BAYER INVESTE NA CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS 100% VERDES

Multinacional alemã atuará com o líder em rede de projetos ambientalmente responsáveis no Brasil




A Bayer está investindo no que deve se tornar uma vitrine para sua empreitada na área de construção civil, essencialmente no segmento sustentável. 

Trata-se de um prédio totalmente "verde", próximo à Marginal do Rio Pinheiros, na zona sul da capital paulista. 

Os valores aplicados ainda são guardados a sete chaves, mas os objetivos são claros. Criar uma rede de fornecedores credenciados para oferecer soluções sustentáveis a todo o mercado de construção.

"Além de ser um projeto altamente tecnológico é financeiramente viável", diz o presidente para a área MaterialScience para a América Latina, Ulrich Ostertag. 

A divisão é especializada em polímeros e sistemas de alta tecnologia e fornece matérias-primas para diversas indústrias.

O novo prédio será um centro de convivência, onde a empresa realizará atividades que estimulem a qualidade de vida dos seus funcionários e visitantes e terá capacidade para receber duas mil pessoas. 

A previsão é de que ele gere economia de 50% no consumo de energia e 70% no uso da água.

A ideia da companhia é reunir os colaboradores em uma rede, sob sua liderança. 

Com isso, a divisão MaterialScience também pode lucrar mais. Isso porque suas inovações tecnológicas poderão ser utilizadas em projetos dos futuros clientes.

"Queremos criar soluções sustentáveis e desenvolver novas tecnologias para o mercado, junto com os colaboradores", explica Fernando Resende, diretor do projeto no Brasil.

O novo prédio faz parte do projeto EcoCommercial Building (EBC) e será o primeiro da empresa na América Latina. Desde 2009, a companhia já construiu quatro edifícios semelhantes nos Estados Unidos, Bélgica, Alemanha e Índia. 

"Cada um deles é adequado às condições climáticas e ambientais da região onde estão, explica Resende.

Conhecida por sua presença no setor farmacêutico e de produtos agrícolas, a companhia anunciou neste ano o aporte de R$ 143 milhões nas três frentes de negócios no Brasilem2012, incluindo MaterialScience.

Mercado promissor
Os negócios são promissores para a Bayer, pois embora a demanda seja crescente o estoque de prédios sustentáveis ainda é muito baixo.

Pesquisa da Consultoria Cushman & Wakefield indica que na cidade de São Paulo apenas 4,3% dos edifícios são "verdes". 

No Rio de Janeiro esse percentual cai para 2,5% e em Curitiba chega a 0,7%.
A estimativa é que até 2013 o número total de edifícios verdes disponíveis nessas capitais chegue a 37%.

"Aos poucos os empresários estão tomando consciência dos benefícios de investir na construção verde, mas estamos muito longe do ideal", explica Marcelo Takaoka, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável.

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Ulrich Ostertag
Presidente da Bayer Material Science para a América Latina
"Além de tecnológicos, os projetos sustentáveis são financeiramente viáveis"

Conferência da ONU vai discutir sustentabilidade empresarial e qualidade de vida nesta quinta-feira

 Conferência da ONU vai discutir sustentabilidade empresarial e qualidade de vida nesta quinta-feira 


 

Da Agência Brasil noticias@band.com.br

No segundo dia de debates, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, reúne nesta quinta-feira uma série de atividades paralelas e definições no texto preliminar sobre os temas-chave que serão discutidos pelos chefes de Estado e de Governo do dia 20 ao dia 22. ONG (Organizações não governamentais) e integrantes da sociedade civil debatem alternativas para assegurar qualidade de vida no planeta.

A seis dias da cúpula, com a participação de pelo menos 115 chefes de Estado e de Governo, os ministros e especialistas de cada país se reúnem em busca de acordos sobre o conteúdo do documento preliminar que será definido pelos líderes políticos. 

O texto inclui temas como inclusão social, erradicação da fome e da pobreza, alternativas para a economia verde e sustentabilidade. Porém, as divergências persistem.

Ao longo desta quinta-feira, haverá ainda discussões sobre clima, desmatamento e tecnologias para garantir a sustentabilidade em negócios e melhorias para as populações nos próximos anos. 

