Prêmio CBIC de Responsabilidade Social: inscrições abertas!



Já estão abertas as inscrições para a edição 2011 do Prêmio CBIC de Responsabilidade Social, nas categorias Entidade, Empresa e Destaque Social.
 
Realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio do seu Fórum de Ação Social e Cidadania (Fasc), o prêmio atrai participantes de todo o país. Podem concorrer ao prêmio, criado em 2005, projetos sociais desenvolvidos por entidades e empresas do setor da Indústria da Construção, ao longo de 2010 e anos anteriores. O prêmio visa, entre outros, fortalecer e estimular o desenvolvimento de ações sociais no setor da Indústria da Construção e do Mercado Imobiliário, criando um mecanismo de reconhecimento dos esforços conjuntos do setor na busca por uma sociedade com melhor qualidade de vida. As inscrições vão até o dia 15 de julho de 2011 e podem ser feitas pelo site www.cbic.org.br/responsabilidadesocial

Prêmio para redução de carbono




Planeta Coppe - O aluno de doutorado da Coppe, Rafael Aislan Amaral, recebeu dia 3 de junho, o Prêmio Petrobras de Tecnologia. 
 
Primeiro lugar na categoria mestrado, Rafael concorreu ao prêmio com o resultado obtido em sua dissertação de mestrado na Coppe, sob a orientação dos professores do Programa de Engenharia Química (PEQ), Claudio Habert e Cristiano Borges.

Trata-se de uma tecnologia, inédita, que utiliza processo de separação por membranas para remover dois gases nocivos ao meio ambiente e à atividade de exploração de petróleo: o dióxido de carbono (CO2), que diminui a qualidade do combustível e é um dos responsáveis pelo efeito estufa, e o sulfeto de hidrogênio (H2S), que provoca corrosão nos materiais e equipamentos utilizados na exploração. Uma importante vantagem da tecnologia brasileira é o fato de utilizar dispositivos modulares, ou seja, estruturas de pequeno porte que tornam mais eficiente o processo e mais barato o custo de operação.

A Coppe e a Petrobras já estão investindo R$ 1 milhão na instalação de uma unidade piloto para testar a nova tecnologia em condições mais próximas às dos campos de produção de petróleo. A instalação ocupará uma parte do Centro de Tratamento de Gás Natural que será inaugurado no segundo semestre de 2011, no Parque Tecnológico, na Cidade Universitária.

Com a descoberta das reservas na camada pré-sal e o consequente aumento da produção de petróleo e gás no país, tecnologias para captura de CO2 e H2S se fazem cada vez mais necessárias. Em contato com a água, esses gases geram ácidos que corroem tubulações e equipamentos, causando prejuízos à indústria. A tecnologia brasileira poderá reduzir o impacto ambiental e evitar o desgaste de equipamentos que resultam em prejuízos da ordem de bilhões de dólares para indústria de petróleo no mundo.

Dispositivos modulares – O estudo propõe a utilização de dispositivos modulares, que podem ser instalados diretamente nas plataformas offshore, reduzindo em até 60% o espaço ocupado por uma coluna de absorção química, que é a tecnologia convencional usada até hoje para a remoção desses gases, e tornando o custo de operação mais barato. “As colunas de absorção são estruturas mais robustas, podem ser instaladas em refinarias e navios-plataforma, mas têm custos de fabricação, operação e manutenção mais caros”, explica Rafael, que atualmente faz seu doutoramento no PEQ/Coppe.

Com a redução de tamanho e de peso também se ganha em flexibilidade operacional. A estrutura modular pode ser adaptada ao aumento de produção. Segundo Rafael, é possível adicionar mais módulos para atender a necessidade de aumento de produção. No caso das colunas de absorção, seria preciso redimensionar toda a instalação.

“Os módulos de separação por membrana, por serem mais compactos e leves, são de mais fácil controle operacional. Estamos lidando com um dos metros quadrados mais caros do mundo, que são as plataformas”, ressalta o professor Cristiano Borges, um dos orientadores do trabalho.

