Abu Dhabi ergue 'cidade verde' no deserto

ITALO NOGUEIRA
ENVIADO ESPECIAL A ABU DHAB
I

O dinheiro do petróleo de Abu Dhabi ergue no deserto do Oriente Médio uma espécie de "cidade verde". Um centro para pesquisar e aplicar a eficiência no uso de energia renovável.

Ao custo de R$ 38 bilhões, Masdar City tenta atrair estudantes e empresas para se tornar polo tecnológico.

Criada como modelo de sustentabilidade, Masdar -vinculada ao emirado de Abu Dhabi- tem também função econômica. É uma das apostas do governo para diminuir a dependência do petróleo.

A cidade ainda engatinha. Só 102 dos esperados 40 mil moradores em 2025 habitam o local, todos estudantes. Entre eles, dois brasileiros.

"Queria estudar num lugar voltado para a sustentabilidade", disse o engenheiro Luiz Friedrich, que cursa engenharia de sistema e gestão.

O espírito da ideia, iniciada em 2007, já é visível. O carro elétrico sem motorista, que anda com toque numa tela, é o destaque para curiosos. Mas é no planejamento que ela busca se diferenciar.

O centro foi erguido de modo a aproveitar os ventos do deserto. Ruas estreitas e uma torre de vento ajudam a refrescá-lo. Tudo para reduzir o uso de ar condicionado onde o verão chega a 50ºC.

Editoria de Arte/Folhapress

O plano diretor do arquiteto inglês Norman Foster buscou privilegiar os pedestres. Lá, os carros elétricos ficam escondidos sob o solo. Um contraste com mega-avenidas e escassas calçadas de Abu Dhabi e Dubai, principais cidades do país.

"A função de Masdar é mudar o jeito como as coisas são feitas", diz o diretor de Masdar City, Alan Frost.

Mas a criação do centro também tem críticos. Temem que suas pesquisas não se tornem úteis para as caóticas megacidades já existentes. Masdar já foi chamada até de "Disneylândia verde".

"Sua pureza se baseia na crença de que o único modo de criar uma comunidade harmoniosa é isolá-la do mundo", escreve Nicolai Ouroussoff, ex-crítico de arquitetura do "New York Times".

Frost diz que o isolamento é importante para as pesquisas. Mas reconhece que elas só são úteis se usadas em cidades existentes.

"Numa área limpa temos a chance de fazer algo correto e novo. Mas tudo é feito para aprender lições, voltar e reestruturar as cidades."

O centro fará apresentações na Rio+20, em junho.

Masdar busca atrair empresas com imposto zero e parcerias. A Siemens espera a conclusão do primeiro prédio comercial para instalar ali sua sede no Oriente Médio. A Mitsubishi pesquisa o desempenho de carros a bateria.

Abu Dhabi quer diminuir o peso do petróleo de 60% para 40% na economia até 2030, apostando em tecnologia.

"Não havia um polo global de energia limpa e renovável. A ideia é fazer de Masdar esse polo", diz Frost.
O jornalista ITALO NOGUEIRA viajou a convite da empresa Cassidian

Para Fiergs, economia verde influencia exportações

Postado por Danton Júnior - Meio ambiente
Foto: Marcelo Bertani | Agência ALRS

O êxito da Rio+20 depende, em muito, da definição sobre os rumos da chamada economia verde. Acostumado a ser visto como vilão do meio ambiente, o setor industrial dá mostras de que pretende participar ativamente das negociações. 

 Uma das prioridades é obter o reconhecimento do governo brasileiro para a certificação denominada Produção Mais Limpa (PmaisL), elaborada em conjunto entre o Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL), ligado ao Senai, e a ONU.

Para o coordenador do conselho de Meio Ambiente da Fiergs, Torvaldo Marzolla Filho, a economia verde pode influenciar inclusive a competitividade do Brasil no mercado internacional. 

