Mergulhos para limpar o Tietê


José Leonídio Santos trabalha há 20 anos na limpeza de dois rios que estão entre os mais poluídos do mundo

Os rios Tietê e Pinheiros, que atravessam São Paulo, metrópole de 20 milhões de habitantes, fluem sem maiores problemas em algumas partes. Mas, em certos trechos, eles praticamente escorrem. 

Suas águas podem ser descritas talvez, como “cinzentas”, e o aroma, reminiscente de ovos podres, pode causar náusea nos transeuntes.

José Leonídio Rosendo dos Santos mergulha em ambos os rios há mais de 20 anos. Contratado principalmente para desentupir as grades de escoamento, ele varre as profundezas turvas do Tietê e do Pinheiros, há décadas símbolos da degradação ambiental da capital paulista, para trazer à superfície uma lista de itens que é sinistra e bizarra.
Lalo de Almeida/NYT
Lalo de Almeida/NYT / José dos Santos chama a atenção dos motoristas pela coragem em mergulhar no rio poluído e pelo traje de plástico grosso, feito para ser imune à sujeira...Ampliar imagem
José dos Santos chama a atenção dos motoristas pela coragem em mergulhar no rio poluído e pelo traje de plástico grosso, feito para ser imune à sujeira...
Proteção
Para afastar a sensação de sujeira, José se vale de uma dose de rum
José dos Santos é dono de um capacete de mergulho Kirby Morgan, que veste com orgulho, e nunca toca a água sem seu equipamento de proteção, feito de plástico e mais espesso que uma roupa de mergulho comum. Há o medo de encontrar alguma carcaça ou de rasgar a roupa de mergulho com algum pedaço de metal, o que poderia levar a infecções. “Após cada mergulho, eu tomo uma dose de rum Montilla Carta Ouro”, ele diz. “Me ajuda a me sentir limpo”.
Mas José diz que os rios da cidade estão um pouco mais limpos do que já foram. Ele vem encontrando menos cadáveres nos últimos anos. Seus mergulhos também lhe deram uma perspectiva rara sobre essa cidade intimidadora. “Quando mergulho lá embaixo, tudo fica absolutamente quieto. É como estar no espaço, ponderando sobre uma civilização que chegou à beira da destruição.”
Ao longo dos anos, as coisas que ele retirou dos rios – as quais ele é obrigado a entregar às autoridades – incluem uma bolsa com R$ 2 mil dentro, armas de fogo, facas, fogões e geladeiras, incontáveis pneus de automóveis, e, dentro de uma outra bolsa, os restos em decomposição de uma mulher que havia sido esquartejada. “Eu parei de olhar as bolsas depois disso”, diz José, de 48 anos.
Ele admite prontamente que esse não é um trabalho para qualquer um. Mas, para José, um surfista que entrou no ramo do mergulho para bancar o seu hobbie, o trabalho lhe rendeu um grau incomum de notoriedade e admiração dos paulistanos.
No meio dos engarrafamentos nas marginais, alguns motoristas param o carro e tiram fotos com smartphones ao verem José se preparando para mergulhar. Apresentadores de televisão ficam admirados com sua coragem. Um jornal paulistano, ao descrevê-lo em sua roupa de mergulho, o comparou a um “super-herói japonês”.
Segundo reconta o historiador Janes Jorge em seu livro Tietê: o rio que a cidade perdeu, este era adorado pelos residentes de São Paulo do meio do século passado, quando eles pescavam, nadavam e faziam corridas de barco em suas águas. E então São Paulo floresceu como uma das maiores cidades do mundo, e os dejetos de todas as pessoas e fábricas que se desenvolveram por toda a área metropolitana foram sendo despejados diretamente no Tietê e no Pinheiros.
Os rios agora persistem na cultura popular do Brasil como alvos de diversas sátiras. Bandas como Skank já compuseram canções sobre o sonho aparentemente impossível de despoluir o Tietê. 
O cartunista Laerte Coutinho criou toda uma tirinha chamada “Piratas do Tietê”, em que os protagonistas navegam pelo rio malcheiroso em expedições de pilhagem pela São Paulo contemporânea.
José insiste que jamais viu piratas navegando pelo Tietê ou seus afluentes, mas disse já ter visto outros seres vivos por lá. 
Garças passeiam, na ponta dos pés, em algumas margens. Capivaras, os maiores roedores do mundo, rolam na lama em alguns trechos do Tietê e Pinheiros. 
E sabe-se que jacarés já foram vistos emergindo dos rios, cansados, porém ainda resistentes.
Tradução: Adriano Scandolara.
Despoluição é feita há 20 anos de forma lenta
Desde 1992, as autoridades vêm avançando com um projeto lento e detalhado para despoluir o Tietê e o Pinheiros. Os líderes políticos brasileiros dizem que os esforços para a purificação dos rios, financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, estão indo bem. 
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que, por volta de 2015, barcos poderiam ser usados para levar turistas para conhecer as maravilhas de São Paulo através do Tietê.
Cientistas brasileiros apontam para precedentes de processos de despoluição de rios cruciais, como Paris fez com o Sena, ou Londres com o Tâmisa, permitindo que salmões se criassem lá, décadas após eles terem desaparecido.
Limpar o Tietê e seus afluentes, no entanto, oferece complicações próprias, e uma das mais importantes delas é o acesso ao tratamento de esgoto. 
Essa deficiência ameaça a única cidade verda­­deiramente global do país, on­de fundos de cobertura habitam enormes arranha-céus pós-modernos, consumidores abastados desfrutam de shoppings de luxo, e onde é tão provável que imigrantes falem castelhano quanto quéchua.
Ao mesmo tempo, 4 milhões de pessoas – cerca de 20% da população metropolitana de São Paulo – ainda não têm saneamento básico, de acordo com Mônica Porto, especialista em recursos hídricos da Universidade de São Paulo. Até 2011, Guarulhos, cuja população é de 1,3 milhões e que abriga o aeroporto internacional da cidade, não tratava quase nada do seu esgoto.
O progresso no processo de conectar mais domicílios ao sistema de esgoto vem sido feito lentamente. Mas a geografia acidentada de São Paulo e sua rede confusa de favelas, que persistem em áreas próximas aos rios, fazem com que essa tarefa seja difícil. 
Assim, os dejetos de milhões de habitantes, juntamente com dejetos industriais de origem duvidosa, ainda fluem para essas águas que já foram muito estimadas pelos paulistanos.
“Precisamos ajustar nossas expectativas”, afirma Porto, que deu um aviso contra as projeções de que os rios poderiam logo recuperar seus ecossistemas. “
Por volta de 2030 poderíamos ter rios dos quais não teremos vergonha.”

