Desafio: crescimento sustentável e contínuo

Especialista da KPMG Brasil comenta assunto que será abordado por Peter Schwartz no Fórum HSM Novas Fronteiras da Gestão 2012


Há muito tempo, estudiosos e a sociedade como um todo vêm debatendo as questões relacionadas ao desenvolvimento desenfreado, que se acentuou desde a Revolução Industrial, no século XVIII, e intensificou-se nas últimas décadas, por conta da necessidade das empresas de crescerem de forma sustentável e continuada, respeitando os limites do mundo natural e sob o crivo da sociedade. 

Não que o desenvolvimento deva ser colocado na cruz. Ele é, inclusive, um direito consagrado. 

Em 1986, a Organização das Nações Unidas (ONU) expressou que “o desenvolvimento é um direito humano inalienável, pelo qual toda pessoa humana e todos os povos estão habilitados a participar do desenvolvimento econômico, social, cultural e político, com ele contribuir e dele desfrutar, no qual todos os direitos humanos e liberdades fundamentais possam ser plenamente realizados”. 

Por outro lado, os avanços não podem acontecer sem levar em conta a proteção ao meio ambiente, o equilíbrio social e o uso responsável dos recursos naturais. 

Em 1992, a II Conferência das Nações Unidas para Desenvolvimento e Meio Ambiente, conhecida como ECO 92, já colocava o desenvolvimento sustentável como meta a ser buscada e respeitada a partir de uma maior consciência de todos. 

O tema foi novamente debatido na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho de 2012. Afinal, são cada vez mais gritantes as agravantes originadas do desenvolvimento desenfreado, como a limitação do abastecimento de água, a falta de saneamento básico, o crescimento populacional versus a geração de alimentos, a necessidade de maior eficiência energética, o uso do solo, além das questões de educação, saúde, segurança e qualidade de vida.

Os desafios de empresas e gestores

No mundo empresarial, o desafio que se apresenta é como crescer, nesse contexto, de forma sustentável e continuada. Entre as premissas e ações necessárias estão mudanças de gestão e adaptação às novas tecnologias. Nos dias 21 de 22 de agosto, essa temática será abordada no Fórum HSM Novas Fronteiras da Gestão, em São Paulo. 

Entre os palestrantes convidados, o consultor, futurista, estrategista, engenheiro e escritor Peter Schwartz analisará se o mundo natural tem condições de suportar que os mercados emergentes adotem os mesmos padrões de desenvolvimento dos países ricos.

Segundo Carlos Alberto Silva, gerente de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da KPMG Brasil, vários avanços têm sido concretizados no País, mas ainda há muito a ser feito. “Algumas empresas têm evoluído de forma consistente e têm grande potencial de inovação, mas o setor empresarial tem avançado, principalmente, em função de pressões regulatórias. 

O compromisso com a sociedade e com o consumidor vem sendo crescentemente inserido na pauta estratégica, mas ainda não é o polo principal das políticas de desenvolvimento. O consumidor, no futuro, será o grande indutor de mudanças, mas hoje ainda não o é”, explica.

Segundo o gerente, na Europa, principalmente, o nível de consciência é maior e o consumidor exerce uma pressão mais ativa. O que se percebe, cada vez com maior clareza, mundialmente, é que o nível de consumo atual não é sustentável. 

“O padrão de consumo atual é maléfico. Se persistir, poderá convergir para uma situação drástica. Isso tem que ser mudado. É um processo, mas que não muda do dia para a noite. As novas gerações estão mais conscientes”, analisa, reforçando que as empresas têm à disposição um arsenal de informações e instrumentos para mudar, sobretudo, o quadro do consumo de recursos naturais.

Eficiência energética

Silva salienta que há muitas ações sendo empreendidas, com ênfase essencialmente na redução de gases de efeito estufa (GEEs) e na busca da maior eficiência energética. O desenvolvimento de energias alternativas é um ponto que está em evidência, mas ainda em fase de estudos, embora seja uma questão de sobrevivência para alguns setores econômicos. 

A Conferência Rio+20, de acordo com o especialista da KPMG, foi um importante passo em direção ao desenvolvimento sustentável, mas é necessário, a partir de agora, definir e viabilizar metas. 

“O cenário de crise na Europa dificultou o avanço das propostas, mas a Rio+20 mostrou tendências interessantes e indicou que vários setores estão se mobilizando em busca de soluções”, conclui.



Os Jogos Olímpicos de Londres: estruturas permanentes e temporárias para sair da crise

Projetos de Zaha Hadid, Hopkins Architects, Make, George Hargreaves e Wilkinson Eyre Architects receberão o evento
Da redação de AU

Apesar de a abertura oficial ser nesta sexta-feira (27), Londres iniciou dia 25 os Jogos Olímpicos. É a terceira vez que a capital inglesa abriga o evento, que em 1908 foi o emblema de seu auge econômico, em 1948, símbolo da esperança e da recuperação pós-guerra, e neste ano está cercado pelo fantasma da crise econômica.


Parque Olímpico tem paisagismo assinado por George Hargreaves

Os Jogos Olímpicos têm a força de concentrar esforços e investimentos para alavancar a economia de uma cidade - ou criar grandes elefantes brancos, sem nenhum retorno à sociedade. 

Londres, este ano, apostou na reciclagem e no transitório para deixar seu legado. Investiu, por exemplo, na zona Leste da cidade, uma região menos próspera que o Centro, com o objetivo de regenerá-la. 

Esta zona - que inclui a região portuária - carece de moradias, parques, centros de educação, saúde e esportivos, e a expectativa de vida é cinco anos menor do que o lado oeste londrino.

Se muitas instalações serão efêmeras - apenas quatro edifícios irão permanecer após os Jogos: o Velódromo (Hopkins Architects, Téchne 166), o Centro Aquático (Zaha Hadid, AU 211), o Pavilhão de Handball (Make) e o Estádio Olímpico (Populous) -, há investimentos nessa região feitos para seu desenvolvimento. 

Retirou-se a fiação aérea, construíram-se novas plantas para energia sustentável, além de novas ruas, infraestrutura e o Parque Rainha Isabel, desenhado pelo paisagista George Hargreaves. Após os Jogos, os espaços vazios devem receber moradias, muitas de interesse social.

Dos quatro edifícios que devem permanecer, apenas o Velódromo não terá seu uso reduzido para atender à nova - e menor - demanda pós-Jogos. O centro aquático de Zaha Hadid, por exemplo, terá as duas caixas laterais retiradas, deixando-se ver melhor as linhas sinuosas da arquiteta, com a cobertura que, segundo Zaha, lembra os movimentos do nadador. 

O estádio foi construído para evoluir com o tempo. O sistema construtivo é leve e concebido para ser montado ou desmontado, de acordo com as necessidades. Assim, poderá acolher os 80 mil expectadores da cerimônia de abertura e depois chegar a um mínimo de 25 mil assentos. A cobertura foi resolvida de forma econômica: dois anéis, um de tração e um de compressão, tensionam uma cobertura têxtil autoportante.

A flexibilidade é o ponto crucial do pavilhão de handball, com sete mil lugares que, com seus 15,5 mil m2 e graças a um sistema de assentos removíveis, pode ser utilizado para outras partidas, como pentatlon (4,5 mil lugares) e futebol para cegos (seis mil). 

E se, por fora, parece um bloco hermético, por dentro destaca-se a luz natural vinda por 88 claraboias de 4,5 m de profundidade.

A maioria dos edifícios temporários possui peles sintéticas suportadas por pórticos desmontáveis de aço - o maior deles é o de basquete (Wilkinson Eyre Architects), uma caixa de 30 m de altura revestida de painéis de PVC brancos, com um jogo tridimensional que anima a fachada.

O escritório de arquitetura Populous, que assina o Estádio Olímpico, também foi responsável por várias estruturas temporárias distribuídas pela cidade, muitas vezes adaptando locais já existentes. 

É o caso da quadra de vôlei de praia, instalada no espaço de desfile da guarda, na área central, que também abriga cerimônias no dia da Rainha. Há ainda um espaço temporário para abrigar eventos equestres no Royal Greenwich Park, assentos temporários no Lord's Cricket Ground para receber competições de arco e flecha, além da construção de cinco arenas temporárias no centro de conferências Excel London, para eventos de boxe.

Os Jogos Olímpicos vão até o dia 12 de agosto.


