Água Crystal com garrafa que pode ser torcida





A água Crystal, marca de águas da Coca-Cola Brasi, lançou no festival SWU, que aconteceu em novembro, em Paulínia (SP), a garrafa Crystal Eco. A garrafa Eco, também chamada decrushable, pode ser torcida pelo consumidor diminuindo assim em 37% o volume que ela ocupa, o que facilita bastante o transporte e a reciclagem.


Ela é produzida através do processo de sopro convencional, mas com pré-formas comcbase diferenciada, de modo que a distribuição e estrutura da garrafa garantam performance mecânica. A garrafa utiliza 20% menos PET que as versões anteriores e até 30% do PET feito a partir da cana de açúcar.

Ao mesmo tempo, a nova garrafa de Crystal também utiliza a tecnologia PlantBottle, na qual até 30% da matéria tem origem no etanol da cana de açúcar, e não no petróleo, reduzindo em cerca de 20% as emissões de dióxido de carbono.




No rótulo, a Crystal convida os consumidores a torcerem as embalagens após o consumo, o que reduz em 37% o volume das garrafas e facilita transporte e armazenagem das garrafas 100% recicláveis.




O lançamento da Crystal Eco conta com o apoio de entidades como o Instituto Akatu, a Conservação Internacional, a SOS Mata Atlântica e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), cujas marcas estão estampadas no rótulo da garrafa.

O Lorax – a melhor história ambientalista para crianças, agora em filme

POR REGINA SCHARF # EM DE LÁ PRA CÁ



Em março do ano que vem chega às telonas uma versão em 3D de um dos melhores livros sobre ambientalismo para crianças, “The Lorax”. 

Trata-se de um dos livros mais conhecidos de Dr. Seuss (Theodor Seuss Geisel na vida real), um autor infantil muito lido nos Estados Unidos mas quase desconhecido no Brasil, em parte porque suas histórias são cheias de rimas e jogos de palavras quase intraduzíveis.



Geisel, que viveu entre 1904 e 1991, escreveu e ilustrou 46 livros, que superaram a marca de 100 milhões de exemplares vendidos (embora alguns autores falem em meio bilhão). “The Lorax”, uma fábula sobre os impactos ambientais da industrialização desenfreada, foi publicado em 1971, quando esta discussão ainda engatinhava.

O filme está em fase de pós-produção nos estúdios da Universal Pictures e da Illumination Entertainment, sob os cuidados da equipe que produziu “Meu Malvado Favorito”, lançado no ano passado. Danny deVito empresta sua voz ao Lorax, uma criatura resmungona que luta para evitar que a sua floresta e todas as espécies que dependem dela sejam destruídas pelo ganancioso Once-ler.

Ao contrário de outros sucessos do autor (”The Cat in the Hat”, “Green Eggs and Ham”, “One Fish, Two Fish, Red Fish”), unanimemente amados nos EUA, “The Lorax” enfrentou e ainda enfrenta resistência. 

O setor madeireiro não gostou nada da forma como é retratado no livro e, no front oposto, alguns ambientalistas consideraram a figura do Lorax um retrato pouco simpático da militância. Entretando, a maior parte do movimento louva a história como um libelo que é eloquente sem ser chato.

O senso crítico e os temas afeitos à sustentabilidade são recorrentes na literatura de dr. Seuss. Numa de suas histórias mais conhecidas, “O Grinch” (que chegou ao Brasil em 200o em filme em que Jim Carrey interpreta o monstrengo que odeia o Natal), o autor ataca o consumismo enlouquecido.

Ficou com curiosidade? Veja aqui uma amostra do filme “The Lorax”:




Sustentabilidade - Pequenos Poderes

No topo da pirâmide empresarial, não parece tão difícil ganhar adesão para a chamada economia verde. O problema, agora, é convencer os outros 99%. A boa notícia é que começa a pipocar uma série de movimentos nesse sentido






É inevitável que, ao ouvir falar dos esforços que empresas de porte global como uma Nike ou uma Wal-Mart estão levando a cabo para tornar suas operações mais sustentáveis, o pessoal que há anos tem batalhado por um mundo melhor e mais equilibrado sinta um alívio danado no peito. (Leia mais sobre a conversão da Nike na entrevista “A grande virada“)

Chegar a esse ponto em que os vilões do passado começam a fazer publicamente o mea-culpa e a rever suas maneiras de atuar foi meio como escalar o Everest – um esforço extenuante e que parecia não ter mais fim. O problema de chegar ao topo da montanha é que ainda falta encarar a descida e – como qualquer bom montanhista sabe – é justamente essa a parte mais perigosa. No caso em questão, convencer e engajar o 1% que está no zênite do empresariado global provavelmente vai parecer uma barbada quando comparada ao desafio de envolver as incontáveis hordas de micros, pequenos e médios empresários nos outros andares da pirâmide produtiva.

Para se ter uma ideia mais exata do tamanho da encrenca, convém refrescar a memória. Publicada na edição de número 24 de Página22 – há menos de três anos, portanto –, a reportagem “Para fora da bolha” abriu justamente contando o causo do cacique Paulo Cipassé Xavante, que, depois de passar três dias inteiros escutando um bando de especialistas esmiuçar os riscos do aquecimento global e as entranhas do mercado de carbono em um seminário voltado para pequenos agricultores de Mato Grosso, levantou e perguntou o que exatamente era o tal do carbono com o qual aqueles brancos estavam tão preocupados.

Para os padrões urbanos, a dúvida do cacique é inconcebível, mas desnuda o tamanho do abismo sobre o qual será preciso saltar. Não que tenhamos de dar aulas de ciências básicas para todos. Mas, quanto antes perdermos a ilusão de que estamos todos na mesma página, tanto melhor!

GIGANTES EM NÚMEROS

Há nada menos que 5,8 milhões de micros, pequenas e médias empresas (MPME) espalhadas pelo Brasil, segundo o levantamento do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa 2009, publicado no ano passado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) – enquanto as grandes não somam 18 mil (O documento completo pode ser baixado no site dieese.org.br). E esses dados só contam as empresas formais. Há um número bem maior de micros, pequenas e médias escondidas sob a linha d’água da informalidade.

Juntas, empregam mais 17 milhões de brasileiros – 60% da força de trabalho do País – e respondem por um terço do PIB. Em outras palavras, se for mesmo para a tal economia verde que vai ser debatida na Rio+20 sair do papel, então, será preciso dar um jeito para que essa turma toda passe a levar a sustentabilidade em conta na hora de fechar negócio.

Logo de saída, é preciso ter em mente que esse grupo corta um dobrado só para ficar de portas abertas. Dados do Sebrae apontam que 31% das empresas naufragam no primeiro ano e 60% delas não chegam a completar o quinto aniversário. Não é de estranhar, portanto, que os empreendedores desconfiem de qualquer coisa que não ajude no caixa.

Superar essa reticência é um primeiro passo. “O empresariado pequeno e médio vive uma situação bastante difícil e ainda não despertou para a importância da sustentabilidade. A sobrevivência vem antes”, relata Milton Luiz de Melo Santos, que ocupa a direção da Nossa Caixa Desenvolvimento.


[1] A Agência de Fomento Paulista/Nossa Caixa Desenvolvimento foi criada em março de 2009 pelo governo do estado de São Paulo para estimular as pequenas e médias empresas paulistas com oferta de crédito em condições mais favoráveis. Apesar do nome, a agência não tem nenhuma relação com o banco comprado pelo Banco do Brasil em 2008

Não é que sejam ambientalmente insensíveis. “O empresariado não é diferente da sociedade. Se a sociedade reflete a temática ambiental, ele também”, pondera a empresária Eliana Pinheiro Belfort Mattos, atual diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

Atuando na área desde 1984, ela sabe que os empresários vivem em um mundo que parece um exercício ininterrupto e hipertrofiado do dilema do prisioneiro [2], que os obriga a serem pragmáticos e zelosos de sua competitividade. “Se ele tiver um resultado melhor ou se seus competidores estiverem adotando práticas sustentáveis, então ele também vai adotá-las”, diz.

[2] O dilema do prisioneiro é um cenário clássico da Teoria dos Jogos, na qual um jogador pode ganhar se escolher trair os demais jogadores, mas todos os jogadores podem ganhar ainda mais caso colaborarem entre si. O problema é que as decisões de cada jogador devem ser tomadas sem saber das escolhas dos demais

QUEBRANDO A INÉRCIA




É uma postura que cria uma armadilha do tipo “ovo e galinha” difícil de quebrar. “Há uma relutância grande de ser o primeiro, porque a sustentabilidade exige investimentos que não dão retorno imediato”, avalia o engenheiro britânico e consultor da Gestão Origami, Richard Wightwick. Mesmo reconhecendo que o empresariado é formado por gente disposta a correr riscos e em que “sempre aparece alguém esticando o pescoço para chegar na frente”, Wightwick acha que falta aos pequenos musculatura o suficiente para lançar tendências de mercado, e isso os inibe de tentar.


Após 30 anos de experiência na diretoria de bancos internacionais, Wightwick fartou-se do mundo das finanças. Apaixonado pelo tema da sustentabilidade, ele resolveu reorientar sua carreira e, durante o processo, acabou aceito em um programa de pós-graduação da renomada Universidade de Cambridge, onde pesquisou como as MPME têm se relacionado com as questões da responsabilidade social empresarial (RSE) e ambiental.

Wightwick tem dúvidas de que elas estejam aptas a liderar a transição em direção a práticas mais verdes. “Os pequenos não conseguem influir sobre as tendências do mercado. Nesse sentido, acho que sempre serão seguidores”, opina.

A gerente de sustentabilidade do Citibank no Brasil, Daniela Stucchi, aponta em direção parecida. Para ela, o cerne dessa questão está nas grandes empresas, porque são estas que detêm o poder de compra. “São os grandes compradores – como as corporações e os governos – que determinam o que será produzido e como”, afirma.

Pode ser que o empurrão que faltava para tirar as MPME do repouso esteja a caminho. Como a direção da Zara descobriu recentemente, ganha corpo a noção de que as grandes empresas têm responsabilidade sobre suas cadeias produtivas. 

“Os grandes compradores estão usando sua força financeira para movimentar sua cadeia da mesma forma como o Poder Público vem fazendo ao determinar que só fecha contratos com quem atenda a critérios de sustentabilidade”, explica a coordenadora do Programa de Consumo Sustentável do GVces, Luciana Stocco Betiol. 

Como prova disso, ela destaca que as empresas que fazem parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) [4] são incentivadas a desenvolver inovação e soluções juntamente com seus fornecedores. Mario Monzoni, coordenador do GVces, defende esse trabalho em conjunto como uma forma mais justa e equilibrada de operar, uma vez que o poder de barganha das grandes empresas em relação às pequenas é muito assimétrico.


[3] Em agosto passado, a grife de origem espanhola meteu-se em um escândalo quando várias das confecções que fabricam roupas da marca em São Paulo foram flagradas usando trabalho escravo de imigrantes bolivianos


[4] Índice criado pela BM&FBovespa composto exclusivamente de ações de empresas que atendam a determinados critérios de responsabilidade social e ambiental

A adesão de pequenos e médios negócios às novas práticas deve ser facilitada pela norma ISO 14005 brasileira, que permitirá a implementação de sistemas de gestão ambiental por etapas. Haroldo Mattos de Lemos, superintendente do Comitê de Gestão Ambiental da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Lemos é um dos principais nomes no processo para a definição dessa nova norma da International Organization for Standartization (ISO).

As grandes não estão fazendo isso de forma gratuita. No fundo, estão apenas repassando as cobranças que vêm recebendo dos consumidores por meio de sua cadeia produtiva. “Acho que essa é uma tendência irreversível. Só que é difícil dizer se ela está avançando a galope, trote ou se arrastando”, adverte Wightwick.

BASTÃO E CENOURA

É evidente que a mudança não se dará apenas na base da ameaça. A compreensão de que a sustentabilidade é importante está se disseminando rumo à base. “Vejo isso cada vez mais em conferências e congressos. Qualquer que seja o assunto, sempre tem uma palestra sobre sustentabilidade. Existe um enorme interesse sobre como isso afeta as empresas e vai chegar o momento em que isso vai estourar”, diagnostica Wightwick.

A mera expectativa de que a situação esteja chegando ao ponto de inflexão tem feito coisas interessantes acontecerem. Desde março de 2009, a Nossa Caixa Desenvolvimento possui a linha Economia Verde, que oferece crédito mais barato – 0,49% ao mês mais IPC – e prazos espichados para pequenas e médias empresas paulistas com projetos de redução das emissões carbono. A linha ainda não decolou: até o momento, os empréstimos somam só R$ 1,8 milhão. “Essa demanda nos leva a concluir que essas empresas ainda não colocaram a adoção de práticas ambientais como prioridade”, reconhece, contrafeito, Melo Santos, diretor-presidente da agência de fomento.

O problema, segundo Mattos de Lemos, é que os pequenos negócios ainda estão muito apegados ao paradigma dos anos 70, que via apenas custos nos critérios ambientais. “Só bem mais tarde é que se começou a perceber que os processos de produção podem ser modificados para reduzir desperdícios. Hoje você encontra empresas que têm boa gestão ambiental, porque isso as torna mais competitivas”, diz.

“Ainda falta uma sinalização dos benefícios que eles vão ter”, avalia Luciana, do GVces, que vem contribuindo com um projeto de mapeamento sobre o tema para orientar o trabalho do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), fundado em abril passado. “As micros e pequenas terão de se regularizar. Para isso, elas precisarão saber o que é sustentabilidade e como podem atuar. O Sebrae entendeu que teria um papel para cumprir aí”, conta.

O diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, explica que a ideia de fundar o CSS surgiu da percepção de que sustentabilidade está se tornando um fator de competitividade. Há dois componentes distintos: os esforços na racionalização do consumo de energia e de insumos, que se traduzem em menores custos de produção, e os clientes cada vez mais exigentes – há quem tope pagar 10% a 20% a mais por produtos ecologicamente corretos. “Os pequenos empresários precisam perceber o potencial desse mercado e que é um bom negócio ser sustentável”, anima-se Santos.

Mas, uma vez vencida essa barreira, Santos confia que as MPME não terão tanta dificuldade para fazer suas transições quanto as grandes tiveram. “Os pequenos negócios são flexíveis e transitam para novos modelos com bastante velocidade”, aponta. Luciana Betiol concorda com o prognóstico. “Elas não precisam mover grandes estruturas. Então, desde que tenham acesso adequado à informação, as micros e pequenas têm uma velocidade de resposta bem melhor”, arremata.

DE OLHO NO GRANDE CLIENTE



Tem mais gente trabalhando para levar adiante essa noção. Há alguns anos a Fundação Citi – braço social do Citibank – vem colocando recursos em ações no que a superintendente de assuntos corporativos do Citibank no Brasil, Priscilla Cortezze, chama de “empreende- dorismo sustentável”. “Temos programas voltados para startups, para negócios mais estruturados e para geração de renda”, explica.


Até o fim deste ano, uma parceria entre o banco e o GVces lançará um novo programa, chamado Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor. A ideia é descobrir pequenas e médias empresas com produtos e serviços inovadores nas áreas ambiental e social e ajudá-las a fechar contratos com grandes corporações. Segundo a gerente de sustentabilidade do Citibank, Daniela Stuc- chi, o resultado será potencializar novos “ecossistemas econômicos com inclusão social e preservação ambien- tal”. “Nosso entendimento é o de que os investimentos devem ir para organizações com o potencial de formar tais ecossistemas”, conta.

Não é a primeira investida do Citibank. Desde 1999, o banco é um dos apoiadores globais do New Ventures, um programa que incentiva novos empreendimentos com DNA verde ajudando-os a refinar planos de negócios e encontrar investidores. Em 2002, o programa ganhou uma versão brasileira que, em nove anos, potencializou seis empresas verdes nacionais.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) também tem olhado atentamente para o potencial da sustentabilidade nas MPME. Há anos, a entidade inclui o impacto ambiental e social entre as variáveis que seus técnicos analisam para aprovar financiamentos e, em seu edital de Subvenção Econômica à Inovação de 2009, nada menos de R$ 50 milhões foram para uma legenda chamada “desenvolvimento social”. Para o economista Eduardo Lopes, isso vai bem ao encontro do que a entidade foi criada para fazer – fomentar a inovação. “A economia verde exigirá nada menos que uma revolução tecnológica. E evolução tecnológica é a nossa missão”, diz ele, que hoje ocupa o posto de superintendente substituto da Área de Investimentos da Finep.

O economista garante que não para por aí, e que a Finep tem feito o possível para incentivar a cultura do venture capital no Brasil. “A gente acredita que essa é uma ferramenta muito importante para alavancar empresas inovadoras no Brasil”, completa, lembrando que uma parcela considerável das empresas que os procuram almeja alavancar negócios que, de uma forma ou de outra, produzem impactos socioambientais positivos. “Uma delas está desenvolvendo um processo que aumenta o prazo de conservação de alimentos e outra implantou uma tecnologia que reduz o desperdício de madeira na construção civil”, exemplifica.


[5] modalidade de investimento de alto risco fornecida a empresas de bom potencial, mas que se encontram em estágios bastante preliminares de organização

Apesar de o mercado ainda emitir sinais um tanto contraditórios, parece claro que existe uma janela de oportunidade que pode ser bem aproveitada pelas MPME. Carlos Alberto dos Santos, do Sebrae, não tem dúvidas de que logo a boa vontade dos consumidores para com as empresas responsáveis será substituída pela intolerância para com as irresponsáveis. “Em mais alguns anos, haverá um movimento de ‘punição’ às que não forem ecoeficientes. Quem inovar agora vai embolsar um bom prêmio e também se adiantar a essa mudança”, finaliza. O desafio é conseguir colocar toda a pirâmide na mesma página.

O Empreendedorismo Social

De uns tempos para cá, uma nova estirpe de empresários tem capturado manchetes e a atenção: os chamados empreendedores sociais. Essa turma, bem servida de pequenos negócios, acredita que as empresas podem fazer muito mais do que gerar lucro.

O conceito foi criado pelo ativista americano Bill Drayton, que, em 1980, fundou a organização Ashoka. Mônica de Roure, diretora da Ashoka no Brasil, explica que criar negócios pode ser uma maneira efetiva de transformar a realidade social, reduzindo a pobreza e empoderando grupos socialmente fragilizados – como mulheres e populações tradicionais. Só que não basta adotar boas práticas sociais para caber na definição. “Em uma empresa tradicional o objetivo é o lucro, enquanto em uma empresa social o resultado é o impacto social positivo”, explica.

É uma diferença sutil, mas que tem consequências de longo alcance sobre o que a empresa produz, como ela trabalha e investe seus resultados. “Não estou dizendo com isso que ter uma empresa tradicional seja maléfico, apenas que as metas são diferentes”, diz Mônica.

Fundada em abril de 2008, a Sementes de Paz entrega gêneros alimentícios orgânicos em casa. Segundo um de seus fundadores, Omar Haddad, o projeto nasceu na forma de uma cooperativa de consumidores para comprar orgânicos a preços mais baixos, direto dos produtores. Mas logo alguns deles perceberam que havia aí uma boa oportunidade de negócio.

“A diferença está no nosso objetivo, que é gerar investimentos para a cadeia de comércio justo e da agricultura responsável. também temos um modelo de governança corporativa diferenciado, porque nossa formação de preços é totalmente transparente”, explica Omar, acrescentando que a maior dificuldade não é trabalhar de forma responsável, mas arcar com todos os custos de se manter formalizado. “Para os pequenos, ser formalizado é muito difícil”, reclama.

FALTA DE MÃO DE OBRA PREJUDICA A ECONOMIA VERDE

OIT alerta para necessidade de investir em qualificação voltada para economia sustentável e a urgência de bons profissionais

O maior estudo já realizado sobre as necessidades e desafios do mercado de trabalho visando empregos que contribuem para a melhoria da qualidade ambiental alerta que a falta de qualificação já constitui um importante obstáculo à transição para economias verdes. 




O estudo "Competências profissionais para empregos verdes: um olhar sobre a situação mundial", realizado em 21 países, foi divulgado esta semana pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Genebra.

A conclusão da comparação entre países mostra que o desenvolvimento de competências como parte das estratégias para acelerar a transformação verde das economias nacionais continua limitado a atividades isoladas. 

O Brasil, um dos países que foram analisados, constitui um evidência desse problema.

Segundo Paulo Muçouçah, coordenador da área de empregos verdes no escritório da OIT Brasil, a boa notícia é que o país possui uma quantidade surpreendente de cursos técnicos e universitários voltados para questões ambientais. Por outro lado, o país não tem uma política deliberada para atender essa demanda. "São cursos que atendem necessidades específicas do mercado", afirma.

Um exemplo é a demanda por engenheiros, técnicos e instaladores de paineis solares gerada pelo Minha Casa, Minha Vida e outros projetos menores de construção de habitações populares. 

"A demanda deve triplicar nos próximos quatro anos e está sendo necessário desenvolver programas massivos para formar esses profissionais", afirma Marcelo Mesquita, da Associação Nacional de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava). 

Junto com universidades, instituições estaduais e a Rede Procel Solar, a associação está organizando cursos de formação em cada região do país. "É um mercado amplo que exige urgência na formação de profissionais." Necessidades Muçouçah indica as áreas de biocombustíveis, tratamento de resíduos e engenharia de produtos com design sustentável (por exemplo, na indústria automobilística) como aquelas em que a necessidade de mercado estimula a formação intensiva. 

No entanto, ele lembra que as necessidades futuras visando o desenvolvimento sustentável precisam ir mais além. "Não se trata de inventar novos cursos ou mudar a formação tradicional, mas de incorporar habilidades a ocupações que já existiam." Segundo Olga Strietska-Ilina, coordenadora do estudo da OIT, "potencialmente, todo emprego pode ser mais verde. 

Mas exige a integração do desenvolvimento sustentável e a consciência ambiental em todos os níveis de educação e de formação, a partir da educação infantil.

Dessa forma, contribui para modificar a conduta dos consumidores e provocar uma mudança nas forças de mercado para impulsionar a agenda verde".

O estudo diz que a reconversão dos trabalhadores e a atualização das competências profissionais são urgentes para conseguir uma transição harmoniosa e justa rumo a uma economia que leve em conta as mudanças climáticas e manutenção do meio ambiente.

E mostra alguns países que já têm programas nesse rumo, com destaque para a China,que investiu US$ 586 bilhões entre 2009 e 2010 em programas de eficiência energética, veículos que não utilizam combustíveis fósseis, controle de emissões de carbono, transporte ferroviário, e tratamento de água e resíduos sólidos.

"As oportunidades de emprego dependem da política, da legislação e das necessidades de cada país", diz Muçouçah. No caso do Brasil, estamos apenas no início do processo, constata Ângelo Cortelazzo, coordenador do Ensino Superior Tecnológico do Centro Paula Souza, em São Paulo. 

"A sustentabilidade está permeando todas as matrizes curriculares e acaba refletindo na consciência ecológica dos alunos e professores. Mas dependendo da região, a demanda é mais de moda do que real."
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"Não se trata de inventar novos cursos ou mudar a formação tradicional, mas de incorporar habilidades a ocupações que já existem."

Fonte: Jornal Brasil Econômico

Se a boa arquitetura pressupõe critérios de sustentabilidade, por que algumas das maiores obras de referência da arquitetura brasileira não são exemplos de eficiência ambiental?


"A arquitetura, para ser boa, já o é, implicitamente, sustentável." 

A afirmação, feita pelo arquiteto português Eduardo Souto de Moura, para o jornal espanhol El País (2007), reflete a opinião de que não se pode exaltar um edifício por ser sustentável, já que a boa arquitetura necessariamente incorpora conceitos que garantem o conforto ambiental. 

"Seria como elogiá-lo por ficar de pé", acrescenta o arquiteto português. Por um lado, há uma certa unanimidade entre alguns arquitetos de que a boa arquitetura já é sustentável. 

Por outro, faltam exemplos de arquitetura sustentável no Brasil - e sobram reclamações a alguns edifícios ícones, como a falta de conforto térmico. O que, afinal, faz uma arquitetura sustentável e o que falta para a boa arquitetura brasileira ser uma delas?



Monica Brooke
Carlos Leite, professor da FAU-Mackenzie e consultor de desenvolvimento urbano sustentável
A boa arquitetura brasileira tem como pressuposto excelentes noções de conforto ambiental que são o básico para se conseguir sustentabilidade. Alguns ícones não tinham estes parâmetros como prioritários, o que não os diminui na história - sua importância está em outros parâmetros relevantes. Porém, a real diferença na construção civil se dará na adoção de sistemas construtivos industrializados e mais inteligentes: em vez de obras, linhas de montagens limpas e design massivo. Muito mais do que o "greening" dos edifícios, isso envolve conhecimento, inovação, técnicas e tecnologias contemporâneas.



Fernando Luiz Lara,
arquiteto e professor da
University of Texas as Austin



acervo pessoalPara mim essa história de que toda boa arquitetura é sustentável é uma grande falácia, uma desculpa para a inércia da profissão. O cálculo de energia embutida nos materiais e o cálculo de energia gasta no uso do edifício nunca foram e, em geral, não são considerados até hoje. Em defesa dos antigos, até a crise do petróleo de 1973 imaginava-se que a energia seria sempre barata. Mas lá se vão 40 anos e ainda não aprendemos a introduzir energia no cálculo do preço por metro quadrado. Nesse tempo, o problema só piorou. Hoje temos de um lado o paradigma desenvolvimentista em que tudo se resolve com mais cimento e mais asfalto, e do outro um marketing verde confundindo as coisas. Espero   que os alunos de hoje façam melhor em 2030.


divulgação Andrade Morettin Arquitetos
Marcelo Morettin, sócio do escritório Andrade Morettin
A sustentabilidade entrou definitivamente na agenda dos escritórios de arquitetura e é um assunto importante em todas as esferas que envolvem a produção do espaço urbano. Embora seja difícil contestar sua pertinência, somos obrigados a reconhecer que há muita informação duvidosa sobre o assunto e que precisamos separar o joio do trigo. A boa arquitetura pressupõe uma abordagem caso a caso que tem como pressuposto identificar de que maneira a eficiência ambiental deve ser considerada para cada projeto específico. Não devemos encará-la como um acessório que aplicamos no final, quando o edifício está pronto. Nesse sentido, a sustentabilidade não deve se sobrepor aos outros parâmetros de projeto. Somente o pensamento integrado de todo processo pode levar a um resultado satisfatório - sobretudo do ponto de vista ambiental.

acervo pessoal
Claudia Naves David Amorim, vice-diretora da FAU-UnB e coordenadora do Laboratório de Controle Ambiental e Eficiência Energética da UnB (Lacam)
O ato de projetar é extremamente complexo e influenciado por vários condicionantes que levam em conta as perplexidades da época. Sendo assim, o próprio conceito de boa arquitetura, ao longo do tempo, valorizou ou exaltou aspectos diferentes, dependendo do contexto. Hoje se fala em sustentabilidade, recuperando-se na verdade conceitos já utilizados há milênios, quando não se podia contar com tantos aparatos tecnológicos para melhoria da habitabilidade, por exemplo. Mas quando se fala em qualidade arquitetônica, espera-se que padrões mínimos de habitabilidade sejam alcançados e mantidos pela própria arquitetura. Grandes obras arquitetônicas, icônicas e referenciais, não deveriam incorrer em erros graves nesses aspectos, sob pena de não poderem ser consideradas referências.


acervo pessoal
Miguel Pereira, arquiteto
É preciso ter cuidado ao fazer definições. As maiores obras da arquitetura brasileira são exemplos do bom uso dos materiais, da preocupação com orientação solar e ventilação, da boa distribuição dos espaços, da valorização cultural, do respeito ao espaço urbano e do conforto do usuá­rio. Enfim, são exemplos de arquitetura sustentável. Podemos citar, inclusive, a obra de João Filgueiras Lima, cuja qualidade ambiental vai muito além de soluções como a reutilização de água para irrigação de jardins ou o aquecimento de piscinas com energia solar, soluções muito comuns na arquitetura entendida, atualmente, como sustentável. A busca por certificações fez surgir centenas de critérios de sustentabilidade que muitas vezes camuflam a ausência de conceitos básicos e conhecidamente essenciais para uma boa arquitetura. O termo sustentabilidade foi exaustivamente utilizado na última década como estratégia de marketing para vender projetos. Eficiência ambiental se confundiu com alta tecnologia e automação. E a banalização do termo fez surgir o chamado greenwash, a propaganda enganosa da sustentabilidade.

A importância da Logística Reversa para o Meio Ambiente


A logística reversa surge no cenário nacional, ainda de forma tímida, porém deve ser encarada como uma exigência que deverá ser integrada gradativamente as atividades empresáriais, pois coloca a empresa em sintonia com as questões ambientais, que estão em evidências nos ultimos tempos.


