Alterações na matriz elétrica são condição para retomada do crescimento

debate

Um grupo de altos executivos das mais expressivas corporações em atuação no Brasil resolveu olhar para o futuro e realizou dois grandes estudos sobre a questão energética. 

Trata-se do Conselho de Líderes do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável). 

Os documentos Financiamento à Energia Renovável: 
Entraves, Desafios e Oportunidades e 

Consumo Eficiente de Energia Elétrica: Uma Agenda para o Brasil serão apresentados em evento aberto e gratuito, em 5 de maio. 

Paralelamente, os estudos também serão expostos a autoridades do poder público de diferentes esferas.

Os dois temas são considerados estratégicos pelo setor produtivo para a retomada da competitividade e para a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável no país. “É impossível ignorar que as questões climáticas irão afetar diretamente as tomadas de decisões políticas e econômicas. 

Por isso, ambos os estudos já estão alinhados com os compromissos nacionais firmados no Acordo de Paris”, explica a presidente do CEBDS, Marina Grossi. 

Eles analisam oportunidades e desafios da situação atual frente ao uso eficiente da energia e à diversificação de fontes renováveis alternativas, além de apontar medidas práticas de avanços. São questões complexas e que causarão alterações profundas, inclusive de mercado, em um futuro próximo. 

“O Conselho de Líderes antecipou-se na análise de alguns desses desafios e quer dividir sua visão de futuro com o poder público e a sociedade. 

Somente com um pacto social bem consolidado, o país conseguirá avançar no sentido de uma economia sustentável, competitiva e socialmente justa”, completa Marina.

No compromisso firmado no Acordo de Paris, o Brasil se propõe a alcançar uma participação de 23% de fontes alternativas renováveis de energia na matriz elétrica (como eólica e fotovoltaica) e a promover uma conservação de energia da ordem de 10% até 2030. 

Até o momento, porém, não há nenhuma ação prevista no Plano Plurianual (PPA) do governo e persistem dificuldades, como a dependência do financiamento público para os projetos de energia alternativa, a forte percepção de risco dos investidores e a falta de visibilidade dos investimentos e ganhos líquidos resultantes de maior eficiência.

Os estudos do Conselho de Líderes cercam essas e outras questões, oferecendo alternativas que, se encampadas pelo poder público, ganharão escala para colocar o Brasil em linha com o desenvolvimento sustentável e o momento global. 

Dentre seus objetivos, estão:
identificar o potencial de conservação de energia elétrica do Brasil;
desenhar cenários de conservação de energia até 2030, com base na meta de eficiência elétrica da INDC (compromissos do Brasil no Acordo de Paris) e simulação da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN);
detectar as principais barreiras ao aproveitamento do potencial de conservação disponível;
propor medidas para superar as barreiras hoje existentes e atingir os níveis de conservação de energia estabelecidos nos cenários simulados;
avaliar o investimento necessário para a implementação dessa agenda e as alternativas para a captação dos recursos;
mapear os fatores que ainda inibem o investimento na geração de energia renovável alternativa, tais como pequenas centrais hidrelétricas, energia eólica e fotovoltaica;
elencar soluções financeiras, regulatórias e de mercado para a diminuição dos riscos de investimento na geração alternativa de energia.

O evento de apresentação acontecerá no Rio de Janeiro e será aberto a jornalistas. Haverá também cobertura online para profissionais de outras localidades, que poderão enviar suas perguntas em tempo real para os expositores. 

Além dos estudos sobre energia, o CEBDS dará uma prévia de um terceiro estudo em andamento, abordando a questão da mobilidade.

Solicita-se credenciamento prévio junto à assessoria de imprensa.

Para acessar a programação completa do evento clique aqui.

Senado aprova projeto que estimula eficiência energética

Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil
Energia elétrica
Projeto  estabelece reserva de 20% dos recursos que  empresas do setor destinam à eficiência  energética para  aplicação  no  Procel   Arquivo/Agência  Brasil

O plenário do Senado aprovou no dia (07/04),  sessão extraordinária, o substitutivo da Câmara dos Deputados a projeto de lei da senadora Ana Amélia (PP-RS), que estabelece reserva de 20% dos recursos das empresas de energia elétrica destinados à eficiência energética para aplicação no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel).


O substitutivo não estabelece limite mínimo para que os recursos de eficiência energética sejam aplicados em unidades consumidoras beneficiadas pela tarifa social, comunidades de baixa renda e comunidades rurais, mas prevê que eles podem chegar a 80%. 

