As ciclovias de SP funcionam? Percorremos a cidade numa magrela pra descobrir.

O uso da bicicleta como meio de transporte em São Paulo costumava ser visto como iniciativa de apenas alguns aventureiros isolados. 

Sem vias específicas para isso e sinalização adequada,parecia loucura sair pedalando diariamente entre ônibus, carros e motoboys. Mas agora, finalmente, a cidade conta com uma malha de ciclovias que atravessam zonas e bairros.

Hoje são mais de 200 quilômetros de ciclovias permanentes na capital paulista e, enquanto essa matéria é escrita, a metragem vai aumentando. 

A previsão dos órgãos públicos municipais é chegar a 400 quilômetros ainda em 2015 (veja aqui o mapa das ciclovias de São Paulo).

Porém, não é que as ciclovias tenham sido recebidas de braços abertos por todos na cidade.Apesar das pesquisas indicarem que a maioria dos moradores aprova a construção e ampliação delas, o assunto sempre desperta polêmica quando trazido à tona. Em fevereiro, uma escola no bairro da Vila Mariana entrou com uma ação judicial para simplesmente apagar a ciclovia que passa em frente a seus muros. Outro caso recente teve como cenário Higienópolis, onde aPrefeitura precisou mudar o traçado de um trecho após reclamações de comerciantes locais. Fora isso, volta e meia aparecem relatos e vídeos na internet de motoristas desrespeitando os limites e avançando sobre ciclistas.
Para ir além do diz-que-diz e conferir na prática a quantas andam as ciclovias de São Paulo, oHypeness pegou a magrela e foi dar um rolê. Em três dias diferentes, o correspondente aqui esteve pedalando por trajetos diversos.
Começou em um fim de domingo, quando haveria o show gratuito de algumas bandas na Praça Dom José Gaspar. Como moro na região central, não fazia sentido ir de carro. Aliás, ir ao Centro de carro nunca costuma ser boa ideia. Usar o metrô seria o mais óbvio, mas optei pela bike por conta da pauta.

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Com o sol quase se pondo, pedalei tranquilamente pelo Largo do Arouche, Praça da RepúblicaAvenida São Luís. Na mesma ciclovia, encontrei um amigo meu que seguia de bicicleta para outro destino. 

Qual a probabilidade de encontrar um amigo no carro ao lado quando se está parado no congestionamento?

Chegando ao local pude constatar que, assim como eu, vários outros presentes ali também estavam na companhia de suas bikes. 

E, quando terminou, voltei sob a noite pelo mesmo caminho, com a certeza de que teria gasto mais tempo e dinheiro se tivesse ido dirigindo.

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Na quarta-feira seguinte, por volta das 10 da manhã, peguei a bicicleta para dar outra volta. Ao me ver, um vizinho questionou do alto de sua bengala se eu pretendia usar a ciclovia. 

Respondi que sim, era essa a intenção. Enquanto o elevador descia, ele me contou que não via a novidade com otimismo. A síntese de seu raciocínio era algo como “não tenho nada contra as ciclovias, mas imagine uma mocinha toda arrumada ir para o trabalho de bicicleta e, ao chegar, estar toda bagunçada“. Juro.

Perguntei se ele não achava que a iniciativa privada poderia colaborar, construindo bicicletários e vestiários em suas instalações

Aliás, abrindo um parênteses aqui: quanto gastam as empresas de São Paulo com auxílio-estacionamento para quem vai de carro? 

Sem pesquisar, chutaria que na região da Vila Olímpia e Berrini o valor mensal por funcionário motorizado passa facilmente dos R$ 200,00. Quem trabalha por esses lados pode dizer melhor. 

Fazendo uma rápida conta de padeiro, parece que, além de aliviar o trânsito, incentivar o uso de bikes economizaria gastos com Recursos Humanos. Inclusive, já começam a surgir iniciativas inovadoras nesse sentido.

