Pós-Rio+20: uma análise crítica da economia verde e da natureza jurídica dos créditos ambientais

Amyra El Khalili*


Desde que foi instituído o MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, pelo Protocolo de Quioto (1997), estamos manifestando nossas preocupações com a maneira pela qual os negócios e os acordos vinham sendo conduzidos. 

A tendência que temos observado é, infelizmente, que o mercado de carbono e seus derivados está repetindo os modelos centralizadores, arriscados, limitados e desgastados, sob os quais se estabeleceram os contratos nos grandes centros financeiros. 

Analistas internacionais estimam um rombo de aproximadamente U$ 222 trilhões nos derivativos, o que equivale a três vezes o PIB mundial. A crise financeira internacional não acontece em outro planeta para que a euforia em relação aos créditos ambientais seja isenta de críticas e rechaços, como ocorreu durante a Rio+20 no evento paralelo Cúpula dos Povos.

É aqui mesmo, neste mercado global desregulamentado, que estão sendo negociados acordos entre governos e instituições financeiras com o aval de algumas ONGs ambientalistas, contrariando a lógica matemática mais racionalista e, tais créditos, sendo tratados como commodities, ou seja, mercadoria padronizada para compra e venda. 

A poluição é uma nova modalidade de mercadoria. Assim como a máfia do lixo, dos aterros sanitários, do lixo tóxico e do lixo atômico, estão fazendo do que deveria ser eliminado um “ativo ambiental”.

Os argumentos que justificam o mercado de carbono são louváveis. O apelo para conter o aquecimento global é legítimo. As mudanças climáticas ocasionadas pela ação do ser humano estão mais que comprovadas cientificamente, ainda que alguns céticos se esforcem para derrubar teses e estudos consolidados. 

Porém, o modus operandi a que se pretende alcançar esses objetivos são questionáveis até para os mais monetaristas dos cientistas econômicos.

Os números apontados são discrepantes: estima-se que U$ 142 bilhões foram negociados nos derivativos de carbono, contra U$ 5 bilhões investidos diretamente em projetos de MDL. 

O que se verifica é que, de fato, há um mercado sem controle,formando uma bolha ambiental prestes a explodir, uma vez que o sistema financeiro mundial está totalmente entrelaçado por garantias que os bancos trocam entre os próprios bancos, as chamadas “trocas de chumbo”. 

Há um movimento internacional atento, monitorando e denunciando fraudes e corrupções nesses mecanismos.

No sistema financeiro, não existe operação que não tenha garantia real. Não se pode formar um fundo climático sem que haja garantias de liquidez. Usarão todos os papéis que encontrarem pela frente para lastrear seus negócios de altíssimo risco no curtíssimo prazo.

É nesse contexto, que está o cerne da polêmica em relação à “economia verde”. Resumindo, a crítica é procedente, pois se estrutura na crença que o mercado financeiro é soberano e tem capacidade para regular e promover ajustes com as forças do livre mercado, precificando a natureza e, com isso, estabelecendo prazos contratuais, ao gosto do freguês, sem metas e sem regras, opondo-se, assim, à política “comando controle” dos Estados.

Não foi por acaso que o documento final da Rio+20 desconsiderou os princípios acordados na Rio-92: o princípio do poluidor-pagador, o princípio da precaução e o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

Dessa forma, promove-se a via mais rápida para a financeirização dos bens ambientais, como água, biodiversidade, florestas (fauna, flora e patrimônio genético) e minério, com a conivência e aval dos governos, que transferem suas responsabilidades enquanto Estado para as corporações através do sistema financeiro nos modelos neoliberais mais agressivos dos últimos tempos. 

No entanto, para que isso aconteça, é necessário desmantelar leis ambientais, afrouxar a fiscalização, flexibilizar regras e engessar os movimentos sociais e ambientais.

Se um país não tem terra e água para plantar, compra (ou rouba) terras em outro continente. Esse movimento especulativo atrai todo tipo de negócios escusos. As terras mais cobiçadas são os territórios das populações tradicionais, caiçaras, indígenas e quilombolas. 

