A Sustentabilidade na Agenda 2030: o lugar do Brasil nos rankings internacionais

João Antonio dos Santos Lima



Se, por um lado, o Brasil alcançou várias metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), credenciando o país como uma fonte de boas práticas principalmente em áreas sociais, o mesmo não se pode afirmar em questões relativas ao meio ambiente. 

De acordo com o Greenpeace, apesar da redução do desmatamento entre 2005 e 2012, o desmatamento entre agosto de 2015 e julho de 2016 foi de 7.989 km², 29% maior que no período 2014-2015. A título de comparação, a liberação de 586 milhões de toneladas de carbono equivalente se compara à missão de gás por todos os automóveis no Brasil em um período de 8 anos.

No entanto, diante da multiplicidade de indicadores, avaliações e desafios, dois conjuntos de rankings devem ser levados em consideração, antes de determinados pré-julgamentos. 

Em primeiro lugar, há rankings voltados para a avaliação de capacidades, seja exclusivamente sobre o meio ambiente, seja pela noção de desenvolvimento sustentável, que une também questões sociais e econômicas. Nesse caso, o Environmental Performance Index, da Universidade de Yale, classifica o Brasil em 46º, de um total de 180 países, de acordo com 9 temas: 
a) impacto na saúde; 
b) qualidade do ar; 
c) água e saneamento; 
d) recursos hídricos; 
e) agricultura; 
f) florestas; 
g) pesca; 
h) biodiversidade e habitat; 
e i) clima e energia. No Ranking da Robeco and RobecoSAM, o Brasil está em 42º, após a avaliação de 17 indicadores que compreendem pesos para indicadores sociais, de governança e ambientais.

Em segundo lugar, há rankings relacionados às capacidades naturais, isto é, a balança entre o que a natureza produz e o que se consome dela. De acordo com o Ecological Footprint, o Brasil é o nono país com mais créditos, entre produção e consumo. 

A biocapacidade do país excede em 190% o consumo de sua população. 

Nesse ranking, o país fica atrás de Guiana, Congo, República Central Africana, Bolívia, República Democrática do Congo, Timor-Leste, Uruguai e Eritreia. 

Nesse ranking, dois pontos merecem destaques: a diversidade e riqueza ambiental do país; e o nível econômico, em termos de consumo, da sociedade. Por exemplo, no outro extremo, Cingapura tem uma taxa de consumo de 16.000% superior à biocapacidade do país.

Em suma, diante de inúmeros comunicados, análises, indicadores e objetivos, vale a pena ressaltar a natureza de diferentes indicadores, o sucesso absoluto e relativo de políticas chaves, ligadas não apenas à proteção do meio ambiente, como também, àquelas que garantem a estabilidade de curto, médio e longo prazo, contribuindo, assim, para a estabilidade política e econômica dos países.
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Imagem 1 Sustentabilidade aninhada ” (Fonte – Ecological Foodprint):
Imagem 2 Equilíbrio entre meio ambiente, sociedade e economia ” (Fonte):

Economia de Baixo Carbono é meta para o governo brasileiro!




Durante a 22ª Conferência das Partes (COP 22) sobre Mudança do Clima, em Marrakech, no Marrocos, o Governo Brasileiro e instituições internacionais lançaram a Lab Brasil para o Financiamento do Clima. 

A medida mobiliza projetos voltados ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, contando com a participação de especialistas do setor público, da iniciativa privada e da sociedade civil com o objetivo estabelecer medidas inovadoras capazes de garantir o financiamento para ações de baixa emissão de gases de efeito estufa. ‎

Ocupando um papel estratégico na agenda ambiental mundial, o Brasil definiu as áreas de florestas, agricultura e energia como sendo as prioritárias para implementação de ações sustentáveis, pois os setores são considerados essenciais ao cumprimento das metas nacionais de corte de emissões. Para isso, é preciso reforçar o diálogo com o setor financeiro para explorar oportunidades de negócios, tudo dentro de uma economia de baixo carbono.

Segundo o Portal Brasil, a Lab Brasil faz parte de uma plataforma maior, o Global Innovation Lab, endossado pelo G7, grupo que reúne as principais economias mundiais: 

Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. 

Desde o lançamento, em 2014, o Lab atraiu cerca de US$ 600 milhões (R$ 1,9 bilhão) em compromissos de financiamento para projetos pilotos em energias renováveis, eficiência energética, agricultura inteligente e de uso da terra.