“Hoje temos 1,1% das exportações mundiais e cada vez mais o mundo lá fora vai querer ‘segurar’ a nossa produção”, afirma. “Imaginamos que, junto com o certificado do CNTL, dizendo que aquele produto foi feito desde a sua matéria-prima, passando por toda a sua linha de produção, dentro dos preceitos aprovados e apoiados pela ONU, teremos tranquilidade em manter nossa posição no mercado internacional”, avalia.

O reconhecimento do governo, de acordo com o empresário, tem o poder de oficializar a certificação, que consiste em aumentar a eficiência energética no uso de matérias-primas por meio da reciclagem ou minimização dos resíduos gerados.

Com sede em Porto Alegre, o CNTL visa ainda garantir um apoio às pequenas e médias empresas, que segundo Marzolla muitas vezes não possuem um departamento ambiental. A ideia é capacitar funcionários e adaptar a linha de produção para que seus produtos sejam certificados.

Marzolla reconhece os avanços da Eco92 na conscientização ambiental do empresariado, mas ressalta que o primeiro passo ocorreu em 1972, na Conferência de Estocolmo – a primeira reunião da ONU a tratar do meio ambiente. 

A visão dos participantes, no entanto, ainda era limitada. “Um representante do Brasil dizia, nos corredores, que o país queria ‘importar’ poluição, porque em todos os países evoluídos o povo vive muito bem (com a presença da poluição)”, conta o empresário.

Hoje, segundo Marzolla, não se concebe uma indústria que não respeite o meio ambiente. “Houve tempos em que a coisa não era tão séria porque a natureza era abundante. Hoje o consumo é muito grande e o planeta está sofrendo.”

Consumidor consciente opta pela satisfação do produto e não pela compra em excesso

SÃO PAULO - Muitos consumidores dizem praticar o consumo consciente, no entanto, quando o assunto é tecnologia ou moda, por exemplo, observamos um comportamento oposto do consumidor.


Segundo um artigo publicado Akatu, o verdadeiro consumidor consciente deve ter satisfação pelo uso dos produtos e não pela compra em excesso, assim como fazem as pessoas mantêm um celular por anos, porque estão satisfeitas com a sua funcionalidade e não o troca a cada modelo novo lançado.

Para adotar uma postura sustentável, o consumidor também deve optar por produtos duráveis mais do que os descartáveis ou de degradação acelerada, assim como já acontece com a substituição das sacolas plásticas descartáveis por sacolas retornáveis.

Mais atitudes sustentáveis 

Uma boa atitude sustentável é praticar o uso compartilhado de produtos mais do que aposse individual. 

Um bom exemplo é o uso de bicicletas compartilhadas em diversas cidades, inclusive em São Paulo, onde é possível alugar bicicletas em pontos estratégicos da cidade.

Adquirir produtos que consomem menos energia também pode contribuir com o meio ambiente, uma opção é adquirir eletrodomésticos com o selo Procel que certifica os produtos que gastam menos energia. 

Com isso, além de contribuir para o meio ambiente você ainda gera uma economia para o bolso.

Optar por produtos virtuais, como livros digitais também é uma forma de praticar o consumo consciente.

Caiu na rede

Amália Safatle,


Sem aviso prévio, as empresas dão-se conta de que perderam o controle da comunicação sobre elas mesmas. 

O privado virou público, os manuais se tornaram peças pré-históricas e o greenwashing já era. E agora?

A descoberta de capim no estômago de mamutes congelados na Sibéria indicaria que estes foram surpreendidos, em meio à refeição, por um abrupto fenômeno natural naqueles tempos pré-históricos. Essa mesma imagem é transposta para ilustrar um período mais atual que nunca: é assim que as empresas se sentem hoje, quando o assunto é a maneira como se comunicam e se relacionam com a sociedade.

Em plena transição para a pós-modernidade, o modo paquidérmico de se relacionar é assolado por mudanças implacáveis. Sem aviso prévio, as empresas dão-se conta de que não controlam mais a comunicação. Não detêm mais o enunciado sobre elas próprias. Os muros caíram, os reis ficaram nus e tudo isso foi parar nos facebooks da vida. E agora?

