Empresas conseguem economizar através de ações ambientais




Diversas empresas catarinenses lucram com sustentabilidade. 
Foto: divulgação

LAÍS MEZZARI
CAMILA GARCIA

Apesar de muitas vezes ser vista como marketing, a busca por recursos sustentáveis em empresas é uma realidade que vem ganhando espaço. Segundo dados do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, 37% dos brasileiros aceitariam pagar mais caro por um produto ecologicamente correto. 
 
Além disso, paradigmas como o alto preço da produção sustentável estão caindo, e esta transição já traz benefícios não apenas ambientais, mas também econômicos para as indústrias.

As medidas que são tomadas pelas indústrias para que respeitem às leis referentes ao meio ambiente, e também as atitudes de iniciativa própria fazem parte da sustentabilidade empresarial. Antes vista como um procedimento caro e desnecessário, atualmente é possível implantar ações em prol da natureza sem muito dinheiro, e obtendo inclusive economia de custos. Além de ter como aliada a estampa verde, que atrai o público e por conseqüência aumenta os lucros.

Casos bem sucedidos

Muitas empresas não só demonstram preocupação ambiental, como também servem de referência. A Sadia, por exemplo, com o Programa 3S - Suinocultura Sustentável Sadia, ajudou a implantar biodigestores em 980 granjas parceiras, obtendo assim energia limpa a partir do tratamento dos dejetos dos suínos.

Sem tratamento, a carga orgânica poluidora destes dejetos é 25 vezes maior que a do esgoto humano. Um dos motivos é pela liberação do gás metano, que é 21 vezes mais impactante para o meio ambiente que o gás carbônico. Através do uso de biogestores, o metano, que seria lançado na atmosfera, é convertido em CO2 e energia limpa.

Floripa Shopping

Em agosto de 2009 o Floripa Shopping tornou-se o primeiro centro comercial do sul do Brasil a receber a certificação ambiental ISO 14001. Esta qualificação exige que 381 normas ambientais sejam cumpridas. A adaptação do espaço é feita desde dezembro de 2007 e custou cerca de 200 mil reais. De acordo com a chefe ambiental do Floripa Shopping, Joseane Ferrarezi, apesar da economia com água e energia por causa do melhor mapeamento destas áreas, a grande diferença econômica virá com a maior adesão do público.

As adequações envolveram: a troca de torneiras comuns para novas com sensores, a mudança para lâmpadas que economizem energia, o gerenciamento de resíduos, o tratamento de ruídos, além de projetos ecológicos vinculados à sociedade, escolas e instituições ambientais.

Essas mudanças abrangem todo o local, e por isso, antes que um novo empreendimento se instale, é explicado ao proprietário e ao gerente da loja todas as políticas que o Shopping defende e também as exigências ambientais que serão cobradas dos lojistas.

Saraiva Retrovisores

Desde que foi criada, em 1947, a preocupação ambiental faz parte da empresa Saraiva, que atualmente produz 60 mil peças para retrovisores mensais, atende a todas as encarroçadoras do Brasil além de exportar para diversos países como Argentina, Chile, Austrália, Jordânia, Canadá e Espanha.

A proprietária Arlete Saraiva afirma que a sustentabilidade sempre foi um dos princípios da empresa e da família. "Ao construirmos a sede em Biguaçu, meu marido fez toda a estrutura pensando em não poluir o meio ambiente" relata. Como estratégias para o uso de recursos ecologicamente corretos foi instalada uma cisterna de 150 mil litros, o que faz com que apenas a água para beber seja comprada. Pela quantidade que é armazenada, também há água que sobra, e nos oito anos que a empresa está localizada em Biguaçu, apenas uma vez foi necessário utilizar os recursos da Casan.

Os ruídos das máquinas e a poeira em suspensão também estão devidamente controlados, mas mesmo assim a empresa exige equipamento de segurança. Para a parte da produção em si, foi desenvolvida uma tinta exclusiva para a Saraiva, que é diluída em água, e, portanto, não agride o meio ambiente.

