Seis tendências da gestão sustentável


Mais do que uma estratégia de marketing, a sustentabilidade deve ser central na gestão dos negócios


Executivos de empresas enxergam mais oportunidades do que riscos nos problemas relacionados à sustentabilidade. A constatação é parte de um mapeamento publicado pela Ernst & Young. 

O levantamento, feito com 272 executivos de 24 setores com faturamento acima de um US$ 1 bilhão, indicou seis tendências que estão pautando os negócios:

VANTAGEM:
Gerir uma empresa com sustentabilidade traz vantagens competitivas. Programas de eficiência energética e de redução de emissões são as questões a que o mercado está mais atento.

RISCOS E OPORTUNIDADES:
Sem dúvida, as questões climáticas estão na lista de preocupações para as empresas. Ao todo, 75% dos executivos revelaram ter metas de redução de emissões. Cerca de 80% acreditam que a gestão da água afetará os negócios nos próximos cinco anos.

ENVOLVIMENTO:
Há maior envolvimento dos diretores financeiros nos processos de avaliação, gestão e elaboração dos relatórios de sustentabilidade.

PRESSÃO:
Ao contrário do que se acredita, os acionistas e ONGs influenciam menos as decisões sustentáveis nas empresas do que os funcionários.

SOLUÇÕES:
Escassez de recursos naturais já está deixando de ser ameaça para se tornar realidade; 76% dos entrevistados temem que as empresas sejam afetadas pela falta de recursos naturais já nos próximos cinco anos.

MARKETING:
Empresas devem divulgar as ações e agir com transparência perante a sociedade.


Executivo de sustentabilidade é valorizado por empresas

Eles são chamados de "românticos", "idealistas" e até "utópicos". 


Tentam convencer seus pares de que resultados econômicos não são tudo na vida da empresa, que variáveis socioambientais precisam ser incorporadas à gestão e que o bom relacionamento com públicos até então considerados de menor importância, como ONGs e comunidades do entorno, é fundamental para o negócio.


São os profissionais de sustentabilidade, uma fauna cada vez mais representativa dentro das grandes e médias empresas, cujo trabalho é lidar com temas que vão desde a orientação do investimento social privado até a implementação de novas políticas de gestão interna.

Nos cartões de visita, nomes como Cidadania Corporativa, Responsabilidade Social, Desenvolvimento Sustentável, Sustentabilidade e Ambiente, entre outros, revelam a distância de um tratamento único para o tema dentro das corporações.

A área tem despertado a atenção de executivos e de estudantes. Não apenas pela possibilidade de trabalhar com uma causa considerada nobre no árido universo corporativo, mas também pela notável ampliação da demanda por esse perfil de executivo nos últimos anos, aliada a benefícios atraentes.

"Ainda que exista dificuldade de encontrar executivos com uma visão pronta, consolidada, o que vemos hoje é uma busca permanente por esse profissional", diz Fábio Mandarano, da Delloite.

Ele coordenou uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade (Abraps), que demonstra a expectativa de ampliação das equipes de sustentabilidade em uma em cada quatro empresas (26%) consultadas em 2012. Nas demais, não há previsão de cortes no período.

A pesquisa revela equivalência salarial e de benefícios dos executivos da área de sustentabilidade com os outros departamentos, que variam de R$ 2.796 a R$ 25.149, segundo a função exercida.

BARREIRAS

O aumento da demanda e os salários atrativos, porém, ainda têm reflexos tímidos sobre o que é considerado hoje um dos principais desafios desse profissional nas empresas: participar ativamente das decisões estratégicas.

Em boa parte dos casos, esses profissionais estão distantes dos centros de decisão, com acesso restrito aos principais executivos, e acabam tendo um poder limitado.

"É um erro e as empresas que o cometem correm o risco de ficar para trás. Muitas ainda não entenderam que essa área deve estar no centro das decisões, caso contrário será meramente uma peça de marketing institucional", diz Claus Richard Blau, da consultoria Korn/Ferry.

"Alcançar a representatividade necessária dentro das empresas está diretamente ligado à clareza com que as principais lideranças enxergam a sustentabilidade como valor estratégico ao negócio", diz Alexandre Mac Dowell, vice-presidente da Abraps.

