Licença ambiental: proteção ou obstáculo

Toda atividade que cause impacto ao meio ambiente precisa de uma licença ambiental. Mas a emissão deste documento tem que ser simplificada.


Toda atividade que tenha um impacto potencialmente danoso ao meio ambiente precisa de um licenciamento ambiental. 

Este é basicamente uma autorização de funcionamento expedido por um órgão de controle competente – municipal estadual ou federal – que permite o funcionamento do empreendimento, desde que seus proprietários cumpram determinadas exigências. 

Até aqui tudo claro: ninguém pode exercer uma atividade sem levar em consideração seu impacto ao entorno, seja urbano, rural ou natural.

Licenciamento ambiental é a maneira das administrações controlarem as atividades econômicas, de forma que não prejudiquem o meio ambiente. A agência ambiental exige que já na fase de projeto, sejam previstas tecnologias que aplicadas reduzam o impacto do empreendimento ao meio ambiente. 

Assim, ao invés de permitir, por exemplo, que fábricas se estabeleçam em qualquer lugar e funcionem sem atentar para seus efluentes, resíduos e fumaça – como no Brasil foi comum em passado recente –, a lei requer que mesmo antes de operar a indústria já tenha previsto um tratamento adequado destas emissões. 

Para isto são estabelecidos procedimentos e padrões que regulam a maneira como o empreendimento deve se estabelecer e a forma como, depois de aprovado, deve funcionar.

É importante que o país tenha uma legislação ambiental que determine como e em que condições um empreendimento deve operar, no que se refere ao seu impacto ambiental. 

Loteamento popular, indústria automobilística, fazenda, usina hidrelétrica, mineração, hospital público; para cada atividade econômica existe um conjunto de normas técnicas e providências a serem consideradas antes e durante a atividade econômica. 

A licença ambiental é o atestado emitido pela pelo órgão ambiental (que nesta situação atua como controle da sociedade), permitindo o funcionamento do empreendimento.

Um instrumento que foi criado para proteger o meio ambiente e os recursos naturais, pode ter se transformado também em obstáculo à expansão da infraestrutura e das atividades econômicas. 

Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), as licenças ambientais são ordenadas direta e indiretamente por cerca de 30 mil diferentes instrumentos legais, no âmbito federal, estadual e municipal. 

Mais grave ainda é que as leis, decretos, portarias e resoluções muitas vezes são contraditórias, conflitando e provocando um emaranhado jurídico equivalente ao que já existe no direito tributário – vale lembrar que atualmente o país tem mais de 181 mil leis, uma verdadeira Babel jurídica. 

Sobre esta situação, comentou o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Shelley Carneiro: 

“Ninguém é contra a licença ambiental, e alguns empreendimentos de fato podem ser muito agressivos, por isso é preciso ter todo cuidado. 

Mas, do jeito que ela vem sendo feita, só gera uma burocracia imensa que não resulta em nada de bom para o meio ambiente.”

A burocracia nas agências ambientais – resultado da falta de itens como pessoal qualificado, gerenciamento, organização, metas e padronização das exigências – atrasa a emissão das licenças ambientais e, consequentemente, o início de muitas obras. Segundo a CNI, o tempo médio de obtenção de uma licença é de 28 meses, prazo considerado “incompatível com os custos de oportunidade da maioria dos investimentos”, segundo Shelley Carneiro.

Embrapa lança projeto para capacitar agricultores em sustentabilidade

Ação tem orçamento de R$ 6 milhões, será executada em cinco anos e capacitará 3 mil famílias em regiões de biodiversidade

O pesquisador Aldicir Scariot no lançamento do evento, em Brasília


















Foto: Cláudio Bezerra/Embrapa
O pesquisador Aldicir Scariot no lançamento do evento, em Brasília


A capacitação de pequenos produtores e agricultores familiares para o uso sustentável de recursos naturais, visando à conservação dos biomas da Amazônia, da Caatinga e do Cerrado estão entre os objetivos de projeto lançado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) nesta segunda-feira, 28 de setembro, em cerimônia em Brasília.

Batizada "Integração da conservação da biodiversidade e uso sustentável nas práticas de produção de produtos florestais não madeireiros e sistemas agroflorestais em paisagens florestais de usos múltiplos de alto valor para a conservação", a ação será desenvolvido pela Embrapa em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

O projeto será executado em cinco anos e recebeu US$ 6 milhões de doação do Fundo Global para o Meio Ambiente.

