Já está em construção o maior condomínio passivo de residências do mundo. Localizado na Alemanha, o empreendimento com 162 apartamentos, contará com uma usina solar própria, jardins verticais, além de outras soluções sustentáveis.
O Heildelberg Village foi projetado pelo escritório alemão Frey Achitekten com diversos conceitos de eficiência energética e de uso e princípios da arquitetura bioclimática.
Os apartamentos têm varandas individuais, sua própria micro-usina solar e podem abrigar confortavelmente até cinco pessoas. Mas, o restante do condomínio reserva ainda mais atrativos.
Imagem: Divulgação
As residências são conectadas à geração de energia solar e a um sistema moderno de ventilação, que garantem toda a eficiência energética do complexo. No telhado, ao redor das placas fotovoltaicas, estão árvores e outras áreas comuns aos moradores, enquanto as paredes dos edifícios também são cobertas por vegetações, em um jardim vertical gigante, que ajudará no controle térmico e manutenção da qualidade do ar.
Imagem: Divulgação
A expectativa é de que o condomínio seja finalizado até 2017.
Mas, os arquitetos já têm projetos para antes disso.
A ideia é criar uma cozinha comunitária que conectará os futuros moradores com os trabalhadores envolvidos na construção. Segundo divulgação, a ideia é reforçar as conexões, o senso de comunidade e de pertencimento.
O projeto busca trabalhar a sustentabilidade de forma holística na construção civil.
O Heidelberg Village deve incluir: ecologia, economia, integração, inovação e rentabilidade.
Presidente do CEBDS afirma que a crise política e econômica não é justificativa para as empresas deixarem de lado a preocupação com o meio ambiente
NATÁLIA SPINACÉ
Em tempos de crise econômica, muitas empresas precisam reduzir os gastos para ajustar o orçamento.
E não é raro os investimentos em sustentabilidade serem um dos primeiros a ser cortados.
Para Marina Grossi, economista e presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), essa atitude é um grande erro tanto para a sociedade como para a reputação e para os lucros das empresas.
As empresas com olhar mais moderno em relação ao meio ambiente e à sustentabilidade são candidatas ao Prêmio Época Empresa Verde 2016.
ÉPOCA – Nos últimos anos, muitas empresas aumentaram seus investimentos em iniciativas ambientais. Com a crise econômica, é comum que esses investimentos sejam cortados. Qual a consequência disso para as empresas e para a sociedade?
Marina Grossi – Neste momento, empresas, cidadãos e governo estão repensando seus gastos e priorizando ações e iniciativas que têm para si maior importância estratégica.
Nesse sentido, é imprescindível que as empresas consigam enxergar a oportunidade gerada por ações em sustentabilidade, ainda mais nestes momentos de crise.
Ao fazer isso, as empresas estarão agregando valor a suas iniciativas, e a área pode ganhar não só novos investimentos, mas também foco dos gestores e atenção para ações mais emblemáticas.
ÉPOCA – Por que as empresas devem priorizar a sustentabilidade, mesmo em anos de crise?
Marina – Muitas empresas já começaram a entender que sustentabilidade não é custo, e sim investimento e lucro.
Os retornos são de médio e longo prazos, mas os benefícios em reputação e competitividade são notáveis.
A sustentabilidade tem grande função para aprimorar a percepção de riscos anteriormente internalizados no custo da empresa. Por exemplo, a baixa preocupação ambiental que gera o aumento de despesas em multas ou a diminuição da credibilidade.
ÉPOCA – Qual é o papel das empresas no combate aos impactos ambientais?
Marina – O setor empresarial é grande aliado no combate aos impactos ambientais.
Também é papel dele promover ações de conservação e recuperação da biodiversidade e recursos hídricos, gestão e redução de emissões de gases de efeito estufa, efluentes e resíduos.
Além disso, o próprio setor empresarial é responsável por dar à sociedade soluções tecnológicas para alcançar as metas de combate aos impactos ambientais.
