Contenção monitorada - Avenida Paulista
Obra de torre comercial na Avenida Paulista, em São Paulo, emprega paredes-diafragma e estacões intercalados com colunas de solo-cimento. Proximidade do metrô exige rigoroso controle de recalques
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Heloisa Medeiros
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| Para abrigar os sete subsolos da Torre Matarazzo e do Shopping Cidade São Paulo, escavação de aproximadamente 9 mil m2 e 25 m de profundidade movimentou cerca de 250 mil m3 de terra |
As obras das fundações da Torre Matarazzo, localizada na Avenida Paulista, estão caminhando a passos largos no terreno que abrigava a antiga mansão da família. O empreendimento, idealizado pela Cyrela Commercial Properties e pela Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, é composto pela torre de escritórios triple A, de 22 mil m2 de área privativa total, e pelo Shopping Cidade São Paulo, com 17,5 mil m2 de área bruta locável.
A fase de execução de fundações deve durar 15 meses, quase um terço do cronograma total da obra, planejado para 47 meses. O terreno de 12 mil m2 localiza-se na confluência das Ruas São Carlos do Pinhal, Pamplona e Avenida Paulista. A escavação, com cerca de 25 m de profundidade, abrigará sete subsolos e tem exigido planejamento criterioso, além de cuidados redobrados devido à proximidade do túnel da Linha 2 - Verde do Metrô de São Paulo, e à preocupação com a segurança do intenso fluxo de pessoas na avenida.
A logística abrangeu desde a mobilização dos equipamentos, que só podem chegar à obra à noite e entrar em funcionamento de dia, até o fornecimento de aço e concreto em horários especiais, de acordo com as exigências da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Por isso, foi realizado um estudo profundo da execução desde 2009.
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| Contenção junto à Rua Pamplona tem estacões de 1,20 m de diâmetro intercalados com colunas executadas com injeção de calda de cimento a alta pressão sem ar comprimido, técnica conhecida como Chemical Churning Pile (CCP) |
A primeira fase das obras de infraestrutura consistiu na execução de cerca de 10 mil m2 de paredes-diafragma. Nas divisas com a Rua São Carlos do Pinhal e o prédio vizinho, as paredes moldadas in loco, com clam shell, formam lamelas de 3,20 m, com 40 cm de espessura.
Na face da Avenida Paulista, as lamelas medem 2,5 m, com 50 cm de espessura. O clam shell escavou paredes entre 30 m e 35 m de profundidade, sempre posicionado na parte superior do terreno. Em seguida, teve início a escavação da caixa do subsolo com uma área de 9 mil m², cuja movimentação foi de cerca de 250 mil m3 de terra.
CCP e estacões
No entanto, na divisa da lateral com a Rua Pamplona, inicialmente foi projetada uma parede-diafragma com 1 m de espessura, em função das cargas concentradas nos pilares resultantes dos grandes vãos das lajes exigidos nesse tipo de empreendimento corporativo. Porém, o elevado volume de concreto fez com que fosse adotada uma outra técnica.
A solução foi executar estacões, ou estacas escavadas justapostas, com 1,20 m de diâmetro, para formar a parede de contenção, cujos espaços vazios foram preenchidos com colunas de Chemical Churning Pile (CCP) de 80 cm de diâmetro.
A técnica consiste em utilizar perfuratrizes com bomba para injeções de calda de cimento a alta pressão (400 bar a 900 bar) por meio de jatos horizontais a uma velocidade de cerca de 250 m/s. Em função do movimento de rotação do equipamento, mesmo sem escavação prévia, o solo se desagrega e se mistura com a calda de cimento, criando um composto de solo-cimento na forma de colunas com seção circular, com alta resistência e estanqueidade, impermeabilizando o solo.
Essa nata é injetada com bicos de 2 mm a 3 mm de diâmetro na terra. A técnica de CCP permite a execução de colunas de diâmetro médio entre 40 cm e 80 cm sem a utilização de ar comprimido (característica do jet grouting, indicado para colunas de diâmetro médio entre 90 cm e 180 cm).
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| Travamentos metálicos provisórios executados nas extremidades da paredes de contenção da Avenida Paulista | ||
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| Implantação do terreno |
"Durante a execução das colunas, o jato funciona como destruidor do terreno, criando uma 'sopa'. O equipamento perfura o solo na descida e, quando sobe, libera a nata de cimento. O excedente que extravasa é recolhido para ser destinado a um bota-fora ou para outra utilização", explica Milton Golombek, diretor da Consultrix, empresa responsável pelo projeto de fundações da Torre Matarazzo.
Segundo Golombek, essa solução foi concebida para suportar as cargas concentradas dos pilares da torre, que estarão posicionados sobre essa cortina, com valores da ordem de 3 mil a 4 mil toneladas cada. O coroamento dessa parede foi realizado com uma viga de grandes proporções. "Podemos dizer que as estacas são quase justapostas, pois há uma distância pequena entre elas. Tivemos ainda uma forte preocupação em garantir o prumo desses estacões, que, no final, ficaram com a verticalidade perfeita", destaca ele.
Solução competitiva
Segundo Clovis Salioni, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e Geotecnia (Abef) e diretor-superintendente da Geosonda, empresa responsável pela execução das fundações, as técnicas de estacas escavadas com CCP ou jet grouting já são soluções bem conhecidas no Brasil e no mundo.
"Porém, é pouco usual em empreendimentos imobiliários. Essa técnica geralmente é empregada em obras de grande porte, como metrô. Mas revelou-se uma solução competitiva em termos de custos e prazo". A opção pelas estacas escavadas com CCP também se deve ao solo do terreno, composto de sessões de limonita (minério de ferro), que formam lâminas bem duras, com camadas de 20 cm até 80 cm de espessura.
