Crédito de carbono ajudaria financiar pequena hidrelétrica

Obter Redução Certificada de Emissões pode reduzir parte do investimento em Pequena Central Hidrelétrica
Júlio Bernardes, da 


Divulgação

Hidrelétrica: Pequena Central Hidrelétrica causa menor impacto ambiental onde 
é instalada do que uma usina comum

São Paulo - Na Escola Politécnica (Poli) da USP, estudo demonstra que a utilização de créditos de carbono pode reduzir o investimento necessário para a implantação de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH).

Além de não emitir gás carbônico (CO2) na atmosfera, o que aconteceria com uma usina termelétrica que gera energia utilizando combustível fóssil, a PCH tem menos impacto ambiental na região em que é implantada devido a sua dimensão reduzida. O trabalho da arquiteta Heliana Artigiani foi orientado pelo professor Cláudio Tavares de Alencar, da Poli. 

De acordo com a arquiteta, os créditos de carbono, também chamados de Redução Certificada de Emissões (RCE), são obtidos por meio do cálculo que se faz da redução das emissões de CO2. 

“Para obter esse valor, é admitida a linha de base, que consiste em verificar as emissões produzidas pela matriz energética em operação no país durante um ano”, explica. “Adicionando a energia que será produzida pela nova PCH é possível mensurar quanto CO2 deixará de ser emitido.”

Por meio de uma metodologia de cálculo, é possível definir e converter a quantidade de CO2 que deixa de chegar à atmosfera em créditos de carbono, que serão negociados através da Bolsa Mercantil e Futuros (BM&F), no Mercado de Carbono.

“A concessão dos créditos é regulamentada nos países em desenvolvimento pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), e supervisionada no Brasil pela Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima”, diz Heliana.


“A metodologia pode ser desenvolvida pelo próprio empreendedor que solicita os créditos, ou então pode ser utilizado o método já aprovado e padronizado pela Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima (UNFCCC)”.

Para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), são consideradas PCHs as centrais que tem de 1 a 30 megawatts (MW) de potência e ocupam uma área inundada de até 3 quilômetros quadrados (km2) para a cheia centenária (nível máximo das águas nos últimos cem anos).

“Na pesquisa, o uso de RCE foi estimado para um empreendimento de PCH de 15MW de potência instalada, limite máximo para projetos de pequena escala no MDL”, acrescenta a arquiteta. De acordo com a Aneel, o Brasil possui hoje 423 PCH instaladas e em operação, com potência de 4.150MW, representado 3,43% da energia gerada no País. 

Projeto


Depois de definir a metodologia de cálculo, o empreendedor deve elaborar um Documento de Concepção de Projeto (DCP) que leve em conta os padrões do MDL. “A área da central, por exemplo, pode reduzir a concessão de créditos, pois o impacto ambiental aumenta conforme sua dimensão”, diz Heliana.

Em seguida, o projeto passa por uma Entidade Operacional Designada, que são instituições brasileiras ou internacionais credenciadas pelo Conselho Executivo do MDL (que supervisiona o funcionamento do MDL) a fazer a validação do DCP. Uma vez validado, ele segue para a Comissão Interministerial de Mudanças Globais do Clima. 

Depois, retorna para a Entidade Operacional, que realiza o registro, e segue para o Conselho Executivo do MDL, que faz a emissão das RCEs.

O estudo mostra que 70% do valor necessário para implantar a central pode ser obtido junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e 30% é pelo investimento do próprio empreendedor. 

“O custo total de implantação de uma PCH de 15MW de potência instalada é estimado em R$ 90 milhões, nos quais os créditos de carbono representam 3% desse valor, ou seja, os créditos ajudam a reduzir o investimento que o empreendedor precisará fazer para realizar a obra”, ressalta Heliana.

Depois da construção da PCH, a Entidade Operacional Designada realiza um trabalho permanente de monitoramento, verificação e certificação da central em funcionamento, para assegurar que não há emissões de CO2. 