Além disso, os resíduos desta tinta são retirados com uma cortina de água (a mesma que veio da chuva). Como a região de Biguaçu não tem esgoto, foi feito um sistema de fossas que trata o que é eliminado, e uma firma especializada retira os resíduos e dá a eles o destino correto.

Mesmo com o cumprimento de todas as leis ambientais, a empresa não buscou por certificados. A proprietária diz que das 18 montadoras que são atendidas, até hoje, nenhuma mencionou a respeito de questões ambientais. "Como fazemos essas ações por serem corretas e não em busca de marketing, temos o ISO de qualidade, mas não procuramos certificações ambientais." explica Arlete Saraiva.

Eletrosul

Por se tratar de uma empresa pública, os processos são mais demorados, mas também eficientes. A Eletrosul trabalha em toda a região sul e também no Mato Grosso do Sul, e desde julho de 2007 iniciou um programa de gestão ambiental baseado na política do grupo Eletrobrás. Seu tronco principal é a conformidade com as diretrizes das políticas públicas relativas ao meio ambiente. Além do trabalho de sustentabilidade na produção, também está em vigor na sede, que fica em Florianópolis, projetos ecológicos dentro da própria empresa.

O programa consiste em adaptações básicas, que dependem em grande parte da conscientização dos 1500 trabalhadores. Até agora os copos plásticos foram trocados por canecas, todos os computadores foram configurados para realizar impressão frente e verso, as lâmpadas foram colocadas em um fundo espelhado, o que gera uma maior eficiência na iluminação, e houve conscientização para que luzes e monitores sejam desligados ao final do expediente. Também foi feito um contrato com a associação de catadores, e todos os papéis e plásticos são entregues à reciclagem.

A responsável pelo Setor de Gestão Ambiental, Isadora Rodrigues Tarini, diz que por se tratar de funcionários públicos que muitas vezes estão há vários anos trabalhando no local, implantar uma mudança de hábitos é complicado. Deve ser uma medida formalizada pela administração superior da empresa e também divulgada por meio de cartazes e avisos. Mesmo com dificuldade, em pouco tempo a atitude se torna natural e novas metas ambientais, que são propostas anualmente, podem ser implantadas.

É possível mudar sem sofrer

Para uma empresa começar a se tornar sustentável, existem várias medidas a serem tomadas. Muitas delas são simples e não exigem custos ou grandes mudanças estruturais, apenas conscientização dos trabalhadores.

Para medidas de médio e grande porte, sugere-se a contratação de um engenheiro ambiental ou de empresas de consultoria para que planos de tratamentos dos resíduos sejam implantados.

Dentre as adaptações mais comuns para a produção estão:

• Cisternas - Captação e filtragem da água da chuva, reutilizando-a em diversos setores como na lavagem de calçadas e banheiros, e na própria produção.

• Tratamento de resíduos - "Limpa" os resíduos originados na produção e os destina a locais corretos, sem comprometer o meio ambiente.

• Mudança para descargas e torneiras eficientes - Descargas que têm a variação para dejetos líquidos e sólidos e também torneiras com sensores para as mãos não desperdiçam água e por consequência geram economia.

• Tratamento de ruídos - Como o meio ambiente não se restringe à natureza, além do cuidado com a intervenção através de ruídos no trajeto de animais como os passarinhos, a contenção acústica também é importante para o bem estar social e cuidados auriculares dos funcionários.

• Filtros nas chaminés- Evita o envio de gases nocivos à atmosfera, que resultam no efeito estufa e no aquecimento global. Exigido em empresas de grande porte, também existem versões como filtros contra poluição odorífera para restaurantes e lanchonetes.

A “Copa Verde” de 2014

25 de agosto de 2011 
 

A Copa de 2014 ou “Copa Verde”, como sugeriu o ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva num discurso na Copa do Mundo na África do Sul em julho de 2010, vai trazer muitas mudanças positivas para o Brasil. 
A começar pelas reformas em estádios e aeroportos, modernizando ainda mais o país. Porém, a intenção de fazer uma “Copa Verde”, segundo Lula, é que a sustentabilidade seja a marca do Brasil.

