José Goldemberg ganha prêmio internacional

Frances Jones, da Agência FAPESP












O físico José Goldemberg, que já foi ministro da Educação, secretário do Meio Ambiente da Presidência da República e reitor da Universidade de São Paulo (USP), obteve em janeiro mais um reconhecimento internacional. 

Ele foi o vencedor do Prêmio Zayed de Energia do Futuro (Zayed Future Energy Prize) na categoria Life achievement, concedido a profissionais de destaque na área de energia renovável.

Das mãos do xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Goldemberg recebeu o prêmio no valor de US$ 500 mil em uma cerimônia na capital dos Emirados Árabes Unidos (EAU).

“Fiquei admirado por ter recebido o prêmio, porque não só é um reconhecimento do trabalho científico que tenho feito, mas também de que a bioenergia é um ingrediente importante para um futuro sustentável”, disse Goldemberg à Agência FAPESP.

Este é o quinto ano em que o prêmio é concedido pela fundação criada pelo filho e sucessor do xeique Zayed bin Sultan Al Nahyan, fundador dos EAU, falecido em 2004.

Nos outros anos, segundo Goldemberg, o prêmio laureava em geral trabalhos em energia fotovoltaica e eólica e sobre conservação de energia.

“É a primeira vez que eles premiam alguém cujo trabalho principal não foi nessa área, mas em bioenergia, o que chama atenção, porque se trata de um prêmio concedido no Oriente Médio”, disse. Os Emirados Árabes têm uma das dez maiores reservas de petróleo no mundo.

O júri deste ano foi composto por personalidades como o presidente da Islândia, Ólafur Ragnar Grímsson, a ex-reitora do Massachusetts Institute of Techology (MIT) Susan Hofkfield e o ator e ativista norte-americano Leonardo DiCaprio. Foram avaliados o impacto, a inovação, a visão a longo prazo e a liderança nas áreas de energia renovável e sustentabilidade ao longo da carreira dos indicados.

Além da premiação conquistada por Goldemberg, voltada para indivíduos, o prêmio tem categorias voltadas a pequenas e médias empresas, escolas de ensino médio, organizações não governamentais e grandes empresas, vencida este ano pela Siemens. No total, a Masdar, a Companhia de Energia do Futuro de Abu Dhabi, distribuiu US$ 4 milhões em prêmios.

Masdar também é o nome do bairro de Abu Dhabi inteiramente movido a energia solar, situado a cerca de 10 quilômetros do centro da cidade. “É tudo high tech, alta tecnologia”, contou Goldemberg, que visitou o local. “É caro também. Mas essas coisas no começo são caras e depois o preço vai caindo.”

Sustentabilidade

De acordo com Goldemberg, o prêmio é um estímulo para a procura de um futuro mais sustentável. “Eles querem prestigiar empresas ou pessoas que estejam trabalhando para a sustentabilidade, porque essa é que era a visão do velho xeique [Zayed bin Sultan Al Nahyan].”

Em 2007, a revista Time escolheu Goldemberg como um dos “heróis do meio ambiente”. Em 2008, ele recebeu o Planeta Azul, da Asahi Glass Foundation, do Japão, um dos mais importantes em ecologia, entre outros motivos por sua importante participação na realização da Rio 92.

“Tenho uma carreira longa. Entrei na área de energia já com 40, 50 anos de idade. O que me impressionou é que o conforto que uma parte importante da humanidade tem hoje é baseado no uso de combustíveis fósseis”, afirmou Goldemberg, que iniciou a carreira como físico nuclear. “Toda a civilização que temos – a civilização do século 20 – é baseada em combustíveis fósseis. E essa situação não pode durar.”

“É preciso procurar soluções sustentáveis. E soluções sustentáveis são energias que vêm do Sol, por exemplo”, disse.

Na área de bionergia, no fim dos anos 1970, Goldemberg publicou na revista Science um artigo no qual calculou a quantidade de energia consumida por três plantas – mandioca, sorgo-doce e cana de açúcar – para produzir o etanol, mostrando a eficiência da cana na comparação.

“Ajudei a identificar as características positivas da bioenergia. O pessoal produzia açúcar e etanol há 30 anos, mas não tinha se dado conta de que etanol é no fundo energia solar transformada em um líquido. Meu trabalho publicado na Science mostrou isso: etanol é no fundo energia solar convertida em líquido”, disse.