“Agora são tempos muito interessantes para a comunicação corporativa”, diz Hélio Muniz Garcia, diretor de comunicação do McDonald’s no Brasil. Nas entrevistas em off que os comunicadores de 11 grandes empresas concederam a um pesquisador, a aflição com os novos tempos se mostra mais patente, como dá para notar pela metáfora do mamute, citada por um dos respondentes.

“O pessoal está assustado, vendo que os conceitos mudaram e que a antiga fórmula de comunicar não dá mais certo. O que não sabem é como mudar as práticas, até porque percebem que as escolas ainda estão formando profissionais de relações públicas, propaganda e jornalismo nos moldes antigos”, diz Rafael Luis Pompeia Gioielli, que trabalha no Instituto Votorantim e ouviu as companhias para municiar sua tese de doutorado. (mais sobre formação de comunicadores na reportagem “Pauta a cumprir“)

Intitulada Empresas, Sociedade e Comunicação: debates e tendências na transição pós-moderna, a tese defendida na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP [1] recheia-se de exemplos para ilustrar como a era das redes revolucionou a comunicação, e por que comunicação não é mais passar uma mensagem nem convencer o receptor e, sim, fazer parte do processo de transformação daquilo que está a sua volta. ( O estudo estará acessível em teses.usp.br)

O greenwashing já era

Quando a Vale do Rio Doce viu que aparecia em primeiro lugar no ranking de “pior empresa do mundo” da premiação Public Eye Awards [1], a “crise” foi gerida da forma mais equivocada. A área de comunicação abriu o acesso dos funcionários da companhia às redes sociais orientando que votassem na segunda colocada – a Tepco, responsável pelas usinas nucleares de Fukushima – de modo a escapar da “liderança”. Mas os funcionários não só não votaram, como a informação, obviamente, vazou, fazendo com que a emenda ficasse pior que o soneto. E a Vale foi eleita em primeiro.

[1]Conhecido como o Nobel da vergonha corporativa mundial, criado pelas ONGs Greenpeace e Declaração de Berna, é concedido a empresas com graves passivos sociais e ambientais, por voto popular

Segundo Gioielli, a orientação havia sido baseada na ideia antiga, verticalizada e funcionalista da comunicação, de que o emissor controla a informação e o receptor atenderia ao comando. “Mas as empresas não têm mais o poder que tinham. Sua imagem não é mais construída por elas mesmas, e, sim, por meio de um processo colaborativo, em rede”, diz. Ele cita os exemplos da BP e da Chevron, em que os comunicados que atenuavam a gravidade dos vazamentos foram rapidamente confrontados e desmentidos pela informação on-line e viral das redes. “Acabou o greenwashing”, afirma Gioielli. “O greenwashing já era”, reforça um dos maiores estudiosos da sociedade em rede, Augusto de Franco.

Tem que participar

Não basta só emitir uma mensagem. Que o diga a construtora responsável por estádios da Copa do Mundo. A empresa mal podia imaginar a perturbação que causaria uma simples câmera instalada por um vizinho de um dos canteiros e plugada na web, registrando 24 horas por dia a obra que não avançava. Enquanto a empresa se perdia em reuniões com a equipe de comunicação para ver como gerir a crise, a filha do presidente-executivo da construtora – que sofria bullying dos colegas na escola, que cobravam a aceleração das obras – sugeriu que a empresa colocasse um 0800 para prestar as informações.

Foi daí que surgiu a ideia de a empresa criar um hotsite, pelo qual passou a ser possível a qualquer cidadão acompanhar on-line o andamento das obras – assim como fazia o vizinho “bisbilhoteiro”. Só que, desta vez, a empresa passava a assumir o compromisso com a transparência – e precisava realmente de acelerar a construção, para ter o que mostrar. “Percebe como uma menina de 11 anos encontrou a solução para nos comunicarmos de forma adequada com a sociedade?”, ressalta o diretor de comunicação da empresa, ouvido pelo pesquisador.

