Redução do desmatamento com aumento da produção agrícola

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – A produção de soja no Mato Grosso aumentou mais de 30% entre 2006 e 2010, saltando de 15,6 milhões para 20,5 milhões de toneladas. 

Pesquisa internacional, com participação 
de brasileiros, aponta que desmatamento 
no Mato Grosso diminuiu e produção 
de soja no estado cresceu nos últimos 
anos por meio de mudanças no uso da 
terra (reprodução)
 
Em paralelo a esse crescimento da produção agrícola, o desmatamento no estado, que é responsável por 31% da soja produzida pelo país e liderou a derrubada de árvores na Amazônia no início dos anos 2000, também diminuiu 30% no mesmo período, atingindo 850 km² em 2010 – o que representa 11% de sua média histórica de 7.600 km² registrada entre 1996 e 2005.

A mudança foi obtida por meio do aumento na produtividade e na utilização de áreas já desmatadas para o cultivo da oleaginosa, dispensando a necessidade de desmatar mais áreas de floresta, aponta um estudo internacional com participação brasileira.

Os resultados da pesquisa foram publicados nesta semana no site e em breve sairão na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O trabalho teve a participação de Yosio Shimabukuro, da Divisão de Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de Cláudia Stickler, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), e de Marcia Macedo, da Universidade de Columbia, além de cientistas da agência espacial Nasa e do Woods Hole Research Center, dos Estados Unidos.

Combinando dados de satélite com estatísticas governamentais de desmatamento e de produção agrícola no Mato Grosso nos anos 2000, os pesquisadores constataram que a queda nos índices de desmatamento na região no período de 2006 a 2010 – em um período histórico de expansão da agricultura no estado – foi causada, principalmente, por mudanças no uso da terra.

Segundo eles, o aumento da produção de soja em Mato Grosso de 2001 a 2005 foi devido, majoritariamente, à expansão do cultivo da leguminosa em áreas anteriormente dedicadas à pastagem (74%), seguidas de áreas de florestas (26%).

Já de 2006 a 2010, 22% do aumento da produção foi obtido pelo aumento da produtividade da cultura e 78% à expansão da área de cultivo, em sua maioria (91%) em áreas que já haviam sido desmatadas. Por sua vez, o desmatamento para expansão de áreas de plantio no estado caiu de 10% para 2% entre os períodos de 2001-2005 a 2006-2010.

“A pesquisa mostra uma desvinculação entre o crescimento da produção de soja e o desmatamento no Mato Grosso que poderia servir de modelo para outros estados da Amazônia”, disse Shimabukuro à Agência FAPESP.

“Seria possível evitar o desmatamento nesses estados por meio da melhor utilização de áreas de plantio já disponíveis e aumentando a produtividade da cultura, que é o que ocorre, por exemplo, na região Sudeste, onde as técnicas agrícolas são melhores”, comparou.

O cientista coordena o projeto “Uso de dados orbitais para determinar a área de fogo ativo e modelagem numérica da injeção de gases traços e aerossóis a partir da energia radiativa do fogo”, apoiado pela FAPESP, e é um dos pesquisadores principais do Temático“Land use change in Amazonia: institutional analysis and modeling at multiple temporal and spatial scales”.

Segundo ele, outra constatação do estudo foi que o declínio do desmatamento no Mato Grosso entre 2006 e 2010 coincidiu com a implementação de diversas iniciativas governamentais para reduzir o desmatamento na região.

Em 2004, por exemplo, o governo federal estabeleceu o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM) e incumbiu os estados amazônicos de desenvolver e implementar seus próprios programas de controle de desmatamento.

Já em 2006, foi criada a “moratória da soja” entre as principais entidades representativas dos produtores de soja, ONGs e governo. O pacto ambiental estabeleceu o compromisso de não comercializar o grão originário de áreas desmatadas do bioma amazônico.

Finalmente, em 2008, foi criada uma “lista negra” dos municípios amazônicos com maiores índices de desmatamento, que impôs uma série de sanções aos desmatadores dessas regiões. Entre elas, a eliminação de subsídios, redução de crédito agrícola e a exclusão da cadeia de fornecedores dos grandes exportadores, entre outras medidas.

“Parte da queda do desmatamento foi causada por um controle mais rígido do governo das atividades que podem causar desmatamento, que funcionaram para todos os estados da Amazônia”, disse Shimabukuro.

Segundo o pesquisador, diferentemente do que poderia ocorrer, não foram encontradas evidências de que a redução do desmatamento no Mato Grosso resultou em um aumento da produção de soja e da derrubada de árvores em outros estados da Amazônia que compõem o “arco do desmatamento” , como Rondônia e Pará.

O estudo indicou que o desmatamento nesses dois estados também caiu no mesmo período. “Isso prova que o problema não foi transferido para o outro lado”, avaliou.

Sensor Modis

Os pesquisadores utilizaram no estudo dados do sensor Modis (sigla em inglês de Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer), que integra o satélite Terra (conhecido como EOS-AM), lançado pela Nasa em 1999.

De acordo com Shimabukuro, o sensor é um dos melhores do satélite Terra para analisar grandes regiões, porque visualiza e capta imagens de toda a superfície do planeta quase que diariamente e, portanto, dispõe de dados da região do Mato Grosso desde 2000 – o período inicial de avaliação da pesquisa.

“O sensor permitiu verificarmos se as novas áreas de plantação de soja no estado estavam localizadas nas áreas previamente desmatadas ou não”, explicou.

Shimabukuro participou do estudo por meio de uma colaboração que iniciou com uma das principais pesquisadoras do projeto, Ruth DeFries, da Universidade de Columbia, por meio de projetos do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e por meio de projetos de pesquisa sobre sensoriamento remoto do Mato Grosso, realizados com apoio da FAPESP.