“Ao se optar pela construção de uma hidrelétrica, deixa-se de lado as termelétricas, que provocam emissões, e utiliza-se uma fonte renovável de energia”, destaca a arquiteta. 

“Devido às suas dimensões reduzidas, a PCH apresenta a vantagem adicional de causar um menor impacto ambiental nas regiões em que é instalada em relação a uma Usina Hidrelétrica convencional.

Grupo André Maggi apresenta seu Relatório de Sustentabilidade 2011

Redação

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Grupo André Maggi apresenta seu Relatório de Sustentabilidade 2011




O Grupo André Maggi lançou recentemente a nova versão de seu Relatório de Sustentabilidade. O documento traz os resultados econômicos, sociais e ambientais da companhia, que tem como visão ser referência em desenvolvimento sustentável e que tem sua sede em Cuiabá (MT).

Entre as melhorias apresentadas na nova edição do relatório, está a evolução do nível de aplicação, que passou de “C” para “B”. Isso significa que o Grupo está divulgando um número ainda maior de informações em relação à edição anterior da publicação.

Como é feito desde 2008, o Relatório de Sustentabilidade do Grupo André Maggi é elaborado com base nos princípios da Global Report Index (GRI), um conjunto de diretrizes e indicadores que proporcionam comparabilidade, credibilidade, periodicidade e legitimidade à informação.

Na área ambiental, o documento traz dados como os investimentos realizados, gestão da cadeia de valor, gestão ambiental de obras, entre outros. “O nosso relatório tem seguido uma linha de aprimoramento, tanto no conteúdo, quanto na apresentação”, avalia Juliana Lopes, gerente de Sustentabilidade do Grupo André Maggi.

DIVISÕES
Ao longo do documento, também é possível conferir os resultados de cada uma das divisões de negócios da companhia, que atua na produção agrícola e de sementes de soja, originação, processamento e comercialização de grãos e insumos, energia, administração portuária e transporte fluvial.

Em 2011 a trading Amaggi, empresa líder do Grupo, terminou o ano na 33ª posição entre as maiores exportadoras brasileiras. Na área agrícola, o destaque ficou por conta do algodão, que teve a sua área plantada ampliada em 138%, resultado dos preços de mercado – os melhores em 120 anos.

A Divisão de Energia, que está desenvolvendo uma série de novos projetos, comemorou a inauguração da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Divisa, que acrescentou 10,8 MW ao potencial energético do Grupo. Na área de navegação, o Grupo transportou 2,4 milhões de toneladas de grãos em 2011, um incremento de 11,7% na comparação com o ano anterior.

SOCIAL
A Fundação André Maggi, responsável pelas ações de investimento social privado do Grupo, também tem destaque no relatório.

Entre os programas citados, a Seleção Pública de Projetos, que permite às entidades cadastradas o acesso a apoio financeiro de projetos sociais relevantes nas comunidades onde o Grupo atua.

A Fundação também possui importantes projetos de apoio à Cultura, como a Casa Maggica, em Rondonópolis (MT), onde são ministradas aulas de dança, teatro e artes plásticas para crianças e jovens do município.

MUNDO MELHOR
As pinturas que ilustram o Relatório foram feitas pelos alunos da Casa Maggica, durante o workshop “Pintando um Mundo Melhor”, em que o tema sustentabilidade foi apresentado pela equipe do Projeto.

Por meio de vídeos e exemplos do dia-a-dia, as crianças e jovens discutiram aspectos sociais, econômicos e ambientais da sua comunidade. Após os debates os alunos foram ao atelier de artes plásticas para traduzir em desenhos todas as ideias.

Além de ilustrar o relatório, os trabalhos também foram apresentados em uma exposição na sede do Grupo André Maggi e integraram um minidocumentário sobre a elaboração da publicação.

Todas as pinturas, bem como o vídeo e informações adicionais podem ser encontradas no hotsite, onde também é possível fazer o download do relatório: www.grupoandremaggi.com.br/relatorio2011.

