CBIC ANUNCIA VENCEDORES DO I PRÊMIO DE JORNALISMO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO


A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) anuncia hoje, dia 8, durante solenidade no Clube de Engenharia – Espaço CENB, em Brasília, os vencedores do I Prêmio de Jornalismo da Indústria da Construção. 
Após a premiação haverá um show com o sambista Jorge Aragão. Em sua primeira edição, a iniciativa da CBIC tem como objetivo reconhecer e estimular o desenvolvimento de reportagens sobre os mais diversos assuntos relacionados à construção, com foco no papel do setor no planejamento do futuro das cidades brasileiras. 
A comissão de Júri analisou os 128 trabalhos inscritos nas categorias: Mídia Impressa, Mídia Eletrônica e Mídia Online. 
Os finalistas são:

Na categoria Mídia Eletrônica:
Reportagem: Salvador Sustentável - Autor: Dalton Soares
Veículo: TV Bahia

Reportagem: Saneamento – questões de cidadania
Autor: Alissa Sobral de Farias e equipe
Veículo: TV Jornal / SBT – PE

Reportagem: Habitação
Autor: Mauricio de Almeida Rego Ferreira e equipe
Veículo: TV Brasil

Na Categoria Mídia Online
Reportagem: Nas águas do desenvolvimento
Autor: Giovanni Sandes C. Martins
Veículo: JC Online / NE 10

Reportagem: Era uma casa nada engraçada
Autor: Ed Wanderley
Veículo: Pernambuco.com

Reportagem: Especial Nova Luz – uma obra de ficção urbanística
Autor: Patrícia Nichetti Benvenuti e equipe
Veículo: Agência Brasil de Fato

Na Categoria Mídia Impressa
Reportagem: Da caverna à casa ecológica
Autor: Maristela Machado Crispim e equipe
Veículo: Jornal Diário do Nordeste

Reportagem: Curitiba 318 anos: Criando a cidade dos Sonhos
Autor: Bruna Maestri Walter e equipe
Veículo: Gazeta do Povo

Reportagem: Passos para cumprir uma agenda verde / Ações para ter uma cidade melhor
Autor: Margarida O. Pfeifer
Veículo: Valor Econômico

Projeto de casa une sustentabilidade e eficiência energética


Cozinha, sala de jantar, quartos, banheiros – ela tem tudo o que uma casa normal tem. E muito mais: a Ekó House é o protótipo de uma casa do futuro, que funciona exclusivamente com energia solar.

A Ekó House é a representante brasileira na Solar Decathlon, competição internacional entre universidades de vários países, em que as equipes apresentam casas sustentáveis com foco na eficiência energética. Após os testes em São Paulo, o protótipo será levado para a Espanha, local da disputa. 

Elaborado desde 2010 em várias universidades brasileiras, o projeto Ekó House - www.ekobrasil.org - foi apresentado no campus da Cidade Universitária da USP no dia 4 de maio. 

Trata-se de uma casa eficiente, sustentável e inovadora, que funciona exclusivamente com energia solar, tanto térmica quanto fotovoltaica, e que está sendo montada no Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP). Ele combina elementos de alta tecnologia com soluções inovadoras em arquitetura e engenharia, com tecnologias que levem a um menor impacto ambiental das residências brasileiras.

"A casa tem aproximadamente 47 metros quadrados (m²). Ela conta com cozinha, sala de jantar, sala de estar, banheiro e quarto. O ambiente é projetado para dar flexibilidade de uso, com persianas e móveis o ambiente é alterado aumentando a área social ou a área íntima", explica a mestranda em arquitetura Bruna Mayer de Souza, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e uma das integrantes da iniciativa.

O projeto é a proposta brasileira que está concorrendo ao Solar Decathlon Europe 2012, uma competição internacional onde 20 equipes, representando universidades de todo o mundo, projetam, constroem e colocam em funcionamento uma casa sustentável e com eficiência energética.

O Team Brasil é uma equipe transdisciplinar formada por estudantes e docentes de diversas áreas como: Arquitetura e Urbanismo, Engenharias Civil, Mecânica, Elétrica, Sanitária e Ambiental, Automação e Sistemas, e outras áreas como Design e Marketing.

O projeto é coordenado pelos professores José Ripper Kos (coordenação geral) e Thêmis da Cruz Fagundes (coordenação de pesquisa), ambos do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, além da professora Claudia Terezinha de Andrade Oliveira (coordenação de produção e montagem), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. 

Colaboram ainda membros das Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

Solar Decathlon

O Solar Decathlon é dividido em dez categorias que avaliam as inovações da casa, como sua capacidade de geração e eficiência energética, conforto, qualidade espacial e construtiva, entre outras. As casas são construídas e testadas localmente e transportadas para o local da competição em Madrid, na Espanha, onde devem ser montadas em dez dias. Lá permanecem em exposição lado a lado por 17 dias, quando estão abertas à visitação do público e são realizadas as provas.

"A casa será levada para Madrid parcialmente desmontada, em containers. A estrutura é feita de peças de cumaru e placas de OSB (oriented stranded board) que formam painéis. Esses painéis são preenchidos com lã de vidro para isolamento térmico. Como revestimento, são usadas placas cimentícias, e entre os painéis e as placas também é utilizado aerogel, um material fibroso de alta eficiência no isolamento térmico. 

Os painéis já irão prontos para Madri, com todas as suas camadas instaladas, inclusive com canos e fios, para lá serem apenas encaixados", explica Bruna Mayer de Souza, da Universidade Federal de Santa Catarina.

Produção e montagem

O projeto da Ekó House está em desenvolvimento desde o final de 2010, e atualmente encontra-se no estágio de produção e montagem. A viabilidade de execução do protótipo, que combina elementos de tecnologia high-tech com soluções tradicionais de arquitetura e engenharia, é o resultado do empenho criativo dos docentes e discentes que compõem o Team Brasil, associado ao apoio e parcerias fundamentais de empresas e instituições, especialmente da área de energia e construção civil, e órgãos nacionais de fomento à pesquisa científica e inovação tecnológica, que contribuíram com o fornecimento de materiais, assessoria técnica, descontos e apoio financeiro.

Diversos aspectos do projeto e da produção da Ekó House fundamentam uma dezena de trabalhos acadêmicos que resultarão em teses e dissertações. Além disso, o desenvolvimento do protótipo está inserido em um convênio entre USP e Eletrobras (ECV 308/2009), coordenado pelo professor Adnei Melges de Andrade (USP), que tem como objetivo principal o lançamento das bases de uma indústria nacional de Residências Energia Zero (REZ) com tecnologia brasileira e adequação às nossas diversas regiões bioclimáticas.

"O projeto busca desenvolver pesquisa sobre Residências de Energia Zero (REZ) para o nosso clima e sociedade. Buscamos tecnologias que levem a um menor impacto ambiental das residências brasileiras. 

Por isso, além da pesquisa, do projeto e construção da casa, temos várias atividades de comunicação que buscam incentivar um estilo de vida mais sustentável, como palestras e aulas em colégios, o site e blog da equipe - www.ekobrasil.org -, ações nas mídias sociais, entre outros", afirma.

Agência USP de Notícias

Robôs e sustentabilidade são destaques da Feira APAS 2012

Tecnologia e compensação ambiental marcam o maior evento de supermercados do mundo

Dois robôs vão trabalhar na conscientização do público para ações voltadas à sustentabilidade na APAS 2012 – 28º Congresso e Feira de Negócios em Supermercados, maior e mais importante feira do setor de supermercados do mundo. 

O evento será realizado entre os dias 7 e 10 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo. 


A máquina, controlada à distância por operadores treinados, irá interagir com o público presente para que descartem corretamente o lixo nos pavilhões. Fora desse espaço, nos “bastidores”, a APAS, desde a montagem da Feira, realiza triagem desse lixo coletado, para dar o destino correto para cada tipo de resíduo.

Entre as ações, uma equipe de especialistas em sustentabilidade no varejo vai implementar uma política rígida de gerenciamento de resíduos, monitorar e quantificar as emissões de gases de efeito estufa nos quatro dias da Feira. Outra iniciativa é o Prêmio Estande Sustentável, direcionado aos estandes que pensaram na sustentabilidade, tanto no processo de montagem como na composição da arquitetura.

A conscientização do público será reforçada pelos próprios expositores. 

O grupo de coordenação do projeto irá avaliar e premiar, em quatro categorias (mega estande, estande de grande porte, estande de médio porte e estande de pequeno porte) as melhores ações e procedimentos sustentáveis adotados pelos expositores. 

A premiação ocorrerá em uma cerimônia realizada ao final do evento. O objetivo é incentivar cada expositor a elaborar iniciativas individuais e divulgar essas ideias e ações.

Além do monitoramento e registro constante das variáveis do desempenho socioambiental da Feira, o programa de sustentabilidade da APAS 2012 vai coordenar e treinar os funcionários envolvidos no evento, desde as ações de montagem de estandes até a conscientização dos funcionários que atuarão no setor de alimentos. O trabalho foi pautado pela Normatização da ISO 20121 sobre eventos sustentáveis.

A grande quantidade de resíduos gerados em eventos do mesmo porte é um dos maiores desafios. O projeto foi iniciado com ações de conscientização e treinamento, ampliadas por parcerias com a empresa Solam – Soluções Ambientais, para o reaproveitamento e a reciclagem do material gerado, como madeiras, embalagens recicláveis, resíduos orgânicos, entre outros.

Com o programa, a APAS espera compensar totalmente a emissão de gases CO2 gerados durante todo o evento. A metodologia utilizada para a compensação será o Greenhouse Gas Protocol da ONU, validada no Brasil pela Fundação Getúlio Vargas. Essa compensação será feita após o evento com o plantio de árvores nas cidades sedes das regionais APAS em todo o Estado de São Paulo.

Sobre a APAS – A Associação Paulista de Supermercados representa o setor supermercadista no Estado de São Paulo e busca integrar toda a cadeia de abastecimento. A entidade conta com 1.200 associados, que somam 2.700 lojas.

Serviço

APAS 2012 – 28º Congresso e Feira de Negócios em Supermercados

Quando: de 7 a 10 de maio

De 7 a 9 de maio, das 14h às 22h; dia 10 de maio, das 14h às 20h

Onde: Expo Center Norte – Rua José Bernardo Pinto, 333, São Paulo – SP

Assessoria de Imprensa APAS – Feira
Approach – Tel.: 11 3846-5787
Ana Parolo – ana.parolo@approach.com.br – ramal 12
Mariz Vieira – marise.vieira@approach.com.br – ramal 46
Kathlyn Pereira – kathlyn.pereira@approach.com.br – ramal 26

Assessoria de Imprensa APAS – Institucional
Approach – Tel.: 11 3846-5787
Neide Martingo – neide.martingo@approach.com.br – ramal 18
Cintia Beck – cintia.beck@approach.com.br – ramal 22

Crescem as oportunidades na área de Sustentabilidade

Por Bettina Barros | De São Paulo


Gabriela Burian, gerente de sustentabilidade da Monsanto, diz que companhias têm dificuldade para montar os times

Profissionais em alta, os especialistas em sustentabilidade podem dizer que não só são cada vez mais cobiçados no mercado brasileiro. 

Eles também já ganham salários compatíveis com seus pares na empresa e deixaram de ser vistos como aquela turminha de "ecochatos" que chega para atrapalhar a festa.


Uma pesquisa inédita encomendada pela recém-constituída Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade (Abraps) mostra que o conceito - que preza o cuidado com o ambiente e a sociedade, além do progresso econômico - tem sido incorporado nas políticas empresariais do país, que passaram a destacar profissionais exclusivos para o tema e, em alguns casos, até diretorias. 


Não por acaso, a citação "a sustentabilidade está no nosso DNA" entrou como um mantra no discurso de um número significativo de empresas e seus balanços socioambientais.