Mais que o surgimento de ideias e estratégias, produtos e serviços, essa nova dinâmica de diálogo propicia mudanças de comportamento e de cultura também na “psique” organizacional, na opinião de Guilherme Patrus Mundim Pena, diretor de comunicação institucional da Copersucar. (Leia a entrevista na íntegra)

Para ele, a área mais competente para lidar com essa nova demanda complexa é a de comunicação – mas não de forma isolada, pois a profusão dos meios e dos produtores de conteúdos também quebrou seu “monopólio da fala” dentro da instituição. “Nesse novo ambiente, a fala é cada vez mais transversal, interagindo com as áreas de TI, RH, marketing e também com o jurídico, sem falar na constante calibração estratégica com o alto-comando”, diz.

Hélio Muniz, do McDonald’s, lembra que pouco tempo atrás o alto-comando relacionava-se com a área de comunicação assim: “Escreve um press release e espera minha aprovação em uma semana”. Mas, com a informação que flui praticamente livre e incontrolável pelas redes, não só a comunicação passa a ser feita de forma instantânea, em tempo real, como vem abrir um novíssimo capítulo na Teoria da Comunicação.

A grande crítica dos estudiosos da Escola de Frankfurt [2] é que a chamada esfera pública midiática era mediada por veículos controlados por interesses privados, usando a comunicação como instrumento de dominação das massas, para fins específicos. Entre seus principais expoentes, Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse e Jürgen Habermas disseminaram expressões como “indústria cultural” e “cultura de massa”.

[2] Escola de teoria social interdisciplinar neomarxista, criada na década de 1920, associada à Universidade de Frankfurt

Essa importante discussão que permeia a grade curricular das escolas de comunicação desde o século XX agora deve ser revista com o advento das redes, que diluem o poder dos chamados “interesses privados”. Aliás, o que é privado que ainda não se tornou público? Algumas escolas, como a ECA, até criaram disciplinas como Novas Mídias, mas, no entender de Gioielli, estas ainda não aprofundam o debate sobre a mudança estrutural que o advento da sociedade em rede traz à comunicação.

Novo contexto cultural

Como um adolescente cheio de novas ideias e que não cabe mais nas roupas de criança, essa mudança do moderno (visão linear, cartesiana, verticalizada e insustentável) para o pós-moderno (visão complexa, multidimensional, horizontalizada e mais sustentável) provoca um choque cultural quando confrontada com as velhas e limitadas estruturas organizacionais.

“Tudo que é sustentável tem padrão de rede”, afirma Franco, articulador da Escola de Redes. “A vida na Terra se organizou dessa forma, não tem hierarquias. O que é vivo tem membranas permeáveis, e não paredes.” Somente de 6 mil anos para cá é que a civilização “inventou” a verticalidade, expressão na qual Franco remete não somente às construções arquitetônicas, como à hierarquia do patriarcado e do Estado. “São 3,9 milhões de anos [de expertise da natureza] desperdiçados.”

Para Franco, estamos vivendo uma mudança cultural que questiona tudo isso e usou a tecnologia para acelerar o processo. “Se não houvesse esse desejo de mudança, a internet não seria usada para quebrar as hierarquias. Foi a mudança social que levou a esse uso da intenet, e não o contrário”, defende.

Por isso, Gioielli afirma que não se trata de “criminalizar” as empresas, que até então estavam apenas respondendo a um determinado modelo mental e cultural da sociedade. “Antes, por exemplo, a imagem de uma empresa admirável era a de uma chaminé soltando fumaça. O que mudou foi o entendimento da sociedade sobre ela mesma”, diz.

Mas o efeito disso, diz Franco, é que hoje as empresas estão “malucas”, porque são obrigadas a inovar, quando nasceram formatadas apenas para copiar e aperfeiçoar processos já conhecidos. Assim, querem ser inovadoras ao mesmo tempo que as pessoas ficam presas em cinco reuniões por dia, são proibidas de usar o Facebook na empresa e obrigadas a ir todos os dias bater cartão no mesmo horário para fazer coisas que poderiam fazer de outros lugares ou de casa. Isso se chama teletrabalho [3], que permite mais mobilidade, flexibilidade, evita perda de tempo, emissões de carbono e desgates no deslocamento físico, aumentando a produtividade e a qualidade de vida.

[3] Há uma expectativa de que o instrumento do teletrabalho passe a ser mais usado pelas empresas com a promulgação da Lei nº 12.551/2011, que regulamenta o trabalho à distância no Brasil

Alta mortalidade

E Afora isso, Franco diz que há um entendimento equivocado do que é ser sustentável. No caso das empresas, acredita-se que signifique perpetuar o negócio. “Mas o que é sustentável não dura para sempre, e, sim, muda sempre”. No livro Vida e Morte das Empresas na Sociedade em Rede, editado pela Escola de Redes, Franco registra um dado perturbador sobre a expectativa de vida média das empresas americanas, segundo a S&P500: de 75 anos, em 1937, caiu vertiginosamente para 15, em 2011. 

Se mantida essa curva, o que acontecerá com as empresas?

Ao mesmo tempo, existe uma alta natalidade, e não mais atrelada a acúmulo de dinheiro guardado e nem ao bom relacionamento com políticos – fatores que no passado eram cruciais para criar uma empresa. “Não se precisa mais de capital inicial, e sim saber inovar.”

É na gerência média das empresas que Franco vê a menor receptividade à inovação. “São funcionários que desejam crescer na empresa usando o modelo conhecido.” Não que o fortalecimento do status quo seja algo perseguido apenas no ambiente corporativo. “A rotatividade na alta chefia das ONGs é menor que no Partido Comunista”, dispara Franco.

Em um vislumbre do futuro, ele enxerga as empresas como comunidades móveis de negócios, formada por redes de stakeholders. Tudo isso é uma revolução tanto na forma de se relacionar como de comunicar, interagir e transformar a realidade. Até porque, a esta altura, todas essas caixinhas já terão se fundido em uma só.

Comunicar crescimento e sustentabilidade?

Por ser considerada empresa benchmark em sustentabilidade, procuramos a Natura para abordar um ponto nevrálgico: a questão do consumo. Perguntamos como a empresa lida com o fato de que sustentabilidade pressupõe limites – ao consumo, ao uso de recursos e de energia, à geração de resíduos – mas ao mesmo tempo precisa comunicar ao mercado que é uma empresa em crescimento.

“Não existe só uma comunicação, existem muitas. Na comunicação com o mercado, com o acionista, preciso falar da continuidade, da perpetuação do negócio”, diz Rodolfo Guttilla, diretor de assuntos corporativos da Natura. Ele afirma que não existe contradição entre comunicar sustentabilidade e crescimento simultaneamente se a empresa crescer em receita, mas não aumentar o uso de recursos, com ganho de produtividade e aumento de eficiência.

Questionado sobre os limites ao crescimento, considerando que já estamos usando um planeta e meio, Guttilla responde que a Natura tem como meta futura atingir um modo de produção craddle to craddle (do berço ao berço, ou seja, por meio de um ciclo fechado) “Mas, mesmo em uma situação de ciclo fechado, existe um limite ao crescimento, que a gente não sabe qual é”, admite.

Ban Ki-moon pede por resoluções mais rápidas para a Rio+20

Jéssica Lipinski, do Instituto Carbono Brasil



Faltando menos de um mês para a Conferência nas Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontece entre os dias 20 e 22 de junho no Rio de Janeiro, um documento de cerca de seis mil páginas foi criado, mas poucas decisões foram de fato tomadas. 

Por essa razão, o coreano Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, pediu na quinta-feira (24) que os participantes da reunião apressem as negociações, a fim de conseguirem resultados concretos do encontro.


“As negociações têm sido dolorosamente lentas”, lamentou o coreano. Por causa das poucas ações criadas nos últimos eventos internacionais para estimular o desenvolvimento sustentável, uma última rodada de debates foi marcada entre os dias 29 de maio e dois de junho para que se chegue a pelo menos alguns acordos primários.