Pesquisa revela que questões ambientais fazem parte do cotidiano do brasileiro

Um total de 2,2 mil pessoas das áreas urbana e rural, das cinco regiões do País, participaram da pesquisa, que confrontou dados, publicados há 20 anos, época da primeira edição 


Mais de 50% dos entrevistados revelou não ter o hábito de separar 
o lixo para a reciclagem (Ney Mendes)

O meio ambiente está em sexto lugar na lista de preocupações do brasileiro, de acordo com os resultados da pesquisa “O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável”, cuja quinta edição foi divulgada nessa quinta-feira (16), em uma coletiva de imprensa pela secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA) Samyra Crespo, que coordenou os trabalhos.

A pesquisa teve a primeira publicação em 1992, e de acordo com Crespo, na ocasião o brasileiro não discutia o consumo sustentável. Ainda segunda ela, os estudos à época se concentravam em São Paulo.

Os trabalhos deste ano foram realizados por meio de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e o jornal o Estado de São Paulo (Estadão), além de contar com a cooperação técnica do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Um total de 2,2 mil pessoas das áreas urbana (87%) e rural (13%) das cinco regiões do País participaram da pesquisa.

As abordagens foram voltadas para pessoas acima dos 16 anos. A média dos entrevistados foi de 38, 4 anos de idade. O publico feminino respondeu a 51% das perguntas formuladas, enquanto o masculino 49%. Em relação à escolaridade, 44% dos entrevistados disse ter cursado o ensino fundamental, seguido de ensino médio (39%); Superior (9%) e Não frenquentou a escola (7%).

"Cada pesquisa procura explorar um tema em particular. Em 1992 foi sobre o que o brasileiro pensa da Ecologia. Esta é a quinta edição e apresenta o que o brasileiro pensa da Sustentabilidade", disse Samyra chamando a atenção para o fato de que enquanto na primeira edição, os estudos foram feitos na época da Eco 92, o material deste ano ocorreu durante a Rio+20.

Ainda conforme ela, o material gerou informações sobre consciência ambiental, hábitos de consumo e temas associados.

Alguns dados
Entre os problemas ambientais do Brasil apontados pelos entrevistados, o lixo subiu de 4%, em 1992, para 28%, em 2012.

A Região Sul é campeã em consciência ambiental. Conforme as abordagens, 55% dos entrevistados na referida região sabem o que é consumo sustentável e 80% dos participantes declararam separar o lixo.

Em relação à contribuição financeira para campanhas de Biomas ameaçados, 51% demonstrou adesão à Amazônia, seguido de outros 19% para a Mata Atlântica; e 8% para a Caatinga. A maior concentração de “amigos” da Amazônia se encontra na região Norte (80%).

No que diz respeito a hábitos de consumo entre as famílias, a decisão feminina é predominante para aquisição de alimentos, roupas, móveis, carro, entre outros bens. 
Em um período de 20 anos a percepção do brasileiro em identificar problemas relacionados ao meio ambiente saiu da casa dos 47% para 10%.

Na média nacional 34% dos envolvidos na pesquisa sabe o que é o consumo sustentável.

Houve uma descentralização sobre a percepção do brasileiro em relação a quem tem a responsabilidade de solucionar os problemas ambientais. Enquanto em 1992, 33% dos entrevistados atribuíam à responsabilidade ao governo estadual, em 2012, este número subiu para 61% dos pesquisados.

O governo municipal saiu dos 30% para 54%, enquanto o envolvimento da comunidade subiu de 15% para 21%. Entretanto, a noção de que cabe ao governo cuidar do meio ambiente ainda se sobressai à responsabilidade individual e coletiva.

*Com informações de assessoria

Continua a briga por meta de emissão de CO2

Governo quer 135 g/km para agregar valor aos carros nacionais. Pimentel acha índice ''muito razoável''.
PEDRO KUTNEY, AB



Segue esticado o “cabo-de-guerra” entre governo e montadoras sobre a adoção de metas de emissões médias de CO2 para os veículos vendidos no Brasil – hoje o País não tem nenhuma legislação nesse sentido, como já acontece em boa parte do mundo desenvolvido. 

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, deu mostras que o governo não pretende ceder às pressões e deve adotar a meta de 135 gramas de CO2 por quilômetro, para a média da frota produzida de cada fábrica até 2017. 

Os fabricantes, por sua vez, querem limite de 155 g/km para começar e prazo mais longo para atingir em 2020 índices ainda menores do que os praticados hoje na Europa, conforme adiantado por Automotive Business há menos de um mês (leia aqui).

“Queremos alcançar os mesmos índices de eficiência energética em 2017 que as mesmas montadoras que estão no Brasil praticam na Europa hoje. Queremos que até 2017 elas alcancem este nível. 

Acho que é muito razoável”, disse Pimentel após solenidade para lançamento do Programa de Investimentos em Logística, nesta quarta-feira, 15. 

“Sempre vão querer mais prazos, em situação mais confortável, mas nós estamos trabalhando no interesse público”, garantiu o ministro. 

O tema está em fase de regulamentação na Secretaria de Desenvolvimento da Produção (SDP), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e fará parte do decreto, em redação, que vai regulamentar a política industrial para o setor que entra em vigore a partir de 2013. 

“No momento, dentro das discussões do novo Regime Automotivo, estamos definindo as questões técnicas relativas ao tema eficiência energética e esperamos chegar a um consenso o quanto antes, porque o governo vê a eficiência energética como uma maneira de agregar tecnologia e competitividade ao setor automotivo no País”, disse a Automotive Business Heloisa Menezes, secretária de Desenvolvimento da Produção, do MDIC. 

A edição do decreto é esperada para logo, até o fim deste mês, pois apenas aguardava a votação no Senado do Plano Brasil Maior, o que aconteceu há uma semana. 

Com a aprovação da lei onde constam as linhas mestras do novo Regime Automotivo, seguem na SDP as negociações em torno da regulamentação que afetará diretamente os custos das montadoras – além da adoção de metas de eficiência energética, o decreto deve regulamentar a intensificação do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, que classifica os veículos mais econômicos no consumo de combustível, assim como especificar melhor o conjunto de incentivos fiscais para a aquisição de insumos estratégicos no País e para realização de pesquisa, desenvolvimento, engenharia e tecnologia industrial básica. 

CUSTO X DESENVOLVIMENTO

Pelo lado das montadoras, a alegação é de que no Brasil os carros usam gasolina misturada com etanol ou etanol puro, por isso não se poderia exigir aqui os mesmos índices de emissões de CO2 da Europa, onde os automóveis usam gasolina ou diesel, com maior rendimento energético. 

Por isso, dizem os representantes das fábricas, a exigência elevaria demais os custos de produção, tornando mais caros e menos vendáveis os veículos com a agregação da tecnologia necessária para aumentar a eficiência. 

O consultor Paulo Cardamone, diretor geral da IHS Automotive para a América do Sul, desmonta o argumento das fabricantes: “No Brasil o índice médio de emissão de CO2 é de 171 g/km em uma frota formada principalmente por carros leves compactos, que usam motores pequenos. 

Há, portanto, muito espaço para avançar nesse aspecto”, diz, citando a adoção de tecnologias como injeção direta de combustível, turboalimentação, motores com bloco de alumínio e eletrificação de componentes como direção e bombas em geral, que reduziriam o consumo de combustível. 

Para Cardamone, “a não adoção de legislação de emissões adequada vai aniquilar o nível já baixo de competitividade do Brasil nos próximos anos”. 

Ele lembra ainda que outros emergentes, como Índia, China e México já adotam programas para reduzir emissões de CO2 e, com isso, podem evoluir tecnologicamente mais rápido.

Em estudo que apresentou ao governo, a IHS sugere que, para induzir a evolução tecnológica dos carros nacionais, a legislação deveria exigir a meta de emissão média de 135 g/km de CO2 a partir de 2016, o que equivaleria ao consumo médio (medição FTP 75) de 16,1 km/l de gasolina com 22% de álcool e de 10,6 km/l com etanol puro (o índice hoje é de 12,5 km/l e 8,2 km/l, respectivamente). 