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| Tirantes da parede de contenção na divisa com a Avenida Paulista foram executados em ângulos diferentes, com cuidado para não interferirem no túnel do metrô | Detalhe - estacas escavadas e CCP |
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Contenção com parede-diafragma - Avenida Paulista
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Tirantes de contenção e túnel do metrô
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O CCP gerou colunas com 22 m de profundidade, impedindo o fluxo de água do terreno, além da função de contenção. Segundo Salioni, o solo local é bom e o lençol freático fica a 12 m de profundidade. O túnel do metrô está na lateral da obra e passa no leito da Avenida Paulista.
Porém, as fundações do prédio são bem mais profundas (até 49 m) que os túneis, que estão a 20 m de profundidade. Por esse motivo, foi necessário contratar instrumentação remota durante as obras de infraestrutura para monitoramento de toda a região.
"Foi realizado um mapeamento detalhado do subsolo, com farta documentação do trecho, para impedir qualquer surpresa", explica Salioni.
Porém, as fundações do prédio são bem mais profundas (até 49 m) que os túneis, que estão a 20 m de profundidade. Por esse motivo, foi necessário contratar instrumentação remota durante as obras de infraestrutura para monitoramento de toda a região.
"Foi realizado um mapeamento detalhado do subsolo, com farta documentação do trecho, para impedir qualquer surpresa", explica Salioni.
Para a execução dos estacões, a Geosonda está utilizando equipamentos como a perfuratriz de 90 toneladas equipada com haste telescópica. O primeiro passo é a escavação com um fluido à base de polímeros que promove a sustentação e a impermeabilização do solo, em substituição à lama bentonítica.
Depois, é colocada a madeira e feita a concretagem por bombeamento de baixo para cima, ao mesmo tempo em que o fluido é bombeado. Esse fluido não polui o solo como a bentonita, que promove a sua impermeabilização permanente.
Quando a terra é retirada e levada para o bota-fora, acaba prejudicando a drenagem. A nova solução, biodegradável, é formulada com cadeias de carbono que se desfazem em pouco tempo, mantendo as mesmas características da bentonita. O empreendimento tem ao todo 289 estacas escavadas.
Depois, é colocada a madeira e feita a concretagem por bombeamento de baixo para cima, ao mesmo tempo em que o fluido é bombeado. Esse fluido não polui o solo como a bentonita, que promove a sua impermeabilização permanente.
Quando a terra é retirada e levada para o bota-fora, acaba prejudicando a drenagem. A nova solução, biodegradável, é formulada com cadeias de carbono que se desfazem em pouco tempo, mantendo as mesmas características da bentonita. O empreendimento tem ao todo 289 estacas escavadas.
De acordo com Salioni, o ritmo da obra é a execução de até dois estacões por dia. "Há o cuidado com o controle de ruídos dos equipamentos, dotados de câmara de isolamento acústico.
Os guindastes dão apoio ao trabalho. A distância entre os estacões varia de acordo com o trecho. É um mar de estacas, com blocos de fundação de até 66 mil toneladas. Há blocos tão grandes que parecem até radiers", descreve Salioni.
Os guindastes dão apoio ao trabalho. A distância entre os estacões varia de acordo com o trecho. É um mar de estacas, com blocos de fundação de até 66 mil toneladas. Há blocos tão grandes que parecem até radiers", descreve Salioni.
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Central de produção de calda de cimento Tirantes monitorados
Devido à proximidade com túneis do metrô, a obra está passando por monitoramento constante de recalques do pavimento asfáltico da Avenida Paulista. Também estão sendo registrados os deslocamentos provocados pela escavação da obra e a convergência com o túnel do metrô. Tanto que para evitar qualquer risco desse tipo, nos dois "cantos" da parede-diafragma na divisa com a Avenida Paulista foi utilizado escoramento metálico robusto para substituir os tirantes.
Próximo à Rua Pamplona e também abaixo do túnel, estão locados tirantes inclinados, que evitam proximidade com essas estruturas. O comprimento dos tirantes chega a 40 m.
A instalação seguiu uma sequência que se inicia com a perfuração baseada no comprimento total do tirante, executando os furos com uma perfuratriz de 10 t a 15 t. Depois, são instalados os tubos de revestimento em PVC, que abrigam de 12 a 14 cabos de aço cada. Esses tubos são preenchidos, em parte, com calda de cimento, sob pressão. São deixados trechos livres de cimento para que cada tirante possa trabalhar de acordo com as determinações do projeto. A ancoragem dos tirantes é feita com protensão normal. No total, a obra conta com mais de 21 mil m de tirantes com capacidade entre 35 tf a 140 tf.
Salioni ressalta que tanto do ponto de vista técnico, quanto do cronograma, a obra está adiantada e atende às especificações. "O plano de ataque foi bom. Essa obra mostra que a engenharia de fundações no Brasil é altamente capacitada não só por parte do cliente, mas também por parte dos projetistas e executores", destaca Salioni.
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A NBR 15.575 (Conforto acústico) - Vale o desempenho
Nova norma deve ser um marco na construção, mas o atendimento requer mecanismos de gestão da qualidade de projetos e execução, além de rigor nas compras
Por Luciana Tamaki
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| Diferente do que foi concebido quando surgiu, a Norma de Desempenho tem requisitos válidos não só para edificações de até cinco pavimentos, mas sim de qualquer altura. Isso afeta todas as construções habitacionais |
A NBR 15.575 - Norma de Desempenho para Edificações Habitacionais de até Cinco Pavimentos, em vigor desde o dia 12 de maio, difere-se substancialmente das normas existentes, pois não trata de sistemas construtivos ou materiais constituintes do edifício. Sua atuação é sobre o desempenho do edifício habitacional, ou seja, seu comportamento global.
