Brasil terá 1º parque tecnológico para pesquisas da construção civil

Projeto vai custar R$ 25 milhões e conta com o apoio da CBIC, SindusCon-DF, Ademi, governo do Distrito Federal e a britânica Building Research Establishment
Por: Altair Santos

Foi no 83º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), ocorrido em agosto de 2011, que a construção civil brasileira recebeu uma boa notícia: a de que será erguido em Brasília o primeiro parque tecnológico voltado exclusivamente para pesquisas no setor. 

Batizado de Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído (Pisac), o novo centro de desenvolvimento nasce de uma parceria entre o setor produtivo (representado pela CBIC, SindusCon-DF e Ademi-DF), o governo do Distrito Federal, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a empresa inglesa Building Research Establishment (BRE) que tem 94 anos de experiência em desenvolvimento de pesquisa e inovação na área da construção.

O parque tecnológico vai abranger uma área de 20 mil m², dentro do campus da UnB (Universidade de Brasília) na cidade satélite do Gama, e as obras começam em 2012. O investimento inicial será de R$ 25 milhões. A ideia é que as pesquisas desenvolvidas no Pisac orientem a indústria para construções com materiais pouco poluentes, custo reduzido de água e energia e com geração de menos carbono na atmosfera. O projeto, que estará atrelado ao Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade (Lacis) da UnB, prevê também a necessidade de identificar fragilidades e gargalos na cadeia produtiva, além de prospectar novos métodos de engenharia e tecnologia para a construção civil.



Peter Bonfield, presidente da Building Research Establishment: em agosto de 2011, ele visitou a área do PqT da Construção Civil

O Pisac terá como modelo o parque tecnológico que a Building Research Establishment (BRE) mantém em Londres, na Inglaterra. Lá existe uma pequena vila, com dez casas, onde são feitas simulações de tecnologias de adaptação para os efeitos das mudanças climáticas, a fim de testar a resistência dos mais variados materiais. Também há experiências com diferentes modelos construtivos que contemplem os conceitos de sustentabilidade e inovação. No dia da assinatura do acordo, em 10 de agosto de 2011, o presidente da BRE, Peter Bonfield, esteve em Brasília para visitar a área em que será o Parque Tecnológico (PqT) voltado exclusivamente para a construção civil.

O Brasil atualmente tem 25 parques tecnológicos em operação, 17 em fase de implantação e 32 no papel, segundo a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). Por regiões do país, a Sudeste abriga 64% dos PqTs, enquanto Nordeste e Sul têm respectivamente, 32% e 13%. No Centro-Oeste, o primeiro a ser implantado será o Pisac, enquanto no Norte está em fase final de conclusão o Parque de Ciência e Tecnologia de Guamá, que vai ocupar uma área de 72 hectares dentro da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Belém. Os estudos deste PqT vão se concentrar em TI, energia, tecnologia do alumínio e biotecnologia.

No Brasil, o mais antigo parque tecnológico é o da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB) em Campina Grande. Fundado em 1984, sua especialidade é Ciência, Tecnologia e Informação (CT&I). Atualmente, estima-se que hoje os PqTs em operação no país abriguem quase 550 empresas incubadas, gerando faturamento médio de R$ 1,687 bilhão, R$ 116 milhões em exportação e R$ 119 milhões de geração de impostos para os cofres públicos, além de 26.233 postos de trabalho. Mesmo assim, o Brasil comparece com nem 1% dos parques tecnológicos existentes no mundo, que hoje ultrapassam a marca de 1.400.



Francilene Garcia, vice-presidente da Anprotec: “Percebe-se ainda uma forte dependência de recursos públicos, com poucos investimentos privados”

Há muito a ser fazer no Brasil, diz Anprotec
A vice-presidente da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), Francilene Garcia, avalia que o Brasil ainda tem muito a avançar na construção de parques tecnológicos. Segundo ela, há ainda muita dependência de recursos públicos. No entanto, reconhece que houve evolução a partir da década passada, principalmente com a entrada da iniciativa privada. É o que avalia na entrevista a seguir. Confira:

A maioria dos parques tecnológicos em operação no Brasil se concentra em que tipo de pesquisa?
Há uma grande sinergia deles nas áreas de tecnologia da informação, energia, eletroeletrônica, biotecnologia, mídia e audiovisual, tecnologias limpas, petróleo e derivados, nanotecnologia e químico farmacêutica.