Hotel em Sergipe aposta na sustentabilidade para atrair turistas


Local usa energia solar e pretende aproveitar a água da chuva.
Empresário investiu R$ 500 mil para montar pousada.
Fonte: Do PEGN TV









Aracaju tem 35 km de orla marítima. Não é à toa que mais de 300 mil turistas visitaram Sergipe nos quatro primeiros meses do ano, de acordo com a Secretaria de Turismo do estado. A estimativa é que chegue a quase um milhão até este final de ano.

Empresas da rede hoteleira apostam num diferencial para manter e conservar este cenário, e atrair ainda mais clientes: a sustentabilidade.

O hotel do empresário Álvaro Rollemberg foi aberto em 1986. Com investimento inicial de R$ 500 mil, ele construiu sete chalés com capacidade para alojar 30 pessoas. Hoje, o alvo principal é investir em práticas ecológicas.

“Serviço de qualidade é um ponto crucial pra nós, mas a gente tem que aliar também a uma política sustentável”, diz o empresário.

Para melhorar o serviço, Rollemberg buscou qualificação. Ele participou do programa selo de qualidade, mantido pelo Sebrae e por outras instituições do setor turístico de Sergipe.

“Selo de qualidade do Sebrae é uma ferramenta que a gente utiliza para analisar os pontos fortes e os pontos fracos das empresas na área de qualidade em serviços”, diz Bianca de Farias, do Sebrae de Aracaju.

As empresas que participam do programa têm três compromissos: melhorar a qualificação dos funcionários; manter instalações e equipamentos limpos e perfeitos; e adotar normas de higiene e segurança alimentar. O prazo para atender às exigências é de 30 dias.

“O Sebrae sempre está trabalhando com a parte de ações específicas sobre a parte de sustentabilidade. Energias renováveis, a parte de aquecimento solar para poder preservar a natureza”, diz Bianca.

Hoje o hotel tem 64 apartamentos, onde se hospedam quase 20 mil pessoas por ano.

O sol na praia do Atalaia, tão festejado pelos hóspedes, também gera economia ao hotel. 

“Você reduz custo e muitos clientes sentem-se satisfeitos, [ao ver] você aplicando uma política dessas na empresa”, diz Rollemberg.

O uso de energia alternativa foi uma das ações adotadas por Álvaro Rollemberg. A água que é usada na maioria dos chuveiros e na cozinha é aquecida com 24 placas como aquelas. A economia de energia com a ação foi de 20%. 

O empresário tem outro projeto para reduzir em 120 mil litros por mês o uso da água que vem da rede pública, construindo um reservatório para aproveitar a água da chuva.

Algumas atitudes simples também reduzem o impacto ambiental do empreendimento. 

As descargas têm a opção de 3 e 6 litros, e os hóspedes são aconselhados a não trocar as toalhas sem necessidade, o que diminui o gasto de água na lavanderia.

Mergulhos para limpar o Tietê


José Leonídio Santos trabalha há 20 anos na limpeza de dois rios que estão entre os mais poluídos do mundo
THE NEW YORK TIMES
Os rios Tietê e Pinheiros, que atravessam São Paulo, metrópole de 20 milhões de habitantes, fluem sem maiores problemas em algumas partes. Mas, em certos trechos, eles praticamente escorrem. Suas águas podem ser descritas talvez, como “cinzentas”, e o aroma, reminiscente de ovos podres, pode causar náusea nos transeuntes.
José Leonídio Rosendo dos Santos mergulha em ambos os rios há mais de 20 anos. Contratado principalmente para desentupir as grades de escoamento, ele varre as profundezas turvas do Tietê e do Pinheiros, há décadas símbolos da degradação ambiental da capital paulista, para trazer à superfície uma lista de itens que é sinistra e bizarra.