A Norma estabelece requisitos e critérios de desempenho considerando as exigências do usuário. Essas exigências, antes subjetivas, viraram requisitos técnicos, com parâmetros determinados. Por isso, muitos conceitos presentes não são considerados em normas prescritivas, como, por exemplo, a durabilidade dos sistemas, a manutenibilidade da edificação, o conforto tátil e antropodinâmico dos usuários.
O prazo para adequação de projetos à Norma é de seis meses. Portanto, a partir de 12 de novembro, todos os projetos protocolados nas prefeituras devem estar de acordo com a Norma de Desempenho. Vale lembrar que a NBR 15.575 não se aplica a obras de reforma ou retrofit.
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| Os pisos internos devem atender a muitos conceitos antes subjetivos, como conforto táti |
Elaboração e natureza da Norma
Idealizada a partir de um pedido da Caixa Econômica Federal, a Norma inicialmente foi concebida para atuar sobre edifícios residenciais de até cinco pavimentos, para guiar uma análise qualitativa dos edifícios de interesse social. "Havia uma necessidade de atender a essas famílias, e a Norma veio cobrir essa lacuna", explica Inês Battagin, secretária do comitê de estudos da Norma.
Porém, os conceitos colocados na Norma tornaram-na bem mais abrangente. No final, a Norma de Desempenho pode ser aplicada a qualquer edifício residencial, exceto nos requisitos influenciados pela altura. E isso vai impactar, de alguma forma, todas as novas construções de edifícios.
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| Os sistemas hidrossanitários também comportam quase todos os requisitos, desde estanqueidade e isolamento acústico até adequação ambiental |
O conceito de normalizar o desempenho segue uma vertente internacional, iniciada na década de 1980. Em 1992 foi criada uma norma britânica (BS 7543), que versa sobre a durabilidade para edifícios e elementos componentes, com conceitos de desempenho. Essa norma britânica, segundo Battagin, guiou os critérios de durabilidade e vida útil da NBR 15.575.
Inês Battagin resume da seguinte maneira: "Existem três atores importantes. Quem faz o projeto, que deve pensar em todos os conceitos; quem executa, que deve agir na direção do desempenho; e o usuário, que deve usar da maneira correta. Estamos aliando esses três atores".
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| Paredes, pilares etc. podem ser produzidos com distintos concretos e mesmo outros materiais |
A Norma de Desempenho brasileira, porém, é mais http://www.revistatechne.com.br/engenharia-civil/158/artigo174101-1.asp# que muitas outras internacionais. Ainda, segundo Battagin, internacionalmente evoluiu-se muito em questões de desempenho acústico, térmico e um pouco de lumínico, "mas queríamos uma visão mais plena, mais inteira". Carlos Alberto Borges, coordenador da comissão de estudos, destaca o item da vida útil de projeto: "No Brasil, é a primeira norma que coloca a obrigação da vida útil em projeto". Para Borges, de certa forma, isso obriga o setor a não pensar apenas em custo inicial de construção, mas em custos de operação e manutenção.
Construtores também concordam que a Norma de Desempenho trará benefícios à indústria da construção em geral. Para Maria Luiza Wolf, coordenadora de projetos da Goldsztein, a normativa irá melhorar a qualidade dos produtos.
Cláudio Mitidieri, gerente do Laboratório de Sistemas Construtivos do IPT (Instituto de Pesquisas Técnológicas do Estado de São Paulo), também colaborador da Norma, acredita que as construtoras aprimorarão seus sistemas de gestão internos de qualidade e seus relacionamentos com fornecedores. "Será necessário uma interação maior, e o impacto da Norma é positivo", diz ele.
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| Além de ensaios em laboratório, como de isolamento acústico, esquadrias devem ser testadas dentro do sistema de vedação vertical para requisitos como estanqueidade |
Daqui para frente
Mesmo sendo um grande primeiro passo, a Norma de Desempenho deve sofrer muitos questionamentos. Construtoras e os integrantes da comissão de estudos concordam que agora é que as dúvidas devem começar a surgir. Para Mitidieri, ainda há um desconhecimento muito grande. "A Norma é complexa, por isso é necessário uma organização setorial para um estudo dirigido e um entendimento da Norma de Desempenho", aponta ele. Se alguns setores sentirem algum exagero nas exigências, se houver justificativa técnica e consenso, a Norma poderá ser revista.
Estrutura da Norma
A Norma divide-se em seis partes: Requisitos gerais; Requisitos para os sistemas estruturais; Requisitos para os sistemas de pisos internos; Sistemas de vedação verticais externas e internas; Requisitos para sistemas de coberturas; e Sistemas hidrossanitários. Não são contemplados os sistemas elétricos, que fazem parte de um conjunto de normas com base na NBR 5.410.
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| A Norma estabelece as lâminas d'água e o tempo de ensaio dentro do qual não deve haver infiltração |
Nos requisitos gerais são definidas as exigências dos usuários que se transformaram em requisitos. São eles: segurança (estrutural, contra o fogo, no uso e na operação), habitabilidade (estanqueidade; conforto térmico; conforto acústico; conforto lumínico; saúde, higiene e qualidade do ar; funcionalidade e acessibilidade; conforto tátil e antropodinâmico) e sustentabilidade (durabilidade, manutenibilidade, impacto ambiental). Cada requisito tem seus critérios mínimos definidos (veja resumo na tabela 1) ou, se for o caso, são indicadas as normas a serem consideradas.