Além do Pnud, a iniciativa é apoiada pelos ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Social, do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura; pela Companhia Nacional de Abastecimento, pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e por organizações da sociedade civil.

Coordenador da iniciativa e pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Aldicir Scariot explicou que premissa básica do projeto é promover uma associação íntima entre agroextrativismo e biodiversidade.

“O agroextrativismo é uma oportunidade ímpar para aliar uso sustentável da terra e a conservação", frisou Scariot.

O projeto prevê a promoção de técnicas de manejo para extração de produtos florestais como frutas, sementes, castanhas, amêndoas, borracha e fibras, entre outros.

Os moradores das regiões selecionadas serão formados tanto para o extrativismo como para sistemas que integram agricultura e floresta, de forma que a proteção dos biomas se torne uma alternativa mais interessante que o uso não sustentável da terra, como a prática da monocultura e o desmatamento.

A meta é capacitar 540 técnicos e 3 mil famílias em três anos.

As áreas selecionadas para a ação têm importância comprovada para a biodiversidade global e estão sob ameaça pelo aumento da pressão do uso da terra, com práticas agrícolas e pecuárias que degradam o ambiente.

A expectativa é que, ao promover soluções locais para as regiões selecionadas, o Brasil desenvolva técnicas que possam ser propagadas para outras regiões do país por meio de políticas públicas.

Os Territórios da Cidadania (TC) escolhidos são o Alto Rio Pardo (MG) e Médio Mearim (MA), no Cerrado, o Sertão São Francisco (BA) e Sobral (CE), na Caatinga, e o Alto Acre e Capixaba (AC) e Marajó (PA), no bioma Amazônia.

Estão concentrados nesses locais grupos de quilombolas, indígenas e outras populações tradicionais que têm a agricultura familiar tradicional e o agroextrativismo como principais atividades de subsistência.

A secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Ana Cristina Barros, afirma que a iniciativa pode ajudar a pacificar o entendimento de que conservação ambiental e desenvolvimento econômico podem andar juntos.

“Muitos profissionais dos dois lados, ambiental e desenvolvimentista, ainda acham que conservação é só aquilo que está isolado das pessoas, o que não é verdade.

Há práticas, como as propostas pelo projeto, em que se tem o uso da biodiversidade inclusive como uma forma de conservação, que valoriza aquela floresta, cerrado ou caatinga, e garante que se perpetue.”

O representante residente do Pnud no Brasil, Jorge Chediek, disse que o projeto vai ao encontro da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, compromisso firmado pelos países-membros da ONU na última sexta-feira (25), em Nova York, e tem potencial para ser levado a outros países.

“O projeto apresentado é desenvolvimento sustentável puro. Inclui a sustentabilidade no sentido amplo, ambiental, social e econômica – é o tipo de iniciativa que vai permitir que se atinjam os objetivos do desenvolvimento sustentável.”, disse Chediek durante o lançamento oficial do projeto.

Fonte: Portal Brasil com informações da Agência Brasil e Embrapa

Sustentabilidade depende do turismo, afirma ONU

A cúpula das Nações Unidas, que reuniu cerca de 150 líderes mundiais, entre eles a presidenta Dilma Rousseff, reconheceu o turismo como uma das atividades essenciais para o desenvolvimento sustentável no mundo. 

Entre os 17 objetivos e 169 metas aprovados, em Nova York (EUA), para serem cumpridos até 2030, o setor foi considerado essencial pela capacidade de gerar empregos e promover a cultura local, além de estratégico para monitorar os impactos e gerir os recursos naturais.

Roberto Stuckert Filho/Pr

Turismo foi reconhecido como essencial para o desenvolvimento

Turismo foi reconhecido como essencial para o desenvolvimento

Para o ministro do Turismo, Henrique Alves, a inclusão do setor em um documento que aponta caminhos para o futuro da nação comprova a importância do turismo como vetor de geração de emprego e renda. 

“O turismo tem grande potencial de gerar renda e desenvolver comunidades locais, valorizando o patrimônio genuíno do país”, disse. 

O secretário-geral, da OMT Taleb Rifai, afirmou que o documento é o ponto de partida e que agora é necessário colocar em prática as ações que promovam políticas e estratégias de negócios que monitorem e minimizem os efeitos negativos do desenvolvimento do turismo.

A sustentabilidade é uma das premissas do Ministério do Turismo. 

