“Disrupção não depende da tecnologia, depende das pessoas”: as lições do cofundador do Waze




Gustavo Marujo Endeavor Brasil Apoio ao Empreendedor


O que o fundador do Waze tem a ensinar aos empreendedores brasileiros? Veja o bate-papo feito com Empreendedores Endeavor, em Israel, e as principais lições.

Bermuda, óculos escuros e uma camiseta que já adiantava sua fala: fall in love with the problem, not the solution. Assim chegou Uri Levine, fundador do Waze, para o nosso bate-papo. 

Logo em seguida, chamou todos para perto, sentou numa cadeira e abriu uma apresentação, na qual o primeiro slide já tinha o e-mail para contato. Assim, sem nenhuma formalidade de “fale com a minha secretária”.

Mas, antes de contar sobre os aprendizados dessa conversa, quer saber como chegamos lá? Vamos voltar a fita!

Esse papo fez parte de uma viagem que fizemos há algumas semanas a Israel, país conhecido como Startup Nation — vale ler o livro de mesmo nome pra entender os porquês, mas se quiser um resumo, esta apresentação em inglês passa pelos principais pontos. 

Acompanhados de vários Mentores e Empreendedores Endeavor, passamos 5 dias visitando pequenas e grandes empresas, fundos de investimento, órgãos do governo, aceleradoras, centros de pesquisa ligados à universidade, e alguns outros players do ecossistema empreendedor local.

Em uma dessas visitas, tivemos a oportunidade de conhecer um dos 3 fundadores do Waze, aplicativo bem conhecido pelos brasileiros, que foi vendido por mais de US$ 1 bilhão ao Google, em 2013.

Empreender é uma montanha-russa

Uri começou reforçando o quão difícil é a vida do empreendedor: muitos sacrifícios, uma longa montanha russa, sem nenhuma certeza do que está por vir no futuro. Quando perguntado sobre o momento mais duro como empreendedor do Waze, ele relembrou o período em que a empresa quase quebrou.


NO FIM DE 2010, O DINHEIRO ESTAVA PARA ACABAR, O APLICATIVO TINHA POUCOS USUÁRIOS E O GOOGLE ACABARA DE ANUNCIAR UMA SOLUÇÃO CONCORRENTE.

A empresa estava fadada ao fracasso, até uma grande multinacional de tecnologia decidir colocar dinheiro pra salvar o negócio, que a partir de 2011, começou uma curva intensa de crescimento. Depois do relato, parte do grupo questionou Uri sobre o fato de os fundadores terem sido muito diluídos com a entrada do novo sócio.

De fato os empreendedores ficaram com uma parcela pequena da empresa que eles mesmos haviam fundado, mas, para Uri, “melhor uma pequena parte de um negócio vendido pro Google por US$ 1 bilhão do que morrer na praia, sendo o principal acionista do negócio.” E por que vender para o Google? 

“Não tinha uma bola de cristal para dizer o que iria acontecer caso não vendesse. Fora o preço altíssimo que eles ofereceram, o impacto poderia ser bem maior na mão deles.”

O CEO que ganhou o mundo

Quando perguntamos a ele sobre como era ser CEO de uma empresa que, de repente, ganhou o mundo, Uri nos surpreendeu dizendo que não gostava de ser CEO e só exerceu a função até 2008. Na época, ele tinha basicamente 3 responsabilidades:

1. Recrutar gente boa;
2. Comunicar a visão para o time; 
3. Negociar com fundos de investimento para garantir dinheiro.

O que lhes permitiu lançar o produto e fazê-lo rodar em alguns países — as cidades de menor porte foram os que mais deram certo no início.

Depois de ter cumprido com esse papel, Uri e seus sócios decidiram contratar um CEO. Enquanto o novo chefe cuidava dos principais mercados (EUA) e trabalhava em cima da principal fonte de receita (anúncios), Uri olhava para mercados secundários e fontes de receita alternativa. Depois de contar sua experiência, ele completou: “Isso só funciona se os fundadores derem espaço para o(a) novo(a) CEO”.

Uma cultura de comemorações

Durante o papo, Uri também disse que ele e seus sócios faziam questão de criar o melhor ambiente de trabalho possível, celebrando as “primeiras vezes” de tudo. Primeiro usuário, prêmio, rodada de investimento, tudo isso era coisa boa de se comemorar. Mas o ápice mesmo era receber cartas de agradecimento dos usuários. Uma delas disse até que o aplicativo salvou um casamento! Isso sim vale abrir uma champanhe ou tocar o sino dentro do escritório.

Como tudo começou

E se você está se perguntando como um aplicativo que depende da participação ativa dos usuários –imputando informações sobre acidentes para ser melhor que um GPS normal– foi capaz de atrair os primeiros usuários, vai ter mais uma surpresa. Uri conta que seus primeiros usuários foram pessoas entusiasmadas por mapas que encaravam aquilo como hobby e que discutiam o tema em fóruns da internet, e ainda completou:


“SÓ TIVE SUCESSO PORQUE AMAVA ESTAR PERTO DOS USUÁRIOS. SE VOCÊ NÃO CONHECE A FUNDO SEUS USUÁRIOS E OLHA A SOLUÇÃO ANTES DE INVESTIGAR O PROBLEMA, É PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL FAZER A COISA ENGRENAR.”