O artigo Decoupling of deforestation and soy production in the southern Amazon during the late 2000s (doi: 10.1073/pnas.1111374109), de Yosio Edemir Shimabukuro e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1111374109 

Hotelaria - Prêmio Caio 2011 - Vídeo

Com destaque para o 2º Prêmio Caio de Sustentabilidade.


Entrevista: Eliana Ribeiro - Diretora de Hospitalidade do Blue Tree 

Premium Morumbi  que ganhou o Jacaré de Bronze


Fonte: Prêmio Caio 2011 de Turismo em Pauta via Vimeo.


O que seriam habitações mais sustentáveis?

Publicado por admin


 
Não é de hoje que a humanidade busca o desenvolvimento. Ele é objetivo das diversas pesquisas do meio acadêmico e, embora de modo e proporções diferentes, também é anseio dos cidadãos comuns. 
 
Por desenvolvimento, pretende-se garantir e aperfeiçoar as condições de vida dos seres humanos, buscando muito mais do que o atendimento de suas necessidades básicas de alimentação e abrigo, mas provendo-os de boas condições de conforto e saúde e permitindo uma amplitude das opções de trabalho, educação, lazer e cultura.

Por perceber as consequências negativas nas cidades e nos ecossistemas decorrentes do desenvolvimento a qualquer custo, o termo sustentabilidade aparece nos debates desencadeados em fóruns mundiais, para que este ocorra por meio de tecnologias menos impactantes, partindo de novas ideias, de novas práticas e de novas posturas.

E como novas práticas e novas posturas começam dentro de casa, percebe-se a importância de considerar estas questões de sustentabilidade nas próprias habitações que abrigam os cidadãos e compõem o cenário das cidades, independente de estarem inseridas em meio urbano ou rural, ou de pertencerem a pessoas com maior ou menor poder aquisitivo.

Mas o que seriam habitações mais sustentáveis para todos?

Primeiramente, esquecer os modelos. Fixar modelos, por si só, já é uma atitude insustentável, pois permite incoerências com os diferentes contextos em que as habitações podem estar inseridas, com a diversidade cultural das pessoas que nelas irão habitar e com os diversos orçamentos disponíveis.

Também é importante sinalizar os benefícios de uma habitação mais sustentável ao longo do tempo, os quais poderão ser percebidos diretamente pela redução das despesas no consumo de água, energia elétrica e gás e nas atividades de conservação e manutenção. Esta redução de despesas pode ser obtida de diversas maneiras, sem necessariamente exigir grandes investimentos, mas sempre partindo de planejamento, gestão e comprometimento dos usuários na utilização das unidades habitacionais. São boas práticas:

* Instalação de luminárias e lâmpadas mais eficientes.

* Dimensionamento e distribuição adequada dos circuitos de tomadas e pontos de luz.

* Entrega (ou orientação para a aquisição) de eletrodomésticos com altos níveis de eficiência energética e certificados pelo PBE do Inmetro (em habitações de baixa renda).

* Instalação e posicionamento adequado de esquadrias de modo a permitir a passagem de luz durante o dia.

* Aquecimento da água, sempre que possível, por meio de energia solar térmica – buscando as melhores soluções considerando a demanda de cada habitação (banho, lavatórios, pias de cozinha, piscinas) e as superfícies disponíveis de exposição ao sol.

* Uso de sistemas de apoio a gás também como alternativa ao uso da energia elétrica da concessionária – contribuindo na redução da demanda urbana no horário de pico.

* Instalação de dispositivos economizadores de água, garantindo menores vazões, maior durabilidade dos mecanismos e facilidade para a detecção de vazamentos.

* Instalação de dispositivos e medidores setorizados que permitam aos gestores prediais e aos condôminos o monitoramento dos consumos de energia elétrica, água e gás.

* Uso de fontes alternativas de água – sempre com o cuidado de evitar a contaminação das redes e garantir a constância da realização correta dos tratamentos das águas ao longo dos anos de uso das habitações (a princípio, a captação de águas de chuva para uso em irrigação e na lavagem de pisos externos é uma boa opção; também o aproveitamento das águas servidas de tanques e máquinas de lavar roupa para a lavagem de pisos externos). Todos os modos de reuso de água devem ter sua oferta e demanda avaliados, assim como o aculturamento dos usuários dos sistemas, de modo a garantir que esta economia no uso da água potável não cause problemas à saúde humana.

Além da potencial redução de despesas operacionais, as habitações mais sustentáveis também devem proporcionar melhores padrões de conforto e saúde aos seus usuários.

Em termos de conforto térmico, por exemplo, sabe-se que os padrões podem variar bastante conforme o poder aquisitivo das pessoas e, portanto, também variam as soluções de projeto e a especificação dos materiais de construção. Mas de modo geral, independente do orçamento, é possível fazer boas escolhas para os sistemas de vedação externa, para a configuração das lajes de cobertura, telhamentos e dispositivos de sombreamento, obtendo da própria arquitetura as condições térmicas interiores satisfatórias e compatíveis com as condições climáticas locais.

Já em se tratando de conforto acústico, muito ainda é preciso ser desenvolvido em termos de soluções para esquadrias, vedações internas e revestimentos de piso, sendo este não apenas um problema observado em habitações de baixa renda, mas também atingindo os diversos padrões, em maior ou menor grau, conforme o nível de exposição ao ruído.

Quando o tema é saúde, deve-se garantir nas habitações bons padrões de ventilação, proporcionados por pés direito altos e adequado posicionamento e configuração das esquadrias e outros pontos de tomada de ar, além de revestimentos de piso e parede que possibilitem fácil higienização, evitando acúmulo de poeira e contaminantes.