Mas voltando ao vizinho, ele não soube me responder. Achei então que não precisava continuar a conversa e segui meu rumo. Dessa vez tomei o sentido contrário da ciclovia na Santa Cecília, pegando a Rua Albuquerque Lins para atravessar o Minhocão em direção à Barra Funda.

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Entre as reclamações que surgem no boca a boca, uma recorrente é a de que ninguém usa essas vias. Bem, os números do Ibope apontam para uma realidade diferente. 

E as redes sociais também dão mostras que vão na contramão dessa alegação, como pode ser visto nesse site.

Não é porque a ciclovia está sem congestionamento que as pessoas não estão usando. No meu caminho cruzei com vários ciclistas, alguns a trabalho e outros se exercitando. 

E não apenas eles: carroceiros, skatistas, gente de patins, corredores e também cadeirantes. Como pouquíssimas calçadas são niveladas e têm rampas, é bastante compreensível que deficientes físicos utilizem as ciclovias para circular com dignidade.

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De bicicleta na região da Barra Funda e Bom Retiro, saltam aos olhos alguns detalhes que poderiam passar despercebidos por trás do para-brisa filmado de um automóvel. 

A arquitetura das fábricas antigas, a igreja dos bolivianos, o barracão da escola de samba, o centro de candomblé, o colégio dos coreanos, o papagaio do mecânico e, claro, os grafites.

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São Paulo é referência mundial nessa forma de arte. E o berço do grafite é a rua. Não tem jeito melhor de contemplar os grafites da cidade do que caminhando ou pedalando. As ciclovias são um ótimo meio para isso.

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Finalmente, cheguei ao encontro da bela paisagem que o Rio Tietê proporciona. Foi um momento sublime.

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A ciclovia cruza a ponte e segue pela Zona Norte, mas meu condicionamento físico me dizia que metade do caminho já tinha sido percorrido. Era hora de voltar. Fiz isso com um pequeno desvio em relação ao caminho da ida para passar pela Praça Júlio Prestes

Naquela região onde o crack faz a festa.
Tirei fotos bem rapidamente e meio afastado, já que não é recomendável ostentar smartphone por ali.


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No dia seguinte, precisei levar meu computador para consertar. Busquei uma assistência técnica que fosse acessível por ciclovias e descobri uma na Rua dos Pinheiros. Fui de capacete e bicicleta para explorar esse pedaço na Zona Oeste.

Deviam ser umas 9 e meia da manhã quando saí e estava mais quente do que na véspera. Ao chegar na subida da Rua Ministro Godói, passando o Parque da Água Branca, a máquina começou a dar pane. 

Talvez pelo esforço que já havia feito no dia anterior, talvez por estar carregando um notebook nas costas, fato é que minhas pernas pareciam ter ganhado um bloco de cimento cada uma.

Será que construir uma ciclovia no montanhoso bairro das Perdizes foi uma boa? Não sou parâmetro para julgar. Enquanto lidava com meus demônios na subida, um senhor que deveria ter pelo menos uns 15 anos a mais do que eu passou por mim tranquilamente pedalando.

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Já na Sumaré, parei para beber água e o sistema voltou a operar mais normalmente. A ciclovia da avenida existe há um bom tempo, mas antes não se conectava com nenhuma outra. 

No ano passado, ela passou por uma reforma e a sinalização foi regulamentada para o uso compartilhado entre ciclistas e pedestres, além do que agora está interligada com o trecho dePerdizes

Uma característica bacana na Sumaré é que o caminho passa várias vezes por entre as árvores.

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No final dela seria possível fazer um retorno pela Rua João Moura, tudo por ciclovia. 

No entanto decidi seguir adiante pelo canteiro central da Avenida Henrique Schaumann, sem pista exclusiva. 

Era o caminho mais curto. O rolê de bike virou um pouco corrida de obstáculos, mas logo reencontrei a ciclovia na esquina com a Rua Artur de Azevedo e dali até a assistência técnica foi um pulo.

