Pesca ultrapassa os limites da sustentabilidade: população de peixes diminui 60%

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Um novo estudo mostra que o impacto da pesca do atum e espécies semelhantes durante os últimos 50 anos diminuiu a abundância de todas essas populações por uma média de 60%.

Especialistas acrescentam que a maioria dos peixes de atum tem sido explorada para além dos limites da sustentabilidade.

O debate sobre o impacto da pesca nas espécies diferentes já dura 50 anos. As populações que tiveram sua abundância mais afetada foram os atuns de água fria, como o atum-rabilho, que diminuíram 80%. Essas espécies são grandes, de longa duração e de grande valor econômico.

Cavala, um peixe menor com ciclo de vida mais curto, também experimentou uma redução significativa em abundância. Essa informação sugere que a pesca pode ser uma ameaça a todas as espécies, independentemente da sua dimensão.

Um estudo publicado na revista Nature em 2003 concluiu que a abundância de peixes pelágicos, principalmente o atum, havia reduzido em 90% no século passado.

Os cientistas acreditam que a gestão de pescas precisa melhorar. Os peixes com maior valor econômico são os mais sobre-explorados. Há claramente pessoas que se beneficiam economicamente da pesca ilegal de atum-rabilho, caso em que o comércio internacional vai além das normas internacionais de pesca, que são geralmente eficazes.

As organizações de gestão de pesca não devem apenas usar seus recursos para gerenciar as espécies de alto valor, como o atum grande, mas também para as espécies de menor valor econômico, que são importantes, pois são uma grande fonte de proteína para muitos países.

Os pesquisadores dizem que esforços sérios e ações eficazes são necessários para reduzir a pesca excessiva global, para recuperar populações sobre-exploradas e para regulamentar o comércio que as põe em perigo. Só assim poderemos garantir capturas maiores, lucros financeiros estáveis e redução do impacto nos ecossistemas marinhos.

Trailer "Amazônia Eterna. Protagonista do Século XXI".



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Prévia do documentário com gravação em andamento na floresta Amazônica

Mais informações:  www.amazoniaeterna.com.br

Prédios comerciais são maioria em obras sustentáveis no País

Em apenas dois anos, 40% dos novos prédios comerciais do Rio deverão ser considerados edifícios verdes

Por Clipping/GBC Brasil
Divulgação/GBC Brasil

Em apenas dois anos, 40% dos novos prédios comerciais do Rio deverão ser considerados edifícios verdes. A estimativa é da consultoria Cushman & Wakefield, que fez o levantamento no segundo trimestre do ano passado, levando em conta lançamentos já previstos para até 2013. 

A maioria dos novos edifícios ficará na região do Centro. Hoje, 2,5% dos prédios comerciais da cidade são classificados como verdes.

"Ser sustentável pode ser o fiel da balança na hora de uma empresa se instalar nesse ou naquele prédio. Por isso, cada vez mais incorporadoras investem em prédios comerciais sustentáveis" explica João Pacheco, diretor de engenharia e sustentabilidade da Cushman & Wakefield.

Prova disso é que crescem os pedidos de certificações de sustentabilidade no País. Só do selo Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), o aumento em 2011 foi de 140% em relação ao ano anterior, o que fez com que o país subisse do quinto para o quarto lugar no ranking dos países com mais edificações em certificação (429, no final do ano passado). 

Organização responsável pelo selo, o Green Building Council (GBC) faz o ranking nos 131 países em que está presente. À frente do Brasil, apenas Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos.

"O Brasil registra crescimento muito bacana do setor. No último trimestre, recebemos um pedido por dia. E a tendência é que isso aumente à medida que as pessoas vejam os resultados econômicos de se instalarem em construções com características sustentáveis" destaca Marcos Casado, gerente técnico do GBC Brasil.

Segundo Casado, 20% dos edifícios que pedem a certificação não conseguem obtê-la. Ou seja, a vontade de ser, ou parecer, verde ainda é maior que a prática.

"Para receber o selo, é preciso atender a oito pré-requisitos com parâmetros mínimos. Nem todos conseguem atingi-los Mas isso já mostra que existe uma preocupação" diz Casado.