Desde 2004, a pasta desenvolve programas para valorizar e inserir a sustentabilidade no setor. Entre as ações já realizadas estão o Programa de Regionalização, o Programa Talentos do Brasil Rural, o Viaje Legal, a Produção associada ao turismo (artesanato e turismo de base comunitária, entre outros) e o Programa Turismo Acessível.

Em 2013, o Ministério lançou o Programa Turismo Sustentável e Infância com foco no enfrentamento à exploração de crianças e adolescentes no turismo brasileiro. 

Nos últimos dois anos, foram distribuídos mais de 720 mil materiais informativos sobre a campanha e cerca de 110 mil pessoas foram mobilizadas em todo o país.

ONU lança Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para transformar o mundo



Os 193 Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) adotaram formalmente aAgenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, composta pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“A nova agenda é uma promessa dos líderes para a sociedade mundial. 

É uma agenda para acabar com a pobreza em todas as suas formas, uma agenda para o planeta”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no discurso de abertura da Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

O discurso do secretário da ONU precedeu a adoção formal do documentoTransformando Nosso Mundo, composto por 17 objetivos e 169 metas para países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Veja os objetivos que serão perseguidos em mudança dessa transformação mundial.

Fome e nutrição

Os objetivos 1 e 2 propõem acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares; e erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável, respectivamente. 

Os objetivos ampliam a abordagem de temas vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), mas agora com alcance mundial, especialmente o primeiro. 

A meta é mais ambiciosa que a proposta nos ODM, que falava em reduzir pela metade o número de pobres e daqueles que passavam fome.

“Isso é absolutamente desafiador, mas temos a visão muito clara de que é possível que esta seja a primeira geração capaz de acabar com a pobreza no mundo. A gente tem essa oportunidade. 

Há uma série de soluções disponíveis para chegarmos lá”, disse Haroldo Machado Filho, assessor da ONU.

Bem-estar, educação e igualdade de gênero

Os objetivos seguintes preveem cuidado com todas as doenças e bem-estar das pessoas (Objetivo 3), garantia de educação inclusiva e de boa qualidade e oportunidades de aprendizagem (Objetivo 4) e igualdade de gênero e importância do empoderamento de mulheres e meninas (Objetivo 5).

Água potável

“A partir do Objetivo 6, que propõe que se assegure a disponibilidade de água potável e saneamento básico para todos, são incluídas outras dimensões que não apareciam antes”, ressalta Machado.

Energia e emprego

Os objetivos 7, 8 e 9 propõem acesso a energia barata e sustentável; promoção do crescimento econômico sustentado, com emprego pleno e trabalho decente para todos e criação de soluções para o desenvolvimento sustentável.

Redução da desigualdade

A assessora internacional da Associação Brasileira de Organizações não governamentais (Abong), Maira Vannuchi, avalia que o Objetivo 10, que propõe a redução da desigualdade dentro dos países e entre eles, é o mais importante para o Brasil, por propor o enfrentamento das desigualdades sociais e econômicas históricas. 

“Ele toca na ferida do Brasil, na questão estrutural. A gente reconhece nele um ponto que precisa ser resolvido no país, por ser a fonte das principais violações de direitos humanos e injustiças sociais”.

Violência

O Objetivo 11 traz à tona a questão da violência e da insegurança nas cidades, propondo que os assentamentos humanos sejam inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis, segundo o assessor.

Consumo sustentável

Para o assessor Haroldo Machado, os objetivos são desafiadores para os países desenvolvidos. 

“O Objetivo 12, por exemplo, quer assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis, problema sério em países ricos, que agora têm o desafio importante de repensar seus modelos de desenvolvimento”, exemplifica.

Meio ambiente

Haroldo Machado aponta que a Agenda 2030 inova ao colocar objetivos específicos para a questão ambiental, (13,14 e 15), que tratam do aquecimento do planeta, a conservação dos ecossistemas e da biodiversidade. 

“Porque os nossos esforços para o desenvolvimento podem ser todos anulados se realmente houver aumentos significativos de temperatura e outros efeitos adversos da mudança do clima no planeta,” justifica.

O Objetivo 16 prevê metas para a promoção de sociedades pacíficas e para que todos tenham acesso à justiça. 

O Objetivo 17 é o último e trata da execução das metas dos ODS, propondo o fortalecimento dos meios de implementação e a construção de parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Agência Brasil

Investir em energia solar custa 8 vezes menos que em termelétricas, diz WWF

Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil


Estudo divulgado ontem (28) pela organização não governamental WWF Brasil mostra que a substituição do uso de energia fornecida por usinas termelétricas pela de geração fotovoltaica (energia solar) poderia gerar uma economia de R$ 150 bilhões em um período de cinco anos. 