A organização não governamental WWF apresenta as propostas Água Brasil e Família de Pegadas. 

O objetivo é alertar sobre a necessidade de agir e não deixar que as propostas fiquem apenas nas palavras.

Manejo florestal

A Fundo Vale (da Vale do Rio Doce) e a Fundação Roberto Marinho, com o apoio do Serviço Florestal Brasileiro, lançam o projeto Florestabilidade.

A ideia é mostrar a importância econômica, ambiental e social do manejo florestal no país, que tem a maior área de floresta contínua do mundo – a Amazônia.

O manejo florestal consiste em englobar técnicas que dão prioridade à sustentabilidade sem prejuízo aos ecossistemas. Na prática, as medidas permitem determinado uso dos recursos disponíveis com o mínimo de impacto ambiental. 

No setor empresarial, a questão da sustentabilidade é tema de uma discussão da secretária executiva da Rede Brasileira do Pacto Global, Yolanda Cerqueira Leite, e dos secretários do fórum (de mesmo nome) Tim Wall e Kristen Coco.

Paralelamente, no Parque dos Atletas, um pavilhão ao lado do Riocentro – onde serão concentrados os debates das autoridades –, ficarão em exposição projetos que destacam o desenvolvimento de propostas de tecnologia associada aos negócios. 

No Cais do Porto, uma apresentação artística fará lembrar a Europa dos anos 20 ao satirizar o consumo e os excessos.

Inclusão social

No Parque do Flamengo, a defesa pela inclusão social como meta a ser ratificada por todos ganhará apresentação especial com a dança dos bailarinos em cadeiras de roda. 

O espetáculo mostra que não há limites para a expressão nem para a arte.

O Futuro que Nós Queremos | Rio+20


Humanidade 2012: exposição gratuita aborda a sustentabilidade com foco no ser humano

Uma das principais atrações do Humanidade 2012, circuito expositivo pode ser conferido até 22 de junho, no Forte de Copacabana





Teve início na manhã de ontem, terça-feira (12/06), às 10h, no Forte Copacabana, no Rio, o circuito expositivo do Humanidade 2012 – iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e de diversos parceiros. 

Com assinatura da diretora e cenógrafa Bia Lessa, o circuito expositivo mescla tecnologia, educação e cultura com os temas da Rio+20. 

A exposição conta com diversas salas e espaços e traz atividades que dialogam entre si. A entrada é gratuita.




A exposição, lúdica e interativa, tem destaque na Capela, o centro do evento, onde há um pêndulo fora do eixo indicando que a terra está fora de si e que é preciso colocá-la no prumo. Para isso, 100 pessoas precisam fazer simultaneamente um mesmo movimento, simbolizando uma ação global. Há também a “biblioteca mãe”, com cerca de dez mil livros indicados por personalidades. 



A sala Biodiversidade Brasileira é coberta de espelhos e fotografias impressas em tecido, o que cria uma infinidade de imagens de vegetação. Na sala Produções Humanas, há uma maquete de uma cidade fictícia que registra as linhas de abastecimento de energia, água, esgoto, entre outras. 

O Terraço do Olhar tem vista para a praia de Copacabana e será local de vigia: o visitante terá lentes de aumento para observar a vista com olhar para aspectos como o trânsito, a ciclovia e a sujeira deixada na praia.

“Trata-se de um espaço democrático, aberto, para que todos possam visitar. Estamos mostrando a sustentabilidade com foco no ser humano, por isso se chama Humanidade”, explica o presidente Fiesp, Paulo Skaf.

A exposição fica aberta ao público, gratuitamente, até o dia 22 de junho, de 9h às 18h, no Forte de Copacabana (Praça Cel. Eugênio Franco, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ).

Conheça outros espaços da exposição:

Sala Mundo em que Vivemos: o visitante é apresentado à ideia do Antropoceno e convidado a fazer uma viagem reflexiva com início no século XVIII, através de máquinas, desenhos, luz e som para mostrar a ação do homem no planeta.