Os pequenos proprietários de terras, com mananciais, águas subterrâneas e represas e rios em suas propriedades, também são alvos dos especuladores, que prometem vantagens financeiras agindo com cartas de gaveta (side letters) de compra e venda de áreas vinculantes aos créditos de carbono e de compensações, usando, portanto, as áreas como garantias reais para negociar os tais títulos.

Esse movimento já ocorre na informalidade há 15 (quinze anos), à revelia dos órgãos normatizadores e fiscalizadores, colocando em risco a soberania nacional por conta de conflitos fundiários e rurais, entre outros fatores territoriais. O mais alarmante é a velha troca de votos por água. 

É delicada e preocupante a fragilidade das populações que não têm acesso à água, em quantidade e qualidade, e ao saneamento básico. Estas são reféns, há séculos, do voto de cabresto.

Agora, temos uma novidade eleitoral sofisticada: o voto de cabresto do REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), e suas criativas variáveis, com a correria de diversos governadores e prefeitos assinando acordos com empresas estrangeiras. 

Resta saber quais são as bases jurídicas nas quais estão fundamentados todos esses acordos para que instituições financeiras internacionais administrem os bens ambientais desta nação. Outro caso interessante envolve ONGs, marketiando como se fossem instituições financeiras autorizadas a “funcionar” pelo Banco Central do Brasil. As ONGs anunciam produtos, sistemas de comercialização, cadastramento de clientes e negócios sob a lei das OSCs e OSCIPs. Isso pode?

Será que o mercado dos ativos ambientais, cuja natureza jurídica é incerta e extremamente confusa – quando camaleônicamente os players os tratam como commodities trocando, ao sabor dos ventos, para valores mobiliários (valores ambientais) ou para ativos ambientais e sabe-se lá que nome darão aos mesmos bois -, está isento de regras, normas, não se submete ao Código de Defesa do Consumidor, não será processado por prática de propaganda enganosa, entre outras arbitrariedades, abusando da falta de conhecimento técnico da população desavisada? 

São essas as perguntas que faremos aos futuros candidatos e aos seus partidos nas próximas eleições. Enquanto isso, quem viver o Pós-Rio+20 verá!

*Amyra El Khalili é economista e autora do e-book Commodities Ambientais em Missão de Paz: Novo Modelo Econômico para a América Latina e o Caribe. São Paulo: Nova Consciência, 2009. 271 p. Acesse gratuitamente www.amyra.lachatre.org.br 

** Palestra proferida na Bienal do Livro pela Editora Fórum e na 94ª reunião do Fórum Permanente de Direito do Ambiente da Escola de Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ)

(Instituto CarbonoBrasil)

Moda - Inovação Sustentável: Redução da Pegada de Carbono na Moda

Leia a matéria completa no link abaixo:

http://rendezvous.blogs.nytimes.com


Hospital de Araucária ganha prêmio de Sustentabilidade


Reconhecimento foi dado pela Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Brasil

O Hospital Municipal de Araucária (HMA) foi mais uma vez reconhecido por seu desempenho no desenvolvimento sustentável. 


Desta vez, o Hospital foi o vencedor na categoria Projetos Econômicos, no Prêmio Nacional CMB de Sustentabilidade, promovido pela Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Brasil.

O resultado foi anunciado durante o 22° Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, realizado em Brasília entre os dias 21 e 23 de agosto. 

 O prêmio foi entregue ao diretor geral do HMA, Danilo Oliveira da Silva, na cerimônia realizada dia 22, no Centro de Convenções Brasil.

“Este é o reconhecimento de um trabalho que iniciamos em 2009. 

O prêmio nos motiva a continuar acreditando que um hospital público, com atendimento 100% pelo Sistema Único de Saúde, pode conseguir outros resultados relevantes e que contribuam para a melhoria da eficácia na gestão hospitalar”, comenta o diretor geral.

O projeto apresentado pelo HMA, intitulado “Sustentabilidade financeira: implantação de um processo de gestão de custos assistenciais nas unidades de terapia intensiva e clínica médica do HMA”, destaca o trabalho da instituição na gestão dos custos assistenciais, por meio da atuação de uma comissão de gestão de custo, que monitora o consumo de materiais e medicamentos e implanta ações e protocolos visando a otimização dos recursos disponíveis, garantindo uma maior qualidade e segurança na assistência.