Esse discurso fez com que inúmeros projetos fossem criados e apresentados para que, além dos turistas, os moradores das próprias cidades também possam começar a sentir a preocupação socioambiental.



O problema é que a maioria das pessoas já ouviu falar do assunto, mas não sabem o que é e nem como podem ajudar. “Pelas palestras, encontros, conversas e pesquisas que tenho realizado em várias cidades no Brasil, somente pela educação em todos os seus níveis (técnico, fundamental, médio e superior) é que conseguiremos conscientizar a população sobre o que exatamente vem a ser “Sustentabilidade” e qual a sua importância tanto para nosso dia a dia como para o nosso futuro”, conta Gilbert Simionato, diretor da Empresa Verde Consultoria em Sustentabilidade.

Um dos objetivos principais, segundo o diretor, é mobilizar a sociedade como um todo e garantir um legado verde para o país. Articular a sustentabilidade como política de inclusão social, porque é impossível pensar em sustentabilidade sem levar em conta a responsabilidade social. 
“Os estádios que receberão jogadores e turistas devem obrigatoriamente seguir uma linha de redução de impacto ambiental tais como captação da água da chuva e uso de placas solares. 
Os estádios, que já estão com obras em andamento devem buscar as certificações ambientais como o LEED – Green Building Council; o Programa BNDES ProCopa Arenas para financiamento das obras; o BNDES ProCopa Turismo com o objetivo de estimular a construção de hotéis com características verdes; eficiência energética; o inventário de carbono do jogos para calcular os gases do efeito estufa emitidos pelas atividades do evento; entre outros”, explica Gilbert.



Essa preocupação ambiental não é recente e algumas cidades já apresentaram projetos sustentáveis a fim de melhorar a qualidade de vida da população. “Curitiba, não fugindo de sua característica – mundialmente reconhecida – de cidade inovadora, foi uma das primeiras a apresentar projetos sustentáveis para o Mundial de 2014”, comenta o diretor.

O mundo atualmente tem um estilo de vida totalmente urbano e, por isso, pode-se pensar que concretizar projetos visando a sustentabilidade do país seja inviável, principalmente porque, de acordo com Gilbert, estima-se que, em 2025, 70% da população mundial será urbana. Porém, apesar de parecer uma contradição, ele afirma que será possível implantar projetos sustentáveis e cita Curitiba como exemplo disso: 
“Na cidade de Curitiba já foram realizados projetos na área de transporte e mobilidade (modelo copiado por diversos países). É considerada a capital com melhor qualidade de vida do país, Curitiba já foi recomendada pela Unesco como cidade modelo. 
De acordo com algumas estimativas, a capital possui 51,5 m² de área verde por habitante, quase o triplo da área mínima recomendada pela ONU e um dos índices mais altos do país. A grande maioria de sua população já possui uma cultura e consciência para a prática de tais atividades”.



O que se espera é que esse “novo” estilo de vida não seja respeitado apenas no período dos jogos, mas que a população se conscientize de verdade. “É plenamente possível a adoção de uma visão mais sensível pós-copa, desde que as políticas estabelecidas sejam mantidas, incentivadas e fiscalizadas tanto pelo governo como pela sociedade”, afirma Gilbert.

Em Curitiba, por exemplo, no dia 5 de junho de 1991, que é o dia Nacional do Meio Ambiente, foi fundada a UNILIVRE, Universidade Livre do Meio Ambiente, uma organização não-governamental destinada a disseminar práticas, conhecimentos e experiências relacionadas às questões ambientais. Essa ONG foi pioneira neste assunto, até porque há 20 anos a preocupação com o meio ambiente era pouco falada e se limitava a ser ensinada nos meios acadêmicos.



“É claro que os problemas ainda existem e são originários do próprio crescimento da população, formando-se favelas, aumentando a poluição dos rios, criações de aterros municipais, entre outros. Essas dificuldades são iminentes em todas as capitais brasileiras, porém as ações criadas para melhorar a qualidade de vida só têm aumentado. Nota-se pelas próprias ações adotadas para o advento da Copa de 2014”, finaliza Gilbert.