Por Prof. Sileno Marcos Araujo Ortin



Sabemos que uma empresa, é uma unidade econômica onde são reunidos e combinados fatores de produção, desenvolvendo uma determinada atividade com o objetivo de lucro.

Em uma empresa temos a operações de entrada (INPUT), um processamento, onde a matéria prima passa por transformações, através da utilização de maquinários e recursos humanos, para que no final do processo possamos ter um produto acabado (OUTPUT) e que este por sua vez seja distribuído ao cliente final através da utilização de um sistema logístico.

Comumente, conhecemos a Logística como ação que visa disponibilizar determinados produtos a seus clientes, no menor espaço de tempo possível.

Na atualidade, com os grandes impactos causados no meio ambiente pelo homem, através de adoção de práticas nocivas, têm-se estimulado por parte das autoridades e iniciativa privada a busca de soluções para o tema.

É crescente o número de indústrias que estão desenvolvendo práticas de Produção Mais Limpa e ações baseadas nos princípios de sustentabilidade. Dentre as diversas ações destaca-se a Logística Reversa, a qual consiste no fluxo reverso, ou seja, o produto volta do cliente para a unidade fabril (empresa), que dará um fim ambientalmente correto.

Em linhas gerais a Logística Reversa consiste na coleta de embalagens, equipamentos eletrônicos e outros produtos pós-uso, visando o descarte ou reutilização em outros segmentos de atividade industrial. (Revista da Indústria, Nº 166, Pg. 156).

Em agosto de 2010, foi aprovada a PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos, que determina que fabricantes e distribuidores de diversos produtos industrializados, como: Agrotóxicos, pilhas, baterias, óleos lubrificantes, etc. implantem um projeto de Logística Reversa.

Tomando por base a região noroeste do Estado de São Paulo, especificamente a cidade de Votuporanga, existe uma grande quantidade de empresas ligadas a AIRVO, divididas nos segmentos: metalúrgico, confecção, alimentício e mobiliário, que são responsáveis pela geração de emprego e renda em nossa microrregião. É de grande importância que os empresários locais se conscientizem da relevância desta prática, pois ela trará uma série de benefícios, tais como:

- Ampliação da imagem da empresa, de modo que, esta passará a ser bem vista pelos clientes e fornecedores;

- Abertura de novas oportunidades de negócio;

- O material coletado pode ser utilizado como Matéria-prima para fabricação de novas peças;

- Comercialização em outros segmentos;

- Concessão de linhas de crédito pelo BNDS e BID para implantação de projetos ambientais.

Aliado ao destaque do setor industrial, é essencial que o empresariado venha despertar sua consciência ambiental e atentar ao assunto, de modo que tais ações sejam adotadas, pois poderá ser uma fonte de renda lucrativa para a empresa e a colocará em uma posição destacada e privilegiada no seu segmento de atuação, além de contribuir para a conservação do meio ambiente.

Vale lembrar que as ações que adotamos hoje, impactará a longo prazo, no futuro de nossas empresas e a implantação da Logística Reversa deve ser desenvolvida permanentemente e não compreendida como um modismo.

17 critérios para avaliar se um produto é sustentável

Atualmente, a construção civil é identificada como o setor que mais consome os recursos naturais do planeta ¹, nas diferentes etapas do ciclo de vida de seus produtos: extração e transporte de matéria-prima, fabricação, montagem, manutenção, demolição ou desmonte, reuso, reciclagem e destino final. 


O atual modelo econômico de produção e consumo está embasado na ideia de que, no planeta, a possibilidade de exploração de seus recursos naturais e a degradabilidade de resíduos são ilimitadas ².





Neste sistema linear, não existe a preocupação com a origem das matérias-primas, com a eficiência do transporte e produção, com a possibilidade de toxicidade derivadas de substâncias componentes dos materiais, nem questões sobre a disposição de resíduos ao final da vida útil dos produtos ³.


A opção por produtos, sistemas e empresas com gestão cada vez mais sustentáveis significa a transformação de um paradigma na direção do equilíbrio entre economia, meio ambiente e sociedade para esta e futuras gerações. Diferentes atores do setor da construção tem debatido a respeito do desafio de optar por produtos sustentáveis por diversos motivos, entre os quais a dificuldade de encontrá-los e compreender a relevância da sua utilização.


Temos como meta contribuir para a disseminação de informações e práticas da sustentabilidade na construção civil. Através de conhecimento técnico e pesquisas, foram elaborados critérios para identificar e selecionar uma enorme variedade de produtos e empresas que demonstrem iniciativas focadas na redução de impactos socioambientais, os diferenciando no segmento. Também são apresentadas características sustentáveis de cada produto, além de textos e vídeos completos e informativos.


Acreditamos que o desenvolvimento sustentável depende da integração de vários fatores, como o investimento em inovação, pesquisa, capacitação, gestão, articulação, informação e produção. Com o Portal Greenvana Greenforma, pretendemos criar um modelo de inovação que alia pesquisa e informação, atuando na difusão e estímulo ao desenvolvimento do conhecimento, produção e consumo de produtos sustentáveis em construções e reformas em todo o Brasil.

Referências:
² MANAHAN, Stanley E. Industrial Ecology. Environmental Chemeistry and Hazardous Waste. USA. Lewis Publishers, 1999
³ TIBBS, Hardin B.C. Industrial Ecology: Na environmental Agenda for industry. Smart Communities Networks. 1992. Disponível no site:www.sustainable.doe.gov/articles/indecol.shtml. acessado em outubro de 2003.


Critérios de Sustentabilidade dos Produtos Greenvana Greenforma


O ideal de sustentabilidade de um produto é que ele impacte menos em todos os aspectos do seu ciclo de vida, desde a extração da matéria-prima até seu descarte. A avaliação de ciclo de vida (ACV) de materiais de construção e reforma ainda é uma promessa no Brasil. Por isso, selecionamos produtos e fornecedores que impactem menos o planeta em relação aos seus similares convencionais, segundo critérios desenvolvidos especialmente pelo Greenvana Greenforma,através de muita pesquisa e estudo.