Além da flexibilidade, a tecnologia brasileira é mais eficiente na captura do dióxido de carbono (CO2), que diminui a qualidade do combustível e é responsável pelo aquecimento global, e do H2S, um gás tóxico, que provoca corrosão e vazamento de tubulações, e é uma das principais causas de problemas com odor em estações de tratamento de água e esgoto e em indústrias químicas e petroquímicas.

Como funciona a tecnologia – Para realizar a pesquisa, Rafael montou um sistema de depuração de gases, em escala de bancada, para estudar as principais variáveis operacionais como pressão, velocidade de circulação, temperatura e emprego de diferentes absorventes. De um lado da membrana circula a corrente gasosa contendo CO2 e H2S, do outro uma corrente líquida contendo um absorvente. Os contaminantes permeiam preferencialmente pela membrana e ao reagir com o absorvente são carreados pela corrente líquida.

Nos testes realizados no Laboratório de Processos de Separação com Membranas (PAM), foram comparados os desempenhos de um módulo comercial de membranas microporosas e um módulo fabricado no laboratório com membranas poliméricas compostas. Membrana dupla dotada de camada densa depositada sobre um suporte poroso, a membrana composta se mostrou mais eficiente, possibilitando a remoção de até 73% de CO2 e 66% de H2S, índices estes que podem ser otimizados numa instalação industrial, projetando-a para remoção quase que total destes contaminantes.

As membranas foram eficazes também ao evitar a formação de espuma e passagem de líquido em excesso, problemas comuns em colunas de absorção, pois a mistura gasosa dispersa quando em contato com o líquido. De acordo com o sistema proposto pela Coppe, as correntes de líquido e gás circulam independentemente, aumentando a eficiência do processo de depuração do gás natural.

NASA apresenta mapa do carbono armazenado nas florestas tropicais

Redação do Site Inovação Tecnológica




De forma nada surpreendente, a maior parte do carbono está armazenado na Floresta Amazônica, que se estende por vários países da América Latina. O mapa cobre apenas as florestas tropicais. 
[Imagem: NASA/JPL-Caltech/UCLA/]

Mapa-múndi do carbono

Uma equipe de pesquisadores coordenados pela NASA usou dados de vários satélites para criar uma espécie de mapa-múndi do carbono.

O objetivo é criar uma base de dados para o monitoramento de carbono - sobretudo, para o gerenciamento do dióxido de carbono em escala planetária.

O mapa, contudo, é bem dirigido: ele retrata os dados de 75 países tropicais e suas florestas.

De forma nada surpreendente, a maior parte do carbono, segundo a pesquisa, está armazenado na Floresta Amazônica, que se estende por vários países da América Latina.

Monitoramento do carbono

Apesar dos extensos esforços para controle das emissões de gases de efeito estufa pelos países, em diversos acordos e tratados internacionais, ainda não há uma base científica para monitorar essas emissões.
Métodos de monitoramento do CO2 são inadequados para um tratado internacional do clima

"Este é um mapa de referência, que poderá ser usado como uma base de comparação no futuro, quando a cobertura florestal e seu estoque de carbono variarem," propõe Sassan Saatchi, do Laboratório de Propulsão a Jato, da NASA, líder da pesquisa. "O mapa mostra não apenas a quantidade de carbono armazenado na floresta, mas também a precisão da estimativa."

Estima-se que o desmatamento e a degradação florestal contribuam com algo entre 15 e 20 por cento das emissões globais de carbono.

As florestas tropicais armazenam grandes quantidades de carbono na madeira e nas raízes de suas árvores. Quando as árvores são cortadas e se decompõem ou são queimados, o carbono é liberado para a atmosfera.