Com a implantação do Lab Brasil foi aberta uma nova frente de trabalho focada no Brasil, pois as propostas que serão selecionadas de acordo com critérios estabelecidos pelo Global Lab, deverão apresentar potencial para apoiar a implementação da meta brasileira de corte de emissões. 

As oportunidades de negócios a serem gerados dentro da economia de baixo carbono são imensas, tendo em vista a movimentação internacional para que sejam aplicadas as metas de redução dos gases do efeito estufa.

Para mais informações entre em contato conosco: 


Agronegócio sustenta maior superávit da história da balança comercial brasileira

Com sete produtos entre os dez mais exportados pelo país em 2016, o campo teve participação decisiva no resultado

                                                                            Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Colheita da soja: as exportações da oleaginosa caíram, mas ela continua como a líder no ranking dos produtos mais exportados em 2016

Da Redação, com agências

A balança comercial do Brasil teve o maior resultado positivo da história em 2016. 

Com sete produtos entre os dez mais exportados pelo país em 2016, o campo teve participação decisiva no maior superávit registrado pela balança comercial brasileira desde o início da série histórica, em 1989.

Em parte, o saldo é consequência da recessão econômica no Brasil e do dólar em alta, que levaram a uma queda de 20,1% nas importações. 

Por outro lado, a moeda americana valorizada evitou um tombo maior nas exportações e a receita caiu apenas 3,5%, com destaque para a soja, que ganha pelo montante e continua sendo a campeã do comércio exterior (as vendas da oleaginosa renderam US$ 19,3 bilhões); e para o açúcar também, cujas exportações cresceram 40,35% em receita, totalizando US$ 8,3 bilhões.

Ao todo, o montante exportado pelo Brasil em 2016 foi de US$ 185,2 bilhões e as importações ficaram em US$ 137,5 bilhões, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).
Previsão para 2017

Para o secretário de Comércio Exterior e Serviços do MDIC, Abrão Neto, a balança comercial deve registrar em 2017 um superávit semelhante ao de 2016. 
Mas, segundo ele, tanto as exportações quanto as importações devem aumentar neste ano. 

“Não vamos fechar uma base de comparação exata ainda. Pode ser acima de US$ 50 bilhões, mas prevemos um patamar semelhante, entre US$ 47 bilhões e US$ 48 bilhões”, disse. 

A projeção leva em conta um câmbio médio de R$ 3,40. No ano passado, a taxa média do dólar foi de US$ 3,48, disse.
Volume

Apesar da queda na receita com exportações no ano passado, o país bateu recorde na quantidade de mercadorias enviadas ao exterior, com 645 milhões de toneladas, alta de 2,9% em relação a 2015. 

Foi o sétimo aumento anual consecutivo. Diversos produtos registraram recorde no volume comercializado, como minério de ferro, óleos brutos de petróleo, açúcar de cana em bruto, celulose, carne de frango e suco de laranja não congelado.

O destaque negativo nas exportações foram os preços, que caíram 6,2% em média. 

Entre os principais produtos que compõem a pauta de exportações brasileiras, só houve aumento no preço do açúcar em bruto, de 12,3%. A soja teve o menor preço médio desde 2007 (US$ 374,77 / tonelada, queda de 2,98% em relação a 2015); o minério de ferro teve o menor preço desde 2005; e o petróleo em bruto, o menor preço desde 2004.

Adidas produz camisas a partir de plástico retirado dos oceanos




A Adidas e a Parley for the Oceans revelam os primeiros produtos de futebol criados de resíduos plásticos retirados dos oceanos. 

As camisas foram usadas por Bayern de Munique contra TSG 1899 Hoffenheim no dia 5 de novembro, enquanto Real Madrid joga contra Real Sporting de Gijón no dia 26 do mesmo mês.

A adidas e a Parley for the Oceans revelam os primeiros produtos de futebol criados de resíduos plásticos retirados dos oceanos. 

As camisas foram usadas por Bayern de Munique contra TSG 1899 Hoffenheim no dia 5 de novembro, enquanto Real Madrid joga contra Real Sporting de Gijón no dia 26 do mesmo mês.

Feitas a partir de detritos de plástico marinho e com impressões ambientalmente amigáveis e a base de água, a camisa do Real Madrid é inteira branca e a do Bayern inteira vermelha, com os logos dos clubes, as três listras da adidas e as marcas dos patrocinadores na mesma cor das camisas.

O Ocean Plastic usado foi criado a partir dos resíduos de poluição marinha interceptados pelas ações de limpeza feitas pela Parley nas áreas costeiras das Maldivas. 