ÉPOCA – Já existem no Brasil uma consciência e preferência do consumidor por produtos de empresas que respeitem o meio ambiente e se preocupem com procedimentos de sustentabilidade?
Marina – De forma embrionária, mas já perceptível. A busca pela transparência de informações é uma realidade cada vez mais presente.
O Instituto Akatu, uma organização não governamental que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente, afirma que o consumidor já está atento a empresas envolvidas em escândalos relacionados a direitos humanos como trabalho escravo, maus-tratos de animais e outras questões pontuais.
Ainda assim, é importante mencionar que há um longo caminho para que, de fato, a sustentabilidade passe a ser incorporada como um valor intrínseco no processo de escolha.
ÉPOCA – Essa consciência do consumidor é importante? A senhora acha que ela tem algum impacto no comportamento das empresas?
Marina – Os consumidores são fator de pressão importante e têm capacidade de redirecionar o comportamento das empresas.
No momento em que houver de fato essa mudança, em que o consumidor não se orientar somente pelo preço do produto, mas também com tantas outras questões sobre seu processo produtivo, pós-uso e todas as questões que permeiam essa compra, esse comportamento orientará uma nova forma de fazer negócios.
Enquanto não chegamos a esse momento, indicativos pontuais, como boicotes esporádicos em determinadas ações ou posturas das empresas, já podem ser observados.
ÉPOCA – Supondo que uma empresa realmente não tenha mais de onde cortar gastos e precise reduzir seus investimentos em políticas de sustentabilidade. Existe uma maneira ideal de fazer essa redução?
Marina – Não há fórmula para uma recessão. Cada empresa vai se adequar de acordo com suas prioridades e as peculiaridades de seu mercado e setor. Se o marketing da empresa não estiver conectado com sua forma de fazer negócio, ele será cortado.
Se a área de sustentabilidade serve tão somente para propaganda, idem.
A sustentabilidade, como sempre afirmamos, não deve ser um “anexo”, mas sim paulatinamente internalizada na estratégia da empresa, o que faria de sua exclusão ponto de perda de lucratividade no médio e longo prazos.
As empresas precisam entender o risco que correm ao reduzir investimentos nessa área.
ÉPOCA – A senhora acredita que a crise econômica pode piorar a crise ecológica?
Marina – Potencialmente, sim, mas isso seria um grande erro.
Quando a economia se desacelera, novas fontes de renda são visadas por diferentes estratos da sociedade –
seja em nível individual, com pessoas cortando ilegalmente árvores para venda;
seja em nível corporativo, com empresas mais preocupadas com o lucro imediato do que com sua sustentabilidade futura e preterindo a segunda pela primeira; seja em nível governamental, com a flexibilização de diversas proteções socioambientais com a justificativa de aquecimento da economia. Não é possível sair da crise se insistirmos nessas soluções de curtíssimo prazo.
ÉPOCA – Muitas das grandes empresas parecem já ter aprendido a importância do cuidado com o meio ambiente. Em meio a uma crise econômica, com tantas preocupações financeiras urgentes, qual seria o caminho para despertar a consciência e o interesse por sustentabilidade nos pequenos e médios empresários?
Marina – De forma correlata às grandes: mostrando claramente qual o impacto real dessa conscientização para o dia a dia de seu negócio.
Os pequenos e médios empresários têm de se atentar tanto às consequências de alterações ambientais, que provavelmente os atingirão com mais força, já que sua capacidade adaptativa é menor, quanto ao impacto que sua presença tem localmente.
Por exemplo, a regularização do uso da água de uma pequena fábrica trará menor chance de multas ou outros custos e possivelmente maior capacidade de eficiência de sua operação.
Iniciativa do MMA em parceria com o Pnud sobre eficiência energética em edificações será apresentada na maior feira da construção sustentável da América Latina.
Influenciar e desenvolver o mercado de eficiência em edificações comerciais e públicas, visando contribuir com a redução de emissões de gases de efeito estufa em até 3 milhões de toneladas, nos próximos 20 anos, é a meta do Projeto 3E - Transformação do mercado de eficiência energética no Brasil.