Sala Brasil Contemporâneo: dá sequência à sala “O Mundo Dividido”, formando uma espécie de tenda festiva, onde o mapa do Brasil é tecido a partir de fitas com o nome de cada país. Receberá um músico que vai tocar melodias brasileiras conhecidas do grande público.

Recepção e apresentação do projeto: onde os visitantes terão acesso ao terreno do Forte de Copacabana e poderão passear em um jardim para aproveitar a natureza.

Sala O Mundo Dividido: revestida externamente com fotografias de fome, pobreza, desastres e guerras. No interior, imagens de um mundo dividido em países separados, representados por suas respectivas moedas.

Sala Homem e suas Conexões: tem o objetivo de estabelecer a ligação entre as necessidades e desejos humanos com os meios de produção industrial, educacional, tecnológico etc. 

Sala Diversidade Humana Brasileira: chão, teto e paredes também são de espelhos. Haverá 1800 fotografias de diversos brasileiros de diferentes raças e credos. 

Sala do Rio de Janeiro: voltada para a apresentação do Rio como uma cidade que está se preparando para o futuro. Os visitantes terão acesso ao COR (Centro de Operações Rio), espaço que monitora o Rio de Janeiro 24 horas por dia.

Sala do Indivíduo e das Forças da Natureza: o visitante experimentará as forças da natureza e poderá deixar a sua mensagem para o futuro, que ficará exposta no Museu do Amanhã.

Sala Museu do Amanhã: apresenta o projeto do museu de ciências voltado à exploração das possibilidades de construção de diferentes caminhos para o futuro a partir de escolhas realizadas hoje.

Jardim dos Encontros: espaço de confluência das salas e de convivência dos visitantes coberto pelo céu de Copacabana e abraçado por uma vista privilegiada. Rodeado de bandeiras de todos os países, comemora a fraternidade entre os povos.

Café Cultural: espaço de contemplação do mar, reflexão e shows abertos ao público.

Auditório das Humanidades: espaço de conferências fechadas e de shows abertos ao público coberto por fotos que simbolizam diferentes grupos sociais através do mundo. 

O Humanidade 2012 é uma iniciativa conjunta da Fiesp, Sistema Firjan, Fundação Roberto Marinho, Sesi-Rio, Sesi-SP, Senai-Rio, Senai-SP, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal.

Leia na íntegra: 'A desigualdade é insustentável', posição da Fiesp e Firjan para a Rio+20


Documento reafirma compromisso da indústria com o desenvolvimento sustentável

Veja aqui o documento integral divulgado na manhã de ontem (terça-feira)(12/06) com o posicionamento das Federações das Indústrias dos Estados de São Paulo (Fiesp) e Rio de Janeiro (Firjan) para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

I House Projeto japonês harmoniza construção com formas da natureza e valoriza vista para o mar .


O projeto, idealizado por Masahiko Sato, foi construído em um terreno inclinado que encontra a estrada ao longo da baía Sasebo, em Nagasaki e fica de frente para o mar. Quando olhamos para o lado sul, podemos ver o azul do mar e o céu azul.
O arquiteto decidiu usar o conceito dessa paisagem maravilhosa para o espaço da casa e harmonizar a construção com o ambiente externo. Assim a casa acompanha o movimento inclinado do terreno, criando uma característica única que harmoniza com a paisagem e não força sua distorção.
O primeiro andar foi construído com concreto armado e foi organizado no terreno em declive inferior a um caminho da frente, o segundo e o terceiro andar foram construídos através a fim de mostrar a residência se estendendo do mar até o céu. 
O objetivo foi projetar a casa de forma simples e não fazer janelas na frente e ao lado do segundo andar e terceiro andar, que pode ser visto a partir do lado da estrada e mostrando a casa artisticamente na frente do mar azul e o céu azul.  
O objetivo principal do idealizador do projeto era construir uma casa onde as pessoas que olhassem tivessem uma sensação de liberdade e contato com a natureza.


Economia verde para um novo modelo de desenvolvimento
















Ambientalistas, empresários e a sociedade se perguntam como minimizar o impacto socioambiental sem abrir mão da segurança financeira

O modelo econômico atual, de produção e consumos crescentes, além de ferir o meio ambiente e o ser humano, já não se sustenta. 