Apesar da amostragem pequena, com somente 23 empresas, e a falta de levantamentos anteriores como base de comparação, a pesquisa indica que a área tem ganhado peso


Realizada pela Deloitte, ela mostra que 65% das companhias de diferentes segmentos da indústria possuem hoje estagiários dedicados exclusivamente para questões de sustentabilidade, sendo em média dois estagiários por empresa, e todas possuem uma área específica ligada ao tema.

Além disso, 26% das companhias analisadas afirmaram que pretendem ampliar o quadro de funcionários nesse setor ao longo de 2012 e 74% manterão a quantidade atual de colaboradores - o que, nesse caso, é visto como algo positivo. 

"Ouvimos de muitos profissionais que a área de sustentabilidade precisa ser enxuta mesmo, pois o conceito deve ser disseminado na organização e não ficar confinado a esse departamento", explica Fábio Mandarano, gerente de capital humano da Deloitte e responsável pela pesquisa.

Segundo Mandarano, foram mapeados somente os profissionais que atuam a maior parte do tempo (mais de 70%) em atividades diretamente relacionadas aos assuntos de sustentabilidade como responsabilidade social e ambiental, cidadania corporativa, responsabilidade corporativa e investimento social privado ou similar. "Descartamos os profissionais que têm a sustentabilidade apenas como mais uma de suas atribuições", diz.

Questionadas sobre a abrangência dessas práticas, 52% das empresas afirmaram estar em uma fase "madura" de desenvolvimento. 

Isso significa ter uma estratégia de sustentabilidade pensada para a empresa como um todo, com uma visão de longo prazo, políticas integradas e processos bem definidos. Já 17% das participantes disseram estar no estágio denominado como "líder" - onde a cultura de sustentabilidade é intrínseca, as metas são claras e as metodologias e ações são inovadoras. 

As 31% restantes revelaram estar no nível "em desenvolvimento" de sustentabilidade, no qual a política para a empresa tem uma visão de curto prazo (um a dois anos) e as diretrizes e as responsabilidades são comunicadas informalmente.

A formação de um departamento específico ou a incorporação desse tipo de profissional ao quadro de funcionários ainda gera dúvidas nas empresas. No entanto, Gabriela Burian, gerente de sustentabilidade da Monsanto no Brasil, diz que a expansão desse setor é sentida no dia a dia de trabalho. 

"Toda semana me liga alguém querendo saber da nossa experiência na estruturação da sustentabilidade", diz a executiva, uma engenheira agrônoma de formação que fez carreira na multinacional americana até ser destacada para o posto atual. 

"As empresas estão montando os seus times mas não sabem muito bem como fazer", explica ela, referindo-se ao fato de a sustentabilidade ser um assunto relativamente novo no mundo empresarial.

As dúvidas - inclusive de headhunters - vão desde que tipo de profissionais podem atuar em sustentabilidade ao salário que recebem. "Como só existem cursos de especialização na área, eles têm formações diferentes, geralmente no setor financeiro, administrativo, vendas e jurídico", diz Gabriela. 

"Até prefiro esse perfil, pois são profissionais que aprendem o conceito de sustentabilidade e que também entendem de internalização de custos e fluxos de mercado, por exemplo. Quem só lidou com sustentabilidade costuma fazer negócios com muita emoção".

De acordo com Mandarano, da Deloitte, a remuneração nesses departamentos ainda é definida caso a caso, levando em conta fatores como o tamanho da empresa, a importância que ela dá ao assunto e o quilate do profissional recrutado para a função. 

Por esse motivo, a pesquisa mostra que os salários variam em uma escala ampla que vai dos R$ 2 mil até R$ 25 mil. "De todo modo, eles ganham o mesmo que os seus pares em outros departamentos da empresa e os mesmos benefícios", diz.

Fonte: Valor Econômico

Vídeo mostra as obras de prédio que vai substituir o World Trade Center

Site norte-americano divulgou a evolução da estrutura, que começou a ser construída em 2004 em Nova York
Aline Rocha


O site EarthCam divulgou um vídeo da construção da Torre da Liberdade no local onde existia uma das torres gêmeas destruídas nos ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York, nos Estados Unidos.

As imagens somam cerca de dois minutos e mostram o progresso das obras, que começaram em 2004. O site divulgou o vídeo depois de a torre ganhar o título de prédio mais alto de Nova York, ficando ligeiramente superior ao deck de observação do Empire State, que tem 380 m de altura. 

O novo marco foi possível depois da instalação de uma viga de aço no topo do edifício, que ainda não está completo. Para alcançar esta altura, foram instalados 190 mil m³ de concreto e 37 mil t de aço.

Este marco é preliminar, já que ainda estão sendo adicionados novos pavimentos. A torre terá 104 andares e, quando pronta, em 2013, deve ser declarada a mais alta dos Estados Unidos e a terceira do mundo, com 417 m de altura. Sobre o edifício, ainda será instalada uma antena de 124 m.

A Torre da Liberdade, chamada oficialmente de One World Trade Center, foi projetada pelo escritório Skidmore, Owings & Merrill (SOM) e faz parte de um grande complexo para reconstrução da área que contará com sete equipamentos: quatro edifícios comerciais, um memorial, um museu e uma estação de trem e metrô.

A base do edifício, de 60 m X 60 m, é construída toda em concreto e revestida com painéis de vidro. O objetivo dessa parede de 56 m de altura é proteger o edifício contra ataques de carros-bomba. 

Os painéis de vidro que ficarão colados na estrutura serão blindados, para absorver ainda mais o impacto em caso de um atentado. Em sequência à estrutura de concreto, o edifício continua com uma estrutura metálica, com revestimento em cortina de vidro. 

Cada peça de vidro terá a altura exata de um pavimento do edifício.



A torre de 792 mil m² terá 71 pavimentos dedicados somente a escritórios, contando com alguns andares para manutenção do edifício, restaurante e um deck de observação de dois andares.

Sistemas de reuso de água pluvial e placas de células fotovoltaicas serão colocados no edifício. Todos os equipamentos de segurança, inclusive os elevadores, serão envolvidos por uma estrutura de concreto de 91 cm.

Fonte: www.piniweb.com.br


 


Selo Pró-Hotéis: Setor hoteleiro em busca de sustentabilidade

Rio de Janeiro - De olho na Rio+20, sustentabilidade e eficiência energética começam a se tornar prioridades para hotéis

Eficiência energética em hotéis

Lara Martinho, para o Procel Info

Rio de Janeiro - O mundo tem aumentado, a cada dia, o foco em sustentabilidade. 

A conscientização da sociedade sobre a importância da adoção de práticas economicamente e ecologicamente viáveis tem incentivado governos e empresários a trabalharem no desenvolvimento de ações que não se preocupem apenas com o viés financeiro, mas também com o meio ambiente.

O Brasil acompanha este pensamento e se prepara para grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos de 2016 e, inclusive, a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorrerá em junho e trará discussões econômicas, sociais e ecológicas, incluindo a eficiência energética como um de seus temas.

Neste contexto, autoridades e empresários do ramo hoteleiro começaram a pensar em uma forma mais sustentável e eficiente para se adequarem aos novos conceitos de hospedagem ecológica e sustentável no país.

Para isso, o governo lançou o programa Pró-Hotéis, que tem como objetivo reduzir o consumo de energia elétrica por meio de troca de equipamentos, instalação de novas tecnologias e mudanças de processos, focando na eficiência energética.

Para o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio, os esforços para difundir esse programa devem ser feitos o mais rápido possível em todo o Brasil. 

A redução nos gastos dos hotéis pode chegar a 50% em se tratando de economia em energia e água. Apesar de pequenos hotéis não terem uma redução de custos expressiva, em prol do meio ambiente, pequenos e grandes empreendimentos se unem nesse projeto para ajudar a obter um mundo mais sustentável.

Os esforços para difundir esse programa devem ser feitos o mais rápido possível para todo o Brasil.O nosso país está preparado para realizar as mudanças necessárias para aplicação do Pró-Hotéis.

O FBHA considera este tema prioridade e quer que a rede hoteleira nacional se sensibilize com esse programa que será apresentado aos representantes dos governos do mundo todo na Rio+20.

Segundo Sampaio, o nosso país está preparado para realizar as mudanças necessárias para aplicação do Pró-Hotéis. 

Porém devido aos custos, como o ICMS na energia, e alíquotas em todo o país, há uma grande alteração na aplicação do projeto no Brasil se comparado com os padrões adotados nos EUA e na Europa.

Mas, segundo ele, a tecnologia aplicada ao Pro-Hotéis é de ponta comparada aos programas mais modernos aplicados em todo o mundo.

A lista de soluções econômicas do Pró-Hotéis incluem aquecimento por energia solar, instalação de telhado verde, uso de águas pluviais, troca de equipamentos como elevadores e escadas rolantes para versões mais eficientes, redução do desperdício de água e diversas outras iniciativas. 

O programa tem como parceiras as empresas Osram, Schneider, Indeco, Ambient Air e Transsen, além do banco Santander, que oferece condições especiais de financiamento.

Para o representante dos hoteleiros, essas mudanças devem obter resultados que sirvam para todos - empresários, governo, população e meio ambiente -, além de desenvolver uma iniciativa mundial mais coerente e sustentável com o futuro da humanidade.

Hotel do Rio já aderiu ao Pró-Hotéis

O Hotel Copasul, localizado em Copacabana, no Rio de Janeiro, é um dos hotéis que adotaram o programa Pro-Hotéis através do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Bares do Rio, o SindRio, filiado à FBHA. 

Após fazerem o pré-diagnóstico indicado pelo programa, o Hotel decidiu levar a implantação adiante. Há cerca de um mês o Copasul está em processo de modificações e elabora o cronograma de execução das ações do programa.

Segundo a Diretoria do hotel, as mudanças econômicas e ambientais já podem ser percebidas através do resultado de algumas intervenções simples como a colocação de películas de filtragem solar, que reduziram o consumo energético, permitindo melhor performance da temperatura obtida pelos ar condicionados dos quartos. 

Além disto, elas amenizam os raios UVA, com benefício para saúde de hóspedes e colaboradores, evitando o desgaste prematuro de materiais dos apartamentos, em função da exposição ao sol.

Ainda de acordo com a Diretoria, com a aproximação da Rio+20, que colocou o meio ambiente em foco nos últimos tempos, foi mais fácil para os funcionários se adaptarem a essa nova realidade e obterem melhores resultados na economia de água e luz.



O desafio global da governança do desenvolvimento sustentável


Expectativa dos especialistas é que, durante a Rio+20, surjam medidas efetivas para reduzir vácuo institucional que existe na área da governança da sustentabilidade


Diante de uma profusão de acordos multilaterais já provados (atualmente há cerca de 500) que não apresentam sinergia entre si, prevalece a impunidade para os que descumprem as regras, a ausência de indicadores de desempenho, a falta de cooperação e a sobreposição ineficiente de papéis entre as instituições responsáveis por esses acordos. 

Entre os especialistas, é ponto pacífico que a Rio+20 é a oportunidade para transformar o cenário da governança do desenvolvimento sustentável.

“Há um vazio institucional na área da governança dos desafios globais. Algumas organizações do terceiro setor estão ocupando esses espaços. Mas outras entidades também podem participar desse processo”, esclarece o especialista em governança corporativa e sustentabilidade, Carlos Eduardo Lessa Brandão, que é conselheiro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Para ele, as empresas têm vários caminhos para influenciar as decisões que serão tomadas durante a Rio+20 e também contribuir para a disseminação de práticas sustentáveis. Um desses caminhos é atuar por meio de iniciativas setoriais, que agregam empresas com desafios e anseios comuns.

Outra possibilidade é participar de congregações multistakeholders que lidam com temáticas específicas, tal como a certificação florestal (exemplo: Conselho Brasileiro de Manejo Florestal – FSC Brasil). Há ainda a alternativa de se inserir em instituições que lidam diretamente com a questão da sustentabilidade, tal como oInstituto Ethos e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds). 

 “As medidas voluntárias que essas instituições tomam para aprimorar as práticas de sustentabilidade correm o risco de se tornarem mandatórias. Ao participar dessas instituições, além de aumentar a capacidade de influência das empresas, elas também se antecipam às transformações socioambientais que vêm ocorrendo no mundo, protegendo-se do risco das pressões que podem surgir de seus stakeholders”, afirma Brandrão.


Zero Draft
O especialista cita a contribuição do IBGC para a redação do artigo 24 do esboço zero do documento final da Rio+20, em que se sugere às grandes empresas que emitam relatórios de sustentabilidade. Para ele, essa medida simples pode gerar um grande efeito sistêmico. “A partir do momento que a empresa tem que relatar, a sustentabilidade entra em sua pauta e ela tem chance de resolver o que vai fazer”, ressalta Brandão. “Se ela optar por usar as diretrizes da GRI (Global Reporting Initiative), terá que identificar seus stakeholders e elencar quais são as questões relevantes a serem debatidas”, completa.

O esboço zero do documento final da Rio+20, também conhecido como “Zero Draft” é  fruto de sugestões e contribuições de países, grupos regionais, organizações internacionais e da sociedade civil, a fim de elaborar o documento base para Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio+20. O documento será analisado e, se tudo der certo, espera-se que seja aprovado pelos Estados-Membros da ONU durante o encontro.

A consciência da fragilidade

Segundo o professor da PUC de São Paulo e consultor de várias agências das Organizações das Nações Unidas (ONU), Ladislaw Dowbor, no capítulo IV do esboço zero da Rio +20, em que se trata do marco institucional do desenvolvimento sustentável, vale destacar os seguintes aspectos: a necessidade de se fortalecer e integrar os chamados três pilares da sustentabilidade (econômico, social e ambiental); reforçar o papel e a função dos vários organismos internacionais que lidam com essa temática, aumentando a coerência das ações, fortalecendo a capacidade multilateral das Organizações das Nações Unidas (ONU).

“O primeiro passo é que devemos ter consciência da fragilidade geral do sistema de governança multilateral. A ONU é um sistema extremamente desequilibrado, com uma estrutura herdada da Segunda Guerra Mundial”, explica Dowbor. 

Para ele, na ausência de instrumentos efetivos multilaterias, a governança do desenvolvimento sustentável deverá se apoiar nos governos nacionais. “Estados são estruturas que podem se comprometer com os objetivos da sustentabilidade. Podem-se construir, assim, país por país, políticas sustentáveis que se constituam em políticas mundiais. A ONU deveria ser uma articuladora do sistema de financiamento para o conjunto dessas políticas nacionais”, sugere o professor.

Outro ponto de destaque em relação à governança é o papel do nível local, que antes era subvalorizado e agora vem adquirindo centralidade nas discussões. “Cada cidade tem capacidade de administrar a si mesma de forma sustentável. Na verdade, se as grandes cidades não se comprometerem com as mudanças necessárias, as políticas internacionais e nacionais não funcionarão”, ressalta. 

Nesse sentido, as empresas também têm papel essencial. Dowbor diz que se não houver uma mudança na cultura corporativa, nada acontecerá: “Hoje, 737 grupos controlam 80% do universo das grandes corporações transnacionais. 

Elas são, em sua maioria, ligadas ao setor financeiro e têm um poder elevado. Infelizmente, não se comprometeram até hoje com nada do que podemos chamar de sério em relação à sustentabilidade. 

Há muito greenwashing”. 

O professor finaliza afirmando que a disseminação de informações sobre a sustentabilidade é indispensável. Pois se os stakeholders não pressionarem as empresas para que adotem novas posturas, elas não se comprometerão com os princípios da sustentabilidade. “É preciso mudar a forma como nos relacionamos com o mundo”, conclui Dowbor. 

Fonte: Portal HSM