Marcos Casado, gerente técnico do GBC Brasil, conversa sobre construção sustentável

Em busca de construções menos agressivas para o meio ambiente e mais saudáveis para as pessoas que convivem com ela, a organização não governamental Green Building Council (GBC) certifica com o selo LEED prédios e casas que cumprem uma série de exigências que visam à sustentabilidade.

Nessa conversa com o Portal EcoDesenvolvimento.org, o gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado, fala sobre os critérios de certificação e o cenário da construção sustentável no país.

Portal EcoDesenvolvimento: Como funciona o processo de certificação?


Marcos Casado: Para receber o selo verde a construção deve atender alguns pré-requisitos que são obrigatórios e garantem um desempenho mínimo necessário a estes empreendimentos. Além disso, devem respeitar a vários outros critérios que valem pontos e, conforme o atendimento mínimo de 40 dos 110 pontos possíveis, a empresa obtém o selo nível básico, que ainda pode ser prata, ouro ou platina dependendo do desempenho da construção, que deverá levar estes critérios em consideração desde a escolha do local do empreendimento, desenvolvimento do projeto e construção em si.





Quais os critérios para receber os selos?


Os critérios para certificação LEED referem-se a essas sete categorias:

- eficiência energética;
- uso racional da água;
- materiais e recursos;
- qualidade ambiental interna;
- espaço sustentável;
- inovações e tecnologias;
- prioridades regionais.


Quantas edificações já estão certificadas e quantas estão em processo, no Brasil?

São 33 empreendimentos certificados e 297 empreendimentos em processo de certificação.

São apenas prédios comerciais ou já existem construções residenciais certificadas?

No Brasil não há nenhum empreendimento residencial com certificação LEED, porém, já existem 17 empreendimentos de prédios residenciais em construção, sendo que um já foi entregue, mas ainda está em auditoria para receber o selo. Além de prédios comerciais, também temos hospitais, clínicas, supermercados, centros de distribuição, bancos, escritórios e até pedidos existentes já certificados LEED em suas diversas categorias.

Qual o impacto de um selo LEED para os habitantes da construção e também para a cidade?

A construção civil é um dos setores que mais agride o meio ambiente, sendo responsável pelo consumo de 21% da água tratada, 42% da eletricidade, 25% das emissões de CO2 indiretas e 65% da geração de resíduos. Em contrapartida, construir sustentável traz diversos benefícios ambientais: o consumo de energia é, em média, 30% menor; o consumo de água sofre redução de 30% a 50%; a redução da emissão de CO2 pode alcançar 30% e da geração de resíduos varia de 50% a 90%.

Um dos critérios que a construção deve atender para conseguir o selo LEED é a qualidade ambiental interna que envolve o uso de materiais que não agridam a saúde dos habitantes, a valorização da iluminação natural, a redução do uso do ar condicionado, etc, que, além de proporcionar economia nos custos operacionais, traz conforto e bem estar aos ocupante, aumentando a produtividade.

Quais as diferenças de uma certificação LEED em países tropicais, como o Brasil?

Não existem diferenças no sistema de certificação e sim alguns cuidados maiores na elaboração dos projetos. Devido às condições climáticas diferenciadas, temos que adotar soluções diferentes em relação a outros países.

Os selos LEED tornam a construção de 2% a 7% mais caras. O Sr. acha que ainda assim é uma opção viável para países em desenvolvimento, como o Brasil?


Esse custo maior inicial é rapidamente pago pela economia na operação (manutenção, água, energia, segurança e TI) que pode chegar a 9% durante a vida útil do empreendimento. Além disso, um prédio verde tem payback de 3 a 5 anos, enquanto o convencional se dá entre 5 e 10 anos.

Como o Sr. analisa o mercado da construção sustentável no Brasil hoje?


