Empresa Verde Sustentabilidade: Os consumidores avaliarão as iniciativas de sustentabilidade das empresas

Peter White, diretor do Conselho Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, acredita que as preferências individuais ajudam a equilibrar o mix socioambiental das empresas

ALEXANDRE MANSUR

Supermercado na Armênia. Os consumidores recebem todo tipo de campanha onde as empresas dizem fazer boas ações sustentáveis. Como avaliar? (Foto: Vladimir Kirakosyan/ Wikimedia Commons)
Supermercado na Armênia. Os consumidores recebem todo tipo de campanha onde as 
empresas dizem fazer boas ações sustentáveis. Como avaliar? (Foto: Vladimir 
Kirakosyan/ Wikimedia Commons)


Como as empresas podem contribuir para resolver os principais problemas ambientais e sociais do mundo? 
O britânico Peter White acredita que elas têm um papel fundamental. E ele também confia que o consumidor saberá avaliar, entre as campanhas de marketing e as diversas formas de investimento em sustentabilidade, quais iniciativas são mais dignas de seu apoio. 

Peter White é diretor executivo do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (World Business Council for Sustainable Development, ou WBCSD em inglês). 

A organização foi uma das pioneiras nos anos 1980 a pensar como o mundo poderia oferecer progresso e conforto preservando os recursos naturais e cultivando sociedades saudáveis. Peter White é um dos líderes reunidos no 7º Congresso Internacional Sustentável 2015: 
O Futuro é Agora. 

O objetivo é debater os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável pela ONU e do novo grande acordo global do clima em Paris (COP 21). O evento, organizado pelo Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), do Brasil, ocorre no dia 8 de outubro, no auditório do parque Ibirapuera, em São Paulo. 

Peter White compartilhou sua visão com o Blog do Planeta.

ÉPOCA: Se um ET pousar na Terra e perguntar o que é essa tal da sustentabilidade, como o senhor explicaria?
Peter White: O conceito parece complicado mas é bem simples. 

Imagine que o planeta tem bilhões de habitantes. Precisamos garantir que os sistemas sejam saudáveis o suficiente para garantir uma boa qualidade de vida para todos. Isso significa cuidar o meio ambiente para que ele garanta as bases para a sociedade. 

E também precisamos olhar a sociedade para que ela seja equilibrada. E no fim das contas também significa observar a economia para que ela faça sentido e consiga produzir riqueza para todos. Em outras palavras, no passado nós olhávamos apenas para o capital financeiro para avaliar o estado de uma sociedade ou de um país. 

Agora precisamos também olhar o capital natural e o capital social.

ÉPOCA: Existe uma concordância geral desse conceito ou impera a confusão?
White: Há ênfases diferentes. 

Na Europa, por exemplo, costuma-se dar mais atenção aos aspectos ambientais da sustentabilidade. Em outras partes do mundo, a ênfase é mais nos aspectos sociais e econômicos. 

Mas todo mundo reconhece que não dá para ter um ambiente estável sem uma sociedade saudável ou economia que faça sentido. E que não haverá progresso econômico duradouro se corroermos as bases naturais da geração de riqueza e se a sociedade for disfuncional. 

O WBCSD partiu da perspectiva que podemos ter um mundo com 9 bilhões de pessoas em 2050. E que precisamos de uma série de ações até 2020 para garantir isso. As empresas associadas ao WBCSD agora estão propondo suas iniciativas e sua visão do que podem fazer em termos de tecnologias de eficiência energética, ou de transportes ou de maior produtividade agrícola para ajudar a conseguir isso. 

Algumas empresas estão trabalhando juntas em áreas como captura e estoque de carbono (técnicas para produzir energia queimando combustíveis fósseis e injetando o gás carbônico em depósitos subterrâneos para que não vão parar na atmosfera agravando o aquecimento global). 

Temos um longo caminho pela frente mas estamos identificando o que precisamos fazer.

ÉPOCA: No passado, era fácil comparar o avanço ou não das empresas usando as finanças como indicador. Agora precisamos considerar vários aspectos sociais ou ambientais. Como podemos comparar performance de uma forma objetiva?
White: É para isso que estamos trabalhando com um conceito chamado relato integrado (uma espécie de relatório anual que junta dados financeiros, ambientais e sociais numa mesma avaliação para os acionistas). 