O Prêmio Nacional CMB de Sustentabilidade foi criado para reconhecer nas categorias social, ambiental e econômica, ações desenvolvidas por entidades confederadas e que contribuam para a sustentabilidade no setor de saúde. 

A iniciativa visa também estimular as equipes das Santas Casas de Misericórdia a implantarem modelos de gestão sustentável.

Relatório propõe metas de sustentabilidade a candidatos a prefeito




A campanha eleitoral para prefeito e vereador começou para valer nesta semana, com o início da propaganda eleitoral na TV, e com ela já surgem as primeiras propostas de candidatos falando em sustentabilidade. 

Mas como separar as propostas realmente sérias das que não passam de mera propaganda?

Uma boa dica é conhecer o Programa Cidades Sustentáveis. Organizado por redes de organizações da sociedade civil, o programa criou uma proposta com metas para os futuros prefeitos. 

O material foi lançado nesta semana, e a ideia é disponibilizar ferramentas para que os candidatos a prefeito conheçam quais políticas de sustentabilidade deram certo em várias partes do mundo, e quais podem ser aplicadas nos municípios brasileiros.

O relatório “Metas de sustentabilidade para os municípios brasileiros” está organizado em 12 eixos, como “bens naturais”, “qualidade de vida”, “consumo responsável”, entre outros. 

Cada eixo apresenta exemplos de cidades que estão tendo sucesso em políticas socioambientais. 

Segundo Oded Grajew, do Instituto Ethos, a ferramenta pode auxiliar políticos que não estão familiarizados com a questão ambiental. “Estamos mostrando que a sustentabilidade não é um bicho de sete cabeças. Os objetivos mostram o que é possível fazer”.

Além de servir como um guia para candidatos, os exemplos levantados pelo relatório podem ajudar o eleitor a cobrar políticas coerentes para as cidades

“O eleitor pode ter uma referência”, diz Grajew. “Por exemplo, ele pode encontrar, no eixo sobre bens naturais, o item sobre o uso da água. Esse item mostra que a referência no assunto é Tóquio, que perde apenas 3% de água no processo de abastecimento. 

O eleitor pode comparar essa referência com a sua cidade, por exemplo São Paulo, que perde 26% da água no processo de distribuição. E pode cobrar por políticas para diminuir essa perda”.

Ao lado de iniciativas internacionais de sucesso, como as de Tóquio, Vancouver, Estocolmo, entre outras, o relatório também levanta bons exemplos brasileiros. 

Cidades como Paragominas (PA), que conseguiu uma redução recorde no desmatamento, ou São Carlos (SP), referência no eixo “governança”, também merecem destaque.

Para Grajew, é urgente que os prefeitos criem planos de sustentabilidades em suas cidades, pois só assim podem entender a realidade local e propor as políticas necessárias. 

Para isso, o programa promove um acordo com os candidatos, que se comprometem a elaborar um plano nos primeiros noventa dias de governo. 

Até o momento, mais de quinhentos candidatos, de todo o país, já se comprometeram com o acordo.


Foto: Ciclovia em Vancouver. Ariel Kogan/Cidades Sustentáveis

Eficiência energética entra na agenda dos executivos


POR JOÃO RICARDO GONÇALVES

No Brasil, 89% dos entrevistados consideram importante gerenciar o custo de energia nas edificações.

O debate e ações voltados à eficiência energética começam a ganhar peso entre os executivos mundiais, revela a pesquisa Energy Efficiency Indicator (EEI) do Institute for Building Efficiency, da Johnson Controls, líder global no fornecimento de soluções de eficiência energética e sustentabilidade para edifícios e instalações ao redor do mundo.


De acordo com os resultados apurados entre 3.500 proprietários e operadores de edifícios e instalações, incluindo 230 entrevistados do Brasil, 85% afirmaram depender do gerenciamento de energia para atingir a eficiência operacional. 

Segundo o vice-presidente da companhia, Marcelo Therezo, essa necessidade percebida faz com que as ações tomadas levem à redução de gastos com energia, além de incentivos financeiros. 

