Investir em ação ambiental dá lucro

Rogério Ruschel diz que empresas devem capacitar funcionários 
(FOTO DEIVYSON TEIXEIRA)  
 
Buscar a sustentabilidade socioambiental é um excelente negócio porque dá lucro. Estima-se que uma companhia que adota valores socioambientais na gestão tem aumento potencial de 38% no lucro
 
As empresas investem cada vez mais em sustentabilidade socioambiental não só porque são “boazinhas” mas porque esse é um negócio que dá lucro. E existem dezenas de formas de uma empresa ganhar mais adotando essas práticas.

Ontem, durante o seminário Futura Trends o consultor em Marketing e Meio Ambiente Rogério Ruschel falou sobre o assunto mostrando exemplos e resultados alcançados por empresas como a Natura, Amanco, Banco Real e Bradesco. Destacou ainda pesquisa realizada no Canadá pelo ex-diretor da IBM, Bob Willard, mostrando que uma empresa que adota valores socioambientais na gestão tem aumento no potencial de lucro de 38%.

“Quanto mais uma empresa adota valores socioambientais, mais ela reduz custos, mais ela aumenta lucros, mais reputação constrói, mais inovadora fica e mais se torna eficiente e aumenta o seu valor no mercado”, completa o consultor. Acrescenta que as ações das empresas sustentáveis se valorizam mais do que as que não o são, porque empresas com menores riscos, melhor governança e mais transparência, obviamente têm a preferência dos investidores.

Ruschel cita o caso da Natura que abriu o capital no Novo Mercado em 2004 com valorização de 450% das ações em dois anos. Depois se estabilizaram em 420% na Bolsa de Nova York. Além disso, a empresa brasileira ganhou a liderança do mercado. Adianta que no Brasil há “fila de espera” de empresas para participar do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa.

Sobre as maneiras de aumentar o lucro adotando valores socioambientais, Rogério Ruschel citou que no processo industrial a lucratividade aumentará quanto maior for a eficiência energética, quanto menor for a perda de insumos e quanto menor forem as perdas de matéria-primas e recursos hídricos.

“A AES Tietê aumenta o lucro reduzindo perdas através do plantio de 24 milhões de árvores em 5.700 quilômetros de margens de rios”, comenta, ressaltando que entre outros benefícios a companhia ganha aumento de produção de energia ao preservar a água, reduz custos com desassoreamentos e gera renda para cinco mil pequenos produtores de mudas.

Eficiência
Ruschel considera que quanto mais eficientes forem os equipamentos menores serão os riscos de paradas, incidentes ou acidentes. E as empresas que investem em sustentabilidade obtêm as melhores taxas de financiamento. Como exemplo cita o apoio a Projetos de Eficiência Energética com a linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e social (BNDES), Proesco (BNDES Finem).

Outro ponto destacado é a qualificação da mão de obra. Explica que quanto mais bem treinados e eficientes forem os funcionários maiores serão os resultados financeiros porque empregados satisfeitos são mais produtivos e rendem mais.

Multas ambientais
Além disso, a empresa com bom comportamento socioambiental poderá obter enormes ganhos com a eliminação de multas ambientais, redução de Termos de Ajuste de Conduta (TACs) que podem exigir a construção de estradas, postos de saúde e até mesmo hospitais para recuperar danos ambientais. “A Sadia aumentou o lucro ao evitar problemas legais e equipou centenas de pequenos produtores de suínos com biodigestores (formato cooperativa)”, comenta Ruschel.

Lembrou ainda a Lei de Resíduos Sólidos, que já foi aprovada, e que vai fazer com que vários setores econômicos, a partir de 2014, se responsabilizem pela recuperação do seu resíduo, incluindo até embalagens. O especialista explica que muitas empresas colocam o bônus que os diretores e executivos recebem atrelado ao cumprimento de metas socioambientais.

Artumira Dutra
artumira@opovo.com
 

Vivencie a construção da CICITY, cidade virtual da CICI2011

Assim como na cidade real, a CICITY será construída a partir da interação entre os participantes nas salas de debates e palestras
Uma iniciativa inédita promete render muitas discussões e debates em torno do mundo ideal e será possível vivenciá-lo a partir da CICITY, a cidade virtual que será construída, coletivamente, durante a CICI2011. A cidade será viabilizada a partir do engajamento dos participantes, que se unem por meio dos temas de interesse comum.