De qualquer forma, a tendência é clara. O selo Aqua, da Fundação Vanzolini, é outro que apresenta crescimento. Líder no número de certificações concedidas no país (50 até o fim de 2011, o dobro de 2010), o Aqua começou em 2008 analisando apenas prédios comerciais. 

Em 2010, lançou o selo para projetos habitacionais. Em 15 meses, foram certificados 13 prédios residenciais e um condomínio com 80 casas, quase todos no estado de São Paulo. Há propostas para outros seis empreendimentos.

"Esperamos fechar 2012 com ao menos 90 empreendimentos certificados no país. As pessoas se sentem orgulhosas quando sabem que moram numa casa sustentável, por exemplo" diz Bruno Casagrande, executivo de negócios da Fundação Vanzolini.

No setor residencial, o ritmo de crescimento ainda é bem lento

A ideia de viver numa casa ou num apartamento sustentável pode até agradar a muita gente. Mas o fato é que encontrar imóveis assim no mercado ainda é difícil. Enquanto as empresas parecem já ter percebido que os custos maiores na construção desses prédios são rapidamente compensados pela economia em sua manutenção (cerca de 30% a 40% na redução do consumo de água e energia, por exemplo), o consumidor final ainda parece reticente quanto a gastar mais na hora da aquisição.

"O cliente do prédio residencial ainda tem uma questão emocional forte com a compra do imóvel no Brasil. No comercial, existe uma preocupação econômica importante, sem falar nos ganhos em imagem para a empresa" explica Marcos Casado, que destaca ainda a grande redução os custos de obras sustentáveis. O investimento das indústrias do setor vem barateando os custos.

Políticas públicas poderiam incentivar setor sustentável
Segundo dados de mercado, um empreendimento sustentável, que já foi 30% mais caro que o comum, hoje custaria mais caro entre 1% e 7%. Em alguns casos, nos Estados Unidos, seria de apenas 0,5%.

Para os especialistas, faltam no Brasil políticas públicas claras para o setor, que poderiam incentivar o surgimento de mais empreendimentos sustentáveis, não só na área residencial, mas também na comercial, industrial, de clínicas etc.

Prova disso é que dos 12 estádios em construção para a Copa de 2014, apenas o de São Paulo não entrou com o pedido para a certificação Leed. O motivo da adesão? Uma linha de financiamento disponibilizada pelo BNDES com taxa de juros reduzida e maior prazo de pagamento para quem garantisse o selo.

Principal financiadora da compra da casa própria no país, a Caixa Econômica estuda meios de também conceder benefícios tanto para quem comprar um imóvel sustentável, quanto para as construtoras que investirem em projetos que obedeçam aos critérios de sua própria certificação, o Selo Azul, criado em 2010.

"Como os nossos empreendimentos são voltados para baixa renda, os custos mais altos ainda inviabilizam esse tipo de investimento por parte das construtoras. Mas desde que criamos o selo recebemos muitas consultas sobre os seus critérios e acredito que boa parte dos novos projetos já deverá atender a esses requisitos" diz Mara Luiza Motta, gerente nacional de meio-ambiente em exercício da Caixa.

Para Cristina Montenegro, um dos membros do Conselho Brasileiro da Construção Sustentável, o que falta no Brasil é uma conjunção de fatores que permitam a consolidação da construção civil sustentável no país. Segundo ela, o setor tem todas as condições para ser dos primeiros a fazer a transição para a economia verde. Só precisa de incentivos:

"Não dá para dizer que não temos tecnologia, profissionais ou consumidores interessados. O que falta é a integração de todos esses fatores, o que só acontecerá quando o setor estiver mais maduro. Temos indústrias investindo em produtos menos poluentes, universidades pesquisando e gente preparada, o que mostra que a construção está no caminho da sustentabilidade".

CDES participa de conferência para Rio+20 em Bruxelas

A convite do presidente do Comitê Econômico e Social europeu (CESE), Staffan Nilsson, representantes do CDES vão integrar o grupo de lideranças sociais que vai debater desenvolvimento sustentável nos dias sete e oito de fevereiro, na Bélgica, na conferência:
 
“Go Sustainable, be responsible – European Civil Society on the Road to Rio+20”. 
 
 
A experiência de diálogo social e articulação do CDES para o desenvolvimento sustentável será apresentada pelo conselheiro Paulo Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria a Construção (CBIC), que está no evento representando o Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e Secretário-Executivo do CDES, Moreira Franco. 
 