No ciclo de vida da floresta, contudo, ainda há controvérsias sobre os volumes da absorção e das emissões.
Amazônia absorve menos carbono do que o estimado

Mapeamento do carbono nas florestas


Depois do fracasso no lançamento de dois satélites artificiais voltados para o monitoramento do ciclo do carbono na Terra, os pesquisadores resolveram usar o chamado satélite do gelo, o ICESat, o mesmo que já havia servido para construir o mapa-múndi da altura das florestas.

Com a ajuda de dados de campo, amostrados diretamente no solo, eles calcularam a quantidade de biomassa acima do solo e, assim, a quantidade de carbono contido.

A equipe então extrapolou esses dados para a toda a variedade de terrenos e relevos ao redor do globo.

O mapa revela que, no início dos anos 2000, as florestas nos 75 países tropicais estudados continham 247 bilhões de toneladas de carbono - para comparação, são liberados anualmente para a atmosfera cerca de 10 bilhões de toneladas de carbono pela queima de combustíveis fósseis e pela agricultura.

Segundo o mapa, as florestas da América Latina contêm 49 por cento do carbono de todas as florestas tropicais do mundo. Por exemplo, o estoque de carbono do Brasil sozinho, com 61 bilhões de toneladas, é quase igual a todo o estoque de carbono na África Subsaariana, de 62 bilhões de toneladas.

Mercado de carbono

Esses números sobre o carbono, juntamente com informações sobre a incerteza das medições, são importantes para os países que pretendem participar do Programa REDD+ (Reducing Emissions from Deforestation and Degradation - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação).

O REDD+ é um esforço internacional para criar um valor financeiro para o carbono armazenado nas florestas. Ele oferece incentivos para os países preservarem suas florestas, reduzindo as emissões de carbono e investindo em rotas de desenvolvimento de baixa emissão de carbono.
Cresce otimismo em relação ao mercado global de créditos de carbono 

Bibliografia:

Benchmark map of forest carbon stocks in tropical regions across three continents
Sassan S. Saatchi, Nancy L. Harris, Sandra Brown, Michael Lefsky, Edward T. A. Mitchard, William Salas, Brian R. Zutta, Wolfgang Buermann, Simon L. Lewis, Stephen Hagen, Silvia Petrova, Lee White, Miles Silman, Alexandra Morel
Proceedings of the National Academy of Sciences
May 31, 2011
Vol.: Published ahead of print
DOI: 10.1073/pnas.1019576108

Virada Sustentável promete mais de 300 atrações em SP - 4 e 5 de junho






Mais informações acesse o site: www.viradasustentavel.com

Grupo AES e Elektro apresentam práticas sustentáveis em seminário da FNQ

Realizado em São Paulo, o evento terá palestra da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e abordará o desafio de inovar na gestão das organizações, buscando o crescimento sustentável. 

As empresas do setor de energia elétrica Grupo AES e Elektro participam de painéis de debate sobre práticas de inovação para sustentabilidade no 19º Seminário Internacional em Busca da Excelência, que a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) promove nos dias 9 e 10 de junho, em São Paulo. Por meio de palestras e apresentação de cases de sucesso, o evento aborda os desafios de gestão das organizações para promover a inovação voltada para o crescimento sustentável.

Sob o tema “Gestão da inovação para sustentabilidade”, o seminário ainda pretende debater a insustentabilidade do atual modelo econômico, em que o foco dos esforços da sociedade e das organizações ameniza provisoriamente os sintomas e não soluciona totalmente as causas dos problemas da humanidade, que atualmente é fundamentada na cultura de consumo e no uso exponencial dos recursos naturais.

Será proposta ainda uma reflexão sobre as medidas mais comumente aceitas, tal como a redução da emissão dos gases na atmosfera, que são relevantes para minimizar os impactos ambientais, mas não suficientes para o crescimento sustentável.

O evento contará com a palestra da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e as apresentações do ex-secretário do Meio Ambiente do México Victor Lichtinger e do professor da Fundação Getúlio Vargas, Renato Orsato, autor do livro “Estratégias de Sustentabilidade: quando vale a pena ser verde?”. Haverá ainda painéis de debates com a apresentação dos cases da petroquímica Braskem, do Instituto Akatu de Consumo Consciente, do banco Itau Unibanco, da empresa de alimentos e bebidas PepsiCo e da rede de supermercados Walmart, que mostrarão suas boas práticas de inovação e suas contribuições para a sustentabilidade.

Para o diretor executivo da FNQ, Ricardo Correa, é preciso que as organizações e a sociedade saibam cooperar e promover a inovação na gestão para conquistar a sustentabilidade. “Vivemos em uma sociedade de consumo que alimenta a economia. Essa combinação é insustentável e traz um desafio de gestão, que demanda muito mais do que a criação de produtos que não poluem o ambiente. Para conquistarmos uma economia mais sustentável, é fundamental que haja uma mudança de cultura e de atitude das pessoas e das organizações, reduzindo assim o consumo e usando de maneira consciente os recursos naturais”, destaca.
19º Seminário Internacional em Busca da Excelência, dias 09 e 10 de junho, das 8 às 17h30 (dia 9) e 9h às 13h (dia 10),no Espaço APAS (Rua Pio XI, 1200 - Alto da Lapa - São Paulo)| www.fnqsebeinternacional2011.com.br

FNQ-Criada em 1991, a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) é uma instituição sem fins lucrativos cujo objetivo é disseminar amplamente os Fundamentos da Excelência em Gestão para organizações de todos os setores e portes. Desta maneira, a FNQ contribui com o aperfeiçoamento da gestão, o aumento da competitividade das empresas e, consequentemente, com a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro. A instituição é responsável pela organização, promoção e avaliação do Prêmio Nacional da Qualidade® (PNQ), que reconhece anualmente as melhores práticas de excelência de gestão das empresas brasileiras.

“RS TERÁ CENTRO POPULAR PARA AS ENERGIAS RENOVÁVEIS E CONSTRUÇÕES POPULARES EFICIENTES”

Energias Renováveis e Casa Popular Eficiente

Será inaugurado no dia 2 de junho em Santo Antonio da Patrulha o “Centro de Aprendizagens para Energias Renováveis e a Casa Popular Eficiente”.


 
O parque temático está organizado em duas praças de visitação, sendo que a “Praça das Energias Renováveis” conta com equipamentos e instalações relativas às fontes solar, eólica, hidráulica e biomassa.

A “Praça da Eficiência Energética” está instalada na “Casa Popular Eficiente”, cuja aplicação de tecnologias permite economia no uso de energia, água e maior conforto térmico adaptado às construções populares. As visitações são oferecidas a estudantes, profissionais da área e público em geral e o conteúdo está preparado de forma didática e de fácil compreensão.

Na forma como está apresentado, trata-se de uma iniciativa única no mundo. 



É uma iniciativa do IDEAAS, ONG gaúcha dedicado às energias renováveis e acesso à energia, com atuações e projetos em várias regiões do Brasil, América Latina e África.

O fundador do IDEAAS e idealizador do Centro é o reconhecido empreendedor social Fábio Rosa.

Mais informações: www.ideaas.org.br e info@ideaas.org.br

Perfil dos líderes sustentáveis

  
Conheça um pouco dos estilos de Fábio Barbosa (Banco Santander), Guilherme Leal (Natura), Luiz Ernesto Gemignani (Promon), Franklin Feder (Alcoa), Paulo Nigro (Tetra Pak) entre outros. Leia mais.

A experiência de elaborar o livro Conversas com Líderes Sustentáveis (a ser lançado pela editora SENAC-SP, em junho de 2011) confirmou, de algum modo, a tese de que o modelo mental dos líderes faz toda a diferença na implantação mais ou menos veloz e consistente da sustentabilidade na gestão dos negócios – uma das conclusões do estudo Liderança e o Desafio da Sustentabilidade Empresarial (2007), da consultoria norte-americana Avastone, mencionado no artigo anterior.