Se nem esta discussão for suficiente para estimular acordos, estes terão que ser desenvolvidos todos na Rio+20, o que torna mais difícil que a reunião chegue a resultados satisfatórios.

Por isso, Ban pediu que os participantes do encontro se atenham às questões mais importantes relacionadas ao desenvolvimento sustentável e não se percam em detalhes. Ele citou como exemplo a produção do documento introdutório do evento, que contou com inacreditáveis seis mil páginas, cortadas posteriormente para 80.

“Mas 80 páginas ainda é muito. Esse não é o momento para argumentar contra os itens pequenos. Por favor, não percam [de vista] o quadro maior. 
Esse não é o fim. A Rio+20 é apenas o começo de muitos processos, então deve-se ser flexível. Deve-se se elevar acima dos interesses nacionais ou interesses de grupos específicos”, comentou o secretário-geral.

Mas apesar do pessimismo generalizado a respeito da Rio+20, o coreano ainda conserva esperanças sobre os possíveis resultados a serem alcançados. “Há algum ceticismo a respeito de a conferência ser um sucesso”, observou o secretário-geral, mas acrescentou que basicamente está “otimista a respeito do resultado dessa reunião”.

Ban deseja que três principais resultados sejam definidos no evento. 

O primeiro é que a Rio+20 inspire um novo pensamento econômico em um momento em que o atual modelo econômico está ruindo; 
o segundo é que o encontro seja uma “conferência para pessoas”, o que exige que os países coloquem os interesses das pessoas em primeiro lugar para tingir o crescimento econômico; 
e o terceiro é que a reunião lance um apelo para o uso mais inteligente dos recursos naturais do planeta, como a água, o ar e as florestas.

“Meu recado é esse: por favor, tentem ter um bom resultado, um resultado conciso, ambicioso, mas prático e implementável. Nosso planeta tem sido muito generoso conosco. Vamos deixar a humanidade retribuir, respeitando nosso planeta Terra”, concluiu.

(Instituto Carbono Brasil)



Brasil está entre os quatro líderes mundiais em construções sustentáveis

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro - O Brasil já ocupa a quarta posição no ranking mundial  de construções sustentáveis, de acordo com o órgão internacional Green Building Council (US GBC). 

“Começa a despontar como um dos países líderes desse mercado, que vem crescendo muito nos últimos anos”, disse à Agência Brasil o gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado.
O primeiro prédio sustentável brasileiro foi registrado em 2004. O conceito começou a ganhar força, porém, a partir de 2007, informou Casado. De 2007 até abril de 2012, o Brasil registra um total de 526 empreendimentos sustentáveis, sendo 52 certificados e 474 em processo de certificação no US GBC. Até 2007, eram apenas oito projetos brasileiros certificados.
ranking mundial é liderado pelos Estados Unidos, com um total de 40.262 construções sustentáveis, seguido pela China, com 869, e os Emirados Árabes Unidos, com 767. Marcos Casado lembrou que, nos Estados Unidos, esse processo começou 15 anos antes do que no Brasil. 
“Eles já têm uma cultura toda transformada para isso e nós ainda estamos nessa etapa inicial de mudar a cultura e provar que é viável trabalhar em cima desse conceito na construção civil, que é um dos setores que mais causam impacto ao meio ambiente”.        
Já existe, segundo o gerente técnico do GBC Brasil, o engajamento do setor da construção nesse tipo de mercado, que se mostra bastante aquecido no país e no mundo. Além disso, Casado destacou que há um conhecimento maior por parte das pessoas, devido aos benefícios  que esse conceito acaba introduzindo na construção. “Eles vão desde a economia dos recursos naturais e a redução dos resíduos, até a redução dos custos operacionais da edificação, depois do seu uso. Isso vem levando as construtoras e grandes empresas a adotar esse conceito”.
Para Casado, as construções sustentáveis são uma tendência mundial. “A gente tem hoje, só em certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) no mundo, mais de 60 mil projetos. Então, é uma tendência muito grande e a gente percebe que  esse número cresce a cada dia”. Desde agosto do ano passado, vem sendo registrado pelo menos um projeto por dia útil no Brasil, buscando certificação. Marcos Casado estima que até o fim deste ano, o número de empreendimentos sustentáveis brasileiros em certificação alcance entre 650 e 700.
Os chamados prédios verdes não têm, entretanto, nível de emissão zero de gás carbônico. “Mas a gente reduz muito esses impactos”, explicou o gerente. Em vários países do mundo, já existem prédios autossustentáveis, que geram a própria energia que consomem e neutralizam o carbono emitido. Essa tecnologia, entretanto, ainda não foi implantada no Brasil. “A gente está caminhando para isso. Acredito que,  em breve, em cinco ou dez anos no máximo, a gente vai estar com esses edifícios também no Brasil”.
Para os moradores de prédios sustentáveis, também há benefícios, declarou. “Para o usuário comercial ou residencial, a grande vantagem está no custo operacional, porque eu reduzo, em média, em 30% o consumo de energia, entre 30% e 50% o consumo de água, além de diminuir a geração de resíduos”. O custo operacional fica, em média,  entre 8% e 9%  mais barato do que em um prédio convencional. Por isso, relatou Casado, os prédios sustentáveis são mais valorizados pelos construtores e apresentam preço mais alto. “A contrapartida vem  no custo operacional. Acaba sendo mais barata  a operação e ele equilibra esse custo financeiro”.
O GBC Brasil está iniciando um trabalho com a Companhia de Desenvolvimento Urbano de São Paulo  para incorporar o conceito de sustentabilidade também em construções populares. Cobertura verde, aproveitamento da água pluvial, aquecimento solar e aumento do pé direito para melhoria do conforto são alguns dos itens em estudo. “Isso acaba barateando o custo operacional”.
O GBC Brasil desenvolve também o projeto da Copa Verde. Estão sendo certificados com o selo de sustentabilidade 12 estádios que se acham em reforma ou em construção nas cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo de 2014. 
O projeto Greening the Games: How Brazil’s World Cup Is Driving Economic Changes’ (Tornando os Jogos Verdes: Como a Copa do Brasil Está Levando a Mudanças Econômicas) será apresentado no próximo dia 16 de junho, no auditório T9 do Riocentro, onde ocorrerá a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.
No dia 18,  a organização divulgará um documento oficial sobre construção sustentável em evento paralelo à conferência da ONU, no Forte de Copacabana, “visando a expandir essa economia verde no país”. O evento é organizado pelas federações das Indústrias dos estados do Rio de Janeiro (Firjan) e São Paulo (Fiesp), entre outras entidades.
Edição: Graça Adjuto

Campanha do agasalho 2012 - Voluntários da Árvore Azul

Prezados Amigos, 

Iniciamos hoje a nossa Campanha do Agasalho 2012, com novo formato. Além de agasalhos e cobertores estaremos recebendo também alguns itens de alimentação. 

Nesses três anos em que estivemos nas ruas de São Paulo, sempre que entregávamos cobertores, nos era solicitado um agasalho e algo para comer. 
Como não podemos levar comida, optamos por itens com maior prazo de validade: biscoitos, achocolatado e sucos em caixinhas. 
Os Voluntários estarão recebendo as doações até o final de junho e este ano temos 04 saídas programadas para entregas, começando dia 05 de junho de 2012. 

Local de entrega: Av. Roque Petroni Junior 1.000 - Hotel Blue Tree Premium Morumbi 

Contato: 5187-1200 

Procurar: Fábio, Liliane, Ayla 



A todos nossos agradecimentos por mais este apoio a nossa Campanha que reflete o espírito de Solidariedade da Rede Blue Tree Hotels. 

Um abraço, nossos irmãos contam com a sua ajuda!!!!!!! 

Eliana Ribeiro 

Diretoria de Hospitalidade
Blue Tree Premium Morumbi