Gestão Ambiental, Normalização e a Família ISO 14000

Artigo #01 da série ISO 14001 Comentada
Liana Zumbach¹ e Giuliano Moretti²
Preserva Ambiental Consultoria
Núcleo de Estudos Científicos em Sustentabilidade (NECS)

Gestão Ambiental



A gestão ambiental está notavelmente se expandindo nos processos organizacionais, dada a indiscutível urgência de se estabelecer níveis de qualidade cada vez maiores na interface entre estes processos e o meio ambiente. 

Embora ainda se constate um significativo conjunto de organizações não claramente posicionadas quanto à inserção da Gestão Ambiental na sua gestão global, sabe-se que este processo vem se avolumando entre organismos de todos os tipos, portes e segmentos, ao redor do mundo. 

Seja por iniciativas mais nobres, como uma mobilização institucional dada pelo reconhecimento da responsabilidade compartilhada na promoção do bem-estar socioambiental, seja pela simples manutenção da competitividade e sobrevivência mercadológica, os resultados abarcados têm sido bastante representativos nos últimos anos. 

Hoje, a Gestão Ambiental se torna evidentemente imperativa nas corporações, acentuando a importância de metodologias voltadas à sistematização de suas práticas, como a própria ISO 14001.

Dentre outras definições, a gestão ambiental pode ser entendida como:

o ato de gerir as variáveis de um processo, produto, serviço ou atividade (ou o conjunto destes), através de controles e procedimentos específicos, de forma a garantir a melhoria contínua dos níveis de eficiência e qualidade ambiental, reduzindo os respectivos impactos negativos ao meio ambiente.

Assegurar que a gestão ambiental seja absorvida como parte da ética organizacional garante a conservação e o investimento no Capital Natural, ente fundamental para a manutenção de todos os processos existenciais antrópicos (sociais, econômicos etc.) e naturais (ambientais/ecossistêmicos). 

Organismos não alinhados aos novos modelos de desenvolvimento sustentável já vêm sofrendo com as consequências da perda mercadológica, com a regulamentação legal mais restritiva, com o custo da baixa eficiência e com a escolha mais consciente de clientes e consumidores. 

Ao contrário daqueles que vêm efetivamente reagindo a favor de um modelo de respeito não só ao meio ambiente, mas também às partes interessadas e, também, às pessoas envolvidas em todos os seus processos. 

Neste quadro é bastante relevante a prática da normalização para se prescrever requisitos e diretrizes no intuito de estruturar os Sistemas de Gestão Ambiental, com flexibilidade suficiente para serem adotados por quaisquer tipos de empreendimentos.

Normalização

A normalização é uma atividade que tem como um dos objetivos:

Prescrever padrões para a realização de atividades, quaisquer que sejam, dentro das melhores práticas já experimentadas, de forma que a sociedade possa usufruir de resultados mais positivos quando da reprodução dessas atividades.

Isto é, ao seguir os padrões ou normalizações de práticas, pretende-se que os resultados planejados pelas organizações sejam sistematicamente obtidos, agregando simultaneamente benefícios para a coletividade direta ou indiretamente sob sua influência.

Existem diversos organismos de normalização que são tomados como referências locais, regionais ou globais, nos quais se deposita a necessária credibilidade para a padronização das matérias de interesse econômico, social, ambiental, técnico etc.

A Norma ISO 14001, ou a própria família de Normas 14000 à qual ela pertence, é um exemplo de normalização. 

Ela foi criada com o intuito de normalizar o gerenciamento de atividades que oferecem impactos ambientais e possibilitar, por meio de suas orientações e diretrizes gerenciais, a redução desses impactos e a promoção da melhoria contínua nas trocas entre a organização e o meio ambiente.

A Norma ISO 14001 é uma das milhares de normas publicadas pela International Organization for Standardization (ISO: http://www.iso.org), uma instituição sem fins lucrativos, sediada em Genebra na Suíça. A ISO estabelece, segundo a própria entidade, uma “ponte entre o setor público e o setor privado“.

Fazendo-se presente por meio de um representante em 160 países, a ISO congrega vários segmentos da sociedade como: governos, empresas, grupos de pesquisadores, técnicos e profissionais. 

Seu objetivo é deliberar acerca de assuntos de interesse comum entre o meio empresarial e a sociedade. 

Pelo consenso obtido nessas deliberações, a entidade provê publicações de normas que visam à regulação, disseminação e adoção das melhores práticas em diversas matérias de influência difusa, tais como: qualidade, meio ambiente, responsabilidade social, para citar apenas poucos exemplos. 

O campo de atuação da ISO estende-se para muito além dessas matérias. No Brasil, a ISO é representada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

A Família ISO 14000

A ISO 14000 é, em termos gerais, uma família de normas que oferece orientações gerenciais para atividades que interferem no meio ambiente. 

O reflexo da utilização dessas normas, porém, vai muito além dos resultados unicamente ambientais. Incremento na qualidade produtiva, melhores relações com colaboradores, fornecedores e comunidades, maior controle da legislação aplicável e redução de custos operacionais são apenas alguns exemplos dos benefícios desfrutados no médio e longo prazos (estes benefícios serão mais bem explorados no próximo artigo desta série).

O carro-chefe da família 14000 é a Norma ISO 14001, mundialmente adotada e reconhecida, que apresenta requisitos e orientações para a consolidação de um Sistema de Gestão Ambiental. 

Isto é, qualquer tipo de organização disposta a implantar um Sistema de Gestão Ambiental, poderá tomar como base esta consagrada norma, focando na evolução contínua de sua gestão ambiental e em níveis de excelência dos indicadores de desempenho.

Para evidenciar o caráter sistêmico da família 14000, abaixo são relacionados os outros pares da ISO 14001:

NORMA 

ESPECIFICAÇÃO

14004 Orientações gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de suporte. É uma norma que provê orientações adicionais acerca do uso e aplicação da ISO 14001;

14005 Orientações para a implementação do Sistema de Gestão Ambiental em etapas, por meio do ciclo PDCA, aplicável a todas as organizações, mas especialmente às pequenas e médias; também auxilia na integração dos requisitos do sistema com processos de avaliação do desempenho;

19011 Orientações para o estabelecimento e implantação de auditorias, não só aplicável em auditorias de Sistemas de Gestão Ambiental ISO 14001, como também em Sistemas de Gestão da Qualidade ISO 9001;

14020, 14021, 14024 e 14025 Princípios e procedimentos para a rotulagem e declarações ambientais;

14031 Orientações para a avaliação do desempenho ambiental;

14040, 14044, 14047 e 14048 Orientações sobre princípios, requisitos e condução da Avaliação do Ciclo de Vida para a redução dos impactos ambientais de produtos e serviços;

14050 Termos e conceitos fundamentais relacionados à gestão ambiental, especificamente sobre o vocabulário contido em toda a família ISO 14000;

14063 Orientações e exemplos que auxiliam processos de comunicação ambiental com as partes interessadas internas e externas;

14064 partes 1, 2 e 3 Orientações e requisitos para a quantificação, monitoramento de atividades e elaboração de declarações ambientais sobre a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), além de requisitos para organismos verificadores e validadores dessas declarações;

14065 Complementa a 14064, com requisitos para o uso em acreditação ou outras formas de reconhecimento de organismos que realizam a verificação e validação das declarações de GEE

NORMAS EM FASE DE ELABORAÇÃO
14006 Orientações para a incorporação do ecodesign;

14033 Orientações e exemplos para compilar e comunicar informações ambientais quantitativas;

14045 Princípios, requisitos e orientações para a avaliação da ecoeficiência;

14051 Orientações e princípios gerais para o cálculo dos custos dos fluxos materiais, com o objetivo de promover a redução do consumo relativo de recursos e dos respectivos custos inerentes;

14066 Requisitos para a competência de verificadores e validadores de processos de redução dos GEE;

14067 partes 1 e 2 Orientações e requisitos para a quantificação e comunicação dos GEE de produtos (pegada de carbono);

14069 Orientações para o cálculo da pegada de carbono dos produtos, dos serviços e da cadeia de suprimentos


Tabela 1: Normas ISO vigentes e em fase de desenvolvimento. Fonte: iso.org.

As normas acima citadas, como se vê, versam sobre as mais urgentes questões ambientais enfrentadas pelas organizações. 

Dificilmente todas serão adotadas concomitantemente numa única entidade, já que a adequada aplicabilidade depende dos processos, produtos e serviços com os quais ela opera. 

No entanto, respeitando suas respectivas aplicabilidades, elas podem tanto ser utilizadas separadamente para atender à uma demanda específica, como em conjunto com com outras normas para uma abrangência mais ampla. 

Além disso, podem – e devem – servir de suporte à melhoria contínua de um Sistema de Gestão Ambiental baseado nos requisitos normativos ISO 14001.

Muitas dessas normas ainda são desconhecidas por uma grande parcela das empresas brasileiras, que ainda primam pela reatividade frente aos desafios da transição para o modelo sustentável. 

Isto é, mobilizam-se prioritariamente para a contingência das premissas legais que vão surgindo como “barreiras” às suas operações. Isto faz com que a progressão para a sustentabilidade seja mais lenta do que deveria. 

Países que estimulam a proatividade nesta transição através da inovação, ao contrário da reação compulsória comum no Brasil, certamente desenvolvem mercados mais competitivos, níveis de produtividade e eficiência ambiental expressivos e economias socialmente mais justas, em prazos condizentes com a urgência socioambiental.

A boa notícia é que muitas instituições brasileiras vêm revertendo, de forma exemplar, este perfil reativo numa postura de pró-ação, absorvendo o grande ferramental dado pelas normas ISO sobre gerenciamento ambiental (entre outras). Consequentemente, assumem a liderança do chamado “desenvolvimento sustentado”, favorecendo o equilíbrio ambiental, econômico e o bem-estar social.

O segundo artigo da série ISO 14001 Comentada explorará as motivações e vantagens que levam ao sucesso da implantação da Norma em diversas organizações.

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1 – Liana Zumbach: Administradora de Empresas com MBA em Sistemas de Gestão Ambiental. Diretora de Projetos Socioambientais da Preserva Ambiental Consultoria. Coordenadora do Núcleo de Estudos Científicos em Sustentabilidade (NECS). Consultora e Auditora Ambiental. Membro do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (IPEDT).

2 – Giuliano Moretti: Engenheiro Químico com MBA em Sistemas de Gestão Ambiental e Mestrado em Gestão Ambiental. Diretor Executivo de Operações Sustentáveis da Preserva Ambiental Consultoria. Vice-Coordenador do Núcleo de Estudos Científicos em Sustentabilidade (NECS). Consultor, Auditor e Perito Judicial Ambiental Cível. Professor dos cursos de pós-graduação MBA em Gestão de Obras de Edificações no SENAI (CIETEP Curitiba) e Sustentabilidade em Arquitetura e Desenvolvimento Urbano na Universidade Positivo. Membro do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (IPEDT).

Da Ego à Ecossustentabilidade – O caminho da percepção

Por Giuliano Moretti
Publicado originalmente na Revista Geração Sustentável – Ano 6 – Edição 29 – Jul/Ago 2012 – pg. 38 – www.geracaosustentavel.com.br

Download PDF aqui.


Os movimentos rumo à sustentabilidade ambiental estão a todo vapor. Fala-se em Gestão Ambiental, Consumo Sustentável e Conservação do Meio Ambiente com uma naturalidade nunca antes vista, elencando-se uma miríade de práticas, métodos e indicadores que prometem resultados formidáveis em termos de inovação preservacionista. 


Planos, objetivos e metas parecem fazer parte do jargão estratégico das empresas e consultores, como uma panaceia para a crise dos ativos socioambientais que proveem a base da existência. Leis, normas, novas formas de se produzir com a mitigação sistemática dos impactos, maior eficiência e melhores alternativas energéticas, logística reversa e a contínua redução de rejeitos. 

Tudo isso em nome da emergência socioambiental que ameaça o ecossistema global.

Muito bem, parece um caminho necessário e sem volta que já vem trazendo importantes resultados. Entretanto, persiste a dúvida: até onde é possível “sustentabilizar” considerando o modelo econômico que vende uma felicidade estruturada no consumo egotista per se?

Em primeiro lugar, qualquer pessoa com uma percepção minimamente aguçada intui que o crescimento do consumo, chamado sustentável ou não, tem limites. 

Questão de balanço energético e material. Se não renovável e em altíssima escala, a energia, base fundamental de tudo, faltará. Até aí, tudo bem: tecnologias estão sendo pesquisadas e paulatinamente implementadas para resolver isso. Se as soluções serão realizadas a tempo, é outra história.

Mas então, onde está o maior problema? Nos fluxos materiais. Com ou sem logística reversa, maior ou menor eficiência produtiva, o crescimento e a complexidade dos fluxos materiais advindos da produção e da aceleração do consumo continuarão sendo os vilões dessa odisseia. 

Fluxos que vão de encontro à sustentabilidade por uma única razão: existem leis fundamentais da física, da química e da biologia, que estabelecem holisticamente as condições da vida como a conhecemos. E essas leis não se ajustam aos sabores da produção e do consumo super-velozes e em alta escala. 

A matemática já é velha conhecida: como a matéria não vêm do espaço, ao contrário da energia renovável, só se dispõe dos recursos que o Planeta oferece. Se a taxa de consumo material for maior que as taxas naturais de reinserção e de redistribuição dos recursos (considerando uma base in natura), a sustentabilidade se torna um sofisma.

Pessoas continuam sendo condicionadas para o consumo como requisito determinante para a satisfação última, para a realização plena que, obviamente, nunca chega. Do contrário, perversos mecanismos as aterrorizam com a possível marginalização social. Este é o pão estragado que alimenta todos. E o vazio continua, dia após dia.

Há solução? Seria pretensão demais afirmar categoricamente que há. O que se pode fazer é refletir acerca do comportamento individual, superficial e resultante da falácia de que a felicidade depende, sobretudo, do consumo. Urgente é superar este estreito entendimento que nutre temporariamente o ego, mas esvazia a alma e as relações coletivas.

É necessário tanto? Eu realmente preciso disso? Quanto é suficiente? Alguma coisa, afora a sabedoria e a paz que vem do silêncio mais profundo de mim, já proporcionou felicidade plena e perene a mim e aos outros?” 

Imprescindível é tentar responder a essas e outras perguntas, como um exercício diário de meditação. Provavelmente, poucas “coisas” contribuíram para a Felicidade Definitiva. 

A percepção de que o acúmulo demasiado é um veneno para si e para a organicidade do Todo, isto é, para a sustentabilidade tão sonhada, pode ser um primeiro passo para a simplificação dos fluxos materiais. 

Transformar profissionais e consumidores para que transcendam o caos frenético da produtividade, do consumismo e do crescimento que regem a ilusão coletiva, talvez estimule o despertar dos valores intangíveis que nascem da essência de cada ser humano.



Sustentabilidade cinco anos depois

Passados cinco anos da entrada em operação do primeiro empreendimento certificado LEED Gold, o engenheiro Luiz Henrique Ceotto comenta a evolução da construção sustentável no país
Redação AECweb / e-Construmarket



Rochaverá Corporate Towers, São Paulo (SP)
“Um edifício sustentável é aquele projetado para durar muito. Na Tishman, temos uma máxima: não sei quais sistemas serão desenvolvidos para serem usados nos nossos prédios daqui a 50 anos, mas sei que vou poder usá-los, porque foram feitos para durar 200 anos”. A afirmação é de Luiz Henrique Ceotto, diretor de Design & Construction da Tishman Speyer, que há exatos cinco anos inaugurava a primeira das quatro torres do Rochaverá Corporate Towers, na Marginal Pinheiros (SP), referência em construção sustentável no país, certificado com o LEED Gold.
Segundo ele, o empreendimento cumpriu aquilo para o qual foi projetado, ou seja, as simulações funcionaram e ele está consumindo o esperado em energia e água.

“Hoje, os novos prédios em projeto ou em execução concebidos pela Tishman têm uma eficiência maior do que o Rochaverá, porque tudo evoluiu nesse período.

Apesar de inaugurado há cinco anos, o projeto tem oito anos, portanto, os atuais são bem mais modernos resultando numa economia de energia 10% superior à obtida pelo primeiro.

O Rochaverá economiza em torno de 22% de energia em relação aos prédios convencionais brasileiros. Se comparamos com o nosso padrão que é o da norma norte-americana ASHRAE, a economia é de 2%. Nos novos projetos chegamos a 13% da norma – o equivalente a 32% em relação aos convencionais.

A economia de água continua por volta de 30% e estamos introduzindo em alguns empreendimentos 100% de tratamento de efluentes”, relata.
  

Responsável pela administração da operação dos empreendimentos que concebe, a Tishman constata que há um novo problema a ser enfrentado: o baixo profissionalismo das empresas brasileiras de assistência técnica e manutenção de sistemas mais sofisticados. 
Ceotto alerta que temos que tomar cuidado ao sofisticar demais porque o mercado brasileiro está aquém das nossas necessidades. 
E explica que a dificuldade abrange praticamente todos os sistemas. Em particular, o de tratamento de água, pois as empresas não conseguem manter com facilidade os parâmetros estabelecidos para usar a água, por exemplo, na torre de resfriamento de ar-condicionado.
“Enquanto nos Estados Unidos e Europa esses serviços estão consolidados e são de alta qualidade, aqui as empresas carecem de técnicos, há muita rotatividade de mão de obra justificada pela remuneração ruim e, com isso, perdemos o treinamento que damos nessas empresas. 
Por isso, temos que introduzir esses sistemas mais sofisticados, mas com parcimônia, pois a tendência é o mercado não acompanhar como desejaríamos. Eu daria nota 7, mas não aceito menos que 9. A falta de mão de obra qualificada é gigantesca”, desabafa o diretor.
GERAÇÃO DE DEMANDA

Ventura – triple A – Rio de Janeiro (RJ)
Ao construir, simultaneamente, a primeira torre do Rochaverá e o Ventura –triple A no Rio de Janeiro, também LEED Gold – inaugurou no Brasil a adoção de tecnologias inéditas naquele momento, como os elevadores inteligentes. “Hoje, todos os prédios, certificados ou não, têm sistemas similares. 

Forçamos os fabricantes a trazerem essa tecnologia para o Brasil e junto vieram os projetos e os mecânicos. Agora, esses elevadores custam praticamente a mesma coisa do que custavam os convencionais na época. 
Dessa forma, forçamos a geração de uma demanda”, ressalta, frisando que essa é a vantagem do edifício certificado, vitrine que puxa todo o mercado que se beneficia. É um modelo que as outras empresas podem perseguir.

“Muitos criticam a certificação, acham bobagem, argumentando que a cidade se renova a 1% ao ano e que um ínfimo disso é constituído por prédios certificados. Afirmam ainda que a economia que esses edifícios fazem não representa nada para a cidade. 
Não é isso! Prédio certificado é ícone, que orienta toda indústria para o seu desenvolvimento, dá visibilidade à indústria e barateia os custos”, sentencia Ceotto.
OBJETO DO DESEJO

O diretor da Tishman não tem dúvidas sobre a valorização de edifícios certificados no mercado imobiliário. O sobrepreço, segundo ele, vai de 5% a 10% o metro quadrado de locação. 

“As pessoas já entendem que é um prédio que funciona muito melhor e tem um condomínio menor, portanto, o custo das facilities somado ao do aluguel acaba sendo igual ou menor do que o do prédio convencional”, diz. 

Dependendo do número e do nível de serviços oferecidos pelo edifício, o condomínio pode variar entre R$ 20 e R$ 30 o metro quadrado. 


“Quem no mercado fala em condomínio de R$ 14 o metro quadrado esquece de dizer que o ar-condicionado não está incluído, afinal, é o item que mais consome energia”, alerta.