Mais informações sobre o prêmio: 



(Agência FAPESP)

Novos ângulos para uma antiga paixão: vídeo sobre o Rio faz sucesso na internet

“Tempo do Rio” retrata o astral da cidade que une natureza exuberante à agitação de uma metrópole em ascensão


Mistura de cores e ritmos da Cidade Maravilhosa é capturada no vídeo "Tempo do Rio" (Foto: Divulgação)

Captar o astral de uma cidade em sua fase áurea, que mistura paisagens de tirar o fôlego com a rotina acelerada de uma metrópole em ascensão, é o mote de um vídeo que anda conquistando internautas dentro e fora do Brasil. 

“Tempo do Rio”, que está “em cartaz” desde dezembro na grande rede, testa novos ângulos para uma antiga e extensamente retratada paixão: o Rio de Janeiro.

Pelos olhos de dois fotógrafos, um de São Paulo e outro de Recife, a produção mostra a inesgotável fonte de belas e inovadoras imagens que é a Cidade Maravilhosa. 

Com técnicas de captura de imagem como o slow motion, o time lapse e o hyper lapse, os autores mostram locais históricos, pontos turísticos e a intensa rotina dos moradores da cidade-sede do maior evento esportivo do planeta em 2016.

“Adoramos viver no Rio de Janeiro e saber que nossa produção realmente comunicou nosso amor pela cidade. A beleza que nela existe nos deixa muito feliz”, afirma Gustavo Pellizzon, co-produtor ao lado do sócio Marcos Michael. 

O vídeo já conta com mais de 250 mil visualizações na internet.

Assista!

Fonte: www.rio2016.com

Moda e Meio Ambiente

TV Ser Sustentável com Estilo


Sabe a roupa que você está vestindo agora? Antes de chegar a você, ela passou por vários processos. Mas, o que nem todo mundo sabe, é que alguns deles deixam rastros nada bons para o meio ambiente. 

Mas é possível reduzir os impactos que a produção de tecido e vestuários ocasiona. Nesse episódio da #TVSSE, você vai conhecer um exemplo de uma malharia que se preocupa com o meio ambiente. 

Chiara Gadaleta mostra o dia a dia sustentável da malharia Lunelli. 

A equipe foi para Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, para ver de perto como uma empresa pode cuidar da natureza a sua volta sem nunca perder o estilo.

*O canal Ser Sustentável com Estilo (SSE) reúne os melhores vídeos publicados no site da Chiara Gadaleta, que fala de moda ética, preocupada com o consumo consciente, com o artesanato, comércio justo, reciclagem e todas as questões do desenvolvimento sustentável.
(TV Ser Sustentável com Estilo)

Apoio a pesquisas em química sustentável

Agência FAPESP
A FAPESP e a International Union of Pure and Applied Chemistry (Iupac) lançaram chamada de propostas para apoiar projetos de pesquisa em química sustentável.


A chamada foi lançada juntamente com a National Science Foundation (NSF), dos Estados Unidos, a Fundação Alemã de Pesquisa Científica (DFG), da Alemanha, e a Fundação Nacional de Ciências Naturais da China (NSFC).

O tema da chamada é “Novos enfoques na teoria e síntese moleculares e supramoleculares para a catálise sustentável”. O objetivo é alimentar a cooperação internacional em química sustentável, sendo os pesquisadores elegíveis ao apoio financeiro por parte de suas respectivas agências de fomento à pesquisa.

O programa é desenhado para equipes de três a quatro pesquisadores principais, englobando até três países. Cada equipe pode submeter apenas uma única proposta conjunta de projetos de até três anos.

As propostas deverão: introduzir novas abordagens para o desenvolvimento de novos catalisadores, em que elementos raros sejam substituídos por elementos abundantes e de fácil extração; e endereçar algum problema ambiental significativo.

Grupos de pesquisa interessados em submeter propostas no âmbito da chamada devem enviar formulário de interesse até 1º de fevereiro de 2013.

O financiamento das propostas selecionadas deverá ter início em janeiro de 2014.

Mais informações: www.fapesp.br/7446

(Agência FAPESP)

Bancada ruralista se articula para derrubar vetos ao Código Florestal


José Carlos Oliveira, da Agência Câmara Notícias





Mal entrou em vigor, o novo Código Florestal (Lei 12.651/12) inicia 2013 em meio a polêmicas. No Congresso, a bancada ruralista se articula para derrubar os vetos da presidente da República, Dilma Rousseff, ao texto.

O vice-líder do DEM e integrante da Frente Parlamentar do Agronegócio, deputado Ronaldo Caiado (GO), quer aproveitar a análise de mais de 3 mil vetos presidenciais, que o Congresso poderá fazer em fevereiro, para resgatar o texto aprovado pelos parlamentares, sobretudo quanto à recuperação de áreas de preservação permanente (APPs).

“Foi acordado que a recuperação das áreas que já estão produzindo teriam uma escala em menor proporção, ou seja, elas teriam de ser avaliadas sobre a real necessidade de sua preservação. 

E, no caso dos cursos d’água acima de 10 metros, teríamos uma graduação menor na metragem. Esse foi o acordo feito e que, infelizmente, não foi respeitado pela presidente”, argumenta Caiado.

Vetos

O projeto original (PL 1876/99) do novo código, aprovado pelos parlamentares em maio do ano passado, já havia sofrido vetos parciais, que foram complementados pela Medida Provisória 571/12. 

Essa MP (convertida na Lei 12.727/12), porém, após ser modificada pelos parlamentares, também teve nove itens vetados por Dilma, em outubro, sob o argumento de não anistiar desmatadores e garantir a inclusão social no campo.

Desde então, um decreto presidencial resgatou a chamada “escadinha”, que traz regras diferentes de recomposição das margens desmatadas de rios, de acordo com o tamanho da propriedade.

Ministério Público

O novo Código Florestal também é alvo de três ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) movidas pela Procuradoria Geral da República (PGR), no Supremo Tribunal Federal (STF). 

O Ministério Público questiona vários dispositivos da nova lei, entre eles a definição de APPs, a redução da reserva legal e a chamada anistia para quem desmatou até julho de 2008. O Partido Verde divulgou nota em apoio à iniciativa dos procuradores.

O coordenador de política e direito do Instituto Socioambiental, Raul do Valle, avalia que, apesar do atual momento de insegurança jurídica, o pior cenário seria a manutenção de uma lei que, segundo ele, possui itens inconstitucionais e que afetam o equilíbrio ecológico. 

“Não há dúvida de que haverá insegurança jurídica. Esse é o preço que os parlamentares que quiseram aprovar essa lei colocaram para a sociedade.”

Valle lembra que, na história recente do Supremo, poucos casos de relevância e complexos como a legislação ambiental foram decididos rapidamente. “Então, nesse contexto, acho que o ideal é implementar a lei e aguardar o que vai mudar. 

Acho difícil o STF derrubar a lei inteira, mas, muito provavelmente, retirará alguns pontos importantes, sobretudo no que diz respeito à anistia”, complementa.

Nas ações encaminhadas ao Supremo, o Ministério Público pede a concessão de liminar para a suspensão imediata dos dispositivos questionados no novo código, até o julgamento final do caso.

(Agência Câmara de Notícias)

As mudanças climáticas e o mito do progresso humano


Chris Hedges*
Clive Hamilton em seu “Réquiem por uma Espécie: Por que resistimos à verdade sobre a mudança climática”, descreve um alívio sombrio que vem de aceitar que a “catastrófica mudança climática é praticamente certa”. 
Esta obliteração de “falsas esperanças”, diz ele, exige um conhecimento intelectual e um conhecimento emocional. O primeiro é atingível. 

O segundo, por significar que aqueles que amamos, incluindo os nossos filhos, estão quase certamente fadados à miséria, insegurança e sofrimento dentro de 

poucas décadas, senão de alguns anos, é muito mais difícil de adquirir. Aceitar emocionalmente um desastre iminente, atingir a compreensão visceral que a elite do poder não vai responder de forma racional à devastação do ecossistema, é tão difícil de aceitar como nossa própria mortalidade. 

A luta existencial mais difícil do nosso tempo é a de ingerir esta terrível verdade – intelectualmente e emocionalmente – e continuar a resistir às forças que estão nos destruindo.

A espécie humana, liderada por europeus e euro americanos brancos, tem sido um alvoroço de 500 anos de conquistas, saques, pilhagens, explorações e poluições da Terra, bem como matando as comunidades indígenas que estavam no caminho. 

Mas o jogo acabou. As forças técnicas e científicas que criaram uma vida de luxo sem precedentes – bem como inigualável poder militar e econômico – para as elites industriais agora são nossa desgraça. A mania de expansão econômica e de exploração incessante tornou-se uma maldição, uma sentença de morte. 

Mas assim como nossos sistemas econômicos e ambientais desvendam-se, após o ano mais quente em 48 estados desde que a manutenção de registros começou há 107 anos, não temos a criatividade emocional e intelectual para desligar o motor do capitalismo global. 

Juntamos-nos a uma máquina do fim do mundo que tritura tudo em seu caminho, como o projeto de relatório do Comitê Consultivo Nacional do Clima e Desenvolvimento ilustra. Ilustração por Mr. Fish.

Civilizações complexas têm o mau hábito de destruírem-se. Antropólogos, incluindo Joseph Tainter em “O Colapso das Sociedades Complexas”, Charles L. Redman em “Impacto Humano em Ambientes Antigos” e Ronald Wright, em “Uma Breve História do Progresso” estabeleceram os padrões familiares que levam ao colapso do sistema. 

A diferença desta vez é que, quando descermos, todo o planeta irá conosco. Não haverá, com este colapso final, novas terras para explorar, nem novas civilizações para conquistar, nem novos povos para subjugar. 

A longa luta entre a espécie humana e a Terra terminará com os remanescentes da espécie humana aprendendo uma dolorosa lição sobre a ganância desenfreada e a autoadoração.

“Há um padrão no passado da civilização após civilização desgastando suas boas-vindas da natureza, superexplorando seu ambiente, super expandindo-se, super povoando”, disse Wright quando fiz contato com ele por telefone em sua casa em British, Columbia, Canadá. 

“Eles tendem a entrar em colapso pouco depois de chegarem ao seu período de maior esplendor e prosperidade. Esse padrão vale para uma série de sociedades, entre eles os romanos, os antigos maias e os sumérios do que é hoje o sul do Iraque. Há muitos outros exemplos, incluindo sociedades de menor escala como a Ilha de Páscoa. 

As mesmas coisas que fazem com que as sociedades prosperem no curto prazo, especialmente novas maneiras de explorar o ambiente, tais como a invenção da irrigação, levam ao desastre no longo prazo por causa de complicações imprevistas.

Isto é o que eu chamei de “armadilha do progresso” em “Uma Breve História do Progresso”. Temos colocado em movimento uma máquina industrial de tal complexidade e tal dependência em expansão que não sabemos como fazer com menos ou mudar para um estado de equilíbrio em termos de nossas demandas da natureza. 

Nós temos falhado em controlar o número de humanos. Eles triplicaram durante minha vida. E o problema é muito pior pelo crescente espaço entre ricos e pobres, a concentração de riqueza garante que nunca tem o suficiente para todos. 

O número de pessoas em extrema pobreza, hoje, é cerca de dois bilhões, maior do que toda a população do mundo no início de 1900. Isso não é progresso”.

“Se continuarmos a não tomar conta das coisas de uma forma ordenada e racional, iremos a algum tipo de catástrofe, mais cedo ou mais tarde”, ele disse. “Se tivermos sorte, será grande o suficiente para nos despertar em todo o mundo, mas não grande o suficiente para nos eliminar. Isso é o melhor que podemos esperar. 

Devemos transcender a nossa história evolutiva. Nós somos caçadores da Idade do Gelo, de barba feita e vestindo um terno. Nós não somos bons pensadores para longo prazo. 

Nós gostaríamos de desfiladeiro sim nos de mamutes mortos conduzindo um rebanho de um penhasco que descobrir como conservar o rebanho para que ele possa alimentar a nós e aos nossos filhos para sempre. Isto é a transição que nossa civilização tem que fazer. E nós não estamos fazendo isso.”

Wright, que em seu romance “Um Romance Científico” pinta um retrato de um mundo futuro devastado pela estupidez humana, cita “arraigados interesses políticos e econômicos” e uma falha da imaginação humana, como os dois maiores obstáculos à mudança radical. 

E todos nós, que usamos combustíveis fósseis, que nos sustentamos através da economia formal, diz ele, estamos em Sociedades capitalistas modernas, Wright argumenta em seu livro “O que é a América?: 
Uma Breve História da Nova Ordem Mundial”, derivam de invasores Europeus, a pilhagem das culturas indígenas das Américas do 16 ao século 19, juntamente com o uso de escravos africanos como uma força de trabalho para substituir os nativos.

Os números desses nativos caíram mais de 90% por causa da varíola e outras pragas que não existiam antes. Os espanhóis não conquistaram nenhuma das principais sociedades até a varíola os atingir; de fato, os astecas os venceram de primeira. 

Se a Europa não foi capaz de aproveitar o ouro das civilizações asteca e inca, se não tivesse sido capaz de ocupar a terra e adotar culturas altamente produtivas do Novo Mundo para uso em explorações agrícolas europeias, o crescimento da sociedade industrial na Europa teria sido muito mais lento. 

Karl Marx e Adam Smith chamaram atenção para o fluxo de riqueza das Américas como tendo feito a Revolução Industrial e possível o início do capitalismo moderno. Foi o estupro das Américas, ressalta Wright, que acionou a orgia de expansão europeia. 

A Revolução Industrial também equipou os europeus com sistemas de armas tecnologicamente avançados, criando mais subjugação e pilhagem, tornando a expansão possível.

“A experiência de 500 anos relativamente fáceis de expansão e colonização, a constante assunção de novas terras, levou ao mito capitalista moderno que você pode expandir para sempre”, disse Wright. “É um mito absurdo. Nós vivemos neste planeta. 

Nós não podemos deixá-lo e ir para outro lugar. Temos que trazer nossas economias e demandas da natureza dentro dos limites naturais, mas nós tivemos 500 anos em que os europeus, euro americanos e outros colonos invadiram o mundo e o dominaram. 

Esta execução de 500 anos fez com que a situação parecesse não só fácil, como normal. Nós acreditamos que as coisas vão sempre ficar maior e melhor. Temos que entender que este longo período de expansão e prosperidade era uma anomalia. Ele raramente aconteceu na história e nunca vai acontecer de novo. Temos que reajustar nossa civilização inteira para viver em um mundo finito. 

Mas nós não estamos fazendo isso, porque nós estamos carregando bagagem demais, versões míticas demais da história deliberadamente distorcidas e um sentimento profundamente arraigado de que ser moderno é ter mais. 

Isto é o que os antropólogos chamam uma patologia ideológica, uma crença autodestrutiva que leva sociedades a se destruírem e queimarem. Estas sociedades continuam fazendo coisas que são realmente estúpidas, porque elas não podem mudar sua maneira de pensar. E é aí que nós estamos”.

E, enquanto o colapso se torna palpável, se a história humana é um guia, nós como sociedades passadas em perigo vamos recuar em que os antropólogos chamam de “cultos de crise.” 

A impotência que sentiremos do caos ecológico e econômico irá desencadear delírios mais coletivos, como a crença fundamentalista em um deus ou deuses que vão voltar à Terra e nos salvar.

“Sociedades em colapso muitas vezes acreditam que se certos rituais são realizados todas as coisas ruins vão embora”, disse Wright. “Há muitos exemplos disso ao longo da história. 

No passado, estes cultos de crise aconteceram entre as pessoas que haviam sido colonizadas, atacadas e mortas por pessoas de fora, que perderam o controle de suas vidas. Eles veem nesses rituais a capacidade de trazer de volta o mundo passado, o que enxergam como uma espécie de paraíso. 

Eles procuram voltar ao modo de como as coisas eram. Cultos de crise espalharam-se rapidamente entre as sociedades americanas nativas no século 19, quando os búfalos e os índios estavam sendo mortos, por fuzis e pistolas, armas de fogo. 

As pessoas passaram a acreditar, como aconteceu no Ghost Dance, que se fizessem as coisas certas, o mundo moderno, que era intolerável, – o arame farpado, as ferrovias, o homem branco, a metralhadora – desapareceria”.

“Nós todos temos a mesma fiação psicológica básica”, disse Wright. “Isso nos faz muito mal em planejamento de longo prazo e nos leva a apegar-nos a ilusões irracionais, quando confrontado com uma ameaça séria. 

Olhe para a crença da extrema direita de que se o governo desaparecesse, o paraíso perdido da década de 1950 iria voltar. Olhe para a forma de como estamos deixando a exploração de petróleo e gás seguir em frente, quando sabemos que a expansão da economia do carbono é suicida para os nossos filhos e netos. 

Os resultados já podem ser sentidos. Quando se chega ao ponto onde grande parte da Terra experimenta quebra de safra ao mesmo tempo, teremos fome e colapsos em massa. Isso é o que está por vir se não lidarmos com as mudanças climáticas.”