Em termos de investimento, entende-se que em cidades com condições climáticas mais severas ou com maior nível de exposição ao ruído ou poluição, são necessários mais recursos, sendo estas questões a serem aperfeiçoadas para garantir conforto e salubridade ótimos em habitações de pessoas de baixa renda. Do mesmo modo, as soluções em esquadrias surgem como um ponto frágil quando se trata de disponibilidade no mercado brasileiro e custos, pois são elementos fundamentais nas habitações, garantindo isolamento, estanqueidade e flexibilidade de usos nos diferentes horários do dia e condições climáticas.

De qualquer forma, com planejamento e boa arquitetura é perfeitamente possível obter-se habitações mais sustentáveis sem grandes investimentos adicionais, culturalmente aceitas e operáveis, ambientalmente menos impactantes e que contribuam para a criação de uma sociedade mais justa e igualitária em termos de uso dos recursos.

Clarice Menezes Degani é engenheira especialista em sustentabilidade e assessora da vice-presidência de Sustentabilidade do Secovi-SP 
 

Nova lei moderniza regulação da mobilidade urbana, avalia Ipea

Postado em Carros e Transportes
por Redação EcoD

 o diretor de estudos e pol�icas do estado, das institui��es e da democracia do ipea, alexandre de �ila gomide, divulga o comunicado 128 - a nova lei de diretrizes da pol�ica nacional de mobilidade urbana                          
                 O diretor do Ipea para estudos de políticas do estado, das instituições e da
                 democracia, Alexandre de Ávila Gomide, divulga o Comunicado 128 - 
                 A Nova Lei de Diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana/
                 Foto: Elza Fiúza/ABr

O desenvolvimento sustentável é uma das principais premissas da Política Nacional de Mobilidade Urbana, segundo comunicado recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 
 
Sancionada no dia 3 de janeiro, conforme noticiou o EcoD, a lei fundamenta-se no artigo 21 da Constituição Federal de 1988, que atribui à União a responsabilidade de instruir as diretrizes da política de desenvolvimento urbano e para os transportes urbanos.

“A nova Lei não é contra a posse do automóvel, apenas pretende que o seu uso seja feito de forma sustentável”, destacou o diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest), Alexandre de Ávila Gomide, durante a apresentação do Comunicado do Ipea nº 128 – A Nova Lei de Diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana.

A nova regulamentação busca à modernização do marco regulatório dos serviços de transportes públicos e a defesa dos interesses dos usuários dos serviços de transporte coletivo. Ela traz, entre suas principais medidas, a exigência que todos os municípios acima de 20 mil habitantes elaborem seus planos de mobilidade urbana. Além disso, ficam obrigados a divulgarem os impactos, no valor final das tarifas, dos benefícios tarifários concedidos.

Outro ponto previsto pela lei é a mudança do regime econômico e financeiro das concessões de transporte coletivo, além da disponibilização de instrumentos de racionalização do uso dos automóveis, como a restrição e controle de acesso e circulação em locais e horários predeterminados.

A fixação apenas dos valores máximos das tarifas de táxi é outro ponto que chama a atenção na lei. Os motoristas desse tipo de transporte podem, a partir de agora, estabelecer o desconto que desejarem aos seus clientes e não somente o determinado pelo Poder Público, como por exemplo, os 30% praticados atualmente no Distrito Federal.

Desafios da lei
Alexandre Gomide citou alguns desafios para a efetivação da lei. “A lei também deixou de falar em quem vai financiar a gratuidade dos benefícios”, observou o pesquisador, ressaltando que da forma que está, com raras exceções, a operação do transporte público continuará a ser inteiramente financiada pelos recursos arrecadados na cobrança de tarifas.

Embora admitindo avanços, com o reconhecimento da existência de desigualdades no uso do espaço público e da geração de externalidades negativas por determinados modalidades de transporte, Gomide alertou para o fato de que a lei é insuficiente para garantir a sustentabilidade das cidades. 

“É necessário engajamento político dos atores sociais e a capacitação do Poder Público, sobretudo do municipal, que terá que adequar e implementar as diretrizes e instrumentos da lei à realidade de suas cidades, para fazer a lei pegar”.

Fonte: www.ecodesenvolvimento.org.br

Moda e Sustentabilidade - Pólos de moda expõem na Casa Firjan da Indústria Criativa




Treze polos do Rio apresentam no Rio-à-Porter suas coleções a compradores e lojistas nacionais e internacionais.

Para divulgar a capacidade produtiva e criativa da indústria da moda do estado, o Sistema Firjan apoia, através do Senai Moda e Design, a participação dos polos de moda no Rio-à-Porter, que nesta edição do Fashion Rio acontece na Casa Firjan da Indústria Criativa, em Botafogo.

Hoje, o Rio possui 13 polos que reúnem cerca de quaro mil empresas de confecção. O setor gera 55 mil postos de trabalho e, considerando toda a cadeia produtiva, mais 90 mil empregos indiretos. Outros setores ligados a atividade como as indústrias têxteis, de calçados e de joias somam cerca de 600 empresas, que geram mais dez mil empregos em todo o estado.

A cada estação os polos se renovam para ganhar visibilidade e gerar negócios que contribuem para o seu crescimento e sustentabilidade

No salão de negócios, as coleções são apresentadas a compradores e lojistas do e do exterior. A experiência no Rio-à-Porter contribui para o amadurecimento de produtos e empresas.