Na parte de sistemas estruturais, explica-se que o desempenho estrutural deve ser avaliado a partir do estado limite último e estado limite de serviço. A Norma apresenta os deslocamentos limites e flechas máximas para pilares, paredes, lajes, forros etc., tanto por critérios técnicos - evitar destacamentos, fissuras e outros - como por motivos de insegurança psicológica do usuário.
Para os sistemas de pisos internos há muitas definições, pois os pisos abarcam muitos critérios como segurança contra incêndio, resistência ao escorregamento, estanqueidade, desempenho acústico, entre outros. É definido, por exemplo, o tempo requerido de resistência ao fogo (TRRF) de no mínimo 30 minutos. Em relação a conforto tátil e antropodinâmico, o fator de planeza deve ser de no mínimo 13 para acabamento não liso e 15 para liso.
A parte de vedações verticais apresenta, como era de se esperar, muitas exigências sobre estanqueidade. Para vedações não estruturais, são indicados os deslocamentos e danos toleráveis sob ação de carregamentos. A Norma abrange solicitações de cargas suspensas, ações transmitidas por impactos nas portas, resistência dos guarda-corpos e parapeitos, umidade interna e externa. Os ensaios de estanqueidade devem se contextualizar em uma das cinco regiões brasileiras de exposição ao vento.
Sobre sistemas de coberturas, a Norma trata da resistência e durabilidade (com exigências correlatas às de estrutura), ação do granizo, deslizamento de componentes e arrancamento pelo vento, escoamento de águas pluviais, estanqueidade, absortância térmica, estabilidade da cor de telhas, entre outros. Admite-se manchas de umidade na face inferior das telhas, mas sem ocorrência de gotejamentos.
Para os sistemas hidrossanitários, são definidos parâmetros como sobrepressão nas válvulas de descarga, com valor máximo de 0,2 MPa; resistência das tubulações, que deve ser de cinco vezes a pressão de serviço; sobrepressão máxima da parada de bombas de recalque, com velocidade do fluido até 10 m/s. São indicadas as vazões mínimas de água nas diferentes peças: chuveiros e duchas 0,25 l/s; mictório 0,15 l/s; torneiras (lavatório, pia, tanque, uso geral, torneira automática economizadora) 0,12 l/s; torneiras para jardim 0,25 l/s.
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Níveis de desempenho
A norma define três níveis de desempenho: Mínimo (M), Intermediário (I) e Superior (S). Todos os sistemas devem ter um desempenho que atinja pelo menos o nível M. Os prazos de garantia mínimos, por exemplo, devem ser aumentados em 25% ou 50% para se atingir os níveis I e S, respectivamente.
No impacto de corpo mole em pisos, um impacto de 480 J atende ao nível M se não ocasionar ruínas, sendo admitidas falhas localizadas (como fissuras, destacamento e outras). Porém, só serão alcançados os níveis I e S se não houver nem ruína nem falhas. Em outro exemplo, no desempenho de vedações, os ensaios de campo para níveis de ruído determinam nível M para índice de redução sonora na faixa de 30 a 34 dB. O nível I é alcançado com desempenho melhor, com redução de 35 a 39 dB, e, o S, acima de 39 dB.
Essa classificação deve ser um diferencial para a comercialização do imóvel, pois se pode cobrar mais por um empreendimento que tenha melhor desempenho e durabilidade, e que possivelmente trará menos custos, por exemplo, com economia de energia.
Implementação
Algumas construtoras vêm se preparando há mais de um ano para a implementação dos critérios de desempenho em seus empreendimentos. Mas o trabalho é extenso. A Goldsztein, uma das primeiras construtoras a iniciar estudos sobre a nova Norma, em agosto de 2008, ainda está formatando seu memorial de desempenho padrão, que compila todas as normas aplicáveis a cada etapa da construção, e também realizando controle e especificação em cada setor da empresa.
Segundo Maria Luiza Wolf, a empresa, em um primeiro diagnóstico, atendia a 50% dos itens da Norma, o que foi muito satisfatório, segundo ela. "Hoje já atendemos a 75%, pois já evoluímos quanto a fornecedores, projetistas, suprimento e assistência técnica", completa Luiza. A Gafisa também preparou um manual que indica, para todos os procedimentos de obra, quais estão de acordo com a Norma e quais não estão (veja tabela 2). Porém, a empresa ainda está na fase de cruzar custos com desempenho, e ainda não concluiu, por exemplo, se o custo de alguns itens irão subir.
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Ensaios e fornecedores
Uma das dificuldades mais apontadas para adequação à Norma é em relação aos ensaios necessários. O gerente do departamento de Desenvolvimento de Operações e Tecnologia da Gafisa, Thiago Leomil, levanta a questão: "O mercado não está preparado para essa demanda. Há poucos laboratórios". Luiza Wolf vai além: "Os laboratórios cadastrados estão quase todos em São Paulo".
Materiais com uso consagrado, como aço, não precisam de testes, pois já vêm certificados. Basta a construtora exigir os parâmetros necessários para atender aos requisitos de vida útil, por exemplo. Por outro lado, sistemas ou materiais construtivos inovadores necessitarão de mais ensaios. Um bom modo de se guiar é verificar se o produto está no Programa Setorial da Qualidade do PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat).
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A adequação dos fornecedores também pode ser uma etapa trabalhosa. "Muitos não atendiam [aos requisitos da Norma de Desempenho]. Nós pedimos laudos, ensaios, e agora parte deles já mudou", conta Luiza. Leomil, da Gafisa, acrescenta que, dependendo do estudo de viabilidade, pode-se chegar à conclusão de que não será mais possível trabalhar com determinado material.