Boa parte dos parques tecnológicos no Brasil tem vínculos com universidades públicas. Por que isso ocorre?
Praticamente todos eles possuem vínculos com universidades públicas ou privadas. A capacidade instalada de pesquisa e desenvolvimento nas universidades brasileiras é o maior atrativo para esta parceria, facilitando o acesso dos empreendimentos inovadores ao conhecimento gerado e aos ambientes, como laboratórios e equipamentos de alta complexidade. Outro fator bastante significativo é o acesso facilitado aos profissionais altamente qualificados egressos dos cursos de graduação e pós-graduação, o que é um diferencial para startups de pesquisas.

Falta ao Brasil ter o governo como um indutor maior de pesquisa e inovação?
Essa trajetória tem sido construída pelos governos, progressivamente desde a década passada, mas ainda há muito a construir. Alguns dos avanços já foram conquistados, como o marco legal com regulamentações que incentivam a inovação e a captação de recursos provenientes dos instrumentos de fomento do Sistema de CT&I (Ciência, Tecnologia e Informação) operacionalizados por agentes como FINEP, BNDES/FUNTEC e programas de investimento em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) vinculados a legislações específicas, tais como Lei de Informática, Lei do Petróleo e Lei de P&D em Energia.

Em relação à iniciativa privada, ela participa de programas de pesquisa em um volume considerável?
Tratando-se de projetos e implantações de parques tecnológicos, percebe-se ainda uma forte dependência de recursos públicos, com poucos investimentos privados. Em alguns casos de parques tecnológicos em operação, progressivamente começamos a ver a chegada dos investimentos privados, com destaque para as áreas imobiliárias e financeiras. É importante destacar os incentivos atuais para que empresas de médio e grande porte (em termos de faturamento) passem a investir mais em P&D. Estamos ainda iniciando tal trajetória no Brasil. Neste sentido, estamos avançando no sentido de se definir uma política nacional de apoio a parques tecnológicos, estabelecendo claramente o papel dos vários atores: governo federal, governos estaduais, governos municipais, universidades e setores industriais e financeiros.

Há muitas empresas multinacionais vindo ao Brasil para fomentar a pesquisa. Isso tende a tornar sustentável a pesquisa e a inovação no Brasil?
O Brasil tem atraído em especial centros de P&D de importantes empresas multinacionais, a exemplo do Centro de P&D da GE (General Electric) que irá se instalar na Ilha do Fundão, no parque tecnológico do Rio de Janeiro. A implantação física de tais centros mobiliza outros investimentos em CT&I, acelerando o crescimento e a inserção internacional de empresas instaladas nesses ambientes, estimulando um incremento do investimento privado. Seguindo por este caminho, certamente teremos como alavancar empreendimentos inovadores mais sustentáveis.

Na América do Sul, o Brasil já é líder em volume de parques tecnológicos e pesquisas?
Sim, o movimento brasileiro de empreendedorismo inovador está bem posicionado globalmente. A Anprotec é uma das fundadoras da World Alliance for Innovation (WAINOVA). Uma importante fonte de pesquisa sobre a realidade mundial e na América do Sul é o recém lançado Atlas Mundial da Inovação (http://www.wainova.org).

A Anprotec realiza em outubro o 21º seminário nacional de parques tecnológicos e incubadoras de empresas. Qual será o foco dos debates que acontecerão no encontro?
Sob o tema “Nova Competitividade dos Territórios”, o 21º Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas e o XIX Workshop Anprotec abrem um espaço de reflexão onde se avalia o papel de parques e incubadoras na construção de um caminho pautado pela sinergia dos mecanismos de inovação e a conjugação de estratégias para uma sociedade mais criativa. Realizado pela Anprotec em parceria com o Sebrae, contará com a organização local do Parque Científico e Tecnológico da PUC-RS (Tecnopuc) e da Rede Gaúcha de Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos (Reginp). Reconhecido como um dos principais eventos do setor, o Seminário reúne os líderes e especialistas do movimento de inovação e empreendedorismo. Por meio de minicursos, palestras e debates sobre como tornar as ações em âmbito local mais integradas em um contexto regional e, ao mesmo tempo, mais competitivas, os participantes têm a oportunidade de trocar experiências e contribuir para o desenvolvimento nacional em bases sustentáveis. Outros detalhes podem ser encontrados no site do seminário:  




