Milhões de MPE têm peso na sustentabilidade

Sebrae vai participar da Rio+20, visando incluir os pequenos negócios nos debates sobre desenvolvimento sustentável e sustentabilidade


Diretor faz palestra em Cuiabá
Vanessa Brito

Uma pequena empresa não significa muito para a sustentabilidade, porém mais de seis milhões de pequenos negócios podem fazer muita diferença no desenvolvimento sustentável brasileiro. 

O Sebrae está comprometido em levar os princípios da sustentabilidade às micro e pequenas empresas (MPE) e empreendedores individuais de todo o país. 

A Instituição se tornou um dos parceiros das Nações Unidas (ONU) na Rio + 20, visando participar dos debates da conferência para destacar o papel dos pequenos empreendimentos no movimento nacional e global do desenvolvimento sustentável.

Essa é a síntese da palestra “Pequenos negócios, grandes impactos” do diretor técnico do Sebrae, Carlos Alberto Santos, realizada dia (11) no Seminário Sebrae de Sustentabilidade, em Cuiabá. Ele é economista e doutor em economia pela Universidade Livre de Berlim.

O seminário marca o primeiro ano de atividades do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), unidade de referência nacional e geradora de conhecimento sobre o tema para cerca de 700 unidades e postos de atendimento da instituição, distribuídos no território nacional. A sede do CSS está na capital mato-grossense.

A palestra do diretor do Sebrae foi iniciada com a projeção de um trecho do filme “2001, uma odisséia no espaço” de Santley Kubrick (1968). O salto civilizatório apresentado nessa obra antológica do cinema mundial destaca a relação entre homem, natureza e sua evolução. 

“Civilização significa transformar a natureza em benefício próprio. Não existe vida humana sem transformação da natureza. Não existe homem fora da natureza”, disse Carlos Alberto. 

Porém, as grandes catástrofes naturais independem do homem e podem mudar até o rumo político dos países, alertou ele. Os cidadãos estão cada vez mais conscientes sobre a necessidade de adotar fontes energéticas mais limpas, reduzir o consumo de água, entre outras, acrescentou o diretor.

Carlos Alberto citou exemplos para evidenciar a contribuição dos pequenos negócios, que ainda tem pouca visibilidade perante a sociedade e mercado. Existem aproximadamente 7 mil lavanderias formalizadas no país, que juntas consomem 126 mil litros de água e 12 mil kw de energia por mês.

A primeira lavanderia sustentável de Mato Grosso, a Prillav, com sede em Rondonópolis, investiu em práticas sustentáveis e passou a economizar mensalmente: 32% de água; 7% de energia; 36% de combustível e gás; 38% em plásticos para embalagens; e 42% nos custos de manutenção dos equipamentos.

“Se dez mil lavanderias fizerem isso, vamos chegar a números excelentes”, enfatizou Carlos Alberto. Ele deu outro exemplo para ilustrar o potencial de sustentabilidade das MPE. A Pousada do Sol de Aracaju (SE) investiu em sustentabilidade como diferencial e consegue resultados também significativos no consumo mensal: menos 6,7% de água; e menos 14% de energia.

Em termos de pegada ambiental, a Prillav deixa de emitir 1,2 toneladas de carbono/ano ou o equivalente a emissão anual de mais de três mil residências. Já a Pousada do Sol reduziu a emissão de carbono em mais de 20 toneladas de carbono/ano, o mesmo que 50 mil residências consomem de energia anualmente.

Até o momento, a discussão sobre sustentabilidade está muito centrada nos debates que envolvem grandes empresas e corporações, o movimento ambientalista, a academia e instituições públicas e privadas. Os debates ainda estão isentos da participação do grande setor constituído por mais de seis milhões de micro e pequenas empresas no Brasil, de acordo com o diretor.

Agenda Sebrae

A agenda de sustentabilidade do Sebrae está voltada para o aumento de competitividade dos pequenos negócios. Não tem vínculo com a agenda preservacionista dos movimentos ecológicos, observou Carlos Alberto. 

O objetivo da instituição é incluir as MPE na economia cada vez mais verde, não como um nicho, mas de acordo com a visão holística do conceito de sustentabilidade.