Moda São Gonçalo - A região conta com aproximadamente 200 empresas formais, com produção de jeans, moda praia, moda íntima, surfwear e casual, gerando mais de dois mil empregos diretos. O grupo composto pelas marcas Suspirar, [www.suspirar.com.br] da empresária Célia Martins traz a beleza das aplicações, das rendas, pinturas, traz uma linha na cor preta com muito brilho para àquelas noites e até dias um pouquinho mais frios, “já que o brilho vai continuar liberado na próxima estação”, afirma a expert Célia. Também no estande a L. Santii, Usina, Sandra Bijoux e Due aposta que a moda é muito mais que peças de roupa e pode ter ligação com responsabilidade ambiental e social. A L. Santti, por exemplo, trabalha com reaproveitamento de couro para cintos e braceletes. Já a Usina, marca de bolsas, trabalha com lona ecológica e madeira de reflorestamento, em versões de couro, e o lindíssimo pied-de-poule . Além disso, as marcas fazem parceria com cooperativas de bordados da região.




Moda Niterói - cSão aproximadamente 100 confecções, que geram cerca de 900 empregos diretos. A produção de Niterói é diversificada e multissetorial, com empresas de moda feminina, masculina, praia e esporte, além de acessórios em couro, calçados, bolsas, joias, bijuterias e ainda ateliês de customização e alta costura. Destaca-se com empresas artesanais, desenvolvendo marcas próprias e coleções autorais.

O polo de Niterói leva ao Rio-à-Porter as marcas Daniela Curvelo [ bijuterias com couro de tilápia e pedras, em versão super colorida], Patuá, Cotton de Fadas e Simone Gabotto [ uma coleção inspirada nas fadas, magos, guerreiros, com o brilho dos cristais contrastando em materiais da natureza]. No espaço, estampas elaboradas com base em células do corpo humano são o enfoque da Cotton de Fadas. A estilista, Cristina Daher, usou células sanguíneas e de tecido adiposo para elaborar estampas, coloridas em tons de vermelho, amarelo, verde e roxo e versões pixeladas. Já a Patuá traz bolsas com estamparias que remetem a viagens pelo mundo, tendo como referências países da América do Sul. “Hoje o diferencial é sair do lugar comum, o que vai marcar a competitividade frente ao mercado mundial é o design”, aponta a estilista e empresária Thatyana Amorim.

A coleção traz um look moderno e ousado que confere às peças possibilidades ilimitadas de uso. Na cartela de cores os tons sóbrios como camela, cana, grafite e café, mesclados com cores vibrantes, com destaque para o vermelho, bordô e violeta. Enfim, bolsas frasqueiras, mochilas e chapéus confeccionados em couro píton, camurça e tecidos tramados, ditam o clima diurno sem fazer feio à noite, enquanto que o uso de correntes e do couro de tilápia, garante às peças o diferencial cosmopolita necessário à agitação noturna.

A Patuá aposta nos dias frios, mas como todo clima tropical, -períodos quentes que permeiam o inverno brasileiro.[www.patuabolsas.com.br].

Moda Noroeste - Conta com cerca de 150 empresas e compõe um APL (Arranjo Produtivo Local) no Noroeste Fluminense, que gera aproximadamente 1.500 empregos diretos. Tem como parceiros o Sindicato das Confecções de Roupas no Noroeste do Estado do Rio de Janeiro (Sincronerj) e o Senai Moda e Design.

A proposta do polo é apresentar roupas com design próprio, levando em conta que o forte da região é o segmento de lingerie noite. Nesta edição o polo será representado pelas empresas Laços, Doces Sonhos, Solar Somar e Mixer Atelier, que vão trazer uma coleção inspirada na Copa do Mundo, pela proximidade com o evento de 2014 que o Brasil irá sediar.



Moda Lingerie, Praia e Fitness de Nova Friburgo e Região - Um ano depois da tragédia das enchentes em Nova Friburgo, o polo de lingerie, com 25% do mercado nacional, mostra que deu a volta por cima com mais foco, profissionalismo e originalidade. Tido como o maior polo de lingerie do país, com forte produção em fitness, o polo também produz também moda praia. Conta com cerca de 900 confecções, que geram mais de 10 mil empregos diretos. Nova Friburgo também tem foco na exportação e vende seus produtos para o Mercosul, União Europeia, África, Oriente Médio, Japão e Estados Unidos.

O Polo, que investe na qualidade da matéria-prima e do acabamento, traz para o evento seis empresas: Tardene Lingerie, Dianrus, Lucitex, Lana & Lena, Fragille Lingerie e Pixota.

A Tardene apresenta uma coleção inspirada nas Pin-ups, a grife que sempre traduz todo glamour da época para sua coleção e mais vez vem inovar e despertar na mulher ao desejo de ser única e totalmente atual. Fantasia e sedução em cores que vai do branco, preto, coloridos, rosas vibrantes e os vermelhos magníficos. [www.tardene.com.br]

Renata Alves, do Sindicato das Indústrias do vestuário de Nova Friburgo e Região (Sindvest) lembra que a união dos governos federais, estaduais e municipais, entidades como a Firjan, Sebrae/RJ, sindicato e uma grande força da população em prol da recuperação econômica da cidade está a cada dia fortalecendo a autoestima destes empresários da moda que estão na luta para se recuperar da catástofre trazida pelas fortes chuvas no ano passado.

Moda Sul Fluminense - Reúne mais de 100 médias, pequenas e microempresas. São ateliês, confecções, facções e lavanderias que, juntas, empregam quase duas mil pessoas. Além do jeans, principal produto da região, outros segmentos se destacam, como a moda praia, fitness, lingerie dia e noite, moda infantil e alta costura produzida pelas famosas bordadeiras de Barra Mansa.

O Polo de Moda Sul Fluminense vai participar do salão de negócios com as empresas Amparo Brasil (Barra Mansa), Lugar de Arte (Valença), Maria-Fia (Barra do Piraí), Penduricalho (Valença) e Pitaya Rosa (Volta Redonda), que trazem coleções inspiradas no tema “Memórias Urbanas”, com peças modernas e irreverentes, sempre acompanhadas do toque artesanal, marca registrada das empresas da região. As coleções, desenvolvidas com o acompanhamento do Senai Moda, terão peças que enobrecem a qualidade de vida no interior. São coleções que valorizam a beleza feminina através de aplicações, bordados, correntes, laços, rendas, pinturas à mão, pingentes e diversos tecidos. Os detalhes das peças são ressaltados por diversos tons de amarelo, azul, bege, marrom, rosa, roxo, vermelho e verde.

Moda Petrópolis - O Polo de Moda de Petrópolis é composto atualmente por cerca de 400 indústrias formais que, juntas, produzem 100 milhões de peças por ano e representam 14% do PIB petropolitano. São mais de cinco mil empregos diretos em toda a cadeia produtiva, da fabricação até a comercialização de roupas e acessórios. Artti Rio, Branca Maria, Calabrote, Cola Colorida, Off Rio, Vestire, Thiamo Malhas e Water Color são as grifes que representam a moda de Petrópolis nesta edição. Nos 40 looks de cada marca vão predominar as misturas de tecidos e recortes. O tema escolhido - Nuvem Cigana - segue a tendência mundial de revalorização da liberdade, misturando o tempero étnico ao estilo gipsy. As coleções trazem detalhes típicos dos anos 60 e 80, como brilho e cortes em linha reta, tudo adaptado aos tempos atuais, malhas trabalhadas, pedraria, renda, couro, a mistura de tricô com malha ou tecido plano, em cores que variam do cinza chumbo às terrosas.

Moda Cabo Frio - O Polo, especializado em moda praia, é composto por 40 empresas, que empregam aproximadamente 200 funcionários. O Polo de Moda de Cabo Frio, composto pelas marcas Azaí Biquinis, Ki-Biquini, Monica Krexa e JS Design Sustentável, traz a coleção “Mistura Urbana”, unindo o relax e a simplicidade da praia à complexidade e diversidade da cidade. A JS Design Sustentável leva as ecojoias feitas de canudo de papel de cestaria e o rolinho de papel de revistas, panfletos e papel natural pintado à mão. Já a designer Monica Krexa leva joias que são verdadeiras obras de arte feitas em alumínio e surpreendem pela leveza e durabilidade, além do brilho e textura.

Moda Campos - É formado por 50 empresas, e entre elas 90% são microempresas. São confecções que produzem, principalmente, moda feminina, empregando mais de 500 pessoas. As marcas IN LOVE Fashion Tees, Angela Bechara, Lafibrunn, Donna Onça e CHE vão representar o polo de Campos. Os modelos surgiram “costurando ideias”, tema da coleção. O brilho, misturado à rusticidade do linho, bordados e rendas, fez uma coleção que emociona não apenas pelo conjunto, mas por cada peça, pois cada uma é um universo de sonhos que vem se juntar à história de quem vai vestir. Vestidos, blusas amplas, saias e calças passearam pelos tons de preto, branco, vinho, verde e tons terrosos. No bordado foram muito mais longe: brilhos sobrepondo organza e plissado, tule, rendados e transparências. Além disso, a Dona Onça traz bolsas usando materiais reciclados que abusam do glamour.

Moda Rio - Só o município do Rio de Janeiro abriga cerca de mil empresas, que empregam mais de 20 mil pessoas. Nesta edição o polo será representado pela marca SKN, que tem como origem as marcas Howard e HD, pertencentes a empresa Comércio e Indústria de Tecidos Simões Ltda., que está no mercado desde 1972. A SKN apresenta um produto jovem e atualizado, com qualidade e custo baixos.

Moda Carioca de São Cristovão - Existe há três anos e foi o primeiro polo metropolitano do estado. O grupo conta com 70 empresas participantes que empregam diretamente mais de três mil pessoas e são atendidas por 800 fornecedores e prestadores de serviços terceirizados.

Pela sexta vez consecutiva o Polo de Moda Carioca de São Cristóvão participa do salão de negócios do Fashion Rio. Nesta edição contará com cinco participantes – Primordio, Tricot Store, Complexo B, Retalhos Cariocas e Motta Carvalho Acessórios de Moda – que levarão inovações que aliam design de moda e sustentabilidade. A utilização do tricô é uma das marcas registradas do polo.

Calçados e Acessórios - É formado por mais de 50 empresas, a maioria dedicada aos calçados. As empresas, na maior parte de pequeno porte, geram cerca de mil empregos. Produtos artesanais e diferenciados de grifes são produzidos neste polo. Na edição do Inverno 2012, o Polo de Calçados e Acessórios do Rio de Janeiro estará representado pelas empresas Badulaques, Thereza e Paula Lino, Dayrell, DonaDeQuê, Longhi, Metal e Cia, Tai Daí, Miarte e Zóia. Neste inverno o clássico chique vem com um toque moderno, mas pérolas continuam dando o ar da graça.

As misturas de cores e texturas simbolizam a miscigenação cultural; já os tons neutros representam culturas ou grupos mais tradicionais. Peças rústicas com ar e cores da natureza podem se apresentar grandes e ousadas ou com uma leveza incrível de rendas e plumas. Os materiais empregados variam do couro liso e texturizado a tecidos rústicos, finos, rendas, tressês, barbantes e bordados. Materiais inusitados, como cápsulas de alumínio de Nespresso recicladas, sacos de lixo crochetados, tampinhas de refrigerante banhadas, cerâmica plástica e rolhas mostram a originalidade destes acessórios.