Mas o maior desafio para adequação à Norma, segundo Leomil, será não só nas etapas da obra, mas também no setor de produto. "As áreas de produto, desenvolvimento e os projetistas terão que se desdobrar para preservar a estética, ou isso exigirá uma adaptação do consumidor. Por exemplo, para os guarda-corpos atingirem certa rigidez, pode ser necessário um número maior de montantes por metro, e, se não encontrada a melhor técnica para preservar a estética, os modelos poderão sofrer adaptações", diz ele.
Segurança contra o incêndioSegurança contra o incêndio
A segurança da estrutura contra incêndios foi pensada em seis partes: dificultar o princípio do incêndio, evitar a inflamação generalizada, dificultar a propagação do incêndio, minimizar o risco de um colapso estrutural, facilitar a fuga e, por fim, dispor a edificação de sistemas de extinção e sinalização de incêndio. A Norma estabelece que, para dificultar o princípio do incêndio, deve-se proteger a edificação contra descargas atmosféricas, ignição nas instalações elétricas e vazamentos nas instalações de gás. O projeto e execução desses itens devem seguir as normas existentes.
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Para dificultar a inflamação generalizada, deve-se avaliar todos os materiais que compõem tanto a face interna como a externa do edifício, de tal forma que eles tenham características de propagação de incêndio controladas. Já para a propagação do incêndio para fora da unidade, deve-se atentar para a distância entre os edifícios, as medidas de proteção (como portas corta-fogo) e sistemas que assegurem a estanqueidade e isolamento. Para evitar o colapso estrutural, a avaliação das estruturas deve ser feita segundo normas já existentes. As rotas de fuga e os equipamentos de extinção, sinalização e iluminação de emergência também devem atender a norma própria.
Isolamento de ruído
Há critérios tanto para ruído de impacto em piso como para ruído aéreo entre unidades. O nível de pressão sonora (para o impacto) deve ser no máximo de 80 dB, e o valor mínimo é o correspondente a um piso de concreto maciço com espessura de 10 cm. Para a análise, podem ser utilizados tanto o método de engenharia como o método simplificado, ambos descritos na Norma.
Para isolamento de ruído aéreo, a Norma prevê ensaios em laboratório e em campo. Em laboratório, a redução sonora deve ser de 40 dB para paredes que separam áreas privativas de áreas comuns e 45 dB para paredes e pisos que separam unidades habitacionais. Para avaliação em campo, o requisito é a diferença de nível entre ambientes, que deve ser de 35 dB para paredes que separam áreas privativas de áreas comuns e 40 dB para paredes e pisos que separam unidades habitacionais.
Método de avaliação do desempenho térmico
São três procedimentos que avaliam a adequação da habitação às oito regiões bioclimáticas do Brasil, definidas na NBR 15.220-3: o simplificado, que consiste na verificação de que os sistemas de vedação e cobertura atendem aos requisitos da própria Norma de Desempenho; e os procedimentos globais, de simulação computacional e medição - "in loco" ou em protótipos.
A edificação que não atender ao procedimento simplificado pode ser aprovada por uma avaliação global. Para a medição, são estabelecidos os recintos para medição, a orientação para simulação ou construção do protótipo, entre outros. Para a simulação computacional, há critérios de avaliação tanto para condições de verão quanto para inverno. Há orientações para a especificação dos dados de entrada no programa em relação à ventilação, absortância das paredes, recintos adjacentes etc., tanto para o verão como para o inverno, e tanto para edificações térreas como multipiso.
Vida útil de projeto x garantia
A norma define o que é a VUP (Vida Útil de Projeto), conceito que difere de prazo de garantia. A VUP é o tempo dentro da qual o edifício e seus sistemas devem atender aos requisitos de desempenho estabelecidos. Já o prazo de garantia é o período de tempo no qual a ocorrência de defeitos não pode ser justificada por mau uso ou envelhecimento natural, garantido pelo construtor ou incorporador.
São oferecidas diretrizes para as definições dos prazos mínimos de garantia por parte dos construtores e incorporadores. Já os prazos mínimos de VUP para cada sistema da edificação são definidos conforme tabela abaixo:
Sistema/VUP mínima (anos)
n Estrutura ≥ 40
n Vedação vertical externa ≥ 40
n Vedação vertical interna ≥ 20
n Cobertura ≥ 20
n Hidrossanitário ≥ 20
n Pisos internos ≥ 13
Tire suas dúvidas
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A Norma deve acarretar aumento de custo para os construtores? Qual a estimativa? Quais os principais fatores de pressão de custo?
Requisitos de desempenho estrutural, de segurança contra incêndio e outros que remetem para normas existentes não causarão impacto. No caso da isolação acústica a ruído de impactos em piso, isolação acústica de paredes entre unidades privativas, as empresas que não atendem ao requisito terão aumento de custo.
Se todos os produtos que compõem um sistema construtivo forem normalizados, o resultado será um sistema que atende à Norma de Desempenho?
Não necessariamente. O atendimento às normas de desempenho tem uma forte participação de premissas e critérios de projeto. Por exemplo: para atender aos requisitos de desempenho térmico é essencial que o projeto resolva bem a implantação do empreendimento, as áreas de ventilação, o pé-direito etc.
Quando a cidade não tiver laboratório acreditado pelo InMetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) para ensaiar um sistema "in loco", o produto poderá ser simulado em outra cidade?
Os ensaios de caracterização de desempenho se dividem em duas categorias: ensaios de laboratório e ensaios de campo, além de simulações computacionais e medições em campo. Ensaios de laboratório e simulações podem ser feitos em qualquer cidade; os ensaios e medições de campo precisam ser feitos no local da obra.