O crescimento exponencial que percebemos nos últimos anos mostra que o mercado está se adequando a essa nova realidade e tem grandes potenciais de crescimento. Hoje, a construção sustentável é uma demanda do mercado e as empresas não querem ficar de fora desse movimento.

O Sr. acha que com grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, e as grande obras que os acompanharão, esse modelo de construção tende a crescer?

Sim, será uma grande oportunidade de desenvolvimento desse mercado. Atualmente temos 10 estádios buscando a certificação LEED e há um grande envolvimento do GBC Brasil junto com as autoridades responsáveis para incentivar que esses eventos adotem práticas sustentáveis em suas construções.

Há muito debate em torno dos selos de sustentabilidade para construções, e há quem julgue o processo mais vantajoso em termos de marketing do que de sustentabilidade. O que pensa sobre isso?


Sim, hoje existem empresas preocupadas apenas com o marketing. Porém, vale ressaltar que, caso não haja o comprometimento real da corporação, dificilmente ela terá êxito.

Fonte: www.ecodesenvolvimento.org.br

Avenida Paulista perde 25% das suas "superlixeiras"

Sumiram praticamente um quarto dos cestos, que custaram R$ 780 por unidade e pesam mais de 100 kg cada

Wikimedia Commons

Trânsito na avenida Paulista
Não bastasse o sumiço, parte das lixeiras da Paulista está quebrada

São Paulo - A Avenida Paulista, uma das mais importantes da cidade de São Paulo, já perdeu 52 das 194 superlixeiras de concreto e aço colocadas ao longo de quase 3 quilômetros no fim de 2008, quando a via foi totalmente remodelada. 

O sumiço de praticamente um quarto dos cestos, que custaram R$ 780 por unidade e pesam mais de 100 quilos cada, já faz com que em trechos inteiros, como o que fica entre as ruas Ministro Rocha Azevedo e Frei Caneca, na calçada do lado do centro, pedestres não tenham lugar para jogar lixo.

As lixeiras da Paulista têm padrão diferente do restante da cidade. O uso de concreto e metal foi sugerido, há três anos, justamente para dificultar atos de vandalismo. No entanto, o material "diferenciado" não foi o bastante para torná-las mais resistentes. 

As superlixeiras custam 16 vezes mais que os cestos de plástico pendurados em postes do restante da capital (R$ 48,50 cada). Na última grande compra realizada pela Prefeitura, em 2005, foram adquiridos 35 mil unidades desse modelo.

Não bastasse o sumiço, parte das lixeiras da Paulista está quebrada. São estruturas de inox soltas, pedaços de concreto rachados, sujos, jogados no chão ou pichados. "Infelizmente, se você não toma conta, as pessoas não respeitam o patrimônio público", diz a advogada Carolina Sivini, de 29 anos. 

O marido de Carolina, o engenheiro eletrônico Paulo Sivini, de 33 anos, aponta outra causa para o estado precário das lixeiras da Paulista. "Também falta manutenção. O abre e fecha dos cestos em um período de três anos causa desgate natural nas peças."

Até mesmo garis que trabalham no local reclamam que estão mais suscetíveis a acidentes de trabalho por causa das lixeiras quebradas. Sem as travas, a parte metálica dos cestos cai facilmente nos pés, custando até três dias de afastamento para o trabalhador machucado. 

O presidente da Associação Paulista Viva, Antonio Carlos Franchini Ribeiro, diz que não sabe como as lixeiras sumiram da avenida. "Alguém deve ter tirado de lá para fazer algo com o metal." 
 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Empresa mineira de TI recicla 95% do lixo e aproveita até água do ar condicionado




Sistema de gestão ambiental da Landix é referência no setor.


Uberlândia (MG) - A sustentabilidade, sem dúvida, está no centro do debate mundial. Hoje se verifica uma preocupação mais intensa em relação às questões ambientais tanto pelos produtores como pelos consumidores. O assunto vem ganhando atenção crescente de algumas empresas. É o caso da Landix, empresa da área de Tecnologia da Informação, com sede em Uberlândia/MG.