Centro Aquático, por Zaha Hadid


Velódromo, por Hopkins Architects


Estádio Olímpico, por Populous


Pavilhão de Handball, por Make


Pavilhão de Basquete, por Wilkinson Eyre Architects


Quadra de vôlei de praia, por Populous

Fonte: Arquitetura 

Vídeo mostra o resultado de décadas de desmatamento na Amazônia




A Nasa comemorou nesta segunda-feira (23) o aniversário de 40 anos do projeto de visualização de imagens de satélites, e divulgou uma série de vídeos mostrando mudanças ocorridas nesse período. 

Um desses vídeos foi montado com imagens de floresta amazônica, mostrando a dinâmica do desmatamentonas últimas décadas.

O vídeo foi montado com imagens de satélites do desmatamento em Rondônia entre os anos de 1975 a 2012. 

As imagens mostram um padrão no desmatamento que os pesquisadores chamam de “espinha de peixe”. Esse padrão é causado principalmente por estradas. O desmatamento começa com a abertura de uma estrada principal no meio da floresta. 

A estrada estimula a chegada de fazendeiros na região, que abrem áreas para a produção e, posteriormente, estradas secundárias. Vista de cima, por satélite, a imagem se assemelha ao desenho de uma espinha de peixe.

Rondônia foi o terceiro Estado da Amazônia que mais desmatou no ano passado. 

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), o Estado perdeu 865 km² de florestas no ano, uma quantidade que só é menor do que o desmatado no Pará e em Mato Grosso. 


(Bruno Calixto)

Contribuição dos agentes polinizadores para a biodiversidade

Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Por terem um papel crítico na conservação da biodiversidade e na agricultura, os agentes polinizadores são uma preocupação mundial. Sistematizar o conhecimento adquirido sobre o tema no Brasil, nos últimos anos, é o objetivo do livro Polinizadores no Brasil – Contribuição e perspectivas para a biodiversidade, uso sustentável, conservação e serviços ambientais, que será lançado nesta quinta-feira (26/07), durante o 10º Encontro sobre Abelhas de Ribeirão Preto, na cidade do interior paulista.

Resultado de Projeto Temático, livro que será lançado no 
dia 26 destaca preocupação com os polinizadores, cujo 
declínio tem consequências desastrosas tanto para a 
biodiversidade como para o agronegócio

Produzido pelo Grupo de Pesquisa de Serviços Ambientais do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), o livro é resultado de pesquisas que envolveram 85 pesquisadores de 36 instituições científicas, com a finalidade de conhecer a situação dos polinizadores do Brasil, seu impacto na agricultura, na biodiversidade e no agronegócio.

A publicação deriva de estudos apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Fundo Setorial do Agronegócio. 

Essas pesquisas, por sua vez, tiveram base nos resultados do Projeto Temático “Biodiversidade e uso sustentável de polinizadores, com ênfase em abelhas Meliponini”, coordenado por Vera Lucia Imperatriz Fonseca e realizado no âmbito do programa BIOTA-FAPESP.

Coordenadora do Grupo do IEA, Fonseca também liderou a organização do livro. Os outros organizadores e vice-coordenadores do grupo são Antonio Mauro Saraiva, da Escola Politécnica da USP, e Dora Ann Lange Canhos, do Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria). 

Fonseca atualmente é professora visitante sênior na Universidade Federal Rural do Semiárido.

“O Projeto Temático, encerrado em 2010, foi muito bem-sucedido e, além de possibilitar a formação de pessoal especializado, até hoje apresenta resultados na forma de publicações e teses. 

O livro é o primeiro documento em português que aborda o conhecimento atualizado sobre polinizadores no Brasil, tanto em áreas naturais como em agroecossistemas”, disse Fonseca àAgência FAPESP.

A qualidade da pesquisa realizada no Temático, segundo Fonseca, foi reconhecida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ganhando uma menção honrosa da edição 2011 do Prêmio Capes de Tese Edição e duas indicações para a edição de 2012.

Segundo Fonseca, a preocupação mundial com os polinizadores tem aumentado, uma vez que o seu declínio tem consequências desastrosas tanto para a biodiversidade como para o agronegócio.

Os riscos de perda dos serviços de polinização são especialmente graves quando a agricultura é dependente de uma espécie de polinizador. “O livro está sendo publicado em um momento importante, no qual o desaparecimento das abelhas começa a ser notado também no Brasil”, disse Fonseca.

Segundo ela, o desaparecimento das abelhas foi detectado em 2007 no hemisfério Norte. Na América do Norte, a perda tem sido de 30% das colônias por ano, com necessidade de importação de abelhas para promover a polinização na agricultura. 

Na Comunidade Europeia, a perda também é expressiva e preocupante. No Brasil, os primeiros casos foram detectados em 2011.

“O livro tem o objetivo de apresentar o tema com foco no Brasil, mas com um resumo da situação global, incluindo uma proposta de estratégia de desenvolvimento da área para o Brasil”, disse Fonseca.

Ação humana

Segundo Fonseca, o livro não esgota o assunto, mas representa uma mobilização sem precedentes da comunidade brasileira de estudos sobre abelhas e polinizadores. 

“Além dos resultados das nossas pesquisas, o livro também tem o objetivo de formular uma política pública para polinizadores”, disse.

Temas como a importância da paisagem agrícola na manutenção dos serviços dos polinizadores e a necessidade de aumentar o número de coleções biológicas para o estudo da fauna de abelhas são alguns dos destaques do livro. A obra aborda também espécies invasoras e o efeito das ações antrópicas sobre a conservação e uso dos polinizadores.

“Outro destaque é a questão do desaparecimento das abelhas, que permeia todo o livro. O conhecimento começa a avançar nessa área e o livro mostra como esse desaparecimento pode ter ligação com alterações comportamentais humanas – como aumento do uso de pesticidas – e alterações climáticas que podem fragmentar populações desses animais”, explicou Fonseca.

A primeira parte do livro consiste em um estudo da conservação de biomas e as síndromes de polinização e polinizadores vertebrados, apresentando uma lista inédita desses agentes reunida por especialistas brasileiros.

“Nas partes subsequentes, temos uma série de artigos que tratam de polinizadores como besouros e mariposas, mas concentram-se nas abelhas, os polinizadores mais manejados para a agricultura”, disse Fonseca.

Os artigos tratam também de bases de dados de plantas e polinizadores, dos métodos de avaliação de biodiversidade, das coleções de polinizadores e informatização dos acervos, da construção de palinotecas (coleção de grãos de pólen) e sua importância para manejo de polinizadores.

“O livro apresenta ainda uma série de estudos de caso que utilizam a modelagem preditiva como método de comunicação com os tomadores de decisão, abordando eventos climáticos previstos pelo IPCC. Toda a parte de modelagem foi desenvolvida no Projeto Temático”, disse Fonseca. 

Polinizadores no Brasil – Contribuição e perspectivas para a biodiversidade, uso sustentável, conservação e serviços ambientais 
Organizadores: Vera Lucia Imperatriz Fonseca, Antonio Mauro Saraiva e Dora Ann Lange Canhos. 
Lançamento: 2012 
Preço: R$ 130 
Páginas: 488 

Coleta de lixo tóxico ainda é desafio para o Brasil

Descarte de lixo passível de liberar substâncias tóxicas ainda é um problema para o país, apesar de já haver legislação regulamentando o assunto

Mariana Branco, da Agência Brasil                                                       Wikimedia Commons
Pilhas
Cidadãos dispõem de poucos locais adequados para jogar fora pilhas e baterias


Brasília – O descarte de lixo passível de liberar substâncias tóxicas ainda é um problema para o país, apesar de já haver legislação regulamentando o assunto. 


De acordo com a Lei n°12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os fabricantes, importadores e revendedores de produtos que podem causar contaminação devem recolhê-los. 

Mas dois anos após a regra estar em vigor, os cidadãos dispõem de poucos locais adequados para jogar fora pilhas e baterias; pneus; lâmpadas fluorescentes e embalagens de óleo lubrificante e de agrotóxicos. 

A lei recomenda que haja acordos setoriais e termos de compromisso entre empresários e o Poder Público para implantar o sistema de devolução ao fabricante no país, prática conhecida como logística reversa. O primeiro passo nesse sentido foi dado apenas no final do ano passado.

Em novembro de 2011, o Ministério do Meio Ambiente publicou edital de chamamento para propostas referentes ao descarte de embalagens de óleo. No início deste mês, o órgão lançou mais dois editais: um diz respeito a lâmpadas fluorescentes e o outro a embalagens em geral. 

No caso das embalagens de óleo, as sugestões continuam sendo debatidas. Quanto aos outros dois editais, segue o prazo de 120 dias para que entidades representativas, fabricantes, importadores, comerciantes e distribuidores enviem propostas à pasta.

Enquanto não há um sistema estruturado para destinação de resíduos perigosos, os consumidores continuam fazendo o descarte junto com o lixo comum ou são obrigados a recorrer a iniciativas pontuais de organizações não governamentais (ONGs) e empresas para fazer a coisa certa.

“Alguns pontos comerciais se preocupam em fazer pequenos ecopontos para receber pilhas e baterias, mas é muito diminuto”, avalia João Zianesi Netto, vice-presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP). 

De acordo com Netto, houve um movimento da própria indústria no sentido de fazer o recolhimento antes de haver legislação específica, pois a maior parte dos produtos é reaproveitável e tem valor agregado. Mas, na opinião dele, a informação sobre como realizar a devolução não é satisfatoriamente repassada às pessoas. “Eu não estou vendo que estejam procurando instruir o cidadão”, 

A pesquisadora em meio ambiente Elaine Nolasco, professora da Universidade de Brasília (UnB), diz que as atitudes de logística reversa no Brasil são dispersas. “Está dependendo de algumas localidades. Geralmente são ONGs e cooperativas que têm esse tipo de iniciativa. 

Em alguns casos há participação do Poder Público, como no Projeto Cata-Treco, em Goiânia”, exemplifica ela, referindo-se a um programa da prefeitura daquela cidade em parceria com catadores de lixo.

O governo do Distrito Federal também instituiu um sistema para recolhimento de lixo com componentes perigosos. O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) disponibiliza 13 pontos para entrega de pilhas e baterias, espalhados por várias regiões administrativas do DF. 

A relação de endereços está disponível na página do órgão na internet.

Elaine Nolasco lembra que o risco trazido pelo descarte inadequado de pilhas, baterias e lâmpadas está relacionado aos metais pesados presentes na composição desses produtos – desde lítio até mercúrio. “Pode haver contaminação do solo e do lençol freático”, diz.

A Lei n° 12.305 estabelece, de forma genérica, que quem infringir as regras da Política Nacional de Resíduos Sólidos pode ser punido nos termos da Lei n° 9.605/1998, também conhecida como Lei de Crimes Ambientais. 

Assim, elas podem ser denunciadas às delegacias de meio ambiente das cidades ou ao Ministério Público.

Finlândia inicia a construção de bairro sustentável



O bairro residencial vai ser construído no município de Porvoo, não irá emitir CO2 e será energeticamente eficiente

Foto: DiárioNet 
SABRINA BEVILACQUA Especial da Finlândia para o Terra

O pequeno município de Porvoo, a 50 quilômetros de Helsinque, na Finlândia, quer se tornar a primeira cidade energeticamente eficiente e com residências sem emissões de gás carbônico. 

O primeiro bairro residencial desenvolvido com esse conceito já está em construção. A ideia é gerar qualidade de vida com baixo impacto ambiental, sem pesar no bolso dos moradores.

Segundo o chefe do Departamento de Planejamento urbano de Porvoo, Eero Löytönen, o bairro chamado Skaftkärr está sendo pensado para que os edifícios, serviços, tráfego e gestão de resíduos e abastecimento energético incluam critérios de sustentabilidade, eficiência e redução de emissões desde o projeto. 

O consumo de energia e as emissões de CO2 serão, respectivamente, 38% e 30% menores do que os de outros bairros. Mas o objetivo é zerar as emissões de CO2 das residências até 2020, quando todas as obras e serviços estarão concluídos.

Transformação - Em meio a charmosas casas de madeira e ruas irregulares, algumas construídas na Idade Média, novas e modernas residências estão sendo construídas. 

O primeiro lote terá apenas algumas casas e vai funcionar como piloto. Nessas residências, que ficarão prontas no fim do ano, serão feitos testes com diferentes tecnologias para ver o que funciona melhor e quais aspectos devem ser melhorados.

As casas novas terão estrutura mais resistente a baixas temperaturas, diminuindo a necessidade de aquecimento. Atualmente, 70% do aquecimento dos edifícios da cidade é produzido de maneira renovável. 

A meta é chegar a 2015 com 90%. "Por meio da produção e utilização de energia de maneira inteligente poderemos alcançar uma economia considerável no consumo, nas emissões e nos custos para os futuros moradores", afirma Löytönen.

Algumas medidas vão complementar a redução do consumo, como a conscientização da população. É o caso da instalação de instrumentos de medição de energia em cada casa do bairro. 

Os medidores vão permitir o monitoramento do consumo energético por residência em tempo real. Por meio do aparelho, as famílias poderão ver o que ocorre com o consumo da casa quando se liga uma máquina de lavar, por exemplo.

O projeto prevê ainda investimentos em ciclovias amplas e com rotas conectando as residências ao centro da cidade e aos principais serviços para incentivar a bicicleta como meio de transporte.

Para que os resultados finais correspondam ao esperado, Löytönen, ressalta a importância da participação da sociedade. "Estamos trabalhando com todos os atores locais para que não seja um processo isolado." 

Reuniões com a participação de autoridades, empresas de energia e sociedade civil ocorrem periodicamente para discutir o projeto. A intenção é promover, desde o princípio, integração entre quem vai coordenar, fornecer serviços e morar no local.

De acordo com Löytönen é possível consumir menos energia e gerar menos gases de efeito estufa se esses aspectos forem incluídos no planejamento urbano das cidades. "É uma questão de planejar os princípios do crescimento urbano", afirma Löytönen. 

Ele diz ainda que o modelo não foi feito exclusivamente para Porvoo, pois pode e deve ser adaptado para outras cidades.


Sabe quando sei que falta liderança sustentável numa empresa?

Neste artigo, o consultor Ricardo Voltolini divide com os leitores fatos observados no cotidiano das empresas que revelam os problemas decorrentes da ausência de liderança para a sustentabilidade



No final do ano passado, publiquei no Facebook uma série de posts levemente irônicos à qual dei o título de “Sabe quando sei que falta liderança sustentável numa empresa?” 

À época, como justificativa para as “pérolas” oferecidas aos fiéis, amigos e seguidores, confidenciei que elas nasceram de observações da minha prática de consultor, e que, até então, as havia compartilhado apenas com alunos de pós-graduação e clientes, no âmbito restrito de aulas, workshops e palestras. 

Com a proximidade do segundo encontro da Plataforma Liderança Sustentável, em 14 de agosto, muitos são os que têm me indagado sobre as razões pelas quais decidi focar meu trabalho em líderes de empresas. Costumo responder em duas partes. 

Na primeira, reforço o óbvio – que empresas têm enorme poder no mundo atual e que, se queremos fazer uma mudança para a sustentabilidade, não podemos ignorá-las. Na segunda, que embora não consigamos definir liderança, sabemos exatamente quais são os problemas originados por sua ausência ou escassez nas empresas. Isso vale – e muito – para a sustentabilidade.

Sei que falta liderança sustentável numa empresa, por exemplo, quando um diretor afirma a uma analista, com ar sério: “Para com esse negócio de sustentabilidade e vamos trabalhar um pouquinho, né?”

Quando o vice-presidente me diz, sem constrangimento, que sustentabilidade é importante, mas as medidas para garanti-la na gestão do negócio podem ficar para o ano que vem, pois a empresa não se encontra preparada para as mudanças necessárias. 

É certamente o que ele vai dizer no “ano que vem”, simplesmente porque não quer aceitar as responsabilidades – e os custos – da transição para um modelo mais sustentável de negócio.

Quando o presidente diz, sem receio de parecer arrogante, que sustentabilidade está no DNA da empresa desde que ela nasceu e que, portanto, ela não precisa fazer mais nada para ser sustentável. 

Esta é uma das frases que mais me provocam comichão. Pelo que tem de prepotente e ingênua ao mesmo tempo. Estrutura-se na falsa ideia de que um tema contemporâneo –como é a sustentabilidade, valor deste século 21 – já venha sendo praticado pela empresa há 50, 80 ou 100 anos.

Quando quem deveria tomar a decisão de mudança, transfere a responsabilidade a alguém em posição hierárquica inferior, normalmente a menina ou menino “da responsabilidade social”, um profissional júnior lotado num departamento meramente funcional, sem qualquer poder, que só vê o presidente uma vez ao ano, na festa de encerramento das atividades do ano. 

A diferença entre sustentabilidade para valer e sustentabilidade para constar está em quanto o tema encontra-se mais próximo de quem toma decisões. Com os anos de experiência, aprendi a identificar o estágio de sustentabilidade a partir do meu primeiro interlocutor. Mais próximo do poder, mais avançado. Mais longe, menos avançado.

Sei que falta liderança sustentável numa empresa quando o presidente cria um comitê de sustentabilidade e não aparece nem na primeira reunião para deixar claras suas crenças e expectativas. Este tipo de atitude, muito comum, revela dois problemas: 

(1)sustentabilidade não é um tema suficientemente importante para que eu, líder, invista meu tempo nele; 

(2) enquanto não tenho tempo para pensar em sustentabilidade, crio uma instância interna para fazer de conta que estamos preocupados com o tema. 

Uma pena. Comitês de sustentabilidade, quando bem liderados, podem ser extremamente úteis e efetivos. E existem os que são, felizmente.

Quando o presidente da empresa convence o marketing de que está na hora de botar sustentabilidade na imagem, mas se esquece de convencer os colaboradores de que ela deve estar na cultura? 

Lição aprendida nos últimos anos: primeiro a lição de casa, depois a comunicação. E a comunicação dever ser feita, antes de tudo, para os funcionários, colaboradores e parceiros. 

Se a empresa não consegue convencer os mais próximos de que se preocupa com a sustentabilidade, como espera persuadir os consumidores e a sociedade? As corporações que pularam essa lição, ainda hoje amargam arrependimentos.

Quando mesmo depois de ser apresentado, com detalhes, ao conceito de diversidade, o presidente continua achando que isso não tem nada a ver com a “lógica” da empresa! Este mesmo dirigente é o que precisa da “cola” de um assessor de imprensa para falar de sustentabilidade em uma entrevista para uma revista de negócio. 

O mesmo que diz em público que sustentabilidade está na “estratégia do negócio”, e no privado, reclama com os mais próximos que ela representa só custo e desvio de foco. 

O mesmíssimo que, diante de uma crise que aponta trabalho escravo na cadeia de valor de sua empresa, afirma não ter responsabilidade nenhuma pelo que acontece com empresas terceirizadas!

Sei que falta liderança sustentável numa empresa quando pergunto a um diretor se a empresa tem uma política de sustentabilidade integrada à estratégia de negócio e ele diz que sim, mas só fala de projetos pontuais, localizados, periféricos e… completamente descolados da estratégia de negócio na empresa.

Quando existe um discurso pródigo sobre inovação em sustentabilidade e, na prática, nenhum ambiente favorável que valorize as contribuições vindas das bordas, isto é, dos colaboradores, fornecedores, clientes e comunidades.

Quando sai um presidente e o seu substituto decide pisar no freio das iniciativas de sustentabilidade, colocando no freezer ações que vinham ajudando a criar uma cultura para o tema na corporação. 

Ah, é claro, ao tomar tais medidas, ele se apoia em argumentos velhos conhecidos de guerra, como “reduzir custos”, “resgatar o foco” e “concentrar energia no essencial.” Business as usual total, mas com um verniz verdinho!

Quando a alta direção decide concentrar o pensamento estratégico da sustentabilidade (isso mesmo, mas sem essas palavras, claro!) no marketing, abrindo mão de construir ações de transformação “da porta para dentro” em detrimento de um bom discurso “da porta para fora”!!!

Quando o principal dirigente diz – entre os mais próximos, claro – que sustentabilidade “custa caro” e que só vai investir em produtos sustentáveis quando o consumidor estiver disposto a “pagar o preço” ou quando o governo oferecer algum tipo de “incentivo”…

Quando o diretor de sustentabilidade apresenta, em público, com orgulho, a política de diversidade da empresa e, no privado (numa impressionante demonstração de falta de coerência entre o pensar e o agir), destila fel e preconceito contra mulheres, negros e homossexuais.

Quando a moça da responsabilidade socioambiental me sabatina antes de começar uma reunião com o presidente da empresa para me alertar sobre o que ele “gosta ou não gosta” de ouvir sobre sustentabilidade… e ainda me pede para que eu seja breve, não passe de 15 minutos, já ele não tem muita paciência para assuntos que não sejam “do negócio”.

Juro, amigos, vivi e vivo essas situações todos os dias. Espero que, ao dividi-las com vocês, entendam porque decidi trabalhar com liderança sustentável. Afinal, sabemos o que significa trabalhar numa empresa sem líderes com valores. 

E não me consta que estejamos felizes com isso.