A iniciativa, resultado de parceria do Ministério do Meio Ambiente (MMA) com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), será destacada na Greenbuilding Brasil 2016 Conferência Internacional e Expo, considerado o mais importante evento do setor de construção sustentável da América Latina, realizado em São Paulo, entre 9 e 11 de agosto.
Segundo a analista ambiental do MMA Alessandra Silva, pelo fato de o setor de edificações responder por mais de 40% do total da eletricidade consumida no Brasil, viu-se que a promoção da eficiência energética nesse meio é uma estratégia de relevância cada vez maior para a mitigação da mudança global do clima.
PARCERIA
O projeto 3E conta com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), do Protocolo de Montreal e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Segundo a oficial de Programa de Desenvolvimento Sustentável do Pnud, Rose Diegues, este é o primeiro projeto brasileiro voltado à eficiência energética em edificações que promove parceria entre diferentes instituições e atua na disseminação de informações e em capacitações do setor público e privado.
“Além disso, fomenta a alavancagem de recursos por um mecanismo de garantia técnica para a promoção de eficiência energética no Brasil”, explica.
AGENDA
As apresentações relacionadas ao projeto aconteceram na sala de aprendizado do MMA e tiveram como foco as experiências desenvolvidas com êxito nos últimos anos.
Foram apresentados o caso da etiquetagem do edifício do Ministério do Meio Ambiente, que recebeu o selo PROCEL em 2015, e o trabalho do benchmarking de consumo energético em edifícios públicos de escritório, realizado em parceria com o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS).
Estão ainda na agenda do evento apresentações sobre a análise operacional e condições de segurança na instalação de ar condicionado em edificações, parte do Projeto Demonstrativo de Gerenciamento de Chillers, desenvolvido também por parceria do MMA com o PNUD, no âmbito do Protocolo de Montreal.
O roteiro de visitas técnicas e as sessões educacionais do Greenbuilding Brasil 2016 mostraram, na prática, edifícios que já se preocupam com essa questão.
São Paulo - A fabricante de automóveis japonesa Nissan acaba de revelar no Brasil o primeiro protótipo elétrico movido por uma célula de combustível de óxido sólido (SOFC, na sigla em inglês).
Inédito no mundo, o novo sistema destaca-se perante outros tipos existentes por sua alta eficiência elétrica.
A célula de combustível utiliza a reação de bioetanol com oxigênio para produzir eletricidade com elevada eficiência.
Segundo a empresa, o conjunto, que inclui um gerador de força, carrega uma bateria de 24 kWh e garante autonomia superior a 600 km.
Ao longo dos próximos meses, a Nissan vai realizar testes de campo em vias públicas no país usando o protótipo.
A pesquisa e o desenvolvimento da chamada "Célula de Combustível e-Bio" foi anunciada pela montadora em junho, em Yokohama, no Japão, mas só agora é revelado mundialmente.
Divulgação Nissan
Ainda de acordo com a empresa, com o sistema de bioetanol, as emissões de CO2são neutralizadas a partir do processo de cultivo da cana-de-açúcar ou milho que produzem o biocombustível, permitindo que haja um “ciclo neutro de carbono".
Além disso, a célula de combustível e-Bio oferece condução silenciosa de um veículo elétrico, juntamente com os seus custos baixos de manutenção, ao mesmo tempo em que possui a autonomia de um veículo movido a combustível fóssil.
Outro destaque é a flexibilidade no uso de combustível: além de bioetanol, é possível usar hidrogênio e gás natural.
Divulgação Nissan
Em nota, o CEO e Presidente Mundial da Nissan, Carlos Ghosn, disse que o protótipo "oferece transporte ecoamigável e cria oportunidades regionais de produção de energia ao passo que utiliza uma infraestrutura que já existe", referindo-se à disponibilidade em países da América do Norte e do Sul.