"Por conta disso, a quantidade de executivos interessados por essa frente aumentou 34% nos últimos dois anos", conta, destacando que 40% da energia produzida no mundo é consumida por edifícios, segundo o World Resources Institute.

Contudo, Therezo aponta ainda que o interesse dos executivos visam também a busca da melhoria da imagem pública, além da agregação de valor para seus edifícios e instalações.

Já o presidente da divisão de Building Efficiency da Johnson Controls, Dave Myers, observa que o mantra dos proprietários de edifícios comerciais está sendo alterado. 

"Antes a preocupação era uma só: localização, localização, localização, entretanto agora está se tornando localização, eficiência, localização". 

De acordo com a pesquisa, aproximadamente um terço dos participantes no mundo todo indicaram que as taxas de crédito, incentivos e descontos oferecidos nesse sentido têm um grande impacto no aumento de investimento em eficiência energética. 

"Isso significa que está sendo reforçado o papel da política do governo nas decisões tomadas pelos proprietários e operadores de edifícios e instalações", aponta Myers, lembrando que, nos Estados Unidos, este fator foi apontado por 42% dos entrevistados.

"Por lá há uma luta dos proprietários contra o envelhecimento e a ineficiência dos edifícios", acrescenta. Aproximadamente 75% dos edifícios comerciais nos Estados Unidos têm mais de 20 anos e estão prontos para passar por processos de otimização em relação ao consumo de energia.

Myers revela ainda que os proprietários e operadores estão procurando legisladores para diminuírem os custos de projetos de retrofits focados em energia por meio de iniciativas e incentivos.

"Na Ásia, por exemplo, as normas vigentes para construção e equipamentos também estão ajudando a garantir que os novos edifícios sejam construídos para atingir altos níveis de eficiência energética", conta Myers.

Globalmente, segundo a pesquisa EEI, 96% dos entrevistados implementaram pelo menos uma ação de melhoria com foco em eficiência energética em seus edifícios e instalações. 

As ações de melhoria apontadas foram destinadas para o sistema de iluminação, equipamentos de aquecimento e ar condicionado e eficiência no uso de água.

Metade dos entrevistados do setor privado usaram as economias provenientes dos upgrades em eficiência energética para reduzir o orçamento da empresa, enquanto 40% reinvestiram o capital economizado em medidas futuras para eficiência. 

Brasil 
Quando o foco é apenas o executivo nacional, o resultado também é animador. De acordo com a pesquisa, 89% dos entrevistados consideram extremamente importante gerenciar seu custo de energia. Em 2011, essa percentagem era menor, 73%. 

"Temos notado uma consciência mais crítica dos executivos, permitindo a esse avanço", diz Marcelo Therezo. 

Apesar do tom de otimismo, os executivos apontam ainda barreiras que acabam travando os investimentos no Brasil, como a falta de liderança, gerência responsável na organização, e atenção dedicada à gestão da eficiência energética.

Quanto as certificações para green building, ou sistemas voluntários de certificação para edifícios, globalmente foram os tópicos mais citados na pesquisa: 44% dos entrevistados estão planejando submeter edifícios e instalações existentes para certificação. 

No Brasil, essa taxa foi de 43%. Outro dado de destaque foi que 43% dos entrevistados planejam, ainda, submeter novos edifícios e instalações para certificação. No cenário brasileiro, esse dado sobe para 49%.

"Os inquilinos de edifícios comerciais estão dispostos a pagar mais para terem seus escritórios em locais com maior apelo sustentável e que funcionem de forma eficiente em relação ao uso da energia", afirma Dave Myers.

BOA IMAGEM

Interesse em eficiência energética entre os executivos no Brasil

89% afirmaram que a gestão de energia era muito ou extremamente importante para sua organizações (em comparação com 73% em 2011).

79% disseram que estavam dando mais atenção à energia em 2012 do que em 2011.

47% dos entrevistados têm investido em eficiência energética desde o ano passado.

57% dos executivos de empresas planejam aumentar os gastos nos próximos 12 meses.

49% dos entrevistados planejam bucar a certificação verde em edifícios novos e 43% em prédios existentes.

73% afirmaram ter notado melhorias na iluminação.

54% afirmaram ter notado melhorias de eficiência hídrica.

Fonte: Institute for Building Efficiency da Johnson Controls

Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013 começa no dia 29 na FAPESP

Agência FAPESP – A FAPESP sediará, de 29 a 31 de agosto de 2012, o primeiro de sete encontros preparatórios para o Fórum Mundial de Ciência 2013, que será realizado em novembro de 2013 na cidade do Rio de Janeiro. 

"Ciência para o Desenvolvimento 
Global: da educação para a inovação"
será o tema do evento que reunirá 
pesquisadores do Brasil e do exterior

O tema da reunião é "Ciência para o Desenvolvimento Global: da educação para a inovação – construindo as bases para a cidadania e o desenvolvimento sustentável".

A programação será aberta no dia 29, às 17h30, pela conferência "The Role of The Network of Science Academies" ("O papel da Rede de Academias de Ciência"), com Michael Clegg, da Rede Interamericana de Academias de Ciências (Ianas) e Universidade da Califórnia, Estados Unidos, com tradução simultânea.

Nos dias 30/8 e 31/8, pesquisadores científicos, gestores de ciência e inovação, representantes de universidades brasileiras, da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Royal Society (Reino Unido), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unescp) e American Association for the Advancement of Science (AAAS) discutem aspectos do tema central em quatro sessões: 

"As diferentes facetas da ciência"; "Pensando governança da ciência e da inovação"; "Educação para a Ciência: bases para a inovação e o desenvolvimento sustentável"; e "Desafios para a ciência no século 21".

Os encontros preparatórios previstos serão realizados em outras seis capitais brasileiras: Belo Horizonte, Salvador, Recife, Manaus, Porto Alegre e Brasília. 

Em cada um deles serão discutidos temas relacionados aos principais desafios da ciência neste século, nos contextos nacional e internacional. Quatro temas serão comuns a todos: "Educação em ciência", "Difusão e acesso ao conhecimento e interesse social", "Ética na ciência" e "Ciência para o desenvolvimento sustentável e inclusivo'. 

Ao fim desse debate nacional sobre o papel da ciência no desenvolvimento global, os organizadores pretendem consolidar as proposições e principais conclusões em um documento que será divulgado antes da realização da reunião internacional no Rio de Janeiro. 

A preparação, a programação temática e a coordenação da reunião estão a cargo de Comissão Executiva Nacional, composta por membros de 13 instituições do Sistema Nacional de CT&I. 

Este grupo tem representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), ABC, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Educação (MEC), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNPq), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Comissão de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti), Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e o Escritório da Unesco no Brasil.

Reunião Mundial

O Fórum Mundial de Ciência 2013 será organizado pela Academia de Ciências da Hungria em parceria com a UNESCO, o International Council for Science (ICSU), a Academy of Sciences for the Developing World (TWAS),a European Academies Science Advisory Council (EASAC), a AAAS e a ABC. O Fórum tem a missão de promover o debate entre comunidade científica e sociedade.

Desde sua primeira reunião, em 2003, o Fórum é realizado a cada dois anos em Budapeste, Hungria. A indicação do Rio de Janeiro como cidade sede da edição 2013 se deve a um movimento do Governo brasileiro de iniciar, em 2009, uma série de discussões entre representantes de instituições científicas e tecnológicas do Brasil e governos da América Latina e Caribe para elaboração de uma estratégia regional para Ciência, Tecnologia e Inovação. 

O principal resultado deste ciclo de encontros foi a Declaração Regional apresentada naquele ano durante a comemoração dos 10 anos de criação do Fórum. O eixo principal do documento é um plano para a solução de problemas que afetam os países envolvidos, e também a introdução do tema inclusão social nas políticas nacionais para a área.

Primeira reunião preparatória para o Fórum Mundial de Ciência
Local: auditório da FAPESP, rua Pio XI, 1.500, São Paulo
Data: 29 a 31 de agosto de 2012
Mais informações, programação e inscrições em: www.fapesp.br/wsf2013
(11) 3838-4362 / 4216

Como funcionam os projetos de Pagamento por Serviços Ambientais



A nascente ilustrada pela foto acima não fica em uma unidade de conservação ou área pública de floresta. Pelo contrário, ela está em uma propriedade privada. 

Mas isso não significa que esteja desprotegida. Um contrato garante que ela não seja degradada – e ainda gera recursos para o proprietário que conserva a área.

A nascente está em uma propriedade em Apucarana, Paraná, e faz parte de um programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). A ideia de “serviços ambientais” é um conceito recente. Segundo esse conceito, nós recebemos benefícios do meio ambiente, como ar puro, abastecimento de água, controle do clima, etc. 

O problema é que esses serviços nunca são contabilizados pela atividade econômica, tornando mais lucrativo desmatar do que conservar. Os projetos de PSA tentam resolver esse problema criando mecanismos para que os produtores possam ter mais retorno financeiro conservando do que desmatando.

Um dos projetos de PSA em atividade no Brasil é o Projeto Oásis. Lançado em 2006 pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, o projeto Oásis atende atualmente quatro municípios (São Paulo, Apucarana, Brumadinho-MG e São Bento do Sul-SC). 

Segundo André Ferretti, coordenador do projeto, o programa funciona mais como uma metodologia que tenta resolver uma das maiores dificuldades do PSA: definir quanto vale remunerar determinada área natural.


Primeiro, o projeto procura um parceiro local que vai ajudar a implantar a metodologia. Pode ser uma prefeitura, empresa ou organização da sociedade civil, desde que conheça a realidade local. 

O parceiro vai fazer o contato com os produtores e ver se eles têm interesse em receber recursos para conservar. Um dos pré-requisitos para o produtor poder participar do projeto é estar dentro da legislação ambiental, respeitando código florestal, áreas de preservação permanente e reserva legal.

No caso do município de Apucarana, o parceiro local é a empresa de saneamento básico do município. É interessante para a empresa investir na conservação das nascentes de rios, evitando contaminação e facilitando o abastecimento de água. A empresa cobra 1% a mais na conta de água, valor que é pago por todos os que usam o serviço ambiental. 

Esse dinheiro vai remunerar os produtores que conservam as nascentes de rios. O resultado final é que os produtores ganham para proteger, e os cidadãos pagam para evita a contaminação da fonte do recurso que utilizam, a água.

Quanto cada produtor recebe? Isso vai depender da região e de quanto cada proprietário conserva. O cálculo leva em conta o “custo de oportunidade’, ou seja, quanto o produtor ganharia se, em vez de proteger uma área natural, arrendasse essa terra para um outro produtor. 

A esse valor, é somada uma quantia para cada prática sustentável usada pelo produtor, como controle do uso de agrotóxico, por exemplo. “O valor final pode chegar ao dobro do que o proprietário ganharia caso arrendasse a terra. Isso se ele cumprir 100% das boas práticas, todas as exigências”, diz Ferretti.

Por ser uma ideia nova, programas de PSA enfrentam resistências e dificuldades. Muitos projetos são resultados de lei estadual específica, e não há uma regra federal que faça com que essas leis dialoguem. Além disso, movimentos sociais encaram PSA com desconfiança. 

Parte dessa resistência pôde ser vista na Rio+20. Durante a Cúpula dos Povos, movimentos sociais se uniram para criticar a chamada “economia verde”, condenando mecanismos como o mercado de carbono e Pagamentos por Serviços Ambientais. Para eles, definir um preço aos recursos naturais é o mesmo que transformar a natureza em mercadoria.

Apesar das resistências, os números indicam que ao menos o Projeto Oásis está funcionando bem. Mais de duzentos proprietários rurais recebem recursos para conservar áreas naturais e adotar boas práticas ambientais. São 2088 hectares de área natural protegida e 64 hectares restaurados, além de mais de 700 nascentes conservadas. 

E a perspectiva é de aplicar a metodologia em mais regiões no futuro. Quem sabe exemplos como esse possam ajudar a romper com a falsa oposição, criada nos acalorados debates do código florestal, de ambientalistas contra produtores rurais.

Foto: Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

(Bruno Calixto)