Por fim, Uri terminou sua fala provocando os empreendedores com 3 frases:

1. Não tenha medo de falhar, mas cometa os erros com rapidez; 
2. Foco é saber dizer não; 
3. Disrupção não depende de tecnologia, mas sim de gente que ousa desafiar situações de equilíbrio. Quem você vai desbancar se sua ideia der certo? Se não souber responder, talvez sua ideia não seja grande o bastante.

Construção civil mais sustentável e econômica


Empreendimentos verdes reduzem gastos com energia, água e materiais

Redução, reutilização e reciclagem. Conceitos de sustentabilidade que já fazem parte da vida de muito gente agora também estão presentes na construção civil. 

Em Curitiba, um projeto de lei que tramita desde junho na Câmara Municipal busca estabelecer que todas as obras em execução na cidade tenham que empregar, obrigatoriamente, critérios de sustentabilidade ambiental e eficiência energética, como economia e reuso de água, gestão de resíduos sólidos, permeabilidade do solo e uso de energia solar e de telhados verdes. 

Atentas a essas tendências, as construtoras e imobiliárias estão investindo cada vez mais em edificações sustentáveis. 

O Dom Batel, assinado pela Cyrela, é um bom exemplo. 

Primeiro empreendimento residencial do sul do Brasil certificado com o Processo Alta Qualidade Ambiental (AQUA), da Fundação Vanzolini, o Dom tem previsão de entrega para janeiro de 2017. 

“A certificação é um grande passo para a preservação do meio ambiente, que minimiza a apropriação de recursos naturais e maximiza a eficiência energética do edifício. 

É também um comprometimento com a qualidade e o aperfeiçoamento no desenvolvimento do projeto, que dissemina práticas que evitam o desperdício no canteiro de obras e geram economia, conforto e qualidade de vida ao futuro morador”, explica Silvia Fernandes, gerente de incorporações da Cyrela Paraná.

Alguns dos requisitos estabelecidos para a certificação AQUA são as dimensões adequadas das janelas, permitindo a ventilação e iluminação naturais, o que proporciona um maior conforto dos usuários e eficiência energética, reduzindo o consumo energético e, consequentemente, os gastos relacionados ao mesmo. 

A proteção acústica e o conforto térmico do Dom Batel foram pensados para atender os padrões exigidos pelo selo AQUA, baseados na Norma de Desempenho (ABNT NBR 15.575). 

A gestão correta dos resíduos também é garantida no empreendimento, através da previsão de locais para a instalação de equipamentos para coleta seletiva. Também são escolhidos materiais sustentáveis, sendo todos os produtos e processos construtivos pensados de acordo com sua funcionalidade, durabilidade e qualidade.

"O selo de certificação ambiental é uma visão de futuro e quebra paradigmas. A auditoria da certificação acompanha todo o processo de execução da obra. 

A garantia de conforto para os moradores e o cuidado com o meio ambiente inicia no projeto, passa pela construção e pelo impacto da obra para a vizinhança e principalmente o dia a dia do consumidor”, revela Silvia. 

O processo de avaliação das construções considera o programa de necessidades da habitação, o contexto local, a estratégia ambiental do empreendedor, a análise econômica global, o usuário, as demais partes interessadas e a regulamentação. Por meio de auditorias, a certificadora acompanha todas as etapas de um empreendimento - do lançamento à entrega.

Investimentos e impactos

A certificação ambiental pode aumentar o custo de uma edificação de 1% a 3% (em empreendimentos residenciais) e de 3% a 7% (em imóveis comerciais). 

Mas, quanto maior o porte da obra, menor o impacto desses custos no orçamento final. Afinal, o custo adicional gerado pela certificação ambiental também tende a ser amortizado pela economia no consumo de água, energia e materiais ao longo da vida útil do edifício. 

"Já é comprovado que o valor do investimento retorna na fase de execução e na fase de operação e uso, sem falar do retorno intangível: qualidade de vida, proteção do meio ambiente, valorização da marca e patrimonial", diz Silvia. 

As condições do projeto do Dom Batel, por exemplo, garantem uma redução mínima de 50% no consumo de água - através da instalação de sistemas economizadores e aproveitamento de águas pluviais para irrigação e limpeza e recirculação de água quente - e de 23% de energia - com a utilização de sensores de presença, lâmpadas e equipamentos mais eficientes para o uso da área condominial.

Por outro lado, estudos do grupo de Real Estate da Poli-USP indicam que o aumento do valor de venda de um Green Building pode chegar a 20%. 

Enquanto o valor do condomínio tem redução média de 30%, em cálculo que leva em conta as reduções do consumo de energia, água e do custo operacional do edifício (manutenção e reformas).

Nesse processo, a vizinhança também é beneficiada, já que o empreendedor busca minimizar e mitigar ao máximo os impactos negativos da obra, além de valorizar a região onde será implantado o empreendimento, tanto na fase de execução, através de um canteiro de obras sustentável, como na fase de uso e operação.

Sobre o Dom Batel - Localizado na Alameda Dom Pedro II, o empreendimento conta com exclusivas 18 unidades para quem valoriza a elegância, localização privilegiada e conforto. 

