Agregados reciclados

Com elevação de custos dos materiais, agregados reaproveitados ganham força. Confira os principais cuidados de aquisição e uso
Por Rodnei Corsini



Por um lado, o governo apertou a fiscalização sobre o descarte de resíduos de construção. Por outro, as construtoras têm buscado enxugar custos. Nesse contexto, as luzes se voltaram para o reaproveitamento dos resíduos sólidos, que podem reduzir gastos tanto para quem gera resíduos quanto para quem compra materiais novos.

A primeira possibilidade é o uso de agregados reciclados, obtidos por meio do processamento do chamado "resíduo classe A". O termo foi criado pela Resolução no 307 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), de 2002, e regulamenta a gestão dos resíduos de construção e demolição - como tijolos, blocos, telhas, concreto etc. -, além de solos provenientes de terraplenagem.

As normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para uso de agregados reciclados vieram em 2004. "Nos países com cultura de reciclagem, o uso de agregados reciclados enfrenta poucas restrições", diz Tarcísio de Paula Pinto, urbanista e diretor da I&T, empresa de consultoria em gestão de resíduos. Ele afirma que essa cultura é enraizada nos países da Europa Central, onde há concreto reciclado produzido com conhecimento da formulação original, rigor que possibilita seu uso inclusive nos casos de requisição estrutural significativa.

"No Brasil, há a preocupação de, primeiro, criar a cultura da possibilidade de uso seguro desse material", diz Tarcísio, que participou da elaboração das normas. O segundo momento prevê uso menos restritivo do material e depende do desenvolvimento de práticas confiáveis de reaproveitamento dos agregados.

Rafael de Mendonça Arteiro, sócio-fundador da Britex, empresa de gerenciamento e processamento de resíduos, concorda. "A grande dificuldade é que ainda não há cultura de utilização do material", diz. A empresa começou a processar resíduos reaproveitando o material dos aterros inertes da cidade. "O segundo passo foi participar da demolição para garantir a qualidade do material", diz.

A Britex começou a operar há oito anos, com agregados que foram usados em parte na pavimentação do campus da zona Leste da Universidade de São Paulo. "Na época, já tinha um movimento para usar agregados reciclados, mas a produção era pequena", diz Arteiro. "Enfrentamos resistência de engenheiros a assinar ARTs (Anotações de Responsabilidade Técnica) com o material reciclado, apesar de existirem normas para definir seu uso", completa. Para vencer barreiras, a empresa inicialmente doava os agregados reciclados.


Após processamento e separação conforme composição e granulometria, agregados reciclados estão prontos para uso em obra. No Brasil, a legislação ainda não permite o uso desse material para fins estruturais

Reuso na prática

Para Arteiro a primeira vantagem no uso de reciclados é financeira. "O material custa entre 15% e 30% menos que na pedreira", afirma ao dizer que os insumos reciclados poderiam ser mais baratos caso houvesse incentivo fiscal. "Pagamos o mesmo imposto sobre o produto que a pedreira paga, mas esse material já teve o seu imposto coletado", diz.

Atualmente, a Cyrela não utiliza agregados reciclados, mas Alexandre Britez, gerente de desenvolvimento tecnológico da construtora, acredita que a adoção será inevitável. "Areia e brita, por exemplo, estão caras - vêm de longe, é difícil conseguir licença ambiental e são recursos finitos", diz. A construtora já utilizou, por exemplo, agregado reciclado na argamassa com resultados positivos. "Estamos esperando algum fornecedor que tenha o reciclado com o desempenho que precisamos a preço viável para implantar em larga escala", diz.

A CMO Construtora, instalada em Goiânia, afirma ter intenção de usar insumos reciclados. "Sabemos do projeto de uma fábrica de blocos de concreto em Aparecida de Goiânia que reutilizará resíduos classe A. Quando esta fábrica estiver pronta, estudaremos a viabilidade para utilização do bloco", diz Felícia Rodrigues, engenheira da gerência de planejamento da construtora.


No processo de reciclagem, construtoras encaminham resíduos classe A livres de contaminantes às usinas, que separam o material e voltam a colocar os agregados no mercado a custos até 40% menores do que os naturais

Descarte como ponto de partida

O procedimento que alimenta as boas práticas de reutilização dos resíduos classe A é a correta destinação dos materiais pelos geradores. "Quando saiu a resolução do Conama, os grandes geradores passaram a se preocupar mais com isso", diz Britez. Segundo ele, a Cyrela começou a separar os agregados conforme as classes em 2005.

Nas obras da construtora, cerca de 50% do que sai como resíduo é do tipo classe A, que pode ser usado para formar agregado reciclado. Esses resí­duos são inertes - se tiverem a finalidade de ser misturados em uma argamassa ou em um concreto, por exemplo, não impactarão negativamente se usados nas proporções corretas.

Para ajudar a garantir a origem do material, fator decisivo para a qualidade dos agregados, Arteiro recomenda alterar o processo de demolição para o de desconstrução de estruturas. Nesse processo é preciso retirar aço, madeira, plástico e outros materiais contaminantes. Ou seja, que têm resistência diferente da do concreto.

Segundo Arteiro, para que a areia possa ser usada na formulação do concreto estrutural é preciso garantir a correta granulometria, além de corrigir o traço conforme a quantidade de cimento incorporado na areia reciclada.

Normas e aspectos técnicos

As normas determinam a aplicação dos materiais, indicando de forma geral que o agregado reciclado pode substituir o convencional, exceto em peças estruturais. Tarcísio, diretor da I&T, detalha que a NBR 15116 aponta o uso dos agregados reciclados limitado à classe de concreto C 15, não estrutural. Já a NBR 15115 aponta o uso em camadas de pavimentação com algumas restrições. "Boa prática no uso de agregados reciclados é o uso consciente e cauteloso, obedecendo às normas, além da busca por qualificação do fornecimento por quem opera nas centrais de reciclagem", diz.

Iniciativa associada


A unidade da CompraCon-SP (Associação de Compras da Construção Civil no Estado de São Paulo) sediada em São José dos Campos fechou, em maio deste ano, acordos com uma empresa transportadora e gerenciadora de resíduos - Riplás - e com uma recicladora de resíduos da construção civil - Dutrafer. O objetivo, segundo a entidade, é lançar os agregados nos locais corretos para reciclagem e, depois de reciclados, reduzir o custo de venda.

Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP.

Nesse sistema, a Dutrafer recebe da Riplás materiais como blocos e concreto - além de pisos e azulejos que entram na formulação de agregados reciclados com cerâmica. O transporte dos resíduos para reciclagem é bancado pelas construtoras geradoras. Segundo Vituzzo, quando os agregados são reciclados eles saem por volta de 30% a 40% mais baratos por conta dessa parceria. A viabilidade para uso desses materiais nas obras é avaliada pelo engenheiro responsável de cada construtora.



Alexandre Britez, gerente de desenvolvimento tecnológico da construtora Cyrela

ENTREVISTA - Alexandre Britez

Destinação e uso de resíduos na construtora

Como se dá a destinação de resíduos para reciclagem no canteiro?


Inicialmente, nossa intenção era reaproveitar no próprio canteiro, mas vimos que era preciso investir muito para ter os equipamentos, além de dispor de espaço na obra. Não era viável, impactaria a gestão e prejudicaria o canteiro. Nosso negócio é construir edifício e não reciclar. Hoje doamos os resíduos e pagamos o transporte.

O que evoluiu na gestão dos resíduos?

Em 2005, não sabíamos quanto gerávamos e começamos a medir. Daí, tomamos uma série de ações para diminuir a geração. Se antes os tubos de hidráulica eram embutidos nas paredes - o que exigia rasgar a parede de tijolos -, passamos a criar shafts. Em 2009, gerávamos cerca de 74 l/m². Em 2010 chegamos a 58 l/m² e em 2011 temos meta de chegar a 53 l/m².

E quanto ao uso de reciclados?

Nossa área de desenvolvimento tecnológico aprova os produtos. Se a areia, natural ou reciclada, atender aos requisitos, compramos. No entanto, esse material é muito variável, o que impacta o desempenho e, por isso, ainda não conseguimos implantar. Mas a partir do ano que vem tenho certeza que teremos obras com agregados reciclados.

Já há estudos de viabilidade econômica?

Nosso critério inicial nunca foi preço,mas atendimento a requisitos técnicos. Nos estudos, ainda não há diferença muito significativa de preço entre materiais novos e resíduos classe A reciclados. Quando começaram a processar os agregados reciclados, eram até mais caros, porque o preço incluía a retirada, mas ao longo dos anos, o preço do agregado natural tem subido.

Uso dos reciclados

Areia: pode ser usada, inclusive, para concreto estrutural, pois conta com um pouco de cimento no material. Para fazer concreto magro, por exemplo, demanda mais água e menos cimento.

Pedrisco: a principal diferença em relação ao convencional é a financeira. Pode ser usado em peças estruturais, sendo necessário atentar apenas para a proporção. Concretos sem fins estruturais podem contar com 100% do pedrisco reciclado.

Britas I e II:
pode substituir totalmente a pedra convencional em qualquer aplicação que não seja estrutural.

Bica corrida e bica com cerâmica:
devido à grande quantidade de pó de cimento, para solos muito frágeis e úmidos costuma-se usar bica reciclada para execução de solo-cimento, o que barateia a execução com ganho de resistência. A alta capacidade de absorção da cerâmica exige o uso de uma maior quantidade de água nos casos em que há presença desse material.

Rachão: a versão reciclada substitui totalmente a convencional em qualquer aplicação, inclusive para gabiões.

BGS (brita graduada simples):
como é possível obter qualquer granulometria a partir do material reciclado, pode-se utilizar a BGS para aplicações em geral. 

Sustentabilidade - Hotelaria: Os hotéis 5 estrelas em sustentabilidade pelo mundo

Eles são um luxo em serviço, mas também em ecoeficiência energética e baixo impacto ambiental. Conheça oito hotéis ao redor do mundo considerados exemplos de práticas verdes pelo EarthCheck, instituto líder em avaliação da sustentabilidade hoteleira
Novotel (China, Pequim e México) 

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Pertence à marca de hotéis da categoria superior dentro do portfólio do grupo Accor, o Novotel tem três endereços de sua rede voltada para negócios considerados exemplos em sustentabilidade: um em Pequim, na China (foto) e dois no México.

Segundo o EarthCheck, a rede Novotel dá um show de desempenho em 10 de 15 indicadores de avaliação, que incluem consumo de energia, emissões de gases de efeito estufa, economia de água, sistema de coleta e reciclagem de resíduos, baixo desperdício de produtos, como papel, entre outros.

InterContinental Singapura 

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Também voltado para negócios, o Intercontinental Singapura é outro exemplo de responsabilidade social e ambiental, segundo o instituto EarthCheck. Seu ponto alto é o consumo de energia.

Segundo relatório do instituto, o hotel apresenta uma eficiência energética 18,8% acima da média das melhores práticas desta categoria. Em agosto, os quartos e suites do hotel passaram ainda por uma renovação de 7,2 milhões de dólares para ficar mais ainda com a cara da cultura local.

Grand Palladium Jamaica and Lady Hamilton & Spa, Jamaica
 
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O design moderno e o serviço 5 estrelas deste hotel jamaicano convivem harmoniosamente com a exuberante beleza natural da região. Bem pontuado em onze indicadores de ecoeficiência do EarthCheck, o Grand Palladium Jamaica and Lady Hamilton & Spa tem desempenho invejável no quesito emissões de gases estufa, com índice 39,9% superior à média das melhores práticas.

El Tukan Hotel & Beach Club, México 

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Além de possuir um programa específico de sustentabilidade, o El Tukan & Beach Club, situado praia mexicana Del Carmen, apresenta rendimento acima da média em onze categorias do EarthCheck. Na lista entram, por exemplo, a boa eficiência energética e a destinação correta de resíduos. Ideal para férias em família, o hotel ainda é rodeado por uma belíssima fauna e flora locais.


Centara Karon Resort Phuket 
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Localizado em uma ilha na Tailândia, o Centara Karon Resort Phuket procura maximizar a eficiência operacional para minimizar as emissões de carbono, reduzir o consumo de energia e água, e a geração de lixo. Além disso, o hotel mantém um programa próprio de revitalização da paisagem local, com fertilizantes orgânicos roduzidos pela própria comunidade.


Heritance Ahungalla, Sri Lanka
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Heritance Ahungalla, Sri Lanka

A vista do azul da piscina na entrada se confunde com as águas cristalinas do Oceano Índico neste luxuoso hotel no Sri Lanka, à beira da praia.
O compelxo Heritance Ahungalla se destaca pelo bom desempenho em 10 dos 15 indicadores de ecoeficência do EarthCheck.
Um dos seus pontos altos é a baixa emissão de gases de efeito estufa, bem inferior a média do hotéis da categoria.