Segundo a Diretoria de Comunicação e Promoção da Fiep, a ideia é que participantes e palestrantes sejam responsáveis pelo desenvolvimento e crescimento da CICITY. Eles vão colaborar com a cidade, e os temas dos palestrantes que despertem maior interesse devem ganhar mais destaque durante o evento e influenciar com maior ênfase na construção da cidade.

Durante todo o evento, a CICITY passará por mudanças, que serão definidas de acordo com os temas que despertem interesse e mais interação. Tudo isso conforme o grau de atenção que for direcionado a cada assunto.

Assim como numa cidade real, a transformação começa com a atitude pró-ativa de cada cidadão. Para dar início à construção da CICITY, o participante deve registrar sua participação ao entrar em uma sala ou auditório, bastando passar o crachá no leitor de código de barras localizado na entrada de cada local. Outra forma de interagir é com a utilização da hashtag #cici2011 no Twitter, que também poderá ser usada para àqueles que não estiverem inscrito ou não estiverem no local do evento.

Cidade virtual que gera resultado real

A CICITY será instalada no hall do Cietep e estará disponível, também, no site do evento (www.cici2011.com.br), onde os participantes poderão visualizar todas essas transformações. Ao final da CICI2011, os dados gerados na CICITY serão disponibilizados para todos como forma de prestação de contas aos cidadãos "ciciticenses". As palestras e temas mais vistos, bem como as imagens da evolução da CICITY ao longo da conferência vão balizar os temas mais discutidos e de maior repercussão para compor a próxima edição do evento.
 

Fundação SOS Mata Atlântica realiza o Viva a Mata 2011

Sétima edição do maior evento ambiental em prol da Mata Atlântica comemora os 25 anos da ONG de 20 a 22 de maio no Parque Ibirapuera
Da Redação


 
A sétima edição do Viva a Mata – mostra de iniciativas e projetos em prol da Mata Atlântica – , que acontece entre os dias 20 e 22 de maio, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, comemora uma data especial: o 25º aniversário da Fundação SOS Mata Atlântica, organizadora do evento.

A programação do evento reúne atividades que buscam conscientizar a sociedade sobre a importância da conservação do meio ambiente e que apresentam um pouco da história da ONG. Com diversas atrações gratuitas, a exposição comemora também o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio). A iniciativa tem patrocínio do Bradesco e da Natura, e acontece na Arena de Eventos (ao lado do Museu Afro Brasil).

ONGs e instituições, que atuam nas mais variadas regiões do país, com programas pela conservação da Mata Atlântica, participarão do evento. Com mais de 100 projetos, a programação inclui peças de teatro, oficina de plantio com distribuição de mudas, palestras, debates, jogos educativos e muito mais.

A cenografia é assinada pelo designer Beto Von Poser, da Cenário Brasil, que desenvolveu estandes feitos de madeira reaproveitada, tecido com restos de panos e paredes com caixas de frutas.

Sua Mata, Sua Casa
Um dos principais objetivos da Fundação SOS Mata Atlântica é a mobilização de pessoas e articulação de ações para a proteção da Mata Atlântica, Bioma que compõe todo o ambiente ao nosso redor, seja ele formado por florestas ou urbano. “A qualidade do ar que respiramos e da água que consumimos são dois bons exemplos de como a conservação de nossas florestas e de nossos recursos naturais impactam diretamente em nossas vidas”, explica Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento da SOS Mata Atlântica. Segundo ela, “é com este conceito que comemoramos nossos 25 anos e realizamos o Viva a Mata 2011, destacando como todos somos agentes transformadores e estamos aptos a colaborar com a conservação da Mata Atlântica, ou, em outras palavras, com a proteção do meio ambiente em que vivemos.”

A diretora explica que a população costuma ver a floresta como algo distante, como a morada dos animais, por exemplo, e não como sua própria morada. “Cerca de 112 milhões de pessoas vivem na Mata Atlântica, mas não se dão conta disso e não se identificam com essa realidade. Por isto, esperamos que as atividades desenvolvidas no Viva a Mata mobilizem a sociedade ao mostrar que a Mata Atlântica tem uma importância enorme para a sadia qualidade de vida das pessoas, pois está diretamente relacionada ao seu dia a dia e depende de suas atitudes, como fazer bom uso da água limpa ou economizar energia elétrica”.