O texto original do Senado previa a aplicação mínima de 60% nesse tipo de comunidade, mas a previsão foi retirada do substitutivo.

Outra mudança promovida na Câmara foi a retirada da obrigatoriedade que os programas de eficiência energética das empresas deveriam priorizar a indústria nacional. Essa iniciativa já é contemplada em outra lei e, por isso, foi retirada do projeto.

Apesar das modificações no texto original, a senadora Ana Amélia comemorou a aprovação da matéria e disse que o projeto a contribui para o país em diversos aspectos. 

“Existem vários fatores econômicos e sociais e também de sustentabilidade, porque quanto menos energia se consome mais se criam condições para ter energia disponível e não correr risco de um novo apagão, mesmo que, hoje, as condições climáticas sejam mais favoráveis”, disse a senadora.

O texto segue agora para sanção presidencial.
Edição: Nádia Franco

Tomates são usados para gerar energia nos EUA

Cientistas americanos querem reaproveitar cerca de 400 mil toneladas de tomates que iriam para o lixo para produzir energia

tomates


Uma equipe de cientistas está explorando uma fonte, no mínimo, incomum de eletricidade: tomates danificados que são considerados impróprios para venda no supermercado.

O projeto piloto envolve uma célula a base de combustível biológico que utiliza resíduos de tomate que sobraram das colheitas na Flórida, nos Estados Unidos.

Todos os anos, o estado americano joga no lixo nada menos do que 400 000 toneladas de uma mistura de tomates danificados ou comidos por pragas e de sementes descartadas na produção de molhos.

Todo esse rejeito é transferido para aterros sanitários, liberando metano, um gás de efeito estufa perigoso. 

Atento ao problema, um grupo de pesquisadores da Escola de Minas e Tecnologia de Dakota do Sul desenvolveu uma célula de combustível microbial especial para transformar os resíduos em eletricidade.

Graças à ação oxidante das bactérias aeróbicas, é possível processar os resíduos de tomate e gerar uma corrente elétrica. 

O pigmento de licopeno no tomate, segundo os pesquisadores, é um excelente mediador para incentivar a geração de cargas elétricas. 

O processo também neutraliza os resíduos, impedindo que eles emitam gases de efeito estufa, vilões do aquecimento global.

Pelos cálculos dos pesquisadores, as tais 400 mil toneladas de resíduos de tomate desperdiçados na Flórida poderiam gerar energia suficiente para abastecer a Disney World por 90 dias.

Neste momento de testes em pequena escala, porém, os resultados são bem mais módicos — cerca 0,3 watts de eletricidade por 10 miligramas de produto.

A ideia é aperfeiçoar o processo para aumentar a escala. 

Os pesquisadores apresentaram seus trabalhos neste mês em um encontro da American Chemical Society (ACS), a maior sociedade científica do mundo.

(Fonte: Época)

Livro Compras Sustentáveis & Grandes Eventos: A avaliação do ciclo de vida como ferramenta para decisões de consumo

A publicação foi construída no cenário do Brasil como sede da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. 

Em perspectiva, uma vasta gama de aprendizados e experiências podem dar escala a práticas socioambientais integradas a uma nova maneira de gerir a realizar megaeventos, com legados para a sociedade.





O tema está diretamente relacionado ao debate global sobre o consumo e produção sustentável, e sobre os limites de uso dos recursos naturais do planeta, conforme destacado no capítulo 1. 

Dos shows de rock aos grandes espetáculos culturais e esportivos, aproveitar a oportunidade no sentido de avançar nas compras sustentáveis é imperativo para o poder público, cada vez mais demandado por meio de normas jurídicas, práticas voluntárias e decisões dos órgãos de controle que se preocupam com o impacto das compras governamentais no meio ambiente e na sociedade.

O debate é estratégico para o setor empresarial, que tem visto crescer exponencialmente os instrumentos de autorregulação relacionados com o seu papel tanto de fornecedor quanto de consumidor de produtos, bens e obras com atributos de sustentabilidade, um dos pontos de destaque da obra.

O livro entrega, ainda, uma grande contribuição à sociedade ao apresentar de forma didática e acessível uma ferramenta técnica para subsidiar a tomada de decisão de compradores públicos e empresariais: 

a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), focada na pegada de carbono (carbon footprint), medida que quantifica as emissões de gases de efeito estufa (GEE). 

A ferramenta auxilia tomadores de decisão que buscam informações sobre onde se dão os impactos de suas aquisições, optando por uma alternativa que esteja em consonância com atributos ambientais.