Se conseguirmos chegar a critérios adequados para isso, finalmente teremos capacidade para avaliar os custos reais e os valores reais do que uma empresa fornece para a sociedade. 

Hoje, os relatórios de sustentabilidade (com as considerações ambientais e sociais) ainda estão separados do relatório financeiro. Mas com o tempo a tendência é que virem um produto só. 

Mas mais importante do que os relatórios, é como os países ou empresas podem avaliar o valor dos aspectos sociais e ambientais para tomar decisões. O WBCSD participa de um esforço para criar critérios e técnicas para isso. É claro que não poderemos monetarizar tudo. 

Esses indicadores sociais e ambientais não vão virar quantias de dinheiro. Termos que aprender a compará-los e avaliar os prós e contras de decisões e investimentos. 

Estamos fazendo uma consulta e acreditamos que teremos um protocolo para o capital natural em junho do próximo ano.

ÉPOCA: O senhor acha que em algum momento poderemos colocar duas empresas lado a lado e realmente comparar qual foi melhor nos aspectos sociais, ambientais e econômicos com uma conclusão clara?
White: Hoje conseguimos fazer isso de forma financeira. 

Mas mesmo assim não há uma única forma de ser melhor. Depende do objetivo daquela empresa. 

Ela pode estar numa fase de lucrar mais ou investir mais. De ganhar margem ou de ganhar mercado. É complicado. Com os aspectos ambeintais e sociais, também vai depender de qual é o seu propósito principal. 

Pode ser reduzir as mudanças climáticas, ou preservar os ecossistemas, ou criar habilidades na mão de obra. Independente disso, ter as informações certas ajuda.

ÉPOCA: A maioria das grandes empresas investe pesado em marketing para dizer que estão fazendo coisas bacanas na área de sustentabilidade. Como o consumidor pode saber quem realmente está se dedicando além das palavras bonitas?
White: Um dos critérios é avaliar os produtos. 

Ver se os produtos realmente contribuem para a socieade ou para o meio ambiente. 

Além disso, dá para olhar o desempenho ambiental e social da empresa. 

Os relatórios de sustentabilidade são abertos.

ÉPOCA: Mas vamos para o mundo real. Vou ao supermercado para comprar leite. Uma marca diz que é orgânica, outra diz que apoia uma iniciativa social e a terceira diz que tem propriedades nutricionais mais saudáveis. Qual devo escolher?
White: Bem. Depende do que é relevante para você. 

Se você gosta da proposta, escolha aquele produto. É a escolha do consumidor. 

Desde que a informação seja verdadeira, podemos deixar a decisão da escolha por conta do consumidor.

ÉPOCA: Será que o consumidor sozinho tem informação e conhecimento suficiente para, a partir de suas preferências individuais, escolher o que é melhor para a sociedade?
White: Os consumidores sabem o que é melhor para eles. Depende dos valores individuais. 

Não quer dizer que o projeto A seja melhor do que o B. Mas cada consumidor decidirá apoiar o que mais tiver a ver com suas inclinações. 

E no cômputo geral tenderemos a ter uma decisão que traduz a vontade geral.

ÉPOCA: O senhor acredita em alguma taxa de carbono?
White: O WBCSD vem traçando cenários para uma economia de emissão zero de carbono. Entre as várias medidas para chegarmos nesse ponto, está um sistema de metas de emissão e trocas de créditos. 

E também algum preço para o carbono. Isso é essencial para internalizarmos nos custos de produção o preço que a sociedade paga pelas emissões de gases que perturbam o clima. É a melhor forma de fazer isso com simplicidade e transparência. 

Existem várias formas de fazer isso. Uma delas é estabelecer um limite de emissões e deixar as empresas trocando créditos que terão um custo. Outra forma é criar algum imposto pela emissão do carbono. E outra pode ser a regulamentação pura e simples. 

São formas diferentes de criar um custo para essas emissões. Isso permitirá finalmente comparar o preço das tecnologias limpas de forma justa e competitiva. 

Mais de mil empresas de grande porte já se comprometeram incluir o custo de suas emissões numa espécie de contabilidade paralela. Boa parte delas declara suas emissões no Carbon Disclosure Project. Elas estão se preparando para a chegada do preço do carbono.