A comitiva brasileira também conta com a participação do subsecretário de Desenvolvimento Sustentável da SAE Antonio Sergio Lima Braga; e a secretária interina da Secretaria do CDES Ângela Gomes.
 
Assessoria da Sedes
 
Ao longo dos últimos meses, o CDES vem promovendo intensa articulação com diversas organizações da sociedade civil não só para debater o desenvolvimento sustentável mas para apontar a relevância do momento para articular um esforço mundial em prol da sustentabilidade. 
 
Em vista disso, o Conselho foi convidado para apresentar sua experiência de diálogo social e o Acordo para o Desenvolvimento Sustentável no evento promovido pelo CESE. 
 
Na sessão de encerramento do evento, no dia oito de fevereiro, o conselheiro Paulo Simão vai falar sobre esse Acordo, uma contribuição conjunta de mais de 70 instituições para o debate e para posição brasileira encaminhada à ONU para Conferência Rio+20. 
 
O conselheiro está no evento representando o Ministro Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos e Secretário-Executivo do CDES. A participação brasileira tem por objetivo aprofundar as convergências entre os conselhos brasileiro e europeu para valorizar a Conferência Rio+20 e contribuir para mobilização da sociedade civil internacional.
 
European Society on the Road to Rio+20
 
Para o Comitê Econômico e Social Europeu, a conferência Rio +20 deve enviar um sinal claro para a comunidade mundial rumo ao desenvolvimento sustentável global que ajude a eliminar a pobreza e a injustiça social, ao mesmo tempo em que preserve os recursos naturais para as gerações futuras. 
 
Nesse sentido, está sendo realizado o evento “Go Sustainable, be responsible – European Civil Society on the Road to Rio+20”, não só para dar voz as posições europeias da sociedade civil para Rio+20, mas para contribuir para o sucesso da Conferência.
 
Ao longo da conferência, os temas contribuição europeia para sustentabilidade e desenvolvimento sustentável em países não europeus serão aprofundados em quatro oficinas: 
 
alimentos, água e energia para todos; 
 
consumo e produção sustentáveis; 
 
transição justa para uma economia verde - a dimensão social; 
 
e engajamento da sociedade civil na transição para uma economia verde. 
 
O evento vai reunir aproximadamente 200 participantes, entre tomadores de decisão, integrantes da União Europeia, funcionários públicos e representantes de organizações não governamentais.
 
Histórico
 
No âmbito das atividades de cooperação internacional do Conselho, a parceria entre o CESE e o CDES ocorre desde 2003, com a realização periódica de encontros, cujas conclusões são apresentadas às Cúpulas de Chefes de Estado e Governo. 
 
A última Mesa-Redonda da Sociedade Civil Brasil – União Europeia, realizada em novembro de 2011, em Portugal, enfocou a temática do Desenvolvimento Sustentável, ao encontro da definição, pelo  Governo brasileiro, da Conferência Rio+20 como ação estratégica.
 

Abertas as inscrições da versão brasileira de prêmio europeu para projetos sustentáveis


As empresas e instituições que têm iniciativas sustentáveis em execução há três anos, no mínimo, podem se inscrever na edição nacional do Green Project Awards (GPA), uma certificação de reconhecimento internacional. 
 
A candidatura a uma das quatro categorias do prêmio deve ser feita pelo site www.gpabrasil.com.br/formularios/ até 30 de março próximo.

As indústrias podem indicar seus projetos na modalidade de Produtos e Serviços, nas áreas de desenvolvimento social, ambiental, economia e ética. 
 
O julgamento dos projetos nesta categoria caberá à Confederação Nacional da Indústria (CNI). As outras três categorias são Iniciativa Jovem, Pesquisa e Desenvolvimento e Campanha de Mobilização.

Já reconhecido em Portugal como uma importante referência na área da sustentabilidade, o GPA é promovido pela consultoria lusa GCI e, no Brasil, pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. 
 
Realizada pela primeira vez fora da União Europeia, a premiação dos vencedores ocorrerá na conferência Rio +20, em junho. A auditoria do prêmio será realizada pela empresa KPMG.