Em resposta aos reclamos da Política Nacional sobre Mudança do Clima e da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a pegada de carbono permite identificar em todas as etapas do ciclo de vida de um produto, desde a extração da matéria-prima, passando por produção, distribuição e uso, até o fim de vida desse produto, onde se dá o maior pico de emissão de gases de efeito estufa, sendo uma poderosa ferramenta de gestão não só da opção de compras, mas também como fomentadora do mercado na busca por práticas produtivas que sejam menos “carbono intensivas”.

Ela torna possível, ainda, verificar o benefício que movimentos como esse promovem para o consumidor final, que terá produtos e serviços mais qualificados à sua escolha, contribuindo para um círculo virtuoso de inserção de atributos de sustentabilidade no consumo.

O leitor também encontrará um mapeamento de práticas socioambientais adotadas em grandes eventos globais que dimensiona o potencial e a força da atividade como indutora de mudanças de padrão na produção e consumo, na perspectiva de um futuro mais sustentável e mais inclusivo para a humanidade. 

Com abordagem inovadora, apresentando infográficos e esquemas ilustrativos didáticos, a obra apresenta a temática das compras sustentáveis de forma a orientar gestores e contribuir para iniciativas públicas e empresariais, evidenciando a necessidade de investimentos em ferramentas técnicas, como a ACV, para a tomada de decisão.

Acesse também os relatórios técnicos dessa iniciativa.

Publicação realizada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA)

Acesso à publicação

Webdocumentário destaca os avanços da energia solar no Brasil

Em comunidades espalhadas pelo interior do Brasil, desde os rincões da Amazônia até o sul do país, a energia solar está chegando e transformando as vidas de milhares de pessoas, com mais energia e qualidade de vida e menos poluição e custos na conta elétrica.

O Greenpeace Brasil lançou no dia 12/01 o webdocumentário “Sol de Norte a Sul”, que registra e conta as histórias e as pessoas que estão vivendo a transformação causada pela chegada dos painéis fotovoltaicos e pela produção de energia limpa e mais barata.

O webdocumentário está dividido em quatro seções. Uma mostra quais são benefícios sociais que a energia solar traz ao País. 

Além de gerar empregos, as histórias mostradas ali contam como brasileiros passaram a ter água limpa, salas de aula mais adequadas e contas de luz mais baixas. 

A segunda parte é dedicada aos entraves que não permitem a ampla disseminação dessa fonte limpa de energia, como o excesso de tributos que encarecem os sistemas. 

Hoje, apenas 0,02% da eletricidade do Brasil vem de placas fotovoltaicas. 

Em seguida, conhecemos quatro histórias de brasileiros que, mesmo com todos os empecilhos, apostam na energia do sol.

A quarta e última seção da plataforma traz um mapa do mundo para que os internautas insiram iniciativas ligadas à energia solar que conhecem. 

Esse mapa será, em breve, um amplo panorama de como a energia solar está ganhando espaço no Brasil e no mundo.

“As histórias contadas aqui são só alguns exemplos dos muitos benefícios da energia solar. Mas apenas três em cada dez brasileiros sabem que podem gerar sua própria energia. 

Com esse webdoc, esperamos contribuir para que esse número cresça. 

E queremos chegar a 1 milhão de casas com telhados solares num futuro próximo no Brasil”, diz Bárbara Rubim, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

O webdocumentário está disponível gratuitamente no


Painéis do Talent Boost apontam necessidade de adequar os passos entre gerações para impulsionar o turismo


Todos os palestrantes que participaram do Talent Boost 
(fotos: Giulia Ebohon)

As principais lideranças do Turismo nacional e internacional se reuniram no dia (14) no evento Talent Boost, organizado pela primeira vez em São Paulo pelo Fórum Mundial de Turismo de Lucerna, com apoio da Universidade de São Paulo. 


Nesse sentido, Lars Sonderegger deu início a uma série de painéis tendo como tema: A importância do Gerenciamento de Talentos numa era confusa. 

De acordo com o CEO e Fundador da empresa Quantonomics, o mercado de modo geral esta passando por um momento de transformação. Se antes a hierarquia era a base de uma família, hoje a noção de aprendizado mútuo permeia todas as relações sociais. 

Da mesma forma, se antigamente os ambientes de trabalho eram centralizados e construídos na ideia de comando e controle, hoje esse modelo vem se demonstrando ultrapassado.