A empresa que há 11 anos atua com foco exclusivo em mobilidade defende o consumo consciente, no qual o desperdício e a poluição são substituídos pela cooperação, num conjunto de atitudes voltadas para o desenvolvimento sustentável. “Estas atitudes devem levar em conta o crescimento econômico ajustado à proteção do meio ambiente na atualidade e para as gerações futuras, garantindo assim a sustentabilidade de fato”, o diretor da Landix, Miguel da Rocha Correia.

Na prática, a Landix desenvolve diversas ações para minimizar os impactos ambientais. Mesmo oferecendo um serviço considerado limpo, os funcionários são estimulados a pequenos gestos que geram uma grande mudança.

Sustentabilidade na prática- Foi implantado um sistema de gestão ambiental e entre várias ações a empresa promove a separação do lixo. “Além disso, 95% do nosso lixo são reciclados e entregues à Associação de Recicladores e Catadores Autônomo (Arca)”, explica o diretor.

“Desde o início nossos colaboradores buscaram entender as regras de separação do lixo. Leram os materiais informativos que confeccionamos, e desde então separam os materiais conforme o tipo”, comemora o gerente de produção, Carlos Alberto Marques Júnior.

Também foram instalados coletores para a água que decanta nos equipamentos de ar condicionado espalhados pela empresa. “Essa água coletada é utilizada na limpeza do prédio”, comenta Correia.

Livro em troca de pilha- Os colaboradores ainda são incentivados a recolher pilhas usadas. “Fazemos bimestralmente o sorteio de um vale-livro para aquele que traz mais pilhas. Classificamos as pilhas e as pontuamos de acordo com o tamanho. Quem soma mais pontos ganha o presente. O resultado tem sido muito positivo, quase todo mundo contribui. No final de seis meses recolhemos aproximadamente 50 kg de pilhas e baterias”, conta o gerente.

Além reciclagem de resíduos sólidos e da coleta de pilhas, a empresa ainda dá preferência para a compra de matéria-prima ou prestação de serviços de empresas que também sigam os princípios da responsabilidade ambiental, como confirma Anna Paula Graboski, gerente de marketing: “Enviar ou receber relatórios impressos é algo completamente banido daqui”.

Para Cristiano Alves Dias, analista de recursos humanas da empresa, as boas práticas já viraram um hábito. “Com o passar do tempo todos se mostraram interessados no processo e vêm colaborando para que possamos reciclar o máximo do material descartado no dia a dia. Percebo que a sustentabilidade já virou cultura do nosso ambiente de trabalho e que a grande maioria abraçou a causa e apoia a iniciativa da Landix”, diz.

Tanto é verdade que muitas das iniciativas partiram dos próprios colaboradores. “Isso ocorre exatamente porque existe na cultura e nos valores da empresa a preocupação e o incentivo para iniciativas de contribuições socioambientais. Sempre que se discute a possibilidade de uma nova ação neste sentido e conclui-se que está ação trará benefícios, a diretoria incentiva e se engaja na causa. Inclusive aceitando e absorvendo custos extras, eventualmente decorrentes desta iniciativa”, garante Dias que ainda completa: “Como colaborador, e creio que para os demais funcionários, é gratificante trabalhar em uma empresa que tem a consciência de que também é responsável pelo avanço socioambiental da comunidade que está inserida e se preocupa e age para contribuir com este tema”.

"Temos a consciência de que devemos nos responsabilizar pelo modo como afetamos o ambiente, sendo as questões ambientais um fator essencial na nossa política de gestão", finaliza o diretor Miguel da Rocha Correia.

Algumas das ações desenvolvidas pela Landix: .Implantação de um sistema de gestão ambiental na empresa |.Reutilização da água dos equipamentos de ar condicionado na limpeza |.Sistema de reciclagem de resíduos sólidos dentro da empresa|. Informação aos funcionários sobre a importância da sustentabilidade |. Preferência para a compra de matéria-prima ou prestação de serviços de empresas que também sigam os princípios da responsabilidade ambiental |.Preferência, sempre que possível, para o uso de fontes de energia limpas e renováveis no processo produtivo |.Recolhimentos de pilhas e baterias. 
 