Por que reciclar um prédio


O retrofit sustentável adequa edifícios antigos aos novos tempos de preocupação ambiental e ainda economiza materiais de construção


Por Denise Dalla Colletta

O ano era 1976. No número 2.028 da Avenida Paulista, então a mais moderna da cidade, acabava de surgir um novo edifício. Seu nome, Paulista 2028, poderia sinalizar uma visão futurista, um ensaio de como poderia ser São Paulo dali a mais de meio século. 

Mas não foi isso. Hoje, o prédio quase quarentão continua em pé, mas ultrapassado. E agora passa por uma readequação que lhe garantirá, pelo menos, a cara dos dias atuais. 

A reforma do Paulista 2028 é um exemplo de retrofit sustentável, que o tornará mais eficiente e adequado às novas necessidades tecnológicas. Comparada ao dispendioso projeto original, a modernização será tão grande que os responsáveis candidataram o prédio para receber a certificação de reforma sustentável LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), da ONG Green Building Council (GBC).

Garantir o selo ecológico exige pensar no ambiente ainda na gestão da obra com redução de barulho e resíduos. “Existe uma cultura de que entulho tem de ir para a caçamba”, diz Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech Engenharia

“Nós conscientizamos os operários para o reaproveitamento das sobras.”Sua empresa foi responsável pelo retrofit sustentável da Leroy Merlin,em Interlagos,que recebeu no fim de 2011umaoutra certificação verde desenvolvida no Brasil,o Processo Aqua. 

Ele afirma que metade do entulho produzido e 70% dos restos da construção foram reaproveitados. Uma parte foi triturada, a madeira e as janelas foram reutilizadas e até os móveis velhos foram doados. “É mais barato fazer retrofit do que erguer um prédio novo”, diz Cláudio Bernardes, engenheiro e presidente do Sindicato da Habitação (Secovi). 

“Não faz sentido demolir tanta área construída.” No passado, quando os terrenos eram mais baratos, não compensava gastar tanto na reforma. 

“Hoje, com os preços elevados, vale investir na requalificação de grandes áreas construídas”, afirma.


ECONOMIA Detalhe do projeto do prédio Paulista 2028 que terá sistema de ar 
condicionado inteligente (Foto: Divulgação)

A obra de retrofit do edifício Paulista 2028 deve ser finalizada em dois anos. Para diminuir o consumo de energia, estão programados elevadores inteligentes que agrupam os passageiros de acordo com seus destinos, grandes janelas de vidro de alta capacidade térmica para aproveitar a luz do sol e refletir o calor, infraestrutura para instalação de um sistema de ar-condicionado que liga e desliga quando necessário e projeto de iluminação mais econômico. 

Para reduzir o consumo de água, estão previstos vasos sanitários de duplo acionamento, um botão para sólidos e outro com menos água para os líquidos, e torneiras com desligamento automático. 

“O novo prédio deve gastar até 30% a menos de água”, diz Nelson Mazzeo, gerente de incorporação da Bncorp, responsável pela obra. Para completar, um telhado verde vai ajudar a reduzir a geração de calor.

Esse tipo de certificação pode valorizar o imóvel e a empresa que lá se instalar. Até o preço do metro quadrado de área útil para escritórios pode aumentar, já que fica mais produtivo com estrutura apropriada para receber redes de internet, telefone e energia elétrica e melhora a qualidade de vida dos funcionários. 

A obra de retrofit sustentável pode custar 10% a mais do que uma simples reforma. No entanto, o valor da operação do edifício finalizado faz valer a pena. 

“A empresa vai gastar cerca de 40% a menos de energia e metade da água de antes; compensa a diferença no valor do retrofit em até oito anos”, diz Ferreira sobre o prédio em Interlagos. 

Já o edifício da Avenida Paulista terá um custo de operação 30% menor do que o atual, de acordo com a Bncorp.



VERDE E ECONÔMICO A reforma no prédio em Barueri reduziu a conta de luz em 16% e 
da água em 30% (Foto: Divulgação)

Os três pisos do prédio da universidade do McDonald’s, em Barueri, também passaram por uma reforma sustentável que garantiu o selo LEED. 

Entregue em 2011, o projeto alterou o sistema de ar-condicionado, que proporcionou uma redução de 16% nos gastos com energia elétrica. 

E tornou o sistema de distribuição de água mais eficiente, com redução de 30% na conta. Em São Paulo, o Paulista 2028 é a primeira reforma do tipo da Bncorp e o prédio da Leroy Merlin também é a primeira experiência da Inovatech. 

“Já estudamos o retrofit de um edifício antigo da cidade com 150 sócios, isso é muito comum e dificulta o processo”, diz Luiz Henrique Ferreira, da Inovatech. 

As características da São Paulo mostram que o setor tem potencial para se desenvolver. “A região da Nova Luz poderia ser beneficiada pelo retrofit, com poucas demolições”, afirma.

O exemplo não é aleatório. A área central da cidade, que já estava no foco de incorporadoras e construtoras, agora passou também a ser disputada pelas consultorias em sustentabilidade. 

“O Centro tem infraestrutura de transporte e prédios prontos para serem reformados”, diz Newton Figueiredo, da consultoria Grupo Sustentax. Para Cláudio Bernardes, do Secovi, o bairro de Higienópolis é também um terreno fértil para o retrofit verde. 

“Os prédios, antigos e com um bom padrão, são caros e logo terão que passar por adaptações na estrutura”, afirma.

Nos Estados Unidos, os pedidos de certificação ambiental de reformas já ultrapassam os de edifícios novos, de acordo com Marcos Casado, gerente técnico da ONG GBC. 

“É um dos mercados que mais devem crescer no Brasil, temos grandes áreas construídas que precisam se tornar mais sustentáveis”, diz. “Evitamos a demolição sem necessidade e diminuímos os impactos ambientais na cidade.”

Confira detalhes do projeto do prédio Paulista 2028:

Copel irá com algumas centenas de MW eólicos para leilões

Empresa também acredita em oportunidades de crescimento no setor de transmissão
Por Wagner Freire
 

A paranaense Copel vai participar dos próximos leilões de geração de energia, marcados para outubro, com "algumas centenas de MW eólicos". 

O presidente da companhia, Lindolfo Zimmer, disse em teleconferência com acionistas que "a eólica está na moda" no País. "É importante para nossa matriz e não podemos ficar ausentes".

Embora Zimmer tenha afirmado que seus projetos serão competitivos, ele avisa que não vai sair vendendo energia a qualquer custo. "Não deixaremos de observar tudo aquilo que seja interessante e importante para a economia da empresa."

O executivo ainda fez questão de lembrar que a empresa estuda outras fontes, como solar, biomassa e gás.

Transmissão
Atualmente, a Copel possui dez projetos de transmissão em construção, que compreendem uma extensão de 3,5 mil km, além de dez subestações. Com a remuneração provinda desses empreendimentos, a Receita Anual Permitida (RAP), a companhia irá dobrar seus recebíveis nesse segmento, que vão saltar dos atuais R$228 milhões anuais para cerca de E$430 milhões. 

"E não pararemos por aí, acreditamos que existe espaço para mais investimentos nesse negócio", aponta Zimmer.

No setor de geração, a hidrelétrica Mauá, que está em fase final de construção, tem previsão de entrar em operação em setembro desse ano. 

Já para UHE Colíder, o executivo mantém o cronograma de antecipar a operação comercial da usina em um ano, sendo que o prazo original é 2014.

A empresa também está de olho nos aproveitamentos do rio Tapajós. 

Zimmer revelou que R$ 110 milhões estão sendo gastos com os estudos de viabilidade na região. "O potencial de Tapajós é suficiente para atender duas cidades do porte de São Paulo", destaca o executivo da Copel.

Quanto a UHE Baixo Iguaçu, o presidente assume que a empresa está em negociação com a Neoenergia para entrar no empreendimento. Ele diz que o projeto "gerará sinergias" consideráveis para a Copel, caso o acordo seja fechado.

No entanto, a empresa espera que o período de concessão seja considerado a partir da assinatura do contrato de concessão da usina. 

“O que se discute é que a concessão se conte a partir de agora. Acredito neste caso deva prevalecer o bom senso.”

14ªFeira da Agricultura Familiar mostra sustentabilidade da produção rural




Quem visita a 14ª Feira da Agricultura Familiar na 35ª Expointer é capaz de conferir a enorme variedade de produtos orgânicos ofertados. 

A proposta de oferecer ao público um produto livre de agrotóxicos é mais do que assegurar saúde e sabor. 

Para o agricultor, é sinônimo de qualidade de vida para esta e as próximas gerações.

É na Praça dos Orgânicos, localizada no espaço do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que os visitantes podem conferir de perto o resultado de uma agricultura sustentável. É possível ver geleias, doces, sucos, arroz, sementes e vinho.

“Na produção orgânica e sustentável você tem que ver o solo como vida”, retrata o agricultor familiar Altamir Bastos, 42 anos. 

Há cinco anos, Altamir e os 1.420 mil assentados da reforma agrária do município de El Dourado do Sul (RS), iniciaram a produção de arroz orgânico. Ele conta que receberam assistência técnica especializada na área de produção orgânica e hoje, além do arroz, produzem frutas como caqui e uva, além de grãos e panificados, tudo de forma sustentável.

As novas chamadas públicas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) do MDA serão focadas na sustentabilidade. De acordo com o diretor do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater), da Secretaria da Agricultura Familiar do MDA, Argileu Martins, a Ater Sustentável trabalha com o agricultor processos que permitam o manejo adequado dos produtos e do solo. 

“Trabalhamos não só o ponto de vista ambiental, mas também o econômico e o social da sustentabilidade”, ressalta.

De acordo com Altamir, a Ater é essencial para o desenvolvimento de uma produção sustentável. 

“Com a Ater aprendemos que quem fornece os nutrientes para a planta são os micro-organismos que estão no solo. Se nós não cultivarmos, primeiramente, a vida no solo, nós não vamos ter a produção sustentável”, explica.

Assim como Altamir, que expões seus produtos pela primeira vez na feira, outros adeptos da sustentabilidade compõem a Praça dos Orgânicos. Um exemplo é Eunira Carraro, 59, do município de Monte Alegre dos Campos. 

Produtora de sucos, geleias e extrato de tomate, a agricultora conta que sempre gostou de trabalhar com produtos naturais, exatamente, pelo fato de que, livres de agrotóxicos, preservam a qualidade do solo. “Nós plantamos pensando no futuro, em conseguir uma forma para manter a família e os filhos no meio rural”, conta.

Os dois agricultores dividem a opinião de que, para se produzir de forma orgânica, a propriedade tem que ser autossustentável, da produção à adubação. “Senão vamos cair no mesmo modelo do convencional”, observa Altamir.

Junto a mais 15 famílias da Associação de Agricultores Ecologistas de Monte Alegre, Eunira produz cerca de 75 mil litros de sucos por ano. Desse total, 30% são destinados para a merenda escolar de 37 municípios, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). 

“Depois que começamos a vender para o Pnae nossa produção mais que dobrou”, relata. Além do suco, Eunira conta que o que mais comercializam para a merenda escolar é o extrato de tomate.

A agricultura sustentável busca a valorização do produto que não utiliza insumos químicos e que, assim, mantém a preservação do solo. 

A produção rural sustentável não só trata da melhor qualidade do alimento e preservação do meio ambiente, mas procura valorizar, também, as relações familiares e leva o ser humano a refletir sobre sua intervenção na conservação da natureza.

NEGÓCIOS PARA NOVOS TEMPOS 4/4


Christina Carvalho Pinto fala de fatores de sucesso dos negócios 
sustentáveis

20 ideias para girar o mundo


Unesco Brasil

Conheça o pensamento de 20 personalidades reconhecidas por seu trabalho de promoção do desenvolvimento humano, econômico e socioambiental. 

O projeto +20 Ideias para Girar o Mundo é uma contribuição da UNESCO no Brasil para o debate sobre a sustentabilidade e o futuro do planeta. Assista aos vídeos de até 7 minutos que reúnem ideias e reflexões sobre o desenvolvimento sustentável.http://bit.ly/20ideias_unesco


(Unesco Brasil)