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Se eu pudesse escolher, teria retornado para casa de metrô. Porém, nos dias úteis o metrô de São Paulo só permite transportar bicicletas após as 20h30

Aos sábados, domingos e feriados, essa permissão se estende para mais horários. Embora não seja de bom senso querer entrar com uma bicicleta na Estação da Sé durante a hora do rush, fato é que essas regras de funcionamento mostram qual é a visão da empresa sobre as bicicletas. 

A visão de que são para lazer, e não transporte.

Foi essa a razão também que me fez optar por explorar as ciclovias mais acessíveis para mim. Ciclistas experientes conseguem atravessar a cidade de lá para cá. Eu não. 

Para conhecer os trechos mais ao Sul, Norte e Leste, talvez fosse necessário pegar carro, veja só.

Acabei voltando do mesmo jeito que fui: pedalando. Mas confesso que, na subida de volta da Rua João Ramalho, desci da bicicleta e a empurrei ladeira acima.

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Estou com 33 anos, sempre morei em São Paulo e nunca imaginei ver aqui ciclovias como as que temos agora

Parecia uma utopia, um luxo exclusivo de cidades europeias como Amsterdam, Berlim ou Copenhague. Desde a infância até poucos anos atrás, eu nem sequer tinha uma bicicleta para chamar de minha. 

Agora, em 3 dias diferentes dentro de uma mesma semana, percorri aproximadamente 30 quilômetros por ciclovias. 

E isso é apenas uma amostra, que representa em torno de 10% do que temos à disposição.

Claro que algumas correções podem ser necessárias. 

Com qualquer projeto inovador funciona assim, não? Cria-se o piloto, coloca-se em teste, fase beta. E, com base nos feedbacks, o projeto vai sendo aperfeiçoado. 

Se você já percorreu outros trechos das ciclovias paulistanas ou se tiver um relato sobre a experiência em outras cidades para compartilhar, nossa caixa de comentários está à disposição. É trocando impressões que vamos tornar nossas ciclovias melhores.

Afinal, em qual cidade queremos viver? Nessa que estivemos habitando as últimas décadas? Com todos presos no congestionamento, respirando poluição e estressados? Chegou a hora de testar novos modelos. 

Para quem insiste em estacionar o carro sobre as faixas exclusivas ou avançar patologicamente com seu automóvel sobre ciclistas, fica aqui o meu convite para pedalar pelo menos uma vez na vida usando as ciclovias. Mal não vai fazer.


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Todas as fotos © Daniel Boa Nova Hypeness

10 lugares para explorar o verde em SP


A gente sabe que São Paulo ainda mantém dentro de si uma parte preciosa da Mata Atlântica, mas parece que no dia a dia nos esquecemos completamente dos recursos verdes mais interessantes da nossa cidade. 

Por que não tirar um tempinho para o explorar nas imediações da capital? 

Não é preciso ir tão longe assim para estar mais próximo da natureza.

São mais de 70 parques pela cidade, somando um total de 25 milhões de metros quadrados de área verde. 

Só na Serra da Cantareira são 64 mil hectares, expandidos entre a zona norte e outros três municípios vizinhos. 

Quem quiser observar a beleza da cidade lá do alto, pode recorrer ao Pico do Jaraguá, o ponto mais alto de São Paulo. Além disso, dá para fazer diversas trilhas e conhecer a vegetação e a fauna que ainda restam na metrópole. 

A variedade de parques é grande, mas por aqui selecionamos 10 lugares onde você pode curtir a natureza e fazer um roteiro diferente do habitual. Olha só:

1. Horto Florestal
Localizado no Tremembé, Zona Norte da capital, ocupa área de 174 hectares com playground, pista de cooper, bicas de água potável, lagos e Museu Florestal, além do antigo Palácio de Verão do Governo do Estado, aberto para visitação.
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2. Paranapiacaba
Em Santo André, a vila Paranapiacaba te transfere para outro mundo. Conhecida pelo seu festival de inverno, é um passeio bem diferente nas imediações de São Paulo, com vasto verde, diversas atrações culturais e ecológicas, como o Museu do Castelinho, o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba e a Casa da Memória. Também dá para agendar diversas trilhas e conhecer cachoeiras.
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3. Parque Estadual do Jaraguá
Parte da Mata Atlântica se encontra dentro dos 492 hectares do Parque Estadual Jaraguá. Marcado por vales, possui montanhas que chegam a 1.135 metros de altitude, vistas de várias partes da cidade. Nas trilhas, há chances de observar animais como macaco-prego e bicho-preguiça.
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4. Parque Ecológico do Guarapiranga
Ocupando parte da Represa do Guarapiranga, o parque ecológico também tem remanescentes da Mata Atlântica e é uma importante área de preservação. Se quer um passeio diferente, pode fazer a Trilha da Vida, feita de olhos vendados e pés descalços, com a intenção de estimular o paladar, o olfato, o tato e a audição, de acordo com as orientações de um monitor.
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5. Parque Estadual da Cantareira
Ao lado do Horto Florestal está o Parque da Cantareira, uma das maiores áreas de mata tropical nativa do mundo dentro de uma região metropolitana. Além de proteger os mananciais da Mata Atlântica, abriga espécies em extinção como a jaguatirica e o gato do mato. É lá também onde fica o Núcleo Pedra Grande, que fica a apenas 10 km em linha reta da Praça da Sé, e tem uma vista incrível.
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6. Viveiro Manequinho Lopes
Com visitas monitoradas mediante agendamento prévio, o viveiro dentro do Parque do Ibirapuera abre ao público a Estufa 3, onde são cultivadas várias espécies de plantas, como bromélias e orquídeas, pau-brasil e palmito Jussara. as como o pau-brasil e o palmito Jussara.
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7. Jardim Botânico
Com estufas, muitas árvores, alguns animais, lagos e trilha, o Jardim Botânico é um lugar tranquilo e bem bonito de se ver. É lá que se marcam as nascentes do riacho Ipiranga, onde é possível fazer uma trilha suspensa de fácil acesso, com três pontos de observação.
jardim botanico
8. Parque da Água Branca
Com aquário, museu geológico, pergolados, bambuzal, trilha do pau-brasil e outros atrativos, o Parque da Água Branca ocupa cerca de 137 mil metros quadrados, sendo que na entrada principal o que chama a atenção é um belo prédio em estilo normando, cercado de verde.
Dezembro 2012 - Parque Água Branca - São Paulo. Foto: Murillo Costantino
9. Jardim da Luz
Com espelhos d’água, gruta com cascata, esculturas e um museu, o Jardim da Luz é um ponto da cidade que não merece ser esquecido. Em frente à Estação da Luz e ao lado da Pinacoteca, o parque tem entre seus atrativos um aquário subterrâneo, que foi descoberto somente há poucos anos atrás e é aberto ao público.
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10. Parque do Carmo
Com viveiro, planetário e ciclovia entre seus atrativos, o Parque do Carmo tem um pedaço de vegetação importante para a cidade, com 242 espécies. Entre eles, possui cafezal, pomar e um bosque de cerejeiras-de-okinawa, que há 35 anos é símbolo da tradicional Festa das Cerejeiras, que celebra o florir da árvore, símbolo da comunidade nipônica.
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Fotos: Divulgação/Prefeitura Municipal de São Paulo e Governo do Estado; com exceção das fotos 6 (via) e 9 (via)

As energias SOLAR e EÓLICA são alternativas viáveis para o Brasil?



Sustentabilidade ambiental e eficiência energética são conceitos que ganharam força nas últimas décadas e são aplicáveis em todas as áreas do conhecimento. 

Na área de Engenharia Elétrica, dentro da perspectiva brasileira, devemos nos preocupar com as formas de geração, distribuição e uso racional e viável da energia. 

Esses conceitos podem ser vistos mais como uma alternativa ao desenvolvimento, do que um limitador.

Agora vamos nos restringir a apenas um aspecto citado acima: a geração de energia. 

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que “O Brasil tem sido exemplo mundial no uso de energias renováveis ao manter, desde os anos 1970 até 2009, uma matriz energética que oscila entre 61% (1971) e 41% (2002) originada de fontes renováveis”, indica a análise.