Os líderes mais destacados são, de fato, indivíduos que sentem, pensam e agem “fora da caixa”. Entrevistei 10 presidentes reconhecidos pela atuação no tema da sustentabilidade: Fábio Barbosa (Banco Santander), Guilherme Leal (Natura), Luiz Ernesto Gemignani (Promon), Franklin Feder (Alcoa), Paulo Nigro (Tetra Pak), Miguel Krigsner (O Boticário), Kees Kruythoff (Unilever), José Luciano Penido (Fibria), Héctor Nuñez (ex-Walmart) e José Luiz Alquéres (ex-Light).

E embora tenham estilos e temperamentos distintos, há algo de comum no mindset do grupo que aqui sintetizei, para fins didáticos, em cinco pontos. Neste artigo, tratarei de três.

(1) Eles acreditam, de verdade, nos valores estruturantes do conceito de sustentabilidade

Para a maioria dos entrevistados, a crença vem em primeiro lugar. Não se trata simplesmente de acreditar, de modo utilitarista, no valor que a sustentabilidade pode adicionar a um negócio nesses tempos de maior interesse do grande público pelo tema. Mas de crer intimamente nos valores que estão por trás da sustentabilidade – como o respeito ao outro, aos ecossistemas e à diversidade, a ética altruísta, a justiça, o apreço ao diálogo e à transparência — e, mais do que isso, praticá-los cotidianamente em todos os seus atos, valorizá-los em suas escolhas, utilizá-los como driver das principais decisões.

Como já disse Frances Hesselbein (De líder para Líder, Futura, 1999) ex-presidente da Fundação Peter Drucker e entusiasta divulgadora das ideias do maior pensador de gestão do século 20, a liderança está, sobretudo, no campo do “como ser” mais do que no do “como fazer”.

Líderes em sustentabilidade têm os mesmos atributos do que o consultor britânico Charles Handy (Além do Capitalismo, Makron Books, 1999) chamou, certa vez, de “líderes com alma”, indivíduos livres e independentes, capazes de combinar espírito coletivista, solidez moral, paixão pelo que fazem e habilidade de transmitir essa paixão a outros.

A coerência entre o que se diz e o que se faz é, na visão dos líderes que entrevistei, condição fundamental para gerar credibilidade, mobilizar pessoas e extrair o compromisso necessário à mudança de sistemas, modelos e estratégias.

Atual presidente do Conselho do Banco Santander, Fábio Barbosa usa a interessante metáfora das teclas on e off para ressaltar essa ideia: um líder precisa ser ele mesmo, integralmente, no trabalho, como é em família ou no convívio com os amigos; não pode “ligar” ou “desligar” atitudes e valores éticos conforme as circunstâncias e situações da vida.

Ou os seus comandados terão todo o direito de desconfiar do propósito de sua pregação pela sustentabilidade. Valores são construídos ao longo de uma vida com base nos estímulos recebidos em casa, na escola e no grupo social mais próximo.

(2) Eles compreendem a noção de interdependência entre os sistemas produtivo, ambiental e o social

Não se trata aqui do conceito do triple bottom line – até porque, desvirtuado de sua original definição, ele tem servido muito mais como mote de mantra corporativo para empresas que nem remotamente o estão praticando para valer.

Compreender a noção de interdependência vem antes disso. Está na base de um modo diferente de pensar e fazer negócios menos “empresocêntrico” – mais respeitoso, menos arrogante – segundo o qual as empresas não estão acima da natureza e da sociedade. E, por consequência, dependem do equilíbrio gerado pela conjugação de lucro consistente, proteção ambiental e justiça social para obterem legitimidade. E se perpetuarem, até onde essa expressão faça sentido.