Com a mesma proposta, a Fundação apresenta também em São Paulo, no Shopping Metrô Tatuapé (Praça de Eventos – Piso Tatuapé), de 5 a 29 de maio, a exposição interativa “Sua Mata, Sua Casa”. São Paulo é a quarta cidade a receber o projeto, que já esteve em Fortaleza (CE), Maceió (AL) e Salvador (BA). Até janeiro de 2012, outras oito capitais nacionais receberão a exposição. Inspirada nas partes de uma casa, a mostra é dividida por cômodos onde o público encontra painéis informativos, vídeos, palestras e shows.

Auditório
A abertura do Viva a Mata 2011 está programada para as 9h do dia 20 de maio, com o painel “25 anos de olho na Mata Atlântica”, no auditório central do evento. Com capacidade para 60 pessoas, esse espaço concentrará os principais painéis, palestras e debates do evento.

Para o primeiro dia, estão programados os painéis “Mosaicos de conservação”, às 10h30; “Incentivos econômicos para quem protege a natureza”, às 12h; “Pacto pela Restauração da Mata Atlântica”, às 13h; “Estudos e Pesquisas nos esforços de restauração”, às 14h; “Comércio ilegal de animais silvestres”, às 15h e “Turismo comunitário na Mata Atlântica”, às 16h30.

No sábado, dia 21 de maio, acontecerão os debates “O Código Florestal e a vida nas cidades”, às 9h; “Planos Municipais de Mata Atlântica”, às 10h30; “Acessibilidade em áreas verdes”, às 12h; “O que vem com os portos na Mata Atlântica?”, às 13h30 e “Quem está invadindo a sua praia?”, às 15h; além da roda de conversa “Mobilização - espaço de articulação e cidadania”, às 16h30.

O último dia de evento iniciará com o debate “Tragédias naturais e Mata Atlântica”, às 9h; seguido por “Saúde e Meio Ambiente”, às 12h; “Gestão da água na legislação ambiental”, às 13h30; “Preparativos para a Rio+20”, às 16h30. No mesmo dia, às 15h, acontecerá a palestra “Emissões de CO2, como medir e compensar”.

Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público em geral. Mais informações: pelo site da entidade: www.sosma.org.br

Fonte: CeluloseOnline

Encontro Latinoamericano de Base Florestal e Biomassa será lançado em Lages

Evento pretende difundir conhecimento e tecnologia relevantes para cadeia produtiva da madeira
 

Será lançado, no dia 27 de maio, o Encontro Latinoamericano de Base Florestal e Biomassa, em Lages (SC), cidade cede do evento que será realizado de 17 a 19 de novembro de 2011. Com foco na primeira transformação da madeira e no aproveitamento de seus resíduos, o Florestal & Biomassa pretende difundir conhecimento e tecnologia relevantes para a cadeia produtiva da madeira. O lançamento será realizado em um jantar no Restaurante Cansian Zamban.

Lages é um grande pólo da indústria florestal-madeireira no Brasil, com a maior concentração de florestas plantadas de pinus do país. A indústria da madeira (com ênfase na produção de papel e celulose) ocupa papel de destaque na economia regional serrana. O parque industrial de Lages consiste, em grande parte, de empreendimentos ligados à cadeia produtiva da madeira, como madeireiras, fábricas de grampos, fábricas de portas, soleiras, batentes e congêneres.

Apesar de todo o potencial, a região serrana de Santa Catarina ainda não possuia um evento para difundir tecnologia e qualidade no plantio, manejo, transporte e comercialização da produção. A localização geográfica estratégica em relação às capitais dos estados do sul; Curitiba (210 km), Florianópolis (353 km) e Porto Alegre (575 km) e ainda a 575 km de Missiones na Argentina, foi outro fator decisivo na escolha da cidade.

Com 10.000 m² de área, o Parque de Exposições Conta Dinheiro, foi selecionado para abrigar os expositores, que estarão divididos em dois setores: interno com 1.500 m² para máquinas, equipamentos e matérias primas dos setores de base florestal e de biomassa; e externo com 8.500 m² para demonstração estática e dinâmica de máquinas e equipamentos das indústrias de madeira, papel e celulose e biomassa.