Sustentabilidade: Pequenos hotéis ganharão diagnóstico inédito

Empresários da área têm até o final de agosto para participar. O objetivo é conhecer capacidade de gestão e as ações voltadas para competitividade e sustentabilidade

Por Naiobe Quelem , Agência Sebrae

                      
Ainda este ano, os empresários de pequenos meios de hospedagem terão à disposição uma ferramenta que reunirá informações importantes para potencializar as condições de competitividade dos empreendimentos. Trata-se de pesquisa inédita sobre o setor ─ uma das ações do Programa de Qualificação de Pequenos Meios de Hospedagem, realizado pelo Sebrae em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) e o Instituto Brasileiro de Hospedagem (IBH) para oferecer a esses negócios uma série de soluções sobre gestão, além de dados estratégicos com foco no desenvolvimento e na sustentabilidade.

 
Os interessados em contribuir com a pesquisa têm até o final de agosto para responder ao questionário, disponível no endereço:


"O diagnóstico tem como objetivo conhecer a capacidade de gestão e as características dos estabelecimentos, principalmente com relação às ações de competitividade e de sustentabilidade", explica a coordenadora do Programa de Qualificação de Pequenos Meios de Hospedagem pelo Sebrae, Lara Chicuta.

O levantamento será elaborado a partir de uma amostragem das respostas obtidas por meio da aplicação de questionários a 1.500 empresários do setor de todo o país. O número de consultados em cada estado irá variar de acordo com a representação do segmento na localidade.

O resultado geral do levantamento será divulgado em novembro, durante o Congresso Nacional de Hotelaria (Conotel). A expectativa é que os dados permitam aos setores público e privado traçar um panorama nacional sobre o setor, a partir de um conhecimento sobre as necessidades prioritárias de capacitação e qualificação, as diferenças regionais entre os empreendimentos e as particularidades da gestão dos vários tipos de pequenos meios de hospedagem brasileiros.

"As informações servirão ainda aos empresários como uma fonte de informação segura para a elaboração de estratégias de atuação no mercado", avalia Lara. Numa próxima etapa, os empreendedores participantes da pesquisa receberão dados individualizados comparados a uma média da situação nacional do setor, com relação à competitividade e sustentabilidade. "Por isso é importante que os empresários do setor colaborem com o diagnóstico", incentiva Lara.
Como participar
Primeiro passo: acesse a pesquisa por meio do site www.pequenosenotaveis.com.br ;

Segundo passo: até o fim de agosto, preencha o formulário com os seus dados cadastrais e também da sua empresa.

Terceiro passo: responda às perguntas sobre as características do seu pequeno e notável meio de hospedagem.

A fervura da sustentabilidade

Vivemos novos tempos, novos desafios, em que somos convocados a ser agentes ativos no processo da mudança para a sustentabilidade. Entre estes desafios está o de ter e manter a chama acesa da esperança.


Veja por exemplo o processo que ocorre quando colocamos uma água para ferver. O aquecimento começa gradual até que a fervura apareça ao atingir os 100 graus Celsius. A fervura é apenas a parte visível de um processo que passou antes por diversos outros graus de temperatura. Se colocarmos pouca água, ferve mais rápido, se for muita, o processo demora mais tempo.

A sustentabilidade é um processo com muita água, pois requer mais que apenas mudar tecnologias, requer mudar visões de mundo. Os mais pessimistas, podem achar que a temperatura subiu pouco, os mais otimistas, que já subiu muito. Mas sob qualquer ângulo que se olhe, ainda vai faltar muito para que a fervura se torne visível, embora já estejamos vendo alguns sinais numas bolhas aqui e ali. E aí, como a acontece com a água, quando menos se espera, a ebulição irrompe da superfície, quase instantaneamente, por todo o lugar.