De acordo com o WWF, subsidiar a energia fotovoltaica em vez da termelétrica emergencial – usada atualmente diante da diminuição da geração hidroelétrica – é oito vezes menos custoso.

“A substituição das termelétricas incrementais por uma geração fotovoltaica distribuída mostra-se bastante viável. 

De acordo com o modelo apresentado no estudo, subsidiar essa forma de geração é oito vezes menos custoso. 

Mesmo em um cenário em que, após cinco anos, os reservatórios voltassem ao patamar de segurança e não houvesse crise hídrica pelos 20 anos seguintes, o país teria uma economia da ordem de R$ 150 bilhões”, diz o estudo.

O WWF Brasil propõe uma transição gradual do modelo termelétrico para o fotovoltaico, em que o valor que atualmente é gasto para a contratação de energia das termelétricas seria reduzido, ao mesmo tempo em que seria aumentado o investimento na instalação de energia fotovoltaica por um período de cinco anos. 

O objetivo é que, após esse período, a produção de energia fotovoltaica atinja 40 terawatts/hora (TWh) por ano, a mesma quantidade contratada hoje das termelétricas emergenciais.

“Atualmente o governo tem gerado muitos incentivos econômicos para fazer a sustentação da segurança energética do país por meio de termelétricas. 

O que a gente propõe aqui é fazer uma transição gradual para energia solar, tendo a energia solar como uma energia apoiando a energia hidroelétrica no Brasil, e manter as termelétricas de backup, que é o papel delas, caso precise, e não operando todo ano igual a gente está tendo agora”, disse o coordenador de Mudanças Climáticas e Energia do WWF, André Nahur.

A substituição da energia termelétrica pela fotovoltaica, no entanto, ainda enfrenta o entrave da falta de financiamento no país. 

Segundo Nahur, países que estão fazendo a transição, como Alemanha, Japão, e Itália, têm linhas de financiamento diferenciadas para a energia de base solar a cerca de 6% ao ano. 

Já no Brasil, o crédito para essa finalidade é pequeno e destinado a grandes projetos.

“Hoje em dia, as linhas de financiamentos que a gente tem que são por meio do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e de alguns bancos privados. 

O que a gente precisaria hoje seria de linhas diferenciadas de financiamento com juros de mais ou menos 6% ao ano”, disse Nahur.

Edição: Nádia Franco

Enel Green Power inaugura primeira usina híbrida do Brasil

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Foto: Divulgação Enel Green Power inaugura primeira usina híbrida do Brasil

A Enel Green Power (EGP) inaugurou na última sexta-feira (25), na cidade de Tacaratu, no Estado de Pernambuco, a primeira usina híbrida do Brasil, combinando geração de energia fotovoltaica e eólica. 

O evento contou com a presença do governador do Estado de Pernambuco, Paulo Câmara, e o responsável pela Enel Green Power no Brasil e no Uruguai, Luigi Parisi.

Composto pelo parque eólico de Fontes dos Ventos (80 MW), e das centrais fotovoltaicas Fontes Solar I e II (11 MW), o projeto gerou 600 empregos no pico das obras de construção.

"Na Enel Green Power nós acreditamos fortemente em inovação," disse Luigi Parisi, responsável pela Enel Green Power no Brasil e no Uruguai. 

"Uma planta híbrida, combinando duas tecnologias renováveis na mesma localização, não só aumenta a geração de energia de emissão zero, mas também faz com que seja possível utilizar a mesma infraestrutura, diminuindo os custos e reduzindo ainda mais o impacto sobre o meio ambiente. 

A combinação de energia eólica e solar em nossa planta de Fontes irá reduzir os efeitos da mudança das condições meteorológicas e assegurar a produção de energia mais estável para o benefício do desenvolvimento sustentável local."

A planta híbrida vai gerar cerca de 340 GWh por ano - o equivalente às necessidades energéticas anuais de cerca de 170 mil domicílios brasileiros.

(Redação - Agência IN)

Nasa anuncia descoberta de água líquida em Marte

Por Redação 
Marte



O “maior mistério de Marte” deve ser revelado na segunda-feira (28). 

