Ministério do Esporte e BID lançam hotsite de seminário sobre sustentabilidade da Copa


Fonte: Ministério do Esporte

Está no ar o hotsite do Seminário Internacional Copa 2014: sustentabilidade e legado, que será realizado em Manaus, nos dias 28 e 29 de setembro. 
O banner de acesso se encontra na parte superior da capa do portal do Ministério do Esporte (www.esporte.gov.br). O encontro faz parte de uma parceria entre o Ministério e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Experiências bem sucedidas na área de meio ambiente e sustentabilidade aplicadas em sedes de grandes eventos esportivos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, serão apresentadas e discutidas nos dois dias do evento.

Autoridades de Espanha, Coreia do Sul, Alemanha e África do Sul farão uma exposição sobre as experiências internacionais de sustentabilidade e as conquistas obtidas nos megaeventos esportivos. Todas as ações consolidadas no seminário farão parte de um livro a ser publicado pela parceria Ministério do Esporte/BID, que servirá de modelo para os próximos megaeventos.

Saiba porque a lâmpada fria economiza 75% em relação à quente


 Lâmpada fluorescente ou fria, à esquerda, garante a mesma luminosidade com até cinco vezes menos gasto de energia do que a lâmpada incandescente ou .... Foto: Getty Images
Lâmpada fluorescente ou fria, à esquerda, garante a 
mesma luminosidade com até cinco vezes menos gasto 
de energia do que a lâmpada incandescente ou quente
Foto: Getty Images

De acordo uma projeção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo de energia elétrica crescerá 4,8% ao ano até 2020. Isso significa que o gasto em residências subirá dos 107,2 GWh registrados em 2010 para 166,9 GWh daqui a uma década. 

Mas é possível reduzir esses números a partir de pequenos hábitos - como apagar as luzes nos cômodos sem utilização - e do uso otimizado dos equipamentos e utilitários domésticos. As lâmpadas, por exemplo, podem economizar até 9,6 KW por mês - considerando quatro lâmpadas comuns ligadas cinco horas por dia.

Há dois tipos principais de lâmpadas usadas em casas: as incandescentes, ou amarelas, e as fluorescentes, ou brancas. Essas últimas, de acordo com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), são as que mais economizam luz - até 75% em relação ao primeiro tipo, conhecido também como "comum". O gasto menor se deve ao modo como as duas funcionam, e à quantidade de energia elétrica gasta para gerar uma mesma quantidade de luminosidade.

As incandescentes têm um filamento de tungstênio, metal com o maior ponto de fusão entre os conhecidos pela química. Quando a corrente elétrica passa pelo fio, faz com que os elétrons se choquem e liberem luz e calor. A luz se espalha pelo gás que existe dentro do bulbo de vidro da lâmpada, iluminando o ambiente. Em uma lâmpada queimada, o filamento de tungstênio está partido e a energia não consegue chegar ao outro lado, ou seja, não há produção de luz.

As lâmpadas fluorescentes não têm fios de metal. Elas são em formato de tubo - grande e único, ou pequenos e curvados - dentro do qual há gás ou vapor. Quando a corrente elétrica passa por esse meio gasoso, produz luz. O calor dissipado é muito menor - por isso essas lâmpadas também são conhecidas como frias, enquanto as amarelas são chamadas de quentes. 

Mas não é por causa da temperatura que as lâmpadas fluorescentes são mais eficientes do que as incandescentes: é por causa da quantidade de luz em relação ao gasto de energia. A quantidade de luz é medida pelo fluxo luminoso, cuja unidade é o lúmens, abreviado lm. O consumo é medido em quilowatts por hora (KWh), ou seja, está ligado à potência da lâmpada.

Na prática, isso significa que uma lâmpada branca de 40W gera o mesmo gasto de energia que uma lâmpada amarela de 40W. A diferença é que a lâmpada frio emite cerca de 3 mil lúmens, enquanto a quente emite apenas 600 lm. Fazendo as contas, no lugar de uma lâmpada incandescente de 40W para iluminar a sala de estar, poderia ser usada uma lâmpada fluorescente de 8 W, com o mesmo resultado final em termos de iluminação - e cinco vezes menos consumo de energia elétrica.

Entre as fluorescentes, um dos tipos mais comuns é o tubular, que precisa de um reator para adequar a tensão da rede elétrica (medida em Volts). Já no caso das lâmpadas fluorescentes compactas ou circulares (LFC), o reator vem acoplado à lâmpada - há diferença entre as bases de encaixe, que exigem bocais específicos, e as de rosca, que podem ser instaladas nos soquetes de lâmpadas incandescentes comuns. 

Os modelos fluorescentes compactos têm tubos em forma de U ou arco, enquanto os circulares têm formato, como o nome indica, completamente circular - e precisam de adaptadores para serem ligadas a bocais comuns.

Para uso residencial, o Procel indica as lâmpadas brancas, pois têm durabilidade de seis a oito vezes maior do que as amarelas, e alta eficiência, com baixo consumo de energia. Elas são ideias para o uso em ambientes em que passam mais de quatro horas ligadas. 

O Programa também indica o uso para minuteiras, que acendem por um minuto quando o interruptor é acionado, e para as acionadas por sensor de presença, que só permanecem ligadas enquanto há movimentação no ambiente, mas faz a ressalva de que a economia, nesse caso, não é tão grande.

E quem garante que há, realmente, economia de energia com as lâmpadas brancas? O próprio Procel. O selo do Programa indica que a lâmpada foi testada e atende a parâmetros de economia e durabilidade - todo ano, fabricantes reapresentam os modelos para novos testes. 

O selo também funciona como garantia de que lâmpada não vai queimar no período de 12 meses - não incluídos problemas causados por mal uso. Segundo o Procel, o selo serve, mais do que isso, para orientar o cliente sobre quais os artigos que oferecem, de fato, o que a tecnologia promete, evitando decepções que poderiam levar os consumidores a abandonar seu uso.

Fonte: Terra

Saiba o que significam os principais selos ecológicos do mercado

Fonte: Diário de Pernambuco

Brasil - Existem no mercado dezenas de certificadoras que avaliam o quanto um produto é ambientalmente adequado. Diante de tanta variedade, o consumidor fica atordoado e pode se confundir. 
 
Além disso, há ainda um outro problema: algumas empresas usam selos autodeclaratórios, que são colocados nos produtos pelos próprios fabricantes. Isso gera mais confusão, já que estes símbolos aparecem camuflados no rótulo e não possuem a credibilidade de um organismo certificador independente, mas que podem ser encarados como tal.

Como toda compra está sujeita ao ato de comparar e escolher, estes selos são de extrema importância para que o cliente antenado com as questões ambientais não seja lesado por uma produção irresponsável. Mas toda atitude “verde” de consumidores, além de envolver questões como preço, qualidade, quantidade, tamanho, também demandam uma palavrinha muito importante: informação.

Por isso separamos abaixo uma breve explicação do que representam os principais selos ecológicos conferidos por certificadoras no mercado.

Procel: Este selo serve para certificar equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos. O selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica indica os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria. Os equipamentos passam por rigorosos testes feitos em laboratórios credenciados no programa. Foi criado para melhorar a compra por parte dos consumidores finais e, ao mesmo tempo, estimular os fabricantes a procurarem a evolução do desempenho energético dos seus equipamentos.
 


 
FSC (Forest Stewardship Council): Certifica áreas e produtos florestais, como toras de madeira, móveis, lenha, papel, nozes e sementes. Este selo atesta que o produto vem de um processo produtivo ecologicamente adequado, socialmente justo e economicamente viável. O processo de concessão do selo depende do atendimento a dez princípios, entre eles a obediência às leis ambientais, o respeito aos direitos dos povos indígenas e a regularização fundiária.
 


 
LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental): Este selo é usado para certificar edificações. É concedido a prédios que minimizam impactos ambientais, tanto na fase de construção quanto na de uso. Materiais renováveis, implantação de sistemas que economizem energia elétrica, água e gás e controle da poluição durante a construção são alguns dos critérios.


 
IBD (Instituto Biodinâmico): Ele garante a responsabilidade ambiental da produção de alimentos, cosméticos e algodão orgânicos. Além de cumprir os requisitos básicos para a produção orgânica (como fazer rotação de culturas e não usar agrotóxicos), garante que a fabricação daquele produto obedece ao Código Florestal Brasileiro e às leis trabalhistas. Os produtos industrializados devem ter ao menos 95% de ingredientes orgânicos certificados – a água e o sal são desconsiderados nesse cálculo tanto para cosméticos quanto para alimentos.
 

 
 
ECOCERT: Este selo também certifica alimentos orgânicos e cosméticos naturais ou orgânicos. Ele estipula que os alimentos processados devem conter um mínimo de 95% de ingredientes orgânicos para serem certificados. Para ganhar um selo de cosmético orgânico, um produto deve ter ao menos 95% de ingredientes vegetais e 95% destes ingredientes devem ser orgânicos certificados – no caso de cosméticos naturais, 50% dos insumos vegetais devem ser orgânicos.

 
Existem vários outros selos destinados às mais diversas áreas, como gestão ambiental de empresas e empreendimentos, produtos agrícolas etc. Procure conhecê-los, eles são muito importantes para garantir o consumo consciente.

De cabras à energia solar, descubra o lado "verde" do Google

Fonte: Terra

Mundo - Milhões de pessoas no mundo todo usam os serviços do Google diariamente. Já pensou quanta energia é gasta para manter os servidores que guardam os emails do Gmail, mantêm no ar o buscador mais usado no planeta e hospedam todos os vídeos do YouTube? 
 
 
Esses foram apenas alguns exemplos da forma que os serviços da gigante da internet podem afetar nosso planeta.

Para reverter todo esse impacto, a companhia de Mountain View investe há anos em formas mais sustentáveis de manter o seu negócio. Tudo começa na parte operacional: são inúmeras as medidas tomadas pela gigante da internet para manter seus datacenters mais alinhados com o meio ambiente. Desde reduzir pela metade o consumo de energia dos servidores, passando pelo transporte de funcionários usando veículos elétricos ou movidos a biodiesel, até a "contratação" de cabras para aparar a grama da sede da empresa, o Google toma medidas simples para reduzir seu impacto.

Das roupas usadas pelos funcionários no datacenter ao sistema de energia solar da sua sede, veja como o Google trabalha para ser mais sustentável:

Datacenters - Segundo o Google, os datacenters da empresa estão entre os mais eficientes do mundo, já que consomem 50% menos energia. O processo de refrigeração mais eficiente é uma das estratégias. Segundo a empresa, 1.050 buscas no Google emitem a mesma quantidade de carbono que a produção de um copo de suco de laranja.

Funcionários de bermuda - Como a temperatura nos datacenters é alta, já que o Google usa o ar condicionado o menos possível para poupar energia, a empresa permite que seus funcionários usem roupas "mais simpáticas com o calor".

Reciclagem - Segundo o Google, cada peça dos equipamentos eletrônicos é reciclada. Até mesmo a água usada no resfriamento dos servidores é 100% reciclada.

Redução de carbono - Para reduzir as emissões de carbono, o Google "contratou" cabras para aparar o gramado da sede em Mountain View. O custo de levar as cabras, de acordo com a empresa, é comparado à contratação de cortadores, e ainda elimina as emissões de carbono das máquinas, reduz a poluição sonora e fertiliza o solo.

Transporte sustentável - A empresa mantém uma infraestrutura de transporte verde que inclui ônibus elétricos ou movidos a biodiesel para o transporte de funcionários, reduzindo, mais uma vez, as emissões de carbono. Além disso, funcionários que vão ao trabalho de bicicleta ou a pé, por exemplo, ganham selos que viram doações do Google a instituições.

Alimentação - As refeições dos funcionários também são pensadas sustentavelmente. A compra de produtos locais, de alimentos frescos, reduzindo as emissões de transporte, além da doação de alimentos não consumidos e a compostagem dos restos são algumas medidas.

Edifícios sustentáveis - O Google afirma que investe na construção de edifícios mais amigáveis com o meio ambiente. Além de aproveitar ao máximo a luz solar e as janelas - para reduzir o ar condicionado - , o Google usa materiais de construção com o menor nível de produtos químicos como chumbo e mercúrio.

Google Earth Engine - A plataforma Earth Engine transforma um extenso arquivos de imagens de satélite em um banco de dados em que cientistas e usuários comuns podem monitorar e comparar situações de desmatamento, desertificação e aquecimento global.

Energia limpa - O Google já investiu US$ 780 milhões em projetos inovadores de energia limpa. No último investimento, feito neste ano, a empresa liberou US$ 280 milhões na instalação de painéis solares residenciais nos Estados Unidos, maior aposta da gigante da internet em energias renováveis. O novo fundo financiado pelo Google representa o investimento mais alto já feito nos EUA em projetos para impulsionar o uso residencial de energia solar.

Redução de energia dos computadores - O Google apoia a Climate Savers Computing Initiative, união de empresas que trabalham no design de computadores mais inteligentes e sustentáveis. A iniciativa já economizou US$ 2 bilhões em energia, além de 32 milhões de toneladas de CO2.

Tribos na Amazônia - O Google apoia a tribo indígena Surui no uso do Google Earth para monitorar a extração ilegal de madeira em suas reservas.

Brasil terá 1º parque tecnológico para pesquisas da construção civil

Projeto vai custar R$ 25 milhões e conta com o apoio da CBIC, SindusCon-DF, Ademi, governo do Distrito Federal e a britânica Building Research Establishment
Por: Altair Santos

Foi no 83º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), ocorrido em agosto de 2011, que a construção civil brasileira recebeu uma boa notícia: a de que será erguido em Brasília o primeiro parque tecnológico voltado exclusivamente para pesquisas no setor. 

Batizado de Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído (Pisac), o novo centro de desenvolvimento nasce de uma parceria entre o setor produtivo (representado pela CBIC, SindusCon-DF e Ademi-DF), o governo do Distrito Federal, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a empresa inglesa Building Research Establishment (BRE) que tem 94 anos de experiência em desenvolvimento de pesquisa e inovação na área da construção.

O parque tecnológico vai abranger uma área de 20 mil m², dentro do campus da UnB (Universidade de Brasília) na cidade satélite do Gama, e as obras começam em 2012. O investimento inicial será de R$ 25 milhões. A ideia é que as pesquisas desenvolvidas no Pisac orientem a indústria para construções com materiais pouco poluentes, custo reduzido de água e energia e com geração de menos carbono na atmosfera. O projeto, que estará atrelado ao Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade (Lacis) da UnB, prevê também a necessidade de identificar fragilidades e gargalos na cadeia produtiva, além de prospectar novos métodos de engenharia e tecnologia para a construção civil.



Peter Bonfield, presidente da Building Research Establishment: em agosto de 2011, ele visitou a área do PqT da Construção Civil

O Pisac terá como modelo o parque tecnológico que a Building Research Establishment (BRE) mantém em Londres, na Inglaterra. Lá existe uma pequena vila, com dez casas, onde são feitas simulações de tecnologias de adaptação para os efeitos das mudanças climáticas, a fim de testar a resistência dos mais variados materiais. Também há experiências com diferentes modelos construtivos que contemplem os conceitos de sustentabilidade e inovação. No dia da assinatura do acordo, em 10 de agosto de 2011, o presidente da BRE, Peter Bonfield, esteve em Brasília para visitar a área em que será o Parque Tecnológico (PqT) voltado exclusivamente para a construção civil.

O Brasil atualmente tem 25 parques tecnológicos em operação, 17 em fase de implantação e 32 no papel, segundo a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). Por regiões do país, a Sudeste abriga 64% dos PqTs, enquanto Nordeste e Sul têm respectivamente, 32% e 13%. No Centro-Oeste, o primeiro a ser implantado será o Pisac, enquanto no Norte está em fase final de conclusão o Parque de Ciência e Tecnologia de Guamá, que vai ocupar uma área de 72 hectares dentro da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Belém. Os estudos deste PqT vão se concentrar em TI, energia, tecnologia do alumínio e biotecnologia.

No Brasil, o mais antigo parque tecnológico é o da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB) em Campina Grande. Fundado em 1984, sua especialidade é Ciência, Tecnologia e Informação (CT&I). Atualmente, estima-se que hoje os PqTs em operação no país abriguem quase 550 empresas incubadas, gerando faturamento médio de R$ 1,687 bilhão, R$ 116 milhões em exportação e R$ 119 milhões de geração de impostos para os cofres públicos, além de 26.233 postos de trabalho. Mesmo assim, o Brasil comparece com nem 1% dos parques tecnológicos existentes no mundo, que hoje ultrapassam a marca de 1.400.



Francilene Garcia, vice-presidente da Anprotec: “Percebe-se ainda uma forte dependência de recursos públicos, com poucos investimentos privados”

Há muito a ser fazer no Brasil, diz Anprotec
A vice-presidente da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), Francilene Garcia, avalia que o Brasil ainda tem muito a avançar na construção de parques tecnológicos. Segundo ela, há ainda muita dependência de recursos públicos. No entanto, reconhece que houve evolução a partir da década passada, principalmente com a entrada da iniciativa privada. É o que avalia na entrevista a seguir. Confira:

A maioria dos parques tecnológicos em operação no Brasil se concentra em que tipo de pesquisa?
Há uma grande sinergia deles nas áreas de tecnologia da informação, energia, eletroeletrônica, biotecnologia, mídia e audiovisual, tecnologias limpas, petróleo e derivados, nanotecnologia e químico farmacêutica.

Boa parte dos parques tecnológicos no Brasil tem vínculos com universidades públicas. Por que isso ocorre?
Praticamente todos eles possuem vínculos com universidades públicas ou privadas. A capacidade instalada de pesquisa e desenvolvimento nas universidades brasileiras é o maior atrativo para esta parceria, facilitando o acesso dos empreendimentos inovadores ao conhecimento gerado e aos ambientes, como laboratórios e equipamentos de alta complexidade. Outro fator bastante significativo é o acesso facilitado aos profissionais altamente qualificados egressos dos cursos de graduação e pós-graduação, o que é um diferencial para startups de pesquisas.

Falta ao Brasil ter o governo como um indutor maior de pesquisa e inovação?
Essa trajetória tem sido construída pelos governos, progressivamente desde a década passada, mas ainda há muito a construir. Alguns dos avanços já foram conquistados, como o marco legal com regulamentações que incentivam a inovação e a captação de recursos provenientes dos instrumentos de fomento do Sistema de CT&I (Ciência, Tecnologia e Informação) operacionalizados por agentes como FINEP, BNDES/FUNTEC e programas de investimento em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) vinculados a legislações específicas, tais como Lei de Informática, Lei do Petróleo e Lei de P&D em Energia.

Em relação à iniciativa privada, ela participa de programas de pesquisa em um volume considerável?
Tratando-se de projetos e implantações de parques tecnológicos, percebe-se ainda uma forte dependência de recursos públicos, com poucos investimentos privados. Em alguns casos de parques tecnológicos em operação, progressivamente começamos a ver a chegada dos investimentos privados, com destaque para as áreas imobiliárias e financeiras. É importante destacar os incentivos atuais para que empresas de médio e grande porte (em termos de faturamento) passem a investir mais em P&D. Estamos ainda iniciando tal trajetória no Brasil. Neste sentido, estamos avançando no sentido de se definir uma política nacional de apoio a parques tecnológicos, estabelecendo claramente o papel dos vários atores: governo federal, governos estaduais, governos municipais, universidades e setores industriais e financeiros.

Há muitas empresas multinacionais vindo ao Brasil para fomentar a pesquisa. Isso tende a tornar sustentável a pesquisa e a inovação no Brasil?
O Brasil tem atraído em especial centros de P&D de importantes empresas multinacionais, a exemplo do Centro de P&D da GE (General Electric) que irá se instalar na Ilha do Fundão, no parque tecnológico do Rio de Janeiro. A implantação física de tais centros mobiliza outros investimentos em CT&I, acelerando o crescimento e a inserção internacional de empresas instaladas nesses ambientes, estimulando um incremento do investimento privado. Seguindo por este caminho, certamente teremos como alavancar empreendimentos inovadores mais sustentáveis.

Na América do Sul, o Brasil já é líder em volume de parques tecnológicos e pesquisas?
Sim, o movimento brasileiro de empreendedorismo inovador está bem posicionado globalmente. A Anprotec é uma das fundadoras da World Alliance for Innovation (WAINOVA). Uma importante fonte de pesquisa sobre a realidade mundial e na América do Sul é o recém lançado Atlas Mundial da Inovação (http://www.wainova.org).

A Anprotec realiza em outubro o 21º seminário nacional de parques tecnológicos e incubadoras de empresas. Qual será o foco dos debates que acontecerão no encontro?
Sob o tema “Nova Competitividade dos Territórios”, o 21º Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas e o XIX Workshop Anprotec abrem um espaço de reflexão onde se avalia o papel de parques e incubadoras na construção de um caminho pautado pela sinergia dos mecanismos de inovação e a conjugação de estratégias para uma sociedade mais criativa. Realizado pela Anprotec em parceria com o Sebrae, contará com a organização local do Parque Científico e Tecnológico da PUC-RS (Tecnopuc) e da Rede Gaúcha de Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos (Reginp). Reconhecido como um dos principais eventos do setor, o Seminário reúne os líderes e especialistas do movimento de inovação e empreendedorismo. Por meio de minicursos, palestras e debates sobre como tornar as ações em âmbito local mais integradas em um contexto regional e, ao mesmo tempo, mais competitivas, os participantes têm a oportunidade de trocar experiências e contribuir para o desenvolvimento nacional em bases sustentáveis. Outros detalhes podem ser encontrados no site do seminário:  




Lançamento do Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído (Pisac) ocorreu durante o 83º Enic, em agosto

Entrevistada
Francilene Procópio Garcia, vice-presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec)
Currículo
- Graduada em Ciência da Computação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
- Tem mestrado em Informática e doutorado em Engenharia Elétrica
- Preside a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), em Campina Grande (PB)
- É professora da Universidade Federal de Campina Grande desde 1989
- Integra o Conselho estadual de Ciência e Tecnologia da Paraíba
- Tem mais de 20 artigos técnico publicados e já visitou parques tecnológicos nos seguintes países: Argentina, Austrália, Bélgica, China, Cingapura, Coréia do Sul, EUA, França, Hong Kong, Reino Unido, Japão, Malásia, e Taiwan
Contato: francilenegarcia@gmail.com

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

ATLANTICA cria certificação ambiental para os hotéis da rede

A Atlantica Hotels International acaba de criar uma certificação interna para incentivar a economia de energia elétrica, água e gás nos hotéis que administra. 
 
O certificado chamado de Selo Verde será atribuído às unidades que estiverem em conformidade com todos os itens pré-estabelecidos por uma comissão de profissionais da Atlantica Hotels. 
 

Os itens avaliados serão pontuados em escala de um a três. Serão avaliadas, entre outros aspectos, iniciativas para melhor aproveitamento da água da chuva. Entre os requisitos que deverão ser atendidos para que os hotéis recebam o selo estão a coleta seletiva de lixo, manutenção preventiva em aparelhos de ar-condicionado, rotina de desligamento de luz e ar-condicionado em determinados locais e períodos do dia, coleta e destinação correta de pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes.

Esta não é a única atitude que a Atlantica Hotels realiza em prol do meio ambiente. Desde sua criação, a empresa sempre trabalhou com ações preventivas, como a instalação de economizadores de energia, além de fazer recomendações aos novos empreendimentos para o uso de aquecimento solar e instalação de dutos de ventilação, com o objetivo de reduzir a utilização de aparelhos de ar-condicionado.

“Com o passar do tempo, o mercado passou a despertar para o conceito de sustentabilidade e certificações. Pensando nisso, nosso vice-presidente Sênior de Operações, Christer Holtze, solicitou a criação de uma forma de certificação interna como uma preparação para, posteriormente, buscarmos certificações externas” diz o diretor de Engenharia e Manutenção da Atlantica Hotels, Luiz Barroso. 
 

Sustentabilismo: a doença infantil da sustentabilidade

No ensaio intitulado Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo, publicado em 12 de maio de 1920, Vladimir Lênin tinha como objetivo criticar o comportamento tático e estratégico extremamente radical de uma parte dos comunistas membros da Terceira Internacional - sobretudo os alemães e os ingleses - acusando-os de desvio ideológico à esquerda.

Gilberto Putini Martim. É advogado e diretor da Infibra, fabricante de materiais de construção civil

Essa idéia de Lênin, de que o esquerdismo seria uma espécie de doença ultra-realista, portanto infantil, produzindo sintomas tão à extrema esquerda a ponto desta se encontrar com a direita pelo simples efeito de atração polar, tornando-a inexequível, é perfeitamente aplicável nos dias atuais com relação a alguns fenômenos midiáticos envolvendo o conceito de sustentabilidade.

O conceito de desenvolvimento sustentável não é uma onda ou uma moda. Envolve a relação da atividade humana com o meio ambiente, a economia, a sua própria convivência em sociedade, a sua cultura, entre outros aspectos importantes. A idéia é preservar os recursos naturais para as gerações futuras sem bloquear o desenvolvimento industrial, estabelecendo mudanças de comportamento para equacionar a questão de como manter a qualidade de vida sem destruir o planeta.

 
 
A indústria e o ambiente são as chaves da questão. O produto industrial deve ser de boa qualidade e durável, ter custo compatível ao que se propõe e, fundamentalmente, demonstrar que seu ciclo de vida preserva o ambiente da melhor maneira possível - mais que seu antecessor ou concorrente. Fora disso, estamos diante do “falso verde”, ou, para citar a expressão da moda, greenwashing, que não passa de um procedimento de marketing para colorir a imagem sem mexer no conteúdo.

Um dos setores essenciais ao tema da sustentabilidade é a construção civil. Proporciona o conforto da moradia às famílias ao mesmo tempo em que consome os recursos naturais e gera resíduos. Como equacionar isso é o desafio. Não basta produzir reutilizando tubos de creme dental ou embalagens de leite; é necessário fornecer produtos com durabilidade para a perenidade das residências e de boa qualidade para a segurança dos moradores.

No caso do fibrocimento, por exemplo, há no mercado produtos que não substituem o amianto, mas são boas alternativas, como as fibras de PVA e de celulose em algumas aplicações. Entretanto, são inúmeros os casos de “falsos verdes” ao longo da história, que se auto-intitulam substitutos do amianto e são aceitos como tal por parte da mídia, que adquire a versão sem comprovar a veracidade do fato.

Há mais falsos casos que fatos. O resultado é um entusiasmo inicial fora do comum com o novo produto - e uma enorme decepção em médio prazo com seu desempenho, muitas vezes traduzida na destruição completa da residência pelas águas das chuvas. Isto não é sustentabilidade, é sustentabilismo. Outros produtos saudados como “substitutos” de alguma coisa simplesmente não acontecem e logo a mídia que os veiculou com ufanismo, silencia. Eis o sustentabilismo.

Sustentabilismo é o conceito caricato da sustentabilidade, o modo infantil de dar guarida a qualquer iniciativa que se apresente como amiga do meio ambiente sem checar sua veracidade. Tem um poder nefasto porque credita o falso. Impede a transformação do produto industrial de forma mais apurada para que o sucedâneo seja eficiente econômica e tecnicamente, preservando as empresas, os empregos e a geração de riqueza durante a transição.

Um fenômeno infantil por tendência, que, tornado habitual, pode macular o ideal de desenvolvimento sustentável que se faz necessário em nosso planeta nos dias atuais. O ideal é que nenhuma atividade industrial deva ser proibida ou permitida sem antes identificar seu propósito e o impacto do seu ciclo de vida.

Cabe a cada um de nós observar e denunciar sempre esse fenômeno, para que o Brasil possa aplicar os reais conceitos de sustentabilidade, desabrigando correntes oportunistas que se aproveitam da mídia para transformar fatos em onda.