A arquitetura e conceito de fachada tem assinatura de Baggio Schiavon Arquitetura, enquanto o paisagismo traz o nome de Benedito Abbud Arquitetura Paisagística. 

Em uma torre única, são dois apartamentos por andar, com elevadores sociais privativos e um elevador de serviço por andar. São 16 unidades de 233 m² privativos, com três suítes e três ou quatro vagas de garagem, além de duas coberturas duplex com quatro suítes e 309 m² privativos, mais 89 m² de terraço e quatro vagas. 

A infraestrutura e áreas de lazer são diferenciadas, com espaço gourmet, brinquedoteca, salão de festas, games lounge, fitness, espaço descanso, sauna seca, raia coberta e aquecida com 24 metros, entre outros. Todas as áreas comuns são entregues decoradas, com projeto do escritório Anastassiadis Arquitetos. 

Foto: Divulgação
Fonte: IEME Comunicação

Energia Solar Fotovoltaica Movimentará R$ 100 Bilhões até 2030



Energias alternativas são hoje um dos segmentos com maior potencial de crescimento no Brasil. 

A energia eólica saltou de cerca de 1% da matriz energética nacional para cerca de 6% em uma década. 

Agora, expansão semelhante é esperada em energia solar, com expectativa de até 2024 passar a responder por 4% da matriz energética brasileira, que é de apenas 0,02%. 

“Será um salto de 200 vezes em relação ao que temos hoje”, diz Rodrigo Lopes Sauaia, presidente da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) até 2024 cerca de 1,2 milhões de geradores de energia solar ou mais deverão ser instalados em casas e empresas em todo o Brasil e até o 2030 o mercado de energia fotovoltaica deverá movimentar cerca de R$ 100 bilhões.

Para se ter uma ideia do potencial do Brasil para produzir energia fotovoltaica, a radiação solar na região menos ensolarada é 40% maior do que na região mais ensolarada da Alemanha, por exemplo, hoje o maior produtor de energia fotovoltaica. 

Para aproveitar este potencial o preço do kWp – medida de potência energética associada com células fotovoltaicas – está reduzindo e nos próximos anos o desafio será abrir novas linhas de crédito e financiamento. 

A tendência é de que surjam mais programas do governo e modelos de negócios, tornando o processo mais acessível.

Os custos da energia elétrica têm contribuído para impulsionar o número de instalações do sistema fotovoltaico. 

Os estados que mais instalam energia solar são Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, sendo MG um dos pioneiros e com mais instalações e o RJ com melhor potencial e mais instalações por m². 

Na área empresarial, os estados que mais tem adotado e instalado sistema fotovoltaico são: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina.

De acordo com a Resolução n.o 482, de 2012, o governo garante a todos – públicos residencial, comercial ou industrial – que optarem pela energia solar, descontos na conta de luz. 

“Ou seja, se o sistema gerar mais energia do que o consumido, a energia excedente será injetada na rede pública. Esta medição é realizada através de um medidor de energia bidirecional – fornecido pela concessionária local – que quantifica os quilowatts-horas injetados de energia solar. 

Este excedente será analisado e calculado, para que o consumidor receba um desconto em sua conta de luz”, explica o diretor da Divisão de Energia Solar da Fronius, Martin Drope.

A energia solar fotovoltaica é agora, depois de hidráulica e eólica, a terceira mais importante fonte de energia renovável em termos de capacidade instalada no mundo. Mais de 100 países utilizam energia solar fotovoltaica. 

A China, Japão e Estados Unidos, atualmente, são os mercados de energia fotovoltaica, contribuindo com quase 6% de sua demanda de eletricidade. A Alemanha é o maior produtor, mas estima-se que em breve será superado pela China.

“O Brasil dispõe de um potencial gigantesco. A Europa possui 88 GW de energia fotovoltaica enquanto o Brasil está com menos de 1 GW instalado, ou seja, representa apenas 0,02% do potencial da matriz energética brasileira. 

Mas este sistema está cada vez mais acessível no Brasil”, destaca Drope, destacando que a Fronius já comercializou mais de 3 mil inversores solares no Brasil, com perspectiva de dobrar este número nos próximos anos.

Ecovia em SP tem Oficinas de Bioconstrução, Fitoterapia e Autoconhecimento

Os participantes das oficinas vão se alimentar com ingredientes colhidos na horta comunitária orgânica
Foto: Divulgação

A programação de novembro da Ecovila Clareando, em Piracaia, a apenas 90 Km de São Paulo, é para quem quer fazer um detox da cidade e conectar-se à natureza. 

As Oficinas de Bioconstrução (dias 12 e 13), Autoconhecimento (dias 19 e 20) e Fitoterapia (dias 26 e 27) são ferramentas para quem busca maior empoderamento: aprender a fazer a própria casa, cuidar da própria saúde e conhecer a si mesmo. 

Os participantes das oficinas vão se alimentar com ingredientes colhidos na horta comunitária orgânica (sempre que possível, claro). A hospedagem será na casa dos próprios moradores. 

As casas oferecem água mineral da nascente na torneira, chuveiro aquecido por energia solar, tratamento de esgoto natural. 