A geração de energia eólica está crescendo à taxa de 30% ao ano, com uma capacidade instalada a nível mundial de 157,9 mil megawatts (MW) em 2009, e é amplamente utilizada na Europa, Ásia e nos Estados Unidos. 

Mas será que tal fonte de energia pode ser usada no Brasil? Se sim, qual seria o melhor método de utilização? 

As aéreas de maior incidência solar ficam próximas aos grandes centros? 

É viável implementar uma política de pequenas centrais de produção de energia solar? Como o clima pode influenciar a incidência solar?


A energia eólica é muito usada atualmente na Dinamarca, Alemanha, Espanha e Estados Unidos. 

Um dos fatores limitantes para empreendimentos eólicos em território brasileiro tem sido a falta de dados consistentes e confiáveis. 

Uma parte significativa dos registros anemométricos disponíveis pode ser mascarada por influências aerodinâmicas de obstáculos, relevo e rugosidade. 

A disponibilidade de dados representativos é importante para o Brasil, que ainda não explorou esse recurso abundante e renovável de forma expressiva. 

É possível implementar a energia eólica de forma uniforme na Brasil? 

Como a topografia e a vegetação podem infuênciar na potência máxima de uma usina eólica? 

As pás das turbinas podem interferir na migração de pássaros? 

Como isso pode fazer a diferença na implementação de usinas?

Diante desses acontecimentos e questionamentos, colocamos em discussão a utilização parcial ou total de tais fontes energéticas em nosso país.

Eficiência no uso de água e energia é possível na agropecuária, segundo Embrapa

Fonte: Embrapa Pantanal 




A produção de alimentos é uma demanda crescente no mundo. 

Mas como produzir e lucrar cada vez mais sem agredir o meio ambiente, utilizando a água e os recursos naturais de forma racional e sustentável?

Estas e outras questões estão sendo solucionadas por pesquisadores da Embrapa Pantanal, que junto a produtores e parceiros desenvolvem projetos ligados à sustentabilidade da suinocultura no município de São Gabriel do Oeste, a 130 km de Campo Grande/MS.

A criação de uma unidade experimental de estudo, de 2009 a 2014, com apoio da COOASGO (Cooperativa Agropecuária de São Gabriel do Oeste), possibilitou produzir informações e difundir conceitos inovadores de sustentabilidade para a reciclagem de água e nutrientes na suinocultura com a integração lavoura, pecuária e floresta (iLPF).

O modelo da unidade experimental é composto por uma granja de 2000 suínos, sistema de captação de água das chuvas, biodigestor, motobomba para fertirrigação e gerador movidos a biogás, tudo funcionando de forma integrada. 

Segundo o Pesquisador da Embrapa Pantanal responsável pelo projeto de pesquisa, Ivan Bergier, o resultado obtido é o de uma produção mais renovável, com ganhos ambientais e socioeconômicos.

Aproveitamento de água das chuvas

A água das chuvas é captada nos telhados dos galpões de criação de suínos e direcionada por meio de canos hidráulicos para uma ou mais lagoas de armazenamento. Essa água estocada pode substituir a água de poços artesianos na dessedentação animal, limpeza racional das granjas e também na irrigação da iLPF.

Por exemplo, um telhado de galpão para 1000 suínos tem uma área de captação de aproximadamente 1200 metros quadrados. Em uma única chuva de 50 mm (50 litros por metro quadrado), esse telhado é capaz de captar em torno de 60 mil litros de água. 

Se considerarmos, durante um ano, um baixo volume acumulado de chuvas de 1000 mm, por exemplo, com um único galpão pode se armazenar e usar 1 milhão e 200 mil litros de água de chuva do ano, ao invés de retirar das reservas dos aquíferos. 

O investimento no sistema de captação e armazenamento vale como uma poupança de água que pode ser usada em períodos mais secos.

