Energia Sustentável

Um grupo formado por alunas da Coppe e da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveu um estudo para reduzir, de forma sustentável, os gastos com energia elétrica dos moradores do Morro Santa Marta, em Botafogo, no Rio de Janeiro. 
 
O trabalho foi apresentado, dia 24 de outubro, no XIV Congresso Brasileiro de Energia. Promovido pela Coppe, o evento ocorre, de 23 a 26 de outubro, na Firjan.

O Morro Santa Marta, onde moram cerca de 4mil pessoas, em aproximadamente 1.200 residências, foi a primeira comunidade do Rio de Janeiro a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). 
 
A implantação trouxe benefícios, como a formalização do fornecimento de energia. No entanto, isso gerou um custo adicional no orçamento, com a chegada da conta de luz. 
 
Considerando essa realidade, o estudo conclui ser possível reduzir custos de energia, incluindo o uso de fontes limpas, e melhorar a qualidade de vida dos moradores.

O estudo foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar, que reúne quatro alunas de graduação e pós-graduação da UFRJ. 
 
São elas: Victória Santos, mestranda do Programa de Planejamento Energético da Coppe, Beatriz Watanabe, doutoranda do Programa de Engenharia de Produção da Coppe, Ana Carolina Deveza, aluna do curso de Engenharia Ambiental, e Ana Laura Moreira de Souza, aluna do curso de Engenharia Civil, ambas da Escola Politécnica da UFRJ.

Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o estudo levou em conta a previsão de crescimento da população e do consumo de energia até 2030, partindo da premissa de que as ações sejam implantadas a partir de 2013.

Sob orientação do professor André Lucena, do Programa de Planejamento Energético da Coppe, o estudo contempla um conjunto de medidas para redução do gasto de energia, entre elas a coleta e a seleção do lixo, a implantação de coletores solares para aquecimento da água do banho, a instalação de sistemas fotovoltaicos para geração de energia solar e a construção de telhados verdes.

A sugestão dos alunos é vender o lixo reciclável e usar o lixo orgânico para gerar biogás por meio de biodigestores. 
 
“A adoção do biodigestor resultaria em uma economia no consumo de energia da ordem de 43 MWh ao ano até 2030”, afirma Victória.

Segundo o professor da Coppe, projetos como esse poderiam resultar em uma série de vantagens para as comunidades. 
 
“Eles propiciam benefícios diretos, como a redução das contas de luz, e ganhos adicionais, como a implantação da coleta seletiva de lixo.
 
Com a pacificação de outras comunidades, esse projeto poderia funcionar como uma espécie de piloto para ser replicado em novas áreas. 
 
Mas tudo depende, é claro, de financiamento para implantação”,ressalta André Lucena.

O estudo, cujo título é Waste management and energy supply in Rio’s favelas: the integration of different approaches, foi apresentado pela primeira vez no evento Students for Sustainability (Estudantes para a Sustentabilidade), promovido em junho deste ano pela Siemens, em parceria com o Pnuma e a Coppe/UFRJ, naprogramação paralela da Rio+20.

(Fonte: Planeta Coppe)
 

Construção civil da região sul ganha ITA no LACTEC

Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento está prestes a obter certificação para funcionar como uma Instituição Técnica Avaliadora
Por: Altair Santos

O Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC) está em vias de se tornar a primeira Instituição Técnica Avaliadora (ITA) do Sul do Brasil. Reivindicada há tempos por organismos ligados à construção civil da região, a criação de uma ITA permitirá que materiais e processos construtivos cheguem ao mercado com um comprovado controle de qualidade.

Ney Augusto Nascimento, do LACTEC: uma ITA agrega mais qualidade às construções habitacionais.

Atualmente existem apenas sete instituições habilitadas no Brasil, nenhuma delas no Sul. 

O desejo do Ministério das Cidades, de expandir as ITAs, está relacionado à entrada em vigor, em março de 2013, da norma de desempenho NBR 15575, que vai passar a nortear e exigir mais demanda por serviços prestados pelas Instituições Técnicas Avaliadoras.

Na entrevista a seguir, o diretor de desenvolvimento tecnológico do LACTEC (Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento) Ney Augusto Nascimento explica como está o processo de certificação e quais são as atribuições de uma Instituição Técnica Avaliadora dentro da cadeia produtiva da construção civil. Confira:

O Lactec pode se tornar a primeira Instituição Técnica Avaliadora (ITA) da construção civil na região Sul. O que isto significa para o Instituto?
O Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC) sempre teve um viés inovador. Desde o seu módulo inicial, o CEHPAR (Centro de Hidráulica e Hidrologia Professor Parigot de Souza), que desenvolve até hoje modelos hidráulicos reduzidos para grandes obras de engenharia, primou pelo pioneirismo, pela audácia e pela pesquisa. 

Assim, neste novo desafio que o governo, as instituições de classe ligadas à engenharia civil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a sociedade em geral apresentam, o LACTEC não poderia ficar alheio e decidiu como parte do seu planejamento estratégico, abraçar mais esta causa. 

Trata-se na realidade de uma complementação de atividades que o Instituto já realiza na área da construção civil, bastante ampliada para incluir os vários aspectos do desempenho de materiais e métodos construtivos. 

A formalização de uma ITA-LACTEC representa para a região Sul do Brasil um passo fundamental para que se certifiquem os produtos e o modo de aplicá-los em edificações, visando o melhor desempenho possível, especialmente nas habitações de interesse social.

O que uma ITA faz e quais setores ela abrange da construção civil?
A ITA tem por objetivo testar e certificar produtos e processos da construção civil sob os aspectos resistência mecânica, durabilidade, estanqueidade à água, térmico, acústico e de reação e resistência ao fogo. 

De todos esses itens, a questão da resistência é provavelmente a mais conhecida e realizada Brasil afora. As demais são de limitada realização, em especial em respeito ao fogo, que praticamente não se faz no Brasil. 

O escopo de uma ITA deve ser geral, podendo, porém, haver complementações entre diferentes instituições avaliadoras, em especial nesta fase de início de aplicação da norma brasileira de desempenho de edificações.

Sede do Lactec, em Curitiba/PR: novos investimentos 
em laboratórios voltados à pesquisa na construção civil.

O LACTEC está aperfeiçoando seus laboratórios ou chegou a criar um laboratório exclusivo para reivindicar a condição de ITA?
O LACTEC está ampliando as suas atuais instalações voltadas à construção civil para se tornar uma ITA. No momento, o Instituto realiza grande parte dos ensaios de resistência mecânica e de durabilidade exigidos. 

Há, porém, necessidade de ampliação, tanto de espaços físicos, quanto de equipamentos, novos e complementares aos existentes, assim como da contratação e treinamento de pessoal. A questão do fogo é bastante específica, pois exige grandes investimentos e apoio de equipe especializada neste tema. 

O Lactec está em fase de planejamento de novos investimentos para tal e provavelmente um novo conjunto de laboratórios será criado para funcionar como ITA.

Quando deve sair a habilitação e quem autoriza o Lactec a se tornar uma ITA?
O pedido para que o LACTEC seja também uma ITA foi protocolado no Ministério das Cidades, no âmbito do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas – SINAT. 

Mesmo sem ter o escopo completo de ITA, o Instituto pode funcionar como tal, limitando as suas ações enquanto cresce, e mesmo apoiando-se em atividades complementares que outras instituições executem, como por exemplo o SENAI-PR, parceiro de atuação. 

Há expectativa de que a ITA- LACTEC seja formalizada ainda em 2012, segundo informações do próprio Ministério das Cidades.

Na prática, o que uma certificação como essa vai influenciar nas construções do Sul do país?
Inicialmente, deve ser esclarecido que haverá uma instalação de ITA no LACTEC, após a devida aprovação. 

Posteriormente, avançaremos para o aspecto certificação, que envolve a participação do Inmetro nos diversos ensaios que a ITA realizará. Com os diversos procedimentos normalizados em curso na ITA, a qualidade de materiais e processos construtivos lá testados será validada. 

A partir de critérios de desempenho pré-estabelecidos, será possível dizer se tal material ou processo, sob condição de fogo, barulho, calor, intemperismo, carregamento e água apresenta comportamento que pode ser aceito nas edificações residenciais. 

Isto certamente melhorará a qualidade geral das construções, não somente no Sul, mas em todo o país. Saliente-se ainda que órgãos financiadores da construção habitacional, como a Caixa Econômica Federal, exigirão as certificações das empreiteiras a serem contratadas, via uma ITA.

Uma ITA atende mais construções habitacionais ou influencia também em obras de infraestrutura?
A norma brasileira que basicamente norteia as ações de uma ITA é a de desempenho de edifícios habitacionais até cinco pavimentos, NBR 15575-ABNT, prevista para entrar em vigência em março de 2013. 

Apesar de se referir a habitações de até cinco pavimentos, existe a expectativa do mercado de que a sua atuação se generalize a todas as edificações. 

A questão da qualidade na construção civil deverá se espalhar a qualquer tipo de obra num futuro breve, generalizando assim os conceitos ora restritos ao caso habitacional.

No caso das Companhias habitacionais, como a Cohapar, o LACTEC, a partir da habilitação ITA, pode dar que tipo de contribuição para que as construções habitacionais de interesse social melhorem?
Mediante os ensaios e posteriores certificações de materiais e processos construtivos, as empreiteiras da construção civil terão mais segurança na utilização desses materiais e processos nas suas obras, inclusive de conjuntos de habitações de interesse social. 

Sabe-se que há muitos casos em que a qualidade do produto final é muito aquém da desejada. 

Com a certificação via ITA haverá uma seleção de esquadrias, telhas, paredes, pisos, portas corta-fogo, revestimentos, juntas, forros e tantos outros itens de uma residência, por exemplo, oferecendo uma opção de produtos testados e certificados aos clientes, e como consequência um melhor desempenho da habitação.

Qual a influência da NBR 15575 (norma de desempenho) na certificação ITA para o LACTEC?
A norma de desempenho é a base para uma ITA. Há uma grande quantidade de normas adicionais, para as mais diversas atividades, materiais e funções, mas o desempenho de uma edificação representa a junção de muitos e diversos materiais, agregados através de um processo construtivo, e que devem ter um comportamento adequado. 

Isto significa qualidade de morar, qualidade de vida. 

O cumprimento desses requisitos normalizados, portanto, deverá garantir esta qualidade superior de desempenho da habitação para os seus moradores.

Os sistemas construtivos industrializados tendem a ganhar impulso no Sul do país, a partir dessa habilitação ITA?
Estima-se que sim. Uma das maneiras de se melhorar a qualidade de produtos e processos é através da industrialização. 

Acrescente-se também a questão de custo para o cliente final – o déficit habitacional no Brasil é da ordem de milhões de moradias, e se não se industrializar soluções, barateando-as, não haverá como diminuí-lo ou eventualmente zerá-lo. 

Sistemas de construção industrializada inovadores, rápidos, mais baratos e de boa qualidade, certificados via ITA, deverão ser a solução para este grande problema nacional. 

Levando-se em conta o fator escala, produzindo milhares de peças em lugar de centenas, ou mesmo milhões em lugar de milhares, haverá como resolvê-lo.

Com relação à qualificação da mão de obra na construção civil, o que uma habitação dessa deve mudar?
A resposta é a construção industrializada, que venha pronta da fábrica para ser montada no local da obra, certificada. 

Muda basicamente o conceito, ou seja, interrompe-se o artesanato na construção civil, com mão de obra pouco qualificada e sistemas pouco produtivos e implementa-se a produção em massa, com controle de qualidade, mão de obra especializada, certificação e preços mais baixos. 

E este artesanato morre? 
Provavelmente não, porém terá que ser revisto, melhorado e otimizado. E a certificação de produtos e processos não poderá mais ser deixada de lado.

Entrevistado
Ney Augusto Nascimento, diretor de desenvolvimento tecnológico do LACTEC (Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (1972), com mestrado em Engenharia Civil Geotecnia – The University of New México, EUA (1975) e doutorado em Engenharia Civil – The University of New Mexico (1983)
- É professor titular aposentado da Universidade Federal do Paraná – departamento de construção civil do setor de tecnologia
- Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em fundações e escavações, atuando principalmente nos seguintes temas: taludes, fundações, reforço de solos, ensaios geotécnicos laboratoriais, ensino de engenharia
- Entrou no LACTEC como representante da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e atualmente ocupa o cargo de diretor de desenvolvimento tecnológico do LACTEC


Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Pré-fabricado faz arenas da Copa virarem realidade

A menos de 600 dias do mundial, sistema construtivo impulsiona obras, que começam a ser inauguradas a partir de dezembro de 2012
Por: Altair Santos

Ainda que as obras de mobilidade prometidas para a Copa do Mundo estejam em ritmo lento, com a possibilidade de que algumas sequer saiam do papel ou sejam concluídas apenas após o megaevento de 2014, os estádios construídos para o torneio vivem uma outra realidade. 

Até o final da primeira quinzena de outubro de 2012, sete deles já haviam rompido a barreira dos 50% de obras concluídas. A previsão é que os primeiros empreendimentos fiquem prontos até o final deste ano. São os casos do Castelão, em Fortaleza/CE, e do Mineirão, em Belo Horizonte/MG.

Com a Copa do Mundo a menos de 600 dias do seu início, os estádios ganham ritmo acelerado graças a sistemas construtivos impulsionados pelos pré-moldados. 

No caso do Castelão e do Mineirão, o emprego de peças de concreto não chega a ser tão volumoso, por tratarem-se de estruturas em reforma. 

Mesmo assim, eles necessitaram de peças de concreto na ordem de 36% do total da obra – no caso do estádio de Fortaleza – e de 41% no de Belo Horizonte. 

O Castelão empregou 1.118 peças pré-fabricadas, enquanto no Mineirão a chamada esplanada, construída no entorno do estádio, é que tem exigido mais pré-moldados.

No local está instalada uma central de concreto que produz 350 m³/dia, fornecendo material para uma central de pré-moldado concebida para produzir 12 pilares por dia. 

 Para a estrutura pré-moldada da esplanada, foram empregados 530 pilares, 556 vigas e 3.815 lajes pré-moldadas. 

Outra obra que se beneficiou das estruturas pré-fabricadas foi o Estádio Nacional de Brasília. Para a construção no anel superior, foram empregadas 1.604 peças de concreto. 

Já na Arena Fonte Nova, em Salvador/BA, foram instalados 500 pilares, duas mil vigas, sete mil lajes alveolares, 450 vigas-jacaré e 1.500 peças para as arquibancadas. 

Os pré-moldados consumiram 20 mil m³ de concreto.

Nenhum dos 12 estádios, porém, tem usado tantas estruturas pré-moldadas quanto a Arena São Paulo/SP. São 16 mil peças, entre pilares, vigas, lajes e degraus. 

A quantidade de elementos de concreto empregados é mais que o dobro do que vai precisar a Arena Pantanal, em Cuiabá/MT. 

Serão 7.107 estruturas, entre lajes, vigas, pilares (70%), vigas-jacaré e arquibancadas. 

Já as arenas de Pernambuco, Manaus/AM e Natal/RN preveem a instalação de 4 mil, 2,5 mil e 1,7 mil peças de concreto pré-moldado. 

No Maracanã, que a exemplo dos estádios de Fortaleza e Belo Horizonte é um estrutura em reforma, foram empregados 3 mil elementos.

No Beira-Rio, em Porto Alegre/RS, que é outro estádio em reforma, o volume de pré-fabricados equivale a 4 mil m³, enquanto na Arena da Baixada estima-se a utilização de pelo menos 1,5 mil peças pré-moldadas. 

Assim como o estádio gaúcho, o da capital paranaense também está em reforma.

Arena São Paulo: 51,38% das obras concluídas.

Beira-Rio: 40% das obras concluídas.

Arena das Dunas: 38,5% das obras concluídas.

Maracanã: 70% das obras concluídas.

Arena da Baixada: 46% das obras concluídas.


Rumo à Copa do Mundo no Brasil: PNUMA avalia desempenho verde da África do Sul na Copa do Mundo da FIFA

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente lança, em Brasília, avaliação de desempenho ambiental da Copa do Mundo de 2010 e faz recomendações ao Brasil e à FIFA para os próximos megaeventos esportivos



Ao passo que o Brasil se prepara para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou, nesta terça-feira, um relatório sobre o desempenho ambiental da Copa do Mundo da África do Sul, que destaca os casos de sucessos e as lições que devem ser aprendidas para garantir a sustentabilidade dos eventos esportivos no Brasil.

A avaliação independente mostrou que a pegada de carbono da Copa do Mundo de 2010 foi muito menor do que o previsto, devido ao número de visitantes (que foi menor do que o esperado), aos esquemas de carona e às alternativaseficientes de estadia; o que cortou o uso de energia em 30%. O uso detecnologia solar e de outras formas de energia renovável ​​também contribuiu para o resultado.

A pegada de carbono foi de 1.65 milhões de toneladas de CO2eq., que pode ser comparada à projeção de 2.64 milhões de toneladas.

O PNUMA trabalhou com o governo Sul-Africano no projeto Gol Verde 2010(Green Goal 2010) para promover iniciativas como o corte da pegada de carbono,redução do uso de água, menor produção de resíduos e conservação da biodiversidade. Tais iniciativas devem ser levadas para o próximo nível no Brasil, com o objetivo de criar eventos cada vez mais verdes.

Ao mesmo tempo em que esse estudo, financiado pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), identifica muitas iniciativas bem sucedidas, ele também mostra uma certa falta de foco ao se tratar de considerações ambientais na fase de planejamento da Copa do Mundo, sendo um dos motivos para esse potencial não ter sido explorado ao máximo.

"O relatório aponta muitas iniciativas exemplares, mas talvez a descoberta maisimportante é que a África do Sul poderia ter obtido conquistas maiores se as medidas de sustentabilidade tivessem sido pensadas mais cedo e não no último momento", disse o Subsecretário Geral e Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner. "Assim, o estudo mostra que a realização do pleno potencial de esverdeamento desses torneios se torna mais possível se a sustentabilidade é levada em conta desde o início, durante o planejamento, elaboração do projeto e construção".

Apesar de algumas dificuldades na compilação de dados suficientes para avaliar completamente o desempenho verde do torneio, o relatório destacou muitos exemplos concretos de sucesso, incluindo os seguintes:

O estádio Moses Mabhida, em Durban, incorporou iluminação inteligente em eficiência energética como parte do seu Sistema de Gestão de Edifícios para reduzir o uso de energia em 30 por cento, enquanto o Estádio Green Point, na Cidade do Cabo, utilizou também sistemas de ventilação natural para reduzir o consumo de energia.

A Cidade do Cabo aperfeiçoou a iluminação das ruas com lâmpadas de baixo consumo e semáforos de LED para cortar o seu perfil de emissões.

Durban compensou a sua pegada de carbono com sequestro de carbono — com o plantio de 104 mil árvores — e implementou outras medidas previamente planejadas, tais como energia de hidrelétricas e sistemas de biogás.

Foram construídos 94 quilômetros de rede de Bus Rapid Transit (BRT) em Joanesburgo, além de outras redes semelhantes, ciclovias, sistemas de transporte coletivo e passarelas na baía Nelson Mandela, Nelspruit, Polokwane, Rustemburgo e Bloemfontein. Todas essas medidas contribuíram para reduzir a pegada de carbono do evento.

O estádio Moses Mabhida -- que usou medição de água e aproveitamento de águas pluviais em uma instalação de armazenamento subterrâneo a 700m2 -- reduziu o consumo de água potável em 74 por cento, enquanto o Estádio Green Point atingiu sua meta com um corte de 10 por cento.

Sistemas de despejo de lixo foram usados ​​na maioria das áreas de maior público, que em Durban levaram à reciclagem de quase 200 toneladas de resíduos gerados durante as partidas -- batendo a meta verde de Durban em 4 por cento.

95 por cento dos resíduos de demolição do antigo estádio foram recuperados e reutilizados na construção do Estádio Green Point, na Cidade do Cabo. Em Moses Mabhida, 400 toneladas de aço e 400 toneladas de tijolos, mastros, reatores, solo arável e assentos foram resgatados para uso no novo estádio e em outros projetos.

O torneio apoiou o Ano Internacional da Biodiversidade, com um parque criado na Cidade do Cabo e um programa ecológico, incluindo a remoção de espécies exóticas da vegetação e a reabilitação das zonas úmidas em Nelspruit. Programas de conscientização foram realizados em escolas de Joanesburgo.

Além disso, o PNUMA uniu-se à PUMA e às estrelas do time de futebol dos Camarões, incluindo Samuel EtoO, para o lançamento da campanha “Jogo pela Vida” (Play for Life) pela biodiversidade da África.

Com base em suas descobertas, o relatório chegou a importantes conclusõespara a África do Sul que poderiam ajudar a garantir um legado ambientalduradouro nas Copas do Mundo futuras, incluindo:

Os principais casos de sucesso foram em eficiência energética, energia renovável e transporte público, os quais devem ser repetidos.

Os projetos-piloto de energia renovável ​​devem ser implementados o mais rápido possível, junto com a plena implementação de uma política nacional de energia, para ajudar a orientar a África do Sul a um novo caminho que diminua a sua dependência do carvão.

O sistema de transporte foi melhorado e é considerado um dos principaislegados do evento, embora esforços sejam necessários para expandir a rede, garantir veículos adequados para rodovias e melhorar a eficiênciados transportes públicos.

Mesmo com esforços significantes para minimizar a produção de resíduos, nem todas as cidades-sede e estádios foram capazes de implementar programas adequados de separação de resíduos e não fecharam contratos com empresas para fazer reciclagem ao invés de despejar o lixo em aterros. Uma política coerente e abrangente teria evitado problemas, e a implementação de tal política poderia significar um outro legado vital.

Cidades-sede e estádios mostraram iniciativas positivas para a conservação da água, provando o grande valor da medição da água e da necessidade de expansão de tais sistemas.

De olho em projetos esportivos futuros, o PNUMA assinou um acordo com o governo brasileiro para ajudar a tornar verdes os dois grandes eventos esportivosque o Brasil sediará nos próximos quatro anos, continuando o trabalho que o PNUMA tem feito em Jogos Olímpicos desde 2004.

O relatório também fez uma série de recomendações para melhorar o aspecto ambiental dos futuros eventos esportivos de grande porte, como a Copa doMundo de 2014 no Brasil. Algumas das principais conclusões e recomendaçõessão:

Devido ao fato de a omissão de considerações ambientais ser uma das 17garantias da FIFA para sediar a Copa do Mundo FIFA™, o esforço investidoem gestão ambiental não é suficiente. Essa questão merece séria consideração por parte da FIFA.

Diretrizes ambientais, inclusive para as cidades-sede, devem ser claras elegalmente vinculantes. Práticas específicas devem ser inegociáveis, mensuráveis ​​e ter o respaldo da lei.

A FIFA deve considerar compensar sua própria pegada de carbono eincentivar seus parceiros a fazer o mesmo.

É essencial um compromisso por escrito e publicamente declarado portodas as partes interessadas na ecologização do evento.

Oportunidades de financiamento de iniciativas ambientais devem ser exploradas mais cedo para evitar situações em que os programasplanejados não foram implementados devido à falta de fundos; o comitê organizador deve alocar mais recursos para iniciativas ecológicas.

Geração de dados ambientais é importante para a avaliação. A ausência de dados ambientais da Copa da África do Sul tornou difícil avaliar o impacto de suas iniciativas.

O relatório também fornece um modelo de uma lista de controle de desempenho ambiental em eventos de grande número de espectadores, que serviria como uma ferramenta simples para a integração de questões de sustentabilidade.

O relatório foi apresentado em Brasília, no dia em que oficiais do PNUMA se reuniram com representantes do governo brasileiro, da FIFA e do Comitê Olímpico para buscar medidas concretas para tornar verdes os dois grandes eventos esportivos.

Sobre o trabalho do PNUMA em Esportes:

O papel do PNUMA de prover consultoria ao mundo esportivo se iniciou quandoassinou um acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1994. Além da África do Sul 2010, o PNUMA forneceu consultoria para Atenas 2004, Turim 2006,Pequim 2008 e Vancouver 2010. 

A organização também forneceu dezenas derecomendações para o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Inverno Sóchi 2014 para a integração de considerações ambientais na preparação e realização dos Jogos.

Nota aos Editores:

O download do relatório pode ser feito pelo link:


Contato para a imprensa:

Shereen Zorba
Centro de Notícias do PNUMA
Tel:+254 788 526 000

Amanda Talamonte
PNUMA Brasil
Tel:+55 61 3038 9237

Centro de Notícias do PNUMA (Nairobi)
Tel: +254 20 762 3088


World leaders honoring the work of Wangari Maathai

O que é REDD + Brasil

O conceito de Redução de Emissões por Desamatamento e Degradação Florestal (Redd) surgiu na Convenção Quadro das Nações Unidas (UNFCCC) realizada em 2003. 

Na época, um grupo de instituições não-governamentais brasileiras propôs um mecanismo de redução compensada das emissões de carbono na atmosfera.

Mais tarde, em 2005, um grupo de países – dentre os quais Costa Rica e Papua Nova Guiné – propuseram a criação de um mecanismo de mitigação baseado na Redução de Emissões por Desmatamento (Red). 


Mapa abrangência

Com o amadurecimento dos debates, surgiu a necessidade de incluir a degradação florestal e, posteriormente, abranger países que detêm estoques florestais e não apenas os que possuem florestas sob determinado grau de ameaça. Com isso a sigla evoluiu para Redd.

No ano de 2007, durante a 13ª Conferência das Partes da UNFCCC (COP-13), em Bali, foi adotado o Plano de Ação de Bali, que determinou Redd como uma das potenciais ações de mitigação de mudanças climáticas. 

Foi adotada decisão que estimula os países a reduzir emissões por desmatamento e degradação, assim como a promover investimentos em construção de capacidades, transferência de tecnologia, identificação de opções e apoio a atividades demonstrativas. 

Ficou acertado que as premissas fariam parte de um novo acordo internacional, o qual deveria ser concluído na 15ª Conferência das Partes (COP-15), em Copenhague.

Foi também durante a COP-13 que o conceito inicial foi ampliado pela segunda vez, e passou a ser conhecido como Redd+. 

Isso significa que, além das reduções por desmatamento e degradação, ele passou a abranger a tarefa da conservação florestal, do manejo sustentável e do aumento dos estoques de carbono. 

O compromisso foi registrado no Plano de Ação de Bali.

Mitigação - A redução da emissão de gases de efeito estufa, por meio das medidas previstas no conceito Redd+ pretende ser uma alternativa viável para mitigar os impactos das mudanças climáticas. 

Além disso, traz em seu bojo benefícios adicionais, pois a redução do desmatamento e degradação e a conservação dos estoques de carbono contribuem para a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos e para a melhoria das condições de vida das populações tradicionais.

Ao longo do tempo em que não houve definição concreta sobre o futuro mecanismo de Redd+, muitas iniciativas, programas e projetos por parte de governos, ONGs e pessoas físicas ou jurídicas surgiram aleatoriamente em todo o mundo, de forma voluntária e em diversos casos desvinculada das negociações internacionais. 

No Brasil e em outros países, ainda não existe regulamentação específica para esse tipo de ação. Todas as iniciativas estão passando por processos de discussão e definição dos marcos regulatórios.

Na 16ª Conferência das Partes (COP-16), realizada em Cancun, México, em 2010, o conceito Redd+ bem como suas diretrizes, salvaguardas e principais regras foram aprovados no âmbito do Acordo de Cancun. 

Redd+ é uma estratégia de mitigação da mudança do clima pelos países em desenvolvimento, de caráter voluntário, e contará com o apoio técnico e financeiro dos países desenvolvidos.

Mais informações: