Na medida certa para hotéis

Fonte: Ambiente Energia 

Brasil - A busca por práticas sustentáveis para reduzir o consumo de energia e a segurança do fornecimento energético são, hoje, pontos vitais em qualquer setor. 

Na indústria hoteleira a combinação perfeita dos ingredientes cogeração e eficiência energética torna-se crucial para quem tem que fazer uso intensivo na iluminação dos ambientes, no sobe e desce de elevadores, em bombas hidráulicas, no aquecimento de água e na refrigeração, por exemplo.


Os hotéis de todos os portes, além das pousadas, têm na cogeração a gás natural uma alternativa eficiente e segurança para garantir a entrega de conforto, comodidade e bons serviços para os hóspedes. E, melhor, com economia na conta de energia e livre das falhas da rede de distribuição.

As vantagens da mistura de cogeração e eficiência energética estão no foco do 1º Fórum de Cogeração e Eficiência Energética para o Setor de Hotelaria, que a Associação Fluminense de Cogeração de Energia (Cogen-Rio) e o Portal Ambiente Energia promovem, no dia 8 de dezembro, no Rio de Janeiro.

“Esta é, para os hotéis, uma possibilidade para ter eficiência no uso da energia e também segurança no seu fornecimento, evitando as falhas da rede de distribuição”, comenta Osório de Brito, diretor-superintendente da Cogen-Rio. “Estas são duas grandes vantagens para o uso da cogeração de energia nos hotéis”, reforça o especialista, destacando o uso intensivo que os hotéis fazem em iluminação, uso de elevadores, bombas hidráulicas e restaurante. O fórum vai abordar os seguintes temas: o emprego da cogeração no setor hoteleiro; o papel da cogeração para o planejamento energético do país; os caminhos do financiamento via ProCopa; a concepção de um projeto de unidade de cogeração; a implementação de uma unidade cogeradora; cogeração de pequeno porte – emprego em pousadas e hotéis pequenos e médios; cogeração para grandes hotéis, com cases de sucesso.

O evento também terá, na parte tarde, uma visita técnica a uma instalação de cogeração no Rio de Janeiro, com a demostração do funcionamento dos equipamentos voltados para cogeração no setor de hotéis. O objetivo é permitir que o participante concilie o conteúdo do fórum com uma experiência de ver, na prática, o funcionamento de uma unidade cogeradora.

Serviço

Fórum de Cogeração e Eficiência Energética para o Setor de Hotelaria
Data: 08 de dezembro de 2011
Local: Windsor Excelsior – Copacabana – Rio de Janeiro
Informações: (21) 3872-0355

Guia do Greenpeace traz marcas de eletrônicos que são sustentáveis

SÃO PAULO - Após cinco anos, o Guia de Eletrônicos Verdes do Greenpeace chega à sua nova edição "mais criterioso", como define a organização. "Melhor para as empresas que assumem e honram seus compromissos ambientais, pior para aquelas que só fazem promessas", aponta.

E melhor também para os consumidores, que encontram um guia para auxiliar suas escolhas de produtos eletrônicos mais sustentáveis.




Para figurar no topo da lista, os fabricantes de equipamentos eletrônicos precisam demonstrar que seus produtos não contêm substâncias químicas perigosas à saúde humana e ambiental, assim como comprovar práticas de redução de emissões de carbono, por meio de planos de limpeza da matriz elétrica das empresas.

"O ciclo de vida dos equipamentos é avaliado desde o conteúdo de suas embalganes - papel proveniente de desmatamento ilegal, nem pensar - até o sistema de reciclagem praticado pelas marcas", explica o Greenpeace. Assim, eles chegaram ao ranking demonstrado na tabela abaixo:

EmpresaNota (*)

HP 5.9

Dell 5.1

Nokia 4.9

Apple 4.6

Philips 4.5

Sony Ericsson 4.2

Samsung 4.1

Lenovo 3.8

Panasonic 3.6

Sony 3.6

Sharp 3

Acer 2.9

LG 2.8

Toshiba 2.8

RIM 1.6

Fonte: Guia de Eletrônicos Verdes / Greenpeace
(*) A pontuação máxima era dez


Avaliação do ranking
"Nesta edição, o Greenpeace parabeniza HP, Dell e Nokia, as três primeiras colocadas, e condena grandes como Toshiba e LG, na lanterna", diz a entidade.

A multinacional americana HP lidera o ranking, por conta dos esforços em rastrear a cadeia produtiva de seus fornecedores e do programa efetivo de medição de emissões de carbono. Após amargar o 10º lugar, a também americana Dell chega ao 2º lugar e prova que está a caminho de eliminar substâncias maléficas de suas linhas de computadores, como o PVC.

Ambas as companhias são as únicas a zerarem o desmatamento ilegal do papel de suas embalagens. "A Dell, no entanto, peca em políticas mais efetivas de reciclagem de seus produtos em países onde não há legislação específica".

Já a Nokia, campeã desde 2008, caiu para a 3ª colocação, por falta de estratégias de redução de consumo de energia, seja com eficiência energética, seja com aumento do uso de renováveis. Na sequência, a Apple subiu algumas posições com melhorias em seus equipamentos, mas somou poucos pontos em energia.

Entre as últimas colocadas, no entanto, LG e Toshiba não fizeram bonito em quesito de energia, enquanto que a canadense RIM, fabricante de celulares Blackberry, é nova no ranking.

Estímulo
Para o integrante da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo, "ao incorporar o critério de uso de energia nos processos produtivos, o novo Guia de Eletrônicos mensura o impacto ambiental proveniente de emissões de gases de efeito estufa e outros poluentes".

E ele ainda acrescenta: "O resultado final serve como motivação para que empresas equacionem este problema, adotando cada vez mais medidas de eficiência energética ou mesmo geração de energia renovável em suas unidades produtivas".

Unilever é a empresa sustentável do ano, segundo a revista Exame




Fernando Fernandez ao lado de Alexandre Caldini, na premiação do Guia EXAME Sustentabilidade l Foto: Egberto Nogueira/imafotogaleria


















Em cerimônia realizada na última quarta-feira (9) na Fundação Maria Luísa e Oscar Americano, em São Paulo, a Unilever venceu o prêmio de Empresa Sustentável de 2011. O título foi conferido pela revista EXAME, que anunciou no evento as 21 empresas-modelo em prticas sustentáveis e responsabilidade corporativa.



A companhia tem uma meta clara para os próximos anos: expandir o conceito de sustentabilidade para produtos de consumo de massa.

“Já somos sete bilhões de pessoas em um mundo finito. Se quisermos reduzir nosso impacto ambiental e a pressão sobre o planeta, precisamos inserir a inovação no centro dos negócios”, afirmou Fernando Fernandez, presidente das operações da Unilever no Brasil.

Segundo ele, o exemplo de inovação mais recente foi o lançamento da versão líquida do sabão Omo que, por ser mais concentrada, já ajudou a economizar água e evitou a emissão de 130 mil toneladas de carbono da atmosfera. O objetivo da empresa agora é emitir em 2012 a mesma quantidade de dióxido de carbono que emitia em 2007 ou menos.

A lista é elaborada pelo Guia EXAME de Sustentabilidade, cuja 12ª edição chega no dia 24/11 às bancas. O anuário é o maior levantamento do tipo realizado no Brasil e utiliza a metodologia do Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Esta edição do Guia contou com uma nova categoria: pequenas e médias empresas (PME). O Laboratório Sabin, de Brasília, foi a PME mais sustentável de 2011.

Metodologia

Este ano, 224 empresas se inscreveram no Guia. Todas responderam um questionário de 126 questões desenvolvido pela FGV, que avaliaram quatro dimensões dos negócios: geral, econômica, social e ambiental. Passaram à segunda etapa as 158 empresas que responderam todas as questões. Após análise das respostas, foram selecionadas as 39 companhias com os melhores índices consolidados em todas as dimensões.

Essas companhias foram submetidas a uma checagem jornalística e depois avaliadas por um conselho independente formado por especialistas na área de sustentabilidade. Foi este conselho que elegeu as 21 empresas-modelo — sendo uma na categoria pequena e média empresa. Entre as selecionadas está a Empresa Sustentável do Ano.

Confira abaixo  a  relação  completa  das  empresa-modelo   em 

sustentabilidade de 2011:


Alcoa Alumínio S.A

Anglo American Brasil LTDA. — Unidade de Negócio Níquel

Aperam South America

Braskem

Bunge Brasil

Dow Brasil S.A

EDP Energias do Brasil S/A

Elektro Eletricidade e Serviços S.A

Embraco

Fibria

Grupo Fleury

Itaú Unibanco

Kimberly-Clark

Laboratório Sabin

Masisa Brasil

Mexichem Brasil

Natura Cosméticos S.A

Philips do Brasil

Grupo Promon

Suzano Papel e Celulose S.A

Unilever

Com informações da Revista Exame   Via Ciclo Vivo

Água Crystal com garrafa que pode ser torcida





A água Crystal, marca de águas da Coca-Cola Brasi, lançou no festival SWU, que aconteceu em novembro, em Paulínia (SP), a garrafa Crystal Eco. A garrafa Eco, também chamada decrushable, pode ser torcida pelo consumidor diminuindo assim em 37% o volume que ela ocupa, o que facilita bastante o transporte e a reciclagem.


Ela é produzida através do processo de sopro convencional, mas com pré-formas comcbase diferenciada, de modo que a distribuição e estrutura da garrafa garantam performance mecânica. A garrafa utiliza 20% menos PET que as versões anteriores e até 30% do PET feito a partir da cana de açúcar.

Ao mesmo tempo, a nova garrafa de Crystal também utiliza a tecnologia PlantBottle, na qual até 30% da matéria tem origem no etanol da cana de açúcar, e não no petróleo, reduzindo em cerca de 20% as emissões de dióxido de carbono.




No rótulo, a Crystal convida os consumidores a torcerem as embalagens após o consumo, o que reduz em 37% o volume das garrafas e facilita transporte e armazenagem das garrafas 100% recicláveis.




O lançamento da Crystal Eco conta com o apoio de entidades como o Instituto Akatu, a Conservação Internacional, a SOS Mata Atlântica e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), cujas marcas estão estampadas no rótulo da garrafa.

O Lorax – a melhor história ambientalista para crianças, agora em filme

POR REGINA SCHARF # EM DE LÁ PRA CÁ



Em março do ano que vem chega às telonas uma versão em 3D de um dos melhores livros sobre ambientalismo para crianças, “The Lorax”. 

Trata-se de um dos livros mais conhecidos de Dr. Seuss (Theodor Seuss Geisel na vida real), um autor infantil muito lido nos Estados Unidos mas quase desconhecido no Brasil, em parte porque suas histórias são cheias de rimas e jogos de palavras quase intraduzíveis.



Geisel, que viveu entre 1904 e 1991, escreveu e ilustrou 46 livros, que superaram a marca de 100 milhões de exemplares vendidos (embora alguns autores falem em meio bilhão). “The Lorax”, uma fábula sobre os impactos ambientais da industrialização desenfreada, foi publicado em 1971, quando esta discussão ainda engatinhava.

O filme está em fase de pós-produção nos estúdios da Universal Pictures e da Illumination Entertainment, sob os cuidados da equipe que produziu “Meu Malvado Favorito”, lançado no ano passado. Danny deVito empresta sua voz ao Lorax, uma criatura resmungona que luta para evitar que a sua floresta e todas as espécies que dependem dela sejam destruídas pelo ganancioso Once-ler.

Ao contrário de outros sucessos do autor (”The Cat in the Hat”, “Green Eggs and Ham”, “One Fish, Two Fish, Red Fish”), unanimemente amados nos EUA, “The Lorax” enfrentou e ainda enfrenta resistência. 

O setor madeireiro não gostou nada da forma como é retratado no livro e, no front oposto, alguns ambientalistas consideraram a figura do Lorax um retrato pouco simpático da militância. Entretando, a maior parte do movimento louva a história como um libelo que é eloquente sem ser chato.

O senso crítico e os temas afeitos à sustentabilidade são recorrentes na literatura de dr. Seuss. Numa de suas histórias mais conhecidas, “O Grinch” (que chegou ao Brasil em 200o em filme em que Jim Carrey interpreta o monstrengo que odeia o Natal), o autor ataca o consumismo enlouquecido.

Ficou com curiosidade? Veja aqui uma amostra do filme “The Lorax”:




Sustentabilidade - Pequenos Poderes

No topo da pirâmide empresarial, não parece tão difícil ganhar adesão para a chamada economia verde. O problema, agora, é convencer os outros 99%. A boa notícia é que começa a pipocar uma série de movimentos nesse sentido






É inevitável que, ao ouvir falar dos esforços que empresas de porte global como uma Nike ou uma Wal-Mart estão levando a cabo para tornar suas operações mais sustentáveis, o pessoal que há anos tem batalhado por um mundo melhor e mais equilibrado sinta um alívio danado no peito. (Leia mais sobre a conversão da Nike na entrevista “A grande virada“)

Chegar a esse ponto em que os vilões do passado começam a fazer publicamente o mea-culpa e a rever suas maneiras de atuar foi meio como escalar o Everest – um esforço extenuante e que parecia não ter mais fim. O problema de chegar ao topo da montanha é que ainda falta encarar a descida e – como qualquer bom montanhista sabe – é justamente essa a parte mais perigosa. No caso em questão, convencer e engajar o 1% que está no zênite do empresariado global provavelmente vai parecer uma barbada quando comparada ao desafio de envolver as incontáveis hordas de micros, pequenos e médios empresários nos outros andares da pirâmide produtiva.

Para se ter uma ideia mais exata do tamanho da encrenca, convém refrescar a memória. Publicada na edição de número 24 de Página22 – há menos de três anos, portanto –, a reportagem “Para fora da bolha” abriu justamente contando o causo do cacique Paulo Cipassé Xavante, que, depois de passar três dias inteiros escutando um bando de especialistas esmiuçar os riscos do aquecimento global e as entranhas do mercado de carbono em um seminário voltado para pequenos agricultores de Mato Grosso, levantou e perguntou o que exatamente era o tal do carbono com o qual aqueles brancos estavam tão preocupados.

Para os padrões urbanos, a dúvida do cacique é inconcebível, mas desnuda o tamanho do abismo sobre o qual será preciso saltar. Não que tenhamos de dar aulas de ciências básicas para todos. Mas, quanto antes perdermos a ilusão de que estamos todos na mesma página, tanto melhor!

GIGANTES EM NÚMEROS

Há nada menos que 5,8 milhões de micros, pequenas e médias empresas (MPME) espalhadas pelo Brasil, segundo o levantamento do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa 2009, publicado no ano passado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) – enquanto as grandes não somam 18 mil (O documento completo pode ser baixado no site dieese.org.br). E esses dados só contam as empresas formais. Há um número bem maior de micros, pequenas e médias escondidas sob a linha d’água da informalidade.

Juntas, empregam mais 17 milhões de brasileiros – 60% da força de trabalho do País – e respondem por um terço do PIB. Em outras palavras, se for mesmo para a tal economia verde que vai ser debatida na Rio+20 sair do papel, então, será preciso dar um jeito para que essa turma toda passe a levar a sustentabilidade em conta na hora de fechar negócio.

Logo de saída, é preciso ter em mente que esse grupo corta um dobrado só para ficar de portas abertas. Dados do Sebrae apontam que 31% das empresas naufragam no primeiro ano e 60% delas não chegam a completar o quinto aniversário. Não é de estranhar, portanto, que os empreendedores desconfiem de qualquer coisa que não ajude no caixa.

Superar essa reticência é um primeiro passo. “O empresariado pequeno e médio vive uma situação bastante difícil e ainda não despertou para a importância da sustentabilidade. A sobrevivência vem antes”, relata Milton Luiz de Melo Santos, que ocupa a direção da Nossa Caixa Desenvolvimento.


[1] A Agência de Fomento Paulista/Nossa Caixa Desenvolvimento foi criada em março de 2009 pelo governo do estado de São Paulo para estimular as pequenas e médias empresas paulistas com oferta de crédito em condições mais favoráveis. Apesar do nome, a agência não tem nenhuma relação com o banco comprado pelo Banco do Brasil em 2008

Não é que sejam ambientalmente insensíveis. “O empresariado não é diferente da sociedade. Se a sociedade reflete a temática ambiental, ele também”, pondera a empresária Eliana Pinheiro Belfort Mattos, atual diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

Atuando na área desde 1984, ela sabe que os empresários vivem em um mundo que parece um exercício ininterrupto e hipertrofiado do dilema do prisioneiro [2], que os obriga a serem pragmáticos e zelosos de sua competitividade. “Se ele tiver um resultado melhor ou se seus competidores estiverem adotando práticas sustentáveis, então ele também vai adotá-las”, diz.

[2] O dilema do prisioneiro é um cenário clássico da Teoria dos Jogos, na qual um jogador pode ganhar se escolher trair os demais jogadores, mas todos os jogadores podem ganhar ainda mais caso colaborarem entre si. O problema é que as decisões de cada jogador devem ser tomadas sem saber das escolhas dos demais

QUEBRANDO A INÉRCIA




É uma postura que cria uma armadilha do tipo “ovo e galinha” difícil de quebrar. “Há uma relutância grande de ser o primeiro, porque a sustentabilidade exige investimentos que não dão retorno imediato”, avalia o engenheiro britânico e consultor da Gestão Origami, Richard Wightwick. Mesmo reconhecendo que o empresariado é formado por gente disposta a correr riscos e em que “sempre aparece alguém esticando o pescoço para chegar na frente”, Wightwick acha que falta aos pequenos musculatura o suficiente para lançar tendências de mercado, e isso os inibe de tentar.


Após 30 anos de experiência na diretoria de bancos internacionais, Wightwick fartou-se do mundo das finanças. Apaixonado pelo tema da sustentabilidade, ele resolveu reorientar sua carreira e, durante o processo, acabou aceito em um programa de pós-graduação da renomada Universidade de Cambridge, onde pesquisou como as MPME têm se relacionado com as questões da responsabilidade social empresarial (RSE) e ambiental.

Wightwick tem dúvidas de que elas estejam aptas a liderar a transição em direção a práticas mais verdes. “Os pequenos não conseguem influir sobre as tendências do mercado. Nesse sentido, acho que sempre serão seguidores”, opina.

A gerente de sustentabilidade do Citibank no Brasil, Daniela Stucchi, aponta em direção parecida. Para ela, o cerne dessa questão está nas grandes empresas, porque são estas que detêm o poder de compra. “São os grandes compradores – como as corporações e os governos – que determinam o que será produzido e como”, afirma.

Pode ser que o empurrão que faltava para tirar as MPME do repouso esteja a caminho. Como a direção da Zara descobriu recentemente, ganha corpo a noção de que as grandes empresas têm responsabilidade sobre suas cadeias produtivas. 

“Os grandes compradores estão usando sua força financeira para movimentar sua cadeia da mesma forma como o Poder Público vem fazendo ao determinar que só fecha contratos com quem atenda a critérios de sustentabilidade”, explica a coordenadora do Programa de Consumo Sustentável do GVces, Luciana Stocco Betiol. 

Como prova disso, ela destaca que as empresas que fazem parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) [4] são incentivadas a desenvolver inovação e soluções juntamente com seus fornecedores. Mario Monzoni, coordenador do GVces, defende esse trabalho em conjunto como uma forma mais justa e equilibrada de operar, uma vez que o poder de barganha das grandes empresas em relação às pequenas é muito assimétrico.


[3] Em agosto passado, a grife de origem espanhola meteu-se em um escândalo quando várias das confecções que fabricam roupas da marca em São Paulo foram flagradas usando trabalho escravo de imigrantes bolivianos


[4] Índice criado pela BM&FBovespa composto exclusivamente de ações de empresas que atendam a determinados critérios de responsabilidade social e ambiental

A adesão de pequenos e médios negócios às novas práticas deve ser facilitada pela norma ISO 14005 brasileira, que permitirá a implementação de sistemas de gestão ambiental por etapas. Haroldo Mattos de Lemos, superintendente do Comitê de Gestão Ambiental da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Lemos é um dos principais nomes no processo para a definição dessa nova norma da International Organization for Standartization (ISO).

As grandes não estão fazendo isso de forma gratuita. No fundo, estão apenas repassando as cobranças que vêm recebendo dos consumidores por meio de sua cadeia produtiva. “Acho que essa é uma tendência irreversível. Só que é difícil dizer se ela está avançando a galope, trote ou se arrastando”, adverte Wightwick.

BASTÃO E CENOURA

É evidente que a mudança não se dará apenas na base da ameaça. A compreensão de que a sustentabilidade é importante está se disseminando rumo à base. “Vejo isso cada vez mais em conferências e congressos. Qualquer que seja o assunto, sempre tem uma palestra sobre sustentabilidade. Existe um enorme interesse sobre como isso afeta as empresas e vai chegar o momento em que isso vai estourar”, diagnostica Wightwick.

A mera expectativa de que a situação esteja chegando ao ponto de inflexão tem feito coisas interessantes acontecerem. Desde março de 2009, a Nossa Caixa Desenvolvimento possui a linha Economia Verde, que oferece crédito mais barato – 0,49% ao mês mais IPC – e prazos espichados para pequenas e médias empresas paulistas com projetos de redução das emissões carbono. A linha ainda não decolou: até o momento, os empréstimos somam só R$ 1,8 milhão. “Essa demanda nos leva a concluir que essas empresas ainda não colocaram a adoção de práticas ambientais como prioridade”, reconhece, contrafeito, Melo Santos, diretor-presidente da agência de fomento.

O problema, segundo Mattos de Lemos, é que os pequenos negócios ainda estão muito apegados ao paradigma dos anos 70, que via apenas custos nos critérios ambientais. “Só bem mais tarde é que se começou a perceber que os processos de produção podem ser modificados para reduzir desperdícios. Hoje você encontra empresas que têm boa gestão ambiental, porque isso as torna mais competitivas”, diz.

“Ainda falta uma sinalização dos benefícios que eles vão ter”, avalia Luciana, do GVces, que vem contribuindo com um projeto de mapeamento sobre o tema para orientar o trabalho do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), fundado em abril passado. “As micros e pequenas terão de se regularizar. Para isso, elas precisarão saber o que é sustentabilidade e como podem atuar. O Sebrae entendeu que teria um papel para cumprir aí”, conta.

O diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, explica que a ideia de fundar o CSS surgiu da percepção de que sustentabilidade está se tornando um fator de competitividade. Há dois componentes distintos: os esforços na racionalização do consumo de energia e de insumos, que se traduzem em menores custos de produção, e os clientes cada vez mais exigentes – há quem tope pagar 10% a 20% a mais por produtos ecologicamente corretos. “Os pequenos empresários precisam perceber o potencial desse mercado e que é um bom negócio ser sustentável”, anima-se Santos.

Mas, uma vez vencida essa barreira, Santos confia que as MPME não terão tanta dificuldade para fazer suas transições quanto as grandes tiveram. “Os pequenos negócios são flexíveis e transitam para novos modelos com bastante velocidade”, aponta. Luciana Betiol concorda com o prognóstico. “Elas não precisam mover grandes estruturas. Então, desde que tenham acesso adequado à informação, as micros e pequenas têm uma velocidade de resposta bem melhor”, arremata.

DE OLHO NO GRANDE CLIENTE



Tem mais gente trabalhando para levar adiante essa noção. Há alguns anos a Fundação Citi – braço social do Citibank – vem colocando recursos em ações no que a superintendente de assuntos corporativos do Citibank no Brasil, Priscilla Cortezze, chama de “empreende- dorismo sustentável”. “Temos programas voltados para startups, para negócios mais estruturados e para geração de renda”, explica.


Até o fim deste ano, uma parceria entre o banco e o GVces lançará um novo programa, chamado Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor. A ideia é descobrir pequenas e médias empresas com produtos e serviços inovadores nas áreas ambiental e social e ajudá-las a fechar contratos com grandes corporações. Segundo a gerente de sustentabilidade do Citibank, Daniela Stuc- chi, o resultado será potencializar novos “ecossistemas econômicos com inclusão social e preservação ambien- tal”. “Nosso entendimento é o de que os investimentos devem ir para organizações com o potencial de formar tais ecossistemas”, conta.

Não é a primeira investida do Citibank. Desde 1999, o banco é um dos apoiadores globais do New Ventures, um programa que incentiva novos empreendimentos com DNA verde ajudando-os a refinar planos de negócios e encontrar investidores. Em 2002, o programa ganhou uma versão brasileira que, em nove anos, potencializou seis empresas verdes nacionais.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) também tem olhado atentamente para o potencial da sustentabilidade nas MPME. Há anos, a entidade inclui o impacto ambiental e social entre as variáveis que seus técnicos analisam para aprovar financiamentos e, em seu edital de Subvenção Econômica à Inovação de 2009, nada menos de R$ 50 milhões foram para uma legenda chamada “desenvolvimento social”. Para o economista Eduardo Lopes, isso vai bem ao encontro do que a entidade foi criada para fazer – fomentar a inovação. “A economia verde exigirá nada menos que uma revolução tecnológica. E evolução tecnológica é a nossa missão”, diz ele, que hoje ocupa o posto de superintendente substituto da Área de Investimentos da Finep.

O economista garante que não para por aí, e que a Finep tem feito o possível para incentivar a cultura do venture capital no Brasil. “A gente acredita que essa é uma ferramenta muito importante para alavancar empresas inovadoras no Brasil”, completa, lembrando que uma parcela considerável das empresas que os procuram almeja alavancar negócios que, de uma forma ou de outra, produzem impactos socioambientais positivos. “Uma delas está desenvolvendo um processo que aumenta o prazo de conservação de alimentos e outra implantou uma tecnologia que reduz o desperdício de madeira na construção civil”, exemplifica.


[5] modalidade de investimento de alto risco fornecida a empresas de bom potencial, mas que se encontram em estágios bastante preliminares de organização

Apesar de o mercado ainda emitir sinais um tanto contraditórios, parece claro que existe uma janela de oportunidade que pode ser bem aproveitada pelas MPME. Carlos Alberto dos Santos, do Sebrae, não tem dúvidas de que logo a boa vontade dos consumidores para com as empresas responsáveis será substituída pela intolerância para com as irresponsáveis. “Em mais alguns anos, haverá um movimento de ‘punição’ às que não forem ecoeficientes. Quem inovar agora vai embolsar um bom prêmio e também se adiantar a essa mudança”, finaliza. O desafio é conseguir colocar toda a pirâmide na mesma página.

O Empreendedorismo Social

De uns tempos para cá, uma nova estirpe de empresários tem capturado manchetes e a atenção: os chamados empreendedores sociais. Essa turma, bem servida de pequenos negócios, acredita que as empresas podem fazer muito mais do que gerar lucro.

O conceito foi criado pelo ativista americano Bill Drayton, que, em 1980, fundou a organização Ashoka. Mônica de Roure, diretora da Ashoka no Brasil, explica que criar negócios pode ser uma maneira efetiva de transformar a realidade social, reduzindo a pobreza e empoderando grupos socialmente fragilizados – como mulheres e populações tradicionais. Só que não basta adotar boas práticas sociais para caber na definição. “Em uma empresa tradicional o objetivo é o lucro, enquanto em uma empresa social o resultado é o impacto social positivo”, explica.

É uma diferença sutil, mas que tem consequências de longo alcance sobre o que a empresa produz, como ela trabalha e investe seus resultados. “Não estou dizendo com isso que ter uma empresa tradicional seja maléfico, apenas que as metas são diferentes”, diz Mônica.

Fundada em abril de 2008, a Sementes de Paz entrega gêneros alimentícios orgânicos em casa. Segundo um de seus fundadores, Omar Haddad, o projeto nasceu na forma de uma cooperativa de consumidores para comprar orgânicos a preços mais baixos, direto dos produtores. Mas logo alguns deles perceberam que havia aí uma boa oportunidade de negócio.

“A diferença está no nosso objetivo, que é gerar investimentos para a cadeia de comércio justo e da agricultura responsável. também temos um modelo de governança corporativa diferenciado, porque nossa formação de preços é totalmente transparente”, explica Omar, acrescentando que a maior dificuldade não é trabalhar de forma responsável, mas arcar com todos os custos de se manter formalizado. “Para os pequenos, ser formalizado é muito difícil”, reclama.

FALTA DE MÃO DE OBRA PREJUDICA A ECONOMIA VERDE

OIT alerta para necessidade de investir em qualificação voltada para economia sustentável e a urgência de bons profissionais

O maior estudo já realizado sobre as necessidades e desafios do mercado de trabalho visando empregos que contribuem para a melhoria da qualidade ambiental alerta que a falta de qualificação já constitui um importante obstáculo à transição para economias verdes. 




O estudo "Competências profissionais para empregos verdes: um olhar sobre a situação mundial", realizado em 21 países, foi divulgado esta semana pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Genebra.

A conclusão da comparação entre países mostra que o desenvolvimento de competências como parte das estratégias para acelerar a transformação verde das economias nacionais continua limitado a atividades isoladas. 

O Brasil, um dos países que foram analisados, constitui um evidência desse problema.

Segundo Paulo Muçouçah, coordenador da área de empregos verdes no escritório da OIT Brasil, a boa notícia é que o país possui uma quantidade surpreendente de cursos técnicos e universitários voltados para questões ambientais. Por outro lado, o país não tem uma política deliberada para atender essa demanda. "São cursos que atendem necessidades específicas do mercado", afirma.

Um exemplo é a demanda por engenheiros, técnicos e instaladores de paineis solares gerada pelo Minha Casa, Minha Vida e outros projetos menores de construção de habitações populares. 

"A demanda deve triplicar nos próximos quatro anos e está sendo necessário desenvolver programas massivos para formar esses profissionais", afirma Marcelo Mesquita, da Associação Nacional de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava). 

Junto com universidades, instituições estaduais e a Rede Procel Solar, a associação está organizando cursos de formação em cada região do país. "É um mercado amplo que exige urgência na formação de profissionais." Necessidades Muçouçah indica as áreas de biocombustíveis, tratamento de resíduos e engenharia de produtos com design sustentável (por exemplo, na indústria automobilística) como aquelas em que a necessidade de mercado estimula a formação intensiva. 

No entanto, ele lembra que as necessidades futuras visando o desenvolvimento sustentável precisam ir mais além. "Não se trata de inventar novos cursos ou mudar a formação tradicional, mas de incorporar habilidades a ocupações que já existiam." Segundo Olga Strietska-Ilina, coordenadora do estudo da OIT, "potencialmente, todo emprego pode ser mais verde. 

Mas exige a integração do desenvolvimento sustentável e a consciência ambiental em todos os níveis de educação e de formação, a partir da educação infantil.

Dessa forma, contribui para modificar a conduta dos consumidores e provocar uma mudança nas forças de mercado para impulsionar a agenda verde".

O estudo diz que a reconversão dos trabalhadores e a atualização das competências profissionais são urgentes para conseguir uma transição harmoniosa e justa rumo a uma economia que leve em conta as mudanças climáticas e manutenção do meio ambiente.

E mostra alguns países que já têm programas nesse rumo, com destaque para a China,que investiu US$ 586 bilhões entre 2009 e 2010 em programas de eficiência energética, veículos que não utilizam combustíveis fósseis, controle de emissões de carbono, transporte ferroviário, e tratamento de água e resíduos sólidos.

"As oportunidades de emprego dependem da política, da legislação e das necessidades de cada país", diz Muçouçah. No caso do Brasil, estamos apenas no início do processo, constata Ângelo Cortelazzo, coordenador do Ensino Superior Tecnológico do Centro Paula Souza, em São Paulo. 

"A sustentabilidade está permeando todas as matrizes curriculares e acaba refletindo na consciência ecológica dos alunos e professores. Mas dependendo da região, a demanda é mais de moda do que real."
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"Não se trata de inventar novos cursos ou mudar a formação tradicional, mas de incorporar habilidades a ocupações que já existem."

Fonte: Jornal Brasil Econômico