Para Luiz Henrique Ceotto os incorporadores, de maneira geral, ainda não percebem o alcance de um prédio sustentável e há muita desinformação no mercado – “todo mundo é ‘verde’ e fica difícil para o cliente separar o joio do trigo, aliás, tem mais joio do que trigo”. 
Por isso, aconselha: a melhor maneira de o interessado ter certeza é a certificação, especialmente o LEED. “O cliente precisa reconhecer a credibilidade de quem certifica. É o caso do Green Building Council”, sugere.
O salto evolutivo da construção sustentável no Brasil nos últimos sete anos está, segundo Ceotto, no fato de as pessoas desejarem mais e o mercado falar menos e fazer um pouco mais. 
O consumidor de imóveis – locatário ou comprador, tanto nos segmentos residencial quanto comercial – está demandando por produtos mais sustentáveis, porém como algo obrigatório das empresas que os produzem e não está disposto a pagar mais por isso. “Multinacionais demandam bastante”, complementa.
Tendência atual nas grandes cidades e com possibilidade de certificação LEED específica, os retrofits são mais viáveis economicamente no Rio de Janeiro. “Os edifícios paulistanos que tinham valor histórico foram destruídos, enquanto os do Rio foram mais preservados. 
O que existe aqui foi construído nas décadas de 1970/80, a pior época da construção civil em São Paulo: são edifícios mal projetados, com pouca capacidade de carga, falta de vaga, lobby tímido, com pé direito baixo de até 2,40 m que não permitem sequer a instalação de ar-condicionado central. É muito difícil viabilizar o investimento. 
Não vale a pena. É diferente do que fizemos no Sul América, no Rio, belo edifício de 100 anos com pé direito alto. 
Ficou pronto, foi alugado e o fundo imobiliário está um sucesso”, conta o diretor, ressalvando que “é claro que, em São Paulo, há exceções, mas é difícil agregar valor aos prédios paulistanos dessa época e obter retorno financeiro do investimento. 
Eu sei que ambientalmente é péssimo, mas a tendência é derrubar e fazer outro”.

Fonte: Redação AECweb / e-Construmarket
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Luiz Henrique Ceotto, diretor de Design & Construction da Tishman Speyer.

Edifício Eólis - Um exemplo a ser seguido

Para obter a certificação AQUA, concedida pela Fundação Vanzolini, o edifício Eólis atingiu o nível excelente em três categorias, superior em sete e bom em outras três
Redação AECweb / e-Construmarket


O Edifício Eólis, que já era considerado um marco em soluções sustentáveis, obteve outro feito ao se tornar o primeiro edifício em operação a receber a certificação AQUA, da Fundação Vanzolini. 

Localizado na Avenida Carlos Gomes, em Porto Alegre, o empreendimento, em uso desde 2005, é equipado com um gerador de energia eólica com capacidade de gerar 2.600 watts, ou 2,6 kWh/mês instalado no topo do edifício.

No país, o maior consumo de energia ocorre das 18h às 21h, período em que os ventos em Porto Alegre são mais fortes, garantindo energia barata para as áreas comuns do prédio. 

A energia gerada entra direto na rede distribuidora do edifício, conforme previsto no projeto desenvolvido em 2003, quando ainda não se falava em sustentabilidade.

DESAFIO DINÂMICO

O diretor da Inovatech Engenharia, Luiz Henrique Ferreira, afirma que, embora o empreendimento já tenha sido projetado seguindo princípios sustentáveis, faltava mensurar o desempenho das soluções visando obter a certificação AQUA. A tarefa se tornou mais trabalhosa pelofato de o prédio já estar em operação.

Ferreira conta que foi preciso demonstrar que tanto a construção quanto a operação do edifício eram sustentáveis. “Foi um trabalho intenso de três meses. Fizemos o levantamento, desde o projeto executivo da obra até os alvarás de regularidade, e verificamos que toda a documentação ambiental estava conforme”, afirma.

SELO AQUA

Para obter a certificação foi avaliado o desempenho do edifício nas 14 categorias do Processo AQUA, que exige os seguintes resultados: nível excelente em três categorias; quatro no nível superior e sete no bom. O Eólis superou as exigências e obteve nível excelente em três categorias, superior em sete e bom em outras três.

O QUE FOI EXCELENTE

Esse nível foi obtido na escolha integrada dos produtos, sistemas, e processos construtivos; na gestão dos resíduos de uso e operação do edifício, e na categoria manutenção e permanência do desempenho ambiental. “A classificação foi melhor do que a exigida pelo AQUA” comemora Ferreira.


USO DIÁRIO

Além do processo inicial de diagnóstico, também foi avaliado se a operação permitia o aproveitamento adequado por parte dos usuários e dos benefícios oferecidos pela edificação. “Uma coisa é analisar o que foi feito, outra é saber se as pessoas estão tirando o melhor proveito disso”, pondera.

Ferreira conta que havia envolvimento dos usuários, mas eles não estavam extraindo o máximo da sustentabilidade do edifício. Na questão dos resíduos, apesar do pré-dimensionamento, da definição do fluxo e do destino final, eles não sabiam ao certo como deviam proceder.

Os elementos embarcados que colaboram para o conforto térmico e a eficiência energética também estavam sendo mal utilizados. O edifício é dotado de brise-soleil para possibilitar a iluminação natural, impedindo a incidência da radiação solar, evitando calor excessivo, e os escritórios são equipados com persianas do tipo cortina rôlo

No entanto, segundo o diretor da Inovatech, alguns usuários mantinham as persianas fechadas o dia todo. Por isso, foram sugeridas mudanças de comportamento, visando o uso correto das persianas, o que reduz o uso de energia elétrica, tanto para iluminação quanto para o ar-condicionado. “Isso teve impacto direto no dia a dia dos usuários”, diz.


FASES


Luiz Henrique Ferreira explica que o processo de certificação AQUA ocorre em duas etapas. A primeira avalia o programa da operação, quando é feito o diagnóstico e reformulação dos processos de gestão, cuja certificação foi obtida no início de 2012. 

Já a segunda, que contempla gestão do uso e operação, é avaliada pela Fundação Vanzolini um ano depois, para ver se tudo está sendo cumprido. “A certificação definitiva do Eólis só será obtida após a primeira verificação anual, que será realizada no início do ano que vem”, afirma.

OUTROS EXEMPLOS

O Eólis foi pioneiro no Brasil. Mas além dele, existem outros cinco empreendimentos em operação que estão buscando a certificação AQUA. Para Ferreira o Eólis é um case muito particular porque já tinha alto nível de sustentabilidade. 

“Nosso trabalho foi organizar as rotinas de operação e ajudar o condomínio e os usuários a utilizarem melhor o que o edifício oferece. É importante frisar que eles tomaram as decisões certas na hora certa. Fizeram tudo de maneira planejada e estruturada, com pessoas competentes. Sem dúvida, é um exemplo a ser seguido”, conclui.


COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA
Luiz Henrique Ferreira


Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) com especialização pelo Babson College de Boston, nos Estados Unidos. Criou um grupo de empresas constituído pela Inovatech Engenharia (consultoria em construções sustentáveis), Carbontech (certificadora de projetos de redução de gases de efeito estufa) e Casa AQUA, entidade sem fins lucrativos para disseminação de conhecimento em construção sustentável. É professor convidado da Poli-USP e da Universidade Mackenzie, coautor dos referenciais Processo AQUA e assistente técnico da SBAlliance no Brasil.

Escola incentiva alunos à leitura e a ações de sustentabilidade

Da Redação
Agência Pará de Notícias

Com o objetivo de incentivar os alunos a frequentar mais a biblioteca e trabalhar com temas ligados à sustentabilidade, a Escola Tecnológia Anísio Teixeira promoveu até quinta-feira (30) o evento literário "Leitura e Sustentabilidade". 

A ação trabalha com os alunos o tema da gincana literária da Feira do Livro deste ano, que é sustentabilidade.

A programação tem várias atividades, como a palestra “A leitura literária na construção de atitudes de respeito ao meio ambiente” e oficinas de material reciclável. 

A escola tem três projetos relacionados à sustentabilidade, todos com o objetivo de trabalhar a consciência dos alunos.

A escola também trabalha com um projeto de leitura, por meio do qual são produzidas palestras voltadas para áreas de interesse social, como a sexualidade, violência na internet, uso seguro da rede e gêneros textuais

O evento também tem parceria da Fundação Cultural Tancredo Neves (Centur).

Texto:
Danielly Gomes - Seduc
Fone: (91) 3201-5181 / (91) 9902-1475

Courovisão apresentou moda e sustentabilidade na Fenac


Novo Hamburgo - Moda e sustentabilidade marcaram o segundo dia da Courovisão, em Novo Hamburgo. As tendências que serão usadas na coleção outono/inverno 2013 foram reveladas em sapatos exclusivos durante desfile do Estúdio Courovisão

Antes disso, porém, empresários do setor coureiro presenciaram um momento histórico: o 1.º Fórum CICB de Sustentabilidade, que trouxe especialistas comprometidos com o conceito de sustentabilidade e a sua aplicação na produção de couros e peles para o Município. 

Promovido pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), com a coorganização da Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul (AICSul), o encontro abordou vários aspectos do setor, entre eles as tecnologias de tratamento para resíduos sólidos e as novas tecnologias disponíveis para a otimização do processo industrial, com foco na sustentabilidade, como também as políticas ambientais.


ESTÚDIO CRIATIVO

Além dos debates sobre sustentabilidade, o segundo dia da feira contou com um desfile de 40 modelos especialmente produzidos para a mostra – e que pode ser considerado o primeiro desfile da moda outono-inverno 2013 do País. 

O Estúdio Courovisão trabalhou durante várias semanas para colocar na passarela calçados que mostram as principais tendências, levando em conta os materiais e componentes expostos na própria feira. 

O projeto, coordenado pelo consultor Luís Coelho, contou com a parceria de 43 fornecedores da região e também de outros estados, possibilitando a produção de 80 modelos exclusivos, desenhados por estudantes formandos do Senai e do Senac, sob a orientação técnica do estilista Christian Thomas.

Talk Shoe para encerrar a mostra

No último dia da Courovisão, o destaque da programação paralela foi o Talk Shoe – Palestras Objetivas,  às 14 horas. Promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com o apoio da revista Lançamentos e Jornal Exclusivo, a ação discute o setor coureiro-calçadista em seis bate-papos. Todas as palestras, ao estilo drops, serão ministradas no Lounge Exclusivo/Lançamentos, localizado no corredor B da feira. 

A programação abordou inovação, moda, negócios, design e branding.

Pesquisa mostra que combinar fontes de energia reduz o consumo em sistemas de aquecimento de água


Estudo da USP analisou o uso de eletricidade, gás natural e painéis solares em três conjuntos habitacionais da CDHU localizados no Estado de São Paulo
Aline Rocha

A combinação do uso de eletricidade, gás natural e painéis solares é a que traz mais benefícios em longo prazo para o aquecimento de água em residências, de acordo com pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo (USP). 

Durante cerca de dois anos, o engenheiro elétrico José Carlos Saraiva analisou três edifícios residenciais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) nos bairros da Bela Vista, Belenzinho, em São Paulo, e na cidade de Mogi das Cruzes.



No conjunto Belém L, de 38 unidades, o engenheiro detectou que a energia solar é utilizada junto com a eletricidade. Além disso, cada morador possui seu próprio painel de energia fotovoltaica para evitar que o pagamento das despesas seja feito por todos os condôminos.

Já no Bela Vista "A", de 57 unidades, a fonte de energia utilizada é o gás natural. 

O pesquisador afirma que o custo de instalação é maior que o da eletricidade porque o chuveiro e a tubulação de água fria são instalados durante a obra. Porém, o custo de operação e de consumo do gás natural ainda é menor.

Em Mogi das Cruzes, o conjunto habitacional de 100 unidades adotou inicialmente a eletricidade e depois, o aquecimento solar. 

A adequação, de acordo com Saraiva, também teve um custo maior, mas a redução no consumo de energia foi de 25% a 30%, com algumas unidades chegando a 50%.

No mesmo condomínio, o pesquisador afirma que a empresa concessionária de energia da cidade instalou chuveiros com um dispositivo automático de controle de temperatura. 

Dessa forma, o aparelho utiliza apenas a energia necessária para atingir a temperatura desejada pelo morador, o que também reduz o consumo.

Em sua pesquisa, o engenheiro chegou à conclusão de que é melhor para o consumidor que as três fontes de energia sejam usadas ao mesmo tempo. "A combinação é vantajosa para a otimização de cada sistema, pois com isso se consegue utilizar cada um da melhor forma possível", afirma Saraiva.

O pesquisador reconhece que o custo de instalação é mais alto, mas afirma que ao longo da operação e do consumo os gastos são reduzidos. Ele sugere ainda que, para otimizar os custos, as construtoras prevejam no projeto a instalação de tubulações de gás, água quente e fria próximas aos pontos de instalação dos aparelhos de aquecimento.

Para acessar a pesquisa completa, clique aqui.


Divulgação



Fonte: www.piniweb.com.br