Brasil triplica pegada ecológica, mas gera mais recursos naturais que a demanda



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Relatório leva em conta a pegada ecológica de um país e sua capacidade de gerar recursos
Imagem: Reprodução/Pnuma

O Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) lançou no dia 19 de novembro um estudo que relaciona os riscos de degradação dos recursos naturais e suas consequências ambientais com os principais indicadores macroeconômicos.

O relatório E-RISC: um novo ângulo sobre risco de crédito soberano leva em conta a pegada ecológica de um país e sua capacidade de gerar recursos para entender como isso pode afetar a economia de uma nação e, portanto, a sua condição de pagar as dívidas.

"Estamos vendo uma mudança de paradigma devido à escassez de recursos naturais com profundas implicações para as economias e, assim, no risco da dívida soberana no mundo todo", alertou o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, durante o lançamento do relatório, em Londres.

Cinco países que possuem condições bem distintas: Brasil, França, Índia, Japão e Turquia, foram analisados como parte do relatório, destacando os principais desafios financeiros decorrentes da crescente distância entre as progressivas demandas por recursos como água doce, florestas, solos, e os bens e serviços que as nações podem fornecer de forma sustentável.

Produção x Demanda
A economia brasileira é altamente dependente da biocapacidade, o que faz com que a degradação dos recursos coloque em risco o desenvolvimento do país.


O relatório mostra que a Índia agora exige quase duas vezes mais de seus recursos ecológicos do que é capaz de gerar, enquanto a França exige 1,4 mais recursos do que pode produzir. 

Por sua vez, o Japão possuía apenas 35% dos recursos naturais renováveis necessários para seu mercado interno em 2008, e a Turquia enfrenta grandes riscos relacionados à escassez de água e à desertificação.

O Brasil possui posição privilegiada neste campo. Por ter a maior quantidade de biocapacidade do mundo, é o único entre os pesquisados que, apesar de ter triplicado sua pegada ecológica desde 1961, ainda gera mais recursos naturais e serviços do que as demandas de sua população.

Isso faz com que o país, exportador de recursos naturais, tenha menos risco de ter sua economia negativamente afetada pela volatilidade de preços do setor. Entretanto, sua economia é altamente dependente da biocapacidade, o que faz com que a degradação dos recursos coloque em risco o desenvolvimento do país.

"Mais e mais países dependem de um nível da demanda de recursos que ultrapassa o que os seus próprios ecossistemas podem oferecer", ressaltou Susan Burns, fundadora da Global Footprint Network, que colaborou com o Pnuma na produção do relatório.

"Esta tendência está reforçando a competição global por recursos limitados do planeta e representa riscos para os investidores de títulos soberanos, bem como para os países que emitem tais títulos. Uma descrição mais precisa da realidade econômica é, portanto, do interesse de todos", completou Burns.



A sustentabilidade - Gestão para Sustentabilidade - 2o. capítulo

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APRENDA A FAZER A HORTA DE GARRAFAS PET DE MARCELO ROSENBAUM

A garrafa PET tem sido um dos materiais mais utilizados para a confecções de jardins e hortas recentemente, o que é muito bom.


Na edição de número 48 do quadro Lar doce lar do programa Caldeirão do Huck, o designer Marcelo Rosenbaum projetou um jardim vertical feito com dezenas de garrafas PET, e atendendo a pedidos, ele resolveu ensinar como se faz. Confira o passo a passo rápido e simples do arquiteto:

O JARDIM

As garrafas plásticas podem ser reaproveitadas para cultivar vegetais de pequeno porte, temperos e ervas medicinais, presas em muros e paredes ou apoiadas em suportes de diferentes materiais. 

A idéia é aproveitar pequenos espaços e materiais de baixo custo para montar hortas em casas, apartamentos ou mesmo no local de trabalho. É uma forma popular de se apropriar de técnicas já existentes sustentáveis, viáveis e econômicas.

MATERIAIS

- Garrafa PET de 2 litros vazia e limpa;

- Tesoura

- Corda de varal, cordoalha, barbante ou arame

- Para os que optarem por cordoalhas ou arames, serão necessárias duas arruelas por garrafa PET

- Terra

- Muda de planta

MODO DE FAZER

Corte a garrafa PET, como na foto abaixo.


Para fixar as garrafas, devemos fazer dois furos no fundo da garrafa e dois na parte superior da garrafa. Dá pra entender direitinho olhando bem a foto acima. Além dos furinhos para passar a corda, é necessário um pequeno furo no fundo da garrafa. A água usada para regar a muda precisa escoar.

Depois disso, passe a corda por um furo e puxe pelo outro.

Muitas pessoas nos perguntaram como fazer para as garrafas não “escorregarem” pela corda (ou barbante, ou cordoalha). Obrigado pela colaboração e participação. Pensando nisso, elaboramos dois desenhos, com duas sugestões.

- Para quem usar corda de varal ou barbante:

- Para quem usar cordoalha ou arame:
Depois, basta esticar e fixar a corda na parede.

Material enviado ao Arquitetura Sustentável pelo colaborador Marcos Roberto Moacir Ribeiro Pinto

Fonte: www.rosenbaum.com.br  e Arquitetura Sustentável

25 sugestões a serem feitas com palletes de pinus


Fonte: A Casa Container

Fiep transmite videoconferência sobre logística reversa para 23 cidades

Iniciativa tem como objetivo esclarecer detalhes sobre nova legislação. Prazo para sindicatos aderirem ao termo de compromisso da SEMA expira dia 23 de novembro

Cerca de 100 pessoas acompanharam a videoconferência em 23 cidades (Foto: Gelson Bampi)














Com objetivo de articular o setor produtivo para atender ao edital de chamamento nº 001/2012 da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMA), que institui no Estado a prática da logística reversa, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) realizou na última quinta-feira (08) uma videoconferência conectando 23 cidades, onde os presidentes de sindicatos e empresários de cada região puderam tirar dúvidas e alinhar as ações da indústria para atender à nova legislação. 

A videoconferência foi transmitida para Apucarana, Arapongas, Bandeirantes, Campo Mourão, Cascavel, Cianorte, Curitiba, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guarapuava, Irati, Londrina, Maringá, Paranavaí, Pato Branco, Ponta Grossa, Rio Negro, São Mateus do Sul, Telêmaco Borba, Toledo, Umuarama e União da Vitória.


A obrigatoriedade de logística reversa, ou seja, o caminho inverso do produto após o consumo até o fabricante, foi determinada através da Lei 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. 

A medida prevê a responsabilidade compartilhada – entre fabricante, comerciante e consumidor – pela destinação final ambientalmente responsável dos produtos.

A videoconferência foi conduzida pelo assessor da presidência da Fiep, Irineu Roveda, por economistas da gerência de desenvolvimento da federação, que irão auxiliar os sindicatos na elaboração das propostas, e por um representante da SEMA. Cerca de 100 pessoas participaram da videoconferência. Além dos Paraná, houve retransmissão para a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), para acompanhamento do Sindusfarma, que possui associados no Paraná.

O prazo para que as empresas, através dos sindicatos e associações representativas, assinem o termo de compromisso com a SEMA expira dia 23 de novembro deste ano. 

Nesta data não é necessário apresentar o plano para logística reversa, mas sim o compromisso de que este plano será feito e alguma data, até 30 de junho de 2013, em que serão iniciadas as discussões junto à cadeia produtiva.

Para auxiliar seus associados a atender à legislação em prazo hábil, a Fiep irá elaborar um modelo de termo de compromisso que será enviado aos sindicatos industriais para assinatura. 

A orientação da federação é que os sindicatos não deixem de atender ao chamamento da SEMA, pois do contrário a regulamentação da logística reversa será construída sem a participação do setor industrial, que será um dos mais impactados por esta mudança.

Mercado de crédito de carbono

O mercado de crédito de carbono teve início com a criação do protocolo de Kyoto que estabeleceu metas para a redução de emissões de gases de efeito estufa nos países industrializados e um modelo de desenvolvimento limpo para as nações emergentes. 

Esse protocolo determinou que entre 2008 e 2012 os 30 países mais desenvolvidos diminuíssem em 5% as emissões em relação ao total registrado em 1990. Para os países em desenvolvimento, como o Brasil, o protocolo não prevê compromissos de reduções na emissão de gases de efeito estufa (GEE). 

O principal papel dos países em desenvolvimento é o de diminuir as emissões a partir de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) e o papel de sumidouro de dióxido de carbono através das suas florestas.

O reconhecimento dos projetos, denominados MDL é definido por uma Autoridade Nacional Designada. No caso do Brasil, tal autoridade é a Comissão Interministerial de Mudança do Clima. Somente após a aprovação pela Comissão, é que o projeto pode ser submetido à ONU para avaliação e registro. 

Os projetos, para serem aprovados, pela ONU, devem atender ao pré-requisito da adicionalidade. Assim, além de uma redução líquida de emissões significativa, existem outras exigências para que o projeto seja considerado adicional, como uma classificação preliminar referente à data do início de suas atividades, identificação de alternativas consistentes com a legislação corrente e regulamentação local, análise de investimento, análise de barreiras, e impactos do registro como MDL. 

O Brasil é um dos países em estágios mais avançados em termos de preparação para o Protocolo de Kyoto e para o MDL. Como já mencionado anteriormente, existe uma Autoridade Nacional Designada (AND) constituída por onze Ministérios sob a coordenação do Ministério da Ciência e Tecnologia. Somente após a aprovação pela Comissão, é que o projeto pode ser submetido à ONU para avaliação e registro.

O Brasil deve se beneficiar deste cenário como vendedor de créditos de carbono, e também como alvo de investimentos em projetos engajados com a redução da emissão de gases poluentes, como é o caso do biodiesel. 

O país possui 231 projetos de MDL que representam a não emissão de 204.314.584 toneladas de CO2 ou seu equivalente em outros gases. De acordo a estimativas do Banco Mundial, o Brasil apresenta uma participação de 10% do mercado de MDL, em 2007. Os projetos de MDL referem-se principalmente:

a) aterros sanitários, que impedem o metano de ir para a atmosfera;
b) uso de biomassa;
c) energia eólica;
d) hidrelétricas;
e) troca de combustível fóssil por energia renovável;
f) atividades de reflorestamento.

Atualmente no Brasil, existe um pequeno número de projetos de reflorestamento autorizado pela ONU para comercializar créditos de carbono. 

Dentre esses, destaca-se o projeto da empresa Plantar, localizada, em Minas Gerais que tem como objetivo a redução das emissões de gases do efeito estufa por meio do estabelecimento de plantios sustentáveis de florestas de eucalipto para suprir o uso de carvão vegetal na produção de ferro primário, ao invés de coque de carvão mineral ou biomassa não-renovável. 

Entretanto, iniciativas de reflorestamento também pleiteiam créditos-carbono nos mercados paralelos, pois, apesar de previstas no MDL, apresentam complicações. Sua metodologia ainda está sendo discutida,  em virtude da dificuldade de medir o carbono absorvido pelas árvores em crescimento, particularmente se forem de espécies diferentes, como ocorre numa floresta nativa. 

Existem alguns estudos que avaliam a quantidade de carbono sequestrada em floresta plantada e nativa. Dentre os estudos destacam-se:
Paixão (2004) que apresentou dados médios de produção de biomassa do tronco sem casca de eucalipto, com idade de 7 e 10 anos, iguais a 107,12 t.ha-1; 
Schumacher & Witschoreck (2004) que realizaram inventário de carbono em povoamentos de eucalipto na região sul do Brasil obtendo um estoque de carbono aos 8 anos igual a 97,86 t.ha-1 
e Fearnside e Guimarães (1996), que concluíram que quanto mais inicial o estágio sucessional, maior será a taxa de incremento de biomassa: a floresta secundária com 10 anos de idade assimila de 6,0 a 10,0 t.ha-1.ano-1; com 20 anos de idade, a assimilação da floresta secundária varia de 4,0 a 7,0 t.ha-1.ano-1e com 80 anos, a assimilação média anual cai para 2,0 t.ha-1.ano-1.

O fator desvantajoso financeiramente referente a comercialização de créditos de carbono pelos países emergentes, inclusive o Brasil, é o fato das empresas multinacionais comprarem extensas áreas de terra criando reservas ambientais particulares. As empresas, por meio dessas reservas criadas, adquirem crédito de carbono a um custo relativamente baixo se comparado a criação de novas tecnologias para reduzir a emissão de CO2 na atmosfera. 

Nesse contexto, os países emergentes deixam de arrecadar esses créditos de carbono e perdem a possibilidade de comercializá-los. O dinheiro arrecadado com a venda desses créditos poderia ser repassado às comunidades da floresta, melhorando as condições de habitação, saneamento básico, saúde e educação. 

Os vídeos abaixo, promovidos por uma TV americana, mostram a situação da floresta Amazônica frente a comercialização dos créditos de carbono.


Referências Bibliográficas

PAIXÃO, F. A. Quantificação do Estoque de Carbono em Floresta Plantada de
Eucalipto e Avaliação Econômica de Diferentes Alternativas de Manejo.
2004. 76f. Dissertação (Mestrado em Ciência Florestal) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2004.

SCHUMACHER, M.V. & WITSCHORECK, R. Inventário de carbono em povoamentos de Eucalyptus spp. nas propriedades fumageiras do sul do Brasil: "Um estudo de caso". In: SANQUETTA, C.R.; BALBINOT, R. & ZILIOTTO, M.A.B., eds. Fixação de carbono: Atualidades, projetos e pesquisas. Curitiba, AM Impressos, 2004. p.111-124.

FEARNSIDE, P.M. and W.M. GUIMARÃES. 1996. Carbon uptake by secondary forests in Brazilian Amazonia. Forest Ecology and Management.