Plaenge entrega “fábrica verde” de olho na sustentabilidade

A Divisão Industrial da Plaenge concluiu em agosto a nova fábrica da Coca-Cola em Maringá, executada dentro dos critérios do Selo Verde, com a utilização de avançados conceitos de sustentabilidade. 


O planejamento respeitou os princípios da bioarquitetura, que visam causar o menor impacto possível ao meio ambiente, buscando economia de energia, redução no consumo de água, menos desperdício e otimização gerada pelas matérias-primas utilizadas. 

A fábrica, que está entre as maiores e mais modernas da América do Sul, passa por um processo de obtenção da Certificação Leed (Leadership in Energy Environmental Design) que garante a implantação de boas práticas da construção sustentável. 

A Plaenge já tem experiência na edificação de projetos neste padrão sustentável, tendo entregue a fábrica da Matte Leão (empresa do Grupo Coca-Cola) dentro do conceito “Fábrica Verde”, empreendimento certificado no início de agosto em Curitiba. 

A nova unidade industrial possui 33 mil metros quadrados e contou com investimentos de R$ 150 milhões. Além da construção da fábrica para produção e envase dos refrigerantes, a Plaenge finalizou as obras de ampliação dos galpões para estocagem de produtos acabados, nova oficina de manutenção e expansão da malha viária interna, com ruas, estacionamento e pátios de carga e descarga.

A parceria entre os dois grupos começou em 1971 quando a Plaenge construiu a unidade de Cambé da Coca-Cola. 

De lá para cá, a empresa de engenharia participou da construção de mais de 60% das fábricas da Coca-Cola no Brasil, seja no projeto, na construção ou na montagem das linhas de produção. 

A Plaenge também projetou duas fábricas do refrigerante na Venezuela.

O diretor da Plaenge, Édison Holzmann, que esteve presente à inauguração, enfatizou que a sustentabilidade é o único caminho viável para a continuidade do progresso em compromisso com o meio ambiente. 

“Significa criarmos menos impacto, tanto na construção quanto ao longo da vida útil do empreendimento”, pontuou. 

Holzmann destacou que alguns conceitos de sustentabilidade da divisão industrial também são utilizados na construção de apartamentos, como melhor aproveitamento da luz natural, captação de água de chuva, ventilação, entre outros. 

A Plaenge Industrial é responsável pela construção de mais de 60% das fábricas da Coca-Cola no Brasil, além de duas fábricas na Venezuela.

Medindo a sustentabilidade


Publicado: Ambiente Energia
A produção e o consumo sustentáveis têm um ideal em comum: reduzir o impacto dos processos de produção sobre o meio ambiente e programar o desenvolvimento econômico e social


Veja vídeo sobre o tema emhttp://bit.ly/ae_sustentabilidade

Discurso versus prática





Vender uma imagem “verde” sem, de fato, ter uma postura sustentável pode desgastar a empresa junto aos seus públicos

Muitas corporações divulgam aos quatro cantos que atuam de maneira sustentável, embora, na prática, não tenham uma postura ética e coerente no que diz respeito à responsabilidade socioambiental e econômica. 

Exemplo disso é o chamado greenwashing, em que as empresas gastam tempo e dinheiro divulgando ações “verdes” sem, de fato, implementar práticas que minimizem os impactos ambientais gerados por suas atividades.

Com os stakeholders e a sociedade cada vez mais atentos à atuação corporativa, usar a sustentabilidade apenas como ferramenta de marketing pode causar sérios danos à imagem das organizações. 

Recentemente, ativistas questionaram o fato de a Olimpíada de Londres ter sendo "vendida" como a mais verde da história, sendo que, do ponto de vista deles, os patrocinadores do evento não são exemplos de organizações socioambientalmente responsáveis.

Para Marcia Auriani, professora da HSM Educação, nessa relação discurso versus ação sustentável, ainda há mais "fumaça do que fogo". 

“Poucas empresas possuem realmente uma preocupação com o equilíbrio do planeta. 