Têxtil do Rio - O Polo Têxtil do Estado do Rio de Janeiro tem forte tradição no mercado nacional na fabricação de tecidos de algodão, malhas, mistos e sintéticos, sedas, rendas, bordados, linho e passamanarias, além de não-tecidos para o ramo de limpeza. O polo atende a um grande segmento do setor de confecções e vestuário em geral. As melhores grifes e fábricas do país, pela reconhecida qualidade e gama de variedade de seus produtos, adquirem seus tecidos das indústrias têxteis fluminenses. O Polo é formado por cerca de 400 empresas e gera cerca de oito mil empregos.

Nesta edição o Polo será representado pela marca HAK, especializada em aviamentos, e pela Fábrica de Tecidos Bangu, que atua no segmento de moda e decoração há mais de 100 anos e vai apresentar a Coleção Renaissance no Rio-à- Porter. A coleção traz finos tecidos de algodão e seda com suaves e versáteis acabamentos e estampas exclusivas, além da possibilidade de recoloração do enorme acervo de desenhos.


Jóia Carioca - O setor joalheiro no Rio de Janeiro conta com aproximadamente 100 empresas de fabricação de joias e bijuterias, que geram cerca de dois mil empregos diretos. A capacidade produtiva dessas grifes está pronta para desenvolver parcerias com o setor de moda, interessado em criar coleções exclusivas, além de investir na venda no atacado de suas coleções próprias. O APL Jóia Carioca irá levar para o Rio-à-Porter as marcas Joyá, Marcela Costa, Spariam, Marcia Mor Fashion Jewelry, VYX Ipanema, Arte Coletiva by Silvia Blumberg, Telma Camargo, África Universal e Vanessa Scherer, investindo em designs do rústico ao chique e na mistura de cores e de materiais modernos, como resina. 

Um dos destaques é Silvia Blumberg, que vai apresentar peças da coleção “Salada Carioca: Alquimia, Sustentabilidade e Joalheria. 

Seu diferencial são as joias sustentáveis criadas com o reaproveitamento de cimento dos canteiros de obras cariocas, pedras preciosas e tingimento natural à base de sumo de beterraba e espinafre. Já a marca Spariam apresentará a coleção “Bossa”, inspirada na Ipanema de 1960 e no movimento da bossa nova. A designer Patrícia Sparano cria as joias com prata, resina, serragem e tecidos.

.[O Rio-à-Porter acontece até sexta-feira [13/01], das 10h às 20h, e dia 13 das 10h às 17h, na Casa Firjan da Indústria Criativa, em Botafogo, Rua São Clemente 213-Botafogo, Rio de Janeiro]. 

Fonte: Portal Fator Brasil

Por habitações mais sustentáveis


Clarice Degani, especialista em sustentabilidade do Secov-SP. Foto: DiárioNet
Clarice Degani, especialista em sustentabilidade do Secov-SP
Foto: DiárioNet


Não é de hoje que a humanidade busca o desenvolvimento. Ele é objetivo das diversas pesquisas do meio acadêmico e, embora de modo e proporções diferentes, também é anseio dos cidadãos comuns. 
 
Por desenvolvimento, pretende-se garantir e aperfeiçoar as condições de vida dos seres humanos, buscando muito mais do que o atendimento de suas necessidades básicas de alimentação e abrigo, mas provendo-os de boas condições de conforto e saúde e permitindo uma amplitude das opções de trabalho, educação, lazer e cultura.

Por perceber as consequências negativas nas cidades e nos ecossistemas decorrentes do desenvolvimento a qualquer custo, o termo sustentabilidade aparece nos debates desencadeados em fóruns mundiais, para que este ocorra por meio de tecnologias menos impactantes, partindo de novas ideias, de novas práticas e de novas posturas.

E como novas práticas e novas posturas começam dentro de casa, percebe-se a importância de considerar estas questões de sustentabilidade nas próprias habitações que abrigam os cidadãos e compõem o cenário das cidades, independente de estarem inseridas em meio urbano ou rural, ou de pertencerem a pessoas com maior ou menor poder aquisitivo.

Mas o que seriam habitações mais sustentáveis para todos?

Primeiramente, esquecer os modelos. Fixar modelos, por si só, já é uma atitude insustentável, pois permite incoerências com os diferentes contextos em que as habitações podem estar inseridas, com a diversidade cultural das pessoas que nelas irão habitar e com os diversos orçamentos disponíveis.

Também é importante sinalizar os benefícios de uma habitação mais sustentável ao longo do tempo, os quais poderão ser percebidos diretamente pela redução das despesas no consumo de água, energia elétrica e gás e nas atividades de conservação e manutenção. Esta redução de despesas pode ser obtida de diversas maneiras, sem necessariamente exigir grandes investimentos, mas sempre partindo de planejamento, gestão e comprometimento dos usuários na utilização das unidades habitacionais. São boas práticas:

- Instalação de luminárias e lâmpadas mais eficientes.

- Dimensionamento e distribuição adequada dos circuitos de tomadas e pontos de luz.

- Entrega (ou orientação para a aquisição) de eletrodomésticos com altos níveis de eficiência energética e certificados pelo PBE do Inmetro (em habitações de baixa renda).

- Instalação e posicionamento adequado de esquadrias de modo a permitir a passagem de luz durante o dia.

- Aquecimento da água, sempre que possível, por meio de energia solar térmica - buscando as melhores soluções considerando a demanda de cada habitação (banho, lavatórios, pias de cozinha, piscinas) e as superfícies disponíveis de exposição ao sol.

- Uso de sistemas de apoio a gás também como alternativa ao uso da energia elétrica da concessionária, contribuindo para a redução da demanda urbana no horário de pico.

- Instalação de dispositivos economizadores de água, garantindo menores vazões, maior durabilidade dos mecanismos e facilidade para a detecção de vazamentos.