Lars Sonderegger CEO e Fundador da empresa Quantonomics

Atualmente um jovem talento quer, sobretudo, ter a flexibilidade de aprender e agir. "A ideia de que os resultados são mais importantes que as pessoas é antiga. Hoje, é necessário inspirar pessoas e motivá-las". 

De acordo com Sonderegger, mudar o modelo da antiga era é o que vai gerar oportunidades para o mercado. Em contrapartida, manter um modelo de gestão que não se adeque as mudanças atuais gera um profissional sem valores, estratégia e motivação. 

"O mundo está mudando e precisamos aprender a lidar com essas mudanças e com esses jovens que estão chegando no mercado. Pessoas são movidas por propósitos, é preciso engajar e inspirar um profissional. 

O vendedor de uma loja, se inspirado, vai saber que não está vendendo um produto, e sim auxiliando uma pessoa a se vestir de maneira apropriada", concluiu. 

Direcionando a questão para o mercado brasileiro, Aradhana Khowala, sócia-diretora da Bridge.Over Group, iniciou o segundo painel O calcanhar de Aquiles no crescimento do turismo, apontando que o Brasil precisa desenvolver uma nova estratégia de crescimento que não se baseie em exportações. 

A profissional levou à palestra dados que demonstram a estagnação do setor turístico no País. 

Ao passo que países da América Latina respondem pela maior fatia de turistas internacionais, o público europeu, que está viajando cada vez mais, é o que mais gera receita para o Brasil. 

“Europeus preferem ir para Ásia do que para o Brasil. 

Com tanto potencial turístico, com tantas possibilidades de coisas para se fazer, por que isso acontece?" 


Aradhana Khowala, sócia-diretora da Bridge.Over Group


Para Aradhana, quando consideramos viajar levamos em conta, além do destino, estrutura, segurança e recursos disponíveis. O desempenho de todos esses fatores é reflexo do investimento que se faz no setor. 

Conforme comenta a executiva, 86% das pessoas que conhecem o Brasil querem voltar e 99% das pessoas recomendam o País. A irregularidade entre a demanda e a capacidade foi atribuída a falta de investimento brasileiro na faculdade turística que possui, o que compromete completamente o crescimento do segmento. 

“O Brasil investe pouco em novos talentos, muitos jovens estão desempregados ao mesmo tempo em que o mercado pede profissionais, isso ocorre por causa da falta de capacitação. 

É necessário ajeitar a estrutura educacional do País, um profissional qualificado faz muita diferença, ainda mais na industria de hospitalidade”, finalizou.

Para abarcar a visão de um estudante de turismo, Xuanyi Wang e Jessica Latorre, estudantes da USP, salientaram como o mundo da academia e o mercado estão em descompasso, o mesmo sentido entre gerações. 

“Precisamos ter a liberdade de agir dentro da indústria de turismo”, apontou Jéssica. 

Para finalizar a série de debates, Alexandre Solleiro, CEO do BHG (Brazil Hospitality Group); Juerg-Herbet Baertschi, vice-presidente da Korn Ferry International, Magda Nassar, presidente da Braztoa, Mariana Adrigui, professora e pesquisadora da USP e Xuanyi Wang, estudante de Turismo da USP, compuseram um painel de discussão sobre alguns pontos apresentados pela moderadora Gioia Deucher, CEO da Swissnex Brasil.


Painel de discussão com representantes de diversas esferas do turismo


De acordo com Solleiro, o Brasil é um país que se vende sozinho, as pessoas são comunicadoras e só isso basta para promover um país. Justamente por isso fica evidente que a deficiência no setor é um desafio interno e que, abrir as portas para novos talentos pode ser a chave para mudanças. 

“As pessoas que nos gerenciam tem o poder de nos moldar para toda a nossa carreira. Se você teve um diretor excelente, você tem a ferramenta para ser assim também. Um hotel é tão bom, quanto as pessoas que trabalham nele”.

A rede BHG possui um programa de oito meses que possibilita a onze trainee conhecerem o funcionamento de cada departamento de um hotel. 

Para Baertschi, encontrar um profissional motivado não é questão de habilidade e sim achar a essência de cada um e enxergar onde ela pode ser melhor aplicada. “Se meu diretor me dá os passos para chegar a algum lugar eu não desenvolvo nada. Preciso de motivação e de liberdade para agir, e receber feedbacks em cima dessas ações”. 

“A academia, nesse sentido, oferece ao aluno uma visão mais ampla sobre o que é o turismo. Essa é, por agora, a geração mais criativa que tivemos, temos que entender o que ela tem a nos oferecer”, complementou Mariana. 