Para refletir a história exclusiva da camisa e o compromisso com os oceanos, os dois clubes e patrocinadores concordaram em não ter os logos visíveis para tornar as camisas o mais sustentável possível.

O design único também contém inserções de malhas dentro das mangas para melhorar a ventilação, uma fita atrás do pescoço com a mensagem “For the Oceans” (“Para os oceanos”, em livre tradução) e um rótulo da parceria entre as instituições com um chip NFC, que oferece mais informações para os consumidores.

“É um prazer participar dessa jornada e ter a oportunidade de usar o conjunto adidas x Parley em campo pela primeira vez. 

Como todas as nossas ações derivam dos oceanos, é muito importante que a gente faça o que pode para salvá-los. 

Usar o conjunto feito a partir de resíduos reciclados é uma oportunidade fantástica para conscientizar sobre a necessidade de proteger e preservar nossos oceanos. Eu sei que isso é o começo de algo muito especial”, comenta o meio-campista do Bayern de Munique, Xabi Alonso.

“Por ter crescido no Rio de Janeiro, sempre estive próximo do oceano e tenho muitas memórias boas de brincar na praia quando criança. É incrível fazer parte desse projeto e saber que o clube que eu amo está fazendo a diferença para ajudar a manter os oceanos limpos”, afirma Marcelo, zagueiro do Real Madrid.

As camisas adidas x Parley Bayern de Munique e Real Madrid estarão disponíveis no Brasil ainda pelo site: www.adidas.com.br/futebol

Foto: Divulgação adidas

“Sustentabilidade não é marketing, mas visão”, diz Walter Longo

Presidente do Grupo Abril falou sobre a importância da sustentabilidade para as empresas durante abertura do EXAME Fórum Sustentabilidade




Walter Longo, presidente do Grupo Abril: 

"Se antes a preocupação com o meio ambiente era uma questão de consciência, agora é quase de decência”

São Paulo – Durante a abertura da 8ª edição do EXAME Fórum Sustentabilidade, realizado no dia segunda-feira (28/11), em São Paulo, o presidente do Grupo Abril, Walter Longo, explicou que políticas voltadas para sustentabilidade não são apenas uma obrigação, mas uma necessidade para as empresas brasileiras.

Segundo ele, se antes a preocupação com o meio ambiente era uma questão de consciência, agora é “quase de decência”. 

“Para nós, sustentabilidade não é questão de marketing, mas de visão. É uma crença, atitude, nova forma de encarar o mundo e encarar nosso papel nesse mundo”, afirmou Longo.

Para ele, por mais que o impacto dessas ações não seja sentido hoje, ele terá efeito para o futuro do país e do mundo. 

“O que fizermos hoje vai ser sentido amanhã, mas o que deixarmos de fazer hoje vai ser sentido para sempre”, disse.

Além do respeito ao meio ambiente, a sustentabilidade também é um bom negócio, enfatizou Longo. 

“Empresas sustentáveis vão ser mais respeitadas pelos consumidores”, afirmou.

Ele alertou ainda que apostar na sustentabilidade não significa prejudicar os negócios. 

Para isso, no entanto, é preciso investir em “equilíbrio e muita criatividade”, disse. 

“Sustentabilidade é melhorar o ambiente sem prejudicar negócios. 

É preciso equilíbrio e muita criatividade. 

É reciclar ideias, rever conceitos, estar aberto para o novo e estar disposto a quebrar paradigmas”, explicou.

De acordo com Longo, as empresas premiadas nesta edição do Fórum colocaram a sustentabilidade como algo determinante para o futuro dos negócios, somando exponencialmente os talentos e os recursos em prol de um mundo melhor.

Felicidade e Sustentabilidade pautam última edição do Diálogos DC em 2016





Ela aparece com frequência no final dos contos infantis, é tema de diversos livros e está sempre surgindo nas sessões de terapia. 

A felicidade é, sem dúvida, um tema antigo na sociedade, mas em tempos de massacre tecnológico e da ditadura do resultado, a palavra e seu significado clama por uma reinvenção.

Na tentativa de trazer novas perspectivas para o tema e relacioná-lo a outro assunto urgente, que é a sustentabilidade, o jornal DIÁRIO DO COMÉRCIO, em parceria com a ArcelorMittal, Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e o Banco Mercantil do Brasil realizou, na última semana, a oitava edição do Diálogos DC. 

O debate reuniu especialistas no assunto e fechou a série de encontros em 2016 com uma discussão de alto nível.