O protótipo com a célula de combustível faz parte do compromisso da Nissan para o desenvolvimento de veículos com emissões zero e novas tecnologias automotivas, incluindo sistemas de condução autônoma e conectividade.
Santa Catarina - A WEG anunciou nesta semana a certificação, pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro, do primeiro medidor inteligente de energia do Brasil de acordo com as novas regulações.
O modelo SMW100 de medidor eletrônico de múltipla tarifação de medição de energia elétrica foi aprovado pelas portarias n° 586/2012, n° 587/2012 e n° 520/2014.
O novo medidor é voltado para o faturamento de unidades consumidoras residenciais e comerciais conectadas em baixa tensão.
Além de medição bidirecional para geração distribuída, o produto garante mais eficiência, controle e gestão do processo de medição, além de atuar no corte e reconexão integrado, tornando possível o acompanhamento da unidade consumidora local ou remotamente.
Segundo Manfred Peter Johann, diretor da unidade Automação da WEG, a evolução do produto trouxe mais segurança para as concessionárias e garantias para os consumidores.
“O medidor apresenta mecanismos de segurança da informação em conformidade com as melhores práticas e normas, além de funcionalidades avançadas para o Smart Grid”, explica.
O executivo acrescenta ainda que desde 2012, com a resolução normativa 502 da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel que regula a tarifa branca, o mercado aguardava a certificação do produto.
A WEG tem uma linha completa de medidores inteligentes.
Além do SMW100, outros modelos, na configuração polifásica, também estão em processo de finalização da certificação do Inmetro.
Projeto da Rio 2016 prometia um dos eventos mais sustentáveis da história. Porém medidas não saíram do papel.
No papel, a Rio 2016 parece ser uma das Olimpíadas mais ecologicamente sustentáveis da história. Medalhas foram feitas com ouro reciclado. Os pódios, com madeira certificada. As compras para o evento foram feitas com exigências ambientais, e há até a previsão de alimentos orgânicos no evento.
Já na prática, não temos motivos para ser otimistas.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada na semana passada, a organização da Rio 2016 não cumpriu nenhuma meta ambiental prevista no projeto.
O pior desempenho é o do tratamento do esgoto, que ainda hoje é lançado na Baía de Guanabara.
Segundo a Folha, o tratamento não avançou sequer metade do que havia sido prometido. O risco de atletas das competições de vela pegarem doenças no local é real.
Faltando apenas duas semanas para os Jogos, será que ainda há tempo para que a Rio 2016 retome o caminho traçado em suas metas?
Segundo a pesquisadora Beatriz Kiss, da FGV, que estuda sustentabilidade em grandes eventos, será um desafio. Isso porque o trabalho precisa começar muito antes do evento.
Beatriz compara o que está acontecendo hoje, com a Olimpíada, com o cenário da Copa do Mundo de 2014.
Assim como nos Jogos Olímpicos, o plano de sustentabilidade da Copa era ambicioso e inovador.
"A proposta da Copa era muito boa, só que pouco foi feito antes do evento. Sinto que a Olimpíada está indo para o mesmo caminho", diz.
Segundo a pesquisadora, ainda é praticamente impossível fazer um evento desse porte sem causar impacto ambiental.
O que é possível é minimizar esse impacto. "É muito difícil ter impacto neutro ou nulo. São eventos que mobilizam muitas pessoas para o mesmo local, causando impacto ao meio ambiente.
O que se busca fazer é minimizar isso. Ter a consciência de que vai gerar impacto e ter as ferramentas certas para mensurar emissões, resíduos, etc."
O cenário para a Rio 2016 é ruim, mas nem tudo está perdido.
Ainda será possível compensar alguns impactos durante o evento. Por exemplo, a compensação das emissões de gases de efeito estufa pode ser feita depois, com o plantio de árvores. Infelizmente, no entanto, o que poderia ser o maior legado para o Rio – a despoluição da Guanabara – parece longe de se concretizar.