Lançamento do Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído (Pisac) ocorreu durante o 83º Enic, em agosto

Entrevistada
Francilene Procópio Garcia, vice-presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec)
Currículo
- Graduada em Ciência da Computação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
- Tem mestrado em Informática e doutorado em Engenharia Elétrica
- Preside a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), em Campina Grande (PB)
- É professora da Universidade Federal de Campina Grande desde 1989
- Integra o Conselho estadual de Ciência e Tecnologia da Paraíba
- Tem mais de 20 artigos técnico publicados e já visitou parques tecnológicos nos seguintes países: Argentina, Austrália, Bélgica, China, Cingapura, Coréia do Sul, EUA, França, Hong Kong, Reino Unido, Japão, Malásia, e Taiwan
Contato: francilenegarcia@gmail.com

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

ATLANTICA cria certificação ambiental para os hotéis da rede

A Atlantica Hotels International acaba de criar uma certificação interna para incentivar a economia de energia elétrica, água e gás nos hotéis que administra. 
 
O certificado chamado de Selo Verde será atribuído às unidades que estiverem em conformidade com todos os itens pré-estabelecidos por uma comissão de profissionais da Atlantica Hotels. 
 

Os itens avaliados serão pontuados em escala de um a três. Serão avaliadas, entre outros aspectos, iniciativas para melhor aproveitamento da água da chuva. Entre os requisitos que deverão ser atendidos para que os hotéis recebam o selo estão a coleta seletiva de lixo, manutenção preventiva em aparelhos de ar-condicionado, rotina de desligamento de luz e ar-condicionado em determinados locais e períodos do dia, coleta e destinação correta de pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes.

Esta não é a única atitude que a Atlantica Hotels realiza em prol do meio ambiente. Desde sua criação, a empresa sempre trabalhou com ações preventivas, como a instalação de economizadores de energia, além de fazer recomendações aos novos empreendimentos para o uso de aquecimento solar e instalação de dutos de ventilação, com o objetivo de reduzir a utilização de aparelhos de ar-condicionado.

“Com o passar do tempo, o mercado passou a despertar para o conceito de sustentabilidade e certificações. Pensando nisso, nosso vice-presidente Sênior de Operações, Christer Holtze, solicitou a criação de uma forma de certificação interna como uma preparação para, posteriormente, buscarmos certificações externas” diz o diretor de Engenharia e Manutenção da Atlantica Hotels, Luiz Barroso. 
 

Sustentabilismo: a doença infantil da sustentabilidade

No ensaio intitulado Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo, publicado em 12 de maio de 1920, Vladimir Lênin tinha como objetivo criticar o comportamento tático e estratégico extremamente radical de uma parte dos comunistas membros da Terceira Internacional - sobretudo os alemães e os ingleses - acusando-os de desvio ideológico à esquerda.

Gilberto Putini Martim. É advogado e diretor da Infibra, fabricante de materiais de construção civil

Essa idéia de Lênin, de que o esquerdismo seria uma espécie de doença ultra-realista, portanto infantil, produzindo sintomas tão à extrema esquerda a ponto desta se encontrar com a direita pelo simples efeito de atração polar, tornando-a inexequível, é perfeitamente aplicável nos dias atuais com relação a alguns fenômenos midiáticos envolvendo o conceito de sustentabilidade.

O conceito de desenvolvimento sustentável não é uma onda ou uma moda. Envolve a relação da atividade humana com o meio ambiente, a economia, a sua própria convivência em sociedade, a sua cultura, entre outros aspectos importantes. A idéia é preservar os recursos naturais para as gerações futuras sem bloquear o desenvolvimento industrial, estabelecendo mudanças de comportamento para equacionar a questão de como manter a qualidade de vida sem destruir o planeta.

 
 
A indústria e o ambiente são as chaves da questão. O produto industrial deve ser de boa qualidade e durável, ter custo compatível ao que se propõe e, fundamentalmente, demonstrar que seu ciclo de vida preserva o ambiente da melhor maneira possível - mais que seu antecessor ou concorrente. Fora disso, estamos diante do “falso verde”, ou, para citar a expressão da moda, greenwashing, que não passa de um procedimento de marketing para colorir a imagem sem mexer no conteúdo.

Um dos setores essenciais ao tema da sustentabilidade é a construção civil. Proporciona o conforto da moradia às famílias ao mesmo tempo em que consome os recursos naturais e gera resíduos. Como equacionar isso é o desafio. Não basta produzir reutilizando tubos de creme dental ou embalagens de leite; é necessário fornecer produtos com durabilidade para a perenidade das residências e de boa qualidade para a segurança dos moradores.

No caso do fibrocimento, por exemplo, há no mercado produtos que não substituem o amianto, mas são boas alternativas, como as fibras de PVA e de celulose em algumas aplicações. Entretanto, são inúmeros os casos de “falsos verdes” ao longo da história, que se auto-intitulam substitutos do amianto e são aceitos como tal por parte da mídia, que adquire a versão sem comprovar a veracidade do fato.

Há mais falsos casos que fatos. O resultado é um entusiasmo inicial fora do comum com o novo produto - e uma enorme decepção em médio prazo com seu desempenho, muitas vezes traduzida na destruição completa da residência pelas águas das chuvas. Isto não é sustentabilidade, é sustentabilismo. Outros produtos saudados como “substitutos” de alguma coisa simplesmente não acontecem e logo a mídia que os veiculou com ufanismo, silencia. Eis o sustentabilismo.

Sustentabilismo é o conceito caricato da sustentabilidade, o modo infantil de dar guarida a qualquer iniciativa que se apresente como amiga do meio ambiente sem checar sua veracidade. Tem um poder nefasto porque credita o falso. Impede a transformação do produto industrial de forma mais apurada para que o sucedâneo seja eficiente econômica e tecnicamente, preservando as empresas, os empregos e a geração de riqueza durante a transição.

Um fenômeno infantil por tendência, que, tornado habitual, pode macular o ideal de desenvolvimento sustentável que se faz necessário em nosso planeta nos dias atuais. O ideal é que nenhuma atividade industrial deva ser proibida ou permitida sem antes identificar seu propósito e o impacto do seu ciclo de vida.

Cabe a cada um de nós observar e denunciar sempre esse fenômeno, para que o Brasil possa aplicar os reais conceitos de sustentabilidade, desabrigando correntes oportunistas que se aproveitam da mídia para transformar fatos em onda.
 

Os Economistas e o Meio Ambiente

Marcus Eduardo de Oliveira* A relação dos economistas com o meio ambiente passa, indubitavelmente, pela seguinte pergunta: Quando é que os economistas vão entender definitivamente que a economia é apenas um subsistema do meio ambiente? 

Tal qual ocorre com o debate em torno da necessidade de se incluir as pessoas nas análises econômicas, fato esse quase sempre ignorado pela economia tradicional, também a questão do meio ambiente e sua relação com o todo da economia enfrenta certa resistência. 

Inserir essas duas análises (pessoas e meio ambiente) no conjunto da economia não é tarefa fácil. No caso específico das relações do processo econômico com a natureza essa dificuldade se agrava pelo seguinte fato: a tradicional economia sempre viu a natureza como mera participante do processo produtivo, o que é um erro crasso, pois, com isso, não se leva em conta que essa mesma economia precisa da natureza, e não o contrário. 

De toda sorte, a economia jamais pode ser pensada, ensinada e mesmo levada a sério em seu arcabouço teórico e analítico partindo-se do pressuposto de que o diagrama do fluxo circular é hermeticamente fechado, isolado e restrito; como se com isso não houvesse nada mais além das famílias e empresas, insumos, renda e despesas, convivendo-se num mercado de fatores de produção apontando apenas para o produto final. 

Ora, considerar o fluxo circular como um dos principais paradigmas da economia é abster-se por completo da interrelação existente entre a economia e a natureza. Os verdadeiros postulados da ciência econômica devem considerar para efeito de justa explicação que há uma relação de troca entre o sistema produtivo e a natureza. Dessa forma, defendemos que a economia deva ser entendida como um subsistema de um sistema maior: o meio-ambiente. É imperioso então romper com a ideia dominante que faz a economia passar por cima das questões ambientais. 

Partindo-se desse primeiro comentário que em si encerra uma visão míope do sistema econômico antigo, dono de uma visão fechada e não passível de relação para com as causas naturais, é possível remexer nessa história para acrescentar algo de suma importância: inserir a temática do meio ambiente no contexto econômico e, com isso, de certa forma, passar a recontar a história econômica. Nesse pormenor, como bem aponta Clóvis Cavalcanti, estudioso das relações da economia com o meio ambiente, é necessário entender, definitivamente, que “não existe sociedade (e economia) sem sistema ecológico, mas pode haver meio ambiente sem sociedade (e economia)”. 