O melhor negócio é, portanto, aquele que é bom para todas as partes e não apenas para a empresa. Os líderes entrevistados para o livro agem movidos por essa consciência. Orientados por uma visão sistêmica, que consegue tratar como um todo integrado o que para muitos ainda são apenas fragmentos – as dimensões econômica, ambiental e social – , eles entendem a complexidade do tema, sua transversalidade e suas conexões não apenas com o negócio em si – um produto, um processo, uma estratégia – mas toda a cadeia de valor.

São, a rigor, indivíduos que já superaram, na prática, um dos quatro desafios-chaves propostos pelo Pacto Global da ONU, em seu relatório de 2004, Liderança Globalmente Responsável, um Chamado ao Engajamento”: estender o propósito das empresas para além das fronteiras econômicas. Acreditam que suas companhias geram valor para a sociedade produzindo e distribuindo bens e serviços, mas também bem-estar social. E intimamente estão preocupados em não legar qualquer tipo de passivo para as gerações futuras.

Jogam no time definido em recente estudo do Boston Consulting Group e da MIT Sloan Management Review (Sustentabilidade e Inovação) como dos “líderes entusiastas”. Ao contrário dos que atuam no outro time, o dos “adotantes cautelosos”, cujo pensamento está focado na noção de risco e de ganhos de eficiência, os entusiastas tratam a sustentabilidade já no core business e enxergam o tema como objeto de inovação, melhorias em processos, vantagem competitiva e oportunidades de crescimento.

Em alguns casos, como não estão mais na presidência executiva, mas no Conselho – exemplos de Fábio Barbosa, Guilherme Leal, Miguel Krigsner e Luiz Ernesto Gemignani – assumem o importante papel de “zeladores” da cultura de sustentabilidade, para que o tema não deixe de ser considerado em todas as decisões estratégicas das empresas que criaram ou já dirigiram.

(3) Eles têm coragem para enfrentar dilemas e persistência para conduzir as mudanças necessárias

Em artigo escrito em agosto de 2010 para a MIT Sloan Management Review, Christoph Lueneburger, especialista em sustentabilidade da Egon Zehnder International GmbH, e Daniel Goleman, autor de Inteligência Ecológica (editora Campus Elsevier ,2009), sugerem a existência de três fases distintas para implantação da sustentabilidade em uma empresa. Cada uma delas requer diferentes competências de liderança. A primeira consiste em instalar o processo de mudança. A segunda, transformar intenções em ação.

No primeiro caso, exige-se do líder que expresse a necessidade de agir, escolhendo uma abordagem clara de sustentabilidade, relacionada ao negócio, e convocando a colaboração dos públicos de interesse para a mudança. No segundo caso, espera-se que ele seja capaz de converter compromissos em um programa de mudanças, com iniciativas e metas claramente definidas, métricas econômicas, sociais e ambientais inseridas no planejamento dos negócios. Precisa ser capaz de convencer que sustentabilidade traz resultados e representa uma vantagem competitiva.

Os presidentes entrevistados em Conversas com Líderes Sustentáveis enfrentaram as duas etapas. Não foram poucos os que resistiram às suas ideias, sob os mais diferentes argumentos – filosóficos, ideológicos, organizacionais, mercadológicos e operacionais. Sem abrir mão de suas convicções, e sabendo dos obstáculos culturais para a aceitação do “novo”, confrontaram – e ainda confrontam – o ceticismo dos outros com serenidade, tolerância e uma incrível capacidade de persuasão.

Com a mesma determinação, lideraram processos para colocar a sustentabilidade no coração do negócio, aceitaram a incorporação dos custos das externalidades e enfrentaram dilemas verdadeiros como do curto prazo versus longo prazo, e também falsos, como o de que negócios sustentáveis não são rentáveis.

Ricardo Voltolini (Publisher da revista Ideia Sustentável e diretor da consultoria Ideia Sustentável)

Fonte: Ideia Sustentável – www.ideiasustentavel.com.br