Qualidade como suporte da Sustentabilidade

Busca pela qualidade da gestão traz benefícios para consumidor final e colaboradores da empresa

O objetivo de tornar os processos de uma empresa mais sustentáveis com relação ao meio ambiente e mais rentáveis com relação aos stakeholders (funcionários, clientes, fornecedores, sociedade, acionistas) foi o tema central do 1º Seminário da Qualidade do Comitê Setorial ASBRAV. 
 
A atividade fez parte da programação 6º Seminário da Qualidade Segmento Alimentação/Farmacêutico, realizado na última quarta-feira (28/09), no Espaço COMPET/ FIERGS.


O palestrante e diretor financeiro da São Carlos Thermical Systems, Daniel Helfensteller, contou sobre as certificações de ISO conquistadas pela empresa e o que cada uma representa na busca da organização pelo desenvolvimento sustentável.

- Em 2003, conquistamos a ISO 9001 que certifica a satisfação do cliente no serviço prestado. Em 2008, conquistamos a ISO 14001 que cuida da parte ambiental. A São Carlos tem aspectos e impactos ambientais com os gases de refrigeração. Esta ISO certifica que temos controle dentro da legislação vigente dessas emissões. Neste ano, conquistamos a ISO 18001 que trata da segurança e saúde do colaborador, garantindo que trabalhamos de forma segura e dentro da legislação tendo todas as medidas preventivas contra um acidente de trabalho - conta.

O evento foi idealizado pelo Comitê Setorial da Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Aquecimento e Ventilação (ASBRAV) que está ligado ao Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP). O objetivo é incentivar os associados na busca da melhoria dos processos dentro das organizações. O presidente do Comitê Setorial ASBRAV, Luiz Alberto Hansen ressalta a importância deste tipo de evento.

- Em se tratando de disseminação das ferramentas da qualidade com certeza nós estaremos presentes em futuros eventos. Este é o primeiro seminário, mas a nossa parceria com o comitê da indústria farmacêutica e alimentícia nos faz antever que estaremos presente em outros - avisa.

No atual grupo de associados no Comitê Setorial ASBRAV estão nove empresas, além das primeiras participantes que atualmente já estão participando de premiações do PGQP. Mais informações sobre o comitê pelo telefone (51) 3342.2964 ou e-mail asb...@asbrav.com.br.

ASBRAV

A ASBRAV desempenha importante papel na defesa dos interesses de seus associados, empresas e profissionais dos setores de Refrigeração, Ar Condicionado, Aquecimento e Ventilação, na Região Sul. A qualificação profissional é um dos maiores objetivos da entidade. Oferece permanentemente cursos básicos e de atualização profissional na área, e ainda cursos de gestão empresarial para o desenvolvimento gerencial de seus associados. Também estabelece parcerias e cooperação técnica com entidades de ensino no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. 
 

Prêmio incentiva gestão profissional no artesanato

Assessoria Sebra/MA

Para identificar as melhores práticas de artesanato em todo o país, será realizada a 3ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato. Os interessados em participar podem se inscrever a partir desta segunda-feira (3) a 30 de novembro.




A premiação, realizada de três em três anos, incentiva os artesãos a introduzirem técnicas de sustentabilidade e a melhorarem a gestão de seus negócios. As duas primeiras edições foram realizadas em 2006 e em 2009.

O Sebrae espera receber mais de mil inscrições neste ano. Os vencedores serão selecionados entre empreendedores individuais, grupos de produção artesanal, micro e pequenas empresas, associações e cooperativas.

A seleção considera critérios de inovação dos produtos, adequação econômica e ambiental, qualidade e responsabilidade social, entre outros quesitos. Ao todo, 180 unidades produtoras receberão visitas para a escolha das cem melhores. A premiação acontece em agosto de 2012.

Os vencedores têm a oportunidade de expor seus produtos em quatro eventos comerciais de expressão nacional. Eles podem ainda usar o selo TOP 100 de Artesanato e divulgar seus produtos no catálogo do prêmio.

Profissionalização
O objetivo do TOP 100 é estimular a melhoria do artesanato brasileiro, principalmente na gestão dos processos - da produção ao comércio. A profissionalização da administração foi um dos benefícios da vitória do grupo Marcheteria do Acre, na edição de 2009.

Os 23 artesãos do município de Cruzeiro do Sul passaram a gerir o negócio de forma mais eficiente para atenderem à demanda, que não para de crescer. "Hoje temos uma política de vendas bem organizada, o que foi necessário para suprir o aumento da procura. Nossa venda mensal passou de 220 peças, em 2008, pouco antes do prêmio, para mais de 500, agora", conta a coordenadora do grupo, Florinda Bissoli.

Há 15 anos, os artesãos praticam a marchetaria, arte de empregar madeiras incrustadas, embutidas ou aplicadas em peças de marcenaria, artigos decorativos e utensílios como porta-joias.

Empresa contrata técnicos para atuar com energia eólica

Seleção tem vagas para o Brasil e para a Europa, com viagens para o exterior
Da redação

 
Crédito: GettyImages 
 
A empresa de recursos humanos Adecco está recrutando profissionais para uma empresa da área de energia eólica em vagas disponíveis para trabalho no Brasil e na Europa. 
 
Os candidados irão integrar a equipe brasileira, mas poderão realizar viagens para Portugal.

Basicamente, os requisitos são: 
 
Experiência/visto de trabalho no Brasil; 
escolaridade mínima de 9º ano ou formação profissional na área de energia/eletricidade; 
vivência em temas como manutenção industrial, eletricidade de baixa e/ou média tensão; 
montagem de estruturas metálicas; 
manobra de equipamentos de elevação.

A posição oferece todos os gastos com deslocamento.

As candidaturas podem ser enviadas para:
adelaide.costa@adecco.com ou est.castelobranco@adecco.com, com a referência TEC_ENER.





Recicl@tesc – Projeto brasileiro promove a reciclagem e a reutilização de computadores


Por Sandra Pavesi
O relatório de 2009 do UNEP (United Nations Environmental Programme) intitulado “Recycling – from E-waste to resources” (Reciclagem – de lixo eletrônico a recurso) não deixa dúvidas quanto à gravidade que o problema do descarte massivo de dispositivos eletrônicos, entre os quais computadores e seus acessórios, poderá adquirir nos próximos anos. 
 
Com base nos levantamentos efetuados, estima-se que a geração de resíduos eletrônicos já supere em três vezes aquela de outros tipos de lixo. Entre as causas desse fenômeno despontam a obsolescência dos equipamentos novos, os custos de manutenção e a pressão mediática para substituir aparelhos que, embora perfeitamente funcionais, passam a ser vistos como calhambeques.

Não obstante a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada no ano passado, proíba o descarte de eletrônicos em áreas ambientalmente vulneráveis e comprometa os fabricantes a recolher os produtos descartados pelos consumidores, e a encontrar soluções ambientalmente corretas para a sua disposição final, ainda são poucas as empresas e organizações que se profissionalizaram na reciclagem deste tipo de resíduos.



O resultado é que o grosso dos equipamentos eletrônicos inutilizados acaba em lixões e aterros, quando não é recolhido em “ferro-velhos”, nos quais se procede – em condições de trabalho precárias – à separação dos componentes que seguem na direção da China e da Índia, principais importadores do chamado e-lixo. Neste caso, aos acidentes e riscos ambientais no trabalho de triagem dos materiais reaproveitáveis somam-se os impactos ambientais causados pela contaminação da água por metais tóxicos (entre os quais chumbo, cádmio, cromo e mercúrio) provenientes da lixiviação dos componentes eletrônicos.

Projeto Recicl@tesc: Se é possível reciclar, pra que jogar? 


É justamente nesse quadro, alarmante e desalentador para muitos, que se inspira o projeto Recicl@tesc (Reciclagem Tecnológica de São Carlos), cujos criadores apostam na possibilidade de fazer da crise e do desafio uma oportunidade.

Iniciado em 2009 a partir de uma parceria entre pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), a Rede Social de São Carlos (programa para o desenvolvimento social promovido pelo SENAC), o Nosso Lar (instituição de atendimento a crianças e adolescentes sem fins lucrativos) e a Prefeitura Municipal, o projeto desenvolve-se em duas frentes principais: a remanufatura de computadores obsoletos para posterior venda ou doação a escolas e organizações sociais, e a capacitação de pessoal especializado em montagem e manutenção de computadores (entre outras funções inerentes à remanufatura).


Com isto, o projeto propõe-se a responder simultaneamente a demandas emergentes como a proteção ambiental, a formação profissional e a inclusão digital, visando o horizonte da sustentabilidade.

Infelizmente, nem sempre é possível restaurar os equipamentos doados ao projeto Recicl@tesc. Neste caso, após “desmanufaturar” os computadores, ou seja, desmontá-los e separar suas peças, estas são vendidas a firmas especializadas (e devidamente certificadas) que se ocupam da extração e recuperação de materiais, entre os quais metais preciosos como o ouro, a prata e o cobre. Realizado de acordo com tecnologias compatíveis com os princípios da sustentabilidade, este processo também promove a economia de recursos, além de poupar os custos socioambientais decorrentes da extração dos minérios diretamente da natureza.


 
Atualmente, o Recicl@tesc vem buscando maior projeção no mercado regional da reciclagem de computadores, com a finalidade de garantir a sustentabilidade financeira do projeto e de fortalecer suas funções socioambientais. Pelo link www.reciclatesc.org.br, os leitores e potenciais doadores podem acessar o ambiente do projeto e encontrar informações valiosas sobre as atividades desenvolvidas, os postos de coleta e o regulamento para a doação de equipamentos.
 
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Sobre o autor:

Sandra Pavesi
Sandra Pavesi ( )
Sou ecóloga, educadora ambiental e pós-doutora na área de planejamento para a sustentabilidade (Instituto de Arquitetura e Urbanismo - USP). Não acredito em fronteiras disciplinares e, menos ainda, que a academia tenha todas as respostas. Nasci na Itália, mas não gosto de carros; minha bike é o meu corcel. Site: http://aguasdamemoria.wordpress.com  

Consumidor está mais sustentável, revela pesquisa

Realizado pela Tetra Pak, o estudo mostra mudanças positivas, principalmente no Brasil, na China, na França, na Alemanha e nos Estados Unidos  
Da Redação
 

Uma pesquisa realizada pela Tetra Pak - líder mundial em soluções para processamento e envase de alimentos - aponta que os consumidores de todo o mundo estão cada vez mais conscientes e tomando atitudes para preservar o meio ambiente. O relatório, que comparou o comportamento das pessoas entre 2005 e 2011, mostra uma mudança positiva, principalmente no Brasil, na China, na França, na Alemanha e nos Estados Unidos.

O estudo destaca que quase 70% dos consumidores pesquisaram “questões verdes” nos últimos 12 meses. Um grande aumento se comparado com os menos de 40% dos pesquisados em 2005. O percentual de consumidores que descartam suas embalagens e resíduos para a reciclagem também aumentou, saltando de 70% em 2007 para 90% em 2011.

A pesquisa, realizada com mais de 6.600 consumidores e 200 formadores de opinião em 10 países, ainda aponta que a preferência por embalagens recicláveis tem crescido e já representa 88% do total. Cerca de 77% também afirmaram que compraram determinados produtos e não outros, porque a embalagem era melhor para o ambiente.

O levantamento também analisou o comportamento dos fabricantes de alimentos e varejistas. Neste público, cerca de 83% dos entrevistados indicaram que consideram o impacto ambiental na escolha de soluções de embalagens, seguindo a tendência dos consumidores.

Como o interesse pelo assunto sustentabilidade está aumentando, cerca de 60% dos entrevistados afirmam entender termos ambientais complexos como "pegada de carbono", por exemplo. De acordo com Dennis Jönsson, presidente e CEO da Tetra Pak, mais da metade dos consumidores buscam por produtos que forneçam informações sobre o impacto ambiental e afirmam que a falta de dados e selos era um problema em seu comportamento de compra. 
 
“Estes resultados ressaltam a necessidade dos fabricantes de alimentos, varejistas e empresas de embalagens oferecerem produtos mais ecológicos e que permitam aos consumidores fazer escolhas conscientes e sustentáveis", afirma Dennis.

A pesquisa também mostra que os consumidores querem fazer escolhas mais “verdes”, sem comprometer o custo e qualidade. A maioria dos entrevistados, cerca de 78%, disseram que estariam dispostos ou extremamente dispostos a comprar alimentos ou bebidas em embalagens "verdes" se fossem o mesmo preço que os tradicionais.

Além disso, cerca de 74% dos consumidores disseram que estariam dispostos ou extremamente dispostos a comprar produtos "verdes" se a qualidade fosse a mesma que os tradicionais. Já cerca de 28% dos consumidores afirma que vão comprar produtos em embalagens menos prejudiciais ao meio ambiente, mesmo que custem mais.

Fonte: CeluloseOnline