Ainda assim, muitos governos, empresários e economistas continuam apostando nele e incentivando-o, como se não houvesse outra forma de manter a população da Terra alimentada, segura e feliz, mesmo sabendo que a maior parte da população da Terra não está nem alimentada ou segura e muito menos feliz.

"A humanidade descobriu que é parte do problema que afeta a sua própria sobrevivência na medida em que sistemas econômicos e políticos permitem tanto a perversa exploração do ambiente quanto de outros seres humanos", afirma o representante da sociedade civil da Comissão Nacional Organizadora do governo brasileiro da Rio+20, o doutor em Engenharia Ambiental Rubens Harry Born. 

"A economia de uma civilização sustentável tem que estar a serviço da sociedade e em defesa da vida."

Para ele, a noção da necessidade urgente de mudança para outro modelo não apenas econômico, mas civilizatório, de sociedades sustentáveis, se disseminou com a gravidade das crises climáticas e da perda de biodiversidade, e ganhou novos atores sociais que exigem de governos e de empresas essa mudança. Segundo Born, que também é coordenador executivo do Instituto Vitae Civilis para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz - organização brasileira fundada em 1989 -, no Brasil houve avanços na legislação, como aprovação de leis sobre política nacional de recursos hídricos, de resíduos sólidos, unidades de conservação ambiental, crimes ambientais, acesso à informação etc. 

"Mas esses avanços ainda não redundaram em mudanças estruturais nas políticas econômicas e em reversão da degradação socioambiental", diz. "Por isso, precisamos continuar a sensibilizar e mobilizar a sociedade para a efetivação dos compromissos globais e nacionais para a sustentabilidade."

Espera-se que um importante passo nesse sentido seja dado na Rio+20 - Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável 2012, a ser realizada nos dias 20 a 22 de junho deste ano, cujo objetivo é desenvolver uma declaração política de renovação dos compromissos internacionais em desenvolvimento sustentável assumidos na Rio-92 - Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. 

"Além da transformação econômica, o desafio é buscar a transformação dos arranjos institucionais internacionais para que estes ajudem países e cidadãos a encontrar meios para promoção da plataforma social e das condições ambientais necessárias para a vida digna de todos", diz Born.

A transição que o mundo precisa fazer para chegar a esse novo modelo econômico e civilizatório, na falta de outra definição mais exata, está sendo chamada de economia verde. Born afirma que ainda não há um consenso sobre um conceito do que seja economia verde e que essa expressão tem suscitado debates e interpretações variadas, segundo as diversas abordagens e visões dos diferentes meios sociais (trabalhadores, empresários, indígenas, governos etc.).

Para ele, independentemente do nome dado à nova economia, ela deve atender às sete questões críticas que a ONU propõe na Rio+20 (ver quadro): "E as atividades econômicas, de comunidades rurais até conglomerados industriais, devem atender a dois fundamentos: 

por um lado, contribuir para a efetivação de direitos sociais à educação, saúde, alimentação e habitação, consagrados na Declaração Universal de Direitos Humanos elaborada pela ONU em 1948 e, por outro lado, respeitar os limites ambientais planetários e de cada ecossistema, ajudando a conservar e restaurar ecossistemas, respeitar a capacidade de suporte, proteger áreas frágeis".

O ambientalista conta que um dos temas da Rio+20 (assim chamada porque se completam 20 anos da Rio-92), é a economia verde para erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento sustentável: 

"Outro tema importante é a governança, ou seja, os mecanismos decisórios e institucionais, de transparência e acesso à informação na esfera global para a coordenação do desenvolvimento sustentável".

Pequenos ajustes: Born afirma que não se pode confundir economia verde com apenas a mitigação, pelo uso de tecnologias de controle da poluição ou outras medidas semelhantes, de impactos socioambientais. "Economia verde não é, por exemplo, mero aproveitamento de oportunidades para atividades e negócios que ajudam a poluir menos", diz. 

Para ele, essas ações são necessárias, mas não suficientes para se alcançar uma economia em favor da sustentabilidade e da sociedade, pois essa economia deve contar com marcos regulatórios estabelecidos pelo poder público e com parâmetros ambientais fundados no conhecimento científico e no princípio da precaução. Sempre considerando aspectos culturais e históricos de importância para as diferentes comunidades humanas.

O ambientalista diz que acreditar que essas iniciativas, que chama de pequenos ajustes, estão colocando o mundo no caminho da sustentabilidade é um equívoco que incentiva os modos atuais de produção e consumo. Ele exemplifica com a indústria veicular, associada ao segmento de combustíveis fósseis e renováveis, que se assentam na capacidade ilimitada (crescimento ilimitado) da produção e uso de veículos para o transporte individual. 

"Isso resulta somente em mais congestionamento nas cidades, mais óbitos e pessoas enfermas nas cidades pela poluição, além de exploração ampliada de petróleo (pré-sal) ou de terras férteis", diz. Assim, para Born, as políticas públicas e programas que favorecem tal produção e consumo, como a recente redução de impostos para veículos de baixa cilindrada como estratégia governamental para enfrentar a crise financeira, ou a aprovação da lei que altera o Código Florestal, colocam o país na contramão dos esforços necessários para lidar com a redução de emissões de gases de efeito estufa e proteção da biodiversidade.




Contudo, algumas corporações nacionais ou multinacionais se dedicam a essas ações e afirmam que estão fazendo sua parte. 

Empresas como a Volvo, fabricante motores e veículos, e a Beraca, desenvolvedora de tecnologias, soluções e matérias-primas para tratamento de águas, cosméticos, nutrição animal e indústria de alimentos e bebidas.

Para o coordenador de assuntos institucionais e governamentais da Volvo do Brasil, Alexandre Parker, todo passo no sentido de poupar o meio ambiente e as pessoas é um passo na direção da economia verde: 

"Todos os empresários podem desenvolver projetos sustentáveis, até porque há muitas linhas de crédito bastante atrativas, disponíveis nacional e internacionalmente, para projetos bem estruturados, responsáveis e profissionais".

A gerente comercial nacional da Beraca, Vanessa Salazar, acredita que toda iniciativa, por mínima que seja, é importante. Ela afirma que a Beraca está comprometida, a partir de critérios nacionais e internacionais de gestão ambiental, social e econômica, com a conservação da biodiversidade, o respeito ao conhecimento tradicional e uma repartição justa e equitativa dos benefícios ao longo de toda a cadeia produtiva.

Empresas sustentáveis: Alexandre Parker diz que, como todo o Grupo Volvo - que tem 20 fábricas e 190 pontos de venda no mundo todo -, a Volvo do Brasil, sediada em Curitiba, no Paraná, é firmada em três pilares: qualidade, segurança e respeito ao meio ambiente, e está em constante desenvolvimento de ideias e projetos em todos os departamentos que visam a esses objetivos. 

"São projetos focados, profissionais e produtivos, pensados, projetados e conduzidos para, de alguma forma, contribuir com a economia verde e o fairtrade", diz.

"Porém, entenda-se bem", adverte, "com resultados em médio e longo prazo". Ele conta, por exemplo, que o departamento de Engenharia de Produto, pelo qual ingressou na Volvo, em 1986, já na década de 1980 praticava a lista negra dos produtos, indo além da demanda legal, ou seja, não apenas não utilizando materiais proibidos legalmente, mas reconhecidamente prejudiciais. 

"Não há um dia em que eu não trabalhe com um dos nossos pilares ligados à sustentabilidade", afirma.

Já Vanessa Salazar acredita que, para uma empresa crescer de modo sustentável precisa apoiar-se no tripé da sustentabilidade, ou seja, com aproveitamento inteligente de recursos naturais e buscando desenvolvimento social e econômico. E que um produto, para ser considerado sustentável, tem que ser desenvolvido preservando os recursos naturais e as pessoas envolvidas na exploração desses recursos: 

"Em seu processo produtivo, a Beraca trabalha em parceria com cerca de 1.500 pessoas, distribuídas em núcleos comunitários. Entre as ações, está o auxílio na organização da coleta de frutos da floresta, por meio de treinamentos sobre o manejo sustentável de matérias-primas, e a ampliação das oportunidades de inserção no mercado", conta. 