Realizado no dia 13 de dezembro, na sede do DC, o evento faz parte de uma série de debates norteados pelo documento “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, editado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000. 

O último Diálogos DC do ano teve como tema “Felicidade e Sustentabilidade” e foi inspirado no objetivo 8

“Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos”.


Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 8 – Emprego digno e Crescimento Econômico
Participaram do encontro o gerente-geral Relações Institucionais e Sustentabilidade da ArcelorMittal, Sindemberg Rodrigues; a consultora e diretora da Ergon Desenvolvimento de Pessoas e Organizações, Edina Bom Sucesso e o presidente da União Internacional Cristã dos Dirigentes de Empresas (Uniapac) na América Latina, Sérgio Cavalieri. 

O debate foi mediado pelo fundador e diretor-executivo do Instituto Movimento pela Felicidade, Benedito Nunes.

Capitalismo – A abordagem do capitalismo foi uma das primeiras a aparecer dentro do tema felicidade e sustentabilidade. Rodrigues chamou a atenção para o acúmulo de riquezas característico desse sistema e mostrou como ele está fadado à infelicidade. 

Para ele, a consequência desse processo será um capitalismo que deixa de ser antropofágico para se tornar autofágico, isto é, mais do que consumir pessoas, ele está consumindo a si mesmo, tendo em vista que suas bases já não são mais socialmente aceitáveis. 

“Estamos correndo para quê? Para acumular mais lucro? Para continuar nessa lógica de viver o enriquecimento de poucos, matando muitos?”, questionou.

O gerente ainda acrescentou ao debate o advento da tecnologia, que acelerou ainda mais o ritmo das coisas e provocou o que Rodrigues chamou de “vazio existencial que rasga o peito da sociedade do século XXI”. 

“Esse ritmo do capitalismo informacional está trazendo angústia para as pessoas. 

Imagine se Michelangelo ou Beethoven tivessem que parar sua arte toda hora para conferir as atualizações do celular? 

Felicidade precisa de paz e ninguém consegue ser máquina”, completou.

Cavalieri também questionou a cultura do capitalismo que está “contaminada” com visões distorcidas de sucesso, lucro, poder e dinheiro. Para ele, essa ideia só empurra as pessoas para o individualismo e para um “salve-se quem puder”, que gera cada vez mais infelicidade. 

Ele destacou que a Uniapac tem realizado um trabalho na contramão dessa lógica, formando empresários mais conscientes, que priorizem a pessoa no lugar do lucro. 

Cavalieri acredita que esse foco nos valores humanos e na dignidade humana está diretamente ligado à felicidade.

O presidente da Uniapac citou o Papa Francisco, que adverte contra a “financeirização da economia”, em que a lógica do lucro domina as relações entre as pessoas. 

Cavalieri lembrou um ensinamento importante do Papa: ‘Não adianta desenvolvimento econômico se ele não traz desenvolvimento integral da pessoa’. 

Até mesmo a política de participação nos lucros e resultados (PLR) foi colocada em xeque por Cavalieri, já que o benefício tem levado executivos a passarem por cima de tudo e todos a fim de embolsarem algum dinheiro no fim do ano.

“Uma vez escutei um professor indiano falando sobre a exigência de relatórios trimestrais das empresas listadas na bolsa de valores. Ele afirmou que, no futuro, essa prática será tão absurda como a escravidão. 

Pensar em resultado a cada trimestre é pensar em um imediatismo focado em finanças e esquecer tudo que envolve a empresa, como pessoas, moral e ética”, disse.

Reflexão – Edina Bom Sucesso seguiu a mesma linha dos demais debatedores, destacando como a lógica do acúmulo vai na contramão da sustentabilidade e da felicidade. 

Ela disse que fez um “combinado” com o marido de que em sua casa não pode mais entrar coisas que são apenas coisas, ou seja, que não têm utilidade ou propósito.

Ela também compartilhou com o público uma técnica que utiliza para despertar as pessoas sobre essa falsa felicidade proposta pelo capitalismo. 

Segundo a consultora, quando alguém lhe diz que só será feliz quando tiver um apartamento com quatro quartos em uma área nobre, ela pergunta “para quê?” e, normalmente, dá um grande susto na pessoa que não estava esperando por esse tipo de resposta.

“Vamos acumulando coisas e nem há tempo para utilizar tudo. Cada vez mais a gente sabe que o bem-estar subjetivo não decorre do que a gente faz sozinho, mas da gentileza, da gratidão, da justiça dos relacionamentos, da liderança como virtude”, disse.

Thaíne Belissa

Quando o Abacate gera valor!


Fundada em 2012, a startup Biofase, do México,desenvolveu uma tecnologia inovadora para produzirbioplásticos com o caroço da fruta que abunda no país| por Guillermo MartínezFundada em 2012, a startup Biofase, do México,desenvolveu uma tecnologia inovadora para produzirbioplásticos com o caroço da fruta que abunda no país| por Guillermo Martínez
... a história da empresa Biofase é inspiradora: começou como experimento universitário no México e é responsável pela produção de bioplásticos, ou plásticos biodegradáveis, com o caroço do abacate.
... o exemplo mostra como uma empresa lucrativa pode surgir de questionamentos socioambientais: o fundador da Biofase se incomodava com o tempo que o plástico leva para se decompor e com o impacto disso sobre o meio ambiente.
De sacolas de supermercado a sofisticadas peças de computador, móveis e até mesmo carros, o plástico é hoje um dos materiais mais utilizados pela sociedade.
Segundo dados do Plastics Europe Market Research Group, a produção mundial de plásticos está na casa dos 300 milhões de toneladas e cerca de 30% dos itens fabricados com esse material são usados apenas uma vez.
A indústria e os governos de todo o mundo têm feito esforços para reduzir o consumo de plásticos, porque eles são muito nocivos ao meio ambiente. De acordo com o tipo, eles podem demorar de cem a mil anos para se decompor.
Consciente do impacto direto do plástico sobre a sustentabilidade do planeta, Scott Munguía passou a buscar uma alternativa. Durante o curso de engenharia química no Instituto Tecnológico de Monterrey, México, chegou a suas mãos o artigo de uma publicação científica em que se debatia o uso do milho para a produção de bioplásticos. 
O texto mostrava que 80% desses materiais são fabricados com grãos de milho.
Após a leitura, Munguía ficou se perguntando se era conveniente destinar os plantios de milho para esse fim, uma vez que diversas regiões do mundo enfrentam um grave problema de escassez de alimentos. 
Começou a nascer aí seu empreendimento.
Em 2011, embora ainda permanecesse na universidade, Munguía se dedicou a estudar algumas sementes que poderiam se tornar alternativa ao polímero do milho. 
Sua pesquisa deu frutos, literalmente: o abacate, um dos alimentos mais populares do México e parte de sua cultura.
Além disso, o país é o maior produtor de abacate do mundo e registra um consumo anual per capita de 6,8 quilos, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Um ano depois de sua descoberta, Munguía fundou a Biofase, empresa que desenvolveu uma tecnologia única e amplamente reconhecida internacionalmente para fabricar bioplásticos com o caroço do abacate, que, como se sabe, é a semente dessa fruta.

Produção abundante 

No México, as empresas agroindustriais que produzem azeite, guacamole e molho salsa descartam mensalmente 30,7 mil toneladas de caroços de abacate. Essa é, precisamente, a matéria-prima que a Biofase compra para abastecer sua linha de produção.
Munguía estima que são desperdiçadas cerca de 300 mil toneladas de caroços de abacate e que a utilização desse volume para fabricação de bioplásticos poderia atender a aproximadamente 30% da demanda mundial desse produto.
De acordo com dados da Associação Europeia de Bioplásticos, o mercado global de bioplásticos possui um valor de US$ 4 bilhões e, diferentemente do que acontece com o setor de plásticos tradicionais, cujo ritmo de crescimento é cada vez menor, nos últimos anos vem experimentando uma ampliação de dois ou três dígitos. 
Prova disso é a própria Biofase: entre 2013 e 2014, a empresa cresceu 700%.

Modelo de negócio 

Resultado de uma incubadora que funcionava na universidade onde Munguía estudou, o modelo de negócio da Biofase se baseava, inicialmente, na venda de resina a fabricantes, para que estes a transformassem no produto final: pratos, garrafas, sacolas e outros artigos.
Dessa maneira, a empresa conseguiu estabelecer alianças com companhias como Biodeck e Packgreen. 
Além disso, começou a exportar resina para a Guatemala, por meio do Logicomer, distribuidor com sede naquele país que também comercializa o produto em toda a América Central.
Esse modelo, no entanto, evoluiu. Em junho de 2014, Munguía e seu irmão, Jason, transformaram o negócio ao ingressar na fabricação de talheres biodegradáveis, à qual passaram a destinar 10% da capacidade produtiva. 
Essa linha de produtos já é comercializada em supermercados de vários estados mexicanos e está presente nos restaurantes do Instituto Tecnológico de Monterrey e na cadeia de hotéis Fiesta Americana.
Atualmente, a empresa conta com três unidades de negócio:
Resinas. Uma família de resinas que podem ser processadas por todos os métodos convencionais de modelagem de plásticos e que substituem as aplicações de polipropileno, poliestireno e polietileno. 
Segundo Munguía, são ideais para empresas transformadoras de plástico que se propõem desenvolver novos negócios voltados para a sustentabilidade ambiental.
Talheres biodegradáveis. Linha de produtos originais da Biofase, elaborados com tecnologia patenteada. 
Por serem biodegradáveis, não causam danos aos ecossistemas.
Produtos e projetos especializados. Unidade concebida como a maneira mais fácil e inovadora de ingressar na indústria de bioplásticos. A Biofase projeta e fabrica peças ou objetos de acordo com as necessidades de seus clientes. 
Também integra todo o modelo produtivo para transformar qualquer ideia em produto biodegradável de alto valor agregado.

Reconhecimento

Em menos de quatro anos de existência, a Biofase já conquistou fama tanto em seu país de origem como internacionalmente. 
“Começamos como uma startup mexicana e hoje somos considerados uma das cinco empresas de bioplásticos mais inovadoras em todo o mundo”, afirma Munguía, orgulhoso.
Destacam-se o prêmio para inovadores com menos de 35 anos da MIT Technology Review, o de inovação tecnológica do Cleantech Challenge, o Santander de inovação empresarial e o de estudante empreendedor, organizado pela Entrepreneur Organization e pela Bolsa Mexicana de Valores.

Os números

  • 20 mil pesos mexicanos foi o investimento que deu origem à Biofase.
  • 17 milhões de pesos mexicanos custou a nova fábrica, com início de operações no final do ano passado.
  • 700% foi o crescimento registrado pela Biofase entre 2013 e 2014.
  • 100 a 1.000 anos é o tempo que o plástico tradicional demora para se decompor.
  • US$ 4 bilhões é o valor do mercado mundial de bioplásticos.

De olho no futuro

Com sua tecnologia já patenteada nos Estados Unidos e no México, a Biofase tem condições atualmente de produzir 50 toneladas de bioplásticos todos os meses. 
A meta da empresa, porém, é mais ambiciosa: acaba de ser colocada em operação sua primeira fábrica própria, em Morelia, capital do estado de Michoacán, com capacidade instalada de 700 quilos por hora.
Alcançando esse patamar, a Biofase será a maior empresa do tipo na América Latina e já planeja atacar o mercado norte-americano com força. Também está em seu radar o mercado europeu.

Linha do tempo

2011
  •  Começam as pesquisas que levarão à tecnologia da Biofase.
  • Obtém-se pela primeira vez o biopolímero com o caroço do abacate. 
2012
  • A Biofase é constituída como empresa mexicana.
  • Registra a patente de sua tecnologia e inicia as operações.
  • Ganha oito prêmios no México e três internacionais (na Espanha, nos Estados Unidos e na Suécia).
2013
  • A tecnologia da Biofase é reconhecida entre as cinco mais importantes do setor de bioplásticos em todo o mundo.
  • A empresa abre ponto de venda em Guadalajara e Morelia, e as vendas chegam a todo o México
2014
  • A Biofase negocia alianças para a distribuição de seus produtos na América Central e nos Estados Unidos.
  • Começa a construção da maior fábrica de bioplásticos do México
2015
  • Entra em operação a maior fábrica de bioplásticos da América Latina.
Você aplica quando...
... monta um negócio para resolver um problema complexo atual.
... busca aproveitar o que sua região tem de excedentes de matéria-prima, a ponto de haver descarte, como o abacate no México.
... tem elevadas aspirações para o futuro de seu negócio, em vez de só focar o curto prazo; a Biofase, por exemplo, pensa grande e longe

Um conselho

Scott Munguía garante que sempre recomenda aos empreendedores que subcontratem seus processos antes de investir em plantas piloto ou adquirir infraestrutura própria. Para ele, com essa estratégia, é possível fazer economias significativas e assumir menos riscos.
“Na Biofase, a primeira coisa que fizemos foi patentear nossa tecnologia. Somente quando tivemos um produto bem definido e estabelecido encaramos o desafio da capitalização. Desse modo, não nos vimos obrigados a ceder uma grande quantidade de ações para desenvolver o produto”, explica.