As tecnologias usadas para atingir essas metas poderiam trazer amplos benefícios ao consumidor e à indústria automotiva. A IHS estima que, com incentivos corretos, os fornecedores locais poderiam aumentar o faturamento em cerca de 15%. 

Outro cálculo importante da consultoria: a cada US$ 850 em conteúdo tecnológico agregado a um veículo, a cadeia de suprimentos gera 18,5 mil empregos. Só por esses números, qualquer sindicato deveria colocar a adoção de metas de eficiência em sua pauta de reivindicações. 

A combinação de incentivos à pesquisa e desenvolvimento, redução de impostos sobre o setor automotivo e legislação mais apertada de emissões, eficiência e segurança poderia fazer o mercado brasileiro crescer mais no futuro, de 4,1 milhões de carros para 5,1 milhões em 2015, e de 5,8 milhões para 6,2 milhões em 2020, segundo projeções da IHS. 

Com carros globalizados, no mesmo período as exportações poderiam subir de 450 mil para 650 mil, e de 600 mil para 1 milhão de unidades.

GOVERNO SE POSICIONA

As declarações do ministro Pimentel parecem refletir que, finalmente, o governo se conveceu de que é possível sim exigir no Brasil níveis mais altos de eficiência energética sem elevar os preços, até porque as empresas terão incentivos fiscais para reduzir os custos relacionados à agregação tecnológica decorrente de uma meta para isso, conforme estabelece o artigo 32 da MP 563/2012, que cria o novo Regime Automotivo e já foi aprovada pelo Congresso. 

Segundo informa a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), responsável pela execução da política industrial do governo, a meta de emissão de CO2 proposta no novo Regime Automotivo vem sendo estudada desde 2010. 

Primeiro, foi encomendado à consultoria IHS Automotive um estudo sobre a competitividade da indústria automotiva nacional, que recomendou a adoção de legislação de eficiência energética como instrumento eficaz para agregar valor tecnológico aos veículos – o que faz a competitividade internacional aumentar. 

Para aprofundar o tema, em 2011 a ABDI organizou uma missão técnica que visitou diversos fabricantes de veículos e órgão reguladores na Europa. “As conclusões dessa missão reforçaram a necessidade de implantação de uma meta de eficiência energética para veículos leves no País como estratégia de inovação e agregação de valor aos veículos aqui produzidos”, diz uma nota técnica da ABDI, encomendada pela SDP e enviada a Automotive Business como resposta ao questionamento da reportagem sobre o tema. 

Representantes das montadoras chegaram a fazer circular na imprensa a opinião de que o governo não teria competência técnica para estabelecer metas de eficiência energética, o que parece não ser o caso, de acordo com a nota da ABDI e a resposta da secretária Heloisa Menezes. 

“O tema eficiência energética já é discutido no governo há quase trinta anos, com o início das discussões do Peco (Programa de Economia dos Combustíveis), implementado entre 1983 e 1986 e também pelo Conpet (Petrobras), existente até hoje. 

Mais recentemente, em 2008, o Inmetro instituiu o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, de caráter voluntário e destinado a veículos leves de passageiros. São exemplos de programas que foram definidos e implantados a partir de amplo debate com a indústria automotiva e confirmam o conhecimento e a experiência do governo no assunto”, disse a Automotive Business a titular da SDP.



A indústria dos relatórios de sustentabilidade: mais informação significa maior transparência?

Das 100 maiores empresas brasileiras, 88 reportam informações socioambientais, colocando nosso país na 6ª posição entre os 34 países estudados
Por Ricardo Zibas*



Nos últimos anos, temos acompanhado a evolução da publicação de informações socioambientais pelas corporações globais, na forma de relatórios de sustentabilidade ou de responsabilidade corporativa. Mas até que ponto a evolução na quantidade de informações é também uma evolução qualitativa?

Recentemente, a KPMG divulgou a sua última pesquisa sobre o tema, abrangendo as 100 maiores companhias de 34 países (totalizando 3.400 organizações), entre eles o Brasil. Das 100 maiores empresas brasileiras, 88 reportam informações socioambientais, colocando nosso país na 6ª posição entre os 34 países estudados. 