“O GPA chega ao Brasil num ótimo momento, porque existe uma mobilização muito forte de toda a sociedade pela sustentabilidade. A CNI não poderia ficar de fora desse movimento”, explica a coordenadora da categoria Produtos e Serviços do GPA, Loni Mânica.

Os vencedores de cada categoria receberão certificações de boas práticas de sustentabilidade. 
 
"O maior ganho das empresas é a repercussão nacional e internacional das suas ações de sustentabilidade e inovação social”, complementa Mânica.

Mais informações sobre o GPA podem ser obtidas no site www.gpabrail.com.br.

Diretoria de Comunicação
Sistema Indústria (CNI SESI SENAI IEL)
Tel: (61) 3317-9578 / 9562 / 8917 / 9806 / 9825
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http://www.agenciacni.org.br
 

Estudo avalia benefícios para florestas com criação do Redd

Estudo coordenado pelo economista Bernardo Strassburg, diretor-executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade, sobre o mercado de créditos de carbono informa que, quanto maior o valor da tonelada de CO2, mais espécies de plantas e de animais que vivem nas florestas podem ser preservados. 
 
O cálculo é de que o sistema pode reduzir em até 75% a perda da biodiversidade nas florestas tropicais. 
 

O primeiro estudo a fazer uma análise do impacto global do mecanismo de Reduação de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd) foi publicado na última edição da revista Nature Climate Change.

Com o preço da tonelada de carbono a US$ 25 (cerca de R$ 43) seria possível, segundo os pesquisadores, evitar de 84% a 94% das extinções. Essa ação também seria capaz de impedir a liberação para a atmosfera de 4,3 bilhões de toneladas de CO2 por ano. 
 
"Mesmo com a tonelada de carbono a US$ 3, US$ 7 e US$ 10 há benefícios, mas quanto maior o valor mais interessante deixar a floresta em pé."

Os autores do estudo chamam a atenção ainda para a necessidade de associar o Redd a estratégias para evitar a devastação de outros biomas. Uma vez que a manutenção de florestas pode, por exemplo, deslocar a ocupação para outros biomas como, por exemplo, o Cerrado, no caso do Brasil.

No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas acaba de divulgar as regras para a negociação de créditos de carbono no mercado voluntário. 
 
A lógica do mercado de carbono é a seguinte: quem preserva florestas (evita emissões e garante absorção) vende créditos para que lançou mais gases de efeito estufa do que o permitido por países, convenções etc.

Hoje, existe o mercado composto pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, previsto no Protocolo de Quioto. Por ele, países ricos (têm cotas obrigatórias de emissão).

Que emitiram além do permitido, podem comprar créditos de países mais pobres e em desenvolvimento (que não têm contas obrigatórias) que apresentam baixa emissão de CO2. Os projetos e transações são avaliados por mecanismos da ONU. Esse mercado não deslanchou por ser muito burocrático.

O outro mercado é o voluntário. Ele abrange todas as negociações de créditos de carbono e neutralizações de emissões de gases do efeito estufa que são realizadas por empresas que não possuem metas sob o Protocolo de Quioto.
 

Como fazer eventos com menos impacto ambiental, social e econômico

Planejamento estratégico das empresas e organizações deve focar em medidas de engajamento do público, minimizar transtornos ao entorno e deixar um legado para as comunidades afetadas

Por Letícia Alasse, do Mundo do Marketing
leticia@mundodomarketing.com.br




Promover relacionamento com o público, divulgar uma marca e desenvolver setores da economia brasileira são os principais objetivos da indústria de eventos no país. Grandes projetos, no entanto, geram também enormes impactos ao meio ambiente, à sociedade e à economia. 
 
As grandes empresas já se preocupam com os danos causados e tentam minimizá-los, no entanto, com o crescimento do conceito no mercado, as companhias procuram seguir medidas simples para se posicionarem como sustentáveis.

Com o intuito de auxiliar os organizadores neste processo, a ABNT Brasil instituiu a norma ISO 20121. A medida estará vigente a partir de junho deste ano e não será obrigatória, porém trará diretrizes para os gestores de produção, oferecendo soluções para as empresas desenvolverem a sustentabilidade em eventos, propondo mudanças em todas as etapas de planejamento.