“Em turismo nós não temos planos de carreira. As coisas se inverteram, não são as empresas que vão dar alguma coisa para o profissional, a pergunta agora é “o que você tem para nos oferecer? Precisamos de pessoas novas para novos consumidores”, finalizou Magda. 

Ainda na programação, Gabriele Kull, fundadora e conselheira do Future Camp, apresentou a iniciativa de um empreendimento 100% sustentável para os presentes e contou com as falas de Rodolfo Oliveira, gerente de Qualidade e Sustentabilidade na Vert Hotéis, para salientar a importância de adotar um posicionamento de conservação ambiental. 


Serviço




Sustentabilidade não pode prescindir dos valores humanos

Com informações da Universidade de Lancaster

                                         "Para mim, tudo se resume a criar um mundo mais justo," diz a professora                                                                                               Christina Hicks. [Imagem: Nick Graham]

Sustentabilidade humana

De inundações e quebras de safra à qualidade do ar e à poluição da água, os governos de todo o mundo estão enfrentando o desafio de construir um futuro sustentável para as pessoas e para a natureza.

Contudo, os esforços globais para proteger o planeta irão falhar se não levarmos em conta conceitos como igualdade e bem-estar.

O alerta está em um estudo realizado por uma equipe multidisciplinar e multi-institucional, liderada por Christina Hicks, da Universidade Lancaster, no Reino Unido, e publicado pela revista Science.

"Nossa busca para alcançar um ambiente saudável e sustentável depende profundamente de compreendermos como o bem-estar humano está ligado ao meio ambiente e é impactado pela forma como o administramos," explica o professor Phil Levin, da NOAA dos EUA (National Oceanic and Atmospheric Administration).

Conceitos sociais essenciais

O principal argumento da equipe é que, se quisermos fazer mudanças justas e duradouras para o meio ambiente, precisamos nos engajar de forma concreta, com a ciência sim, mas também com conceitos sociais essenciais.

Os autores identificam sete conceitos sociais-chave, que são muitas vezes marginalizados nos esforços para atingir as metas de sustentabilidade:

Bem-estar;
Cultura;
Valores;
Desigualdade;
Justiça;
Poder

Um sentido de autodeterminação

Eles sugerem que, embora estes conceitos sejam mais difíceis de quantificar do que o PIB ou as emissões de carbono, eles podem ser medidos e métodos já estão sendo desenvolvidos por pesquisadores e formuladores de políticas para quantificar alguns deles, incluindo o bem-estar, a autodeterminação, os valores e a desigualdade.

Proteção ambiental compatível com o ser humano

Sem essa perspectiva do social, corremos o risco de ir por uma estrada que protege o planeta, mas é incompatível com o bem-estar humano.

"O bem-estar humano é dependente de ecossistemas saudáveis, mas a busca do bem-estar no curto prazo pode afetar negativamente os mesmos ecossistemas.

"Para mim, tudo se resume a criar um mundo mais justo - nós podemos agir para proteger o nosso ambiente, mas, por vezes, essas ações podem aumentar a desigualdade, e então a abordagem não vai ser sustentável a longo prazo.

"Por exemplo, criamos parques marinhos e parques terrestres para proteger a natureza e a biodiversidade e com toda a razão. 

Mas, ao fazer isso, frequentemente temos tirado os meios de subsistência das pessoas, retirando as pessoas de sua própria terra. 

As pessoas têm sofrido. Uma sustentabilidade duradoura dependerá de soluções legítimas e justas," defende a professora Christina Hicks.

Cientistas sociais

Como meio de ação, o artigo destaca a importância de incorporar cientistas sociais para que eles trabalhem ao lado dos cientistas ambientais e dos decisores políticos.

"A ciência social é fundamental para decifrar como as pessoas interagem com seu ambiente, mas muitas vezes as complexidades dessa relação e as linguagens nas quais ela é expressa podem se tornar uma barreira à forma como ela é usada por outras ciências e pela política," ressaltou Sarah Coulthard, coautora do estudo.


Bibliografia:

Engage key social concepts for sustainability
Christina C. Hicks, Arielle Levine, Arun Agrawal, Xavier Basurto, Sara J. Breslow, Courtney Carothers, Susan Charnley, Sarah Coulthard, Nives Dolsak, Jamie Donatuto, Carlos Garcia-Quijano, Michael B. Mascia, Karma Norman, Melissa R. Poe, Terre Satterfield, Kevin St. Martin, Phillip S. Levin
Science
Vol.: 352, Issue 6281, pp. 38-40
DOI: 10.1126/science.aad4977