Organização
O evento Florestal & Biomassa é uma realização do Sindimadeira de Lages-SC, com promoção e organização da Hannover Fairs Sulamérica Ltda, empresa do grupo alemão Deustche Messe AG, maior organizador de feiras do mundo, sediada em Hannover. A empresa é a organizadora da LIGNA Hannover - a principal e maior feira para a indústria florestal e madeireira do mundo.
Cadastro e inscrição antecipados no www.florestalbiomassa.com.br

Serviço:
Lançamento Encontro Latinoamericano de Base Florestal e Biomassa
Data: 27 de maio, sexta-feira
Local: Restaurante Cansian Zambam – Rua Fr. Rogério, 730 – Lages – SC
Horário: 19h30


Fonte: INTERACT Comunicação

Educação ambiental é vital para coleta seletiva e reciclagem



Galpão da Cooperativa de Reciclagem, Trabalho e Produção (Cortrap), 
na Cidade Estrutural (DF). Só 8% das cidades brasileiras adotam coleta seletiva/Foto: Arquivo/ABr

As regras para o descarte adequado de produtos considerados "lixo industrial", tais como eletroeletrônicos, remédios, lâmpadas fluorescentes, embalagens em geral e recipientes e sobras de óleo lubrificantes, deverão entrar em vigor no segundo semestre de 2012, segundo projeção do Ministério do Meio Ambiente (MMA)
 
Na última semana, integrantes da pasta do governo federal estiveram reunidos com membros do setor industrial e da sociedade civil, no intuito de debater sobre as normas para coleta, separação e reaproveitamento de tais materiais.

O objetivo, de acordo com o MMA, é que o cidadão passe a ter informações claras sobre como e onde depositar os resíduos, sendo que os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes terão que observar normas mais rígidas de destinação adequada do lixo industrial.

Nesse sentido, a educação ambiental aparece como fator importante no sentido de que o cidadão implemente a coleta seletiva. Esta é a opinião de Fernanda Daltro, coordenadora de Consumo Sustentável da pasta. “Na verdade, ela [a educação ambiental] é transversalizada. As questões têm que fazer parte de todas as discussões. Nada impede que uma escola tenha um programa de educação ambiental. As crianças sabem da obrigação de cuidar do planeta”, destacou a especialista à Agência Brasil.


Das 150 mil toneladas de lixo produzidas diariamente no país, 40% são 
despejadas em aterros a céu aberto/Foto: Arquivo ABr

Diariamente, o Brasil produz 150 mil toneladas de lixo, das quais 40% são despejadas em aterros a céu aberto. 
O destino adequado do lixo é um problema que afeta a maioria das cidades - apenas 8% dos 5.565 municípios (443 cidades) adotam programas de coleta seletiva, segundo dados de um estudo realizado pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem e mantida por empresas privadas.

PNRS

"A pessoa tem que ser informada sobre o porquê de fazer a coleta e como aquilo se reverterá em benefícios, não só para a família dela e seus descendentes”, explicou o coordenador do núcleo de Educação Ambiental do Prevfogo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Genebaldo Freire.
O erro é do planejamento. Não se implementa a coleta seletiva sem um programa de educação ambiental antes, acrescentou o representante do Ibama.

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) prevê que todos os municípios do país tenham coleta seletiva em um prazo de quatro anos, além de estabelecer a proibição dos lixões. Trata-se da Lei Federal 12.305, de 2 de agosto de 2010, e regulamentada pelo Decreto Federal 7.404, de 23 de dezembro de 2010.

Apesar de considerar a importância das campanhas nacionais voltadas para conscientizar a população, o MMA prevê apenas uma campanha de consumo consciente por ano. Segundo Fernanda Daltro, o próprio ministério percebeu que o número não será suficiente. “A campanha Saco é um Saco foi um grande sucesso, com todo mundo falando. Nós temos um departamento de produção e consumo sustentável que vai estimular os consumidores e o setor produtivo a desenvolver novos padrões, com menos impacto no meio ambiente.” A próxima iniciativa, segundo ela, será sobre a separação de resíduos sólidos.

Lei brasileira para o setor é referência, afirmam especialistas

Tida como uma conquista da sociedade civil organizada, o projeto referente a PNRS tramitou mais de 20 anos no Congresso Nacional. “Nós entramos no circuito porque a primeira lei sequer citava os catadores”, observou Severino Lima Junior, um dos líderes da coordenação nacional do movimento. Segundo ele, a lei é uma das melhores da América Latina . "Hoje a gente tem dados mostrando que 90% do material reciclado passou pela mão de um catador, seja ele de cooperativa ou de rua e lixões.”