O valor de cada oficina é de R$ 280 e já inclui hospedagem e alimentação. As inscrições podem ser feitas pelo email: projetocasaclara@gmail.com

Oficina de Bioconstrução

A Oficina de Bioconstrução, nos dias 12 e 13 de novembro, vai apresentar as principais técnicas (pau a pique, adobe, superadobe, cordwood, tadelakt e bambu) que não agridem o meio ambiente de uma maneira bem bacana: em uma visita guiada pelas casas da Ecovila. 

"Vamos ver na prática como é possível morar em casas sustentáveis", afirma o oficineiro e bioconstrutor Angelo Negri, morador da Ecovila que construiu sua própria casa. 

O projeto da sua casa ganhou o prêmio Planeta Casa em 2012 de melhor projeto arquitetônico. Os participantes vão aprender a erguer uma parede de pau a pique (ou taipa de mão) do zero. 

A parte mais gostosa é quando os participantes, juntos, amassam o barro para fazer a massa. "Ao pisar descalço no barro há uma reconexão com a terra", afirma Negri.

Encontros de Autoconhecimento

O educador e engenheiro agrônomo Edson Hiroshi, idealizador da Ecovila Clareando e a pesquisadora Ana Thomaz vão fazer um Encontro de Autoconhecimento nos dias 19 e 20 de novembro. Hiroshi vai falar sobre Memória Tribal e o Segredo dos Vegetais. 

As pessoas vão fazer um passeio lúdico e lúcido para conhecer os mistérios e segredos das plantas. "Assim como a água não nasce na torneira, nós também não nascemos no momento do parto", diz Hiroshi. 

A pesquisadora Ana Thomaz vai fazer uma conversa sobre A Arte de Conviver com as Diferenças.

Oficina de Fitoterapia

A ideia da Oficina, nos dias 26 e 27, é ensinar como as pessoas podem fortalecer a saúde antes de ficarem doentes por meio do uso de plantas medicinais em diversas formas como compressas, chás, xaropes, inalações, cataplasmas, escalda pé. 

E se ficarem doentes, quais os tratamentos naturais mais eficazes. "Reaprender a Cura pela Natureza nos possibilita renascermos pessoas mais seguras, inteiras e livres", afirma a naturóloga e acupunturista Jimile Oliveira de Assis. 

O conteúdo da oficina está dividida assim: apresentação aos princípios da fitoterapia; remédios caseiros para os principais sistemas do corpo (respiratório, urinário, endócrino, digestivo, entre outros); como usar 30 tipos de plantas medicinais; diagnóstico diferencial de algumas das principais doenças.

SOBRE A ECOVILA CLAREANDO
A Ecovila Clareando reúne pessoas com um mesmo objetivo: viver em harmonia com a natureza, utilizando os recursos naturais de forma sustentável. 

Com 23 hectares, sendo dois de mata nativa, cinco nascentes recuperadas, ela está a apenas uma hora e meia de carro da cidade de São Paulo.

PROGRAMAÇÃO DE NOVEMBRO ECOVILA CLAREANDO
Dias 12 e 13
Oficina de Bioconstrução
Investimento: R$ 280 (inclui hospedagem e alimentação)
Inscrições: projetocasaclara@gmail.com

Dias 19 e 20 
Encontros Edson Hiroshi e Ana Thomaz 
Investimento: R$ 280 (inclui hospedagem e alimentação)
Inscrições: projetocasaclara@gmail.com

Dias 26 e 27
Oficina de Fitoterapia
Investimento: R$ 280 (inclui hospedagem e alimentação)
Inscrições: projetocasaclara@gmail.com


Consumidores procuram marcas que aliem propósito, sustentabilidade e design

  • Escrito por  Bruna Bozza



Com isso, a preocupação com o meio ambiente vem ganhando espaço no mercado corporativo.

Cada vez mais pessoas estão adotando hábitos amigáveis com o planeta e ficando mais atentas sobre as marcas que consomem. 

E foi em meio a este novo cenário que investidores do sul do Brasil perceberam que poderiam deixar um legado positivo e ajudar o mundo a se tornar um lugar melhor.

Segundo Lucas Saad, diretor da consultoria saad branding+design, esse é um olhar que ganha cada vez mais força no Brasil. “O consumidor está mudando e isso está levando o mercado a olhar para sua produção com mais cuidado, preocupando-se cada vez mais com o meio ambiente”, explica.

Foi com esse foco que a empresa curitibana IES Trading decidiu criar uma nova marca de produtos e soluções eficientes que trouxessem economia tanto em recursos naturais quanto econômicos para o mercado nacional e internacional. 

“Hoje as pessoas não compram só um produto, elas compram também um conceito que diz muito sobre elas mesmas, o modo como elas enxergam a vida e os valores que possuem”, comenta Juliano Alferes, gerente de produto da marca.

Após o cruzamento de uma intensa pesquisa de mercado, público, cenário e da própria empresa, criou-se um nome flexível, único e inesperado para a marca: RE. 

O prefixo RE, que significa “fazer novamente”, traz diversas associações como REpensar, REfazer, REnovar. REcriar, etc. Ele foi estrategicamente pensado considerando a atuação internacional da empresa, podendo ser utilizado em frases em português, inglês e espanhol sem perder seu significado, como por exemplo: “REpense a luz, use led”, “RElight your future”, “REspetar el mundo”, etc.

“Nosso desafio foi criar uma marca ousada e inspiradora, que sugerisse um estilo de vida mais inteligente e humano e, acima de tudo, que representasse a sustentabilidade de uma nova maneira, saindo do lugar comum”, explica Saad.

Todos os materiais desenvolvidos pela consultoria partiram dos fundamentos da sustentabilidade (reciclar, reduzir e reutilizar) e procuraram diminuir ao máximo o processo de produção. 

As embalagens de seu primeiro produto, as lâmpadas LED, foram projetadas em material durável e reciclável, tendo como um de seus principais diferenciais a proposta de reuso e multifuncionalidade (inclusive contendo uma tag em papel semente, um papel especial que pode ser plantado na própria embalagem).

O datasheet, pranchas técnicas para fornecedores e revendedores, foi pensado em função da necessidade de quem irá recebê-lo, tornando possível personalizá-lo ao inserir ou retirar folhas. 

Segundo Alexandro Deconto, fundador e CEO da RE, todo esse cuidado trouxe um novo olhar sobre a marca, inspirando uma reflexão para um consumo mais responsável, criativo e em sintonia com o meio ambiente.

O projeto ainda está em fase de implementação, mas segundo Saad, promete trazer um novo conceito para o mercado da sustentabilidade. 

“Precisamos nos preocupar em surpreender as pessoas com novas formas sustentáveis de gerir uma marca e produzir design que realmente traga impacto em suas vidas", completa.

Ser sustentável é mais trabalhoso do que parece

Para Rebecca Henderson, referência em sustentabilidade empresarial, estratégias ambientais podem transformar negócios — desde que cuidadosamente definidas

Por Renata Vieira

                         (Divulgação/Ser sustentável é mais trabalhoso do que parece
                          Revista EXAME)

São Paulo – Depois de uma década no renomado instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, onde deu aulas sobre o papel da tecnologia nos negócios, e há quase sete anos como professora na escola de negócios da Universidade Harvard, a engenheira britânica Rebecca Henderson está hoje à frente da Iniciativa de Negócios e Meio Ambiente da instituição. 

Trata-se de um grupo que auxilia executivos a desenvolver estratégias que lhes permitam superar desafios ambientais.

Segundo a especialista, metas genéricas em várias frentes — água, resíduos e emissões, entre outras — tendem a fracassar. 

Em vez disso, é preciso identificar oportunidades reais de ganhos de acordo com a especificidade do negócio.

Em seu último livro, Leading Sustainable Change: An Organizational Perspective(numa tradução livre, “Liderando uma mudança sustentável: uma perspectiva organizacional”), ela defende que negócios baseados em investimentos sustentáveis já se provaram bem-sucedidos, mas que muitas empresas não conseguem aplicá-los por causa de executivos descomprometidos com o tema, processos internos pouco eficientes e ausência de propósito. Rebecca virá a São Paulo em novembro para o evento HSM ExpoManagement, e, de Boston, falou a EXAME por telefone.

EXAME: Existe uma estratégia de sustentabilidade básica que se aplique a qualquer empresa?

Rebecca Henderson: Não há, absolutamente, nenhuma estratégia genérica que funcione. 

Toda empresa precisa pensar meticulosamente na sustentabilidade com base em suas características. 

Para algumas companhias, sustentabilidade diz respeito aos fornecedores, ou seja, garantir que vão ter os insumos e serviços de que precisam no curto e no longo prazo. 

No agronegócio, as mudanças climáticas tornaram a produção sustentável um imperativo de sobrevivência e de crescimento.

Já as empresas de bens de consumo precisam estar atentas ao que pode ser associado à imagem de suas marcas. 

Há ainda os casos em que essa estratégia diz respeito à inovação e ao preço: negócios como o site Airbnb, de aluguel de casas e apartamentos, tornaram-se multibilionários ao encontrar clientes por meio de caminhos inusitados e disruptivos.

EXAME: A senhora diz que há modelos de negócios que, baseados na sustentabilidade, podem elevar a lucratividade das empresas. Que modelos são esses?

Rebecca Henderson: Um deles está centrado na eficiência operacional, isto é, no uso de sistemas inteligentes de gestão que permitem economizar insumos, como combustíveis. 

O varejista Walmart hoje consegue economizar 1 bilhão de dólares por ano em sua rede logística dessa maneira.

Outro modelo nasce de uma boa política de prevenção e gestão de riscos. 

Temos visto muitas empresas em busca de insumos de origem sustentável — como óleo de palma, soja, couro e carne bovina. 

O objetivo delas é proteger suas marcas das polêmicas que giram em torno dessas matérias-primas, que pode lhes custar muito. 

Há ainda aquelas cujos produtos sustentáveis estão no cerne do negócio. 

É o caso do varejista Whole Foods e da fabricante de carros elétricos Tesla.

EXAME: Esses exemplos são casos isolados ou podemos falar em uma tendência?

Rebecca Henderson: O caso da fabricante de bens de consumo Unilever é emblemático. 

Em 2010, para evitar ter sua marca de chás Lipton associada a questões como desmatamento e violações dos direitos humanos, ela se comprometeu a vender apenas chá de origem certificada. 

Já havia ali um entendimento de que não se posicionar sobre o tema poderia fazê-la perder uma parcela de seu mercado. 

A empresa atualmente responde por cerca de 30% das vendas de chá em vários países do mundo.

Quando essa decisão foi tomada, não estava muito claro de que maneira isso era um bom negócio. 

Mais tarde, porém, os executivos da empresa descobriram que era possível ampliar sua participação em mercados estratégicos, como Itália e Índia, uma vez que esse tipo de mensagem, de fato, atrai o consumidor de hoje. 

Conclusão: num negócio com pouquíssima margem para diferenciação — um saquinho de chá é apenas um saquinho de chá —, a Unilever se deu muito bem.

EXAME: A correlação entre sustentabilidade e lucro ainda não é um consenso. Estamos perto de comprovar isso?

Rebecca Henderson: As muitas pesquisas feitas nos últimos anos nessa seara sugerem que empresas movidas por um propósito podem ser mais produtivas e inovadoras do que suas concorrentes. 

Mas, se a pergunta é se já existe uma evidência indiscutível de que uma empresa orientada pela premissa da sustentabilidade lucra mais, a resposta é: não, essa evidência ainda não existe. 

Por outro lado, também não há evidência indiscutível de que a sustentabilidade diminui a lucratividade, o que é uma ótima notícia. 

Afinal, estamos falando de empresas que estão fazendo a coisa certa sem perder dinheiro por isso.

EXAME: A senhora associa propósito e sustentabilidade. Mas para muitos executivos, propósito é um conceito etéreo. Como torná-lo mais concreto?

Rebecca Henderson: Uma empresa movida por um propósito é aquela que tem objetivos que ultrapassam a maximização do lucro. 

E há uma correlação direta entre propósito e cultura de uma companhia — e é isso que vai determinar quanto a visão de sustentabilidade permeia um negócio ou não. 

Prova disso é o fato de que um dos aspectos mais importantes para a produtividade nas empresas é o engajamento dos funcionários — e isso depende de altos níveis de confiança entre chefes e equipes.

Em empresas nas quais o nível de confiança é muito baixo, os funcionários são menos previsíveis, menos produtivos e, por consequência, menos confiáveis. 

Acredito que é possível gerir esses ambientes de maneira diferente — e isso passa por um relacionamento transparente com funcionários e fornecedores. 

Em outras palavras, isso tem a ver com cultura — um conceito difícil, mas importante no mundo dos negócios. 

É preciso mostrar que há uma correlação clara entre os valores de fundação de uma empresa e seu desempenho.

EXAME: Há setores que estão mais aptos que outros a fazer essa transição para modelos de negócios sustentáveis?

Rebecca Henderson: Empresas de agronegócio, de bens de consumo e, sobretudo, de energia estão liderando esse movimento. 

Algumas das maiores companhias de energia do mundo têm sido bastante sistemáticas em seus investimentos em fontes renováveis. 

Ao mesmo tempo em que respondem a desafios ambientais, sobretudo ao aquecimento global, essas empresas estão reduzindo o risco associado a seu portfólio — e antecipando mudanças regulatórias previstas, como a taxação do carbono.

É claro que, com isso, não quero dizer que uma petroleira como a Chevron vai se transformar na nova Patagonia (empresa americana de artigos esportivos que desincentiva o consumo desenfreado).

EXAME: Empresas sustentáveis tendem a ser mais inovadoras?

Rebecca Henderson: Uma das vantagens estratégicas da sustentabilidade é o potencial que esse tema tem de se desdobrar em inovações. 

Ela gera novos mercados, novos produtos, novos tipos de cliente, diferentes fontes de lucro. 

Em empresas movidas por um propósito — e não só por lucro — o nível de abertura à inovação tende a ser mais alto. 

Isso lhes rende uma capacidade muito maior de lidar com dificuldades e conflitos gerados por mudanças drásticas, a exemplo do que aconteceu recentemente com os mercados de transporte e hotelaria.

Não quero com isso dizer que toda companhia pode lucrar muito por meio de estratégias de sustentabilidade, mas que isso é um caminho para muitas delas. 

As empresas de energia Schneider Electric e General Electric são bons exemplos: hoje constroem negócios bilionários a partir da demanda por eficiência energética.

Estratégias sólidas para os negócios sustentáveis

Marina Grossi, presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) defende que novas formas de mensuração do valor da sustentabilidade ainda precisam ser incorporadas em níveis empresarial e governamental para aumentar o estímulo á economia de baixo carbono.


26/10/2016 – Economista, Marina Grossi assumiu a presidente do CEBDS em 2010. No CEBDS desde 2005, ela atuou como diretora-executiva e coordenadora das Câmaras Temáticas de Mudança do Clima e Energia, Construção Sustentável e Finanças Sustentáveis. 

Possui um vasto currículo ligado á área governamental, atuando como negociadora do Brasil na Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP do Clima) entre 1997 a 2001, e como coordenadora do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas entre 2001 e 2003. 

Participou das negociações do Protocolo de Kyoto e representou o Grupo dos 77 (G77) mais China na área de Mecanismo Financeiro na COP 6 ½ (segunda fase da COP 6) que ocorreu em Bonn, na Alemanha.

Com sua abrangente experiência no setor de sustentabilidade, como avalia a evolução deste tema?

A sustentabilidade está passando a ser vista de maneira mais estratégica, como um elemento de competitividade. 

Neste cenário, as empresas já entenderam que sustentabilidade não é custo, e, sim, investimento e lucro. 

Os retornos podem ser de médio a longo prazos, mas os benefícios em reputação e competitividade são notáveis.

No entanto, novas formas de mensuração deste valor da sustentabilidade ainda precisam ser incorporadas, tanto em nível empresarial quanto no governamental. 

É essencial que haja um maior estímulo à economia de baixo carbono, tanto por meio de soluções de negócios quanto pela construção de um ambiente regulatório mais favorável.

O Brasil é protagonista em várias áreas, como florestas, biodiversidade, energias renováveis, biocombustíveis e eficiência energética. 

O CEBDS, juntamente com o parceiro global World Business Council for Sustainable Development, está trabalhando nesses temas e trazendo para o Brasil a discussão e o desenvolvimento de soluções que desenvolvam e deem escala à tecnologias de baixo carbono que contribuem, de maneira considerável, a solucionar esse problema global da mudança do clima.

Ainda temos muitas barreiras a superar, mas temos condições de avançar bastante. 

Para isso, é essencial que sustentabilidade e desenvolvimento sejam pensados de forma integrada, promovendo a realização de projetos de médio e longo prazos. 

A adoção dos princípios e práticas de sustentabilidade depende desta integração. O futuro das empresas, do governo e da sociedade é o mesmo, as agendas não podem ser pensadas separadamente.

O CEBDS acaba de completar 19anos e tem uma história marcada pelo incentivo às boas práticas ambientais e conquistas positivas em prol da implementação da Economia Verde no Brasil. Quais as expectativas da entidade para os próximos anos?

É possível perceber que as empresas evoluíram muito nos últimos 20 anos, de vilãs a agentes estratégicos nesse processo de transição para o desenvolvimento sustentável. A partir de agora, é preciso avançar para a implementação porque o discurso da sensibilização já passou.

Nos próximos anos, o CEBDS trabalhará para dar ganho de escala às boas práticas do mercado e para construir junto com o poder público propostas de regulação que favoreçam a economia verde. 

Sem políticas públicas de governo, não haverá um salto de qualidade nas ações de sustentabilidade.

Este ano, o CEBDS realizou a primeira edição do Fórum Água 2016, num momento crucial em que toda a sociedade deve combater a crise hídrica. Qual a posição da entidade em relação ao reuso de água na indústria e uso de tecnologias que ajudem na gestão dos recursos hídricos?

O Fórum Água 2016 promoveu o debate dos principais desafios enfrentados pelo setor empresarial na gestão dos recursos hídricos, além de estratégias de sucesso para superá-los, entre as abordadas estava a questão do reuso.

Um tema importante, porque cada vez mais empresas investem no reuso como alternativa para redução do volume de captação de água tratada, gerando economia e minimizando riscos durante a escassez, tanto do ponto de vista operacional quanto do ponto de vista de conflitos com a sociedade.

Porém, ainda há uma grande carência de normais legais que incentivem a sua adoção, assim como produtos financeiros que beneficiem empresas que investem nessa prática, além da necessidade de maior regulamentação sobre os diversos usos para essas águas. 

Esses fatores são importantes para permitir o desenvolvimento de um mercado consolidado de água de reuso.

O CEBDS defende duas grandes bandeiras no que tange ao reuso: a necessidade de mecanismos financeiros que estimulem a adoção dessas práticas e tecnologias, como é o caso do incentivo previsto pelo Projeto de Lei – PLS 12/14, que prevê a redução de impostos e taxas de produção/importação de equipamentos.

A segunda grande bandeira é a defesa pela regulamentação federal para os diversos aproveitamentos das águas de reuso, com vias a não só viabilizar o uso interno pelas empresas, mas também criar um mercado de vendas dessas águas, tanto para águas de processo como até mesmo água potável.

Como exemplo, temos o caso da Ambev, empresa associada ao CEBDS, que visando reduzir o uso da matéria prima, entre 2002 e 2013, a empresa diminuiu em mais de 38% a captação de água em suas unidades, tornando-se referencia internacional. 

No Maranhão, a empresa reduziu o descarte de efluentes para o Rio Pedrinhas em 72% com o projeto de reutilização dos efluentes em parceria com a Alumar.

Os desafios da mudança do clima também exigem uma agenda mais proativa do setor industrial e o CEBDS tem atuado diretamente em encontros mundiais, como a COP 21, em Paris. Quais os riscos e oportunidades para o Brasil e suas empresas?

O setor empresarial reconhece que a implementação do Acordo de Paris requer avanços expressivos em áreas específicas, como a de energias renováveis. 

Mas tanto no que se refere à meta global quanto às demais, vemos como principal ponto crítico para o Brasil a definição dos meios pelos quais as metas serão implementadas.

Para o CEBDS e suas associadas, será fundamental definir regras adequadas para a implementação das medidas, de modo a garantir, na prática, que o país alcance os objetivos propostos. 