"Dessa forma, exportamos óleos vegetais, manteigas, extratos, resinas e argila com a certeza de que estamos respeitando o meio ambiente e proporcionando uma fonte de renda para várias famílias brasileiras".

Vanessa destaca algumas iniciativas, que julga positivas, do governo brasileiro na área de atuação da Beraca, como a assinatura do Protocolo de Nagoya que estabelece bases para um regime eficaz e que torna possível o acesso e a repartição dos benefícios provenientes da biodiversidade, bem como dos conhecimentos tradicionais a ela associados: 

"É um importante passo para garantir a preservação e a conservação da biodiversidade no mundo, além de um instrumento contra a biopirataria".

Ela lembra ainda o CGEN (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético), criado com o intuito de regulamentar a utilização de recursos genéticos. "O Brasil, berço da maior biodiversidade do mundo, precisa ser o mais preocupado em preservar suas riquezas e estimular a economia verde", afirma Vanessa. 

"Comparado a outros países do mundo, ainda temos uma atuação tímida nesse sentido, mas, acreditamos, a iniciativa privada e a sociedade podem realmente fazer diferença e assumir a liderança desse movimento".

A Beraca, com sete fábricas no território nacional, e presente em 41 países por meio de 33 distribuidores, localizados nas Américas, Europa, Ásia e Oceania - e ainda um escritório comercial em Paris, é signatária do Pacto Global da ONU, para o setor privado, defende dez princípios universais, derivados da Declaração Universal de Direitos Humanos, da Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção.

Nos sites de ambas as empresas, Volvo do Brasil (www.volvodobrasil.com.br) e Beraca (www.beraca.com.br), é possível conhecer em detalhes cada projeto ligado à sustentabilidade e ao comércio justo.

Pessoas sustentáveis: Além de iniciativas corporativas e empresariais, surgem cada vez mais iniciativas da sociedade na busca pela preservação dos recursos do planeta e da vida humana. Instituições, ONGs e indivíduos que trabalham e até dedicam suas vidas a esses valores. Pessoas como o diretor de cinema diretor israelense Micha Peled, que acaba de lançar o último filme da sua Trilogia da Globalização, que mostram, com eloquência, os efeitos negativos das ações de grandes corporações nas vidas de pessoas.

"O que eu posso fazer a esse respeito?" Questionando-se dessa forma diante do que acredita serem os maus efeitos colaterais da globalização, Peled produziu os documentários Store Wars: when Wal-Mart comes to town (sem versão em português), China Blue e Amargas Sementes. Este foi exibido no Brasil no festival internacional de documentários "é tudo verdade", que aconteceu no Rio de Janeiro e em São Paulo no final de março. Através dos olhos de uma adolescente que sonha se tornar jornalista - Manjusha Amberwar -, Amargas Sementes desvenda uma epidemia de suicídios entre produtores familiares de algodão - mais 250 mil mortes - que, ao serem obrigados a utilizar sementes transgênicas produzidas pela Monsanto, perdem suas colheitas e terras, entram em desespero e cometem suicídio, deixando famílias inteiras para trás. Manjusha é uma das órfãs da epidemia.

Peled diz que o objetivo desses filmes é chamar a atenção para o poder das grandes corporações sobre as vidas e que a única forma de parar as consequências ruins desse poder é as pessoas se informarem e se organizarem.

Apesar de se declarar um cineasta e não um ativista, as escolhas de Peled têm sido bem particulares. Seus primeiros trabalhos como documentarista abordam questões ligadas às origens do diretor, que nasceu e viveu uma parte da vida em Israel, e a trilogia, que levou doze anos para ser concluída, levanta questões de fairtrade. "Eu não teria devotado doze anos da minha vida a fazer filmes sobre algo com o qual não me importasse", afirma. "É aí que entra o ativista: faço os filmes e mostro essas questões a pessoas do mundo todo."