“Podemos ter atividades produtivas competitivas que têm na sustentabilidade um alavancador”, ressaltou. Nos entornos das unidades públicas de conservação, por exemplo, há boas oportunidades para os pequenos negócios, sugeriu. 

“Nossa missão é promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável das MPE e fomentar o emprendedorismo”, destacou o diretor. “ O setor dos pequenos negócios tem impacto enorme na questão da sustentabilidade”, enfatizou ele.

A inclusão produtiva e social também é prioridade na atuação do Sebrae. Os pequenos negócios compõem um setor estratégico e com grande potencial gerador de empregos, postos de trabalho, além de inserir no mercado novos empreendimentos, entre eles, aqueles que integram a cadeia de valor da economia sustentável (reciclagem, energias limpas, logística reversa,etc). 

Cerca de 500 agentes locais de inovação (ALI) do Sebrae, que trabalham em todas as regiões brasileiras e vão até os pequenos negócios para dar apoio em inovação, serão os porta-vozes de sustentabilidade da instituição, adiantou o diretor. Eles estão sendo preparados para isso, informou Carlos Alberto.

Ciência na mídia

Karina Toledo, da Agência FAPESP

A forma como a imprensa brasileira tem abordado temas de ciência e tecnologia será debatida em um seminário organizado pela FAPESP no dia 16 de abril. O evento é gratuito e para participar basta preencher a ficha disponível na páginawww.fapesp.br/eventos/ciencianamidia.



O encontro terá formato de mesa de debates e reunirá jornalistas que atuam no meio impresso, na televisão e na internet, além de cientistas de diferentes áreas.

De acordo com o consultor de comunicação da FAPESP, Carlos Eduardo Lins da Silva, o objetivo é promover uma reflexão sobre a cobertura científica e discutir os problemas, as qualidades, aspectos éticos e as mudanças trazidas pelas novas tecnologias.

“A programação foi montada de modo a deixar apenas um jornalista e um cientista em cada mesa de debate. Esperamos que o fato de ter poucos debatedores abra mais espaço para o diálogo com a plateia”, disse Lins da Silva.

Para a abertura do evento foi convidado Clive Cookson, editor de ciência do jornal britânico Financial Times que há mais de 30 anos se dedica a cobrir temas de ciência e tecnologia em diversos países e diferentes veículos. Ele dividirá a mesa com Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Em seguida, o papel da televisão no jornalismo científico será debatido por Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e pelo jornalista Roberto Wertman, editor do programa Espaço Aberto Ciência e Tecnologia, da Globonews. A mediação será feita por Mônica Teixeira, coordenadora geral da Univesp TV.

Após o almoço, o biólogo Fernando Reinach, do Fundo Pitanga, e o editor de Ciência e Saúde do jornal Folha de S.Paulo, Reinaldo José Lopes, falam sobre a cobertura no meio impresso, com mediação de Mariluce Moura, diretora de redação da revista Pesquisa FAPESP.

A presença da ciência na produção de noticiários será alvo do debate entre Thomas Lewinsohn, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, e a jornalista espanhola Sonia López, ex-editora da agência de notícias AlphaGalileo. A mediação será de Lins da Silva, que também é livre-docente em Comunicação pela USP.

Mais informações e inscrição: www.fapesp.br/eventos/ciencianamidia.

(Agência FAPESP)