ÉPOCA: Se passarmos para um mundo onde as emissões de carbono tem um preço, quais seriam os ganhos para o Brasil? O Brasil tem a energia mais limpa do mundo. Mas não vemos as empresas multinacionais correndo para abrir fábricas aqui, de onde podem produzir para exportação produtos com menor pegada de carbono. Por quê?
White: Primeiro, é preciso considerar todo o ciclo de vida do produto. Também há emissões associadas ao transporte. 

Mas é claro que se o preço do carbono virar algo com impacto econômico para os negócios, dá para imaginar que isso (os investimentos em produção no Brasil) poderiam ocorrer. 

Por outro lado, mudanças climáticas são apenas um dos aspectos da sustentabilidade. 

Também há considerações sociais e de preservação dos ecossistemas. Tudo isso pesa nas decisões.




Peter White (Foto: divulgação 

LED rompendo barreiras

FONTE/AUTOR.: VIA PÚBLICA COMUNICAÇÃO



Um novo momento vem se desenhando para o mercado de LED no Brasil, impulsionado pelo maior entendimento das vantagens em detrimento do preço. Fornecedores precisam estar preparados para atender a demanda.

Por Gilberto Grosso

Se até o momento o grande senão das lâmpadas de LED é o preço, tendo a dizer – e tenho me certificado disso cada vez mais – que não demorará muito e esta questão estará superada. 

Alguns acontecimentos importantes me levam a acreditar no que estou afirmando. Um em especial: a crise de energia acendeu a luz de LED no Brasil. 

A partir dessa demanda compulsória, as pessoas precisaram parar, de verdade, e fazer as contas. Quando o impacto está apenas e tão somente na seara dos números, no “ah, é melhor, mas é mais caro”, realmente fica difícil mudar. Mas, na hora do aperto, tudo muda de figura. 

Ao mesmo tempo, com a mídia divulgando LED para os quatro cantos por conta da questão energética, virou status ter LED em casa. 

E esse sentimento cresceu muito rápido. Até nas escolas os professores já estão falando em LED para crianças.

Obviamente que outros fatores também vêm contribuindo para esta nova realidade do LED por aqui, como o fim da comercialização das lâmpadas incandescentes. 

A substituição deste tipo de lâmpada está sendo feita de forma gradativa e acabará em 2017. As de 60W, as mais usadas, já não podem mais ser fabricadas ou importadas e, desde junho, têm sua venda proibida no país. 

O certo é que o tempo que se levou desde que o LED chegou - quase no anonimato - ao mercado brasileiro, no início dos anos 2000, para conhecê-lo, entendê-lo e aceitá-lo, será infinitamente menor daqui para frente. 

É preciso estar preparado. Especialistas estimam que, em 2017, pelo menos 50% do mercado brasileiro de iluminação seja dominado pelos produtos de LED.

O alto custo sozinho não tem mesmo como se sustentar quando comparado com tantas vantagens e benefícios. 

E este movimento está muito latente agora. Mais econômicas e com um tempo de vida bem mais longo, as lâmpadas de LED estão transformando o mercado mundial e estimulando o surgimento de uma nova indústria de iluminação no Brasil. 

Estão, ainda, revolucionando a forma como usamos a luz, permitindo fontes de iluminação controláveis, ajustáveis, inteligentes e comunicativas. 

E, para acelerar a demanda, existe uma grande aposta nos desdobramentos das políticas de eficiência energética que preveem a modernização da iluminação pública.

Troca que vale a pena

Lembram-se sobre parar e fazer as contas? Depois de perceber que há uma redução real nos custos energéticos, as pessoas começaram a mudar para as lâmpadas de LED. 

Mesmo com o investimento inicial bastante alto, os benefícios no seu uso fazem a troca valer a pena. São muito mais eficientes do que as comuns, pois produzem a mesma quantidade de luz (ou lúmem), utilizando bem menos energia. 

Além disso, a geração de calor durante esse processo é bem menor do que as lâmpadas tradicionais, o que ajuda na economia energética: enquanto uma incandescente gasta certa de 60W para produzir uma determinada quantia de lúmem, uma lâmpada de LED precisa de apenas 9W. 

Outra grande vantagem é que elas são muito mais resistentes do que as incandescentes e fluorescentes.