A sustentabilidade está longe de ser alcançada porque os profissionais ainda não se deram conta do que ela significa”, diz. “As pessoas ainda não compreendem a complexidade que envolve atuar num ambiente sustentável. Principalmente em pequenas e médias empresas, ainda é comum confundirem sustentabilidade com equilíbrio financeiro”, revela.

Recuperar a imagem é possível

A perda de market share é um dos principais castigos para as organizações que se vendem sustentáveis. 

Como, hoje em dia, a informação é de fácil acesso, qualquer deslize chega aos ouvidos dos consumidores e, daí, para a perda de credibilidade é um passo. “Este é o pior cenário. O consumidor deixa de confiar na marca e a imagem fica desgastada”, comenta Marcia. 

Os impactos causados por uma falsa imagem são reversíveis, só que apenas a médio e longo prazos – e a um custo muito elevado, segundo a professora. “Quanto mais engajados os consumidores, maior será o prejuízo para a marca”, afirma. Para recuperar a imagem após uma crise gerada pela postura enganosa, é importante:

• Fazer o “mea culpa”;
• Ser transparente;
• Solucionar a crise;
• Prestar contas à sociedade periodicamente;
• Manter um diálogo com os consumidores, caso eles se disponham a isso.

De acordo com a professora, empresas cujas atividades prejudicam mais o meio ambiente, como as indústrias químicas, devem se posicionar diante dos stakeholders como organizações que buscam continuamente soluções sustentáveis. 

“É importante também fazer um plano de comunicação detalhado”, explica.

Entre as empresas que representam maior ameaça ao meio ambiente, Marcia comenta que as do setor primário têm mais visibilidade, por conta de vazamentos de petróleo e queimadas nos campos, por exemplo. 

Contudo, ela aponta que a indústria tem maior poder poluente com seus resíduos oriundos da produção e que, no setor terciário, o turismo mal desenvolvido está destruindo obras milenares da natureza. 

“Independente do setor de atuação, é preciso que a organização tenha coerência entre o discurso e a prática”, alerta.

Recentemente, a Unilever, reconhecida por atuar de forma sustentável, suspendeu o contrato com seu maior fornecedor de óleo de palma ao ter a informação de que o produto vinha de áreas desmatadas na Indonésia. 

A fornecedora é acusada de desmatamento ilegal e destruição da floresta de turfa, práticas que liberam grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera. 

A atitude da Unilever foi vista com bons olhos pela sociedade e por organizações ambientais. 

Eis um exemplo de ação para preservação do meio ambiente e de imagem corporativa.

Fonte: Portal HSM

Primeiros passos rumo à sustentabilidade



Ser sustentável vai muito além da promoção de pequenas iniciativas. Trata-se de uma ruptura com os processos incoerentes por meio da inovação

Até algum tempo, sustentabilidade era apenas uma palavra da moda. A sociedade ergueu a bandeira do mundo sustentável, mesmo sem entender completamente o que isso significa. 

Esse fenômeno influenciou o meio corporativo, que passou a se perguntar: afinal, como entrar para o clube das empresas sustentáveis? 

Num passado não muito distante, empresas preocupadas com isso eram vistas como visionárias e vanguardistas.

Para Marcelo Torres Alves, sócio-diretor da Sustainable Hub, consultoria especializada em levar tecnologias inovadoras na área de sustentabilidade às empresas, o processo de transformação começa com um olhar sincero diante do espelho. 

“O primeiro passo é fazer uma avaliação genuína da principal atividade que a empresa exerce e seu impacto”, avisa. 

É preciso considerar se a forma como a empresa atua está coerente com o que a sociedade aspira, segundo o especialista. 

“Deve-se levar em conta os impactos que a companhia gera em sua operação, em termos de uso de matéria-prima, energia, água, descarte, relacionamento com o público, enfim, tudo que envolve a atuação da empresa naquele momento”, explica, alertando que, feito isso, tudo aquilo que se mostrar inadequado e incoerente, deve ser revisto.