Lalo de Almeida/NYT
Lalo de Almeida/NYT / José dos Santos chama a atenção dos motoristas pela coragem em mergulhar no rio poluído e pelo traje de plástico grosso, feito para ser imune à sujeira...Ampliar imagem
José dos Santos chama a atenção dos motoristas pela coragem em mergulhar no rio poluído e pelo traje de plástico grosso, feito para ser imune à sujeira...
Proteção
Para afastar a sensação de sujeira, José se vale de uma dose de rum
José dos Santos é dono de um capacete de mergulho Kirby Morgan, que veste com orgulho, e nunca toca a água sem seu equipamento de proteção, feito de plástico e mais espesso que uma roupa de mergulho comum. Há o medo de encontrar alguma carcaça ou de rasgar a roupa de mergulho com algum pedaço de metal, o que poderia levar a infecções. “Após cada mergulho, eu tomo uma dose de rum Montilla Carta Ouro”, ele diz. “Me ajuda a me sentir limpo”.
Mas José diz que os rios da cidade estão um pouco mais limpos do que já foram. Ele vem encontrando menos cadáveres nos últimos anos. Seus mergulhos também lhe deram uma perspectiva rara sobre essa cidade intimidadora. “Quando mergulho lá embaixo, tudo fica absolutamente quieto. É como estar no espaço, ponderando sobre uma civilização que chegou à beira da destruição.”
Ao longo dos anos, as coisas que ele retirou dos rios – as quais ele é obrigado a entregar às autoridades – incluem uma bolsa com R$ 2 mil dentro, armas de fogo, facas, fogões e geladeiras, incontáveis pneus de automóveis, e, dentro de uma outra bolsa, os restos em decomposição de uma mulher que havia sido esquartejada. “Eu parei de olhar as bolsas depois disso”, diz José, de 48 anos.
Ele admite prontamente que esse não é um trabalho para qualquer um. Mas, para José, um surfista que entrou no ramo do mergulho para bancar o seu hobbie, o trabalho lhe rendeu um grau incomum de notoriedade e admiração dos paulistanos.
No meio dos engarrafamentos nas marginais, alguns motoristas param o carro e tiram fotos com smartphones ao verem José se preparando para mergulhar. Apresentadores de televisão ficam admirados com sua coragem. Um jornal paulistano, ao descrevê-lo em sua roupa de mergulho, o comparou a um “super-herói japonês”.
Segundo reconta o historiador Janes Jorge em seu livro Tietê: o rio que a cidade perdeu, este era adorado pelos residentes de São Paulo do meio do século passado, quando eles pescavam, nadavam e faziam corridas de barco em suas águas. E então São Paulo floresceu como uma das maiores cidades do mundo, e os dejetos de todas as pessoas e fábricas que se desenvolveram por toda a área metropolitana foram sendo despejados diretamente no Tietê e no Pinheiros.
Os rios agora persistem na cultura popular do Brasil como alvos de diversas sátiras. Bandas como Skank já compuseram canções sobre o sonho aparentemente impossível de despoluir o Tietê. O cartunista Laerte Coutinho criou toda uma tirinha chamada “Piratas do Tietê”, em que os protagonistas navegam pelo rio malcheiroso em expedições de pilhagem pela São Paulo contemporânea.
José insiste que jamais viu piratas navegando pelo Tietê ou seus afluentes, mas disse já ter visto outros seres vivos por lá. Garças passeiam, na ponta dos pés, em algumas margens. Capivaras, os maiores roedores do mundo, rolam na lama em alguns trechos do Tietê e Pinheiros. E sabe-se que jacarés já foram vistos emergindo dos rios, cansados, porém ainda resistentes.
Tradução: Adriano Scandolara.
Despoluição é feita há 20 anos de forma lenta

Desde 1992, as autoridades vêm avançando com um projeto lento e detalhado para despoluir o Tietê e o Pinheiros. Os líderes políticos brasileiros dizem que os esforços para a purificação dos rios, financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, estão indo bem. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que, por volta de 2015, barcos poderiam ser usados para levar turistas para conhecer as maravilhas de São Paulo através do Tietê.

Cientistas brasileiros apontam para precedentes de processos de despoluição de rios cruciais, como Paris fez com o Sena, ou Londres com o Tâmisa, permitindo que salmões se criassem lá, décadas após eles terem desaparecido.

Limpar o Tietê e seus afluentes, no entanto, oferece complicações próprias, e uma das mais importantes delas é o acesso ao tratamento de esgoto. Essa deficiência ameaça a única cidade verda­­deiramente global do país, on­de fundos de cobertura habitam enormes arranha-céus pós-modernos, consumidores abastados desfrutam de shoppings de luxo, e onde é tão provável que imigrantes falem castelhano quanto quéchua.

Ao mesmo tempo, 4 milhões de pessoas – cerca de 20% da população metropolitana de São Paulo – ainda não têm saneamento básico, de acordo com Mônica Porto, especialista em recursos hídricos da Universidade de São Paulo. Até 2011, Guarulhos, cuja população é de 1,3 milhões e que abriga o aeroporto internacional da cidade, não tratava quase nada do seu esgoto.

O progresso no processo de conectar mais domicílios ao sistema de esgoto vem sido feito lentamente. Mas a geografia acidentada de São Paulo e sua rede confusa de favelas, que persistem em áreas próximas aos rios, fazem com que essa tarefa seja difícil. Assim, os dejetos de milhões de habitantes, juntamente com dejetos industriais de origem duvidosa, ainda fluem para essas águas que já foram muito estimadas pelos paulistanos.

“Precisamos ajustar nossas expectativas”, afirma Porto, que deu um aviso contra as projeções de que os rios poderiam logo recuperar seus ecossistemas. “Por volta de 2030 poderíamos ter rios dos quais não teremos vergonha.”

Sustentabilidade: O que esperar para 2013



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2013 nasce sob a esperança de que os encaminhamentos feitos em 2012 venham a se tornar resultados concretos

O ano de 2012 pode até não ter realizado, em sua plenitude, todos os acordos e políticas relacionadas ao desenvolvimento sustentável mundial. Contudo, também é verdade que encaminhou e desenvolveu um pouco mais cada uma dessas demandas - ou ao menos a maioria delas.

O início de 2013 pode marcar o começo de um novo ciclo. O que podemos esperar? O EcoD listou algumas das principais projeções na tentativa de antever o que está por vir.


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Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma: entidade fortalecida


Fortalecimento do Pnuma
Considerado o maior evento da história sobre sustentabilidade, a Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro, conseguiu avanços importantes, a exemplo do engajamento da sociedade civil organizada com a causa e outros acordos. Um deles foi o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que terá seu papel reforçado e ampliado.

A intenção é que a instituição consiga mais verba do organismo internacional, além de solicitar outros doadores para contribuições voluntárias.

A decisão também permite, a partir de 2013, a participação de todos os 193 países membros da ONU no Conselho do Pnuma, que atualmente é representado por 58 nações.

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Desenvolvimento das energias renováveis deverá ser definido como uma das metas do desenvolvimento sustentável


Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
As metas a serem perseguidas pelos países para avançar nas áreas ambiental, política e social eram uma das grandes cartadas para a Rio+20. Os objetivos não foram definidos, mas ao menos o processo de elaboração foi anunciado. As metas deverão estar prontas até 2013, no intuito de entrarem em vigor em 2015, quando termina o prazo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Dessa forma, os governos teriam até 2018 para cumprirem os ODS.

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Autoridades comemoram desfecho da Rio+20. Hora de cobrar resultados é agora


Cumprimento dos acordos da Rio+20
Durante a Rio+20, em junho, empresas, instituições financeiras, universidades e governos locais firmaram 692 acordos, que deverão mobilizar, segundo a ONU, US$ 513 bilhões de dólares para as causas do desenvolvimento sustentável. Portanto, nada mais natural que esses compromissos comecem a ser honrados a partir de 2013.

Entre eles estão políticas que desenvolvam o empoderamento da mulher e a inclusão do tema sustentabilidade nos currículos de todas as instituições de nível superior do Brasil.

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COP-18, em Doha, definiu a prorrogação do Protocolo de Kyoto, mas um novo acordo deverá ser elaborado


Reuniões para definir novo acordo climático
Em 2020, quando o Protocolo de Kyoto perder sua validade, os países pretendem pôr em ação um novo acordo, que estabeleça metas para todas as nações. Essa será a pauta da próxima grande reunião, que será em 2015, em Paris (França).

Antes disso, reuniões preliminares serão realizadas em 2013 e 2014 - a primeira delas está marcada para abril de 2013, em Bonn (Alemanha). O maior desafio dos negociadores será incluir os dois maiores poluidores do planeta: a China e os Estados Unidos.

Lembrança importante: a 19ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-19) será realizada em Varsóvia, na Polônia, em novembro. O país-sede europeu, extremamente dependente do carvão, dificultou as negociações em Doha (COP-18) e conta com a desconfiança da comunidade internacional quanto a capacidade de liderar o evento.

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Parlamentares deverão votar os vetos presidenciais à MP do Código Florestal no primeiro semestre de 2013

Código Florestal: votação dos vetos

O Congresso aprovou a medida provisória do Código Florestal Brasileiro em setembro de 2012. Porém, a presidente Dilma Rousseff anunciou nove vetos ao texto no dia 18 de outubro. 

As alterações presidenciais resgatam o teor do governo para o texto, pois suspende trechos que beneficiavam os grandes produtores rurais e cria regras diferentes de recomposição nas margens de rios.

Segundo a lei, tais vetos deveriam ser votados pelo Congresso Nacional em um prazo de 30 dias, o que deixou de acontecer, porque a Casa tinha mais de 2.000 vetos para apreciar na fila. A celeuma, portanto, fica para 2013, ainda sem data definida.


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Nova lei estabelece o fim dos lixões até 2014, mas municípios podem ter o prazo prorrogado


Política Nacional dos Resíduos Sólidos
Sancionada em 2010 e cujas principais metas começam a valer a partir de 2014, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) registrou avanços e fracassos em 2012.

O lado ruim é que apenas 10% dos municípios brasileiros entregaram, em tempo hábil, o Plano Nacional dos Resíduos Sólidos, uma exigência do governo federal para fazer os repasses de verba. Os prefeitos em falta alegaram falta de recursos e prazo curto para acabar com os lixões e implantar a coleta seletiva.

A tendência é de que o governo federal prorrogue as ações desses planos em 2013, a fim de oferecer mais tempo para os municípios de adequarem. 

O lado positivo a se esperar, em relação a PNRS, é relacionado a logística reversa. A exemplo do que fez o setor de óleos lubrificantes em dezembro de 2012, os segmentos de embalagens (de forma geral), de lâmpadas, de medicamentos, de vidros e de resíduos eletroeletrônicos devem assinar acordo setorial com o governo federal e entidades representativas, a fim de os empresários se responsabilizem pela reciclagem.

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Maracanã, que será inaugurado em 2013, terá usina de energia solar

Copa das Confederações

Em junho de 2013 o Brasil sediará a Copa das Confederações, uma prévia da Copa do Mundo de 2014, que também será realizada aqui no país. Podemos esperar que o evento apresente uma série de iniciativas sustentáveis, como o "Passaporte Verde" para turistas que venham assistir aos jogos, desenvolvimento da mobilidade urbana nas cidades-sede, arenas que utilizarão energia solar (Mineirão, Maracanã, Mané Garrincha e Arena Pernambuco), entre outros fatores.

Mas, fica a dica: muito além de esperar é cada um de nós fazer a nossa própria parte por um mundo mais sustentável!



Sustentabilidade como pilar do Plano Nacional do Turismo

Ministro Gastão Vieira reforça a importância do meio ambiente como atrativo turístico brasileiro e ressalta a parceria entre os ministérios do Turismo e do Meio Ambiente




Brasília (DF) – O meio ambiente no turismo esteve em pauta na reunião de balanço da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), no Palácio do Itamaraty, nesta terça-feira (18). 

O ministro do Turismo, Gastão Vieira, destacou a natureza como um dos principais atrativos do Brasil e garantiu que o Plano Nacional do Turismo, em finalização, terá a sustentabilidade como um pilar.

"Turismo e Meio Ambiente andam juntos. As duas pastas têm ações conjuntas como o Passaporte Verde, que estimula o consumo consciente de nossos visitantes, mas queremos aprofundar os nossos esforços para ampliar os ganhos para o Brasil e o mundo", explicou Vieira. 

Cerca de 10% do território nacional é formado por parques naturais. Um levantamento feito pelo Fórum Econômico Mundial aponta o meio ambiente como o principal diferencial de competitividade do Brasil.

A ideia do trabalho conjunto entre os ministérios do Turismo e do Meio Ambiente é estimular a criação de planos de manejos para as áreas de preservação ambiental e, posteriormente, o uso de maneira responsável por parte dos cidadãos. 

O Parque Nacional do Iguaçu foi citado como exemplo. Foz do Iguaçu figura como o terceiro destino brasileiro mais visitado pelos turistas estrangeiros em 2011, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Além do Passaporte Verde, MTur e MMA desenvolvem os projetos Turismo no Entorno e Turismo nos Parques.

Dia (19), Gastão Vieira e Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, tiveram agenda comum para discutir iniciativas das pastas para os próximos meses.

ASCOM

Mais informações


Atendimento à imprensa 
Assessoria de Comunicação do MTur
(61) 2023 7055 
Siga o turismo no Twitter: www.twitter.com/MTurismo

Saiba quais são as 07 empresas-modelo no combate ao aquecimento globlal




Os impactos ao meio ambiente causados pelas atividades das grandes companhias costumam ser comuns em todo o mundo. Contudo, algumas delas possuem políticas próprias que buscam mitigar esses efeitos, o que inclui a redução das emissões dos gases de efeito estufa (GEE), vilões do aquecimento global.

A cada ano, a campanha Climate Counts avalia as empresas globais por suas ações voluntárias para reduzir as emissões de GEE. São levados em conta, ao todo, 22 critérios numa escala de 0 a 100 pontos que compreendem o uso de energia limpa, o comprometimento com metas de descarbonização do processo produtivo e a publicação de relatórios de sustentabilidade. 

Veja a seguir quais são as empresas líderes em sete grandes setores, segundo o novo ranking.

Unilever - líder em produtos alimentícios
Pontuação: 91


unilever-t.jpgImagem: Divulgação


O estabelecimento de metas claras para reduzir o uso de energia da empresa, somado a medição anual do impacto da companhia no aquecimento global, rendeu a pontuação elevada à Unilever. A transparência da empresa acerca das informações prestadas também teve papel de destaque.
Nike - líder em acessórios e vestuário esportivo
Pontuação: 89


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Foto: Divulgação

A consciência sobre as mudanças climáticas na Nike começa dentro da própria multinacional, que trabalha o tema entre os funcionários. A empresa também tem metas para reduzir sua pegada ecológica e torna público todos os seus esfoços no combate às emissões de gases efeito estufa.

UPS - líder em remessa expressa
Pontuação: 89


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Foto: Getty Images

Líder do setor na mitigação de impactos do seu processo, a UPS faz o registro das emissões de gases efeito estufa desde 2002 - esse segmento de atuação tem um impacto considerável no clima, especialmente na temporada de festas, como o mês de dezembro. Por meio de sistemas mais eficientes em energia, a empresa vem atingindo suas metas.
L'Oreal - líder em cosméticos
Pontuação: 87



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Foto: Divulgação


A L'Oreal se destaca, de acordo com o relatório, pela forte defesa de uma política pública abrangente que aborde as mudanças climáticas e que garanta a redução das emissões de gases de efeito estufa, além do aumento de fontes renováveis.
Electrolux - líder em aparelhos eletroeletrônicos
Pontuação: 87


electrolux-t.jpgFoto: Divulgação

Segundo o Climate Counts, AB Electrolux estabeleceu metas claras para reduzir o uso de energia da empresa e sua pegada climática. 
A empresa é seguida no setor pela LG Electronics e a Whirlpool.

IBM - líder em tecnologia
Pontuação: 86


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Foto: Divulgação


Desde a redução de emissões em seus processos de produção, à fabricação de produtos que consomem menos energia e reciclagem de materiais obsoletos, o setor de tecnologia da informação é um dos mais adiantados do mundo no combate às mudanças climáticas. Segundo o ranking, a líder IBM é seguida da Siemens e da Nokia.
Bank of America - líder em instituições financeiras 
Pontuação: 86


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Foto: Getty Images


De acordo com o estudo, o Bank of America completou um inventário abrangente da sua parcela de impacto sobre o aquecimento global e trabalha com metas bem definidas para reduzir suas emissões. Em segundo lugar aparecem o Deutsche Bank e o Citigroup.



Empresas de óleo de cozinha, baterias e filtros automotivos assinam termo de compromisso para coleta de resíduos

Fernanda Cruz

Repórter da Agência Brasil
São Paulo – Associações brasileiras de óleo vegetal, baterias e filtros automotivos assinaram no dia (20/12) um termo de compromisso com o governo do estado de São Paulo em que se responsabilizam pela coleta de resíduos de seus produtos nos municípios paulistas.

De acordo com o secretário do Meio Ambiente do estado, Bruno Covas, a ação demonstra o amadurecimento do setor produtivo, que entendeu a importância de se investir no destino final dos resíduos sólidos. “A gente tinha uma cadeia produtiva linear. 

O produto era criado, consumido e jogado fora. A gente está, aos poucos, introduzindo uma cadeia produtiva circular. Esse produto, depois de ser utilizado, é reaproveitado e com apoio e financiamento da própria indústria”, declarou.

O termo foi assinado também pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e a Associação de Empresas de Filtros e seus Sistemas Automotivos e Industriais (Abrafiltros).

No caso da Abiove, que representa empresas responsáveis pelo processamento e fabricação do óleo de cozinha, haverá ampliação do número de pontos de coleta já existentes, passando dos atuais 800 locais de recolhimento para cerca de 1.000 em todo o estado. 

Segundo Bernardo Machado Pires, diretor de Sustentabilidade da Abiove, a ideia é aumentar para 900 pontos, em um prazo de dois a três anos, e chegar a 1.000 em, no máximo, quatro anos.

Bernardo destacou também a criação do site www.oleosustentavel.org.br para orientar os consumidores sobre os pontos de entrega mais próximos.


“Toda indústria que fabrica produtos que tenham impacto ambiental têm a responsabilidade, compartilhada com os governos, de ajudar a trazer de volta esses resíduos”, disse.

Após a coleta do óleo, organizações não governamentais (ONGs) cadastradas se encarregam do reaproveitamento do material. “O óleo é muito usado para biodiesel, tintas, vernizes e sabão. 

Tem muitas comunidades que usam esse óleo e até têm um bom retorno econômico. Uma boa alternativa de trabalho e renda para as comunidades mais pobres”, disse Bernardo.

Já a coleta dos filtros automotivos usados, feita pela Abrafiltros, teve início em julho deste ano, como forma de teste, em um grupo de cerca de dez municípios do estado. Segundo João Moura, presidente da associação, o recolhimento tem sido feito nos postos de combustíveis, de onde os filtros são enviados para usinas de processamento. 

“Lá, sofrem uma lavagem inicial e depois são triturados. A chapa é separada do resíduo do meio filtrante, que são papéis, cola, borracha e plástico que determinados filtros usam. Depois, são compactados e a chapa é enviada para a usina e os resíduos de papel, borracha, plásticos seguem como componente energético em cimenteiras”, disse.

Ao contrário do óleo, que tem custo baixo para reciclagem, os filtros exigem maior investimento das empresas fabricantes. “Para o nosso setor é um custo muito representativo, porque o filtro é um dos poucos que você não pode reaproveitar. O único benefício é para o meio ambiente”, declarou Moura.

André Luis Saraiva, diretor de Responsabilidade Socioambiental da Abinee, informou que, no setor de baterias automotivas, a logística reversa já é uma realidade. 

“Hoje, esse segmento recicla 98% do volume comercializado”, disse. Segundo Saraiva, sempre que um consumidor vai a uma autoelétrica trocar a bateria do carro, ele entrega o produto antigo ao revendedor que o repassa para a destinação correta.

A importância da assinatura do acordo de hoje, de acordo com o diretor da Abinee, está na fiscalização do cumprimento da lei. “A Cetesb pode ampliar a sua margem de ver quem não está cumprindo o acordo. As empresas que não estiverem cumprindo sofrerão as sanções que a lei prevê”, disse.

De acordo com o secretário do Meio Ambiente, os próximos setores a adotarem o sistema de logística reversa são o de lâmpadas fluorescentes e de embalagens de alimentos e bebidas. “Vamos chegar em um futuro, espero não muito longe, em que as indústrias que não tiverem o seu plano de logística reversa não vão poder comercializar no estado de São Paulo”, disse.

Edição: Lílian Beraldo