Para que os fornecedores e seus respectivos produtos sejam selecionados pelo Greenforma, será necessário o atendimento de pelo menos um dos critérios elaborados e listados abaixo. Vale dizer que os critérios “Reciclável”, “Embalagem Sustentável” e “Supliers Take Back” serão considerados como adicionais, ou seja, o seu atendimento é importante, porém não suficiente para que o produto, ou o fornecedor, seja incluído no portfólio do Greenforma. O não atendimento dos critérios “Atóxico” e “Selos e Certificados Reconhecidos”, por outro lado, exclui quaisquer possibilidades de aprovação na seleção, tanto de fornecedores como de produtos. As empresas parceiras do portal devem apresentar licenças e certificados reconhecidos, quando existentes, ou declarações de seus fornecedores. Caso as evidências que comprovem a redução nos impactos ambientais ou sociais no ciclo de vida de algum produto sejam comprovadas incorretas, o mesmo é retirado imediatamente do mix selecionado do Greenforma.


Critérios de Sustentabilidade


1) Fonte responsável

2) Atóxico (critério excludente)

3) Desempenho e vida útil

4) Biodegradável e não poluente

5) Comércio justo, Acessibilidade e Responsabilidade Social (critério adicional)

6) Economia de água

7) Energia limpa

8) Eficiência energética

9) Materiais reciclados

10) Reciclável (critério adicional)

11) Redução de resíduos e uso de matéria-prima

12) Material reutilizado

13) Embalagem sustentável (critério adicional)

14) Selos e Certificados reconhecidos (critério excludente)

15) Empresa com gestão socioambiental

16) Supliers Take Back (critério adicional)

17) Baixa emissão de gases poluentes


1. FONTE RESPONSÁVEL

O objetivo deste critério é selecionar produtos que atendam a pelo menos três das seguintes condutas aplicadas na sua fabricação e operacionalização:

1. Uso de matéria-prima principal que não esteja em situação de esgotamento;

2. Utilização de técnicas ou tecnologias de baixo impacto ambiental;

3. Posse de licença ambiental para extrações de recursos naturais e implantação de empreendimentos;

4. Uso de combustíveis provenientes de fontes naturais (não fósseis), principalmente nas etapas de transporte;

5. Distância de até 800 km entre a fonte de extração da matéria-prima e a fábrica;

6. Certificação FSC e Cerflor para produtos cuja principal matéria-prima seja a madeira.


2. ATÓXICO (critério excludente)

Este critério visa relacionar os produtos que, no seu processo de fabricação, uso ou descarte não contenham ou emitam substâncias reconhecidamente tóxicas, com alto nível de agressão à saúde humana e aos recursos naturais.


Assim, os produtos selecionados não podem conter: Ftalatos, Retardantes de Chama halogenados (à base de cromo e cloro), Amianto, Benzeno e teores de Compostos Orgânicos Voláteis (COV) acima dos estabelecidos pela União Européia ¹.


Para a aprovação de produtos à base de PVC (Poli Cloreto de Vinila), deverão ser atendidos alguns parâmetros contidos na Política do PVC, da Olympic Delivery Authority, para os jogos olímpicos de 2012:


1. A produção do PVC deve ser feita de maneira a prevenir emissões por escapamentos durante a fabricação, priorizando a saúde e a segurança dos empregados;

2. Deve conter, em sua composição, um mínimo de 30% de conteúdo reciclado;

3. Não deve conter estabilizadores como mercúrio, cádmio e chumbo;

4. Não deve fazer uso de plastificantes com Ftalatos;

5. Todos os componentes químicos na produção do PVC devem estar registrados, ou pré-registrados, no REACH (Regulation, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemical Substances).

Ainda, é recomendado que os produtos não contenham metais pesados, formaldeídos e disponibilizem a FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos).


3. DESEMPENHO E VIDA ÚTIL

A baixa qualidade de produtos é fonte importante de desperdícios. Produtos que não apresentam desempenho e qualidade adequados têm vida útil reduzida e acabam sendo substituídos, o que gera desperdícios e resíduos ². Produtos com qualidade e durabilidade comprovadas são aqueles que respeitam as normas técnicas do Programa Setorial da Qualidade (PSQ), vinculado ao Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), do Ministério das Cidades ³ . No entanto, produtos hidráulicos, cuja função principal está associada ao uso de água, não devem atender somente ao Programa - também precisam demonstrar eficiência no uso de água por meio de mecanismos economizadores. Produtos cuja função principal está associada ao uso de energia também devem demonstrar que o fazem com eficiência.


Em caso de produtos importados, este devem ter aprovação do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) e do Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor (PROCON), ou apresentar certificação no Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), emitida por Organismo de Certificação de Produto (OCP), creditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO).


4. BIODEGRADÁVEL OU NÃO POLUENTE

Este critério é conferido aos produtos que se decompõem facilmente por ações de microorganismos vivos e cujo processo de decomposição não ofereça riscos ao meio ambiente.


5. COMÉRCIO JUSTO, ACESSIBILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL (adicional)

Este critério adicional é atribuído a empresas que atendam a pelo menos um dos itens abaixo, além de possuir CNPJ válido:


1. Possuam uma carta de princípios éticos ou uma política socioambiental interna, expostas publicamente;

2. Prezem pela seleção de fornecedores licenciados, com responsabilidade socioambiental comprovada;

3. Apresentem o selo de Comércio Justo (Fairtrade Labelling Organization – FLO);

4. Prezem pela formalidade, por condições adequadas de trabalho e por relações comerciais mais transparentes e responsáveis;

5. Garantam o livre acesso a todas as informações referentes aos seus trabalhos e produtos;

6. Possuam parcerias com cooperativas ou organizações de coleta e reciclagem de materiais da construção civil;

7. Tenham assinado o Pacto Global da ONU, cujo objetivo é incentivar a comunidade empresarial internacional a adotar determinados valores nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção;

8. Desenvolvam produtos para portadores de necessidades especiais.


6. ECONOMIA DE ÁGUA

Para atender a este critério, os produtos precisam possuir algum mecanismo que evite o desperdício de água, como acionamentos economizadores e sistemas de reuso. Torneiras são consideradas eficientes no uso de água quando, além de arejadores, tenham os seguintes modelos de acionamentos: monocomandos para temperar água fria e quente, temporizadores ou sensores de presença.