A economia do “fluxo real” é considerada de forma diferente da economia do “fluxo circular”, ignorando o que realmente se sucede em termos reais de movimentação dentro de um sistema econômico, a saber: entra (materiais) e sai (resíduos); entra matéria e energia, sai ejetada a poluição. Nesse ponto, chamamos a atenção que o desenho aqui apresentado é o seguinte: fluxos de entrada (materiais e energia) e de saída (produtos e resíduos ejetados) precisam ser considerados em sua essência, e não relegados ao esquecimento como tem sido comum. 

Esse fluxo real com todas suas interações consiste apenas num subsistema de algo muito maior: o sistema ambiental, visto ser esse um sistema “inteiro”, completo e repleto de interações. Tal sistema, é importante frisar, engloba todas as leis; incluindo as leis econômicas que determinam a capacidade de produção. Dessa forma, é equivocado pensar a economia isoladamente. A economia é apenas uma parte de um todo; o todo, que fique bem claro, é o meio ambiente. Logo, a economia por essa ótica é como se fosse um algo a mais expandindo o ambiente. 

Visto que a ciência econômica sempre avança, até por ser de natureza dinâmica, e não estática, cabe à economia dentro dessa visão estender análises e procedimentos para os problemas derivados da relação (interação) não consensual entre o homem e o meio ambiente. Essa relação, grosso modo, envolve alguns aspectos: alterações do clima que são potencialmente provocadas pela ação do homem; exagero de produtos tóxicos ejetados no meio ambiente como resposta à política de crescimento sem respeito aos limites físicos do Universo; a falta de energia e matéria para lidar com sociedades cujos desejos de consumo são cada vez mais intensos, desconhecendo com isso a existência de limites e imposições. 

Nessa relação entre a economia e o meio ambiente, convém mencionar de antemão que ao propormos a “defesa do meio ambiente” não estamos apenas desejando “defender” o ambiente em si, mas sim e, especialmente, a espécie humana; simplesmente, estamos “defendendo” a nossa possibilidade de termos continuidade à vida. Isso se deve ao seguinte argumento: se alguém corre risco de extinção em função do fortíssimo desequilíbrio ambiental provocado essencialmente pela constante ação/agressão humanas, certamente não é o ambiente, mas, nós, os seres humanos. 

É a nossa espécie que corre sério risco de se extinguir mediante as agressões ao meio ambiente em nome de se buscar a qualquer preço o propagado progresso econômico. Especialmente em relação a essa temática, não há dúvidas que o Universo poderá continuar sua longa caminhada sem a nossa incômoda presença; o Universo “vive” muito bem sem o ser humano; o contrário, certamente, não pode acontecer. 

Não à toa, na escala do tempo, o ser humano foi à última coisa que apareceu no Universo; isso quando as luzes da criação já estavam quase se apagando. Portanto, o Universo soube e, certamente, saberá (con) viver muito bem sem seus incômodos, inconvenientes e agressores hóspedes. 

Destarte, se temos (a nossa espécie) qualquer pretensão em continuarmos desfrutando dos prazeres desse mundo, que tratemos urgentemente de resguardar à nossa casa, à nossa Gaia. Nesse pormenor, a economia pode a bom termo ser de grande valia; desde que aplique uma justa e perfeita sintonia nessa relação de exploração das coisas naturais. 

Nessa linha sistemática de defesa em torno do meio ambiente, quando se aponta dedo em riste sobre a atividade econômica, pontuando a exploração de recursos em favor de um crescimento antieconômico, é forçoso aventar que o “tipo de economia” que todos pretendemos ver em atuação, assegurando a capacidade de progresso à geração futura, não está fazendo o jogo do antiprogresso, do antidesenvolvimento, da antievolução. 

A questão aponta justamente em sentido contrário: essa “nova economia”, que interage com o meio ambiente, pautada no bom senso deve procurar, a seu turno, ser uma ferramenta capaz de fazer os homens enxergarem que uma produção com limites é razoável, pois é potencialmente capaz de assegurar na atualidade a continuidade da existência de todos. 

O que fazemos questão de frisar se refere à defesa de políticas macroeconômicas que recomendam o crescimento tendo em conta, essencialmente, a existência do meio ambiente a ser cuidadosamente “manejado”. Nesse ínterim, não há como escapar da seguinte premissa: crescer significa usar o meio ambiente, e mais crescimento significa menos meio ambiente. Aqui, então, há de se criar maneiras para um bom e adequado uso das coisas naturais. O que não se pode (e não se deve) considerar e aceitar é a existência de um fluxo monetário que somente vê a natureza como uma externalidade negativa. 

Em termos de conceitos econômicos, a natureza jamais foi ou será um dia uma externalidade. Dessa maneira, se tudo for visto pelas lentes do conceito criado pelos economistas como sendo “externalidades”, chegar-se-á facilmente a conclusão de que não há limites ao crescimento econômico. 

Assim, qualquer tentativa de crescimento da economia não envolveria, por definição, os chamados custos de oportunidade. Ora, isso é um falso dilema. É evidente que na busca pelo crescimento econômico há diversos custos de oportunidades pelo caminho, até mesmo porque vivemos num mundo marcado pela inexorável lei da escassez. Não há como fugir disso. 

A ênfase – se não for essa a principal constatação desse pressuposto -, é a tentativa de explicar o comportamento humano condicionado pela implacabilidade da escassez. 

A vida, por sinal, também repete essa história, pois viver significa constantemente enfrentar uma sucessão contínua de escolhas, representando na maioria das vezes conflitos de valoração. Como a economia essencialmente estuda a vida comportamental dos consumidores, produtores e dos agentes econômicos, nada mais propício imaginar que estamos nos referindo a uma ciência que trata a todo instante desses conflitos (trade-off). 

Visto por esse prisma, as escolhas (na verdade, os conflitos) nos conduzem inevitavelmente ao processo que nós economistas denominamos custos de oportunidades. Ademais, ao escolher certa opção estamos concomitantemente abrindo mão de outras possibilidades. A essa possibilidade não escolhida consiste, pois, no conceito de custos de oportunidades. 

Vejamos então que não há escapatória: os custos de oportunidades estão inseridos no processo de escolhas que permeiam a ação econômica; que permeiam, por sua vez, a atuação das pessoas dentro daquilo que poderíamos chamar no bojo de sistema econômico. 

Fechar os olhos a isso é faltar com a coerência em termos de análise mais séria, sensata e consistente. Portanto, que a economia “manejada” pelas mãos dos economistas profissionais respeite, em tempo, o fato de que a natureza não pode ser ignorada. Antes, é de fundamental importância ter em conta que, sem a natureza não há economia e, evidentemente, não há vida. 
* Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO (São Paulo). Especialista em Política Internacional pela (FESP) e mestre pela (USP). 
Blog – http://blogdoprofmarcuseduardo.blogspot.com 
Fonte: (EcoDebate)

Criança Ecológica

Pesquisadores da Unesp estudam reciclagem de dióxido de carbono

Fonte: Agência Fapesp - A contribuição do excesso de emissão de dióxido de carbono (CO2) para as mudanças climáticas globais tem levado a comunidade científica a buscar formas mais eficientes para estocar e diminuir o lançamento do composto para a atmosfera.


Um novo estudo realizado por pesquisadores do Laboratório de Química Orgânica Fina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Presidente Prudente, abre a perspectiva de desenvolvimento de tecnologias que possibilitem capturar quimicamente o gás atmosférico e convertê-lo em produtos que possam ser utilizados pela indústria química para substituir reagentes altamente tóxicos utilizados hoje para fabricação de compostos orgânicos usados como pesticidas e fármacos.

Derivadas de um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, as descobertas do trabalho, intitulado “Estudo da fixação e ativação da molécula de dióxido de carbono com bases nitrogenadas”, foram publicadas na revista Green Chemistry, da The Royal Society of Chemistry.

O estudo demonstrou, pela primeira vez, que uma molécula, denominada DBN (uma base orgânica nitrogenada), é capaz de capturar dióxido de carbono, formando compostos (carbamatos) que podem liberar CO2 seletivamente a temperaturas moderadas. Dessa forma, a molécula poderá ser utilizada como modelo para pesquisas sobre a captura seletiva de dióxido de carbono de diversas misturas de gases.