- Instalação de dispositivos e medidores setorizados que permitam aos gestores prediais e aos condôminos o monitoramento dos consumos de energia elétrica, água e gás.

- Uso de fontes alternativas de água sempre com o cuidado de evitar a contaminação das redes e garantir a constância da realização correta dos tratamentos das águas ao longo dos anos de uso das habitações (a princípio, a captação de águas de chuva para uso em irrigação e na lavagem de pisos externos é uma boa opção; também o aproveitamento das águas servidas de tanques e máquinas de lavar roupa para a lavagem de pisos externos). 
 
Todos os modos de reuso de água devem ter sua oferta e demanda avaliados, assim como o aculturamento dos usuários dos sistemas, de modo a garantir que esta economia no uso da água potável não cause problemas à saúde humana.

Além da potencial redução de despesas operacionais, as habitações mais sustentáveis também devem proporcionar melhores padrões de conforto e saúde aos seus usuários.

Em termos de conforto térmico, por exemplo, sabe-se que os padrões podem variar bastante conforme o poder aquisitivo das pessoas e, portanto, também variam as soluções de projeto e a especificação dos materiais de construção. Mas de modo geral, independente do orçamento, é possível fazer boas escolhas para os sistemas de vedação externa, para a configuração das lajes de cobertura, telhamentos e dispositivos de sombreamento, obtendo da própria arquitetura as condições térmicas interiores satisfatórias e compatíveis com as condições climáticas locais.

Já em se tratando de conforto acústico, muito ainda é preciso ser desenvolvido em termos de soluções para esquadrias, vedações internas e revestimentos de piso, sendo este não apenas um problema observado em habitações de baixa renda, mas também atingindo os diversos padrões, em maior ou menor grau, conforme o nível de exposição ao ruído.

Quando o tema é saúde, deve-se garantir nas habitações bons padrões de ventilação, proporcionados por pés direito altos e adequado posicionamento e configuração das esquadrias e outros pontos de tomada de ar, além de revestimentos de piso e parede que possibilitem fácil higienização, evitando acúmulo de poeira e contaminantes.

Em termos de investimento, entende-se que em cidades com condições climáticas mais severas ou com maior nível de exposição ao ruído ou poluição, são necessários mais recursos, sendo estas questões a serem aperfeiçoadas para garantir conforto e salubridade ótimos em habitações de pessoas de baixa renda. 
 
Do mesmo modo, as soluções em esquadrias surgem como um ponto frágil quando se trata de disponibilidade no mercado brasileiro e custos, pois são elementos fundamentais nas habitações, garantindo isolamento, estanqueidade e flexibilidade de usos nos diferentes horários do dia e condições climáticas.

De qualquer forma, com planejamento e boa arquitetura é perfeitamente possível obter-se habitações mais sustentáveis sem grandes investimentos adicionais, culturalmente aceitas e operáveis, ambientalmente menos impactantes e que contribuam para a criação de uma sociedade mais justa e igualitária em termos de uso dos recursos.

Clarice Menezes Degani é engenheira especialista em sustentabilidade e assessora da vice-presidência de Sustentabilidade do Secovi-SP.
 

Avon, Nokia e Coca-Cola fortalecem marcas com ações sociais

Empresas constroem atividades que beneficiam a população brasileira e transmitem valor para os consumidores. Estratégias são focadas no apoio a programas para melhorar a educação

Por Letícia Alasse, do Mundo do Marketing 

A responsabilidade social passou de um tema bastante discutido no meio corporativo para ser incorporado em estratégias de grandes companhias. Empresas como Avon, Nokia e Coca-Cola já colocaram a prática em sua estratégia de Marketing para fortalecer suas marcas e agregar valor a produtos e serviços, ao mesmo tempo em que promovem benefícios para as comunidades em que estão inseridas e contribuem para o desenvolvimento da população.

Caminhando nesta direção, as companhias desenvolvem programas de sustentabilidade, investem em institutos de ensino e levam ainda o conceito de negócios sociais para dentro da gestão, buscando inovação na categoria e mais consumidores engajados. A Fundação Nokia de Ensino, o Coletivo Coca-Cola e a campanha Avon contra o câncer de mama são exemplos de ações sociais que fazem parte das estratégias de sustentabilidade a longo prazo para os negócios das empresas.

Seguindo a lógica do bom desempenho e do lucro, a preocupação com os efeitos sociais e ambientais causados pelas indústrias não é mais apenas uma opção, mas uma determinação do mercado. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope Ambiental, em setembro de 2011, 70% dos consumidores já buscam informações sobre o engajamento das empresas com o tema.

 
Investimento em sustentabilidade
Para a difusão dessas ações, as organizações lançam mão do Marketing Social, ferramenta que auxilia na formação da imagem da instituição. Os investimentos em sustentabilidade colaboram na geração de mídia espontânea e atração e retenção de talentos profissionais, além de investidores e deduções fiscais.

O estudo do Ibope Ambiental, com 400 empresas, mostra que pouco mais da metade (52%) das empresas que praticam ações sustentáveis têm áreas distintas para a elaboração e execução dos projetos. Para efetuar os programas, 55% das companhias contam com a área administrativa, seguida pelo setor de RH/ Gestão de Pessoas (48%). Já o setor de Marketing/Comunicação é responsável em apenas 36% dos casos.

“Existem empresas que ainda estão dando os primeiro passos, mas têm outras que já entenderam o valor estratégico da sustentabilidade e trabalham bem o tema. De maneira geral, a nossa expectativa era que tivessem muito mais profissionais ligados à parte de Marketing do que realmente existem. As empresas estão planejando a questão dando prioridade ao valor estratégico e menos a sua imagem. Mas a imagem é importante, ela vai refletir as ações da empresa”, explica Shigueo Watanabe, Diretor Executivo do Ibope Ambiental, em entrevista para o Mundo do Marketing.