Representante do Ibama, Genebaldo Freire compactua de opinião semelhante. “Muitos países não têm uma Política Nacional de Resíduos Sólidos e nós já temos. É uma conquista. Há vinte anos você era rotulado de ecochato, biodesagradável, anarquista e, hoje, você tem políticas voltadas para isso", comparou.

A coordenadora de Consumo Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernanda Daltro, ressaltou que a aprovação da lei foi o resultado de uma grande mobilização de todos os setores envolvidos: a sociedade, o setor produtivo, o governo e os catadores. “A demora da tramitação foi necessária para a adequação de todos os interesses destes setores, do próprio mercado, para atender as exigências, e dos governos, para entender a importância de uma política para os resíduos sólidos.”

De acordo com a lei, os governos municipais e estaduais têm dois anos de prazo para a elaboração de um plano de resíduos sólidos.

Todas as ações e atividades que são consideradas como crimes ambientais podem ser punidas com multas na legislação ambiental brasileira, seja para pessoas físicas ou jurídicas. O valor pode chegar R$ 50 milhões. Na concepção do advogado José Gustavo de Oliveira Franco, especialista em direito ambiental, a estrutura da lei ambiental se consolidou com o pasar do tempo. “Temos a criação de normas, como a própria Lei de Crimes Ambientais e o decreto que a regulamenta, que estabelece as infrações administrativas e permite um acompanhamento do poder público das questões ambientais e a garantia da qualidade do meio ambiente."

Estudo divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em fevereiro deste ano concluiu que a legislação ambiental do país deve prever não só a punição daqueles que degradam a natureza, mas também incentivar a preservação dela. "O trabalho dos legisladores tem sido feito com seriedade, mas ainda precisamos avançar", ponderou à época Patrícia Lemos, advogada especialista em direito ambiental.

Com informações da Agência Brasil

O PROJETO DA HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL E A SUSTENTABILIDADE SOCIAL

Autores: 
Antônio Tarcísio da Luz Reis
Maria Cristina Dias Lay



Resumo

O objetivo deste artigo é reforçar a importância da sustentabilidade social para o projeto da habitação de interesse social e apontar recomendações projetuais que possuam o potencial de qualificar a habitação de interesse social, com base em investigações realizadas. 
A qualidade das soluções arquitetônicas envolvendo os aspectos estéticos e funcionais do projeto da habitação social determina a eficiência com que o projeto responde às necessidades de seus usuários. Projetos habitacionais para a população de baixa renda da região metropolitana de Porto Alegre são utilizados como objeto de estudo. A análise dos dados obtidos através de questionários, entrevistas, observações de comportamento e traços físicos e levantamentos físicos, possibilita a produção da informação necessária. Os resultados revelam a importância da consideração dos aspectos físico-espaciais para a qualidade e conseqüente sustentabilidade do projeto da habitação de interesse social. Por exemplo, as relações entre as edificações e os espaços abertos tende a afetar o uso e adequação de tais espaços e, logo, a existência de um ambiente residencial socialmente sustentável.
Para ler o artigo na íntegra clique aqui!
Fonte: 
Cbic

Questão ambiental: é preciso transformar consciência em ação

Universo EAD, do Senac São Paulo

 
 
Não é de hoje que a questão ambiental tem conquistado espaço nos diversos setores da economia. E, com maior frequência, novos projetos, pesquisas e leis surgem em quase todo o mundo para apoiar iniciativas e ideias que, até então, faziam parte apenas das preocupações de intelectuais e ecologistas.

Infelizmente, as tragédias naturais também têm tornado essas preocupações mais populares. Hoje, a maioria dos cidadãos é capaz de tecer comentários sobre aquecimento global, poluentes, terremotos, deslizamentos, furacões e outros graves incidentes mundiais. Mas será que cada um de nós tem, realmente, feito a sua parte para minimizar a ocorrência desses fenômenos?

Para falar sobre os principais aspectos que envolvem o tema meio ambiente, o Universo EAD entrevistou o físico Délcio Rodrigues, diretor executivo do instituto Ekos Brasil que, entre diversas atividades, participou do conselho internacional de campanhas do Greenpeace.