Entretanto, ele ressalta uma questão importante: para que as pessoas realmente mudem de comportamento não se pode somente lhes apontar o que está errado, é preciso apresentar alternativas: "Não adianta mostrar às pessoas somente o que eles devem ser contra, mas do que podem ser a favor."

Peled acredita que a melhor contribuição que pode dar é fazer filmes. Ele conta que recebe muitos emails de pessoas que, tocadas pelos documentários, procuram informações para agir de forma mais justa e sustentável. 

O filme China Blue, que mostra as agruras da vida de duas adolescentes que trabalham como operárias em uma indústria de jeans que exporta para várias partes do mundo, é um bom exemplo. Ao ver como aqueles operários trabalham sob condições insalubres e análogas ao trabalho escravo, as pessoas querem saber como podem comprar roupas feitas sob condições corretas de respeito ao trabalhador, à natureza e ao mercado. 

Peled leva muito tempo para fazer um documentário (levou quatro anos para terminar China Blue e três anos para Amargas Sementes) porque passa muito tempo observando, conversando com as pessoas e colhendo informações e provas. 

Ele verifica a veracidade de todas as informações e ouve os vários lados de cada questão. Confirma fatos, consulta cientistas, recolhe relatórios e documentos.

Para ele, a natureza de uma grande corporação é crescer continuamente e agregar valor a suas ações, garantindo sua lucratividade não apenas hoje, mas no futuro. Conversando com muitas pessoas ligadas a grandes corporações, empregados, diretores, etc., especialmente das indústrias que critica nos filmes, Peled ouve as mais variadas explicações de porque o que estão fazendo é uma coisa boa: 

"Em todas as indústrias, as pessoas, seres humanos como eu, podem ser muito boas, talvez melhores do que eu", diz Peled. "O que percebo é que a mente humana não consegue viver muito tempo em dissonância cognitiva, ou seja, você não pode se olhar no espelho e sair para trabalhar todos os dias se sabe que a empresa para a qual você trabalha está fazendo coisas terríveis. Então você acredita em outra coisa que o faça se sentir melhor. 

E acredita profundamente nisso, da mesma forma que eu acredito no oposto."


7 Questões Críticas da Rio+20 (fonte: site da Rio+20 - www.rio20.info)

EMPREGO
Ação econômica e políticas sociais para criar trabalho remunerado são fundamentais para a coesão e estabilidade sociais. "Empregos verdes" são vagas na agricultura, indústria, serviços e administração que contribuem para a preservação ou restauração da qualidade do meio ambiente.

ENERGIA
O Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon está liderando a iniciativa Energia Sustentável para Todos para garantir o acesso universal a serviços energéticos modernos, melhorar a eficiência e aumentar o uso de fontes renováveis.

CIDADES
Permitir que as pessoas avancem social e economicamente está entre as melhores coisas nas cidades e os desafios enfrentados podem ser superados de forma que possam continuar a prosperar e crescer, melhorando a utilização dos recursos e reduzindo a poluição e pobreza.

ALIMENTAÇÃO
Uma mudança profunda no sistema alimentar e na agricultura mundial é necessária se quisermos alimentar os atuais 925 milhões de famintos e os 2 bilhões de pessoas esperadas até 2050.

ÁGUA
Escassez e má qualidade de água impactam negativamente a segurança alimentar, subsistência e oportunidades educacionais para as famílias pobres em todo o mundo. Até 2050, uma em cada quatro pessoas provavelmente viverá em um país afetado por escassez crônica ou recorrente de água potável.

OCEANOS
Nossa água da chuva, água potável, tempo, clima, litorais, grande parte da nossa alimentação, e até mesmo o oxigênio do ar que respiramos são, em última análise, todos fornecidos e regulados pelo mar. A gestão cuidadosa deste recurso global essencial é uma característica chave de um futuro sustentável.

DESASTRES
Com um ritmo acelerado de desastres naturais, acarretando uma perda maior de vidas e propriedades, e um maior grau de concentração de assentamentos humanos, um futuro inteligente significa planejar com antecedência e ficar alerta.

Matéria publicada na Edição 28 da Revista Geração Sustentável - Jornalista Letícia Ferreira