O principal combustível da fervura é a esperança. É ela que nos dá a motivação para transformar sonhos em ações, paciência para persistir, mesmo quando os resultados ainda não são tão visíveis! A esperança se alimenta também de informação e do diálogo. Nos animamos quando descobrimos outros, como nós, que não desistiram de lutar, quando recebemos notícias sobre bons resultados e boas práticas no rumo da sustentabilidade. Mas também nos animam as más notícias, no sentido que nos tirar da inércia e lembrar o quanto a luta ainda é grande e somos necessários.
Precisamos reconhecer que a sustentabilidade ainda está mais no campo da utopia que da realidade, e que por isso precisamos exercitar a capacidade do diálogo e do entendimento, a fim de negociar, democraticamente, a sustentabilidade do possível, que talvez não seja a dos nossos sonhos, nem a dos sonhos do outro. A boa noticia é que o processo de mudança para a sustentabilidade já esta em andamento, a chama já está acessa nas milhares de pequenas ações, projetos, resultados, aquecendo essa fervura.

Cada novo projeto que se inicia e que toma o rumo da sustentabilidade, cada nova pessoa que toma consciência da importância da sustentabilidade, ou que renova suas esperanças nela, a temperatura aumenta. Talvez não seja ainda para a nossa geração ver a fervura, mas sem nossas ações, sem nossos sonhos, o processo de mudança seria ainda mais lento.

O que pode enfraquecer a chama - e até mesmo apagá-la - são os corruptos, os folgados, os indiferentes, os cruéis, os mal-educados, os maus cidadãos, os maus políticos, os violentos, os gananciosos, os egoístas, os vigaristas. Eles já nos tiram tanto ao tornarem este mundo pior do que poderia ser que se não formos capazes de - enquanto nos defendemos deles -, conservarmos a esperança, o amor, a bondade em nós, então a sustentabilidade poderá ser apenas mais uma boa idéia que não deu certo. A pior perda que podemos sofrer não é a de um bem material, ou uma cicatriz no corpo físico, mas é quando deixamos de acreditar no próximo, no amor, que um mundo melhor seja possível, que mudar irá valer a pena, e aí o cinismo, a indiferença, a descrença, a falta de gentileza toma o lugar da esperança. E em momentos assim, corremos o risco de nos tornar como os maus, pois ao tentar nos proteger do mundo, proteger nossa vulnerabilidade, podemos construir muros em torno de nos em vez de pontes, muros de desencanto, ressentimento, amargura, culpa por não tentar.

As novas gerações que começam em cada criança que nasce e cresce sob nossas responsabilidades é uma espécie de grito de socorro da vida pelo nosso bom senso e comprometimento. As crianças confiam nos adultos, incondicionalmente, de que terão um futuro, e que este futuro deverá ser melhor, por que cobramos delas que sejam pessoas melhores. Falhar com nossas crianças não deveria ser uma opção válida para nós.

Para cada mau adulto que pode estar irremediavelmente comprometido com a insustentabilidade e se contenta com desculpa e argumentos para não mudar e para deixar este mundo pior do que encontrou, adultos devem se levantar, responsáveis e comprometidos com a mudança para um mundo melhor, para estimular e envolver, sensibilizar e motivar as crianças, pois assim como precisam de nós para crescer saudáveis, precisamos delas para ter um futuro. Esta nova geração de crianças e jovens e pouco tempo estarão nos substituindo na gestão dos negócios, nos cargos públicos, onde farão escolhas, e é melhor que façam escolhas diferentes das que conduziram a humanidade à beira deste colapso que não é só ambiental, mas principalmente moral, ético e civilizatório.

Trata-se de um enorme desafio que muitos de nos já está enfrentando, mas não é fácil, pois tudo à nossa volta conspira para que as novas gerações se tornem consumidores vorazes antes de se tornarem cidadãos conscientes. Não podemos permitir que os maus nos tirem a esperança, pois poderemos falhar na tarefa de educar filhos melhores para um mundo melhor. E se isso acontecer, deixaremos que os maus nos derrotem completamente.

AUTORIA

Vilmar Sidnei Demamam Berna
Escritor e jornalista
Fundou a Rede Brasileira de Informação Ambiental (Rebia)
Edita desde janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente
Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas