publicou um vídeo com um recado ao presidente.
“Nós temos as leis ambientais mais rígidas do país e, no ano passado, geramos mais empregos do que qualquer outro Estado”, afirmou o astro de
“O Exterminador do Futuro”. “E nenhum outro homem pode voltar no tempo.
A Rede de Cidades Criativas da UNESCO — da qual Florianópolis é membro na categoria Gastronomia — está celebrando neste dia 18 de junho o Dia da Gastronomia Sustentável.
Considerando a importância global do dia, a Rede quer compartilhar as melhores práticas e promover a criatividade no campo da gastronomia sustentável. Diversas cidades ao redor do mundo estão discutindo o tema e desenvolvendo atividades relacionadas.
Como Cidade UNESCO da Gastronomia, Florianópolis está divulgando a data no Brasil como forma de reforçar a importância da cultura gastronômica com foco em produtos locais e sustentáveis.
“O Programa Florianópolis Cidade UNESCO da Gastronomia tem o compromisso de estimular o consumo de produtos locais e sustentáveis, pois são estes produtos que tornam a nossa cultura gastronômica singular e tão valorizada”, analisa a presidente da FloripAmanhã, Anita Pires.
“Temos na nossa região uma boa produção de hortaliças, com crescente valorização dos produtos orgânicos, sem falar nos pescados e ostras frescos que formam a base da nossa culinária”, completa.
Em 23 de novembro de 2016, a Assembléia Geral das Nações Unidas designou 18 de junho como Dia da Gastronomia Sustentável.
A decisão reafirma a resolução 70/1, de 25 de setembro de 2015, intitulada “Transformar o nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, na qual adotou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, inclusive promovendo o desenvolvimento agrícola, segurança alimentar, nutrição, produção sustentável de alimentos e Conservação da biodiversidade.
Grupo Gestor
O Grupo Gestor do Programa Florianópolis Cidade Criativa UNESCO da Gastronomia — cuja coordenação técnica é realizada pela Associação FloripAmanhã — conta com a participação da ABRASEL (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Santa Catarina), CDL Florianópolis, CEART/UDESC (Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina), Faculdades Estácio/ASSESC, Fecomércio – SC, Florianópolis e Região Convention & Visitors Bureau, IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), Minha Floripa, SANTUR, SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina), Secretaria Municipal de Turismo de Florianópolis, SESC (Serviço Social do Comércio de Santa Catarina), SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de Santa Catarina), SHRBS (Sindicato de Hotéis Restaurantes Bares e Similares de Florianópolis), UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina) e UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina)
O Programa Florianópolis Cidade Criativa UNESCO da Gastronomia tem como parceiros estratégicos a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Bristish and American, Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), SEBRAE-SC, SENAC e Propague.
Além de Florianópolis, a Rede Mundial de Cidades Criativas – Gastronomia é composta pelas cidades de Shunde e ChengDu (China), Tsuruoka (Japão), Popayán (Colômbia), Zahlé (Libano), Jeonju (Coréia do Sul), Östersund (Suécia) e as novas integrantes (desde dezembro 2015) Belém (Brasil), Ensenada (México), Rasht (Irã), Dénia (Espanha), Tucson (EUA), Phuket (Tailândia) e Gaziantep (Turquia).
Quase 4,5 milhões de pessoas já visitaram os atrativos do Complexo Turístico Itaipu (CTI), desde 2007, quando foi adotado na usina de Itaipu o modelo de turismo sustentável.
Nestes 10 anos, completados na quinta-feira, 1, a atuação do CTI foi reconhecida pela Organização Mundial de Turismo (OMT) em duas oportunidades: com o Prêmio de Excelência e Inovação do Turismo e como exemplo de modelo de turismo sustentável na página da entidade.
Nesse modelo desenvolvido pelo CTI e administrado pela Fundação Parque Tecnológico Itaipu (Fundação PTI), o dinheiro obtido com a venda dos ingressos das sete atrações turísticas paga toda a operação – incluindo custos com renovação da frota de ônibus e combustível, e 140 empregos diretos e 150 indiretos.
Além disso, parte dos recursos vai para o Fundo Tecnológico. Desde 2007 até maio deste ano, quase R$19 milhões foram destinados a esse fundo, que financia projetos do PTI, nas áreas de pesquisa, desenvolvimento, inovação, educação e empreendedorismo.
O gerente do CTI, Yuri Benites, explica que, dentro do PTI, esse recurso é distribuído entre uma série de iniciativas do Parque voltadas ao desenvolvimento da região, como bolsas de pesquisa, laboratórios, e programas e projetos, como o Estação Ciências; Ciência, Tecnologia e Inovação; a Incubadora Santos Dumont; e o Centro de Estudos Avançados em Segurança de Barragens (Ceasb).
Foi esse modelo que, em 2016, recebeu um dos prêmios mais importantes do setor no mundo, o da OMT; e que foi citado como exemplo no site da organização, que declarou 2017 como Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento.
Benites conta que muitos turistas elogiam o modelo do complexo. “Eles entendem que estão pagando por um serviço e que recebem um acompanhamento nessa visita.
Esse é um diferencial nosso, porque não são todos os atrativos que têm visita guiada. Os visitantes também ficam contentes ao saber o destino que é dado à receita obtida”, afirma.
O gerente ressalta ainda que, ao longo destes 10 anos em que o CTI vem sendo administrado pela Fundação PTI, a principal preocupação é com a melhoria da experiência do turista.
“Todo o modelo vem sendo cada vez mais pensado para a experiência do turista, saindo um pouco somente da contemplação, que é como era feito desde o tempo da construção da usina, quando as pessoas já visitavam a obra”, diz.
Para isso, as características dos passeios vêm sendo adaptadas pensando nos visitantes, como, por exemplo, os tempos e pontos de parada dos sete atrativos: Visita Panorâmica, Circuito Especial, Kattamaram, Refúgio Biológico, Iluminação da Barragem, Ecomuseu e Polo Astronômico.
Em virtude da crescente procura pelo passeio mais completo da usina, o Circuito Turístico, o CTI também aumentou a capacidade de atendimento da atração, a partir desta quinta-feira.
A grade de horários foi reformulada, e o número de saídas caiu de oito para seis diárias, mas a capacidade dos ônibus em cada uma delas aumentou.
Comemoração
O CTI preparou uma programação especial para comemorar os 10 anos de turismo sustentável: durante toda o dia, no hall de entrada do complexo, foi apresentada uma exposição sobre os resultados desse modelo, e um vídeo com a explicação sobre o destino dos recursos dos ingressos foi exibido no Centro de Recepção de Visitantes (CRV).
Durante os passeios, também foram sorteados brindes para os visitantes.