7. ENERGIA LIMPA

Este critério é atendido por produtos que funcionem ou tenham sido fabricados à base de fontes de energia limpa, como energia solar, energia eólica, ou outras fontes de baixo impacto ambiental.


8. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

São considerados produtos com eficiência energética aqueles que, durante seu desenvolvimento ou utilização, conseguem reduzir significativamente o consumo de energia. Seja por meio de tecnologias economizadoras, como lâmpadas com LED, ou através de fontes limpas e renováveis, como a eólica e a fotovoltaica, que minimizam as emissões de gases poluentes e os impactos ambientais.


9. MATERIAIS RECICLADOS

Os materiais reciclados tendem a reduzir os gastos energéticos em relação a outros convencionais, pois diminuem a extração de recursos naturais e as emissões de CO2. Os produtos e embalagens que atendem a este critério são aqueles que, para a sua fabricação, utilizam materiais que, após chegarem ao final do seu ciclo de vida, foram novamente transformados em matéria-prima utilizável.


10. RECICLÁVEL (critério adicional)

Este critério é atendido por produtos que, após o término da sua vida útil, podem ser utilizados como matéria-prima na fabricação de outros produtos, em vez de serem enviados para destinação final. Assim, o tempo entre a extração de recursos naturais, a fabricação, a utilização e o descarte final é estendido, o que reduz a geração de resíduos.


11. REDUÇÃO DE RESÍDUOS E USO DE MATÉRIA-PRIMA

Este critério seleciona produtos que, em alguma fase do seu ciclo de vida, reduzem a quantidade de materiais ou recursos consumidos. No Brasil, a porcentagem de resíduos de construção, reforma e demolição que são reciclados ou reaproveitados ainda é muito baixa, o que aumenta os impactos ambientais, econômicos e sociais.


12. MATERIAL REUTILIZADO

Este crédito é conferido a produtos ou embalagens que, após a sua utilização, podem ser reaproveitados, parcial ou totalmente. A reutilização de produtos traz benefícios significativos para o meio ambiente, pois evita a extração de recursos naturais para o reprocessamento e a fabricação de produtos, minimiza as emissões de CO2 e, principalmente, contribui para reduzir a geração de resíduos.


13. EMBALAGEM SUSTENTÁVEL (critério adicional)

Este critério é atendido por produtos que são comercializados em embalagens que:

1. Possuem tamanho reduzido (o que minimiza a utilização de recursos naturais);

2. São reutilizáveis;

3. São recicláveis;

4. Foram fabricadas com material reciclado;

5. São compostáveis;

6. Possuem rotulagem ambiental;

7. Possuem simbologia técnica de reciclagem (tanto para a embalagem como para o produto);


14. SELOS E CERTIFICADOS RECONHECIDOS (critério excludente)

Este critério seleciona produtos que, a depender da sua matéria-prima principal, ou da sua função, estão devidamente de acordo com as normas técnicas estabelecidas por seus respectivos certificados reconhecidos. São eles:


1. Produtos cuja matéria-prima principal é a madeira

FSC: Forest Stewardship Council

Cerflor: Programa Brasileiro de Certificação Florestal

2. Aquecedores Solares

Qualisol: Programa de Qualificação de Fornecedores de Sistemas de Aquecimento Solar

3. Aparelhos e equipamentos eletrônicos

Procel: Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica


15. EMPRESA COM GESTÃO SOCIOAMBIENTAL

Para que as empresas atendam a este critério, será necessário comprovar as certificações ISO 9001 e ISO 14001. A ISO 9001 é uma das ferramentas de gerenciamento de qualidade mais usadas no mundo. Sua função é assegurar a eficiência das empresas, reduzir a exploração de mão de obra, além de ser referenciada por programas sustentáveis e de combate ao trabalho informal. A ISO 9001, apenas, não garante o atendimento ao critério. A ISO 14001 define o que deve ser feito para estabelecer um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) efetivo. Seu principal objetivo é possibilitar o equilíbrio entre o processo produtivo e a redução dos impactos ambientais.


16. SUPLIERS TAKE BACK (critério adicional)

Este critério é atendido quando a empresa fornecedora faz a coleta do seu produto quando este atinge o final do seu ciclo de vida. Em vez de ser descartado, o produto é reaproveitado no seu próprio processo de fabricação, ou em outros ciclos produtivos, ou recebe um destino final ambientalmente mais adequado.


17. BAIXA EMISSÃO DE GASES POLUENTES

São aprovados neste critério os produtos com baixa emissão de gases poluentes – como os principais gases do efeito estufa e o CO2 – no seu processo de fabricação, operação e descarte. Os principais gases de efeito estufa são o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxidos nitrosos (NOx), hidrofluorocarbonos (HFC’s), perfluorocarbonos (PFC’s), hexafluoreto (SF6) de enxofrecompostos orgânicos voláteis (COV´s) e derivados do enxofre.


As condutas abaixo são consideradas como eficientes na redução da emissão desses gases:


1. Realização de atividades operacionais que dependam de transporte, em um raio de até 800 km, tendo como referência central a fábrica;

2. Incentivo ao uso de combustíveis não dependentes de energia fóssil, em etapas de transporte; 

3. Adoção de processos que evitem a queima de materiais que possam intensificar a emissão de gases poluentes;

4. Tintas à base d’água (com redução nas emissões de COV, ou com teores conforme estabelecidos pela União Européia).