Dejetos viram energia

Já os dejetos dos suínos, que antes eram despejados no meio ambiente, hoje são biodigeridos. O processo de fermentação dentro dos biodigestores produz gás metano que ao ser usado no motogerador e motobomba, substituem o diesel na geração de energia mecânica e elétrica.

O efluente líquido do biodigestor é disperso nas culturas através da fertirrigação que pode substituir em grande medida a adubação mineral de áreas de iLPF. 

Essa "intensificação sustentável" pode ampliar os serviços ambientais na propriedade, tais como a regulação hídrica (manutenção dos aquíferos e qualidade de água superficial) e de estoque de carbono nos solos que tende a aumentar ao longo do tempo.


Lucros para o produtor e para a natureza

No processo tudo é convertido para a produção, e o que antes poderia vir a ser um problema ambiental é convertido em lucro para o produtor e inclusão social. A prática vem aumentando ganhos de produtividade agropecuária com baixos custos energéticos e hídricos.

As pesquisas indicam que os resíduos biodigeridos dos suínos funcionam como fertilizantes nobres na iLPF, com ganhos de produtividade e redução de externalidades ambientais, além de despertar a responsabilidade ambiental e interesse por parte dos produtores e governantes de investir em soluções para a gestão adequada de resíduos, já que o município está localizado na borda oeste do Pantanal (nascentes dos rios Taquari e Aquidauana) e sobre o Aquífero Guarani.


Projeto de pesquisa Embrapa/CNPq

As pesquisas tiveram início em 2009, por meio de projeto "Estruturação de rede de monitoramento e base compartilhada de dados de sistemas de produção integrada e intensiva sustentável (suinocultura-agrosilvipastoril) em assentamento de reforma agrária visando balanços favoráveis de água, energia e nutrientes", submetido e aprovado pelo CNPq/REPENSA (Redes Nacionais de Pesquisa em Agrobiodiversidade e Sustentabilidade Agropecuária).

São Paulo desbanca RJ em ranking global de sustentabilidade

Fernando Frazão / Viagem e Turismo



São Paulo – Quando as demandas e políticas ambientais, sociais e econômicas locais estão em pauta, o Rio de Janeiro (RJ) tem uma das piores performances entre as 50 principais cidades do mundo. 

É o que mostra estudo da consultoria Arcadis divulgado recentemente.

A capital fluminense aparece em 40º no ranking geral de sustentabilidade 2015 da Arcadis e em último na lista das cinco principais cidades da América Latina e Central que foram analisadas no estudo.

São Paulo (SP), por sua vez, aparece em 31º no ranking global e é a segunda melhor colocada entre as metrópoles latinas, mas ficou atrás de Kuala Lumpur, na Malásia, por exemplo.

O estudo afirma que os desafios das cidades brasileiras são evidentes. “As brasileiras Rio de Janeiro e São Paulo tiveram uma nota alta na subcategoria ‘Planeta’, mas foram impactadas pelas notas baixas em ‘Pessoas’ [que mede a qualidade de vida] e ‘Rendimentos” [que mede a economia e o ambiente de negócios]”, afirma o texto.

A categoria “Planeta” avalia o consumo de energia de cada cidade e a proporção de energia renovável usada, além de taxas de reciclagem de lixo, emissões de gases estufa, risco de catástrofes naturais e poluição do ar e sanitária.

Neste quesito, São Paulo ficou em 16º e Rio de Janeiro, em 17º. Com isso, as cidades brasileiras desbancaram até Nova York, nos Estados Unidos, neste aspecto. A metrópole americana ficou em 20º no ranking. A explicação para isso reside na qualidade da matriz energética brasileira, que é predominantemente renovável.

Mas os aspectos sociais, de infraestrutura e econômicos seguem como os principais entraves para o desenvolvimento das cidades brasileiras. “São Paulo ainda está perdendo algumas soluções importantes”, afirma o texto. 

Segundo o estudo que deu destaque para a capital paulista, o “Custo Brasil” impede a principal metrópole do país de se posicionar “como um alvo dos negócios internacionais”.