“Essa descoberta abre perspectivas sobre como poderemos fazer com que o composto resultante da ligação da DBN com o dióxido de carbono se forme em maior quantidade. Para isso, temos que estudar possíveis modificações em moléculas que apresentem semelhanças estruturais e funcionais com a DBN para que o composto seja mais eficiente”, disse Eduardo René Pérez González, principal autor do estudo, à Agência FAPESP.

De acordo com o professor da Unesp, já se sabia que a DBN é capaz de capturar dióxido de carbono na presença de água. Por esse processo, a molécula retira um hidrogênio da água, ganha uma carga positiva (próton) e gera íons hidroxílicos (negativos) que atacam o dióxido de carbono, formando bicarbonatos.

Até então, entretanto, não se tinha demonstrado que o composto também é capaz de capturar CO2, formando carbamato, por meio de uma ligação nitrogênio-carbono tipo uretano, que tem relação direta com um processo biológico em que 10% do dióxido de carbono do organismo humano é transportado por moléculas nitrogenadas.

Em função disso, o processo também poderia ser utilizado para o tratamento de determinadas doenças relacionadas com a quantidade de CO2 e seu transporte no organismo.

“Essa descoberta nos leva a pensar que também poderíamos utilizar esse trabalho para fins bioquímicos, tentando, por exemplo, melhorar esse processo para tratamento de doenças relacionadas à concentração de dióxido de carbono nas células e alguns tecidos, como o pulmonar”, disse González.

Já na área industrial, os carbamatos – como, por exemplo, poliuretanas – derivados da captura de dióxido de carbono pela molécula DBN poderiam substituir tecnologias que utilizam reagentes altamente tóxicos, como o fosgênio, para preparação de compostos orgânicos usados como pesticidas e fármacos e em outras aplicações industriais.

“A possibilidade de se utilizar o dióxido de carbono para construir ou sintetizar moléculas que contêm o agrupamento carbonílico, sem a necessidade de se usar fosgênio ou isocianatos, representaria uma grande vantagem”, disse o pesquisador.

Dicas: Aprenda a reduzir o consumo de energia do notebook

Reduza o gasto quando o micro não está em uso, sem correr o risco de perder o que você estava fazendo quando parou.

Imagine que você precise deixar de usar seu notebook por algumas horas, para participar de um reunião por exemplo, mas pretende voltar a usá-lo mais tarde. Você não precisa deixá-lo ligado o tempo todo (o que consome energia), nem desligá-lo para religar mais tarde, o que exige tempo para o boot, reabrir os aplicativos e documentos que você estava usando, etc.

Os portáteis atuais entram automaticamente em um modo chamado “Sleep” (Suspender no Windows Vista, Standby no XP) depois de alguns minutos de inatividade ou quando a tampa é fechada, que reduz o consumo de energia mas permite retomar rapidamente o trabalho assim que ela é aberta. Popularmente isso é conhecido como “colocar o notebook para dormir”. É possível economizar ainda mais energia fazendo a máquina passar de Suspender para Hibernar após um período maior de inatividade.

Ambos os modos economizam energia, mas funcionam de forma diferente. Enquanto “dorme” o micro ainda está ligado, já que precisa de energia para manter o sistema, os aplicativos em execução e arquivos abertos na RAM. Mas quando um PC Hiberna, ele copia todo o conteúdo da RAM para um arquivo no HD e se desliga completamente.

A hibernação economiza mais energia (o consumo é zero), mas entrar e sair dela é mais demorado. É possível suspender e retomar o uso de um PC quase que instantâneamente, mas ele pode levar até um minuto para hibernar e outro para “acordar”.

Para ter o melhor equilíbrio entre economia de energia e conveniência, você pode unir as duas técnicas. Eu configurei meu PC para “dormir” após 20 minutos de inatividade, e para hibernar após 180 minutos. Isso quando plugado à tomada: na bateria os tempos são de 5 e 90 minutos, respectivamente.



Para fazer o mesmo no Vista ou Windows 7 clique no Menu Iniciar, digite energia no campo de busca e selecione Opções de Energia. Na janela que surge, clique em Escolher tempo para desligar o vídeo na lista de opções à esquerda. Clique no link Alterar configurações de energia avançadas. Clique na seção Suspender e altere os tempos em Suspender depois de e Hibernar após de acordo com sua preferência. Clique em Aplicar para que as mudanças surtam efeito.

Pronto, agora seu PC terá bons sonhos, sem consumir energia desnecessariamente.