Projeto sustentável, edificação durável?


Qual a relação entre um projeto sustentável e uma edificação efetivamente sustentável? 

A reflexão que se segue parte da ideia de que a sustentabilidade de uma edificação é dada pela permanência, ao longo do tempo, da sua utilidade e da eficiência de suas facilidades, assim como de como ela se insere no contexto urbano permitindo o desenvolvimento e as condições de vida das futuras gerações.

Inicialmente, eram tidos como projetos sustentáveis aqueles com características relacionadas à ecologia, à preservação de ecossistemas e, essencialmente, àqueles que, para sua execução, não causassem grandes impactos ambientais. 

Esta visão foi se ampliando e os projetos sustentáveis passaram a considerar a concepção de sistemas de vedação e de instalações prediais com melhores desempenhos em termos de eficiência energética e uso racional de água.

Ferramentas de simulação computacional surgem como aliadas nesse processo. A racionalização no consumo de insumos naturais renováveis e não-renováveis e de insumos não naturais também já é considerada nos memoriais descritivos e nos projetos executivos. 

Assim, projetos mais sustentáveis surgem e vão além dos aspectos ambientais, solucionando também questões econômicas e sociais relacionadas.

Então, partindo-se de um projeto sustentável, tem-se por consequência uma edificação sustentável?

A primeira resposta está na análise contextual sob a qual se insere a edificação e as respostas dadas pelo projeto para questões futuras como a previsão de infraestrutura para a mobilidade urbana, abastecimento de água e energia, drenagem urbana, coleta de resíduos e efluentes.

Também como ponto de partida está a investigação e a previsão das diferentes necessidades dos diversos tipos de usuários e como elas são atendidas e previstas pelos projetos. 

Aspectos culturais também devem ser analisados com bastante cuidado. Somente partindo de projetos que consideraram estas informações é que as edificações futuras poderão ser capazes de se sustentar ao longo do tempo.

Além desses pontos, a sustentabilidade das edificações depende da resultante dos projetos em termos de qualidade ambiental interior - conforto e saúde, e de competitividade - despesas operacionais, de conservação e de manutenção. Deve ser evidente a sua capacidade de adequação, flexibilização e adaptação futura dos espaços disponíveis, sistemas construtivos e equipamentos.

Outros pontos fundamentais para a sustentabilidade das edificações que não são tratados pelos projetos são a disponibilidade de informação ao usuário e a capacitação dos gestores prediais para a realização das rotinas operacionais, de conservação e manutenção preventiva dos sistemas e equipamentos instalados. 

Outro ponto é a implementação de práticas de monitoramento que permitam acompanhar os consumos e os padrões de desempenho dos sistemas presentes. 

Este acompanhamento pode se dar por meio de dispositivos de medição, setorização e automação. 

No entanto, independente do meio, ele é essencial para o conhecimento dos padrões presentes, a definição de indicadores, a busca de melhorias, a identificação de desvios, a aplicação de correções e a alimentação de novos sistemas, sempre partindo dos consumos efetivos e dos desempenhos alcançados pelos sistemas presentes.

Assim, projetos sustentáveis se tornam edifícios sustentáveis a partir do momento em que as soluções de projeto são postas à prova e monitoradas e os benchmarks são criados, permitindo o aperfeiçoamento dos desempenhos e, consequentemente, proporcionando durabilidade à edificação.

Clarice Menezes Degani é engenheira especialista em sustentabilidade e assessora da vice-presidência de Sustentabilidade do Secovi-SP.

Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro comenta sucesso dos atletas nos Jogos de Londres.




















Carlos Jorge dos Santos (Foto: Arquivo Pessoal)

Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016™ terão a cara do carioca, as curvas das paradisíacas paisagens tropicais e a alma do brasileiro. 

O resto do visual fica por conta da equipe de Carlos Jorge dos Santos, Gerente de Look do Comitê Organizador. 

A missão é entregar uma identidade visual marcante e inspiradora, parte fundamental da experiência memorável da primeira edição do maior evento esportivo do mundo na América do Sul.

O conceito e a criação dos elementos gráficos são definidos pela gerência de marca. 

Em seguida, a gerência de design dá inicio ao desenvolvimento criativo (layouts) de todas as peças que formarão o manual técnico do Programa de Look. 

Durante o processo, a área avalia novas estruturas e propõe materiais para produção e impressão de todos os itens, indicando sempre soluções sustentáveis.

“Ao iniciarmos o trabalho pensando nas características de cada instalação, temos em mente que as pessoas querem sentir o clima dos Jogos e registrar que estiveram lá. 

Quando fizemos os Jogos Pan-Americanos Rio 2007, muitos paravam em frente aos vários elementos de Look para tirar fotos. O look é tão especial que inspira os atletas a dar seu melhor”, destaca Carlos Jorge, que trabalha com o Movimento Olímpico desde 2005.

Observações em Londres

Presente como observador nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, o gerente participou da visita de avaliação final do Programa de Look de todas as instalações esportivas. 

É neste momento que o Comitê Olímpico Internacional (COI) solicita os últimos ajustes e aprova a qualidade da entrega.

“É uma prova de fogo para nossa área, pois este processo acontece na fase final de montagem, geralmente a mais crítica, onde o tempo não corre a nosso favor. 

Pudemos apreender muitas lições com a equipe do Comitê Organizador britânico", afirma.

Em Londres, um dos destaques foi o programa de “spectaculars”, como grandes aros olímpicos e agitos paralímpicos instalados em locais icônicos, como a Tower Bridge. 

Londrinos e milhares de visitantes puderam conferir ainda projeções mapeadas na fachada do Parlamento britânico, às margens do Rio Tâmisa, e o projeto de iluminação de várias pontes.

Algumas das iniciativas demandaram negociações com a administração pública que duraram até dois anos, como a troca de cor da iluminação do famoso Big Ben durante as competições. 

"A parceria com os governos e o seu papel para garantir que a cidade seja ambientada para os Jogos é imprescindível", diz.


Nova sede do Comitê Organizador, a primeira entrega dos Jogos. 

Os projetos da área de Look são divididos em três grupos: o look dos Jogos propriamente ditos (instalações esportivas e não esportivas), o look da cidade e a consultoria técnica prestada para o desenvolvimento de outros programas relacionados aos Jogos.

“Dentro das instalações esportivas, o look é planejado com muito critério para atender principalmente aos requisitos técnicos de cada esporte. Londres foi um caso de sucesso ao executar projetos criativos, como o piso do hóquei, em azul delineado com o rosa pink”, relata Carlos Jorge.

O conceito criativo para que as intervenções visuais na cidade a deixem com a “cara” dos Jogos seguem uma linha mestra definida pelo Comitê Organizador. São aprovadas pelo COI e pelo Comitê Paralímpico Internacional e executadas pelas autoridades do Rio e cidades do futebol. Além disso, orienta todas as ativações dos patrocinadores.

O look reforça a identidade dos Jogos na cidade, num período em que está na vitrine do mundo. É uma grande oportunidade de exposição e, se for feito de uma maneira harmoniosa, também mexe com o sentimento dos moradores. Reforça o sentimento de autoestima e a importância de receber o maior evento esportivo do planeta”, conclui.

Uma das primeiras entregas da área será a ambientação da nova sede do Comitê Organizador Rio 2016™, localizada no Centro do Rio. 

É a primeira instalação não esportiva construída para os Jogos. Toda a identidade visual do local será desenvolvida pela equipe do gerente em parceria com a área de Instalações, um trabalho desenvolvido ao longo de um ano.

THG IMPLANTA ECODAY TRANSAMÉRICA HOSPITALITY GROUP



Os diretores do THG Paulo Bertero e Heber Garrido
(foto: divulgação)

Alinhado às mais recentes tendências da hotelaria, o THG (Transamérica Hospitality Group) investiu em um projeto de sustentabilidade envolvendo todas suas unidades e lançou, na última semana, o EcoDay Transamérica Hospitality Group. 

A iniciativa tem como objetivo conscientizar e introduzir o tema Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental Empresarial na cultura da empresa.

Segundo Paulo Bertero, diretor do THG, toda a cadeia hierárquica dos empreendimentos serão envolvidos no projeto. 

“Desde a gerência até a base. A ideia é que as gerências influenciem seus colaboradores sobre a importância de aderirem a causa, repassando o aprendizado adquirido posteriormente aos funcionários de cada empreendimento administrado”, explicou.

As primeiras ações práticas, que marcaram o lançamento do EcoDay, foram realizadas no último final de semana. 

Na sexta-feira, os colaboradores participaram de palestras motivacionais e de engajamento sobre o tema Responsabilidade Socioambiental Empresarial. 

A diretoria e o Marketing também estiveram presentes, fazendo uma apresentação sobre a importância do posicionamento social e sustentável do grupo, como também o que já vem sendo realizado nas unidades da rede.

O sábado foi o dia de ações ao ar livre: os participantes fizeram uma caminhada de ação social no Parque da Água Branca, em São Paulo. 

O THG doou um quilo de alimento não perecível por cada colaborador presente na iniciativa. Os donativos foram entregues à Associação das Damas de Caridade de São Vicente de Carvalho.

Fonte:  www.hoteliernews.com.br
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Palestra ministrada no evento THG Eco Day - Sustentabilidade e Responsabilidade Social. (19/11) Lado esquerdo o Diretor do Transamérica Hospitality Group - Sr. Paulo Celso Bertero - Lado direito - Gilbert Simionato - Palestrante e Diretor da Empresa Verde Consultoria em Sustentabilidade.

Fonte: Flickr - Galeira de THG Eco Day

Energia Sustentável

Um grupo formado por alunas da Coppe e da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveu um estudo para reduzir, de forma sustentável, os gastos com energia elétrica dos moradores do Morro Santa Marta, em Botafogo, no Rio de Janeiro. 
 
O trabalho foi apresentado, dia 24 de outubro, no XIV Congresso Brasileiro de Energia. Promovido pela Coppe, o evento ocorre, de 23 a 26 de outubro, na Firjan.

O Morro Santa Marta, onde moram cerca de 4mil pessoas, em aproximadamente 1.200 residências, foi a primeira comunidade do Rio de Janeiro a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). 
 
A implantação trouxe benefícios, como a formalização do fornecimento de energia. No entanto, isso gerou um custo adicional no orçamento, com a chegada da conta de luz. 
 
Considerando essa realidade, o estudo conclui ser possível reduzir custos de energia, incluindo o uso de fontes limpas, e melhorar a qualidade de vida dos moradores.

O estudo foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar, que reúne quatro alunas de graduação e pós-graduação da UFRJ. 
 
São elas: Victória Santos, mestranda do Programa de Planejamento Energético da Coppe, Beatriz Watanabe, doutoranda do Programa de Engenharia de Produção da Coppe, Ana Carolina Deveza, aluna do curso de Engenharia Ambiental, e Ana Laura Moreira de Souza, aluna do curso de Engenharia Civil, ambas da Escola Politécnica da UFRJ.

Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o estudo levou em conta a previsão de crescimento da população e do consumo de energia até 2030, partindo da premissa de que as ações sejam implantadas a partir de 2013.

Sob orientação do professor André Lucena, do Programa de Planejamento Energético da Coppe, o estudo contempla um conjunto de medidas para redução do gasto de energia, entre elas a coleta e a seleção do lixo, a implantação de coletores solares para aquecimento da água do banho, a instalação de sistemas fotovoltaicos para geração de energia solar e a construção de telhados verdes.

A sugestão dos alunos é vender o lixo reciclável e usar o lixo orgânico para gerar biogás por meio de biodigestores. 
 
“A adoção do biodigestor resultaria em uma economia no consumo de energia da ordem de 43 MWh ao ano até 2030”, afirma Victória.

Segundo o professor da Coppe, projetos como esse poderiam resultar em uma série de vantagens para as comunidades. 
 
“Eles propiciam benefícios diretos, como a redução das contas de luz, e ganhos adicionais, como a implantação da coleta seletiva de lixo.
 
Com a pacificação de outras comunidades, esse projeto poderia funcionar como uma espécie de piloto para ser replicado em novas áreas. 
 
Mas tudo depende, é claro, de financiamento para implantação”,ressalta André Lucena.

O estudo, cujo título é Waste management and energy supply in Rio’s favelas: the integration of different approaches, foi apresentado pela primeira vez no evento Students for Sustainability (Estudantes para a Sustentabilidade), promovido em junho deste ano pela Siemens, em parceria com o Pnuma e a Coppe/UFRJ, naprogramação paralela da Rio+20.

(Fonte: Planeta Coppe)
 

Construção civil da região sul ganha ITA no LACTEC

Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento está prestes a obter certificação para funcionar como uma Instituição Técnica Avaliadora
Por: Altair Santos

O Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC) está em vias de se tornar a primeira Instituição Técnica Avaliadora (ITA) do Sul do Brasil. Reivindicada há tempos por organismos ligados à construção civil da região, a criação de uma ITA permitirá que materiais e processos construtivos cheguem ao mercado com um comprovado controle de qualidade.

Ney Augusto Nascimento, do LACTEC: uma ITA agrega mais qualidade às construções habitacionais.

Atualmente existem apenas sete instituições habilitadas no Brasil, nenhuma delas no Sul. 

O desejo do Ministério das Cidades, de expandir as ITAs, está relacionado à entrada em vigor, em março de 2013, da norma de desempenho NBR 15575, que vai passar a nortear e exigir mais demanda por serviços prestados pelas Instituições Técnicas Avaliadoras.

Na entrevista a seguir, o diretor de desenvolvimento tecnológico do LACTEC (Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento) Ney Augusto Nascimento explica como está o processo de certificação e quais são as atribuições de uma Instituição Técnica Avaliadora dentro da cadeia produtiva da construção civil. Confira:

O Lactec pode se tornar a primeira Instituição Técnica Avaliadora (ITA) da construção civil na região Sul. O que isto significa para o Instituto?
O Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC) sempre teve um viés inovador. Desde o seu módulo inicial, o CEHPAR (Centro de Hidráulica e Hidrologia Professor Parigot de Souza), que desenvolve até hoje modelos hidráulicos reduzidos para grandes obras de engenharia, primou pelo pioneirismo, pela audácia e pela pesquisa. 

Assim, neste novo desafio que o governo, as instituições de classe ligadas à engenharia civil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a sociedade em geral apresentam, o LACTEC não poderia ficar alheio e decidiu como parte do seu planejamento estratégico, abraçar mais esta causa. 

Trata-se na realidade de uma complementação de atividades que o Instituto já realiza na área da construção civil, bastante ampliada para incluir os vários aspectos do desempenho de materiais e métodos construtivos. 

A formalização de uma ITA-LACTEC representa para a região Sul do Brasil um passo fundamental para que se certifiquem os produtos e o modo de aplicá-los em edificações, visando o melhor desempenho possível, especialmente nas habitações de interesse social.

O que uma ITA faz e quais setores ela abrange da construção civil?
A ITA tem por objetivo testar e certificar produtos e processos da construção civil sob os aspectos resistência mecânica, durabilidade, estanqueidade à água, térmico, acústico e de reação e resistência ao fogo. 

De todos esses itens, a questão da resistência é provavelmente a mais conhecida e realizada Brasil afora. As demais são de limitada realização, em especial em respeito ao fogo, que praticamente não se faz no Brasil. 

O escopo de uma ITA deve ser geral, podendo, porém, haver complementações entre diferentes instituições avaliadoras, em especial nesta fase de início de aplicação da norma brasileira de desempenho de edificações.

Sede do Lactec, em Curitiba/PR: novos investimentos 
em laboratórios voltados à pesquisa na construção civil.

O LACTEC está aperfeiçoando seus laboratórios ou chegou a criar um laboratório exclusivo para reivindicar a condição de ITA?
O LACTEC está ampliando as suas atuais instalações voltadas à construção civil para se tornar uma ITA. No momento, o Instituto realiza grande parte dos ensaios de resistência mecânica e de durabilidade exigidos. 

Há, porém, necessidade de ampliação, tanto de espaços físicos, quanto de equipamentos, novos e complementares aos existentes, assim como da contratação e treinamento de pessoal. A questão do fogo é bastante específica, pois exige grandes investimentos e apoio de equipe especializada neste tema. 

O Lactec está em fase de planejamento de novos investimentos para tal e provavelmente um novo conjunto de laboratórios será criado para funcionar como ITA.

Quando deve sair a habilitação e quem autoriza o Lactec a se tornar uma ITA?
O pedido para que o LACTEC seja também uma ITA foi protocolado no Ministério das Cidades, no âmbito do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas – SINAT. 

Mesmo sem ter o escopo completo de ITA, o Instituto pode funcionar como tal, limitando as suas ações enquanto cresce, e mesmo apoiando-se em atividades complementares que outras instituições executem, como por exemplo o SENAI-PR, parceiro de atuação. 

Há expectativa de que a ITA- LACTEC seja formalizada ainda em 2012, segundo informações do próprio Ministério das Cidades.

Na prática, o que uma certificação como essa vai influenciar nas construções do Sul do país?
Inicialmente, deve ser esclarecido que haverá uma instalação de ITA no LACTEC, após a devida aprovação. 

Posteriormente, avançaremos para o aspecto certificação, que envolve a participação do Inmetro nos diversos ensaios que a ITA realizará. Com os diversos procedimentos normalizados em curso na ITA, a qualidade de materiais e processos construtivos lá testados será validada. 

A partir de critérios de desempenho pré-estabelecidos, será possível dizer se tal material ou processo, sob condição de fogo, barulho, calor, intemperismo, carregamento e água apresenta comportamento que pode ser aceito nas edificações residenciais. 

Isto certamente melhorará a qualidade geral das construções, não somente no Sul, mas em todo o país. Saliente-se ainda que órgãos financiadores da construção habitacional, como a Caixa Econômica Federal, exigirão as certificações das empreiteiras a serem contratadas, via uma ITA.

Uma ITA atende mais construções habitacionais ou influencia também em obras de infraestrutura?
A norma brasileira que basicamente norteia as ações de uma ITA é a de desempenho de edifícios habitacionais até cinco pavimentos, NBR 15575-ABNT, prevista para entrar em vigência em março de 2013. 

Apesar de se referir a habitações de até cinco pavimentos, existe a expectativa do mercado de que a sua atuação se generalize a todas as edificações. 

A questão da qualidade na construção civil deverá se espalhar a qualquer tipo de obra num futuro breve, generalizando assim os conceitos ora restritos ao caso habitacional.

No caso das Companhias habitacionais, como a Cohapar, o LACTEC, a partir da habilitação ITA, pode dar que tipo de contribuição para que as construções habitacionais de interesse social melhorem?
Mediante os ensaios e posteriores certificações de materiais e processos construtivos, as empreiteiras da construção civil terão mais segurança na utilização desses materiais e processos nas suas obras, inclusive de conjuntos de habitações de interesse social. 

Sabe-se que há muitos casos em que a qualidade do produto final é muito aquém da desejada. 

Com a certificação via ITA haverá uma seleção de esquadrias, telhas, paredes, pisos, portas corta-fogo, revestimentos, juntas, forros e tantos outros itens de uma residência, por exemplo, oferecendo uma opção de produtos testados e certificados aos clientes, e como consequência um melhor desempenho da habitação.

Qual a influência da NBR 15575 (norma de desempenho) na certificação ITA para o LACTEC?
A norma de desempenho é a base para uma ITA. Há uma grande quantidade de normas adicionais, para as mais diversas atividades, materiais e funções, mas o desempenho de uma edificação representa a junção de muitos e diversos materiais, agregados através de um processo construtivo, e que devem ter um comportamento adequado. 

Isto significa qualidade de morar, qualidade de vida. 

O cumprimento desses requisitos normalizados, portanto, deverá garantir esta qualidade superior de desempenho da habitação para os seus moradores.

Os sistemas construtivos industrializados tendem a ganhar impulso no Sul do país, a partir dessa habilitação ITA?
Estima-se que sim. Uma das maneiras de se melhorar a qualidade de produtos e processos é através da industrialização. 

Acrescente-se também a questão de custo para o cliente final – o déficit habitacional no Brasil é da ordem de milhões de moradias, e se não se industrializar soluções, barateando-as, não haverá como diminuí-lo ou eventualmente zerá-lo. 

Sistemas de construção industrializada inovadores, rápidos, mais baratos e de boa qualidade, certificados via ITA, deverão ser a solução para este grande problema nacional. 

Levando-se em conta o fator escala, produzindo milhares de peças em lugar de centenas, ou mesmo milhões em lugar de milhares, haverá como resolvê-lo.

Com relação à qualificação da mão de obra na construção civil, o que uma habitação dessa deve mudar?
A resposta é a construção industrializada, que venha pronta da fábrica para ser montada no local da obra, certificada. 

Muda basicamente o conceito, ou seja, interrompe-se o artesanato na construção civil, com mão de obra pouco qualificada e sistemas pouco produtivos e implementa-se a produção em massa, com controle de qualidade, mão de obra especializada, certificação e preços mais baixos. 

E este artesanato morre? 
Provavelmente não, porém terá que ser revisto, melhorado e otimizado. E a certificação de produtos e processos não poderá mais ser deixada de lado.

Entrevistado
Ney Augusto Nascimento, diretor de desenvolvimento tecnológico do LACTEC (Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (1972), com mestrado em Engenharia Civil Geotecnia – The University of New México, EUA (1975) e doutorado em Engenharia Civil – The University of New Mexico (1983)
- É professor titular aposentado da Universidade Federal do Paraná – departamento de construção civil do setor de tecnologia
- Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em fundações e escavações, atuando principalmente nos seguintes temas: taludes, fundações, reforço de solos, ensaios geotécnicos laboratoriais, ensino de engenharia
- Entrou no LACTEC como representante da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e atualmente ocupa o cargo de diretor de desenvolvimento tecnológico do LACTEC


Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Pré-fabricado faz arenas da Copa virarem realidade

A menos de 600 dias do mundial, sistema construtivo impulsiona obras, que começam a ser inauguradas a partir de dezembro de 2012
Por: Altair Santos

Ainda que as obras de mobilidade prometidas para a Copa do Mundo estejam em ritmo lento, com a possibilidade de que algumas sequer saiam do papel ou sejam concluídas apenas após o megaevento de 2014, os estádios construídos para o torneio vivem uma outra realidade. 

Até o final da primeira quinzena de outubro de 2012, sete deles já haviam rompido a barreira dos 50% de obras concluídas. A previsão é que os primeiros empreendimentos fiquem prontos até o final deste ano. São os casos do Castelão, em Fortaleza/CE, e do Mineirão, em Belo Horizonte/MG.

Com a Copa do Mundo a menos de 600 dias do seu início, os estádios ganham ritmo acelerado graças a sistemas construtivos impulsionados pelos pré-moldados. 

No caso do Castelão e do Mineirão, o emprego de peças de concreto não chega a ser tão volumoso, por tratarem-se de estruturas em reforma. 

Mesmo assim, eles necessitaram de peças de concreto na ordem de 36% do total da obra – no caso do estádio de Fortaleza – e de 41% no de Belo Horizonte. 

O Castelão empregou 1.118 peças pré-fabricadas, enquanto no Mineirão a chamada esplanada, construída no entorno do estádio, é que tem exigido mais pré-moldados.

No local está instalada uma central de concreto que produz 350 m³/dia, fornecendo material para uma central de pré-moldado concebida para produzir 12 pilares por dia. 

 Para a estrutura pré-moldada da esplanada, foram empregados 530 pilares, 556 vigas e 3.815 lajes pré-moldadas. 

Outra obra que se beneficiou das estruturas pré-fabricadas foi o Estádio Nacional de Brasília. Para a construção no anel superior, foram empregadas 1.604 peças de concreto. 

Já na Arena Fonte Nova, em Salvador/BA, foram instalados 500 pilares, duas mil vigas, sete mil lajes alveolares, 450 vigas-jacaré e 1.500 peças para as arquibancadas. 

Os pré-moldados consumiram 20 mil m³ de concreto.

Nenhum dos 12 estádios, porém, tem usado tantas estruturas pré-moldadas quanto a Arena São Paulo/SP. São 16 mil peças, entre pilares, vigas, lajes e degraus. 

A quantidade de elementos de concreto empregados é mais que o dobro do que vai precisar a Arena Pantanal, em Cuiabá/MT. 

Serão 7.107 estruturas, entre lajes, vigas, pilares (70%), vigas-jacaré e arquibancadas. 

Já as arenas de Pernambuco, Manaus/AM e Natal/RN preveem a instalação de 4 mil, 2,5 mil e 1,7 mil peças de concreto pré-moldado. 

No Maracanã, que a exemplo dos estádios de Fortaleza e Belo Horizonte é um estrutura em reforma, foram empregados 3 mil elementos.

No Beira-Rio, em Porto Alegre/RS, que é outro estádio em reforma, o volume de pré-fabricados equivale a 4 mil m³, enquanto na Arena da Baixada estima-se a utilização de pelo menos 1,5 mil peças pré-moldadas. 

Assim como o estádio gaúcho, o da capital paranaense também está em reforma.

Arena São Paulo: 51,38% das obras concluídas.

Beira-Rio: 40% das obras concluídas.

Arena das Dunas: 38,5% das obras concluídas.

Maracanã: 70% das obras concluídas.

Arena da Baixada: 46% das obras concluídas.