Universo EAD – Délcio, você acredita que as recentes tragédias ocorridas no Brasil e no mundo podem servir de alerta para que haja mais atenção global com a questão do meio ambiente?

Délcio Rodrigues – Essas tragédias têm em comum a existência de assentamentos humanos em locais inapropriados, seja devido à possibilidade de avalanches e escorregamentos na serra fluminense, seja devido à probabilidade elevada de ocorrência de terremotos e tsunamis na costa do Japão. Aliás, a palavra tsunami é japonesa, o que por si só já mostra a recorrência do fenômeno na região. Essas tragédias certamente terão consequências na regulação da habitação e da geração de energia nuclear, devem aumentar os custos e a reação social contra a energia nuclear a níveis que talvez a inviabilizem, enfim, devem aumentar a atenção social com os aspectos ambientais.

Universo EAD – Como você avalia a participação de empresas públicas e privadas na popularização das campanhas de preservação do meio ambiente?

Délcio Rodrigues – Nenhuma empresa pública ou privada é admirada hoje por seus consumidores e pela sociedade se descuidar dos aspectos ambientais de suas atividades. Mais que isso, observo que empresas que se posicionam como cuidadoras do meio ambiente têm melhores condições competitivas, são consideradas como melhores locais para se trabalhar e muitas vezes conseguem melhor remuneração pelos seus produtos. A tendência contemporânea é que as empresas sejam popularizadoras da consciência ambiental, embora infelizmente não seja ainda uma prática universal.

Universo EAD – Você acha que a atual crise econômica pode intensificar a crise do meio ambiente? Ou seria o contrário?

Délcio Rodrigues – É possível detectar efeitos contraditórios na crise econômica. Por um lado, a preocupação internacional com o crescimento e a manutenção do nível de emprego levou vários governos a incentivar a produção sem a devida atenção às questões ambientais. Por outro lado, o vendaval democrático que varre o norte da África e a Península Arábica gera inseguranças e alarma quanto à dependência no petróleo, impulsionando ainda mais a energia solar, a eólica e os combustíveis da biomassa, o que certamente contribuirá com a mitigação das mudanças climáticas. Como esses exemplos, poderíamos apontar outros sinais contraditórios, de modo que avaliar o real efeito da crise econômica na questão somente será possível dentro de algum tempo.

Universo EAD – Qual é a importância do cidadão comum junto a campanhas relacionadas ao meio ambiente?

Délcio Rodrigues – Grande. Embora a efetividade da ação do cidadão comum seja bastante dependente da organização social na qual ele está inserido, sua responsabilidade enquanto consumidor e eleitor consciente pode fazer grande diferença.

Universo EAD – Você acredita que os brasileiros já têm consciência sobre a importância do meio ambiente no dia a dia da população?

Délcio Rodrigues – O brasileiro está cada vez mais consciente dos problemas ambientais, como se pode ver, por exemplo, nos resultados da pesquisa “O que os brasileiros pensam do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável”, feita de tempos em tempos pelo Iser (Instituto de Estudos da Religião) e pelo Ministério do Meio Ambiente. Por exemplo, em 1992, 46% da população não conseguia espontaneamente citar nenhum problema ambiental na sua cidade ou no seu bairro. Na pesquisa de 1997, esse percentual caiu para 36%; em 2001, para 27%; e em 2005, para 11%, o que é uma evolução surpreendente. A dificuldade do brasileiro parece ser transformar essa consciência em ação. Pelo menos é o que se vê no dia a dia de nossas cidades e na baixa cobrança de melhorias ambientais exercida sobre os governos.

Universo EAD – A frase “educação vem de berço” também vale para questões ligadas ao meio ambiente? Qual é o papel das famílias e das instituições de ensino junto à educação ambiental?

Délcio Rodrigues – A família e a escola têm papel na educação ambiental das crianças, assim como têm na educação afetiva, social, na criação do hábito de leitura e muito mais, embora observemos muitas vezes a criança cobrando atitudes mais “verdes” de seus pais e parentes, e não o contrário. É importante que a família e as instituições educacionais tenham atitudes efetivas na promoção da sustentabilidade de nossa sociedade para que a criança perceba que o discurso pelo meio ambiente, quase banal em nossos dias, é pra valer.

Universo EAD – Na sua opinião, a internet e as redes sociais podem ajudar a difundir a importância do meio ambiente entre a população?