A cidade também falha em atrair investimentos privados e “no desenvolvimento de uma força de trabalho mais qualificada, bem como na busca por adotar novas tecnologias para melhorar a eficiência do design, controle e avaliação da infraestrutura urbana”, diz o estudo.

Veja como ficou o desempenho das duas cidades brasileiras nos três índices: 

RankingSão PauloRio de JaneiroCritérios
Ranking Geral3140Combina os três pilares abaixo. 
Ranking Pessoas3946Infraestrutura de transportes, saúde, educação, desigualdade, qualidade de vida, proporção de espaços verdes na cidade
Ranking- Planeta1617Consumo de energia de cada cidade e a proporção de energia renovável usada, além de taxas de reciclagem de lixo, emissões de gases estufa, risco de catástrofes naturais e poluição do ar e sanitária
Ranking Rendimento3946Infraestutura de transportes (qualidade do transporte público e tempo médio para chegar ao trabalho), facilidade para fazer negócios, a importância da cidade em redes de negócios globais, PIB, custo de vida e eficiência energética.

“Nestas cidades, as áreas de desenvolvimento potencial são claras, mas isso também sugere que a sustentabilidade pode ser mais sensível à evolução das circunstâncias econômicas ou mudanças nas políticas ambientais”, afirma o texto sobre o desempenho das cidades dos países em desenvolvimento. 

A Europa, por outro lado, domina as primeiras posições do ranking. Veja: 

Posição no Ranking GeralCidadePaís
1FrankfurtAlemanha
2LondresInglaterra
3CopenhageDinamarca
4AmsterdãHolanda
5RotterdamHolanda
6BerlinAlemanha
7SeulHolanda
8Hong KongChina
9MadriEspanha
10SingapuraSingapura


Fonte: www.exame.abril.com.br

Itaú capta R$1bi do IFC e bancos para projetos de baixo carbono


The 30MW Alto Casillas in Spain, part of EGP's worldwide 4.3GW wind portfolio
Parque de Alto Casillas da Enel na Espanha, que é a única empresa financiada pelo IFC no Brasil

Por Alexandre Spatuzza em São Paulo 

O banco Itaú Unibanco capto R$1 bilhão (US$400 milhões) junto ao IFC, ao Bank of America Merrill Lynch, ao alemão Commerzbank e ao japonês Mizuho para financiar projetos privados de redução de emissões de gases efeito estufa, inclusive energias renováveis.

O dinheiro financiará projetos de energia eólica e solar, de captação de água e tratamento de esgoto e eficiência energética.

A tranche to IFC será de US$100 milhões com prazo de cinco anos e juros de Libor +1.4% e a tranche dos outros três bancos será de US$300 milhões – US$100 milhões cada – com prazo de três anos a um taxa de Libro +1.2%.

Apesar do custo deste financiamento ser mais barato que os cerca de 7% ao ano do BNDES, o prazo não pode ser comparável já o BNDES oferece prazos de 16 anos para projetos eólicos.

“Esta captação se alinha à política do Itaú Unibanco, de promover a melhora da qualidade da matriz energética do país”, disse Candido Bracher, CEO do Itaú BBA.

O anúncio segue uma operação, divulgada no ano passado, de US$100 milhões entre o banco e a Italiana Enel Green Power (EGP) para o desenvolvimento de 260MW eólicos os estados da Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Em 2013, EGP já tinha conseguido financiamento de US$200 milhões do IFC para seus projetos eólicos, a única operação para o setor da instituição multilateral.

O anúncio se dá em meio a expectativas de aumento das taxas do BNDES como parto do esforço de fiscal do governo federal.

O BNDES é responsável hoje mais 70% de todo o financiamento de longo prazo, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Para o setor eólico, o BNDES é a principal fonte de financiamento, oferecendo empréstimos para desenvolvedores de parques e para a aquisição de aerogeradores com conteúdo local mínimo. 

Em 2014, o banco aprovou R$6,6 bilhões em financiamentos para o setor.

No início deste ano, o banco aprovou uma operação R$26 milhões para a construção da primeira fábrica de painéis solares fotovoltaicos no país.