O setor privado está disposto e empenhado em trabalhar junto com o governo para que a ambição brasileira se torne realidade, contribuindo efetivamente para a retomada do crescimento econômico em termos mais sustentáveis e para a pavimentação do caminho rumo à economia brasileira de baixo carbono.

Consideramos que a participação do setor empresarial é fundamental para que todas as metas apresentadas sejam não apenas implementadas, mas também monitoradas, e se transformem em realidade. 

O anúncio feito ano passado pelo governo brasileiro deve ser lido como um ponto de partida, e não de chegada para que o país retome o seu crescimento em termos mais sustentáveis e desenvolva uma economia de baixo carbono.

O novo acordo deverá conter mecanismos que promovam a geração de novas tecnologias e a transferência de tecnologias entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, fomentando a redução de emissões.

É necessário enxergar a implementação da meta como uma grande oportunidade. Uma oportunidade de gerar desenvolvimento, uma vez que serão necessários investimentos de grande porte em infraestrutura com empreendimentos de geração de energia renovável.

É também um momento para se repensar processos produtivos, buscando uma maior eficiência no consumo de energia, e buscando de forma contundente zerar o desmatamento ilegal no país.

É latente que para nos desenvolvermos de forma sustentável, tanto em termos econômicos quanto sociais e ambientais, precisamos acabar com esse tipo de questão. 

Então, o que o Brasil precisa fazer é, de fato, reconhecer que a busca por alcançar as metas contidas na sua Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida (INDC), que em abril se tornou NDC com a ratificação do acordo, deve ser uma grande motivação para desviar dos prognósticos negativos que temos para país nos próximos anos.

O Brasil, como uma das 10 maiores economias do mundo e 12º maior emissor, segundo o Global Carbon Atlash, tem um papel crucial na busca pela redução das emissões globais. 

Ainda que sua trajetória não tenha sido altamente emissora, como a dos países desenvolvidos, quando se fala sobre mudanças climáticas é necessário pensar em um futuro de longo prazo.

Pensamos em horizontes até 2050 e 2100. Precisamos nos desenvolver para que todos os brasileiros tenham condições dignas de vida, mas não podemos nos tornar grandes emissores. 

Precisamos, portanto, nos desenvolver dentro desta nova lógica que irá reger a economia global, ou seja, emitindo o mínimo de carbono possível.

O documento Visão Brasil 2050, lançado pelo CEBDS com o apoio de mais de 70 das maiores empresas brasileiras, na Rio+20, visa que o Brasil seja uma potencial verde nos próximos 40 anos. Como estão sendo estruturadas as ações para alcançar esse objetivo? De que forma as empresas estão contribuindo para o alcance das metas?

Depois do lançamento durante a Rio+20 do Visão Brasil 2050, documento prospectivo que tem o propósito de apresentar uma visão de futuro sustentável e qual o caminho possível para alcançá-lo, nosso desafio tem sido pensar nas ações que precisamos fazer para a transição para futuro que a desejamos.

Junto com as 70 empresas associadas, o CEBDS está trabalhando no projeto “Do visão 2050 à Ação 2020”, que consiste em um plano de ação com objetivos claros para 2020, ações e indicadores.

O plano foi construído por meio de três passos principais, sendo que o primeiro foi a identificação dos Must Haves de cada tema. Must Have é uma meta quantificável e verificável que precisa ser atingida até o final da década em cada um dos temas.

O segundo passo é a identificação das ações necessárias, por parte do setor empresarial, para que os Must Haves sejam alcançados.

Por fim, é necessária a identificação dos indicadores de monitoramento das ações das empresas, com a finalidade de verificar se estamos no caminho certo para alcançarmos as metas propostas.

O Ação 2020 é um instrumento importante para unir as agendas da sustentabilidade e do desenvolvimento.

A evolução do mercado ambiental estimula um mercado importante, que necessita de profissionais qualificados. Temos condições de atender essa demanda? Existem oportunidades para esses profissionais no mercado de trabalho? O CEBDS tem alguma ação voltada para esse assunto?

Creio que temos um mercado bastante qualificado que cada vez mais cresce no Brasil. O CEBDS acredita e estimula que mais empresas se preocupem com o desenvolvimento sustentável do seu negócio.

Um relatório divulgado no começo desse ano prevê que a adoção de modelos produtivos mais sustentáveis pode gerar de 15 milhões a 60 milhões de empregos até 2030 em todo o mundo. 

Não à toa, diversas escolas de negócio estão falando sobre a sustentabilidade já há algum tempo, e, mais recentemente, diversas escolas de estudos socioambientais perceberam a importância dos negócios para que o desenvolvimento sustentável possa ser alcançado.

Além disso, há já diversas ações dentro das empresas para que os profissionais se capacitem e se informem cada vez mais nas temáticas relacionadas à sustentabilidade empresarial – a Universidade Corporativa Brasil Kirin e a EY University são exemplos dessas práticas.

O CEBDS atua justamente fortalecendo essa diretriz da sustentabilidade corporativa não como um “anexo” da empresa, mas, sim, fazendo parte de uma estratégia sólida do negócio como um todo – inclusive ao capacitar os profissionais de outras áreas da empresa nesta direção.

Fonte: Revista Meio Ambiente Industrial