Délcio Rodrigues – Como meio de informação e comunicação, a internet tem grande papel na difusão da importância do meio ambiente e de boas práticas e também na denúncia de infrações e crimes ambientais. As redes sociais têm conseguido mobilizar para a ação, o que é fundamental.

Universo EAD – Independente das razões, na sua opinião, qual são os problemas ambientais mais graves no atual cenário nacional?

Délcio Rodrigues – Eu diria que a reduzida fração de esgoto que é efetivamente tratada nas nossas cidades; os impactos no ar das grandes cidades e no clima do planeta causados pelo excesso de automóveis e transportes rodoviários; e a perda da biodiversidade e de fontes de água pelo desmatamento são os nossos principais problemas ambientais. Este último ainda pode ser agravado pela alteração do Código Florestal, proposta em atual tramitação no Congresso Nacional.

Universo EAD – Que projetos poderiam ajudar a minimizar esses problemas?

Délcio Rodrigues – Quanto aos dois primeiros problemas apontados, um ambicioso programa de investimento em saneamento, ambientalmente adequado, e investimentos maciços no transporte público urbano e em uma rede ferroviária adequada ao porte do país. Agora, para preservar a fauna e a flora (os chamados biomas), reduzir o desmatamento da Amazônia e também do Cerrado, não será um ou outro projeto que poderá enfrentar a questão. Precisaremos aprofundar a integração de programas e ações governamentais, como a que conseguiu reduzir significativamente o desmatamento da Amazônia nos últimos anos, embora as taxas de desmatamento daquele bioma ainda sejam vergonhosas. É preciso transformar a redução do desmatamento em prioridade nacional. E incentivar a pesquisa, ampliar nosso conhecimento sobre os biomas, de modo a realmente transformá-los em ativos valiosos para a sociedade.

Universo EAD – Atualmente, quais são as iniciativas mais eficazes em busca da preservação do meio ambiente? Há exemplos viáveis para o Brasil?

Délcio Rodrigues – A preservação do meio ambiente ainda depende fortemente de políticas de “comando e controle”, isto é, de legislações que determinem a preservação ambiental, com fiscalização e policiamento eficientes para garantir sua aplicação. Entretanto, iniciativas que buscam criar valor para os biomas de determinadas regiões, como o pagamento pelos serviços ambientais prestados ou os sistemas de cap and trade – o estabelecimento de limites de emissão e a comercialização de direitos sobre esses limites –, têm gerado impactos positivos. Exemplos são o sistema de cap and trade que conseguiu reduzir em muito as emissões de óxidos de enxofre nos Estados Unidos e os pagamentos feitos pela cidade de Nova York aos proprietários das terras da região de seus mananciais para que mantenham suas florestas e protejam as nascentes. Esquemas como esses estão surgindo em municípios de Minas Gerais com resultados fascinantes. E é bem possível que vejamos, no futuro próximo, um sistema de comercialização de créditos de carbono entre as unidades federativas brasileiras.

Universo EAD – Você acredita que a realização da Copa 2014 no Brasil possa trazer benefícios ambientais ao país? Se sim, quais poderia citar como exemplo?

Délcio Rodrigues – Não acredito que esses eventos tragam benefícios ambientais significativos ao país. Talvez, eventualmente, uma ou outra cidade, ou bairros de algumas cidades, possa ver algum saneamento ou transporte público surgir em função dos eventos esportivos. Mas certamente eles não têm força para alterar significativamente as grandes questões ambientais enfrentadas hoje pelo Brasil.

Universo EAD – No aspecto profissional, como você avalia o futuro das carreiras ligadas ao meio ambiente? Que áreas deverão ter mais destaque?

Délcio Rodrigues – Carreiras profissionais ligadas ao meio ambiente estão crescendo em importância e vão crescer ainda mais. Mas me parece que a grande transformação profissional trazida pela crise ambiental das mudanças climáticas e pelo aumento da consciência sobre os impactos causados pela humanidade ao meio ambiente seja a incorporação de tecnologias e saberes ambientais em todas as profissões. Advogados terão que tratar mais com questões ambientais, assim como engenheiros, enfermeiros, geólogos, jornalistas, administradores, economistas etc. Essa sim é a grande transformação de carreiras trazida pela crise ambiental.

(Setor3)