“As propostas são de que os impactos causados tanto na questão ambiental quanto social e econômica sejam medidos pelas empresas e também pelos stakeholders, que são os fornecedores, organizadores, patrocinadores, público visitante e os participantes. 
 
Desejamos que todos os envolvidos possam medir quais os impactos causados nestas três áreas e tentem minimizar os danos das ações”, declara Daniel de Freitas, Diretor de Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Eventos (IBEV), em entrevista ao Mundo do Marketing.

Conscientização e engajamento de todos os envolvidos
Uma das preocupações abordada nas diretrizes do ISO 20121 é o engajamento do público e dos participantes nos eventos. É necessário que as empresas transmitam a conscientização de que os ouvintes e os palestrantes fazem parte do projeto de sustentabilidade e não são apenas agentes passivos no processo. 
 
Os visitantes estão incluídos nos impactos desde a forma como escolhem comparecer à programação, se pensam no desperdício de combustível e optam pelo transporte público ou a bicicleta.

Os fornecedores também estão envolvidos na ação. Recrutar profissionais e utilizar materiais próximos ao local do evento são formas de cortar custos e diminuir os poluentes no ar. A realização da apresentação e as embalagens utilizadas fazem parte de uma gama de informações que precisam ser avaliadas ao longo do processo de planejamento. 
 
“As lixeiras de coleta seletiva, por exemplo, servem para a empresa realizar a divisão de materiais orgânicos e recicláveis, mas se o participante do evento não colabora colocando o lixo no lugar certo, a iniciativa não cumpre o seu objetivo. É preciso, portanto, conscientizar o público de que ele é parte do procedimento”, afirma Freitas.



O engajamento das comunidades também está relacionado ao legado que os eventos deixam para a região. “Uma empresa realizou um evento fora dos seus domínios e queria montar um cenário. A companhia escolheu contratar uma ONG de artesãos locais e o cenógrafo da empresa treinou os trabalhadores da comunidade, que montaram todo o projeto. 
 
Os custos foram bem menores do que se chamassem profissionais de outra cidade e ainda gerou um impacto positivo, pois deixaram um conhecimento naquela comunidade”, explica Flávia Goldenberg Vice-Presidente de Relações Institucionais da Associação de Marketing Promocional (AMPRO), em entrevista ao portal.

Eventos precisam gerar legado e minimizar impactos sociais

As empresas, normalmente, focam a sustentabilidade em ações de diminuição de impacto ambiental, como a reciclagem e o descarte correto dos resíduos após eventos. Os impactos sociais, no entanto, não são prioridades no planejamento e causam grandes transtornos para os cidadãos. 
 
Como lembra o Diretor de Sustentabilidade do Ibev, em 2010, a Igreja Universal convocou a população para participar de um culto na Enseada de Botafogo, com a previsão de 100 mil pessoas, entretanto, compareceram um milhão. O evento causou uma desordem no trânsito de toda a Zona Sul do Rio de Janeiro durante horas e não havia também transportes e banheiros para atender a todos os presentes.

Os impactos devem ser previstos antes da realização dos eventos para não gerarem tumultos. As Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro, receberam grande apoio da população para serem sediadas no país, no entanto, quando começaram a construir a estrutura para receber o evento e desapropriaram casas por preços mais baixos que os valores dos imóveis, houve reclamação das mesmas pessoas que vibraram com a escolha da cidade como sede.



É necessário que os eventos tragam benefícios para os moradores da região antes, durante e depois da realização. Os organizadores devem se perguntar: a Vila Olímpica servirá a população? 
 
As estruturas montadas serão voltadas para o acesso de qualquer pessoa? As tendas utilizadas no Fórum Global Mundial ECO 92, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, por exemplo, foram transformadas em Lonas Culturais depois do evento.

Por iniciativa da Secretaria de Cultura, a estrutura serviu ao propósito de levar atividades culturais a preços populares para regiões da cidade com baixo IDH e sem equipamentos culturais, tornado-as pontos de entretenimento para a população. “Sustentabilidade pressupõe acessibilidade, inclusão e um legado. 
 
O Festival de Inverno de Campos do Jordão é lembrado por várias marcas durante a alta temporada, mas nenhuma se preocupa em deixar uma herança social ou gerar um efeito positivo para os moradores da cidade no resto do ano”, expõe Flávia.

Investimentos a longo prazo e mudança de comportamento
Além dos impactos ambientais e sociais, as empresas precisam ficar atentas aos econômicos, que não são apenas o retorno financeiro do evento, mas todos os investimentos feitos para trazer progresso ao espaço utilizado. Os organizadores necessitam compreender os gastos de uma produção mais sustentável para perceber que a opção aparentemente mais cara é também a mais rentável.

“Nos eventos que ajudamos a organizar, sugerimos que as empresas usem produtos biodegradáveis na limpeza. Elas alegam que o material é muito mais custoso, mas, na verdade, o produto sai até mais barato. Acontece que, na comparação de um litro de ambos, o biodegradável é mais caro, por outro lado a diluição dele é bem maior que um desinfetante comum, com concentração de um para 500 litros de água, o que acaba sendo compensador”, diz o Diretor de Sustentabilidade da IBEV.

Os orçamentos dos eventos saem em média 10% a 15% mais caros que os comuns, segundo a agência ConceitoEco. Alimentos orgânicos, tecidos de material PET e banners de algodão ainda custam mais que as alteranativas tradicionais, mas é necessário enxergar a sustentabilidade como um processo de maturidade, dentro das condições operacionais e financeira de cada corporação.

 
 
Começar com pequenas ações
Atualmente, as empresas recebem do IBEV uma certificação de sustentabilidade de acordo com as realizações prometidas e cumpridas pela companhia durante o evento. São divididas em cinco níveis, que buscam estimular as empresas a refletirem sobre como diminuir os seus impactos com uma certificação mínima até uma de excelência na estratégia.

“A certificação funciona de forma que as empresas se propõem a fazer determinadas coisas, como utilizar 90% da iluminação do evento com lâmpadas LED e com isso reduzir ‘x’ de consumo de energia, usar o ar condicionado com um termostato que quando a sala estiver vazia desliga sozinho, sensores de presença para as luzes e assim por diante”, exemplifica Freitas.

A realização de pequenas mudanças na produção pode trazer diferenças para a imagem e postura da empresa. O uso de equipamentos de segurança para a equipe de montagem, o oferecimento de alimentos orgânicos e a acessibilidade dos portadores de deficiências físicas são exemplos de medidas práticas e sustentáveis.

“Antes de ser executado, o evento tem de ser raciocinado de forma sustentável no seu planejamento estratégico, desde a ambientação, que inclui locais que possam utilizar o máximo de luz natural para economizar energia elétrica, até a consideração que existem pessoas que não comem carne. 
 
O espaço também deve ter uma ampla disponibilidade de transportes públicos”, alega Ana Paula Caribé, Diretora da agência Conceito Eco, em entrevista ao Mundo do Marketing.



Falsas compensações para a natureza
A execução de medidas sustentáveis em eventos, por vezes, tem perdido o seu real foco, que é a diminuição dos impactos causados, por uma regra de compensações de emissões de carbono na atmosfera sugerida pela Unesco. 
 
A iniciativa é válida em alguns casos, entretanto, muitas companhias deixam de se preocupar com os danos que podem acarretar a uma comunidade para calcular o quanto emitiram de dióxido de carbono (CO2) e fazerem uma margem de compensação.

O ressarcimento pode ser feito plantando árvores. O processo é demorado e gerará retorno depois de 15 a 20 anos, além de não ser garantido que o plantio dê certo. 
 
Outro meio é a compra de créditos de carbono na Bolsa de Valores, gerados por medidas que transformaram CO2 em oxigênio puro. Estes caminhos não tornam o evento mais sustentável, mas maquiam uma possível falta de maturidade da empresa em lidar com os seus problemas.

“Uma indústria não pode despejar resíduos químicos no mar e nos rios e depois compensar com a plantação de árvores. Os impactos sociais que a empresa pode causar não têm como serem indenizados. 
 
Se não foram previstos equipamentos para a participação de pessoas deficientes, como uma rampa de acesso ao palco, e o palestrante é uma cadeirante, o constrangimento da pessoa e do público será irreparável. 
 
Aconselhamos as empresas a pensarem primeiro na redução e não na compensação, que apenas atinge o meio ambiente e a sustentabilidade é um tripé”, finaliza o Diretor de Sustentabilidade da Ibev.