Há laboratórios capacitados para avaliarem desempenho de todos os sistemas de um edifício residencial ou há sistemas que nunca foram avaliados, sob o ponto de vista do desempenho, pelos laboratórios brasileiros?
Os laboratórios brasileiros estão capacitados em sua maioria apenas para os ensaios de controle tecnológico de concreto, aço, argamassas etc. Os ensaios de desempenho térmico, desempenho acústico, segurança contra incêndio, estanqueidade, segurança no uso e outros são realizados em poucos laboratórios.
A Norma poderá aumentar a industrialização das obras?
Obter o desempenho adequado é mais fácil com sistemas industrializados, pois há mais controle sobre as variáveis que determinam o desempenho. Mas não é impossível ter bom desempenho com sistemas moldados " in loco".
Antes da entrega do empreendimento, os condomínios realizarão ensaios para verificar se o desempenho foi atendido?
Não é função do condomínio ensaiar para essa verificação. É responsabilidade de quem projeta, incorpora e constrói atender o que a Norma estabelece.
Essa Norma deverá aumentar o trabalho de peritos e gerar uma demanda homologatória de desempenho, como um cartel?
Nos países desenvolvidos, o seguro exige que o atendimento a normas seja demonstrado pelas empresas. Existem instituições técnicas que avaliam o projeto, e os fabricantes só podem fornecer produtos que atendam às normas de especificações e/ou de desempenho.
Com a falta de laboratórios e critérios de aferição de ensaios pouco claros, os resultados de desempenho poderão ser muito diferentes? Quem dá a palavra final?
Os métodos de ensaios estão integralmente associados a métodos previstos em normas brasileiras ou estrangeiras. Quem deve avaliar são instituições idôneas tecnicamente para realizar os ensaios e avaliações previstas na Norma para cada requisito.
Para manter seus empreendimentos em conformidade, todas as construtoras precisarão criar um departamento de gestão do sistema de desempenho?
Não. Basta que os profissionais se atualizem. Desempenho é "conhecimento tecnológico". Será preciso se atualizar para projetar de acordo com a conceituação que, por exemplo, era comum nas décadas de 1960 e 1970.
Para sistemas construtivos industrializados, será preciso toda vez fazer os testes de desempenho ou, uma vez homologado o produto, o sistema está permanentemente aprovado?
Se o produto for utilizado dentro das condições de exposição e de uso para as quais foi avaliado, uma vez caracterizado seu desempenho, não será necessário avaliar mais. Se a condição de uso influir sobre o desempenho, deverá ser novamente avaliado.
O consumidor poderá exigir a troca de um elemento construtivo baseado na norma de desempenho?
O consumidor que comprar um apartamento ou casa cujo projeto tenha sido protocolado em prefeitura seis meses após a entrada em vigor da Norma poderá exigir o integral cumprimento da Norma (amparado pelo Código de Defesa do Consumidor).
Existe norma similar em outros países?
A norma que estabeleceu as bases da metodologia de desempenho foi a ISO 6241 - Performance Standards in Building - Principles for Their Preparation and Factors to be Considered, de 1984. A partir dela vários países elaboraram suas normas para tratar de todos os aspectos do desempenho.
É verdade que a exigência de desempenho acústico no Brasil é metade da exigida na Europa? Cite outras referências de países que adotaram a Norma.
No caso dos requisitos de acústica, estamos muito abaixo porque, principalmente em países do Hemisfério Norte, a exigência de grande estanqueidade ao ar e à água, no caso de caixilhos e paredes, leva a um alto isolamento acústico.
Os fornecedores que fabricam produtos fora de norma serão naturalmente excluídos do mercado?
Se as empresas que compram materiais e componentes se dispuserem a exigir o cumprimento de normas, os fornecedores precisarão se ajustar à conformidade necessária. Produtos em não conformidade não podem estar no mercado, pois apresentam desempenho inadequado e riscos.
Que cláusulas adicionais deverão constar, por regra, dos memoriais descritivos?
Os memoriais descritivos devem dar evidências de que as normas de projeto foram seguidas, e os produtos especificados nos memoriais devem ser especificados quanto ao desempenho, não mais com nome de marca e modelo. O desempenho especificado deve permitir que se busque o fornecedor que demonstre atender a esse desempenho
Obras do maior túnel ferroviário do mundo avançam nos Alpes Suíços
Com conclusão prevista para 2016, Gotthard Base Tunnel é formado por dois túneis paralelos com 57 quilômetros de extensão. Vídeo mostra tecnologia usada para a escavação
Aline Rocha
As obras do maior túnel ferroviário do mundo estão avançando. Com extensão de 57 quilômetros, o Gotthard Base Tunnel está sendo escavado nos Alpes Suíços, com o objetivo de facilitar o transporte de carga e passageiros entre o país, a Alemanha e a Itália. A estrutura é localizada a 2300 metros de profundidade da superfície.
A empresa responsável pela obra é a AlpTransit Gotthard AG, que espera finalizar os trabalhos em dezembro de 2016. Para facilitar o processo, o túnel foi dividido em sete partes, cujas obras acontecem ao mesmo tempo: Altdorf/Rynächt, Erstfeld, Amsteg, Sedrun, Faido , Bodio, Biasca.
O Gotthard consiste em dois túneis paralelos, com 57 quilômetros de extensão, que são ligados por passagens a cada 325 metros. Também existirão estações de emergência ao longo de todo o trajeto e sistemas para controle de temperatura e ventilação.
As obras foram iniciadas em 1999, e em outubro de 2010, foram finalizadas as primeiras escavações do tubo leste. No total, foram retirados 28,2 milhões de toneladas de rocha escavada. Vale lembrar que todo o material retirado na escavação vem sendo reaproveitado na própria obra.
O processo de construção é feito praticamente em conjunto com as escavações. Assim que as rochas são perfuradas pelas máquinas, os operários iniciam a colocação de telas metálicas para evitar o desmoronamento das paredes. O túnel também recebe grandes arcos de aço intercalados em todo o trajeto.
Em 2010, foi iniciada a instalação dos sistemas da ferrovia, começando pelo tubo oeste no trecho entre Bodio e Faido.
Após as férias de verão, as obras foram retomadas no último dia 20 de agosto. No trecho de Sedrun, está em andamento a adaptação do Eixo I da ferrovia e a instalação das passagens de ar e portas do túnel. Já no trecho entre Erstfeld e Sedrun, foi finalizada a última parte da pista de lastro do tubo leste.





Via: www.piniweb.com.br


Energia a partir do lodo
Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. A máxima do químico francês Antoine Lavoisier pode servir como meta para uma tecnologia que começa a ser difundida no Brasil.
Por meio do aproveitamento até do asqueroso lodo proveniente de estações de tratamento de esgoto, gera-se energia e se reduz o impacto ambiental causado pelo armazenamento de milhões de litros de resíduos em centenas de aterros sanitários espalhados pelo país.
A crescente demanda por sustentabilidade e consciência ambiental alavanca a busca pelo aproveitamento máximo de absolutamente tudo na sociedade, inclusive o resíduo que desce diariamente pelos encanamentos das grandes cidades.
A possibilidade de gerar energia elétrica a partir dos dejetos empolga estudiosos e empresários em todo o mundo.
Uma empresa norueguesa desenvolveu um processo, chamado hidrólise térmica, em que o lodo do tratamento do esgoto é colocado em um equipamento que simula uma grande panela de pressão.
Posteriormente, com alta temperatura e pressão, a tampa é aberta abruptamente e as células das bactérias estouram, o que faz com que o conteúdo dentro delas seja liberado. Isso faz com que a digestão do material seja feita de forma muito mais rápida e eficiente, e que o volume do lodo seja reduzido ao máximo.
Outra tecnologia que aumenta ainda mais a eficiência do digestor é a de uma empresa alemã que pega o lodo já digerido pelas bactérias e o incinera, aproveita os gases da queima e os joga em microturbinas para gerar mais energia.
Turbinas
Em Minas Gerais, a Companhia de Saneamento do estado (Copasa) aproveita o gás gerado pelo lodo para girar turbinas e gerar energia em uma das suas estações de tratamento de esgoto em Belo Horizonte.
Com capacidade de gerar 2,4 megas de energia, quantidade que pode abastecer uma cidade de 15 mil habitantes, a estação poderia ser autossustentável. Só não se usa 100% de energia gerada por ela devido à legislação vigente.
Superintendente de Serviços e Tratamento de Afluentes da companhia, Eugênio Álvares de Lima e Silva afirma que poderá haver interesse de futuramente aproveitar novas estações no estado para aproveitar energia.
O engenheiro defende que há vantagens significantes para se usar a nova tecnologia e conta que a empresa está construindo uma estação mais avançada em Ibirité, na Região Metropolitana de BH.
"Estamos em obra para construir uma outra estação que vai aproveitar também a queima do lodo, que, quando seca, vira praticamente um carvão e pode servir como combustível", diz.
O gerente de tecnologia do Grupo Águas do Brasil, que reúne empresas do setor no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Amazonas, o engenheiro químico André Lermontov concorda que o processo pode representar avanços tanto econômicos como ambientais, mas ressalta que ainda há muito a ser feito no país.
"No Brasil, o pensamento é assim: o lodo é um produto que vai gerar despesa com transporte para um aterro sanitário. Lá fora, querem projetar estações para gerar o máximo de lodo possível a fim de gerar mais energia", explica.
O tratamento da matéria orgânica dos esgotos é feito em reservatórios com bactérias, que consomem resíduos em um processo que tem como subproduto o gás metano, e a energiaelétrica é obtida com o seu uso.
"O lodo é uma massa de bactérias e elas saem de dentro do reator em uma concentração muito diluída, em uma proporção de aproximadamente 98% de água e 2% de bactérias", afirma Lermontov.
O engenheiro argumenta que, diante disso, paga-se para transportar água para um aterro sanitário. Quando o lodo é aproveitado para a geração de energia, a concentração do composto chega a 20% de bactérias.
Portanto, além da energia que pode subsidiar as estações de tratamento, o volume de rejeito que segue para os aterros sanitários é menor.
Lermontov admite que o investimento é maior para que se possa obter energia do lodo: "Você precisa comprar os equipamentos necessários, mas torna sua estação muito mais sustentável", argumenta.
Inclusive, lembra, o gás metano que é usado é considerado um destruidor da camada de ozônio. "Além disso o ganho de energia e a redução nos gastos com aterramento valem a pena", ressalta. Outra questão a ser levada em conta é que o processo também está de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecida em 2010. Sancionada no ano passado, ela cria diversas metas a serem cumpridas pelos municípios brasileiros até 2014.
Tendência mundial
O presidente do Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços de Água e Esgotos (Sindcon), Giuliano Dragone, também defende a tecnologia."É uma tendência mundial, isso está virando moda.
" Ele relata que o país sofre com pouca eficiência operacional na gestão do saneamento e lamenta:
"Ninguém imagina o tanto de lodo que é gerado no tratamento do esgoto. E isso é porque nós não tratamos nem 40% do nosso esgoto. Imagina quando tratarmos tudo", ressalta.
O lodo que é processado em um chamado digestor anaeróbio, onde o ar é retirado do reservatório e bactérias fermentam o material orgânico, pode ser utilizado como fertilizante em alguns produtos agricultáveis que não sejam de consumo primário ao ser humano, como a cana de açúcar, que produz o etanol.
Depois que o gás é queimado para gerar energia, o volume do lodo também diminui em até 40%, que seria outra vantagem no processo de tratamento desse material.
"Outra benesse é que ele se torna inerte, estável e livre de agentes patógenos", explica André Lermontov, o que quer dizer que todas as bactérias morrem no processo.
Fonte: Correio Braziliense
Sustentabilidade e Tendências do Processo de retrofit são debatidos na 50ª Equipotel

Lara Teixeira, Thiago Hamam, Ana Vidal e Caio Calfat estiveram presentes do debate.
O primeiro painel do Fórum de Construção e Retrofit de hotéis, realizado na Equipotel Conference, abordou o tema:
Arquitetura Hoteleira: Tendências de Novos Projetos e Retrofit, a qual contou com a presença de Thiago Hamam - Diretor de Implantações da Hamam Development , Ana Vidal - Sócia do escritório de arquitetura Vidal e Sant´Anna e Lara Teixeira - Arquiteta e Urbanista.
Um dos assuntos mais cidatos pelos palestrantes foi as dificuldades no processo de retrofit dos empreendimentos e a sustentabilidade.
Durante a reformulação do ambiente, muitos arquitetos procuram modernizar estética e funcionalmente o hotel, quebrando paradigmas e mantendo a marca do empreendimento.
Ana Vidal e Lara Teixeira, abordaram a questão da sustentabilidade durante o processo de retrofit dos hoteis, que tem sido um tempo muito abordado no mercado hoteleiro.
"A economia de energia e a reutilização de água têm sido muito adotadas nos empreendimentos, embora ela deve ser pensada durante a criação do projeto de reformulação" afirma Lara.
Um dos principais desafios anteriores ao processo de retrofit, segundo a arquiteta e urbanista Lara, é o empreendimento implantar soluções diferenciadas dos hotéis concorrentes, identificar o perfil / estilo de vida dos hóspedes, alé da atualização tecnológica do hotel.
Como principal tendência dos empreendimentos, a arquiteta aponta o lobby multifuncional, o qual os hóspedes podem executar diversas ações ao mesmo tempo. " antigamente o loby era apenas um local de passagem, o hóspede utilizava apenas ter acesso a outros lugares.
Hoje o loby é multifuncional, é um local para o entretenimento e um ambiente de trabalho. Ele integra várias funções ao mesmo tempo." finalizou.
Costa Rica – Como o país trabalha pra se tornar um exemplo em sustentabilidade
Por Clovis Akira em Ciência e Tecnologia




Imagens: WashJeff

A Costa Rica, pequeno país da América Central, é famosa pela riqueza de seu meio ambiente, suas belas paisagens naturais atraem turistas de todas as partes do mundo.
Um quarto de seu território é preservado como reserva ambiental, onde a fauna e a flora convivem harmoniosamente nos vários parques nacionais.
O país pretende se tornar carbono neutro até 2021. O termo “carbono neutro” significa um estado neutro de emissões de carbono, e é possível por meio da redução das liberações de dióxido de carbono para que a diferença entre a emissão e absorção seja efetivamente zero.
A Costa Rica está se empenhando para atingir essa meta, administrando cuidadosamente seus recursos naturais, para que seja possível absorver efetivamente o dióxido de carbono, ao mesmo tempo em que adota medidas para diminuir as emissões.
Se o país conseguir atingir essa meta, poderá se destacar como o primeiro país carbono neutro do mundo.

O principal objetivo do governo é aumentar o investimento em fontes renováveis de energia até 2018, para poder atingir a meta de se tornar carbono neutro em 2021.
Um dos principais produtos da economia costarriquenha é a banana, que é o produto de maior exportação do país.
Os produtores também estão engajados em melhorar as práticas agrícolas, preocupados em reduzir as emissões de gases das máquinas utilizadas no processo do cultivo da banana e também na distribuição, buscando meios de transporte que adotem combustíveis eco suficientes.

O ministro do Meio Ambiente, Energia e Telecomunicações da Costa Rica, René Castro, esteve no Japão na primeira semana de agosto, para firmar novos acordos de cooperação tecnológica com a JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão) com a finalidade de acelerar novos projetos para a construção de uma usina de energia geotérmica no Parque Nacional de Rincón de la Vieja, localizada ao norte do país.

Segundo o ministro Castro, a Costa Rica enfrenta hoje um grande desafio. Cerca de 76% da energia do país é proveniente de usinas hidrelétricas, mas mudanças climáticas tem dificultado a previsão de quando e onde irá chover, além das precipitações pluviométricas.
Sendo assim, é um risco depender em demasia da energia hidrelétrica.
O governo planeja aumentar outras fontes de eletricidade, como a energia geotérmica, que é proveniente dos vulcões.

Atualmente, a energia geotérmica é responsável pelo abastecimento de 12% da eletricidade na Costa Rica, e a meta é aumentar para 30 a 40%, como há muitos vulcões no país, existem ainda muitas fontes de energia geotérmica a serem exploradas.
A geração da energia geotérmica é cara e exige tecnologia avançada, e graças ao envolvimento do Japão nos projetos de energia da Costa Rica, enviando engenheiros e tecnologias modernas, o ministro acredita que a meta será atingida em breve, salientando que a energia geotérmica é uma fonte promissora de energia em comparação com fontes convencionais, uma vez que não sofre influência das estações do ano, além de que seu impacto ao meio ambiente é mínimo.
Imagens: WashJeff
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