A Nasa marcou para às 12h30 uma conferência na qual promete anunciar sua maior descoberta sobre o Planeta Vermelho, com a presença de seu diretor de ciências planetárias, Jim Green, além de Michael Meyer, que é chefe do Programa de Exploração do nosso vizinho no Sistema Solar.

Anúncios como este levantam bastante expectativa e, claro, especulação. 

E a principal delas tem a ver com a descoberta de vida, uma hipótese com a qual a Nasa trabalha já há alguns anos e tem, até mesmo, encontrado alguns indícios de emissões de metano, sinais de atividade biológica e até mesmo evidências de água líquida.

Não foi o caso desta vez, porém. A revelação, que foi publicada na revista Nature Geoscience, tem a ver com a descoberta de fluxos de água salobra que escorrem pela superfície de Marte a cada verão. 

É uma condição que poderia propiciar a existência de vida, pelo menos em forma microbial, uma vez que as temperaturas ficam mais amenas, de forma a permitir esse tipo de existência.

A teoria geral é de que a temperatura média de Marte, de -70 graus Celsius, não seria capaz de sustentar a vida, pelo menos não da maneira como a conhecemos. 

É por isso que boa parte da pesquisa da Nasa se concentra não apenas na superfície do planeta, mas também embaixo da terra, onde foram encontrados os resquícios de água salgada e registrados aumentos nos termômetros, gerando condições um pouco mais propícias.

O que se observou, porém, foi um fenômeno semelhante ao que temos na Terra, principalmente em regiões áridas, chamado de RSL, sigla em inglês para linhas recorrentes de encosta. 

Quanto a temperatura esquenta, a água deixa seu estado sólido e passa a escorrer, criando marcas mais flagrantes na superfície de crateras e montanhas. O efeito é reduzido no inverno e acontece sempre no verão, que em Marte, já chegou a 0 graus Celsius

A descoberta de sais hidratados na superfície, uma evidência clara de que a água passou por ali, foi a grande novidade. 

Eles existem em quatro regiões diferentes de Marte, sempre com o mesmo comportamento, uma indicação de que os filetes passam por diversos locais durante a temporada de verão.

Agora, o estudo segue para descobrir exatamente de onde veio essa água e para onde ela escorre. 

Uma das teorias é sobre a existência de gelo sob a superfície, ou então, vapor vindo da atmosfera e se condensando em torno dos sais. 

Ou, ainda, mas menos provável, a existência de fluxos subterrâneos do líquido.

Além disso, outro objetivo é testar se micróbios e outros seres vivos terrestres seriam capazes de suportar as condições extremas encontradas em Marte, um passo importante para se entender se poderia ou não existir vida por lá, pelo menos da forma como a conhecemos. 

Além disso, a Nasa estuda agora formas de enviar novos robôs ou missões tripuladas, além de mandar amostras de volta, para análise.

Atualmente, a agência espacial tem dois aparatos utilizados na pesquisa. 

A sonda Curiosity orbita o planeta, enquanto o Oportunity, um jipe-robô, passeia por sua superfície há mais de uma década. São eles os principais agentes das descobertas sobre o Planeta Vermelho e, acredita-se, os principais astros da revelação que será feita nesta segunda-feira (28).

Foi justamente por meio de imagens feitas à distância que a descoberta foi possível. Uma tecnologia desenvolvida pela Nasa foi capaz de identificar pixels individuais e analisá-los separadamente, de forma a entender exatamente quais substâncias estariam emitindo luz. 

O trabalho foi complexo, uma vez que as marcas de água teriam apenas cinco metros de largura.

O anúncio será transmitido ao vivo pela internet, por meio do site da Nasa. Depois da apresentação, os especialistas da agência responderão a perguntas feitas pelos jornalistas presentes e também enviadas pelo Twitter.

Atualização

Durante sua coletiva, a Agência Espacial confirmou para a imprensa que resolveu o mistério de Marte. 

Os pesquisadores conseguiram encontrar evidências de água no planeta vermelho, que flui periodicamente por sua superfície. Além disso, o líquido conta com sais como cloratos e percloratos, que impedem a evaporação instantânea.

Ou seja: em algumas épocas do ano marciano, é possível haver córregos de água líquida que, apesar de não fluir como nos rios da Terra, pode gotejar. 

Sendo assim, se existe água no planeta vizinho, aumentam-se as chances de existir vida por lá — nem que seja em forma de microorganismos. 

E esse é o próximo grande passo da Agência: descobrir que não estamos sozinhos.



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