Por essas e por outras, por toda essa movimentação que vem acontecendo – e de maneira mais intensa – o segmento precisa se preparar para a crescente demanda dos próximos tempos. 

Vejo que este mercado está entrando em uma nova etapa, a de garantir o abastecimento para o que está por vir. 

Existem no mercado muitos produtos de LED, mas já começam a faltar os básicos que substituem as lâmpadas incandescentes...

Divinno, use com ATITUDE viva com SUSTENTABILIDADE!





Semana passada, durante a Maratona Mude, promoção da Rádio Itapema FM, tive o prazer de conhecer um cara com olhar de menino que tinha um brilho nos olhos, como se fosse criança que estava prestes a abrir um pacote de um presente. 

Estava com Caio Braz, um dos palestrantes e logo este cara, posso ter esta intimidade e falar assim, veio falar conosco. Davi é o nome dele e contou pra gente que tinha uma grife de camisetas e que tudo que tinha escutado do palestrante tinha a ver com seu negócio : uma grife de camisetas chamada DIVINNO. 

Pedi que enviasse material pois percebi que nada acontece por acaso e que poderia propagar em nosso blog o seu produto, até porque aqui em minha coluna gosto sempre da trazer novidades. Eis que apresento a vocês a grife de camisetas DIVINNO.

Moda pra quem tem algo a dizer e atitude pra usar. Divinno, use com ATITUDE viva com SUSTENTABILIDADE.
Sustentabilidade, o termo que está em voga seja ambiental ou social tem como lema principal melhorar a qualidade de vida da população como um todo e garantir o futuro das próximas gerações através de ações e atividades conscientes, que vão desde a exploração de recursos naturais, uso de energias limpas e renováveis e principalmente de atitudes simples e cotidianas que cada um de nós pode exercer diariamente, desde a reciclagem e separação do lixo, fim do desperdício, uso de transporte alternativo. Mas, moda sustentável é possível? Foi essa pergunta que motivou o empreendedor Davi Hennemann a dar vida a Divinno. Para ele, a marca representa uma filosofia e uma forma de se comunicar com o mundo através do consumo consciente: “Atitude sustentável hoje em moda representa comprar bem, e optar por materiais que não agridam ao meio ambiente assim como saber de onde vem e quem faz minhas roupas e em que condições de trabalho estas pessoas estão expostas”, afirma Davi.



Materiais

A busca de métodos que sejam menos agressivos para o meio ambiente compõe a matéria-prima das camisetas, que usa tecidos 100% em algodão orgânico, livre de agrotóxicos, corantes e adubos químicos, ou qualquer outra substância que possa ser prejudicial aos agricultores nas lavouras, ou que possam impactar negativamente no meio ambiente por causa da menor emissão de gás Carbônico – C0² .

A outra composição mescla algodão orgânico com garrafas pet, a matéria-prima que retira do meio ambiente um material de difícil decomposição, responsável por mais de 30% dos resíduos sólidos coletados nas cidades brasileiras.

Estampas e Design Colaborativo 

Algumas estampas contam com a colaboração de pessoas com atitude e engajamento com a causa e trazem a assinatura de nomes como da Surfista profissional Jacqueline Silva , do fotógrafo Douglas Cominski, do artista e Free Surfer Binho Nunes, o comunicador da radio Atlântida POA Rafinha além de outros parceiros. 

No site também vai ter a “estampa do mês” todo lucro com a venda das camisetas estampadas com a arte selecionada, será revertido para alguma causa social ou ambiental. 

As vendas serão feitas através do site – com lançamento previsto para final de outubro de 2015. No site, o consumidor poderá customizar a sua camiseta, escolhendo a sua estampa, o corte e a cor, tornando a peça mais pessoal de acordo com o gosto de cada pessoa.



Instagram: @divinnots
The following two tabs change content below.




Por miltinhotalaveira

Licença ambiental: proteção ou obstáculo

Toda atividade que cause impacto ao meio ambiente precisa de uma licença ambiental. Mas a emissão deste documento tem que ser simplificada.


Toda atividade que tenha um impacto potencialmente danoso ao meio ambiente precisa de um licenciamento ambiental. 

