Gestão do lixo - Coleta seletiva

Apesar da importância que tem para o processo de reciclagem, a coleta seletiva só existe em 443 cidades brasileiras (8% do total), segundo uma pesquisa feita pela associação Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE).

Ana Nascimento/ABr













Latas de reciclagem em frente ao Ministério da Educação, colocadas no lançamento do programa Reeducar para Conservar

O estudo revelou ainda que cerca de 22 milhões de brasileiros têm acesso a programas municipais de coleta seletiva. Mas, apesar de o número de programas ter dobrado no Brasil entre 2000 e 2008 (passou de 451 para 994) na maior parte das cidades do País, o serviço não cobre mais que 18% da população local, segundo o IBGE.

O custo da coleta seletiva também é alto, se comparado ao da coleta convencional. O preço médio da coleta seletiva nas grandes cidades calculado pela pesquisa do CEMPRE foi de R$ 376,20. Já a coleta regular de lixo custa, em média, R$ 85,00, quatro vezes menos. 

As prefeituras realizam a coleta seletiva dos resíduos sólidos em 52% das cidades pesquisadas; empresas particulares executam a coleta em 26%. 

Mais da metade (62%) apoia ou mantém cooperativas de catadores como agentes executores da coleta seletiva municipal. 

Para preparar a sociedade brasileira para uma mudança de comportamento em relação à coleta seletiva do lixo e ressaltar os benefícios ambientais, sociais e econômicos do reaproveitamento dos resíduos sólidos para o Brasil, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) realiza a campanha “Separe o lixo e acerte na lata”. 

Um dos objetivos da campanha é divulgar as soluções propostas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) como mecanismo de logística reversa: uma vez descartadas, as embalagens são de responsabilidade dos fabricantes, que devem criar um sistema para recolher e reciclar o produto. 

“É necessário ampliar a coleta seletiva e associá-la ao instrumento de logística reversa”, disse o diretor da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do ministério, Silvano Silvério.

Para a diretora-executiva da Brasil Ambiental, empresa que oferece soluções na gestão de resíduos, Marialva Lyra, “ainda há muito que fazer no setor de coleta seletiva no Brasil, mas o País tem avançado bastante”.

A Brasil Ambiental, que faz parte do Grupo Ambipar - que atua há mais de 100 anos na gestão de resíduos - e atende empresas dos setores de petróleo e gás, siderurgia, mineração, alimentício e químico. 

A empresa recolhe resíduos industriais, domiciliares, de saúde, aeroportos e portos. 

Com exceção dos resíduos de saúde, que não podem ser reciclados, os demais são transformados em novos materiais, como vassouras, no caso dos plásticos, e compostos para a agricultura, no caso dos orgânicos. 

“Todo material fabricado a partir dos resíduos é doado para ações socais”, explica a diretora.

Fontes:

EDP Bandeirante realiza atividades educativas durante o Verão em São Sebastião e Caraguatatuba

Carreta itinerante do projeto Boa Energia nas Escolas traz uma maneira divertida de ensinar sobre Eficiência Energética e Inovação. Entre os dias 10 de janeiro a 03 de fevereiro, o caminhão levará informações sobre eficiência energética e inovação de uma maneira divertida e lúdica às crianças.

Mogi das Cruzes - Neste Verão, as crianças e jovens dos municípios de São Sebastião e Caraguatatuba poderão desfrutar das atividades da carreta itinerante do projeto Boa Energia nas Escolas da EDP Bandeirante, distribuidora de energia elétrica do Grupo EDP no Brasil, que tem o apoio do Instituto EDP e parceria das Prefeituras.

Entre os dias 10 de janeiro a 03 de fevereiro, o caminhão levará informações sobre eficiência energética e inovação de uma maneira divertida e lúdica às crianças.

De médio porte, customizado e adaptado para uma unidade móvel de ensino, o caminhão é equipado com uma maquete interativa que simula o consumo de uma residência, uma bicicleta geradora de energia, além de outros experimentos sobre energia elétrica.

O público em geral e as crianças que visitarão a unidade serão acompanhadas por uma equipe de monitores devidamente uniformizada e treinada para transmitir informações básicas sobre a energia elétrica e os caminhos que ela percorre até chegar às residências, bem como a melhor forma de usar a eletricidade com segurança e sem desperdício.

O caminhão faz parte do programa Boa Energia nas Escolas, parceria da área de Eficiência Energética e Instituto EDP. 

Durante o período escolar de 2012, o projeto que leva capacitação sobre eficiência energética e inovação a professores e alunos de escolas municipais esteve presente nas cidades de Aparecida, Roseira, Lorena, Guaratinguetá, São José dos Campos, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Poá, Mogi das Cruzes, Caraguatatuba e São Sebastião.

Confira o que o caminhão oferece:

Maquete interativa e casa de consumo - um painel com os principais cômodos e eletrodomésticos simulam o consumo de uma residência.

Lousa interativa e jogos e atividades - comanda por um computador e um projetor multimídia, a lousa possibilita muita interatividade e atualização constante dos conteúdos e aplicativos.

Bicicleta geradora de energia - o movimento do pedal da bicicleta transforma energia mecânica em energia elétrica, gerando até 100 watts.

Arco voltaico / Chispa - um arco voltaico é resultante de uma ruptura de um gás a qual produz uma descarga a uma fagulha instantânea, simulando a energia em movimento.

Diferença de consumo entre lâmpadas (LFC x incandescente) - ao acionar o interruptor para um lado e para o outro lado é capaz de verificar que lâmpadas mesmo de diferentes consumos podem ter a mesma luminosidade.

Pilha humana - quando encostamos as mãos sobre as placas, fechamos por meio de nosso corpo um circuito eletrolítico capaz de gerar uma corrente elétrica.

Gerador de Van Der Graaf - o atrito é capaz de gerar eletricidade estática. Ao tocar no globo, a eletricidade estática faz arrepiar o cabelo.

SERVIÇO

Caminhão Itinerante do Projeto Boa Energia nas Escolas em São Sebastião

Data: 10 a 13 de janeiro e 17 a 20 de janeiro, das 10 às 17 horas

Local: Praça Elpidio Romão Teixeira, esquina com a Rua Hilarião C. de Matos (em frente à Escola Estadual Valkir Vergane) – bairro Boiçuganga / São Sebastião

Caminhão Itinerante do Projeto Boa Energia nas Escolas em Caraguatatuba

Data: 24 a 27 de janeiro, das 10 às 17 horas

Local: Praça Anizia Francisca de Jesus – bairro Perequê Mirim / Caraguatatuba

Data: 31 de janeiro a 03 de fevereiro, das 10 às 17 horas

Local: Praça José Marcos de Melo (Praça de Skate) – bairro Massaguaçu / Caraguatatuba

Portal interativo para conscientizer sobre o uso eficiente da energia

O programa Boa Energia nas Escolas conta com mais uma ferramenta educacional para o ensino sobre energia: um site totalmente interativo e lúdico. 

O espaço tem como objetivo ampliar a divulgação do ensino do tema energia e consumo eficiente entre crianças e jovens.

Jogos como o labirinto "Ajude o Edson", que remete ao inventor da lâmpada elétrica incandescente, Thomas Edson, e o jogo de tabuleiro "Wats" na qual ganha a equipe que economizar mais energia, são encontrados no portal. 

O jovem também encontra explicações sobre os diversos tipos de energia existentes, como a estática, cinética, térmica, etc.

O portal também possui curiosidades como a invenção da primeira pilha e do para-raio, além de explicação sobre o caminho da energia, desde a sua geração até o momento em que chega a casa do consumidor. 

Na aba "Bom uso da Energia", dicas para utilizar da forma correta os equipamentos dentro de casa e também na hora de comprar um novo aparelho.

Para mais informações sobre o programa Boa Energia nas Escolas da EDP Bandeirante acesse:


Restaurante na Holanda mantém estufa e baseia cardápio na colheita do dia

Instalado no parque Frankendael, em Amsterdã, espaço investe em gastronomia feita com alimentos frescos e locais 
por Hanny Guimarães
Divulgação/DeKas
Fachada do restaurante De Kas (Foto: Divulgação/De Kas)
Foi um custo achar o De Kas, restaurante instalado no parque Frankendael, na capital holandesa. Embora a arquitetura incomum no meio da cidade não deixasse dúvidas - o lugar, todo de vidro, lembra uma estufa -, o caminho não era dos mais fáceis. 

Ainda mais com chuva e a noite (!). Escondido entre arbustos, com uma pequena ponte na passagem, o De Kas fica mesmo é na lembrança. 


Lá dentro, a sensação de ter se perdido passa logo. É acolhedor sentar por ali, no ambiente aquecido, cercado por plantas, onde a comida é fresca e saborosa. Resultado do cuidado do fundador e proprietário Gert Jan Hageman, também responsável pelo viveiro instalado bem ao lado da casa. 

Todos os dias, ele pode ser encontrado na estufa, trabalhando o solo, o plantio e colhendo, junto com sua equipe, ervas e vegetais que serão utilizados no cardápio do dia. 

Além do amplo viveiro no jardim, o restaurante ainda mantém uma fazenda a 10 quilômetros de Amsterdã, na região de Beemster, onde outros vegetais da estação são cultivados ao ar livre. Outros ingredientes também chegam de agricultores locais e completam a produção que rende pratos premiados na cidade. 

Tanto esmero no restaurante, diz Gert Jan Hageman, valoriza as duas pontas da cadeia. Os produtores recebem melhor pelos produtos, funcionários têm ingredientes de qualidade para trabalhar na cozinha e os clientes sempre voltam. “Acreditamos em ingredientes frescos, cultivados e colhidos com respeito à natureza”, explica.


Divulgação/DeKas
Jardim do De Kas (Foto: Divulgação)
Divulgação/DeKas
Morango cultivado no restaurante (Foto: Divulgação)
Divulgação/DeKas
Funcionário do De Kas, preparando um dos ingredientes oara o menu do dia (Foto: Divulgação)
Divulgação/DeKas
Interior do De Kas (Foto: Divulgação)
Divulgação/DeKas
Prato com abobrinha cultivada no viveiro do De Kas (Foto: Divulgação)
Divulgação/DeKas
Uma das sobremesa mais pedidas no restaurante (Foto: Divulgação)

Divulgação/DeKas
(Foto: Divulgação)
Fonte: www.revistagloborural.globo.com

Grupo Boticário - Gestão de sustentabilidade na cadeia de valor














Grupo Boticário revela que sua estratégia de sustentabilidade é desenvolvida para contribuir com o crescimento e a perenidade dos negócios


Para que suas decisões e iniciativas considerem as questões ambientais e sociais juntamente com as metas de crescimento e rentabilidade do negócio, o Grupo Boticário procura entender a sustentabilidade de forma integrada aos processos internos e à cadeia de valor – a partir dela, aliás, a companhia diz que é possível entender sua relação com todos os atores sociais (como chama seus públicos).

A expertise na área de sustentabilidade faz do Grupo Boticário um dos patrocinadores da Estação de Conhecimento Sustentabilidade em Foco, que ocorreu na Mostra de Conteúdos e Soluções da HSM ExpoManagement 2012.

Há cerca de dois anos, o Boticário mapeou mais de 14 áreas da organização para identificar diferentes graus de relevância e impacto para o negócio. 

Na ocasião, os stakeholders eleitos como prioritários em sustentabilidade foram colaboradores, fornecedores, franqueados e consultoras O Boticário, clientes/consumidores e acionistas. Em 2011, com o lançamento da unidade de negócio Eudora, foram planejadas ações específicas para os stakeholders "comunidade" e "representantes Eudora". 

Para 2013, serão estruturadas as ações para franqueados da nova unidade de negócio “quem disse, berenice?”.

Segundo Malu Nunes, gerente de sustentabilidade do Grupo Boticário, esses stakeholders são envolvidos em diferentes níveis de profundidade nas ações de engajamento – desde iniciativas de comunicação passando por ações de capacitação para o desenvolvimento em sustentabilidade, até parcerias para iniciativas e soluções com ganhos ambientais e sociais. 

Dessa forma, procura-se uma evolução consistente da cadeia de valor, contribuindo para a consolidação do tema no Grupo e em suas unidades de negócio. 

Nesta matéria, a executiva apresenta algumas ações para engajamento em sustentabilidade realizadas junto aos públicos priorizados.

Fornecedores

Para uma organização que expandiu significativamente a operação nos últimos três anos – conta Malu – desenvolver ações junto à cadeia de suprimentos das unidades de negócio é um desafio motivador e que reflete no crescimento e na gestão de toda essa cadeia. 

“Algumas ferramentas de gestão contribuem para a consistência desse movimento, como o Processo de Avaliação de Desempenho de Fornecedores e o Processo de Avaliação de Desempenho de Fornecedores de Serviços.”

A gerente de sustentabilidade revela que os anos de 2011 e 2012 trouxeram grandes novidades na gestão de sustentabilidade para fornecedores do Grupo, que evoluiu para uma atuação de desenvolvimento e metas compartilhadas junto à cadeia de suprimentos. 

Segundo ela, foram reestruturados os critérios de sustentabilidade para seleção e avaliação de fornecedores, que ampliaram a responsabilidade pelo produto, relações humanas e ações de ecoeficiência. 

O Grupo lançou, por exemplo, um novo questionário de autoavaliação que integra sustentabilidade e critérios de suprimentos na avaliação dos fornecedores. Em 2011, ele foi preenchido por 95% dos fornecedores estratégicos, os quais que atingiram uma pontuação média geral em sustentabilidade de 81,9%. 

Os maiores pontuadores são premiados no Encontro Anual de Fornecedores, onde a companhia compartilha tendências de mercado, avaliações de cenários, metas de crescimento da organização e desafios para atuação conjunta na conquista desses resultados. 

Entre outras ações, Malu destaca também o guia Gestão de Sustentabilidade Fornecedores 2011, com diretrizes práticas para a gestão da sustentabilidade nos negócios dos parceiros, e a circulação de informativos eletrônicos chamados e-News para Fornecedores, que contemplaram assuntos corporativos e orientações relevantes para esse público, entre eles a sustentabilidade.

Franqueados O Boticário

A unidade de negócio O Boticário desenvolve, desde 2005, a gestão da sustentabilidade para a rede de franquias. 

O programa oferece aos franqueados os Cadernos de Sustentabilidade. Lançados em 2011, os materiais reúnem diversas orientações para aplicar, de forma prática, a sustentabilidade no dia a dia das lojas e na gestão do negócio. 

São enfocados os temas de sustentabilidade priorizados para o franqueado, complementando as instruções do Manual de Operações, que direciona as atividades do setor de franchising. 

Malu destaca que um grande diferencial nesse processo é a integração das questões referentes à sustentabilidade no Instrumento de Análise de Franquias (IAF). 

Aplicada anualmente, essa ferramenta tem com o objetivo analisar a gestão dos grupos de franquias, identificar pontos de melhoria e acompanhar a evolução do negócio. 

“Os grupos com melhores resultados formam um ranking, que dá origem às melhores práticas de gestão, disseminadas para a rede”, explica, apontando que os destaques no IAF são reconhecidos na Convenção Anual de Franqueados, onde o tema sustentabilidade tem uma premiação exclusiva.

A Convenção Anual de Franqueados reúne todos os operadores homologados da rede, com o objetivo de apresentar novas estratégias do negócio, realizar treinamentos/workshops, apresentar resultados, lançar produtos, apresentar novos ciclos, incluindo a campanha do Natal, e promover a integração e a confraternização da rede. 

Clientes/consumidores

Outro ator importante no modelo de negócio sustentável do Boticário é o consumidor. Um exemplo de ação é a ampliação da oferta de produtos com opção de refil em diferentes linhas e do Programa Reciclagem de Embalagens na rede de franquias O Boticário, pelo qual os consumidores têm à disposição, nas lojas, um coletor para devolução das embalagens vazias, auxiliando na redução dos impactos ambientais no ciclo de vida do produto.

A empresa considera seu Centro de Relacionamento com o Cliente (CRC) um canal de grande valia que possibilita medir o grau de satisfação do consumidor com a empresa, fornecendo dados para indicadores como Net Promoter Score (NPS), Índice de Esforço do Consumidor, Índice de Satisfação do Consumidor e Índice de Anti-attrition.

Especificamente, visando ampliar os canais de comunicação sobre sustentabilidade com esse público, em 2012 a companhia distribuiu folders com informações práticas sobre o tema e como aplicá-lo de forma simples no dia a dia, nos diversos pontos de vendas das franquias O Boticário e por meio da venda direta da unidade de negócio Eudora.

Comunidade

A estratégia de sustentabilidade do Grupo Boticário junto à comunidade tem como foco a formação profissional para o desenvolvimento local, a partir do incentivo à geração de emprego e renda. 

Na planta de São José dos Pinhais (PR), por exemplo, uma parceria com o SENAI possibilitou a realização do curso Operador de Processo de Fabricação, oferecido gratuitamente para a comunidade, com a formação de duas turmas nos meses de novembro e dezembro de 2011. 

 “Alinhado à necessidade de capacitação da região para o trabalho em indústrias, esse formato beneficia tanto a comunidade como o negócio do Grupo Boticário, ao contemplar conteúdos vinculados às principais demandas e competências exigidas pelo setor industrial”, comenta Malu.

Na área de Recrutamento e Seleção, a relação com a comunidade se dá pela oferta de oportunidades por meio da Agência do Trabalhador (site nacional de empregos) e da Guarda-Mirim local. 

Em 2011, 44% das contratações realizadas pela organização atenderam demandas das áreas administrativa e operacional, sendo 425 vagas preenchidas em São José dos Pinhais e 34 em Registro (SP). 

Resíduos hospitalares


ALBERGUES BRASILEIROS RECEBEM CARTILHA SOBRE SUSTENTABILIDADE


Serão distribuídas cerca de oito mil cartilhas do Passaporte Verde em todos os albergues do País

A partir deste mês, os mais de 90 albergues espalhados pelo país receberão exemplares do Passaporte Verde, uma cartilha que traz dicas de viagens e estimula a reflexão sobre a sustentabilidade. 

A ação é uma parceria do Ministério do Turismo com a Federação Brasileira de Albergues da Juventude (FBAJ). Ao todo serão distribuídos oito mil exemplares.

A ideia é aproveitar o período de alta temporada, no qual a ocupação dos albergues chega a 80%, para promover a educação ambiental. 

“Aproveitamos a viagem dos alberguistas para conscientizá-los das questões ambientais, que vão desde o respeito ao patrimônio à economia de energia e água”, afirmou a presidente da FBAJ, Maria José Giaretta.

Lançada em junho, durante a Rio + 20, a cartilha faz parte da campanha coordenada pelo Ministério do Turismo e o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). 

O Passaporte Verde busca estimular a reflexão sobre a sustentabilidade, mostrando que atitudes simples, como o consumo responsável e o uso racional dos recursos naturais, favorecem a proteção dos destinos turísticos.

Fonte: Ministério do Turismo e Portal Brasil

Mergulhos para limpar o Tietê


José Leonídio Santos trabalha há 20 anos na limpeza de dois rios que estão entre os mais poluídos do mundo

Os rios Tietê e Pinheiros, que atravessam São Paulo, metrópole de 20 milhões de habitantes, fluem sem maiores problemas em algumas partes. Mas, em certos trechos, eles praticamente escorrem. 

Suas águas podem ser descritas talvez, como “cinzentas”, e o aroma, reminiscente de ovos podres, pode causar náusea nos transeuntes.

José Leonídio Rosendo dos Santos mergulha em ambos os rios há mais de 20 anos. Contratado principalmente para desentupir as grades de escoamento, ele varre as profundezas turvas do Tietê e do Pinheiros, há décadas símbolos da degradação ambiental da capital paulista, para trazer à superfície uma lista de itens que é sinistra e bizarra.
Lalo de Almeida/NYT
Lalo de Almeida/NYT / José dos Santos chama a atenção dos motoristas pela coragem em mergulhar no rio poluído e pelo traje de plástico grosso, feito para ser imune à sujeira...Ampliar imagem
José dos Santos chama a atenção dos motoristas pela coragem em mergulhar no rio poluído e pelo traje de plástico grosso, feito para ser imune à sujeira...
Proteção
Para afastar a sensação de sujeira, José se vale de uma dose de rum
José dos Santos é dono de um capacete de mergulho Kirby Morgan, que veste com orgulho, e nunca toca a água sem seu equipamento de proteção, feito de plástico e mais espesso que uma roupa de mergulho comum. Há o medo de encontrar alguma carcaça ou de rasgar a roupa de mergulho com algum pedaço de metal, o que poderia levar a infecções. “Após cada mergulho, eu tomo uma dose de rum Montilla Carta Ouro”, ele diz. “Me ajuda a me sentir limpo”.
Mas José diz que os rios da cidade estão um pouco mais limpos do que já foram. Ele vem encontrando menos cadáveres nos últimos anos. Seus mergulhos também lhe deram uma perspectiva rara sobre essa cidade intimidadora. “Quando mergulho lá embaixo, tudo fica absolutamente quieto. É como estar no espaço, ponderando sobre uma civilização que chegou à beira da destruição.”
Ao longo dos anos, as coisas que ele retirou dos rios – as quais ele é obrigado a entregar às autoridades – incluem uma bolsa com R$ 2 mil dentro, armas de fogo, facas, fogões e geladeiras, incontáveis pneus de automóveis, e, dentro de uma outra bolsa, os restos em decomposição de uma mulher que havia sido esquartejada. “Eu parei de olhar as bolsas depois disso”, diz José, de 48 anos.
Ele admite prontamente que esse não é um trabalho para qualquer um. Mas, para José, um surfista que entrou no ramo do mergulho para bancar o seu hobbie, o trabalho lhe rendeu um grau incomum de notoriedade e admiração dos paulistanos.
No meio dos engarrafamentos nas marginais, alguns motoristas param o carro e tiram fotos com smartphones ao verem José se preparando para mergulhar. Apresentadores de televisão ficam admirados com sua coragem. Um jornal paulistano, ao descrevê-lo em sua roupa de mergulho, o comparou a um “super-herói japonês”.
Segundo reconta o historiador Janes Jorge em seu livro Tietê: o rio que a cidade perdeu, este era adorado pelos residentes de São Paulo do meio do século passado, quando eles pescavam, nadavam e faziam corridas de barco em suas águas. E então São Paulo floresceu como uma das maiores cidades do mundo, e os dejetos de todas as pessoas e fábricas que se desenvolveram por toda a área metropolitana foram sendo despejados diretamente no Tietê e no Pinheiros.
Os rios agora persistem na cultura popular do Brasil como alvos de diversas sátiras. Bandas como Skank já compuseram canções sobre o sonho aparentemente impossível de despoluir o Tietê. 
O cartunista Laerte Coutinho criou toda uma tirinha chamada “Piratas do Tietê”, em que os protagonistas navegam pelo rio malcheiroso em expedições de pilhagem pela São Paulo contemporânea.
José insiste que jamais viu piratas navegando pelo Tietê ou seus afluentes, mas disse já ter visto outros seres vivos por lá. 
Garças passeiam, na ponta dos pés, em algumas margens. Capivaras, os maiores roedores do mundo, rolam na lama em alguns trechos do Tietê e Pinheiros. 
E sabe-se que jacarés já foram vistos emergindo dos rios, cansados, porém ainda resistentes.
Tradução: Adriano Scandolara.
Despoluição é feita há 20 anos de forma lenta
Desde 1992, as autoridades vêm avançando com um projeto lento e detalhado para despoluir o Tietê e o Pinheiros. Os líderes políticos brasileiros dizem que os esforços para a purificação dos rios, financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, estão indo bem. 
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que, por volta de 2015, barcos poderiam ser usados para levar turistas para conhecer as maravilhas de São Paulo através do Tietê.
Cientistas brasileiros apontam para precedentes de processos de despoluição de rios cruciais, como Paris fez com o Sena, ou Londres com o Tâmisa, permitindo que salmões se criassem lá, décadas após eles terem desaparecido.
Limpar o Tietê e seus afluentes, no entanto, oferece complicações próprias, e uma das mais importantes delas é o acesso ao tratamento de esgoto. 
Essa deficiência ameaça a única cidade verda­­deiramente global do país, on­de fundos de cobertura habitam enormes arranha-céus pós-modernos, consumidores abastados desfrutam de shoppings de luxo, e onde é tão provável que imigrantes falem castelhano quanto quéchua.
Ao mesmo tempo, 4 milhões de pessoas – cerca de 20% da população metropolitana de São Paulo – ainda não têm saneamento básico, de acordo com Mônica Porto, especialista em recursos hídricos da Universidade de São Paulo. Até 2011, Guarulhos, cuja população é de 1,3 milhões e que abriga o aeroporto internacional da cidade, não tratava quase nada do seu esgoto.
O progresso no processo de conectar mais domicílios ao sistema de esgoto vem sido feito lentamente. Mas a geografia acidentada de São Paulo e sua rede confusa de favelas, que persistem em áreas próximas aos rios, fazem com que essa tarefa seja difícil. 
Assim, os dejetos de milhões de habitantes, juntamente com dejetos industriais de origem duvidosa, ainda fluem para essas águas que já foram muito estimadas pelos paulistanos.
“Precisamos ajustar nossas expectativas”, afirma Porto, que deu um aviso contra as projeções de que os rios poderiam logo recuperar seus ecossistemas. “
Por volta de 2030 poderíamos ter rios dos quais não teremos vergonha.”