Erro recorrente

Para muitos, o termo sustentabilidade ainda se limita às questões ambientais, apesar dos esforços dos especialistas em esclarecer que se trata de um tripé, que contempla também os aspectos social e financeiro. A forte associação com a causa ecológica foi promovida, em parte, pelo marketing das próprias empresas.

Para Torres, esse mal-entendido precisa ser resolvido. “Isso nada tem a ver com o fato de que o planeta está ficando mais quente, o regime de chuvas está mudando ou porque o pinguim da Patagônia está morrendo. 

Não é disso que se trata a questão de uma companhia ser sustentável, mas sim de como sua operação deve ser coerente com os recursos que consome”, destaca. “Diante de uma sociedade cada vez mais exigente, cada recurso mal utilizado é prejuízo para a companhia.”

Os aspectos financeiro, social e ambiental devem caminhar juntos para que a empresa se torne efetivamente sustentável. A reformulação de toda uma operação terá impacto na sua atividade e isso não pode ser justificado apenas como uma ação de marketing para que a empresa se promova como “protetora da natureza”. 

Trata-se de uma decisão estratégica para tornar a empresa mais eficiente. “Caso contrário, não é possível explicar o investimento da mudança para o acionista e o projeto não se sustenta com o passar do tempo”, garante Torres. “Numa situação de crise, como estamos vendo agora na Europa e nos Estados Unidos, o projeto seria o primeiro a ser descontinuado”, justifica.

Inovação de disruptura

O consultor da Sustainable Hub garante: inovação e sustentabilidade devem caminhar juntas. “Não estamos falando de pequenas melhorias. É preciso adotar uma inovação disruptiva, criar valor e se posicionar a frente das demais empresas do mercado

É uma atitude agressiva, extremamente associada à atividade do negócio”, ressalta, apontando que as empresas que fazem isso da melhor maneira são aquelas que estabelecem uma régua bem alta, com metas agressivas que sejam capazes de movimentar a empresa em direção à inovação.

Muitas companhias buscam se promover no mercado divulgando ações isoladas em nome da sustentabilidade. Na visão do consultor, essas iniciativas precisam ser repensadas. 

“Não tenho nada contra o marketing. É perfeitamente aceitável que você divulgue o que você faz. No entanto, é inútil promover coleta seletiva no escritório da empresa se você não tiver a mesma coerência com o restante do ciclo produtivo da companhia, na cadeia de fornecimento, no processo de compra e venda, de distribuição, de atendimento ao cliente etc.”, lamenta Torres. 

Para finalizar, ele questiona: “Qual é o propósito de se promover uma iniciativa que efetivamente não é relevante diante de todo impacto que a empresa provoca? A gente sabe que isso é só para inglês ver.”

Fonte: Portal HSM

SUSTENTABILIDADE É DESTAQUE NO III FESTIVAL MUNDIAL DA PAZ

Evento, que será realizado pela primeira vez em São Paulo, está marcado para os dias 6 a 9 de setembro, no Parque do Ibirapuera

O III Festival Mundial da Paz, que será realizado pela primeira vez em São Paulo, entre 6 e 9 de setembro, no Parque do Ibirapuera, programou algumas surpresas para os participantes. 



Uma delas está na Vila do Futuro, em que serão instaladas tendas geodésicas – a de Convivência, Arte Visionária, Arco Íris, CNV e Círculos Restaurativos, Novo Humano na Terra e Sustentabilidade, um dos destaques do evento. Na vila do futuro apresenta-se modos de viver a vida minimizando o uso de recursos da tecnosfera. Temos a CARTA da TERRA em ação. 

Para as tendas mencionadas, estão programadas várias atividades. Na sexta-feira (7/9), entre 9h30 e 18h35, serão realizadas Oficinas de Ecologia Profunda e de Alimentação Viva, além de palestras sobre Consciência e Consumo – Ecologia Integral, Sustentabilidade: Faça Você Mesmo, Troca de Alimento e outros.

No dia seguinte, sábado (8/9), também entre 9h30 e 18h35, o programa inclui Minhocário Urbano, O Poder da Ecologia Profunda, Oficina da Carta da Terra, Jogo da Carta da Terra, Conexão com a Chama e Ecopsicodrama.

As atividades da Tenda Sustentabilidade – localizada no gramado entre a Marquise e o Auditório do Parque – se encerram no domingo, com Mosaico da Paz (Yoga, Arte e Música), das 9h30 ás 12h30. 

Neste mesmo dia, das 11 às 12h45, na Tenda Espaço Sol, haverá um painel sobre o tema da Sustentabilidade, com Kaká Werá (empreendedor social), Alexandra Reschke (secretária executiva do Instituto Democracia e Sustentabilidade-IDS Brasil) e Cristina Moreno (uma das principais representantes da Earth Charter Internacional no Brasil ).

Toda a política sócioambiental do Festival é baseada – e atende – aos valores da CARTA DA TERRA que é incentivada em 1897 pelas Nações Unidas e lançada em 2000, pelo Palácio da Paz em Haia. 

Ela é resultado de uma década de diálogo intercultural na sociedade civil e se constitui numa declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Seus eixos temáticos relativos aos valores que defende são: I- respeitar e cuidar da comunidade de vida; II- integridade ecológica; III- justiça social e ecológica; IV- democracia, não violência e paz.

A iniciativa tem apoio da Prefeitura de São Paulo, Secretaria do Verde e Meio Ambiente e SPTuris.

Sobre o III Festival Mundial da Paz

Criado pela Unipaz – Universidade Internacional da Paz com o objetivo de estimular manifestações simultâneas em várias cidades do País e do mundo, visando à construção de uma teia global de consciência sobre uma Cultura de Paz, o III Festival Mundial da Paz é um evento integrador e multicultural. 

Ao todo, são mais de 600 atividades paralelas realizadas no Parque do Ibirapuera de 6 a 9 de setembro, incluindo meditação, jogos cooperativos, palestras, oficinas de arte, dança, música, teatro, encontro de povos, carrinhada de bebês pela paz, entre outras. 

Simultaneamente, ocorrerão manifestações de paz em todas as nações, inclusive as não territoriais como as indígenas, ciganas e espirituais de várias tradições.

Serviço – III Festival Mundial da Paz
Data: 6 a 9 de setembro de 2012
Horário: dia 6, a partir das 17hs; demais dias, a partir das 9hs.
Local: Praça da Paz, no Parque do Ibirapuera, São Paulo
Evento aberto ao público. Entrada gratuita

Biocombustíveis de Aviação: uma nova cadeia produtiva em favor da sustentabilidade

A aviação comercial é fundamental na sociedade moderna, sendo que o mercado de aviação mundial envolve cerca de 2,2 bilhões de passageiros e 32 milhões de empregos.
Fonte: Agrosoft


No Brasil, a aviação movimenta por ano R$ 32 bilhões, o equivalente a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, e esse mercado tem crescido acima da média mundial. 

O principal combustível de aviação é o querosene derivado do petróleo. Entretanto, o setor dos transportes aéreos está buscando alternativas renováveis para os combustíveis fósseis, de forma a se diferenciar frente aos concorrentes e antever requisitos de mitigação de emissões de dióxido de carbono. 

Recentemente, a ASTM (American Society for Testing and Materials) aprovou o uso de combustíveis renováveis em aviões comerciais e militares, permitindo a mistura de até 50% de combustível sintético obtido de óleos vegetais ou de gorduras animais por hidroprocessamento com querosene convencional comercial e militar. 

Além do hidroprocessamento de óleos e gorduras, existem outras rotas tecnológicas para produção de biocombustíveis para aviação, como a conversão direta de açúcares em hidrocarbonetos e a síntese Fischer-Tropsch a partir de gás de síntese obtido de biomassa. 

Entretanto, essas rotas tecnológicas necessitam de maior desenvolvimento para que sejam adotadas industrialmente, tanto em relação a questões tecnológicas visando a diminuir os custos dos biocombustíveis de aviação, como em questões relacionadas com disponibilidade e logística da biomassa necessárias para produção em escala industrial. 

Desse modo, a produção de combustíveis renováveis de aviação obtidos a partir de biomassa é de grande interesse para a Embrapa e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 

Com o objetivo de promover discussões e estabelecer parcerias para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas com esse tema, a Embrapa Agroenergia promoverá na tarde de 13/9 e em todo o dia 14/9, em Brasília (DF), o Simpósio Nacional de Biocombustíveis de Aviação (SNBA). 

Esse Simpósio visa a evidenciar as oportunidades e os desafios técnico-científicos para o desenvolvimento dos biocombustíveis de aviação, debatendo as principais tecnologias em desenvolvimento nessa área, bem como as estratégias necessárias para que esses biocombustíveis sejam produzidos em escala industrial.

O público-alvo inclui pesquisadores, profissionais de empresas, universidades, associações e sociedades científicas e setoriais, assim como agências de fomento e entidades ministeriais envolvidas com o tema. 

O SNBA conta com o apoio do MAPA, do CNPq e de algumas empresas privadas.

Gestão Ambiental, Normalização e a Família ISO 14000

Artigo #01 da série ISO 14001 Comentada
Liana Zumbach¹ e Giuliano Moretti²
Preserva Ambiental Consultoria
Núcleo de Estudos Científicos em Sustentabilidade (NECS)

Gestão Ambiental



A gestão ambiental está notavelmente se expandindo nos processos organizacionais, dada a indiscutível urgência de se estabelecer níveis de qualidade cada vez maiores na interface entre estes processos e o meio ambiente. 

Embora ainda se constate um significativo conjunto de organizações não claramente posicionadas quanto à inserção da Gestão Ambiental na sua gestão global, sabe-se que este processo vem se avolumando entre organismos de todos os tipos, portes e segmentos, ao redor do mundo. 

Seja por iniciativas mais nobres, como uma mobilização institucional dada pelo reconhecimento da responsabilidade compartilhada na promoção do bem-estar socioambiental, seja pela simples manutenção da competitividade e sobrevivência mercadológica, os resultados abarcados têm sido bastante representativos nos últimos anos. 

Hoje, a Gestão Ambiental se torna evidentemente imperativa nas corporações, acentuando a importância de metodologias voltadas à sistematização de suas práticas, como a própria ISO 14001.

Dentre outras definições, a gestão ambiental pode ser entendida como:

o ato de gerir as variáveis de um processo, produto, serviço ou atividade (ou o conjunto destes), através de controles e procedimentos específicos, de forma a garantir a melhoria contínua dos níveis de eficiência e qualidade ambiental, reduzindo os respectivos impactos negativos ao meio ambiente.

Assegurar que a gestão ambiental seja absorvida como parte da ética organizacional garante a conservação e o investimento no Capital Natural, ente fundamental para a manutenção de todos os processos existenciais antrópicos (sociais, econômicos etc.) e naturais (ambientais/ecossistêmicos). 

Organismos não alinhados aos novos modelos de desenvolvimento sustentável já vêm sofrendo com as consequências da perda mercadológica, com a regulamentação legal mais restritiva, com o custo da baixa eficiência e com a escolha mais consciente de clientes e consumidores. 

Ao contrário daqueles que vêm efetivamente reagindo a favor de um modelo de respeito não só ao meio ambiente, mas também às partes interessadas e, também, às pessoas envolvidas em todos os seus processos. 

Neste quadro é bastante relevante a prática da normalização para se prescrever requisitos e diretrizes no intuito de estruturar os Sistemas de Gestão Ambiental, com flexibilidade suficiente para serem adotados por quaisquer tipos de empreendimentos.

Normalização

A normalização é uma atividade que tem como um dos objetivos:

Prescrever padrões para a realização de atividades, quaisquer que sejam, dentro das melhores práticas já experimentadas, de forma que a sociedade possa usufruir de resultados mais positivos quando da reprodução dessas atividades.

Isto é, ao seguir os padrões ou normalizações de práticas, pretende-se que os resultados planejados pelas organizações sejam sistematicamente obtidos, agregando simultaneamente benefícios para a coletividade direta ou indiretamente sob sua influência.

Existem diversos organismos de normalização que são tomados como referências locais, regionais ou globais, nos quais se deposita a necessária credibilidade para a padronização das matérias de interesse econômico, social, ambiental, técnico etc.

A Norma ISO 14001, ou a própria família de Normas 14000 à qual ela pertence, é um exemplo de normalização. 

Ela foi criada com o intuito de normalizar o gerenciamento de atividades que oferecem impactos ambientais e possibilitar, por meio de suas orientações e diretrizes gerenciais, a redução desses impactos e a promoção da melhoria contínua nas trocas entre a organização e o meio ambiente.

A Norma ISO 14001 é uma das milhares de normas publicadas pela International Organization for Standardization (ISO: http://www.iso.org), uma instituição sem fins lucrativos, sediada em Genebra na Suíça. A ISO estabelece, segundo a própria entidade, uma “ponte entre o setor público e o setor privado“.

Fazendo-se presente por meio de um representante em 160 países, a ISO congrega vários segmentos da sociedade como: governos, empresas, grupos de pesquisadores, técnicos e profissionais. 

Seu objetivo é deliberar acerca de assuntos de interesse comum entre o meio empresarial e a sociedade. 

Pelo consenso obtido nessas deliberações, a entidade provê publicações de normas que visam à regulação, disseminação e adoção das melhores práticas em diversas matérias de influência difusa, tais como: qualidade, meio ambiente, responsabilidade social, para citar apenas poucos exemplos. 

O campo de atuação da ISO estende-se para muito além dessas matérias. No Brasil, a ISO é representada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

A Família ISO 14000

A ISO 14000 é, em termos gerais, uma família de normas que oferece orientações gerenciais para atividades que interferem no meio ambiente. 

O reflexo da utilização dessas normas, porém, vai muito além dos resultados unicamente ambientais. Incremento na qualidade produtiva, melhores relações com colaboradores, fornecedores e comunidades, maior controle da legislação aplicável e redução de custos operacionais são apenas alguns exemplos dos benefícios desfrutados no médio e longo prazos (estes benefícios serão mais bem explorados no próximo artigo desta série).

O carro-chefe da família 14000 é a Norma ISO 14001, mundialmente adotada e reconhecida, que apresenta requisitos e orientações para a consolidação de um Sistema de Gestão Ambiental. 

Isto é, qualquer tipo de organização disposta a implantar um Sistema de Gestão Ambiental, poderá tomar como base esta consagrada norma, focando na evolução contínua de sua gestão ambiental e em níveis de excelência dos indicadores de desempenho.

Para evidenciar o caráter sistêmico da família 14000, abaixo são relacionados os outros pares da ISO 14001:

NORMA 

ESPECIFICAÇÃO

14004 Orientações gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de suporte. É uma norma que provê orientações adicionais acerca do uso e aplicação da ISO 14001;

14005 Orientações para a implementação do Sistema de Gestão Ambiental em etapas, por meio do ciclo PDCA, aplicável a todas as organizações, mas especialmente às pequenas e médias; também auxilia na integração dos requisitos do sistema com processos de avaliação do desempenho;

19011 Orientações para o estabelecimento e implantação de auditorias, não só aplicável em auditorias de Sistemas de Gestão Ambiental ISO 14001, como também em Sistemas de Gestão da Qualidade ISO 9001;

14020, 14021, 14024 e 14025 Princípios e procedimentos para a rotulagem e declarações ambientais;

14031 Orientações para a avaliação do desempenho ambiental;

14040, 14044, 14047 e 14048 Orientações sobre princípios, requisitos e condução da Avaliação do Ciclo de Vida para a redução dos impactos ambientais de produtos e serviços;

14050 Termos e conceitos fundamentais relacionados à gestão ambiental, especificamente sobre o vocabulário contido em toda a família ISO 14000;

14063 Orientações e exemplos que auxiliam processos de comunicação ambiental com as partes interessadas internas e externas;

14064 partes 1, 2 e 3 Orientações e requisitos para a quantificação, monitoramento de atividades e elaboração de declarações ambientais sobre a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), além de requisitos para organismos verificadores e validadores dessas declarações;

14065 Complementa a 14064, com requisitos para o uso em acreditação ou outras formas de reconhecimento de organismos que realizam a verificação e validação das declarações de GEE

NORMAS EM FASE DE ELABORAÇÃO
14006 Orientações para a incorporação do ecodesign;

14033 Orientações e exemplos para compilar e comunicar informações ambientais quantitativas;

14045 Princípios, requisitos e orientações para a avaliação da ecoeficiência;

14051 Orientações e princípios gerais para o cálculo dos custos dos fluxos materiais, com o objetivo de promover a redução do consumo relativo de recursos e dos respectivos custos inerentes;

14066 Requisitos para a competência de verificadores e validadores de processos de redução dos GEE;

14067 partes 1 e 2 Orientações e requisitos para a quantificação e comunicação dos GEE de produtos (pegada de carbono);

14069 Orientações para o cálculo da pegada de carbono dos produtos, dos serviços e da cadeia de suprimentos


Tabela 1: Normas ISO vigentes e em fase de desenvolvimento. Fonte: iso.org.

As normas acima citadas, como se vê, versam sobre as mais urgentes questões ambientais enfrentadas pelas organizações. 

Dificilmente todas serão adotadas concomitantemente numa única entidade, já que a adequada aplicabilidade depende dos processos, produtos e serviços com os quais ela opera. 

No entanto, respeitando suas respectivas aplicabilidades, elas podem tanto ser utilizadas separadamente para atender à uma demanda específica, como em conjunto com com outras normas para uma abrangência mais ampla. 

Além disso, podem – e devem – servir de suporte à melhoria contínua de um Sistema de Gestão Ambiental baseado nos requisitos normativos ISO 14001.

Muitas dessas normas ainda são desconhecidas por uma grande parcela das empresas brasileiras, que ainda primam pela reatividade frente aos desafios da transição para o modelo sustentável. 

Isto é, mobilizam-se prioritariamente para a contingência das premissas legais que vão surgindo como “barreiras” às suas operações. Isto faz com que a progressão para a sustentabilidade seja mais lenta do que deveria. 

Países que estimulam a proatividade nesta transição através da inovação, ao contrário da reação compulsória comum no Brasil, certamente desenvolvem mercados mais competitivos, níveis de produtividade e eficiência ambiental expressivos e economias socialmente mais justas, em prazos condizentes com a urgência socioambiental.

A boa notícia é que muitas instituições brasileiras vêm revertendo, de forma exemplar, este perfil reativo numa postura de pró-ação, absorvendo o grande ferramental dado pelas normas ISO sobre gerenciamento ambiental (entre outras). Consequentemente, assumem a liderança do chamado “desenvolvimento sustentado”, favorecendo o equilíbrio ambiental, econômico e o bem-estar social.

O segundo artigo da série ISO 14001 Comentada explorará as motivações e vantagens que levam ao sucesso da implantação da Norma em diversas organizações.

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1 – Liana Zumbach: Administradora de Empresas com MBA em Sistemas de Gestão Ambiental. Diretora de Projetos Socioambientais da Preserva Ambiental Consultoria. Coordenadora do Núcleo de Estudos Científicos em Sustentabilidade (NECS). Consultora e Auditora Ambiental. Membro do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (IPEDT).

2 – Giuliano Moretti: Engenheiro Químico com MBA em Sistemas de Gestão Ambiental e Mestrado em Gestão Ambiental. Diretor Executivo de Operações Sustentáveis da Preserva Ambiental Consultoria. Vice-Coordenador do Núcleo de Estudos Científicos em Sustentabilidade (NECS). Consultor, Auditor e Perito Judicial Ambiental Cível. Professor dos cursos de pós-graduação MBA em Gestão de Obras de Edificações no SENAI (CIETEP Curitiba) e Sustentabilidade em Arquitetura e Desenvolvimento Urbano na Universidade Positivo. Membro do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (IPEDT).