Ficamos atrás do Reino Unido (100% das 100 maiores empresas reportam), Japão (99%), África do Sul (97%), França (94%) e Dinamarca (91%). No caso da África do Sul e da França, vale lembrar que existe uma matriz regulatória que demanda a divulgação de informações socioambientais, o que é um fator preponderante para a obtenção de índices mais altos.

Considerando que o reporte no Brasil (ainda) é voluntário, temos uma publicação expressiva de relatórios, que nos coloca à frente de países como a Finlândia (85%), Estados Unidos (83%), Holanda (82%), Canadá (79%), Itália (74%), Suécia (72%) e Portugal (69%).

Entretanto, será que a quantidade de relatórios se traduz também na qualidade das informações reportadas? O estudo divide os relatórios dos países em quadrantes, e a maioria dos reportes brasileiros se enquadrou no que denominamos “arranhando a superfície (scratching the surface)”, que se caracteriza por um alto grau de eficiência na comunicação, mas sem uma maturidade de processos condizente.

Normalmente, as organizações e setores deste quadrante são as que possuem maior risco de falhar nas metas e expectativas descritas no relatório de sustentabilidade e, por consequência, estão mais sujeitos às pressões das partes interessadas, entre eles os investidores.

O principal motivo para isto é que o foco é dado para a comunicação das realizações em múltiplos canais (ou até na integração com o reporte financeiro), mas a mesma atenção não é dada aos processos de gestão, integração e origem das informações. Como resultado, temos uma comunicação muito boa, mas embasada em processos pouco desenvolvidos, que comprometem a qualidade das informações, ou seja, muito foco na forma, mas nem tanto no conteúdo.

Assim, várias metas não são atingidas, frustrando as expectativas dos públicos de interesse ou, muitas vezes, recaindo em um processo de verificação externa demasiadamente longo, cujo retrabalho contínuo passa a ser a regra, pois as informações relatadas acabam não possuindo as evidências necessárias de rastreabilidade ou gestão.

Como fugir desta armadilha? A integridade e a maturidade dos processos geradores da informação é a chave para um reporte adequado. 

A abordagem denominada “Fazendo a coisa certa” (Getting it right), segundo a pesquisa, consiste na ação equivalente à de organizações que adotam uma postura mais conservadora, priorizando a construção de sistemas de informação de dados socioambientais e processos de consolidação e registro de evidências, em vez de uma pura e simples superexposição de realizações, que muitas vezes não tem como demonstrar ou manter. 

Além disto, visando evitar a compilação dos dados e indicadores uma única vez por ano (o que denotaria falta de gestão), estas organizações utilizam auditorias externas trimestrais dos dados socioambientais, o que reduz o tempo da auditoria anual e indica lacunas ao longo do processo e a tempo de serem corrigidas.

Mais detalhes sobre a pesquisa podem ser obtidos no link:


*Ricardo Zibas é gerente sênior da área de Climate Change & Sustainability Services da KPMG no Brasil.

10 tendências para os relatórios de Sustentabilidade


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Sustentabilidade


10 tendências para os relatórios de Sustentabilidade

As empresas enfrentam três grandes desafios quando se trata de relatórios de sustentabilidade, de acordo com um novo relatório da CSR Insight. Estes relatórios incluem múltiplos sistemas de métricas, falta de definições uniformes e falta de aplicações consistentes, que resultam na medição e divulgação de resultados variáveis e pouco confiáveis. 

O Insight Report CSR, com base em dois anos de pesquisas, aborda questões de sustentabilidade para a comunicação, investimento e regulamentação.

Confira abaixo estão as 10 tendências, levantadas pela empresa, em relatórios de sustentabilidade.

1 - As demonstrações financeiras representam apenas uma parte dos riscos corporativos e de potencial de criação de valor, com o equilíbrio a partir de fatores intangíveis, como estratégia, inovação de produtos, gestão da marca e de reputação, eficiência energética e de recursos, redução de riscos comerciais, ambientais e sociais.

2 - Os relatórios de Sustentabilidade são voluntários em todo o mundo.

3 - Relatórios de Sustentabilidade são, agora, norma entre as grandes empresas de nível mundial, passando de cerca de 300 relatórios em 1996 para 3.100, atualmente. O Global Reporting Initiative relata que mais de 1.000 organizações em todo o mundo registraram relatórios de sustentabilidade em 2008, com base nas Diretrizes G3 do GRI.

4 - O desenvolvimento dos Relatórios de Sustentabilidade nos EUA tem sido muito mais lento do que na Europa.

5 - A maioria dos países industrializados possui leis ambientais que restringem as atividades de impacto ambiental e exigem alguma forma de relatórios de regulação ambiental.

6 - A evolução das diretrizes de métricas para relatórios de sustentabilidade é um grande desafio para os fornecedores e usuários.

7 - Múltiplos sistemas de métricas, falta de definições uniformes e falta de aplicações consistentes resultam na medição e divulgação de resultados variáveis e pouco confiáveis.

8 - O surgimento de legislação e regulamentações, tanto em nível nacional como regional, que não foram integrados e/ou sincronizado com múltiplos sistemas métricos, é um grande desafio.

9 - A sincronização de sistemas métricos voluntários com as exigências governamentais e de regulamentação pode ser impulsionada em parte pelas iniciativas recentes da Global Reporting Initiative e da World Intellectual Capital Initiative, para desenvolver taxonomias XBRL para informações não-financeiras, bem como por novas regras da Comissão Americana de Seguros e Operações Cambiais, que exijam demonstrações financeiras em um formato XBRL, como parte dos Relatórios de Sustentabilidade corporativos.

10 - A supervisão das questões de sustentabilidade, nas instâncias governamental, regulamentar e de auditoria, será norma dentro de cinco anos, tanto no mundo desenvolvido quanto em desenvolvimento, em todos os setores.

Fonte: Agenda Sustentável (http://www.agendasustentavel.com.br)

HSM Online

Qual a importância do “Relatório de Sustentabilidade”?



Como visto no post “Rumo à Sustentabilidade“, aqui mesmo no blog da Fundação Fritz Müller, a palavra “sustentabilidade” está sendo usada cada vez mais pela população e consequentemente pelas empresas também. 

Muitas empresas têm se utilizado da palavra até para se promover, mesmo que não pratiquem “ações sustentáveis”. Uma das funções do “Relatório de Sustentabilidade” é tirar essa dúvida, pois sua criação consiste na prática de medir, divulgar e prestar contas do desempenho organizacional visando ao desenvolvimento sustentável, tanto interna quanto externamente.

Mesmo que as ações de uma empresa em relação ao meio ambiente estejam em alta, esse não é o único determinante sustentável. 

O “Relatório de Sustentabilidade” também deve apresentar resultados relevantes gerados pelas ações de uma organização relacionados às questões social e econômica. Os resultados apresentados devem oferecer uma descrição equilibrada e sensata do desempenho de sustentabilidade. 

Ou seja, cabe a apresentação de dados positivos e negativos, não apenas aqueles que beneficiarão o relatado.

O “Relatório de Sustentabilidade” consiste num meio de comunicação entre organização e clientes, fornecedores, quadro societário e comunidade em geral, sendo assim, precisa passar informações completas e corretas, pois, de acordo com as diretrizes da GRI (Global Reporting Initiative), o “Relatório de Sustentabilidade“ poderá ser usado como: 

padrão de referência (benchmarking) e avaliação do desempenho de sustentabilidade com respeito a leis, normas, códigos, padrões de desempenho e iniciativas voluntárias; demonstração de como a organização influencia e é influenciada por expectativas de desenvolvimento sustentável; comparação de desempenho dentro da organização e entre organizações diferentes ao longo do tempo.

Percebeu a importância do relatório? 
É fundamental que a sua empresa possua alguém capacitado a elaborar tal documento.