Este é basicamente uma autorização de funcionamento expedido por um órgão de controle competente – municipal estadual ou federal – que permite o funcionamento do empreendimento, desde que seus proprietários cumpram determinadas exigências. 

Até aqui tudo claro: ninguém pode exercer uma atividade sem levar em consideração seu impacto ao entorno, seja urbano, rural ou natural.

Licenciamento ambiental é a maneira das administrações controlarem as atividades econômicas, de forma que não prejudiquem o meio ambiente. A agência ambiental exige que já na fase de projeto, sejam previstas tecnologias que aplicadas reduzam o impacto do empreendimento ao meio ambiente. 

Assim, ao invés de permitir, por exemplo, que fábricas se estabeleçam em qualquer lugar e funcionem sem atentar para seus efluentes, resíduos e fumaça – como no Brasil foi comum em passado recente –, a lei requer que mesmo antes de operar a indústria já tenha previsto um tratamento adequado destas emissões. 

Para isto são estabelecidos procedimentos e padrões que regulam a maneira como o empreendimento deve se estabelecer e a forma como, depois de aprovado, deve funcionar.

É importante que o país tenha uma legislação ambiental que determine como e em que condições um empreendimento deve operar, no que se refere ao seu impacto ambiental. 

Loteamento popular, indústria automobilística, fazenda, usina hidrelétrica, mineração, hospital público; para cada atividade econômica existe um conjunto de normas técnicas e providências a serem consideradas antes e durante a atividade econômica. 

A licença ambiental é o atestado emitido pela pelo órgão ambiental (que nesta situação atua como controle da sociedade), permitindo o funcionamento do empreendimento.

Um instrumento que foi criado para proteger o meio ambiente e os recursos naturais, pode ter se transformado também em obstáculo à expansão da infraestrutura e das atividades econômicas. 

Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), as licenças ambientais são ordenadas direta e indiretamente por cerca de 30 mil diferentes instrumentos legais, no âmbito federal, estadual e municipal. 

Mais grave ainda é que as leis, decretos, portarias e resoluções muitas vezes são contraditórias, conflitando e provocando um emaranhado jurídico equivalente ao que já existe no direito tributário – vale lembrar que atualmente o país tem mais de 181 mil leis, uma verdadeira Babel jurídica. 

Sobre esta situação, comentou o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Shelley Carneiro: 

“Ninguém é contra a licença ambiental, e alguns empreendimentos de fato podem ser muito agressivos, por isso é preciso ter todo cuidado. 

Mas, do jeito que ela vem sendo feita, só gera uma burocracia imensa que não resulta em nada de bom para o meio ambiente.”

A burocracia nas agências ambientais – resultado da falta de itens como pessoal qualificado, gerenciamento, organização, metas e padronização das exigências – atrasa a emissão das licenças ambientais e, consequentemente, o início de muitas obras. Segundo a CNI, o tempo médio de obtenção de uma licença é de 28 meses, prazo considerado “incompatível com os custos de oportunidade da maioria dos investimentos”, segundo Shelley Carneiro.

Embrapa lança projeto para capacitar agricultores em sustentabilidade

Ação tem orçamento de R$ 6 milhões, será executada em cinco anos e capacitará 3 mil famílias em regiões de biodiversidade

O pesquisador Aldicir Scariot no lançamento do evento, em Brasília


















Foto: Cláudio Bezerra/Embrapa
O pesquisador Aldicir Scariot no lançamento do evento, em Brasília


A capacitação de pequenos produtores e agricultores familiares para o uso sustentável de recursos naturais, visando à conservação dos biomas da Amazônia, da Caatinga e do Cerrado estão entre os objetivos de projeto lançado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) nesta segunda-feira, 28 de setembro, em cerimônia em Brasília.

Batizada "Integração da conservação da biodiversidade e uso sustentável nas práticas de produção de produtos florestais não madeireiros e sistemas agroflorestais em paisagens florestais de usos múltiplos de alto valor para a conservação", a ação será desenvolvido pela Embrapa em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

O projeto será executado em cinco anos e recebeu US$ 6 milhões de doação do Fundo Global para o Meio Ambiente.

Além do Pnud, a iniciativa é apoiada pelos ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Social, do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura; pela Companhia Nacional de Abastecimento, pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e por organizações da sociedade civil.

Coordenador da iniciativa e pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Aldicir Scariot explicou que premissa básica do projeto é promover uma associação íntima entre agroextrativismo e biodiversidade.

“O agroextrativismo é uma oportunidade ímpar para aliar uso sustentável da terra e a conservação", frisou Scariot.

O projeto prevê a promoção de técnicas de manejo para extração de produtos florestais como frutas, sementes, castanhas, amêndoas, borracha e fibras, entre outros.

Os moradores das regiões selecionadas serão formados tanto para o extrativismo como para sistemas que integram agricultura e floresta, de forma que a proteção dos biomas se torne uma alternativa mais interessante que o uso não sustentável da terra, como a prática da monocultura e o desmatamento.

A meta é capacitar 540 técnicos e 3 mil famílias em três anos.

As áreas selecionadas para a ação têm importância comprovada para a biodiversidade global e estão sob ameaça pelo aumento da pressão do uso da terra, com práticas agrícolas e pecuárias que degradam o ambiente.

A expectativa é que, ao promover soluções locais para as regiões selecionadas, o Brasil desenvolva técnicas que possam ser propagadas para outras regiões do país por meio de políticas públicas.

Os Territórios da Cidadania (TC) escolhidos são o Alto Rio Pardo (MG) e Médio Mearim (MA), no Cerrado, o Sertão São Francisco (BA) e Sobral (CE), na Caatinga, e o Alto Acre e Capixaba (AC) e Marajó (PA), no bioma Amazônia.

Estão concentrados nesses locais grupos de quilombolas, indígenas e outras populações tradicionais que têm a agricultura familiar tradicional e o agroextrativismo como principais atividades de subsistência.

A secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Ana Cristina Barros, afirma que a iniciativa pode ajudar a pacificar o entendimento de que conservação ambiental e desenvolvimento econômico podem andar juntos.

“Muitos profissionais dos dois lados, ambiental e desenvolvimentista, ainda acham que conservação é só aquilo que está isolado das pessoas, o que não é verdade.

Há práticas, como as propostas pelo projeto, em que se tem o uso da biodiversidade inclusive como uma forma de conservação, que valoriza aquela floresta, cerrado ou caatinga, e garante que se perpetue.”

O representante residente do Pnud no Brasil, Jorge Chediek, disse que o projeto vai ao encontro da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, compromisso firmado pelos países-membros da ONU na última sexta-feira (25), em Nova York, e tem potencial para ser levado a outros países.

“O projeto apresentado é desenvolvimento sustentável puro. Inclui a sustentabilidade no sentido amplo, ambiental, social e econômica – é o tipo de iniciativa que vai permitir que se atinjam os objetivos do desenvolvimento sustentável.”, disse Chediek durante o lançamento oficial do projeto.

Fonte: Portal Brasil com informações da Agência Brasil e Embrapa

Sustentabilidade depende do turismo, afirma ONU

A cúpula das Nações Unidas, que reuniu cerca de 150 líderes mundiais, entre eles a presidenta Dilma Rousseff, reconheceu o turismo como uma das atividades essenciais para o desenvolvimento sustentável no mundo. 

Entre os 17 objetivos e 169 metas aprovados, em Nova York (EUA), para serem cumpridos até 2030, o setor foi considerado essencial pela capacidade de gerar empregos e promover a cultura local, além de estratégico para monitorar os impactos e gerir os recursos naturais.

Roberto Stuckert Filho/Pr

Turismo foi reconhecido como essencial para o desenvolvimento

Turismo foi reconhecido como essencial para o desenvolvimento

Para o ministro do Turismo, Henrique Alves, a inclusão do setor em um documento que aponta caminhos para o futuro da nação comprova a importância do turismo como vetor de geração de emprego e renda. 

“O turismo tem grande potencial de gerar renda e desenvolver comunidades locais, valorizando o patrimônio genuíno do país”, disse. 

O secretário-geral, da OMT Taleb Rifai, afirmou que o documento é o ponto de partida e que agora é necessário colocar em prática as ações que promovam políticas e estratégias de negócios que monitorem e minimizem os efeitos negativos do desenvolvimento do turismo.

A sustentabilidade é uma das premissas do Ministério do Turismo. 

Desde 2004, a pasta desenvolve programas para valorizar e inserir a sustentabilidade no setor. Entre as ações já realizadas estão o Programa de Regionalização, o Programa Talentos do Brasil Rural, o Viaje Legal, a Produção associada ao turismo (artesanato e turismo de base comunitária, entre outros) e o Programa Turismo Acessível.

Em 2013, o Ministério lançou o Programa Turismo Sustentável e Infância com foco no enfrentamento à exploração de crianças e adolescentes no turismo brasileiro. 

Nos últimos dois anos, foram distribuídos mais de 720 mil materiais informativos sobre a campanha e cerca de 110 mil pessoas foram mobilizadas em todo o país.

ONU lança Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para transformar o mundo



Os 193 Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) adotaram formalmente aAgenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, composta pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“A nova agenda é uma promessa dos líderes para a sociedade mundial. 

É uma agenda para acabar com a pobreza em todas as suas formas, uma agenda para o planeta”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no discurso de abertura da Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

O discurso do secretário da ONU precedeu a adoção formal do documentoTransformando Nosso Mundo, composto por 17 objetivos e 169 metas para países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Veja os objetivos que serão perseguidos em mudança dessa transformação mundial.

Fome e nutrição

Os objetivos 1 e 2 propõem acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares; e erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável, respectivamente. 

Os objetivos ampliam a abordagem de temas vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), mas agora com alcance mundial, especialmente o primeiro. 

A meta é mais ambiciosa que a proposta nos ODM, que falava em reduzir pela metade o número de pobres e daqueles que passavam fome.

“Isso é absolutamente desafiador, mas temos a visão muito clara de que é possível que esta seja a primeira geração capaz de acabar com a pobreza no mundo. A gente tem essa oportunidade. 

Há uma série de soluções disponíveis para chegarmos lá”, disse Haroldo Machado Filho, assessor da ONU.

Bem-estar, educação e igualdade de gênero

Os objetivos seguintes preveem cuidado com todas as doenças e bem-estar das pessoas (Objetivo 3), garantia de educação inclusiva e de boa qualidade e oportunidades de aprendizagem (Objetivo 4) e igualdade de gênero e importância do empoderamento de mulheres e meninas (Objetivo 5).

Água potável

“A partir do Objetivo 6, que propõe que se assegure a disponibilidade de água potável e saneamento básico para todos, são incluídas outras dimensões que não apareciam antes”, ressalta Machado.

Energia e emprego

Os objetivos 7, 8 e 9 propõem acesso a energia barata e sustentável; promoção do crescimento econômico sustentado, com emprego pleno e trabalho decente para todos e criação de soluções para o desenvolvimento sustentável.

Redução da desigualdade

A assessora internacional da Associação Brasileira de Organizações não governamentais (Abong), Maira Vannuchi, avalia que o Objetivo 10, que propõe a redução da desigualdade dentro dos países e entre eles, é o mais importante para o Brasil, por propor o enfrentamento das desigualdades sociais e econômicas históricas. 

“Ele toca na ferida do Brasil, na questão estrutural. A gente reconhece nele um ponto que precisa ser resolvido no país, por ser a fonte das principais violações de direitos humanos e injustiças sociais”.

Violência

O Objetivo 11 traz à tona a questão da violência e da insegurança nas cidades, propondo que os assentamentos humanos sejam inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis, segundo o assessor.

Consumo sustentável

Para o assessor Haroldo Machado, os objetivos são desafiadores para os países desenvolvidos. 

“O Objetivo 12, por exemplo, quer assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis, problema sério em países ricos, que agora têm o desafio importante de repensar seus modelos de desenvolvimento”, exemplifica.

Meio ambiente

Haroldo Machado aponta que a Agenda 2030 inova ao colocar objetivos específicos para a questão ambiental, (13,14 e 15), que tratam do aquecimento do planeta, a conservação dos ecossistemas e da biodiversidade. 

“Porque os nossos esforços para o desenvolvimento podem ser todos anulados se realmente houver aumentos significativos de temperatura e outros efeitos adversos da mudança do clima no planeta,” justifica.

O Objetivo 16 prevê metas para a promoção de sociedades pacíficas e para que todos tenham acesso à justiça. 

O Objetivo 17 é o último e trata da execução das metas dos ODS, propondo o fortalecimento dos meios de implementação e a construção de parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Agência Brasil