Artigo de Ladislau Dowbor: os 10 mandamentos


10 mandamentos
D Sharon Pruitt
O artigo do prof. Dowbor para a revista Envolverde argumenta que a sociedade, mais do que sobreviver, quer qualidade de vida efelicidade. Para isso ele recomenda a aplicação de 10 indicadores já aplicados em diferentes escalas com resultados positivos. 
São idéias arrojadas, ortodoxas e muitos diriamm, inviáveis, mas que nos fazem pensar sobre as oportunidades para chegarmos a  um mundo mais sustentável.
Abaixo um resumo dos dez mandamentos:
  • Não reduzirás o próximo a miséria: “o dinheiro é simplesmente mais útil onde é mais necessário”. Acabar com a pobreza além de ser o caminho mais ético (por reduzir a perdas de vidas desnecessárias), defende o professor, também beneficia toda a sociedade. Além disso, o investimento na redução da pobreza permite o desenvolvimento da base da pirâmide e, no futuro, as novas gerações, melhor nutridas e educadas, trarão ganhos de produtividade para todos.
  • Não privarás ninguém do direito de ganhar o seu pão:universalizar a garantia do emprego é viável”. O professor exemplifica com a cidade de Maharashtra na Índia onde cada vila é obrigada a ter um cadastro de iniciativas intensivas em mão de obra. De fato, há muitas melhorias necessárias e investir na infra-estrutura local enquanto reduzindo o seguro-desemprego e outros custos sociais, pode realmente ser a melhor solução para o emprego.
  • Não farás contas erradas: o professor lembra que PIB inclui o valor de transações do desmatamento, das doenças, entre outras atividades não sustentáveis.  Portanto, diz ele, é necessário medir os resultados e a alocação de recursos financeiros utilizados em prol do desenvolvimento economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente sustentável.
  • Não comprarás os representantes do povo: o Estado tem que manter seu poder regulador e, portanto: “… a necessidade de se reduzir a capacidade das corporações privadas ditarem as regras do jogo”. Comentários?
  • Não tributarás boas iniciativas: o professor defende a revisão do sistema tributário, “O eixo central não está na redução dos impostos, e sim na cobrança socialmente mais justa e na alocação mais produtiva em termos sociais e ambientais”.  Neste ponto não é possível discordar! Ele ainda defende a taxação de transações “especulativas”, impostos para grandes fortunas e heranças.
Sustentável
Nicolas Valentin
  • Não privarás o próximo do direito do conhecimento: para o professor “A participação efetiva das populações nos processos de desenvolvimento sustentável envolve um denso sistema de acesso público e gratuito à informação necessária”.  
  • Não trabalharás mais de 40 horas:A redistribuição social da carga de trabalho torna-se hoje uma necessidade”. O professor comenta que com os avanços tecnológicos há menor necessidade de mão de obra intensiva, e a redução de carga de trabalho, poderá reduzir a desigualdade e aumentar a qualidade de vida, ou seja, mais tempo livre para o lazer e a cultura, por exemplo.
  • Não viverás para o dinheiro:  nosso cotidiano esta mudando devido às nossas atitudes frente aos desafios econômicos, sociais e ambientais: reciclagem, respeito ao meio ambiente, redução de desperdícios, uso racional dos transportes, entre outros são parte de nossa mudança comportamental, diz o professor.Mas isso não é suficiente, é necessária a promoção de políticas públicas para incentivar ainda mais estas atitudes.
  • Não controlarás a palavra do próximo:  diz o professor: “Democratizar a comunicação tornou-se essencial…. Expandindo gradualmente as inúmeras formas de mídia que surgem por toda parte, há como introduzir uma cultura nova… pluralismo em vez de fundamentalismos …
  • Não ganharás dinheiro com o dinheiro dos outros:  o professor defende a racionalização dos sistemas de intermediação financeira: “O dinheiro não é mais produtivo onde rende mais para o intermediário: devemos buscar a produtividade sistêmica de um recurso que é público”.
E você o que acha? Valeria a pena seguir os 10 mandamentos? Bem pelo menos, deveríamos implementar as pequenas mudanças possíveis e a avançar para um mundo mais justo, limpo e produtivo sem medo. Avançando sempre chegamos mais próximos da sustentabilidade.
Leia o artigo completo em:
http://www.envolverde.com.br 
Comentários para o escritor: ladislau@dowbor.org ou www.criseoportunidade.wordpress.com

Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.

Sustentabilidade: Volta aos fundamentos

Incorporadoras e construtoras precisam resolver gargalos antes de partirem para soluções complexas de sustentabilidade em empreendimentos habitacionais; conheça as principais medidas
Por Gustavo Mendes




Lançar empreendimentos habitacionais mais sustentáveis tem sido um desafio e tanto para as construtoras e incorporadoras, visto que o cenário dos últimos anos apresentou uma série de complicadores: 

falta de operários qualificados, custos em alta, atrasos nas entregas de materiais e escassez de máquinas e equipamentos. 

Em empreendimentos onde há desperdício, retrabalhos e projetos pouco detalhados, o primeiro passo para ser mais sustentável é colocar ordem na casa, antes de partir para um salto tecnológico. 