Envolvimento com a comunidade
Pensando em desenvolver iniciativas que melhorassem a vida de brasileiros de comunidades carentes, a Coca-Cola criou em junho de 2009 o projeto Coletivo Coca-Cola, que leva o modelo de negócio social para 69 localidades espalhadas nos estados de São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará, Alagoas, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Minas Gerais.

“O programa surgiu junto com o aumento da classe C no país. A marca sempre esteve presente nos lares destas famílias e queríamos fazer algo para retribuir o crescimento econômico da categoria no mercado. Então, percebemos que apesar da classe C ter hoje um poder de compra, ainda há vários problemas sociais a serem resolvidos. O projeto nasceu com o objetivo de realizar algo que gerasse mais oportunidades e otimismo para a população”, comenta Claudia Lorenzo, Diretora de Negócio Social da Coca-Cola Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A principal ferramenta do programa são os cursos de capacitação para pessoas da baixa renda, como design de embalagens recicladas, empreendedorismo familiar e técnicas para trabalhar no varejo. Com o modelo, a empresa estimula os participantes a entrarem no mercado de trabalho por meio das suas próprias qualificações. Em pouco mais de dois anos de ação, a Coca-Cola impactou 25 mil cidadãos e 30% dos jovens participantes do curso de varejo já conseguiram um emprego.

Até 2014, a empresa pretende atingir 400 mil pessoas por meio do método de capacitação. “Quanto mais o conceito de negócio social crescer, conseguiremos massificá-lo. O objetivo é transformar a vida das pessoas e expandir o conceito para outras companhias. Afinal, se podemos fazer, outras empresas também podem realizar projetos semelhantes e passar o exemplo adiante”, declara Claudia.



Gerando crédito para a empresa

Além do projeto Coletivo, a marca de refrigerantes possui outras atividades ligadas ao meio social. Os programas Valorização Jovem (1999) e Educação Campeã (2005), em parceria com o Instituto Ayrton Senna, visam à diminuição da evasão escolar e do índice de reprovação nas escolas onde atuam. Já o projeto mais antigo da empresa, o “Reciclou, Ganhou”, de 1996, segue ajudando cooperativas de reciclagem pelo país. Hoje o número chega a 259 de grupos beneficiados, que recebem consultoria sobre logística e gerenciamento da Coca-Cola.

Todas as ações da companhia buscam transmitir otimismo para os consumidores, corroborando com um dos seus principais slogans, “Abra a felicidade”. Para todas as empresas é importante repercutir os valores da marca por meio de suas atividades. A Avon, há quase 10 anos, passa a mensagem de preocupação com a mulher para os consumidores brasileiros, desde a luta pela sua independência financeira à autoestima, por meio dos seus projetos sociais, como o Avon Contra o Câncer de Mama e o Fale Sem Medo – Não à violência doméstica.

Durante o ano, a empresa de cosméticos também lança coleções de camisetas e outros produtos que têm os lucros revertidos para o Instituto Avon Brasil, além de organizar eventos para divulgar as causas defendidas pela companhia, como o Outubro Rosa. “Estas iniciativas representam a possibilidade de contribuir para mudanças importantes na sociedade, salvar vidas e fortalecer pessoas. Em cada campanha há pelo menos um produto voltado para arrecadação, quem usa a marca sabe que está contribuindo para essas ações”, relata Kátia Gianoneda, Diretora de Comunicação da Avon Brasil, em entrevista ao portal.

Desde 2003, quando foi criado no Brasil, o Instituto Avon arrecadou R$ 37 milhões. Deste total, R$ 25,4 milhões foram destinados para a prevenção do câncer de mama e R$ 3,5 milhões para a campanha pelo fim da violência doméstica, até maio de 2011. Com os investimentos foram realizadas mais de um milhão de mamografias e cerca de 164 mil ultrassonografias. Foram desenvolvidos ainda três centros de prevenção em hospitais do SUS, beneficiando mais de 1,7 milhão de mulheres.

Diálogo com os consumidores

 
Os resultados positivos apresentados pelas companhias conseguem impactar muito além dos participantes das ações. Os consumidores estão atentos aos movimentos da empresas e as iniciativas de benefícios sociais são um grande passo para a conquista de novos públicos. Segundo a pesquisa do Ibope, as principais atividades desenvolvidas pelas empresas são de apoio a programas para melhorar a educação na sociedade e em comunidades (92%).

Alinhado aos planos corporativos, a Nokia tem atualmente como seu principal investimento social a Fundação Nokia de Ensino, há 14 anos em posse da companhia, na região de Manaus. O centro educacional é voltado para o ensino médio técnico e visa suprir a carência de mão de obra da região. A Fundação possui cerca de 800 estudantes e 70% das vagas são destinadas para alunos da baixa renda.

“Muitos alunos da escola acabam trabalhando na própria Nokia, mas também fornecemos mão de obra para as concorrentes. Há ainda um curso pós-médio para os funcionários que querem crescer na empresa. Nossa escola foi classificada como a oitava melhor instituição técnica do Brasil”, conta Jô Elias, Coordenadora de Comunicação da Nokia, em entrevista ao portal.

A Nokia aposta ainda em pequenas ações que contribuem para o dia a dia dos seus consumidores, como pontos de coleta de aparelhos usados, acessórios e baterias em 273 locais pelo Brasil e mais de cinco mil em todo o mundo. Com 4,8 bilhões de usuários, a empresa exibe também em todos os seus aparelhos celulares uma mensagem para os clientes tirarem da tomada o carregador após completar a bateria e economizar energia.