Especialistas querem mobilização da população para as questões ambientais e mudanças climáticas

Da Redação


Mudanças climáticas: engajamento precisa ser individual e 
sistêmico, por meio de iniciativas governamentais


São Paulo – O cineasta Fernando Meirelles quer fazer com que o maior número de pessoas possível entenda e se mobilize pela questão das mudanças climáticas.

Depois de levar o problema para 3,5 bilhões de pessoas na abertura da Olimpíada no Rio, ele está agora desenvolvendo uma série de TV com a BBC. Por um lado, quer difundir informações sobre o tema e, por outro, engajar as pessoas para que elas se mobilizem para isso.

Meirelles contou seus planos na terça-feira, 4, durante o debate 

“Saindo do gueto ambientalista: o desafio de mobilizar as pessoas para a sustentabilidade“, promovido pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo.

Ele e mais três especialistas em comunicação debateram como fazer com que o tema seja incorporado nas discussões do dia a dia das pessoas, das empresas e dos governos.

Em linhas gerais, a mensagem que todos passaram é que é preciso atuar em duas frentes: uma mais individual, que toque as pessoas para elas se entenderem parte do problema e assim poderem se engajar em busca de soluções; e em uma mais sistêmica, em que a sustentabilidade deixe de ser tratada de modo setorial, como por um departamento dentro de uma empresa, por exemplo, ou apenas por uma secretaria ou ministério, e entre na base de ações de empresas ou governos.

“É preciso ativar outras dimensões nas pessoas, para se sentirem motivadas a participar. É importante virar uma convocação, um convite de ação. E tem de trazer uma porta de saída. 

Não adianta dar só os fatos desesperados. É como falar de morte. Ninguém quer falar disso, porque se não tem saída, melhor nem falar”, comentou Mônica Gregori, que fez o estudo 

“O Fluxo das Causas”, sobre desafios para grandes causas como cidades sustentáveis e mudanças climáticas.

Meirelles, que se disse um pessimista sobre o futuro do planeta, contou que fez isso na Olimpíada, ao mostrar o problema, mas em seguida ao apresentar uma solução: o plantio de árvores. 

“Acho que em geral as imagens catastróficas, de desastres, que já vimos tanto, não tocam mais. 

Mas ali a ideia era ir direto à informação. E depois veio a boa notícia: mostramos projetos de reflorestamento em todo o mundo. Representam a mudança de atitude que queremos. Plantar floresta é a maneira mais barata de absorver carbono. Não resolve o problema, mas mitiga”, disse.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Guerra e paz por trás de um bife

Por Juliana Tinoco (reportagem) e Marcio Isensee (fotos) 



Seção de carnes de uma loja do Walmart, uma das redes 
que assinou com o Greenpeace o compromisso público de 
rastrear a origem do produto e garantir que ele é livre de 
crimes ambientais. Foto: Marcio Isensee

Grandes frigoríficos e corporações internacionais do setor de alimentos, uma vez acusadas de comprar carne de bois criados em áreas desmatadas ilegalmente, hoje garantem que não adquirem nem vendem carne de origem desconhecida

Este compromisso público assinado por pressão do Greenpeace é considerado um sucesso na batalha contra crimes ambientais na Amazônia, mas não garante o monitoramento de toda a cadeia de produção de carne.

“O Greenpeace não tem inimigos nem amigos permanentes”. 

O lema, velho conhecido dos membros da ONG, cai bem para a história da campanha que trouxe uma revolução no modo de operação do setor da carne no Brasil. Lançada pela organização em 2009 e citada pelos principais atores da cadeia como divisora de águas, 

"A Farra do Boi na Amazônia" apontava o dedo para os grandes frigoríficos, acusando-os de compactuar com o desmatamento na Amazônia e pressionava o governo (do então presidente Lula) de ser "sócio" de frigoríficos criminosos, em referência aos então principais beneficiários de empréstimos com juros subsidiados do BNDES - JBS, Marfrig e Bertin, posteriormente vendida à JBS. 

Tratava-se de um setor que até pouco tempo desconhecia restrições ambientais ao seu crescimento. De lá para cá, entre brigas e reconciliações, precisou se reinventar.

Fome de carne

"o selo de "desmatador da Amazônia brasileira" cruzou os mares e alcançou as sedes internacionais de nomes como Gucci, Nike e Adidas. 

Para estas marcas, que compravam o couro dos frigoríficos brasileiros investigados, doeu ver sua imagem associada a um crime ambiental "

“A pecuária é a variável central da equação de sustentabilidade do agronegócio brasileiro”, diz Márcio Nappo. Ele é o diretor de Sustentabilidade da JBS, a maior empresa de proteína animal do mundo, nascida no Brasil. 

Dos 38,7% do território brasileiro ocupado pelo setor agrícola, metade são para pastos, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. 

A pecuária usa mais de 200 milhões de hectares de terras, dos quais 48 milhões na Amazônia. Para fins de comparação, apesar de ser o maior produtor de soja do mundo, o grão ocupa 30 milhões de hectares de solo brasileiro, seguida da cana-de-açúcar, com entre 8 e 10 milhões de hectares.

Em 2004, o Brasil chegou a líder mundial em exportação de carne bovina e, segundo os últimos dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), em 2014 estávamos na segunda posição. 

O governo brasileiro viu oportunidades de crescimento mundial no setor de carnes especialmente a partir do início da década de 2000, graças a fatores econômicos, entre eles a fase de desvalorização do Real, entre 1999 e 2003. 

A crise do mal da vaca louca, que preocupou a Europa em 2003, também fez bem ao nosso boi. Logo passamos a deter parcela expressiva do mercado europeu e, na sequência, do Russo e dos países do Oriente Médio.

A partir de 2005 começa uma fase de intensa internacionalização das nossas empresas de carne, graças à política de desenvolvimento de "campeões nacionais", ou empresas brasileiras eleitas pelo governo para serem transformadas em grandes multinacionais. 

Dois terços dos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) destinados ao programa foram para fomentar o crescimento de frigoríficos. É o exemplo da JBS e da Marfrig. 

A primeira, corruptela do nome de seu fundador, José Batista Sobrinho, vulgo Zé Mineiro, começou com um pequeno açougue em Anápolis (GO) e hoje é a maior processadora de proteína animal do mundo, líder também em capacidade de abate. 

Já a Marfrig Global Foods, fundada por Marcos Molina, que aos 16 anos já tinha a própria distribuidora de carnes, orgulha-se de estar presente com seus produtos em mais de 110 países do mundo.

Em 2007, os frigoríficos JBS, Marfrig e Bertin figuravam entre os três maiores beneficiários de empréstimos a juros baixos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). 

Com o avanço da exportação da matéria-prima crescia também os índices de devastação da Amazônia. Em 2008, 80% de suas áreas desmatadas deviam-se à pecuária, diz o relatório do Greenpeace. Foi com este dado estampado em manchetes que, em 2009, os frigoríficos levaram o susto.

Chicotada de couro

A investigação que deu origem ao relatório “Farra do Boi na Amazônia” seguiu o rastro da carne dos grandes frigoríficos até as fazendas de onde se originavam na Amazônia. 

Lá, o Greenpeace achou todo tipo de crime - de desmatamento ilegal a trabalho escravo. Atestado o problema de um lado, fez então o caminho inverso e rastreou a produção dos frigoríficos até o seu consumidor final. E foi no couro que a ONG achou matéria prima para o seu chicote. 

Como a indústria da carne, especialmente à época, não investia em marcas de varejo, era preciso encontrar um alvo cuja imagem ficasse marcada na cabeça do povo - no melhor estilo Greenpeace de ser. Foi assim que o selo de "desmatador da Amazônia brasileira" cruzou os mares e alcançou as sedes internacionais de nomes como Gucci, Nike e Adidas. 

Para estas marcas, que compravam o couro dos frigoríficos brasileiros investigados, doeu ver sua imagem associada a um crime ambiental contra a mais importante floresta tropical do mundo.

"A aposta que o Greenpeace fez naquele momento, e continua fazendo, foi de entender as empresas como um ator fundamental do ponto de vista de impulsionar a produção e o consumo de commodities de uma forma mais responsável", explica Adriana Charoux, da campanha de Amazônia do Greenpeace. 

 A briga foi parar nos jornais, empresas como a Nike cancelaram contratos e em questão de meses os frigoríficos Marfrig e Minerva e, por fim, JBS, assinavam um compromisso público, proposto pelo Greenpeace, de rastrear suas cadeias e garantir que estariam livres das ilegalidades.

Pelo acordo, os frigoríficos ficaram obrigados a garantir que seus fornecedores não estão envolvidos em desmatamento após 2008 - ano limite estipulado pelo Código Florestal para que uma área seja considerada consolidada como agrícola. 

Os critérios incluem observar a lista de embargos do IBAMA, de trabalho escravo do Ministério do Trabalho e garantir que nenhuma fazenda ocupe áreas legitimamente delimitadas como Terras Indígenas e Unidades de Conservação. 

"Foi um processo até de fato a gente conseguir sentar na mesa de negociação. Não foi lançar o compromisso e de repente todo mundo disse “tá bom, onde eu assino?”, relembra Adriana. 

"Houve pressão e também diálogo". De lá para cá, a máxima de que inimigos e amigos podem ser transitórios se aplica. Hoje o Greenpeace e os três frigoríficos tratam-se cordialmente, saudando uns aos outros a cada resultado positivo das auditorias externas que acompanham o compromisso.

Nó de terras

"O Brasil criou o maior sistema de monitoramento geográfico de matéria-prima do mundo", afirma Fernando Sampaio, diretor da ABIEC e que também preside o Grupo de Trabalho pela Pecuária Sustentável (GTPS), iniciativa que reúne os principais atores da cadeia em torno de agendas de sustentabilidade para o setor. Um dos grandes responsáveis por isso é Breno Félix, sócio-fundador e Diretor Comercial e de Inovação da AgroTools

Criada em 2008, ela se coloca como uma empresa hiperbólica. Para começar, descreve a si mesma como "a maior empresa de big data do país" e líder mundial em gestão e monitoramento de riscos para o agronegócio tropical. 

É ela que hoje atende às necessidades de monitoramento da cadeia de fornecedores dos grandes frigoríficos, redes de supermercado, boa parte do mercado financeiro e os maiores produtores de agronegócio brasileiro. Na cartela de clientes da Agrotools estão McDonald's, Walmart, Carrefour, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), além dos maiores frigoríficos do país e do mundo - a JBS e a Marfrig. 

Entre os parceiros de trabalho, nomes como o Google e a ONG WWF. A empresa se diz a guardiã de 25 milhões de hectares de Amazônia, o equivalente ao tamanho do Reino Unido.

Na prática, o que a Agrotools faz é reunir e cruzar dados - muitos deles públicos, como a lista de embargo do IBAMA – para dar uma cara e um endereço às propriedades rurais da Amazônia. 

A ideia é a de um grande mapeamento, a partir do qual é possível saber se fazendas ocupam áreas ilegais como Unidades de Conservação e Terras Indígenas, se possuem permissão para exercer sua atividade ou se estão envolvidas em crimes de desmatamento, por exemplo. 

A partir desta análise, a Agrotools é capaz de estabelecer o grau de risco ambiental associado a cada fornecedor.

"A JBS teve entre 2009 a 2010 para tirar do papel uma política de desmatamento zero na sua compra de gado", relembra Márcio Nappo, Diretor de Sustentabilidade da JBS. 

Para fazer cumprir o acordo, era preciso rastrear os fornecedores. Descobrir onde estavam, de onde vinham seus bois e saber se eram legalizados. À época, os frigoríficos não estavam organizados para fazer isto. "Eles tinham o cadastro comercial das fazendas. 

O comprador de boi era o cara que tinha um relacionamento com o pessoal no campo e só quem sabia onde estava a fazenda era o caminhoneiro que ia até ela. E nem sempre o caminhoneiro era da empresa, então esse conhecimento estava completamente disperso na cadeia", conta Breno Félix.

A demanda alta por serviço de monitoramento, segundo revela a Agrotools, é um indicativo de que a gestão de risco chegou ao agronegócio brasileiro. Breno conta que a empresa recebe diariamente cerca de 100 pedidos para identificação de imóveis. 

"A realidade fundiária do Brasil é que a gente não conhece as peças do quebra-cabeça. Nós aqui temos uma visão muito clara desta desordem territorial", diz. Por isso, quando questionado, Breno não titubeia em dizer que se a empresa sabe hoje mais do território amazônico do que o próprio governo.

O valor de um bife verde

Para Márcio Nappo, o principal desafio de tornar sustentável o negócio está nas próprias características da cadeia da pecuária. "É, de todas, a mais complexa, sob o ponto de vista comercial e de outras agendas importantes como questões sanitárias, bem-estar animal e sustentabilidade", diz. 

"A gente tem cerca de 70 mil fornecedores de gado na nossa carteira, dos quais 40 mil estão na região amazônica. Todo dia temos que comprar milhares de cabeças de gado no mercado de commodity pura, guiado por preço". Como a compra é diária, a checagem também precisa ser. 

“A gente atualiza o estado socioambiental de todos os nossos 70 mil fornecedores brasileiros diariamente. Aqueles que tiverem alguma não conformidade, a área de sustentabilidade da JBS bloqueia o cadastro comercial”, diz Nappo.

Todo este esforço não se converte em lucratividade para a empresa. "A gente não vê uma sinalização do mercado de pagar mais pela sustentabilidade. Eu brinco: Um bife com trabalho escravo tem o mesmo sabor de um bife sustentável. Esses atributos - desmatamento e trabalho escravo - são do sistema de produção e não do gado em si. 

Carne de valor se dá pelo que é tangível ao consumidor", diz Nappo. Em comum, Marfrig e JBS criticam também o efeito de concorrência desleal que o acordo lhes rendeu. Como nem todos os frigoríficos atuando na Amazônia assinaram compromissos de monitoramento, a compra de gado de fazendas ilegais não foi interrompida. 

"A gente tem que ter uma regra comum. Quer dizer, se nós não podemos comprar o gado, então que ninguém compre, porque se não fica uma guerra", critica Mathias Almeida, diretor de Sustentabilidade da Marfrig. 

Queixa recorrente também diz respeito aos outros elos da cadeia. "A ilegalidade só se viabiliza porque tem um supermercado que compra a carne dos frigoríficos sem fazer qualquer tipo de questionamento ou verificação sobre a origem e procedência do produto", lembra Nappo.

"Carne ao molho madeira"

"Há dificuldades ainda sem solução para se rastrear com sucesso todos os elos da cadeia. Entre eles está o monitoramento de fornecedores indiretos - fazendas de criação de bezerros, por exemplo"

"Até o final de 2017 nós vamos garantir que 100% da carne brasileira vendida pelo Wal-Mart será monitorada", diz Tatiana Trevisan, gerente de Sustentabilidade do Wal-Mart Brasil. 

 O supermercado figura hoje na lista dos bons amigos do Greenpeace. Mas esta história, claro, nem sempre foi assim. Desde final de 2015 as grandes cadeias de supermercados entraram na mira da ONG. 

O segundo relatório da saga, "Carne ao Molho Madeira", denuncia os grandes do varejo por compactuarem com o crime de comprar carne sem saber dar nome aos bois.

No que diz respeito à Amazônia, o Wal-Mart garante confiabilidade no seu monitoramento. A empresa também precisou reconfigurar seu negócio para atender aos requisitos impostos pelo Greenpeace. 

Entrou em cena, de novo, a Agrotools, que hoje monitora mais de 75 mil fazendas para o banco de dados do supermercado. "Temos recebido demandas do Walmart internacional, nos Estados Unidos, para entender melhor como implantamos esse sistema e como podemos levar isso para outras commodities", diz Trevisan. 

 Além do Wal-Mart, Pão-de-Açúcar e, mais recentemente, o Carrefour também aderiu ao compromisso de monitorar e excluir fornecedores com problemas de sua lista. Novamente, lá esteve ela, a Agrotools.

O lançamento da Plataforma de Pecuária Sustentável, do Grupo Carrefour, deu o tom da importância estratégica do monitoramento e da rastreabilidade da cadeia. 

O evento aconteceu no final de agosto, na sede do governo de Mato Grosso, o Palácio Paiaguás, em Cuiabá, e teve as presenças do Governador de Mato Grosso, Pedro Taques e do Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. 

A mensagem era de total alinhamento entre a nova política de compras do segundo maior varejista de alimentos do Brasil e o governo do Estado do Mato Grosso, maior produtor de carne bovina do país. 

Recentemente, em evento nos Estados Unidos, o Ministro da Agricultura e Pecuária Blairo Maggi também citou a rastreabilidade da produção como um dos grandes atrativos para investimentos estrangeiros na pecuária brasileira.

Boi de piranha

A trajetória da carne - de vilã a exemplo internacional de sustentabilidade - é controversa e permeada por conflitos no campo e nas ideias. "A gente sabe que a pecuária é usada como um mecanismo de especulação fundiária na Amazônia", diz Adriana Charoux. 

Do lado da indústria, Fernando Sampaio concorda: “A pecuária não é a causa do desmatamento, sim uma desculpa. A especulação que existe na fronteira agrícola é imobiliária, o boi está ali para ocupar aquele espaço”.

Adriana, no entanto, lembra que há ainda muita falta de controle na cadeia que hoje se anuncia verde. "Rebanhos são autodeclarados. Então, como os bois andam, os bois também voam e desaparecem. 

É isto que acontece no campo”, diz. Há dificuldades ainda sem solução para se rastrear com sucesso todos os elos da cadeia. Entre eles está o monitoramento de fornecedores indiretos - fazendas de criação de bezerros, por exemplo. Estas vendem para as propriedades de engorda, que por sua vez chegam aos frigoríficos.

Adriana Charoux também acredita que é o caos fundiário do país e a ilegalidade de muitos que contribui para fazer da pecuária uma vilã. "É por isso que as políticas públicas são fundamentais. 

Não há acordo de mercado que vá substituir o papel do governo. Ele precisa fazer muito mais", cobra a representante do Greenpeace.


Agência da ONU apresenta plano para tornar cidades mais inclusivas

in: MEIO AMBIENTE

                               Vista aérea de favela no Rio de Janeiro. Foto EBC/Marcelo Horn

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) apresentou nova estratégia de urbanização, que prevê estreita aliança com parceiros locais e internacionais para iniciativas que abordem questões como pobreza urbana, desemprego, mudança do clima, redução de risco de desastres, além de diminuição das disparidades de gênero.

Pela primeira vez na história, mais da metade da população do mundo vive em áreas urbanas. 

Até 2030, 60% da população global viverá em cidades, sendo que 90% desse crescimento urbano ocorrerá nos países em desenvolvimento, sobretudo na África e na Ásia.

Esses são dados da Estratégia de Urbanização Sustentável do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lançada na segunda-feira (17), em Quito, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III).

Na quinta-feira (20), as delegações participantes da conferência definiram a Nova Agenda Urbana de Desenvolvimento, que define uma abordagem global para a urbanização nos próximos 20 anos.

Enquanto as cidades ocupam uma pequena parte do mundo, suas economias e pegadas ecológicas são muito maiores. 

As cidades são responsáveis por 80% do Produto Interno Bruto (PIB) global, produzem mais de 70% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e usam 80% da energia do mundo.

“Precisamos que as cidades sejam mais resilientes, e seus habitantes, menos vulneráveis”, disse a administradora do PNUD, Helen Clark. 

“O PNUD reconhece que, para ajudar os países a implementarem a Agenda 2030, precisamos apoiar governos, empresas e comunidades, para respondermos a esses aspectos de urbanização, usando uma abordagem integrada, com sustentabilidade, inclusão e resiliência”, afirmou.

A Agenda 2030 e os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável oferecem uma poderosa ilustração dos desafios e oportunidades que as cidades apresentam, de acordo com a agência da ONU. 

A Habitat III, maior conferência global de desenvolvimento em 2016, teve o objetivo de assegurar um compromisso político renovado com o desenvolvimento sustentável urbano, avaliar as conquistas feitas até o momento, enfrentar a pobreza urbana e identificar e contemplar novos e emergentes desafios.

A Embaixadora da Boa Vontade do PNUD e atriz premiada Michelle Yeoh, também presente na ocasião, declarou: “estou orgulhosa de estar aqui com todos vocês e com a administradora do PNUD, Helen Clark, para lançar a Estratégia de Urbanização Sustentável do PNUD”.

“Para cumprirmos o compromisso com a Agenda 2030 de não deixar ninguém para trás, teremos de encontrar maneiras de garantir que aqueles que vivem na pobreza tenham voz nos processos decisórios para aumentar as oportunidades econômicas em áreas urbanas”, afirmou.

Alguns planos de ação fundamentais na nova estratégia de urbanização do PNUD incluem uma aliança estreita com parceiros locais e internacionais para projetar, desenvolver e promover iniciativas que abordem questões como a pobreza urbana, desemprego, mudança do clima, redução de risco de desastres, assim como a redução das disparidades de gênero.

A estratégia também recomenda a Cooperação Sul-Sul e ajudar os países a monitorar e relatar o progresso deles em desenvolvimento urbano, questões e tendências, alinhadas com a Agenda 2030 e os compromissos da Habitat III.

O PNUD apoiará países e cidades, construindo, com base em seu passado e no trabalho atual sobre urbanização em parceria com a ONU Habitat, cidades e países.

O desenvolvimento sustentável nas cidades é essencial para o maior alcance da Agenda 2030, e ações em cidades serão fundamentais para o alcance de ao menos 11 dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, como indicado na estratégia de urbanização do PNUD.

Ford Leva Conceito De Sustentabilidade À Criação Dos Protótipos Em Argila

Escrito por Imprensa Ford


A Ford levou o conceito de sustentabilidade também para o processo de criação de veículos, por meio da reciclagem da argila usada na construção de protótipos. 

Conhecido na indústria automobilística como "clay", esse material de moldagem está presente em diversas fases da criação e passou a ser reciclado, como mostra o vídeo.

A máquina de reciclagem da Ford já evitou o envio de mais de 9 toneladas desse material para aterros nos últimos anos. 

A maior parte da argila reciclada pela Ford vem do processo de usinagem, no qual os designers usam uma máquina para esculpir a silhueta do veículo.

Apesar de todos os avanços da tecnologia e softwares digitais, nada supera a modelagem do veículo em tamanho real para o aprimoramento de detalhes internos e externos do seu design. 

A argila ainda é o melhor meio de visualizar nuances que podem não ficar aparentes quando se usa um modelo digital ou em escala.

“Novas tecnologias estão surgindo a todo momento, mas quando queremos ver os aspectos físicos do carro no início do processo ainda usamos a argila”, diz Lloyd VandenBrink, gerente de modelagem do Estúdio da Ford em Dearborn, EUA.

A produção de novos modelos requer muita argila. A criação da nova picape F-150 Raptor, por exemplo, consumiu cerca de 880 kg de argila e mais de 20 mil horas de modelagem durante quatro anos.

Inovando na reciclagem

Nos últimos cinco anos, a Ford reciclou argila suficiente para preencher mais de 26 mil latas de refrigerante de 350 ml, ou o equivalente ao peso de três elefantes asiáticos.

O enxofre costumava ser um ingrediente importante da argila, mas quando aquecido ele evaporava e podia causar mau funcionamento nos equipamentos eletrônicos. Por isso, foi eliminado nos anos 2000.

A argila usada pela Ford na modelagem, na verdade, não é de barro. Ela é feita de uma combinação de ceras e óleo com agregado e não contém água como a argila cerâmica tradicional.

Sustentabilidade, um novo paradigma



Por Montserrat Martins

Nem à esquerda, nem à direita, rumo à sustentabilidade. Essa nova teoria política responde às necessidades do século XXI, o da crise climática e das metrópoles urbanas, se distinguindo das receitas do neoliberalismo e do estatismo.

O neoliberalismo, que sacraliza o livre mercado acompanhado de um “Estado mínimo”, não atende às necessidades de preservação nem do patrimônio natural, nem do patrimônio humano, social e econômico das sociedades contemporâneas. 

Na crise financeira global de 2008, a economia internacional teve de ser salva por intervenções estatais, com destaque para o governo americano que aumentou seu poder de endividamento para socorrer o sistema financeiro.

O estatismo, por outro lado, já evidenciou seus limites nas últimas décadas desde a derrocada da União Soviética, do leste europeu, de Cuba e da tragédia social vivida atualmente na Venezuela. 

O único regime político estatizado que vingou economicamente foi a China e para isso ela se flexibilizou para o mercado, assumindo característica peculiares e se encontrando ainda em evolução.

As democracias ocidentais usam sustentabilidade na retórica, mas não inibem o desmatamento nem a exclusão social. 

Com a globalização da economia, na Era do Capitalismo Financeiro, esse se caracteriza pela volatilidade e o imediatismo, ou seja, o mercado vai atrás do lucro instantâneo onde ele estiver. 

Projetos que desmatam a Amazônia para plantar cana, mais a soja e a pecuária lá, agravam a crise climática.

Também nenhum modelo de estatismo teve compromissos com a sustentabilidade, em suas dimensões econômica, social, ambiental, cultural, ética, política ou estética. 

Um dos “gargalos” do crescimento chinês (tal como ocorrera com os europeus) é o esgotamento dos seus recursos naturais, incluindo a crise hídrica.

Um novo paradigma para o século XXI requer um novo papel do Estado e do “mercado”, não como antagonistas, mas como complementares, bem como o protagonismo dos organismos internacionais como ONU, Unesco, OMC. 

Um exemplo “sustentabilista” foi dado por Barack Obama e Xi Jinping, presidente americano e secretário geral do PC chinês, ao assinarem esse ano um acordo de cooperação para reduzir a emissão de carbono na atmosfera. Nesse acordo sino-americano não há supremacia nem do “mercado” que move a economia americana nem da “economia estatal” chinesa. 

O terceiro setor e a sociedade civil são importantes nesse novo modelo de desenvolvimento, que não tem um Estado mínimo nem máximo, mas necessário. 

Um Estado não meramente “indutor” do desenvolvimento, mas que emana da própria sociedade e responde às necessidades de planejamento com visão estratégica para dar respostas às questões do século XXI.

Montserrat Martins é médico e bacharel em ciências jurídicas e sociais.


Parque Estadual de Vila Velha bate recorde de visitação no primeiro semestre


















Entre janeiro e junho deste ano, mais de 31 mil pessoas visitaram o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. Os dados foram divulgados segunda-feira (12) no relatório semestral da Paraná Projetos, responsável pelo atendimento ao público no parque, e apontam o maior número de visitantes para o período desde 2012. Foto: Pedro Ribas/ANPr.























Entre janeiro e junho deste ano, mais de 31 mil pessoas visitaram o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. 

Os dados foram divulgados segunda-feira (12) no relatório semestral da Paraná Projetos, responsável pelo atendimento ao público no parque, e apontam o maior número de visitantes para o período desde 2012.

"O aumento da visitação se deve principalmente à divulgação, após o evento em comemoração aos 60 anos da criação do Parque e de lançamentos de novos passeios, como a Caminhada Noturna e a Trilha da Fortaleza. 

O Parque também ganhou maior visibilidade nas mídias sociais, onde é divulgada a programação dos passeios", diz Angela Soares, supervisora da Paraná Projetos.

O mês mais visitado neste ano foi janeiro, que corresponde a 29% do total de visitantes durante todo o período. Além disso, as datas mais escolhidas para visitar o parque são finais de semana e feriados. 

Somente no Carnaval, por exemplo, o Parque Estadual de Vila Velha recebeu mais de 3,6 mil pessoas em quatro dias, mais da metade do total de visitantes do mês de fevereiro.

O passeio mais visitado foi os Arenitos, escolhido por 96% dos visitantes durante o primeiro semestre desse ano. Os visitantes podem ainda agendar caminhadas noturnas ou o passeio pela Trilha da Fortaleza, atividades que tiveram um aumento de 92% em relação ao mesmo período do ano passado.

"Além dos Arenitos, as pessoas também visitam bastante Furnas e a Lagoa Dourada, porque são de mais fácil acesso e não exigem grande esforço físico. Por isso, é comum que os ingressos para esses dois passeios esgotem rapidamente", conta Angela.

De acordo com os dados do relatório, o Parque recebe pessoas de todas as idades, a maioria entre 26 e 40 anos. 

"O Parque tem opções de diferentes passeios para todas as idades, como caminhadas leves, observação das formas areníticas, da fauna e da flora ou o visitante pode ainda participar de atividades que requerem um esforço maior, como a Trilha da Fortaleza, de 16 quilômetros de caminhada, ou o percurso de 22 quilômetros do cicloturismo. 

Essa diversidade de opções é o que atrai de crianças a idosos", explica a supervisora.

No primeiro semestre, o parque recebeu visitantes de 43 países, que representa 98% do total. 

Entre os cerca de 30 mil brasileiros, 22 mil são do Paraná e, destes, a maioria dos visitantes têm origem em Curitiba, Ponta Grossa ou Londrina. 

Entre os outros estados, grande parte veio de São Paulo (41%), Santa Catarina (26%) ou Rio Grande do Sul (10%). 

Já os estrangeiros vieram principalmente da Europa e, comparado com 2012, o número de visitantes de outros países cresceu 111%.

PARQUE - O Parque Estadual de Vila Velha pertence ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e foi criado em 1953 para preservar as formações de arenito e os campos nativos do Paraná. 

Tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual, tem mais de 3 mil hectares e diversas atrações, entre elas os Arenitos, Furnas e a Lagoa Dourada.

Entre a fauna do parque, já foram encontradas muitas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, como o lobo-guará, bugio-ruivo, tamanduá-bandeira, jaguatirica e aves como a águia-cinzenta, papagaio-de-peito-roxo, galito, caminheiro-grande e noivinha-de-rabo-preto.

O parque conta com estrutura para recepção, orientação e deslocamento dos visitantes até as trilhas e atrativos. Todos os passeios são acompanhados por condutores que participam de constantes treinamentos para melhor atender ao público.

SERVIÇO: Parque Estadual de Vila Velha.

Localização: BR-376, km 515 - Jardim Vila Velha, Ponta Grossa – Paraná.
Horário de funcionamento: de quarta a segunda-feira e também nos feriados nacionais, das 8h30 às 15h30.
Contato: (42) 3228-1138.
Saiba mais sobre o trabalho do Governo do Estado em:http://www.facebook.com/governopr e www.pr.gov.br
Fonte: Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

A ONU através da OMT - Organização Mundial do Turismo, adota o ano de 2017, como o Ano Internacional de Desenvolvimento do Turismo Sustentável.

Dinalva Heloiza



A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu 2017 como o Ano Internacional de Desenvolvimento ao Turismo Sustentável. 

A resolução, reconhece "a importância do turismo internacional, e em particular a designação de um ano internacional de desenvolvimento sustentável ao setor, onde os aspectos mais importantes desta adoção, visa estimular a melhor compreensão entre os povos de todos os lugares, conduzindo a uma consciência da rica herança das várias civilizações e a uma melhor apreciação dos valores inerentes das diferentes culturas, contribuindo assim ao fortalecimento da paz em todo o mundo ".



Secretário Geral da OMT - Taleb Rifai


"A declaração adotada pela ONU de 2017 como o Ano Internacional de Desenvolvimento ao Turismo Sustentável é uma oportunidade única para fazer avançar a contribuição do setor do turismo junto aos três principais pilares da sustentabilidade - 
a questão econômica, social e ambiental, 
e ainda, aumentar a consciência das verdadeiras dimensões de um setor que é muitas vezes subestimado ", disse o secretário-geral da OMT, Taleb Rifai.

"Como principal agência das Nações Unidas voltada a esta iniciativa, Taleb Rifai, explica estar ansioso junto a OMT, para prosseguir com a organização na implementação do Ano Internacional, em colaboração com os governos, as organizações pertinentes do sistema das Nações Unidas, outras organizações internacionais e regionais e de todas as partes interessadas ", declarou.

Esta decisão segue-se ao reconhecimento pelos líderes mundiais na Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), onde "o turismo bem concebido e bem gerido" pode contribuir junto as três principais dimensões do desenvolvimento sustentável, com maior criação de emprego e ampliação do comércio internacional do setor.

A decisão de adotar 2017 como o Ano Internacional de Desenvolvimento do Turismo Sustentável, surge em um momento particularmente importante da comunidade internacional, onde esta abraça a nova Agenda de 2030, através dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O turismo está incluído com três alvos junto aos ODS - São eles:

OBJ 8: Promover de forma sustentada, o crescimento econômico inclusivo e sustentável, gerar emprego pleno e produtivo e promover o trabalho digno para todos;

OBJ 12: Estabelecer o Consumo e Produção Sustentáveis ​​e

OBJ 14: Conservação e uso sustentável dos oceanos , mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.


Fonte: www.brasileconews.blogspot.com