Por isso, as reportagens a seguir apontam soluções simples – a maioria com baixo impacto nos custos – que colocam os empreendimentos habitacionais no rumo da sustentabilidade, abordando o tema em três áreas: construção, projeto e marketing do produto imobiliário. 

Complementando as reportagens, leia também o debate especial promovido pela Construção Mercado com os representantes das principais empresas de certificação ambiental da construção civil e a entrevista do mês, com o gerente nacional de Meio Ambiente da Caixa Econômica Federal, Jean Rodrigues Benevides.

SUSTAINABILITY IN HOME CONSTRUCTION

The Construção Mercado cover story points out fundamental measures to produce more sustainable home construction. In a segment where sustainability is still crawling, it is important, firstly, to go to basics. 

The reports are about three important phases in an enterprise: Construction – Before adopting revolutionary solutions, home construction companies must do the basics at the work site. 

There are a series of already consolidated solutions that do not depend on huge investments, such as adopting industrialized building processes and materials for rational consumption of water and energy, in addition to a good architectural project favoring, among others, natural illumination and ventilation. Project – To plan, at the project stage, more sustainable homes, is the most viable practice to obtain results in this area. 

At this phase it is possible, for example, to interfere more effectively in the building’s life. The project’s conception should be committed to the customers’, users’, and social-environmental values of the community in which it is inserted.

Sales – The definition of marketing strategy for sustainable enterprises places the contractors in a delicate situation. Sustainability has been made banal by massive propaganda of companies in all sectors – many, inducing ambiguous interpretations by the consumer. 

To be able to stand out amidst so many shady disclosures on the subject, one possible solution is to seek certification from respected de entities. There are several certificates in the market to confer technical consistency to the project.

Nossa habilidade de transformar mercados de commodities determinará o destino da natureza

Rhett Butler, do Mongabay

O sucesso dos governos e grandes corporações em eliminar a degradação ambiental de produtos que consumimos terá um papel essencial em determinar o destino das áreas selvagens restantes no mundo, disse um grupo de especialistas que falaram em um painel durante o Fórum Skoll para Empreendedorismo Social.



Reunindo-se em Oxford na última semana, o fórum incluiu WWF, grande grupo de conservação; Greenpeace, grupo de ativismo ambiental que é conhecido por suas campanhas coloridas para mudar práticas corporativas; Unilever, gigante de produtos de consumo que é uma das maiores compradoras de commodity do mundo; UNICA, associação que representa 140 produtores de cana-de-açúcar do Brasil; e Rankbank, o maior banco agrícola do mundo, com operações em muitos países com florestas tropicais chave.

Os painelistas discutiram e debateram como o mundo pode proteger florestas em face à crescente demanda por terras agrícolas devido ao crescimento da população e o aumento do consumo.

“No século XX resolvemos o problema populacional, mas no século XXI ainda temos que resolver o problema do consumo”, disse Jason Clay, vice-presidente de transformação de mercado do WWF, observando que as taxas de crescimento da população diminuíram drasticamente desde os anos 1970 e devem diminuir até 2050. “Nos próximos 40 anos precisamos produzir tanto alimento quanto produzimos nos últimos oito mil”.

“Se não tivermos como produzir alimentos nos próximos 40 anos, nós, como um grupo de conservação, podemos acabar. Não restará qualquer biodiversidade para salvar.”

Clay afirmou, portanto, que é vital fazer da produção de commodities tanto produtiva quanto mais sustentável, e já que grandes corporações controlam uma quantia crescente da produção e comércio, é essencial impor metas a elas. Apenas 300-500 companhias no mundo controlam 70% do comércio das 15 commodities chave ligadas à destruição e degradação de habitat. E menos de 100 corporações impactam metade da produção global.

Enquanto o WWF geralmente trabalha para engajar essas companhias, ajudando a “esverdear” suas operações, o Greenpeace tem uma abordagem mais contraditória, realizando campanhas agressivas contra corporações que acreditam não estarem fazendo o suficiente para evitar danos ambientais.

Por exemplo, em 2008, o Greenpeace teve como alvo a Unilever por seu abastecimento com óleo de palma, que os ativistas ligaram ao desmatamento na Indonésia. A campanha do Greenpeace incluiu o lançamento de um relatório de danos e o envio de ativistas vestidos com fantasias de orangotangos para invadirem uma assembleia geral da Unilever.

Gavin Neath, vice-presidente sênior para sustentabilidade da Unilever, foi sincero sobre a experiência de ser alto do Greenpeace.

“O Greenpeace estava certo em nos atacar”, declarou ele. “Estamos fazendo mais do que qualquer um, mas não estamos fazendo rápido o suficiente. O Greenpeace colocou-nos em ação.”

A Unilever viria a melhorar sua política de abastecimento, visando eliminar o desmatamento de sua cadeia de suprimentos.

O Greenpeace mais tarde foi atrás da Nestlé por causa do óleo de palma, usando um vídeo chocante que Pat Venditti mostrou para a audiência. O vídeo e a desastrosa resposta da Nestlé à campanha de mídia de acompanhamento social revelaram-se extremante prejudiciais à gigante de alimentos.

A empresa mais tarde estabeleceu uma das políticas mais restritivas de abastecimento com óleo de palma. A política mais tarde foi adotada por sua fornecedora de óleo de palma, a Golden Agri Resourses / PT Smart, que tem sido o principal alvo da campanha do Greenpeace.

A ameaça de uma ação do Greenpeace pode ser um forte motivador para companhias, disse Daniela Mariuzzo, diretora de responsabilidade social corporativa e desenvolvimento empresarial sustentável do Rabobank-Brasil, que estende créditos a agricultores e pecuaristas.

O Rabobank tem usado o vídeo do Greenpeace internamente para demonstrar o potencial risco de reputação de práticas ligadas ao desmatamento. O banco está estabelecendo políticas de empréstimo para 12 setores que considera “sensíveis” por causarem desmatamento e esgotamento de recursos naturais, incluindo o óleo de palma na Ásia e a soja e o gado no Brasil.

Punição e recompensa

Mas os painelistas concordaram que as companhias não deveriam ser apenas motivadas por punições. Elas precisam de recompensas também.

Macros Jank, CEO da UNICA, afirmou que sua indústria tem feito o possível para melhorar seu desempenho ambiental nos últimos anos, incluindo reduzir as queimadas, aceitar a proibição de expansão na Amazônia e Pantanal, e restaurar a vegetação ciliar. Mas a maioria dos compradores da indústria brasileira de cana-de-açúcar não está em mercados como a Europa, onde os consumidores ligam para o desempenho ambiental dos produtos que compram.

“Agora temos um excedente de produtos certificados”, declarou ele. “Onde está a demanda?”

No entanto, Clay, Venditti e Neath disseram que a demanda do consumidor tem um papel importante, mas limitado, em conduzir a transformação de mercado.

Observando as dificuldades que muitos consumidores têm em fazer as escolhas “certas”, Neath afirmou que as corporações têm que fazer sua parte para eliminar problemas como o desmatamento de suas cadeias de suprimento.

“As companhias têm que solucionar os problemas ambientais das escolhas dos consumidores”, afirmou ele.

“Os consumidores não deveriam ter que escolher por sustentabilidade – tudo nas prateleiras deveria ser sustentável”, observou Clay, acrescentando que produtos sustentáveis deveriam ser mais baratos do que os não sustentáveis, embora hoje normalmente o inverso seja verdadeiro.

Calcular os custos ambientais poderia ajudar.

Dan Nepstad, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), que participou da discussão, declarou que o mundo está indo em direção a padrões que incorporam externalidades sociais e ambientais na precificação.

“O Brasil atingiu uma redução de 2% nas emissões globais cortando o desmatamento, assim como o Protocolo de Quioto, mas isso não foi compensado”, disse ele. “Essa é uma falha de mercado colossal.”

Andrew Mitchell do Programa Global Canopy concordou.

“O papel dos sinais de preço é realmente importante para salvar as florestas”, afirmou ele.

Até que os custos de danos ambientais sejam precificados na produção de commodities, não há nenhum desincentivo para derrubar florestas. Clay declarou que as emissões de carbono são um bom ponto para começar e sugeriu que pagamentos de carbono poderiam fornecer incentivos para produtores se juntarem a mesas-redondas de commodities, que visam reduzir a pegada ambiental da soja, açúcar, óleo de palma, gado e produção de biocombustível.

O papel do governo

Muitos participantes do fórum concordaram, no entanto, que as mesas-redondas focadas em sustentabilidade só podem mudar os mercados até certo ponto.

Clay declarou que a certificação tende a mudar assim como os líderes em um mercado. Cerca de 10-20% do mercado – o que tipicamente é mais do que a metade dos danos ambientais –responde apenas à intervenção governamental.

Membros do painel sugeriram que já que a disposição do mercado para pagar um prêmio por produtos certificados parece limitada, os governos poderiam reduzir as taxas de importação em produtos agrícolas certificados para criar condições equitativas.

O bioetanol produzido a partir da cana-de-açúcar brasileira e certificado sob a iniciativa Bonsucro poderia, portanto, entrar nos mercados europeus ao mesmo preço que a cana-de-açúcar produzida sem nenhum padrão social ou ambiental.

Mas para transformar realmente os mercados em longo prazo, os governos têm que estabelecer quadros jurídicos, segundo Venditti, do Greenpeace.

“A certificação pode ser uma ferramenta poderosa, mas não será a ferramenta que conduzirá mudanças”, observou ele. “Precisamos ir além disso para mudar a dinâmica política em países com florestas para fazer disso uma solução. Educar o consumidor é educar os eleitores.”

“Se não trouxermos as políticas públicas para isso, será muito difícil trazer isso para a grande escala.”

Clay acrescentou que já que apenas 12% da alimentação é comercializada por fronteiras internacionais, visar aos mercados domésticos – que são movidos por intervenção governamental – é essencial. E as corporações têm que trabalhar com os governos para reformar o sistema.

Venditti concordou que adversários teriam que se tornar aliados se esperamos resolver os problemas ambientais.

“Não estamos no negócio de transformar companhias para transformá-las”, declarou ele. “Estamos interessados em como a transformação reduz o desmatamento.”

“A questão agora é se isso conduzirá uma mudança setorial. Procuramos por mudanças transformadoras nos setores.”

* Traduzido por Jéssica Lipinski


(Instituto CarbonoBrasil)

Sustentabilidade e relacionamento são tendências do varejo americano

Postado por Sandro Ari Pinto 

Na indústria do varejo, a última edição da GlobalShop 2012, que aconteceu em Las Vegas, revelou três fortes tendências: a busca por fornecedores locais que apostam na escolha norte-americana, fortalecimento da sustentabilidade e o interesse incessante por estreitar o relacionamento com o consumidor



Para manter ou ganhar mercado em um ambiente em mudança, as empresas precisam adaptar estratégias, especialmente o composto de marketing. 

O valor de um produto ou serviço não diz respeito a apenas custo, mas significa cada vez mais um equilíbrio entre preço e benefícios.

Esta é a tendência vista hoje nos Estados Unidos, revelada não apenas pela feira que visitei, mas também pelo road show que tive a oportunidade de vivenciar a convite da POPAI (Associação Global do Marketing no Varejo). 

Apesar da crise econômica, a confiança dos consumidores norte-americanos aumentou em seis pontos no último trimestre de 2011 (passou de 77% para 83% em relação ao mesmo período no ano anterior), segundo dados de uma pesquisa de confiança do consumidor e opinião de mercado da Nilsen Global. 

Começamos a ver também o discurso do Presidente Barack Obama chegar ao mercado. Em alguns estandes da feira havia bandeiras norte-americanas evidenciando que o produto é Made in USA.

Outro direcionamento visto durante os dias de exibição da GlobalShop foi a substituição da inovação pela evolução de antigos meios; como o uso do papelão para produzir peças nos pontos de venda. 

No Brasil não se tem a cultura do papelão, além do custo do material ser mais elevado em comparação ao mercado americano, o estilo das lojas com menor espaço que as americanas faria com que esses displays tivessem uma durabilidade muito pequena e, com isso, o custo benefício torna-se inviável.

A adoção dos conceitos de sustentabilidade também ganha cada vez mais densidade no conceito das marcas e articula questões como relação de consumo e cidadania ao se aproximar do seu público. 

O fenônemo tem significado para algumas empresas muito mais de responsabilidade social, tornando-se em alguns casos parte do próprio DNA da corporação.

Um case interessante, nesse sentido, é da Whole Foods Market, mercado que vende produtos orgânicos de alta qualidade a preços competitivos e que possui programas de agricultura sustentável com apoio a fazendeiros, visando expandir este tipo de segmento. 

Além disso, realiza também práticas ambientais, assumindo compromisso de reciclar e estimula os funcionários a prestar serviços a ONGs e associações comunitárias.

Já no que diz respeito a tecnologia, que não inclui apenas displays digitais e sistemas de áudio e imagens inovadoras, entra em cena uma série de ferramentas que apostam na melhora de experiência de compra, com tecnologias self-service e apoio à logística, como sistemas de análise de tráfego em lojas. 

A proposta é cada vez mais conhecer os seus consumidores, hábitos e comportamentos e segmentar seus produtos para cada nicho atraindo diferentes perfis.

Um case interessante é o da Harley Davidson. A empresa segue uma tendência de focar fortemente em linhas de extensão da marca. 

Um estudo de comportamento mostrou que as mulheres fazem parte de 12% de seus consumidores. Eles passaram também a desenvolver produtos para pessoas com mais idade, pois sabem que seu público está envelhecendo.

Fazer o marketing segmentado, trabalhar o relacionamento com seus clientes, utilizar a tecnologia para embasar e suportar essa estratégia e criar o relacionamento na cadeia de sustentabilidade são as apostas para se criar um círculo virtuoso dentro do mercado

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AveSui: Mário Sérgio Cutait: “Sustentabilidade é produzir mais e melhor com economia de recursos”

Presidente da IFIF abriu o Painel Conjuntural da AveSui América Latina falando dos desafios da indústria de alimentação animal com foco em sustentabilidade.


A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou recentemente que será necessário um aumento de 60% na produção agrícola - tanto na produção de alimentos para consumo humano quanto na produção destinada a biocombustíveis - para suprir as necessidades dos nove bilhões de pessoas que deverão habitar o planeta em 2050. 


Com isso, todas as cadeias da produção animal - incluindo aves, suínos e nutrição animal - têm um enorme desafio pela frente: produzir ainda mais, com melhor qualidade e com segurança. Mario Sergio Cutait, presidente da Federação Internacional da Indústria de Alimentação Animal (IFIF), acrescenta que a sustentabilidade da produção também é um fator importante a ser considerado neste contexto para se atingir as metas indicadas pela FAO. 


Porém, agroindústrias, associações de classe, indústrias de rações e fornecedores devem investir em produção sustentável sob uma ótica coerente."Muito se fala da proteção do meio ambiente, da preservação de rios, lagos e da redução das emissões de gases estufa quando o assunto é sustentabilidade. No entanto, pouco se fala em crescimento de produção e metas de produtividade", afirma Cutait. 


"Sustentabilidade é produzir mais e melhor com economia de recursos naturais, favorecendo tanto o meio-ambiente [reservas de água, matérias-primas] quanto os produtores". 


O tema "Nutrição Animal e Sustentabilidade" foi abordado pelo presidente da IFIF dentro do Painel Conjuntural da AveSui América Latina. O evento segue até o dia 04 de abril na Expo Center Norte em São Paulo (SP).




Durante sua explanação, Cutait enfatizou que a produção de proteína animal - diretamente relacionada com a produção de ração - deve ter sua imagem trabalhada junto aos mercados consumidores para que o conceito de "sustentabilidade" não seja apenas relacionado à preservação do meio-ambiente. "Temos que preservar a natureza sim! No entanto, precisamos explicar para as pessoas que temos o mundo para alimentar e uma discussão sobre o que é produção sustentável se faz necessária", pontua o presidente da IFIF.

Desafios- Diminuir o desperdício de recursos naturais com tecnologia de inovação é algo totalmente favorável ao meio ambiente e viável do ponto de vista da cadeia produtiva de proteína animal, de acordo com Cutait. Para ele, esta é a chave para a produção sustentável dentro do setor.


Fonte: Redação Avicultura Industrial e Suinocultura Industria