“Se falharmos neste grande experimento, esta experiência de macacos se tornarem inteligentes o suficiente para assumir o comando do seu próprio destino, a natureza não se importará e dirá que foi divertido por um tempo deixar os macacos executar o laboratório, mas no final foi uma má ideia”, disse Wright.

* Chris Hedges é colunista para Truthdig.com. Hedge se formou em Harvard Divinity School e foi durante quase duas décadas correspondente estrangeiro para o New York Times. 

Ele é o autor de muitos livros, incluindo: A Guerra É Aquela Força Que Nos Dá Sentido, O Que Todos Deveriam Saber Sobre Guerra, e Fascistas Americanos: A Direita Cristã e a Guerra na América. Seu livro mais recente é Império da Ilusão.


(Carta Maior)

Empresa brasileira investe em customização de roupas


CicloVivo
A customização pode ser feita para renovar a cor de uma peça descorada, mudar totalmente sua cor ou simplesmente cobrir manchas. | Foto: Restaura Jeans

Quem ama não joga fora. Esse é um dos slogans utilizados pela Restaura Jeans que define uma opção de vida mais sustentável e ecologicamente correta.

“Somos procurados por quem ama sua roupa e não quer perdê-la; por quem quer customizar peças e sair com algo exclusivo e também por quem tem consciência ecológica e sabe que a tendência mundial é a de aproveitar bem os recursos que temos, incluindo as roupas”, comenta Denice Conrad, diretora de produção da rede Restaura Jeans.

Restaura Jeans é uma empresa que possui mais de 200 lojas e pontos de coleta especializados no cuidado com as roupas. 

Tingimento, customização, costura, lavanderia e cuidados especiais com peças de couro – que incluem bolsas e calçados – estão disponíveis nas lojas.

A indústria de pigmentos apostou na tecnologia para criar cores, texturas e efeitos e transformou o ato de tingir roupas em um hábito de quem procura economia, diferenciação e cuidado com o meio ambiente.

O processo de tingimento da Restaura Jeans é industrial, ou seja, o mesmo utilizado pelas confecções no tingimento de peças novas. São mais de 50 opções de cores e efeitos, sendo que há lançamentos o ano todo. 

“A indústria de pigmentos para tecidos está intimamente ligada à moda. Assim como nas coleções dos estilistas e confecções, o tingimento também tem suas coleções, que podem incluir detalhes – como bigodes (aqueles riscos horizontais nas calças jeans), desbotamento, aplicação de resinas e brilho”, explica.

O tingimento pode ser feito em qualquer peça que tenha no mínimo 60% de algodão. Pode ter várias finalidades, como renovar a cor de uma peça descorada, mudar totalmente sua cor ou simplesmente cobrir manchas.

Em relação aos tecidos podem-se tingir jeans, sarja, veludo, moleton, plush, cotton, crochê, toalhas e redes com no mínimo 50% de algodão em sua composição. Tecidos como lã acrílica, lã natural, poliéster, lycra, suplex e sintéticos em geral não suportam o processo de tingimento.

Peças de vestuário à decoração podem ser tingidas. Desde as mais básicas vestimentas até tapetes, colchas, cortinas, redes de descanso, toalhas e roupões. “Peças de crochê, sejam de uso pessoal ou para decoração, ficam lindas com tingimento”, sugere Denice.

Em geral, as peças de algodão, entre elas os jeans, não encolhem, porém um “ajustamento” pode ocorrer e, normalmente, elas voltam ao tamanho original depois de vestidas. 

“Esse risco é maior em peças com fios de trama mais aberta e solta, ou que tenham poliéster em sua composição. Quando isso ocorre, na maioria dos casos o problema é solucionado com sua colocação sobre um manequim de ar quente que infla a peça, fazendo-a voltar ao tamanho original”, explica.

Tingir uma peça representa uma economia ecologicamente correta, pois para tingir usa-se menos matéria-prima do que na confecção de uma peça nova, além de a despesa ser bem menor. 

Toda a água usada no processo de tingimento é tratada antes de voltar ao meio ambiente. “Outra vantagem de tingir é a durabilidade da cor que, pelo processo totalmente industrial, pode ser igual ou superior a uma peça nova”, garante a diretora de produção da empresa. 

Consulte a relação das lojas no site.

(CicloVivo)